Base Militar dos EUA em Doha é atingida por 6 mísseis iranianos

Em menos de 48 após os bombardeios americanos contra as instalações nucleares iranianas de Fordow, Natanz e Isfahan, Teerã lança, na tarde de hoje (23/6), horário local, 6 mísseis contra a base militar Al Udeid, que fica na capital do Catar, em Doha. Explosões também foram ouvidas no local. O Ministério das Relações Exteriores do Catar declarou que exercerá seu direito de resposta contra a ação, a qual considerou flagrante violação à soberania do país.  

“Anunciação da Vitória”

O revide do Irã foi denominado pela Guarda Revolucionária do país como “Anunciação da Vitória”, segundo uma agência de notícias do país. Trata-se da operação militar iraniana, organizada contra as bases militares americanas no Oriente Médio, a ‘Al Udeid’, localizado no sudoeste de Doha, no Catar e ‘Ain al-Asad’, no Iraque, após os Estados Unidos terem lançado bombas do tipo GBU-57, que têm alto poder destrutivo, contra as instalações nucleares subterrâneas do inimigo de Israel, no último dia 21/6, na operação chamada Martelo da Meia-Noite.

Segundo relato da agência internacional de notícias Reuters, o exército do Irã classificou o ataque como “devastador e poderoso”. Os mísseis foram interceptados pela defesa aérea do Catar, segundo informou o Ministro da Defesa à rede de televisão Al Jazeera TV. Nem a base catariana e nem os 10 mil soldados americanos que lá estavam abrigados foram atingidos, segundo relato do Ministério da Defesa do Catar: “Confirmamos que não há feridos ou mortos como resultado do ataque”.


Mísseis iranianos lançados contra base militar em Doha (Vídeo: reprodução/X/@HerreraNews1)

Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, afirmou o direito que o país tem de responder diretamente e nas mesmas proporções, o ataque feito pelo Irã, tendo em vista flagrante violação ao direito internacional, à Carta da ONU e à soberania nacional.

Casa Branca responde

De maneira bem suscinta e objetiva, sem qualquer detalhe adicional, a agência norte-americana Axios obteve a confirmação da Casa Branca e do Departamento de Estado de que estão “cientes e monitorando de perto” a situação.

A possibilidade de ocorrer uma retaliação iraniana era algo previsível para os Estados Unidos. Segundo três autoridades do Irã relataram ao jornal americano The New York Times, o país avisou previamente as autoridades do Catar que iria realizar um ataque e que a ação havia sido estrategicamente arquitetada, para que fosse permitido, a todos os envolvidos no conflito, uma saída.

Ataque certeiro de Israel sobre Irã atinge infraestrutura militar

Nesta segunda-feira (23), Israel lançou um novo ataque contra o Irã, atingindo o quartel-general da Guarda Revolucionária, a prisão de Evin e a central nuclear de Fordow, atingida no fim de semana. Em contrapartida, o Irã ameaçou os EUA sobre as graves consequências dos bombardeios às instalações militares, o que pode fazer a guerra se estender pelo Oriente Médio

Base nuclear era o alvo específico

Israelenses e iranianos confirmaram os ataques. A agência de notícias iraniana Tasnim citou um porta-voz da província de Qom — onde fica Fordow, uma base militar localizada em uma montanha — que confirmou as explosões no local. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a central nuclear era um dos alvos do bombardeio, mas que havia outros na lista de objetivos.

“De acordo com a orientação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e minha, as Forças de Defesa de Israel estão atacando neste momento, com intensidade sem precedentes, alvos do regime e órgãos de repressão governamental no coração de Teerã”, escreveu Katz em uma publicação na rede social X. “Entre eles: a sede da milícia Basij, a prisão de Evin — que abriga presos políticos e opositores do regime —, o relógio da ‘destruição de Israel’ na Praça Palestina, quarteis da segurança interna da Guarda Revolucionária, o quartel da ideologia e outros alvos do regime”.

Sobre o ataque a Fordow

O ataque a Fordow, segundo o Exército, teve como objetivo obstruir as rotas de acesso à instalação militar iraniana. A base foi construída no interior de uma montanha justamente para resistir a possíveis bombardeios. A central nuclear de Fordow é considerada por Israel um dos símbolos do programa nuclear iraniano, que o governo israelense acusa de ter fins militares — algo que Teerã nega. Quando os Estados Unidos bombardearam a base com bombas antibunker de 13,6 toneladas, os danos causados podem ter sido significativos.

