Acordo de cessar-fogo é selado sem Israel nem Hamas

Uma cúpula de paz histórica foi realizada na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh nesta segunda-feira (13), onde dezenas de líderes globais assinaram um acordo para oficializar o cessar-fogo na guerra em Gaza. O fato curioso é que Israel e o Hamas não participaram do evento, apesar de serem as partes centrais do conflito.

A assinatura e os protagonistas da trégua

No encontro internacional, mais de 20 chefes de Estado e governo se reuniram para formalizar a trégua proposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que já havia sido negociada por representantes de Israel e do Hamas na fase anterior do conflito. A cerimônia teve contornos simbólicos e diplomáticos: embora o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tenha sido convidado, ele acabou recusando o convite, alegando que o evento coincidia com um feriado judaico.

Entre os presentes estavam Trump; o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani; os presidentes da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, do Egito, Abdul Fatah Al Sisi, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas; além de líderes europeus como Keir Starmer (Reino Unido) e Emmanuel Macron (França. A ausência de Israel e Hamas marcou o caráter externo da articulação, impressa como mediação internacional para cessar hostilidades.


Momentos de celebração por cessar-fogo (Foto: Reprodução/Abir Sultan/EPA)


A cúpula propôs ainda a criação de um “conselho supervisor” para Gaza, destinado a monitorar o cumprimento do acordo na fase inicial do pós-guerra. O trabalho desse órgão, no entanto, ainda carece de definições, especialmente quanto ao seu poder de intervenção e composição.

Recompensas, liberação de reféns e desafios futuros

A formalização do cessar-fogo ocorreu poucas horas após o Hamas ter liberado os 20 últimos reféns que permaneciam sob seu controle em Gaza. Como parte do acordo, Israel também iniciou a soltura de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo 250 condenados à prisão perpétua por crimes contra israelenses. Os libertados foram encaminhados pela Cruz Vermelha a Gaza, à Cisjordânia ou outros destinos.

Apesar desse avanço simbólico, diversos pontos críticos do plano ainda são nebulosos, sobretudo a questão do desarmamento do Hamas, a retirada futura das tropas israelenses e a estrutura de governança emergente para Gaza. O acordo mostra que há disposição diplomática global para uma trégua formal, mas a sustentabilidade do cessar-fogo dependerá do engajamento das partes centrais e da capacidade de monitoramento internacional.

Crise orçamentária: paralisação do governo dos EUA após impasse no Congresso

Nesta quarta-feira (1º), o governo dos Estados Unidos entrou em “shutdown” depois que o Congresso não aprovou o projeto orçamentário que garantiria a extensão do financiamento federal. Com a paralisação, grande parte dos serviços públicos deve ser suspensa nas próximas horas.

Sem autorização para gastar, milhares de servidores federais foram colocados em licença obrigatória. Já aqueles que atuam em funções consideradas essenciais devem continuar trabalhando, mas terão seus salários suspensos até o fim do impasse.

Porque estão fazendo o “shutdown

No centro do impasse para essa decisão está a saúde. Os parlamentares democratas publicaram que concordarão com o orçamento se os programas de assistência médica prestes a expirar forem prolongados.

Já os republicanos, representados por Donald Trump, pedem que a saúde e o financiamento federal sejam separados. Eles acusam os democratas de usar o orçamento como moeda de troca para atender demandas próprias antes das eleições legislativas de 2026, que definirão o controle do Congresso.


Trump fala sobre quem é o culpado pelo “shoutdown” (Reprodução/X/@ReallyAmerican1)

O que fica fechado?

No Departamento de Defesa, metade da força de trabalho civil, além de técnicos militares e membros da Guarda Nacional, foram dispensados sem pagamento durante o período de paralisação.

Programas financiados por leis que não dependem de dotações anuais também podem sofrer interrupções, caso necessitem de recursos renovados ano a ano para continuar funcionando.

Como essa determinação afeta os turistas?

Companhias aéreas alertam que atrasos em voos são prováveis nos próximos dias. O “shutdown” de 2019 provocou enormes filas nos pontos de controle dos aeroportos americanos. Na época, as autoridades optaram por reduzir o tráfego aéreo em Nova York.

Os parques nacionais, museus e zoológicos federais também podem fechar ou ter serviços suspensos. A Estátua da Liberdade deve interromper as visitas.


Anúncio oficial da Casa Branca (Reprodução/X/@Casa Branca)

E para os moradores?

