Lula busca protagonismo com cúpula europeia antes de acordo Mercosul-UE

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não comparecer à assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, marcada para sábado (17), em Assunção. Em vez disso, Lula receberá líderes europeus no Rio de Janeiro, na véspera do evento oficial.

A princípio, na sexta-feira o presidente encontrará Ursula von der Leyen e António Costa para uma reunião política estratégica. O encontro ocorre antes da assinatura formal e busca reafirmar o protagonismo brasileiro no processo.

Estratégia diplomática busca protagonismo brasileiro

Segundo interlocutores do Planalto, o presidente Lula pretende garantir uma “foto da vitória” com os principais líderes da União Europeia (UE). Assim, o governo brasileiro tenta consolidar a imagem do país como fiador político do acordo. Além disso, a agenda no Rio busca evitar a divisão de holofotes com o presidente argentino Javier Milei. Sobretudo, a relação entre os dois líderes permanece protocolar e distante desde o início do mandato argentino.


Geraldo Alckmin aposta em acordo Mercosul-UE (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


O encontro ocorrerá no Palácio do Itamaraty, com previsão de declaração conjunta à imprensa. Nesse sentido, a diplomacia brasileira avalia que esse gesto terá mais peso simbólico que a cerimônia paraguaia. Apesar disso, Ursula von der Leyen e António Costa participarão também do evento em Assunção. Ainda assim, o Planalto considera a reunião com Lula mais relevante politicamente.

Ausência em Assunção e críticas nos bastidores

Enquanto líderes da Argentina, Uruguai e Paraguai confirmaram presença no evento na capital paraguaia, o Brasil enviará apenas Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil. Portanto, o chanceler representará o país na cerimônia oficial de assinatura.

Internamente, o governo minimiza a ausência presidencial e critica a condução paraguaia do evento. Autoridades afirmam que o Paraguai tentou elevar o encontro ao nível presidencial de última hora. Já segundo o Itamaraty, a assinatura sempre foi tratada como atribuição dos chanceleres. Assim, a presença de chefes de Estado não seria necessária, segundo essa avaliação.

Costura com a Itália foi decisiva

Nos bastidores europeus, a viabilização do acordo passou por negociação direta entre Lula e Giorgia Meloni. A primeira-ministra italiana pediu um adiamento diante da pressão de agricultores locais. 

Nesse ínterim, em conversa no fim de 2025, Meloni relatou dificuldades políticas internas e solicitou paciência ao Brasil. Logo, o adiamento permitiu que Itália, Alemanha e Espanha se alinhassem em favor do texto. Com isso, a França ficou isolada como principal foco de resistência ao acordo. Consequentemente, o movimento destravou a aprovação interna na União Europeia.

Resistências, aprovação e próximos passos

Inicialmente, o acordo Mercosul-UE seria assinado em dezembro passado, durante a presidência brasileira do Mercosul. No entanto, a aprovação europeia só ocorreu neste mês. Apesar do avanço, agricultores europeus seguem contrários ao tratado, sobretudo na França. Desse modo, eles temem aumento da concorrência com produtos agrícolas do Mercosul.


Agricultores seguem contra acordo Mercosul-UE (Foto: reprodução/ERIC LALMAND/AFP/Getty Images Embed)


Recentemente, Emmanuel Macron afirmou que a França votará contra o acordo. Mesmo assim, a União Europeia confirmou a aprovação do texto, segundo anúncio feito por Chipre. Atualmente, o país do Oriente Médio ocupa a presidência rotativa do bloco europeu.

Com a aprovação, cresce a expectativa pela assinatura oficial no dia 17 de janeiro. Depois disso, o acordo seguirá para análise do Parlamento Europeu. Além disso, alguns trechos podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais europeus. No Mercosul, cada país também precisará ratificar o texto em seus Congressos.

