O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não comparecer à assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, marcada para sábado (17), em Assunção. Em vez disso, Lula receberá líderes europeus no Rio de Janeiro, na véspera do evento oficial.
A princípio, na sexta-feira o presidente encontrará Ursula von der Leyen e António Costa para uma reunião política estratégica. O encontro ocorre antes da assinatura formal e busca reafirmar o protagonismo brasileiro no processo.
Estratégia diplomática busca protagonismo brasileiro
Segundo interlocutores do Planalto, o presidente Lula pretende garantir uma “foto da vitória” com os principais líderes da União Europeia (UE). Assim, o governo brasileiro tenta consolidar a imagem do país como fiador político do acordo. Além disso, a agenda no Rio busca evitar a divisão de holofotes com o presidente argentino Javier Milei. Sobretudo, a relação entre os dois líderes permanece protocolar e distante desde o início do mandato argentino.
Geraldo Alckmin aposta em acordo Mercosul-UE (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)
O encontro ocorrerá no Palácio do Itamaraty, com previsão de declaração conjunta à imprensa. Nesse sentido, a diplomacia brasileira avalia que esse gesto terá mais peso simbólico que a cerimônia paraguaia. Apesar disso, Ursula von der Leyen e António Costa participarão também do evento em Assunção. Ainda assim, o Planalto considera a reunião com Lula mais relevante politicamente.
Ausência em Assunção e críticas nos bastidores
Enquanto líderes da Argentina, Uruguai e Paraguai confirmaram presença no evento na capital paraguaia, o Brasil enviará apenas Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil. Portanto, o chanceler representará o país na cerimônia oficial de assinatura.
Internamente, o governo minimiza a ausência presidencial e critica a condução paraguaia do evento. Autoridades afirmam que o Paraguai tentou elevar o encontro ao nível presidencial de última hora. Já segundo o Itamaraty, a assinatura sempre foi tratada como atribuição dos chanceleres. Assim, a presença de chefes de Estado não seria necessária, segundo essa avaliação.
Costura com a Itália foi decisiva
Nos bastidores europeus, a viabilização do acordo passou por negociação direta entre Lula e Giorgia Meloni. A primeira-ministra italiana pediu um adiamento diante da pressão de agricultores locais.
Nesse ínterim, em conversa no fim de 2025, Meloni relatou dificuldades políticas internas e solicitou paciência ao Brasil. Logo, o adiamento permitiu que Itália, Alemanha e Espanha se alinhassem em favor do texto. Com isso, a França ficou isolada como principal foco de resistência ao acordo. Consequentemente, o movimento destravou a aprovação interna na União Europeia.
Resistências, aprovação e próximos passos
Inicialmente, o acordo Mercosul-UE seria assinado em dezembro passado, durante a presidência brasileira do Mercosul. No entanto, a aprovação europeia só ocorreu neste mês. Apesar do avanço, agricultores europeus seguem contrários ao tratado, sobretudo na França. Desse modo, eles temem aumento da concorrência com produtos agrícolas do Mercosul.
Agricultores seguem contra acordo Mercosul-UE (Foto: reprodução/ERIC LALMAND/AFP/Getty Images Embed)
Recentemente, Emmanuel Macron afirmou que a França votará contra o acordo. Mesmo assim, a União Europeia confirmou a aprovação do texto, segundo anúncio feito por Chipre. Atualmente, o país do Oriente Médio ocupa a presidência rotativa do bloco europeu.
Com a aprovação, cresce a expectativa pela assinatura oficial no dia 17 de janeiro. Depois disso, o acordo seguirá para análise do Parlamento Europeu. Além disso, alguns trechos podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais europeus. No Mercosul, cada país também precisará ratificar o texto em seus Congressos.