Alguns serviços devem continuar funcionando, como o pagamento de aposentadoria e os benefícios de invalidez, além de programas de serviços essenciais. Programas de assistência alimentar, serviço postal continuaram a funcionar normalmente, já os Tribunais Federais e a Receita Federal podem ter operações limitadas caso a paralisação se prolongue.

Agentes do FBI, Guarda Nacional, patrulhas de fronteira, fiscalização de imigração e outras forças federais continuarão trabalhando normalmente. A paralisação também pode ter impacto direto em políticas públicas, no mercado financeiro e no acesso a empréstimos e serviços para pequenas empresas.

Em suas redes sociais, a Casa Branca confirmou a paralisação, que chamou de: “shutdown democrata”. Na terça-feira, republicanos e democratas trocaram acusações sobre quem seria culpado pelo shutdown.

Mísseis podem chegar à Ucrânia com aval dos EUA

Os Estados Unidos estão considerando atender ao pedido da Ucrânia para enviar mísseis Tomahawk de longo alcance, segundo afirmou o vice-presidente americano, J. D. Vance, em entrevista ao programa Fox News Sunday. A medida, ainda em avaliação, busca dar ao país ucraniano capacidade adicional de responder aos frequentes bombardeios e ataques russos com drones e mísseis.

Diplomacia entre EUA, Ucrânia e países europeus

Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, solicitou que os EUA vendessem Tomahawks para países europeus, os quais poderiam, por sua vez, remetê-los à Ucrânia. Vance disse que o presidente Donald Trump teria a palavra final sobre autorizar ou não essa operação. Ele afirmou que os Estados Unidos estão avaliando uma série de pedidos do continente europeu relacionados ao armamento.



Essa estratégia diplomática envolve vários atores e etapas. Os EUA não pretendem apenas fazer o envio direto: em muitos casos, os países europeus seriam intermediários. O uso desses mísseis pelos ucranianos representaria uma escalada significativa no conflito, já que o alcance de cerca de 2.500 km permitiria atacar posições russas distantes além da linha de frente.

Impactos militares e riscos de escalada

Os mísseis Tomahawk, com alcance estimado em 2.500 km, seriam um recurso poderoso no arsenal ucraniano diante de bombardeios regulares de mísseis e drones feitos pela Rússia. Se implementada, essa entrega pode ser percebida pela Rússia como uma escalada bélica e gerar respostas mais agressivas.

Historicamente, o governo Trump já recusou em outras ocasiões pedidos semelhantes feitos pela Ucrânia. Ele expressou frustração com a recusa russa em avançar negociações de paz. Vance comentou que a invasão russa se encontra estagnada, com poucos ganhos territoriais recentemente, enquanto lamenta o número de vidas perdidas.

Se os Estados Unidos decidirem avançar com a liberação desses mísseis, o equilíbrio estratégico da guerra poderá mudar. Será uma aposta de risco: fornecer poder ofensivo de longo alcance a um aliado em meio a um confronto intenso pode reconfigurar alianças, estratégias militares e aumentar a tensão entre blocos.

Tiroteio em igreja mórmon nos EUA deixa mortos e feridos

Um ataque a tiros em uma igreja mórmon em Grand Blanc, Michigan, resultou em pelo menos uma morte e nove feridos na manhã do último domingo (28) nos EUA. O agressor dirigiu seu veículo contra a frente da igreja e iniciou disparos com uma arma de assalto contra os fiéis no interior. Ele foi morto em troca de tiros com policiais que chegaram ao local. O templo foi incendiado após a colisão, agravando os danos.

O ataque e as circunstâncias

Segundo o chefe de polícia local, William Renye, o autor do ataque, identificado como um homem de cerca de 40 anos residente em Burton, Michigan, chegou dirigindo e colidiu o veículo contra as portas da igreja. Em seguida, desceu com uma arma de assalto e abriu fogo contra as pessoas que estavam dentro. Em meio ao caos, o prédio foi tomado por chamas, que intensificaram o pânico e aumentaram os riscos para quem ainda estava dentro.

A polícia dos EUA informou que chegou ao local rapidamente e que houve confronto armado, resultando na morte do agressor. Ainda não foram divulgadas todas as identidades das vítimas, mas sabe-se que o número de feridos é de ao menos nove pessoas, com graus variados de gravidade. Autoridades acreditam que ainda possam ser encontradas vítimas sob os escombros do prédio parcialmente danificado.


Igreja mórmon de Grand Blanc tomada pelas chamas (Foto: reprodução/X/@LBC)

Reações e impacto local

A fumaça saía do edifício enquanto bombeiros combatiam o incêndio usando jatos de água. Caminhões de resgate e ambulâncias foram mobilizados para socorrer feridos e controlar os danos. