Caso Marielle: ex-chefe da Polícia Civil do RJ nega envolvimento com os irmãos Brazão

O ex-chefe da Polícia Civil do RJ suspeito no caso do assasinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Torres, prestou depoimento à Polícia Federal na Penitenciária Federal de Brasília, na segunda-feira (3).

Rivaldo Barbosa disse à Polícia Federal que não atuou para atrapalhar as investigações do caso Marielle e afirmou em depoimento que não possui nenhuma relação com os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, acusados de serem os mandantes do crime que aconteceu em 2018.


Protesto em Berlim contra o assassinato da vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Pedro Gomes (Foto: Reprodução/Emmanuele Contini/Getty Images Embed)


“Cadê as conversas que teria tido com ele? Se foi combinado um ano antes que ele recebesse um valor para poder não investigar um crime que acontecia no futuro, cadê qualquer elemento em relação a isso? Não tem, a Polícia Federal não conseguiu trazer isso e ficou muito claro no depoimento de que realmente ele nunca teve contato com ninguém’’, disse o advogado Marcelo Ferreira. O ex-chefe da polícia respondeu todas as perguntas e entregou seu celular com suas senhas aos investigadores.

O delegado Rivaldo Barbosa e os irmãos estão presos desde o dia 24 de maio, após o relatório final da investigação indicar que Domingos e Chiquinho contrataram o ex-policial militar Ronnie Lessa para matar a vereadora Marielle. Rivaldo Barbosa é acusado de dificultar as investigações no caso. Até o momento, todos os acusados negam ter cometido os crimes.

Delação premiada

Em um acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República no segundo trimestre de 2017, o ex-policial militar Ronnie Lessa revelou que Chiquinho, então vereador do Rio, mencionou “efeitos descontrolados” na atuação de Marielle em relação à votação do projeto de lei número 174/2016 na Câmara. Chiquinho e seu irmão buscavam regularizar um condomínio em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, sem considerar áreas de interesse social, visando à especulação imobiliária.

Lessa também afirmou que Barbosa desempenhou um papel crucial nos homicídios, agindo para garantir que o inquérito policial não identificasse os verdadeiros responsáveis pela ação criminosa.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que Domingos e Chiquinho deram a ordem para os homicídios e defendiam os interesses de milícias nas instituições do Estado. Ambos foram denunciados também por organização criminosa.

O documento revela que os irmãos informaram Rivaldo sobre o plano de assassinar o parlamentar. Rivaldo, então chefe da Polícia Civil, teria usado sua autoridade para garantir a impunidade dos autores do crime.

Mudanças na polícia

É importante destacar que Rivaldo, na época diretor da Divisão de Homicídios, foi nomeado chefe da Polícia Civil um dia antes das execuções. Seu aval era essencial para o plano dos irmãos Brazão, já que ele controlava os meios necessários para assegurar a impunidade, ressalta o vice-procurador-geral da República Hindenburg Chateubriand Filho, que assina a denúncia.

Ronnie Lessa diz que recebeu promessa de nova milícia por matar Marielle Franco

O ex-policial militar Ronnie Lessa, confesso de ser um dos assassinos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018, informou detalhes sobre o pagamento e o plano de matar a vereadora. O vídeo da delação foi exibido com exclusividade no programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo (26). 

O ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, e seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão, foram apontados por Lessa como mandantes do assassinato de Marielle Franco. 

Pagamento 

O pagamento, de acordo com Lessa, seria dois loteamentos clandestinos em Jacarepaguá na Zona Oeste do Rio. Avaliado em milhões de reais, os lotes seriam destinados a ele e um de seus comparsas, o ex-policial militar Edmilson de Oliveira, apelidado de Macalé, assassinado em 2021. Lessa disse que naquela época o dinheiro envolvido poderia chegar a 20 milhões de dólares. O local seria um novo negócio de milícia comandado por Lessa.