Mercosul e União Europeia fecham acordo histórico

A União Europeia confirmou a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, marcando um novo capítulo nas relações entre os dois blocos. A informação foi divulgada por Chipre, país que exerce a presidência rotativa da União Europeia neste momento. A decisão foi recebida com expectativa positiva por governos e setores econômicos, que veem na parceria uma oportunidade de ampliar o comércio e os investimentos entre as regiões.

O acordo envolve países da América do Sul e da Europa e vinha sendo negociado há anos. Com a confirmação da aprovação, cresce a expectativa de que o Mercosul assine oficialmente o acordo com a União Europeia no dia 17 de janeiro. A medida é considerada estratégica para fortalecer laços econômicos, ampliar mercados e criar novas oportunidades para empresas e produtores.

Aprovação europeia e expectativa de assinatura

Segundo informações divulgadas por Chipre, os países da União Europeia chegaram a um consenso sobre o acordo com o Mercosul. O país ocupa atualmente a presidência rotativa do bloco e foi responsável por comunicar a decisão aos demais integrantes e à imprensa. A confirmação encerra uma etapa importante do processo e abre caminho para a formalização da parceria.

A expectativa agora é que o Mercosul assine o acordo com a União Europeia em 17 de janeiro. A data é vista como decisiva para consolidar o entendimento entre os blocos e permitir que o texto avance para as próximas fases de implementação. A assinatura deve reunir representantes dos países envolvidos e marcar oficialmente o início da nova etapa de cooperação.

O acordo prevê a ampliação do comércio de produtos agrícolas, industriais e de serviços. A proposta é reduzir tarifas, facilitar o acesso a mercados e criar regras mais claras para as trocas comerciais. Com isso, empresas dos dois lados poderão expandir suas operações e alcançar novos consumidores.

Além do comércio, o entendimento também inclui compromissos nas áreas ambiental e social. A União Europeia tem defendido cláusulas ligadas à sustentabilidade e à proteção do meio ambiente, enquanto os países do Mercosul destacam a importância de preservar suas atividades produtivas e gerar desenvolvimento econômico.

Governos da região sul-americana avaliam que o acordo pode impulsionar exportações, gerar empregos e atrair investimentos. Já os países europeus veem na parceria uma forma de garantir fornecimento de produtos e ampliar a presença em mercados emergentes.



Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul (Vídeo: reprodução/YouTube/globonews)


Alckmin celebra e destaca benefícios

No Brasil, a aprovação do acordo foi comemorada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Ele afirmou que a parceria é positiva para os dois lados e destacou os ganhos econômicos e ambientais envolvidos.

“Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio entre os dois blocos, comércio com regras, promove investimentos, devemos ter mais investimentos europeus no Mercosul, fortalece a sustentabilidade, porque o Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade”, declarou Alckmin.

A fala do ministro reforça a visão do governo brasileiro de que o acordo pode gerar benefícios diretos para a população. A expectativa é de que a redução de tarifas torne produtos mais acessíveis e amplie a variedade disponível no mercado. Além disso, o aumento de investimentos europeus no Mercosul pode estimular setores como indústria, infraestrutura e tecnologia.

Alckmin também ressaltou a importância do compromisso ambiental. Segundo ele, o Brasil tem buscado mostrar que é possível crescer economicamente e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente. O acordo com a União Europeia inclui compromissos nesse sentido, o que pode fortalecer a imagem do país no cenário internacional.

A celebração do vice-presidente acompanha o otimismo de empresários e produtores, que veem na parceria uma chance de ampliar exportações e conquistar novos mercados. Setores como agronegócio, indústria automotiva e alimentos estão entre os mais interessados nos efeitos do acordo.

Por outro lado, alguns segmentos pedem cautela e atenção às regras que serão aplicadas. Há preocupação com a concorrência e com a necessidade de adaptação às exigências europeias, especialmente em áreas como meio ambiente e qualidade dos produtos. Mesmo assim, a maioria das avaliações aponta que os benefícios tendem a superar os desafios.