Após uma reunião de emergência do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o chefe da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi, comunicou nesta segunda-feira que há indícios de que as bombas lançadas pelos Estados Unidos causaram ‘danos muito significativos’ em áreas subterrâneas da usina iraniana.


Local atingido por ataque (Foto: Reprodução/Majid Saeedi/Getting Imagens Embed)

“Dada a carga explosiva utilizada e a natureza extremamente sensível à vibração das centrífugas, espera-se que tenham ocorrido danos muito significativos”, disse Grossi, citado no comunicado.

Ataques em Teerã

Autoridades do Crescente Vermelho (organização humanitária equivalente à Cruz Vermelha) afirmaram que bombas caíram próximas à sede da instituição. Uma densa fumaça preta tomou o céu da capital iraniana após os ataques realizados por Israel. Fontes tanto de Israel quanto do Irã confirmaram que alvos militares também foram atingidos.

O Nounews um jornal iraniano, divulgou imagens captadas pelas câmeras de segurança da entrada da prisão de Evin. Nesse cárcere estão detidas pessoas consideradas inimigas do regime. Segundo fontes oficiais, os presos não foram feridos e a situação está ‘sob controle’. “No último ataque do regime sionista a Teerã, projéteis infelizmente atingiram a Prisão de Evin, danificando partes da instalação”, relatou o site Mizan Online, que está vinculado ao judiciário do Irã.

O ministro das Relações Exteriores israelenses, Gideon Sa’ar, escreveu uma publicação nas redes sociais, referenciando o slogan do presidente da Argentina, Javier Milei, que foi marcado na postagem.

Nós alertamos o Irã uma vez após a outra: parem de mirar os civis! Eles continuaram, inclusive nesta manhã. Nossa resposta: Viva a liberdade, caral”

Gideon Sa’ar

Aliás, a prisão de Evin não é conhecida por tratar bem os presos políticos. Lá estão, inclusive, prisioneiros estrangeiros, como os franceses Cécile Kohler e Jacques Paris. Noémie Kohler, irmã de Cécile, detida em Evin desde 2022, classificou o bombardeio israelense como ‘completamente irresponsável’

O Exército israelense confirmou, em um comunicado mais detalhado, que bombardeou quartéis-generais iranianos — inclusive aquele que pode ser o principal quartel da Guarda Revolucionária na capital — além do Comando Geral de Segurança da Informação das Forças de Segurança Interna. Os danos causados por esse ataque ainda não foram avaliados.

Sobre o ataque do Irã a Israel

O Irã realizou ataques contra Israel nesta segunda-feira. Foram disparados mísseis em sequência, atingindo o país de norte a sul. Com a ofensiva, milhões de israelenses buscaram abrigo. As cidades afetadas foram Haifa, Tel Aviv e a região da fronteira com Gaza, no sul do país. O ataque prejudicou o fornecimento de energia durante a manhã e o início da tarde (madrugada e manhã em Brasília).

Trump usa slogan “MIGA” e confirma envolvimento dos EUA em conflito no Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo (22) nas redes sociais que pode haver uma mudança no governo do Irã. A fala veio um dia depois de os EUA entrarem na guerra e atacarem três instalações nucleares no país, no sábado (21).

O que significa MIGA?

No texto, Trump usou o slogan “MIGA” — Make Iran Great Again (“Tornar o Irã grande novamente”), fazendo referência ao seu lema de campanha MAGA, (Make America Great Again).

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os ataques feitos pelos americanos às instalações do Irã tinham como objetivo evitar que o país construa uma arma nuclear, e não derrubar o governo iraniano.

Irã e Israel estão em guerra desde o último dia 13, quando as forças de Israel anunciaram uma operação para destruir alvos nucleares iranianos, o que levou o Irã a responder com ataques.

Donald Trump, que já havia mostrado intenção de apoiar Israel, confirmou esse apoio no sábado (21), quando os Estados Unidos entraram oficialmente no conflito, bombardeando instalações nucleares no Irã. A principal delas, em Fordow, teve danos visíveis na estrutura.