Com o auxílio de localização por satélite, Lessa mostrou aos investigadores do caso as supostas áreas dos loteamentos que seriam criados. A Polícia Federal (PF) afirmou no relatório das investigações que não foram encontradas evidências concretas de que havia um planejamento para a ocupação da área. 

Os irmãos Brazão prometeram, segundo Lessa, que ele seria um dos donos do empreendimento criminoso. Na delação, ele disse que não foi chamado como um assassino de aluguel para matar a vereadora, na verdade foi convidado para “uma sociedade”.

Plano criminoso 


Ronnie Lessa durante delação exibida pelo Fantástico, da TV Globo. (Foto: reprodução/X/@g1)Ronnie Lessa durante delação exibida pelo Fantástico, da TV Globo. (Foto: reprodução/X/@g1)

A delação apontou que eles se reuniram três vezes e Marielle era colocada na conversa como um obstáculo para a execução do suposto esquema dos irmãos. Os encontros não puderam ser confirmados pela PF por falta de registros das operadoras antes de 2018, o que impediu o cruzamento de dados dos celulares dos envolvidos para a comprovação. 

Lessa também apontou que Domingos Brazão teria dito que o delegado Rivaldo Barbosa, naquele tempo chefe da Delegacia de Homicídios do Rio, atuava no plano e tentou protegê-los. Ronnie Lessa compartilhou que ouviu dos supostos mandantes que Barbosa estava resolvendo tudo e teria recebido no ano anterior para mudar o rumo das investigações.

Motivo da morte

Lessa informou que a vereadora Marielle Franco atrapalhava empreendimentos criminosos. Ele disse que Marielle teria organizado algumas reuniões com lideranças comunitárias, na Zona Oeste, para que novos loteamentos da milícia não fossem aceitos.

Irmãos Brazão e ex-chefe da polícia militar do Rio são denunciados pela PGR pela morte de Marielle Franco

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou, nesta terça-feira (07), os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa suspeitos pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. O Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou o mandado de prisão de dois suspeitos nesta quinta-feira (09). 

A PGR denunciou o Peixe, Robson Calixto da Fonseca, que atuou como assessor de Domingos Brazão. Calixto foi denunciado por organização criminosa e detido no Rio pela Polícia Federal (PF). 

O policial militar Ronald Alves de Paula, Major Ronald, foi apontado como ex-chefe da milícia de Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e denunciado por participação no caso. Ronald já estava preso em um presídio federal no Mato Grosso do Sul por homicídio e ocultação de cadáver.

O ex-policial militar Ronnie Lessa, apontado como executor dos assassinatos e autor dos 13  tiros que mataram Marielle e Anderson, declarou que Ronald participou do monitoramento de Marielle Franco. A confirmação aconteceu através de investigações do cruzamento de sinais de torres de celular, registros de ligações e mapeamento de movimentações de Ronald. 

As investigações mostraram que o Major Ronald acompanhou Marielle na semana anterior ao crime em suas agendas. Os investigadores entenderam que Ronald avisou aos executores do assassinato sobre a presença de Marielle no evento em que a vereadora compareceu antes de ser morta, em 14 de março de 2018. 

Já Robson é visto pelas investigações como parte do grupo dos irmãos Brazão, apontados como mandantes do crime, mas não foi diretamente ligado ao homicídio de Marielle.

Investigação e denúncia da PGR

A PGR concluiu, depois de um mês e meio de investigação da PF, que os suspeitos irmãos Brazão e Barbosa devem ser processados e condenados pelos homicídios de Marielle e Anderson. Os irmãos Brazão são expostos pela PGR em documento como mandantes do assassinato e por integrar organização criminosa. O delegado Rivaldo Barbosa foi denunciado como mandante do crime. 