Com a aprovação confirmada pela União Europeia e a expectativa de assinatura em 17 de janeiro, o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em sua fase mais decisiva. A formalização pode abrir um novo ciclo de cooperação, com impactos diretos na economia, no comércio e nas relações políticas entre os dois blocos.

A próxima etapa será acompanhar os desdobramentos da assinatura e os processos internos de cada país para colocar o acordo em prática. Governos, empresas e consumidores seguem atentos aos próximos passos, diante da importância histórica da parceria. O entendimento entre Mercosul e União Europeia é visto como um dos mais relevantes acordos comerciais dos últimos anos e promete influenciar o cenário econômico internacional.

Macron diz que França vota contra acordo UE-Mercosul

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, conhecido como UE-Mercosul. A princípio, a posição será levada à reunião de embaixadores do bloco, marcada para esta sexta-feira, em Bruxelas.

Ainda segundo Macron, a decisão já foi comunicada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Com isso, a França reafirma seu papel como principal foco de resistência ao tratado comercial.

França lidera oposição dentro do bloco

Além da França, a Irlanda, a Hungria e a Polônia também mantêm posição contrária ao acordo. Ainda assim, a Itália, antes reticente, passou a sinalizar apoio condicionado. Já Macron, reiterou que não aceitará qualquer tentativa de acelerar ou impor a ratificação do tratado e afirmou que o texto atual não garante proteção suficiente aos agricultores franceses. 


Comunicado de Emmanuel Macron contra acordo (Foto: reprodução/Instagram/@emmanuelmacron)


No mês passado, o presidente já havia exigido novas salvaguardas para o setor agrícola. Na ocasião, afirmou que “as contas não fecham” para a França. Entre produtores rurais, o acordo é visto como ameaça direta. Logo, agricultores temem concorrência com produtos sul-americanos mais baratos e com regras ambientais diferentes. 

Como resposta, o governo francês suspendeu temporariamente importações agrícolas específicas. A medida atinge produtos tratados com agrotóxicos proibidos na União Europeia. A lista inclui frutas, batatas e outros itens sul-americanos. A suspensão vale por um ano, mas ainda depende do aval da Comissão Europeia. Mesmo assim, agricultores organizaram protestos em Paris nesta quinta-feira. Os atos ocorreram em áreas turísticas e ruas centrais da capital francesa.

Assinatura do acordo pode ocorrer na segunda-feira

Apesar da oposição francesa, o acordo pode avançar para a fase final. O Conselho da União Europeia se reúne nesta sexta-feira para decidir sobre a autorização. Para isso, a Comissão Europeia precisa do apoio de pelo menos 15 países, sendo assim, esse grupo deve representar, no mínimo, 65% da população do bloco.


UE e Jordânia veem cooperação bilateral (Foto: reprodução/Salah Malkawi/Getty Images Embed)


Caso o aval seja concedido, Ursula von der Leyen poderá assinar formalmente o acordo na próxima segunda-feira (12), no Paraguai. Dessa forma, o tratado criaria a maior área de livre comércio do mundo, já que vem sendo negociado desde 1999, prevendo redução gradual de tarifas. Além disso, estabelece regras para comércio industrial, agrícola, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia acesso a um mercado de 451 milhões de consumidores. Os impactos atingem agronegócio, indústria e serviços.

Alemanha, Espanha e possível apoio da Itália

Em outro cenário, Alemanha e Espanha defendem o avanço imediato do acordo, já que para esses países, o pacto fortalece a posição global da União Europeia. Nesse ínterim, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que decisões precisam ser tomadas agora e que o acordo preserva a credibilidade comercial do bloco. O tratado também é visto como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Além disso, reduz a dependência europeia da China. Já a Itália passou a integrar o cálculo da Comissão Europeia e, segundo fontes diplomáticas, deve votar a favor nesta sexta-feira. Ao passo dos acontecimentos, o apoio italiano veio após promessa de mais recursos ao setor agrícola. A Comissão propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros. A primeira-ministra Giorgia Meloni classificou a iniciativa como positiva. O ministro da Agricultura também indicou aumento de investimentos entre 2028 e 2034.