Dias antes, na terça-feira (17), Trump já havia dado sinais de envolvimento mais direto, dizendo que os EUA já tinham o controle do céu do Irã. Ele também declarou que sabia onde estava o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e afirmou que não o mataria por enquanto, mas que sua paciência estava chegando ao fim.


Frase de Donald Trump sobre o slogan MIGA na rede social Truth Social (Foto: reprodução/X/@trump_repost)

Tensão entre EUA e Irã

Desde fevereiro, Trump voltou a adotar a política de pressão máxima contra o Irã, com a intenção de forçar o país a negociar um novo acordo que impeça a produção de armas nucleares.

Na quinta-feira (19), ele disse que levaria até duas semanas para decidir se os Estados Unidos entrariam na guerra, mas a decisão veio antes do esperado, e dois dias depois, no sábado (21), os EUA passaram a participar diretamente do conflito.

Bitcoin cai abaixo de US$ 100 mil com tensão entre Irã e Israel

A recente escalada no conflito entre Irã e Israel, com possibilidade de envolvimento direto dos Estados Unidos, provocou um forte abalo no mercado de criptomoedas. O Bitcoin sofreu uma queda significativa, rompendo a barreira dos US$ 100 mil. Outras moedas digitais importantes, como Ethereum e XRP, também registraram perdas expressivas. Em menos de 24 horas, o valor de mercado do setor encolheu em cerca de US$ 250 bilhões.

Incerteza geopolítica e volatilidade no mercado

Apesar da resistência inicial do Bitcoin e da expectativa de que ultrapasse o ouro em 2025, a escalada da crise no Oriente Médio fez os investidores recuarem. O Bitcoin caiu abaixo dos US$ 100 mil, enquanto outras criptomoedas importantes, como Ethereum e XRP, também tiveram quedas fortes. Como resultado, em menos de 24 horas, o mercado perdeu cerca de US$ 250 bilhões em valor.

O cenário se agravou após rumores de que o Irã estaria próximo de bloquear o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. A medida, caso confirmada, poderia desencadear um aumento nos preços da energia e alimentar ainda mais a instabilidade nos mercados financeiros.


O bloqueio do Estreito de Ormuz aumenta as tensões no Oriente Médio e impacta o mercado global (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


Os riscos de um bloqueio do Estreito

De acordo com informações divulgadas pela France24, que citou a rede estatal iraniana Press TV, o Parlamento do Irã já teria aprovado o fechamento do Estreito de Ormuz. A decisão final, no entanto, ainda está nas mãos do Conselho Supremo de Segurança Nacional, a mais alta instância de defesa do país. Em entrevista ao Young Journalist Club, o comandante da Guarda Revolucionária, Esmail Kosari, declarou que a medida segue em pauta e será executada “sempre que for necessário”, alimentando o medo de represálias.

Especialistas alertam que, mesmo diante de um eventual bloqueio, o impacto nos mercados pode não se estender por muito tempo. No entanto, somente o risco envolvendo o petróleo já é suficiente para deixar os investidores preocupados. Quando isso acontece, muitos preferem não correr riscos e acabam tirando dinheiro de investimentos mais instáveis, como o Bitcoin.

Alex Kuptsikevich, analista-chefe da FxPro, ressaltou que uma escalada envolvendo outros países e o possível bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã podem reduzir ainda mais o apetite global por risco e reverter a tendência de alta do Bitcoin. Ele afirmou que, por isso, os próximos movimentos da criptomoeda dependerão diretamente do desenrolar dos conflitos na região.

Guerra no oriente médio: Donald Trump fala sobre bombardeios dos EUA nas bases nucleares do Irã

Donald Trump falou neste sábado, 21, às 20h50 (pelo horário de Brasília) sobre os ataques dos Estados Unidos às três principais bases nucleares do Irã. Que ocorreram minutos antes do pronunciamento do presidente.

No pronunciamento, realizado dentro da Casa Branca, o presidente afirmou que os ataques executados pelo país nas três principais instalações nucleares do Irã foram de alta precisão. Ele ainda pediu que guardassem os nomes: Fordow, Natanz e Isfahan, pois os bombardeios tiveram como objetivo acabar com a capacidade nuclear iraniana, já que, segundo ele, isso cessará as ameaças nucleares feitas pelo país.