Carro de Marielle baleado. (Foto: Reprodução/X/@diario_gaucho)


As investigações buscam se aprofundar nos supostos interesses econômicos fundiários dos irmãos, suas relações com as milícias e atritos com adversários políticos como o partido de Marielle, o Psol, e a própria vereadora. Conforme a PGR, a execução de Marielle pode estar ligada à exploração imobiliária em áreas dominadas pela milícia. A PGR acredita que os irmãos Brazão se fortaleceram na política e suas economias.

Decisões judiciais renovam permanência de Ronnie Lessa em penitenciária federal

Ronnie Lessa, ex-policial acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes no ano de 2018, teve sua permanência em uma penitenciária federal do Mato Grosso do Sul renovado por mais um ano. A decisão foi proferida pelo juiz Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, nesta quarta-feira.

Gustavo Gomes aceita pedido para manter Lessa no presidio

Inicialmente, o magistrado havia determinado o retorno de Lessa ao Rio de Janeiro, alegando a falta de pedido de prorrogação do prazo pela Justiça fluminense até a data limite de 21 de março. No entanto, Fiorentini voltou atrás ao tomar conhecimento de uma decisão da 4ª Vara Criminal do Rio, do dia 19 de março.

O juiz Gustavo Gomes Kallil, da Justiça do Rio de Janeiro, aceitou o pedido do Ministério Público e decidiu manter Lessa no presídio federal de segurança máxima por até três anos. Apesar disso, o magistrado do Mato Grosso do Sul reconsiderou a decisão e autorizou a permanência do acusado, mas apenas pelo período de um ano.

Fiorentini justificou sua decisão, citando que, embora a nova regulamentação permita a fixação do prazo de permanência por até três anos, a situação do preso pode ser alterada periodicamente. Ele ressaltou a importância de não manter o detento desnecessariamente no sistema mais gravoso de cumprimento de pena.


Marielle Franco (Foto: reprodução/
NurPhoto
 / Colaborador/Embed/Getty Imagens)


Preso desde 2019

Ronnie Lessa está sob custódia desde 2019 e foi transferido para o Mato Grosso do Sul em dezembro de 2020. Sua situação ganhou destaque recentemente com a homologação de seu acordo de delação premiada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Este acordo foi fundamental para as investigações que levaram à prisão dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, além do delegado Rivaldo Barbosa, suspeitos de serem os mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

A decisão judicial quanto à permanência de Ronnie Lessa em uma penitenciária federal continua a gerar debate e especulações sobre os desdobramentos do caso. Enquanto isso, o processo segue em andamento, e as autoridades continuam empenhadas em buscar a verdade e a justiça para as vítimas e suas famílias.

Familiares e parlamentares cobram justiça em meio a sessão de homenagem à Marielle Franco e Anderson Gomes

Deu-se início hoje, 26 de março, na câmara dos deputados a sessão solene em homenagem à vereadora Marielle Franco e ao seu motorista, Anderson Gomes, assinados em 2018 após o veículo que estava ser alvejado por tiros. 

A jornalista Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado, marcou presença na sessão, presidida pela deputada Maria do Rosário (PT-RS). Arthur Lira (presidente da câmara pelo PP-AL) não compareceu ou enviou algum escrito a ser lido em seu nome. 

Esclarecimentos

O início da sessão foi marcado pelo desejo de esclarecimentos mais precisos quanto à morte da vereadora e do motorista, em dado momento o nome de Chiquinho Brazão é mencionado e o pedido de cassação de seu mandato é impetrado pelos discursos. A prisão do deputado foi realizada ainda nesta terça-feira (26) pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

“Há uma renovada esperança de justiça. A cada ano a Câmara tem realizado sessões solenes em memória a este caso e é preciso que não nos acostumemos com a impunidade. Finalmente, seis anos após o crime, chegamos aos mandantes desse crime bárbaro. Talvez, ainda não tenhamos todos os esclarecimentos, mas já demos importantes passos. Marielle nos ensina que a mudança só existe com a união de pessoas. Entre seus algozes está um deputado desta Casa, apontado como mandante de um crime bárbaro. Precisamos de mais respostas sobre as relações criminosas do estado brasileiro. Não é mais possível que polícias e perícias estejam vinculadas na cena do crime, com a desfaçatez de um delegado que participa do crime. A obstrução de justiça está próxima de nós. Esta Casa precisa agir para desvincluar as perícias da atuação daqueles que estão atrelados às milícias”, iniciou a parlamentar Maria do Rosário. 