Mesmo com resistências concentradas no campo, o tratado abrange indústria, serviços e propriedade intelectual. Por isso, segue recebendo apoio de diferentes setores econômicos. O Itamaraty foi procurado a respeito da fala de Macron, mas não comentou a declaração.

Assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia é adiada

A assinatura do acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) foi adiada e não ocorrerá neste sábado (19), de acordo com a informação confirmada por fontes diplomáticas europeias.

Ainda assim, segundo as agências AFP e Reuters, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comunicou o adiamento a líderes do bloco. A previsão do acordo Mercosul-UE agora aponta para janeiro de 2026.

Pressões políticas mudam o calendário do acordo

Inicialmente, a Comissão Europeia planejava concluir o pacto nesta semana, criando a maior zona de livre comércio do mundo. No entanto, o cenário político mudou. Logo, a Itália passou a defender o adiamento após alinhar-se à França. Assim, ambos os países exigem garantias adicionais ao setor agrícola europeu.

Por isso, o anúncio ocorreu durante as reuniões do Conselho Europeu, em Bruxelas. O encontro reúne chefes de Estado até esta sexta-feira (18). De forma geral, o acordo prevê redução gradual de tarifas e, além disso, estabelece regras comuns para comércio, investimentos e padrões regulatórios.


Negociações com o Mercosul estavam paralisadas durante Cúpula da UE (Foto: reprodução/Thierry Monasse/Getty Images Embed)


França lidera resistência dentro da União Europeia

Em foco, a França mantém a principal oposição ao tratado no bloco europeu. O presidente Emmanuel Macron condicionou o apoio a novas salvaguardas agrícolas e afirmou que o texto atual não protege adequadamente os produtores franceses. Por isso, Paris rejeita qualquer tentativa de acelerar a assinatura.

Macron ainda afirmou que o acordo ameaça agricultores locais. Consequentemente, eles temem concorrência com produtos sul-americanos mais baratos. Além disso, produtores franceses criticam diferenças ambientais entre os blocos. Segundo eles, as regras não garantem competição equilibrada.

Alemanha e Espanha defendem avanço imediato

Em contrapartida, Alemanha e Espanha pressionam pela ratificação do acordo firmado politicamente no ano passado. Assim, ambos defendem decisões rápidas. O chanceler alemão afirmou que a União Europeia precisa preservar a credibilidade internacional. Para ele, atrasos prejudicam a política comercial.

Países nórdicos compartilham dessa visão. Eles avaliam que o acordo reduz a dependência da China e amplia o acesso a minerais estratégicos. Além disso, os governos veem o tratado como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos europeus.

Itália sinaliza apoio condicionado

Em outro cenário, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, adotou posição cautelosa ao afirmar que o país pode apoiar o acordo, contudo, mediante ajustes. Segundo Meloni, o governo aguarda respostas às preocupações dos agricultores italianos. As decisões dependem da Comissão Europeia.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou com Meloni por telefone. Segundo ele, a premiê não rejeita o tratado. Lula afirmou que a resistência italiana é política. Ele acredita que o setor agrícola pode ser convencido nas próximas semanas.

Bruxelas registra protestos enquanto acordo enfrenta barreiras

Enquanto líderes negociavam, milhares de agricultores protestaram em Bruxelas contra o acordo com o Mercosul. A mobilização foi intensa e houve manifestantes que usaram tratores e bloquearam vias próximas ao Parlamento Europeu. Também houve confrontos com a polícia local. Além disso, durante o ato, pneus foram incendiados e objetos lançados. Autoridades confirmaram ao menos um ferido. O acordo precisa de autorização formal do Conselho Europeu. Para isso, são necessários 15 dos 27 países do bloco.