Trump também continuou dizendo que só existem duas opções: paz ou tragédia para o Irã, e pediu que os ataques ocorridos nos últimos dias fossem encerrados. Ele ainda destacou o dia dos bombardeios como o mais doloroso e fatal de todos, e garantiu que, caso a paz não aconteça de imediato, os Estados Unidos continuarão atacando com urgência e com habilidade.

O país norte-americano entrou na guerra após uma semana intensa de confrontos aéreos entre Israel e Irã. Aviões de combate do exército americano explodiram as principais unidades nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Isfahan.

O presidente chamou os ataques como um grande sucesso

“Durante 40 anos, o Irã repete ‘morte à América, morte a Israel’. E agora nós estamos quebrando as suas pernas com essas bombas”, afirmou.

Donald Trump chamou o Irã de bully, expressão usada para se referir a alguém valentão, e declarou que o país é o “valentão do Oriente Médio”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou neste domingo (22) que os Estados Unidos ultrapassaram um limite inaceitável ao atacar instalações nucleares do país. O pronunciamento foi feito durante uma coletiva de imprensa na cidade de Istambul. O chanceler também afirmou que os bombardeios realizados pelos Estados Unidos violam a Carta da ONU e o direito internacional, e ressaltou que Teerã já notificou o Conselho de Segurança da organização para a realização de uma reunião de emergência.



Ali Khamenei, líder supremo do Irã (Foto: reprodução/x/@QGdoPOP)

EUA e Israel

Trump também aproveitou a ocasião para parabenizar o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e os militares americanos e israelenses que, de acordo com ele, trabalharam juntos para exterminar as ameaças. Ressaltou ainda que não há força militar capaz de fazer o que os Estados Unidos fizeram.

Na manhã deste domingo (22), o governo americano realizou uma coletiva de imprensa no Pentágono, sede responsável pelo Departamento de Defesa, para esclarecer os combates feitos ao Irã.

Irã ataca Israel após envolvimento americano no conflito 

O Irã realizou um ataque retaliatório contra Israel na madrugada deste domingo (22), horário local. De acordo com informações do Serviço Nacional de Emergência Médica e Desastres de Israel (MDA), pelo menos 23 pessoas ficaram feridas. As cidades alvos dos bombardeios foram Tel Aviv e Ness Ziona, no centro de Israel, que tiveram prédios residenciais atingidos. 

Novos alertas

No início da ofensiva, as Forças de Defesa israelenses (IDF) emitiram um alerta à população do país para se protegerem em abrigos devido ao novo ataque. Conforme declarou a IDF, a maioria dos mísseis lançados pelo Irã foram interceptados. Em resposta, as forças aéreas israelenses contra-atacaram destruindo instalações militares iranianas nas regiões de Yazd, Isfahan, Ahvaz e Bushehr.


Publicação das Forças de Defesa de Israel (IDF) sobre os últimos ataques realizados pelo Irã (Vídeo: reprodução/X/@idfonline)

Conforme informou o IDF, a Força Aérea e a Marinha israelenses estão trabalhando conjuntamente com as demais autoridades militares do país para bloquear os ataques iranianos. Segundo declaração, na última madrugada, horário local, foram interceptados “30 veículos aéreos não tripulados lançados em direção ao território israelense”. Ao todo, desde a operação conjunta entre as forças de defesa, foram interceptados 500 mísseis vindos do Irã.

Posicionamento da ONU

Após os ataques dos EUA contra instalações nucleares iranianas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um apelo para um cessar-fogo na região. Alertando que os Estados-Membros devem seguir as diretrizes estabelecidas pela Organização. Em sua fala, Guterres pede “para que reduzam a tensão e cumpram suas obrigações sob a Carta da ONU e outras normas do direito internacional.” Israel e os EUA são acusados pela comunidade internacional de promover violações das normas e por não respeitar a soberania iraniana.