Em seguida, a deputada e autora do requerimento para a sessão solene, Talíria Petrone (PSOL-RJ) destacou a importância do trabalho e empenho da Polícia Federal para enfrentar a milícia e também para encontrar os mandantes do crime bárbaro que vitimou Marielle Franco e Anderson Gomes.

“É preciso que aproveitemos este momento de tanta dor e evidência da relação entre crime e política para enfrentar as milícias. É responsável do parlamento a cassação de Chiquinho Brazão. É papel da política brasileira enfrentar este quadro. As milícias estão em 15 estados brasileiros e não podemos nos calar.”

“A bala que matou Marielle e Anderson foi uma bala do estado”, afirmou Talíria Petrone.


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Deputada Federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) discursa (reprodução/Instagram/@psol50)

A deputada federal Erika Hilton (PSL-SP) também compareceu à sessão e discursou. 

“Mataram um corpo, mataram um projeto, atentaram contra a democracia e andavam livremente pelos corredores desta casa, com a cabeça erguida pela certeza da impunidade.” 

Ágatha Arnaus, viúva de Anderson Gomes, ressaltou o quão comum é o envolvimento de representantes legais em crimes, abrindo um vácuo na confiança na ordem pública. 

“A morte de Marielle e Anderson foi uma trama, não foi algo ocasional ou pontual. É algo que acontece corriqueiramente em nosso país. Um delegado, representante do estado, que olhava nos nossos olhos e prometia resolução, estava envolvido no crime. Que a nossa dor não seja em vão. Que um novo passo seja dado a partir de agora. É inadmissível que criminosos ajam assim. A luta por justiça e verdade não pode parar. Me faltam palavras para descrever a raiva que sinto hoje. Não me traz alívio esses esclarecimentos. Eu espero uma justiça eficiente, já que o estado mata, mente, oculta e acaba com famílias”, enfatizou Ágatha Arnaus, visivelmente abalada pela situação.

O Ministro dos Direitos Humanos, Silvio de Almeida, também compareceu a sessão solene, ele afirmou que as revelações ressaltam as “entranhas de um estado apodrecido” e uma sociedade conivente, o parlamentar imperou que isto deve ser erradicado. 

“As revelações já feitas precisam significar a ressignificação de muitas coisas. Precisamos refletir sobre a segurança pública. Está evidente que não existe segurança sem direitos humanos. O Brasil precisa retomar o controle do seu território. Isto significa enfrentar com firmeza os criminosos que vitimaram Marielle, milicianos e grileiros de terras.”

Envolvimento de Chiquinho Brazão e outros nomes 

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) fará a leitura do parecer do colegiado, que decidirá a situação do documento emitido pelo relator sobre a prisão do deputado Chiquinho Brazão, no domingo, após ser acusado de ter participação no assassinato de Marielle Franco. 


Deputado Federal Chiquinho Brazão (União-RJ) (reprodução/Instagram/@chiquinhobrazão)

Derci Mattos, deputado pelo PSD-SC, será o relator, escolha motivada pelo posicionamento não extremista do parlamentar. Segundo membros da CCJ ouvidos pelo Globo, a maior possibilidade é que o texto seja favorável ao mantimento de Chiquinho Brazão encarcerado. 

“Sou favorável, sim, à manutenção da decisão. Conversei nesta terça-feira com o líder do PSD na Câmara, Antônio Britto, e consideramos as provas existentes suficientes. Ainda estamos finalizando o texto que será lido nesta terça na CCJ, mas em princípio, somos favoráveis à decisão”, disse Mattos, em entrevista ao Globo. 