Protestos em Bruxelas contra o acordo de livre comércio Mercosul (Foto: reprodução/Dursun Aydemir/Anadolu/Getty Images Embed)


Esses países devem representar, juntos, 65% da população europeia. Esse requisito concentra o principal risco político. Apesar do foco no agronegócio, o tratado é amplo e inclui indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual. A expectativa era que von der Leyen viajasse ao Brasil para ratificação. Contudo, a agenda não deve avançar ainda este ano.

União Europeia e Mercosul avançam em acordo comercial histórico

A União Europeia deu um passo significativo em direção à consolidação de um dos maiores acordos comerciais do mundo ao apresentar formalmente o pacto com o Mercosul para aprovação. Este movimento estratégico visa não apenas fortalecer os laços econômicos entre os blocos, mas também responder a um cenário global de crescente protecionismo e dependência de mercados específicos. O acordo, que foi finalmente alcançado em dezembro passado após mais de duas décadas de negociações, representa uma oportunidade de ouro para impulsionar o comércio, atrair investimentos e gerar empregos e renda para ambas as regiões.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Geraldo Alckmin, celebrou a notícia como um “passo concreto para o Brasil e a nossa região terem acesso a um grande mercado”. Ele destacou que o acordo envia um “sinal claro para o mundo” sobre o potencial de integração e colaboração, ressaltando que a união das economias do Mercosul e da UE resultará em maior força e prosperidade mútua. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou essa visão, expressando o desejo de finalizar o acordo ainda este ano, durante a presidência brasileira do Mercosul.

Superando obstáculos e garantindo segurança para agricultores

A aprovação do acordo, no entanto, ainda enfrenta um processo formal dentro da União Europeia, que inclui a votação no Parlamento Europeu e a obtenção de uma maioria qualificada entre os governos dos 27 Estados-membros. A França, tradicionalmente um dos maiores produtores agrícolas da UE e uma voz influente no bloco, havia expressado forte oposição ao acordo, considerando-o “inaceitável”. Outros países, como a Polônia, também manifestaram preocupações, principalmente em relação ao impacto sobre seus setores agrícolas.


Grelado Alckmin fala sobre o acordo com a comissão europeia (Vídeo: reprodução/X/@geraldoalckmin)

Para mitigar essas objeções e garantir o avanço do acordo, a Comissão Europeia propôs um mecanismo de salvaguarda. Essa medida prevê a possibilidade de impor limites temporários às importações de produtos agrícolas do Mercosul, como a carne bovina, caso os volumes de importação aumentem mais de 10% ou os preços caiam na mesma proporção em um, ou mais países membros. A Comissão se comprometeu a monitorar de perto as importações e a agir rapidamente para restringir o acesso caso os gatilhos sejam acionados.

Além disso, um fundo de crise de €6,3 bilhões (aproximadamente US$7,38 bilhões) foi anunciado para apoiar os agricultores da UE. Essas medidas parecem ter surtido efeito, com o ministro do Comércio da França reconhecendo a cláusula de salvaguarda como um “passo na direção certa”, e o primeiro-ministro polonês indicando que, embora seu país ainda se oponha ao acordo, não há mais parceiros suficientes para bloqueá-lo.

Diversificação comercial e minerais estratégicos

A importância estratégica deste acordo para a UE é amplificada pelo atual contexto geopolítico. A Comissão Europeia vê o pacto com o Mercosul como uma forma de compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas impostas pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump e de reduzir a dependência excessiva da China, especialmente no fornecimento de minerais essenciais para a transição energética. A busca por diversificar as relações comerciais tornou-se uma prioridade, levando a UE a acelerar negociações com outros países e a aprofundar laços com parceiros existentes.


Matéria sobre o acordo da Comissão Europeia e Mercosul (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)

Os defensores do acordo destacam o potencial do Mercosul como um mercado em crescimento para produtos europeus como carros, máquinas e produtos químicos, além de ser uma fonte confiável de minerais cruciais, como o lítio, para a fabricação de baterias. Por outro lado, os benefícios para os países do Mercosul incluem maior acesso a tarifas reduzidas para produtos como queijos, presuntos e vinhos europeus.