Declaração de António Guterres sobre os últimos acontecimentos envolvendo o conflito entre Israel/EUA e o Irã (Foto: reprodução/X/@UN_News_Centre)

Para António Guterres a escalada do conflito no Oriente Médio entra em um momento delicado e a diplomacia deve ser utilizada para evitar uma “espiral de caos” na região. Além de Guterres, altos funcionários da ONU, demais organizações multilaterais e autoridades de grandes potências mundiais também demonstraram preocupação com o envolvimento do governo de Donald Trump no conflito entre Israel e Irã.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse não haver sinais de vazamentos de radiação até o momento e continuará monitorando a situação de perto.  Contudo, Grossi convocou uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira (23), junto ao Conselho de Diretores da AIEA para realizar avaliações adicionais nas instalações. 

Putin está apreensivo com panorama que pode desencadear 3ª Guerra Mundial

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, admitiu estar preocupado com a escalada dos conflitos no Oriente Médio, que podem apontar para a 3ª Guerra Mundial. Putin fez a declaração durante o Fórum Econômico Internacional de São Petesburgo (SPIEF), nesta sexta-feira (20). 

Durante o evento, o líder russo falou sobre a guerra com a Ucrânia, desde fevereiro de 2022, e sobre o conflito do momento entre Israel e Irã, que é aliado da Rússia na guerra contra a Ucrânia. 


Fala do presidente russo expõe preocupações com a escalada do conflito entre Israel e Irã (Vídeo: reprodução/X/@sputinik_brasil)

O governante russo teceu comentários sobre os ataques em torno das instalações nucleares iranianas, onde especialistas da Rússia estão construindo dois novos reatores para Teerã. 

É preocupante. Estou falando sem ironia, sem brincadeira.

Vladimir Putin

O líder ressaltou que há um “grande e crescente potencial de conflito” no Oriente Médio, que pode escalar ainda mais no cenário internacional, diante dos olhos de todo o mundo. “E isso exige, é claro, não apenas nossa atenção cuidadosa aos eventos que estão ocorrendo, mas também a busca de soluções, de preferência por meios pacíficos, em todas as direções”, afirmou o russo. 

Putin mediador

O presidente russo se ofereceu para servir de mediador no conflito entre Israel e Irã, o que não causa surpresa. A oferta incomodou o presidente norte-americano Donald Trump.


Líderes mundiais pedem por uma mediação para que a situação entre Israel e Irã não se agrave (Vídeo: reprodução/YouTube/Record News)

Em 2025, Rússia e Irã assinaram um pacto de cooperação mútua de longo prazo, que inclui coordenação político-militar, apoio em fóruns internacionais e possíveis pactos de defesa mútua, segundo alguns analistas. 

O acordo não deixa claro se o Kremlin deve fornecer armamento ou contribuir na produção bélica iraniana. No entanto, caso o conflito no Oriente Médio se amplie, é possível que a Rússia ajude o governo do Irã. 

Rússia x Ucrânia

Putin lidera a invasão das tropas russas na Ucrânia em uma guerra que já dura três anos.

Devido aos atritos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), composta por países da União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido, existe o receio de que a guerra atinja mais regiões além das fronteiras ucranianas. 

O czar russo ameaçou novamente a Ucrânia e sinalizou que existe a possibilidade de tomar novos territórios, como a cidade de Sumy, ao nordeste do país. Putin declarou que os povos russo e ucraniano são um só e que “não busca a rendição do rival”, mas o reconhecimento de 20% do território ucraniano que as tropas da Rússia agora ocupam. 

A Ucrânia é nossa.

Vladimir Putin

O presidente russo justificou a invasão da Ucrânia como uma resposta aos constantes bombardeios ucranianos nas áreas de fronteira, por acreditar que os ucranianos representam uma ameaça para a Rússia. 

Em 2021, o chefe do Kremlin publicou um ensaio em que defende a inexistência da Ucrânia como um país soberano. Contudo, Putin disse nesta sexta que nunca questionou o direito do povo ucraniano a soberania da Ucrânia. Em contrapartida, pontuou que, quando o país declarou sua independência em 1991, era um “Estado neutro”

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeita a ideia de que russos e ucranianos são um só povo. Kiev, com o apoio de aliados do Ocidente, classifica como ilegal a pretensão de Moscou sobre a Crimeia e outras quatro regiões do território ucraniano.