O parecer é enviado diretamente ao plenário da câmara e, pelo voto majoritário, há a decisão da prisão. Espera-se que o texto seja pauta do plenário até quarta-feira, quando Arthur Lira irá convocar uma sessão. 

Além de Chiquinho Brazão, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Domingos Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa também foram presos no domingo (24). Domingos e Chiquinho foram acusados de serem o mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, enquanto Rivaldo foi acusado de atuar no encobrimento e no dificultar das investigações.

Carro usado no assassinato de Marielle monitorou ex-presidente do Salgueiro, desafeto do bicheiro Bernardo Bello

Ronnie Lessa, preso por envolvimento com o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, afirmou, durante delação, que o mesmo carro usado para monitorar a vereadora foi usado para observar a ex-presidente do Salgueiro, Regina Celi Fernandes Duran. Segundo Lessa, o bicheiro Bernardo Bello, considerado chefe da contravenção do Rio de Janeiro, entrou em contato com ele para encomendar a morte da ex-presidente.

Entenda a ligação dos casos

O caso da planejamento da morte de Regina Celi veio à público com a delação do ex-PM Élcio de Queiroz, preso também por estar envolvido com o assassinato de Marielle. Durante sua delação, Queiroz declarou que Bello ofereceu um celular, o carro que seguiu a vereadora no dia 14 de março de 2018. Além disso, o ex-PM disse que o bicheiro teria sido o mandante da morte da política.

No entanto, Ronnie Lessa apresentou outra versão do envolvimento do contraventor em sua delação. Lessa afirmou que foi contratado pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão para matar Marielle e contratado por Bello para matar Regina Celi. No depoimento, o ex-sargento da PM disse que usou o mesmo carro, um GM Cobalt prata, para vigiar a vereadora e Celi entre os dias 1º, 2, 7 e 17 de fevereiro de 2018. 


Bernardo Bello encomendou morte de ex-presidente da escola de samba Salgueiro (foto: reprodução/ Globoplay)

Ainda durante a delação premiada, Lessa explicou que por causa de problemas com logística o assassinato de Regina não foi concretizado. O ex-sargento afirmou também que cogitou em negar a proposta de matar Celi, já que o pagamento dos Brazão seria mais vantajoso, mas cedeu por pressão do contraventor.

Caso Marielle Franco

No último domingo (24), veio à tona os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco com a quebra do sigilo do inquérito da Polícia Federal por ordem do ministro Alexandre de Moraes do Superior Tribunal Federal (STF). O inquérito aponta que Domingos Brazão e Chiquinho Brazão idealizaram o crime e o delegado Rivaldo Barbosa participou e atrapalhou as investigações. Rivaldo assumiu o comando da Polícia Civil do Rio de Janeiro um dia antes do assassinato de Marielle.

Caso Marielle Franco: Ronnie Lessa entrega o mandante do assassinato em delação premiada

O questionamento sobre “quem mandou matar Marielle e o motorista Anderson Gomes” está próxima de ser respondida, isso porque, em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Ronnie Lessa, acusado de ter puxado o gatilho da arma que matou a vereadora e seu motorista em 2018, entregou os mandantes e as circunstâncias para o assassinato. 

Segundo pessoas que acompanham de perto a investigação mantida em sigilo pela Polícia Federal (PF), inicialmente,  Ronnie Lessa  não se mostrou interessado em colaborar com a investigação, no entanto, mudou de ideia quando Élcio de Queiroz o entregou como executor dos tiros que mataram Marielle e Anderson Gomes. A partir daí, Lessa decidiu que aceitaria participar de uma delação premiada que entregaria os mandantes e as circunstâncias para o crime. 