Apesar das preocupações de alguns setores agrícolas europeus e de grupos ambientalistas sobre a conformidade com os padrões de segurança alimentar e ecológica, a Comissão Europeia refuta essas alegações. Com as salvaguardas em vigor e a diminuição da oposição organizada, o acordo comercial UE-Mercosul avança em direção a uma nova era de cooperação econômica global.

Mercosul e Canadá retomam diálogo estratégico em Toronto

Depois de um longo período de estagnação, as conversas entre o Mercosul e o Canadá para um tratado de livre comércio foram oficialmente retomadas. A movimentação ocorre em um cenário global instável, marcado pela escalada das tarifas entre os Estados Unidos e a China. Para fortalecer alianças comerciais, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai enviaram sinal verde para a retomada das tratativas.

A missão brasileira, prevista para setembro em Toronto, foi anunciada como o marco inicial dessa nova fase. Conforme informado pelos governos envolvidos, os chefes negociadores das nações devem se reunir novamente em outubro para dar continuidade às discussões. A proposta tem como objetivo criar caminhos para impulsionar o fluxo de exportações e investimentos entre os blocos.

Retomada acontece após quatro anos de pausa nas conversas

As negociações estavam congeladas desde 2021, após um início promissor em 2019. Contudo, o novo cenário global e o interesse mútuo em diversificar mercados reacenderam o diálogo. No comunicado conjunto divulgado na segunda-feira (25), Brasil e Canadá reafirmaram o compromisso com um comércio aberto, sustentável e baseado em regras claras, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como principal referência.


Participantes do Mercosul (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


Além disso, os governos declararam que a iniciativa representa um passo estratégico rumo à diversificação econômica. As partes envolvidas destacaram a necessidade de aprofundar as relações comerciais e gerar novas oportunidades para empresas, trabalhadores e investidores dos dois lados.

Brasil vê oportunidade diante do conflito comercial global

O avanço das conversas entre os blocos ocorre paralelamente à tensão gerada pelas tarifas anunciadas por Donald Trump. O governo brasileiro, atento ao impacto desse cenário nas cadeias globais, acredita que a parceria com o Canadá pode fortalecer o papel do Mercosul no comércio internacional.

A expectativa é que o novo acordo favoreça setores industriais, agrícolas e de serviços, consolidando o Brasil como um elo estratégico entre a América do Sul e o mercado norte-americano. Com isso, o bloco sul-americano busca ampliar sua presença global, enquanto sinaliza abertura para novos negócios em um ambiente comercial cada vez mais competitivo.

IBGE lança versão do mapa-múndi com Brasil no centro e hemisférios invertidos

Nesta quarta-feira (7), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou uma nova edição do mapa-múndi, desta vez com o Brasil posicionado no centro da imagem. A representação, conhecida como “mapa invertido”, propõe uma nova perspectiva geográfica ao destacar o papel do hemisfério sul. O material dá visibilidade especial aos países que compõem os blocos Brics e Mercosul, além das nações lusófonas e das áreas abrangidas pelo bioma amazônico.

Mapa invertido

A nova versão também marca cidades brasileiras que ganham destaque no cenário internacional. Entre elas, o Rio de Janeiro é identificado como capital do BRICS; Belém, como anfitriã da COP30; e o estado do Ceará, por sediar o Triplo Fórum Internacional da Governança do Sul Global.

Com o novo mapa, o Brasil e seus parceiros de blocos como o Mercosul e o BRICS ganham destaque, reforçando seu papel de liderança nas discussões internacionais.

Também estão evidenciadas regiões de língua portuguesa e áreas da floresta Amazônica, sublinhando aspectos culturais e ambientais relevantes para a geopolítica atual.

A iniciativa, segundo o instituto, visa incentivar a reflexão sobre o papel estratégico dos países do sul global no cenário internacional, especialmente em temas como mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.

Nas redes sociais, o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, afirmou que a nova representação busca evidenciar o protagonismo brasileiro em espaços como o BRICS, o Mercosul e a COP30, que será realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025.