Impacto letal das bombas de fragmentação: entenda como funcionam

Mais um capítulo pavoroso para o conflito que atinge seu oitavo dia no Oriente Médio. Na data de ontem (19), Israel acusou o Irã de disparar uma bomba de fragmentação sobre o centro do país, uma área densamente povoada. Segundo informou a agência de notícias Reuters, a Embaixada dos Estados Unidos em Israel, bem como os militares do país, relataram que o objetivo iraniano era lançar o armamento para atingir civis. Não há vítimas, mas uma casa foi atingida na cidade de Azor, no distrito de Tel Aviv.

Potência destruidora

O equipamento, apenas antes utilizado na 2ª Guerra Mundial, segundo informação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, estoca inúmeras munições em seus compartimentos internos, para que, após o disparo, estes se abram no ar e, em explosões simultâneas múltiplas, disseminem os artefatos por uma região extensa, destacando, portanto, seu alto poder de destruição.

Um detalhe ainda mais assustador é a capacidade que este tipo de bomba tem de não explodir todos os seus artefatos no momento do impacto contra o chão ou o alvo. Alguns deles permanecem intactos, porém ativos, funcionando, de forma muito semelhante, a uma mina terrestre.


https://twitter.com/JoshEakle/status/1677341537754050563
Ilustração de uma bomba de fragmentação (Vídeo: reprodução/X/@JoshEakle)

A capacidade letal das bombas de fragmentação, também chamadas de “Cluster Bombs”, é tão alta que, em 2008, 110 países aderiram ao Tratado Internacional denominado ‘Convenção sobre Munição Cluster’, em que se comprometeram a não desenvolver, armazenar e/ou transferir esse potente armamento.  


Utilização do armamento

A Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos não aderiram a este Tratado Internacional, assim como o Brasil, duramente criticado em 2017 por Steve Goose, presidente da Coalizão Contra Munições Cluster e diretor da divisão de armas da Human Rights Watch, uma ONG Internacional, que se dedica à defesa e proteção dos direitos humanos em todo o mundo.

A discussão em torno das “Cluster Bombs” voltou ao palco em 2023, após a Ucrânia, de posse do armamento, fornecido pelos Estados Unidos, fez um disparo contra a Rússia, na Guerra entre os países que subsiste há três anos.   

Apoiado pelo Irã, milícia xiita ameaça bases americanas no Oriente Médio

Uma milícia xiita do Iraque, que tem apoio do Irã, avisou nesta quinta-feira (19), que pode atacar bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, caso governo americano intervenha no atual conflito entre Israel e Irã.

O porta-voz da milícia, Al-Askari, também ameaçou bloquear rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz e a passagem Bab-el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho. Ele ainda alertou sobre possíveis ataques a aviões americanos e a paralisação dos portos de petróleo na região.


Exército xiita e mapa com bases militares americanas (Foto: reprodução/X/@MaxWill83744534)


Denúncia dos americanos

Em janeiro de 2024, os EUA acusaram o grupo Kataib Hezbollah de estar por trás de um ataque com drone que matou três soldados americanos e deixou mais de 30 feridos em uma base próxima à fronteira da Jordânia com a Síria, chamada Torre 22.

A Resistência Islâmica no Iraque, formada por várias milícias ligadas ao Irã, incluindo o Kataib Hezbollah, disse ter realizado ataques contra alvos na fronteira entre Jordânia e Síria. Entre eles estaria o campo de Al-Rukban, perto da base americana atingida.

O presidente Donald Trump declarou que dará um prazo de duas semanas para tentar resolver a situação por meio da diplomacia antes de decidir sobre um possível ataque ao Irã.

Alocação dos EUA no Oriente Médio

Os EUA mantêm bases militares no Oriente Médio há décadas. A maior delas é a Base Aérea de Al Udeid, localizada no Catar e inaugurada em 1996.

Além do Catar, as tropas americanas estão presentes em outros países da região, como Barein, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Atualmente, há cerca de 30 mil militares dos EUA distribuídos pelo Oriente Médio — número bem menor do que no auge das operações. Em 2011, havia mais de 100 mil no Afeganistão e, em 2007, mais de 160 mil no Iraque.

Hoje, cerca de 2 mil soldados americanos ainda estão na Síria, concentrados em pequenas bases no nordeste do país. No Iraque, aproximadamente 2.500 militares continuam estacionados.