Em 2019, Ronnie Lessa foi preso por participação na execução de Marielle Franco e Anderson Gomes. (Foto: Reprodução/Jornal Nacional)

A delação 

O depoimento de Ronnie Lessa teve duração de cerca de duas horas em gravação feita em áudio e vídeo. Lessa  confessou quem o teria contratado para executar  Marielle Franco. Além disso, o ex- policial militar,  acusado de ter disparado os tiros que mataram a vereadora e seu motorista, também teria delatado as possíveis motivações para a premeditação do assassinato. 

Ronnie Lessa também confessou que teria participado de uma série de encontros com o mandante do crime, essas reuniões, segundo ele, teriam acontecido tanto antes quanto depois da execução de Marielle e Anderson Gomes, que ocorreu no dia 14 de março de 2018. 

Dessa forma, a delação premiada de Lessa forneceu à PF uma série de indícios e provas que comprovam sua participação no assassinato, além de confessar, pela primeira vez desde o ínicio da investigação, o mandante e suas motivações para a encomenda do crime. 

Delação homologada pelo STF por suspeita de mandatário parlamentar 

Nesta segunda-feira (18), Ronnie Lessa participou de videoconferência para confirmar a homologação de sua delação premiada pelo STF, a chamada contou com a participação de um juiz que integra a  equipe do ministro e relator do caso, Alexandre de Moraes. 

O caso foi parar no STF por suspeita de envolvimento de parlamentar,  integrante do Congresso Nacional, com a encomendação do crime. Dessa forma, caso confirmado a participação congressista no assassinato,  a jurisdição passa a ser do Supremo 

Na vídeoconferência, Lessa confirmou novamente seu depoimento, prestado à PF no ano passado, no qual  confessou quem seria o mandante do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Dada a confirmação, o juiz que participou da videoconferência aprovou a delação premiada de Lessa pelo STF.

Anistia internacional lista erros na investigação da morte de Marielle e Anderson

Seis anos após o trágico falecimento de Marielle Franco e Anderson Gomes, a Anistia Internacional lançará um documento intitulado “Cartas na Mesa”, listando os principais erros cometidos pelas autoridades brasileiras durante as investigações do crime.

Sobre o documento

A organização destaca seis pontos críticos, incluindo a morosidade na solução do caso, o controle insuficiente de armas e munições de uso exclusivo do Estado, denúncias de interferências prejudiciais nas investigações, as constantes trocas de autoridades responsáveis pelo caso, falhas na garantia do direito à participação dos familiares das vítimas e deficiências na proteção de defensores de direitos humanos.

O documento não só aponta os erros, mas também propõe seis medidas para prevenir a ocorrência de casos semelhantes no futuro. Entre essas medidas, destacam-se iniciativas para agilizar a resolução de crimes, fortalecer o controle de armas e munições, garantir a independência das investigações, estabelecer protocolos claros para a participação das famílias das vítimas e reforçar a proteção dos defensores de direitos humanos.

A divulgação deste documento ocorrerá em meio a uma série de ações planejadas para esta quinta-feira, dia 14 de março, em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, destacando a persistência na busca por justiça e o compromisso com a defesa dos direitos humanos no Brasil.

Relembre o caso

Marielle era uma vereadora do Rio de Janeiro, conhecida pela luta dos direitos humanos das mulheres, da comunidade LGBTQ+, dos moradores de favelas e contra a violência policial, e no dia 14 de março de 2018, Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, foram brutalmente assassinados a tiros no Rio de Janeiro.


Marielle Franco (Foto: reprodução/Nova Escola)

O crime gerou uma comoção dentro e fora do pais, levando pedidos por justiça e uma série de investigações sobre o caso. No entanto, até o momento, os responsáveis pelo crime não foram identificados e punidos.

O caso se tornou um símbolo de luta contra a violência, a impunidade e a defesa dos direitos humanos no Brasil, inspirando movimentos sociais e organizações de todo mundo a pressionar por justiça. Organizações não governamentais, assim como a Anistia Internacional têm desempenhado um papel fundamental ao exigir uma investigação completa e mais transparente sobre o caso.