Publicação feita por Marcio Pochmann, presidente do IBGE (Foto: reprodução/X/@MarcioPochmann)

Durante o encontro, que reunirá líderes mundiais, o Brasil deve defender pautas ambientais prioritárias, como a proteção da Amazônia e dos povos indígenas, além de promover acordos que envolvem sustentabilidade e cooperação internacional.

COP30

Marcada para novembro deste ano, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) será realizada em Belém, no estado do Pará.

O evento reunirá representantes de diversos países para tratar de ações urgentes diante do agravamento da crise climática no planeta.

Entre os principais temas da conferência está a implementação do Acordo de Paris, assinado em 2015, que prevê limitar o aquecimento global a no máximo 2 °C até o final do século, meta considerada crucial para evitar catástrofes ambientais ainda mais severas.

Para atingir esse objetivo, especialistas apontam a necessidade de ampliar os recursos destinados à preservação ambiental, sobretudo nos países em desenvolvimento.

A proposta é que o financiamento internacional voltado à sustentabilidade alcance a marca de até 1 trilhão de dólares por ano.

Esse volume de investimento é visto como essencial para promover uma transição justa e efetiva rumo a uma economia de baixo carbono, com maior proteção aos ecossistemas e apoio às populações mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.

Lula demonstra ansiedade no retorno da Venezuela ao Mercosul

Durante viagem oficial a Bolívia, o presidente Lula usou uma parte do seu discurso para expressar seu desejo em receber “rapidamente” a Venezuela de volta ao Mercosul. A fala aconteceu nesta terça-feira (09), onde o atual chefe de estado se encontrava ao lado do presidente da Bolívia, Luis Arce.

Venezuela de volta

A fala de Lula logo foi contextualizada pelo próprio presidente, que externou ao público o que interligava o retorno da Venezuela a estabilidade do restante dos países que fazem parte do Mercosul.

O presidente destacou que o Mercosul agora tem como “satisfação” acolher a Bolívia como membro legítimo e assim caminhar para a prosperidade comum.

“A normalização da vida política venezuelana significa estabilidade para toda a América do Sul. Por isso, fazemos voto de que as eleições transcorram de forma tranquila e que o resultado seja reconhecido por todos.”

Na fala, Lula trouxe em questão as eleições presidenciais da Venezuela, que devem acontecer em 28 de julho. A corrida presidencial venezuelana se torna se interesse público uma vez que o caminhar do país interfere também em seus vizinhos, além do receio de uma possível tentativa de golpe, como a denúncia de prisões de integrantes da oposição e a principal líder opositora estar impedida de concorrer.

O presidente brasileiro ainda destacou a importância da integração boliviano e seu convite para participar do G20, marcado para novembro, e assim fazer parte da Aliança Global de Combate à Fome e a Pobreza, estrelada pelo governo brasileiro.

Sem tolerância para golpismos

O presidente do Brasil ainda citou a tentativa de golpe, ressaltando que o Brasil presenciou momentos difíceis em sua história no ano de 2022, que desaguou no dia 8 de janeiro, no ataque aos Três Poderes, o dia que ficou marcado pela tentativa de tomada do congresso.

Lula também não deixou de comentar a tentativa fracassada de golpe na Bolívia, que aconteceu em 26 de junho.


Presidente Lula ao lado de Luis Arce, presidente da Bolívia (reprodução/Instagram/@lulaoficial)

“Às vésperas de comemorar o seu bicentenário em 2025, a Bolívia não pode voltar a cair nessa armadilha. Não podemos tolerar devaneios autoritários e golpismos.”

O presidente concluiu afirmando haver uma enorme responsabilidade em defender a democracia contra as tentativas de retrocesso.

Em seguida, o presidente afirmou que a desunião das forças democráticas mundiais servem de vantagem a extrema-direita, usando as eleições na França e no Reino Unido com exemplo.