Irã responde com novos ataques a Israel após instalações nucleares serem alvejadas

Em resposta aos últimos ataques realizados por Israel, as forças aéreas iranianas realizaram nesta sexta-feira (20), uma nova ofensiva contra o território israelense. A ação fez com que autoridades do governo de Benjamin Netanyahu emitissem um alerta à população para buscarem abrigos até o final desta ofensiva.

Em nota, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informam que diversas áreas do país estão sob ataque iraniano. Solicitando para a população obedecer às instruções do Comando Interno até que a Força Aérea de Israel possa eliminar por completo a ameaça.

Novo comunicado

Agora há pouco, as Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram um novo comunicado para a população deixar as áreas protegidas nos locais que estiveram sob o ataque iraniano. Conforme informado, a situação já está controlada e, no momento, o Comando da Frente Interna avalia a situação. 

Em sua página oficial de notícias, o Mossad, Serviço de Inteligência de Israel, informa que há 17 feridos, sendo que 3 deles possuem ferimentos graves. Contudo, não há informações de quais cidades foram atingidas nessa nova ofensiva iraniana. Estima-se que Haifa, cidade israelense ao norte do país, foi alvo de mísseis lançados pelo Irã.


Relato de feridos em Israel após novo ataque iraniano (Vídeo: reprodução/X/@MOSSADil)

Antes do ataque, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que o Irã tem buscado a paz, no entanto, informou que “a única maneira de acabar com a guerra imposta é parar incondicionalmente a agressão inimiga e fornecer uma garantia definitiva para acabar com as aventuras dos terroristas sionistas para sempre”. Pezeshkian acrescenta que haverá respostas mais duras, caso os ataques israelenses continuem contra a população iraniana.

Início e desdobramentos do conflito

Na madrugada de 13 de junho (2025), horário local, iniciou-se o conflito armado entre Israel e Irã com o governo israelense de Benjamin Netanyahu, utilizando mais de 200 caças para atacar alvos estratégicos iranianos. Ao todo, mais de 100 locais foram alvejados. Incluindo instalações nucleares nas cidades de Fordow, Natanz e Isfahan. 

Militares e funcionários do alto-escalão iraniano foram mortos. Entre eles, Mohammad Bagheri, Hossein Salami, Amir Ali Hajizadeh e Gholam-Ali Rashid, generais com posições estratégicas dentro das forças armadas do país. Cientistas nucleares também foram alvejados, além de centenas de civis.

Antes da ofensiva, o Mossad, Serviço de Inteligência de Israel, sabotou o sistema de defesa aéreo iraniano, fazendo com que a capacidade do país em se defender fosse reduzida. Abrindo espaço para o ataque coordenado israelense, inclusive contra a capital Teerã e contra a TV estatal iraniana.  Segundo Netanyahu, o ataque ocorreu para impedir a expansão nuclear do Irã, o qual é acusado pelo governo israelense de desenvolver meios para obtenção de armamento nuclear.  


Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel informando sobre o início do conflito armado contra o Irã (Vídeo: reprodução/Instagram/@israelipm)


O Irã revidou o ataque contra Israel no dia seguinte, 14 de junho (2025), utilizando drones, mísseis balísticos e hipersônicos. As principais cidades israelenses alvos foram Bat Yam, Ramat Gan, Rehovot, Haifa, além de Tel Aviv. O “Domo de Ferro”, sistema de defesa de Israel, conseguiu interceptar em torno de 90% dos ataques iranianos. 

O contra-ataque israelense foi direcionado às cidades iranianas de Kermanshah, Abadan, Piranshahr e Teerã. A ofensiva deixou mortos, feridos e destruição de edificações e instalações dos dois lados, pesando mais para o lado do Irã, até o momento.

Hoje, sexta-feira (20), o conflito entra em seu oitavo dia com ataques de ambos os países. A ofensiva, que estava restrita a algumas áreas específicas, agora se alastra para diversos novos pontos. Tanto Israel quanto o Irã têm lançado sucessivos ataques mútuos, colocando o mundo em alerta para uma possível desestabilização geopolítica no Oriente Médio, em uma possível escalada envolvendo vários países aliados, com desdobramentos globais.