Bolívia passa a integrar o Mercosul

Nesta sexta-feira (5), a Bolívia passou a ser membro pleno do Mercosul, um bloco econômico criado em 1991, que abraça alguns países sul-americanos, incluindo o Brasil. A notícia foi divulgada hoje pelo presidente boliviano, Luis Arce, que usou o X (antigo twitter) como forma oficial de pronunciamento.

Depois de quase sete meses, hoje (sexta, 5) finalmente recebemos a lei sancionada, e neste mesmo dia a promulgamos imediatamente. A incorporação da Bolívia como país membro do Mercosul tem um caráter estratégico porque significa fazer parte de um importante espaço de integração regional, intercâmbio comercial, fortalecimento produtivo e nos torna um eixo articulador na região“, escreveu ele na rede social.

Aprovação na Câmara

Desde o dia 14 de junho, a Câmara dos deputados boliviana havia aprovado a integração da Bolívia, mas só na última quarta-feira (3) foi sancionada pelo Senado do país. Após sua promulgação, serão necessários 30 dias para que a norma entre em vigor.

Celinda Sosa


Celinda Sosa, ministra da boliviana, discursa (Foto: reprodução/ Aizar Raldes/AFP via Getty Images embed)


A escolha foi muito bem vista pela chanceler boliviana, Celinda Sosa, que deu declaração a imprensa demonstrando sua aprovação “É um momento muito histórico para a Bolívia, para os setores produtivos e para os bolivianos que vivem e são parte do Mercosul”, compartilhou. “Um sonho que se tornou realidade depois de muitos anos”, que “possamos participar desde bloco, o quinto bloco econômico mais importante do mundo” disse ela.

O presidente Luis Arce participará no domingo (07), da cúpula do Mercosul no Paraguai, e no dia seguinte ele receberá Luís Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, na cidade de Santa Cruz.

A reunião do dia 7 deve finalizar a entrada oficial da Bolívia como membro pleno do bloco, ou seja, passará a ter os mesmos direitos e obrigações que os membros fundadores do bloco.

Golpe na Bolívia pode acelerar entrada do país no Mercosul

Segundo integrantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a tentativa de golpe militar ocorrida na Bolívia na ultima quarta-feira (26), pode acabar acelerando a entrada do país no Mercosul.

No próximo dia 8 de julho, uma discussão sobre a entrada da Bolívia deverá ser feita na cúpula do bloco, localizada no Paraguai

Avaliações

O Mercosul adota o termo “cláusula democrática” que impede a participação de governos autoritários no bloco, como é o caso do país. Por esse motivo os membros do Itamaraty avaliam que de um compromisso da Bolívia com a democracia seria simbólica.

O Itamaraty analisa que após a tentativa sem sucesso do golpe, se torna ainda mais importante a visita do presidente Lula a Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, que está agendada para o dia 9 de julho, um dia após a discussão da cúpula.

O órgão brasileiro também ressaltou no entanto, que houve uma resposta de presidentes conservadores como o do Uruguai em defesa da democracia.

“A democracia é um valor fundamental para o Brasil, como reafirmamos ontem ao rechaçar a inaceitável tentativa de golpe de estado na Bolívia” disse nesta quinta o ministro Mauro Vieira durante reunião do Conselho.


Mulher cobre o rosto ao tentar fugir de gás lacrimogêneo (Foto: reprodução/Aizar Raldes/AFP/G1)

Reação do Brasil

O Itamaraty acredita ter deixado claro a mensagem de que o golpismo não será tolerado, assim como não foi quando situações parecidas aconteceram no Brasil.

Esse recado foi importante não apenas por esse motivo, mas também por questões econômicas, já que o Brasil é um grande importador de gás produzido na Bolívia.

Sendo assim a soma dessa reação interna e da postura internacional, o órgão brasileiro acredita conseguir sinalizar que desvios na democracia não são aceitos em nenhuma circunstância.

Além disso, o tema da democracia também deve ser o principal tema a ser abordado na Cúpula do Mercosul que acontece em Assunção no próximo mês.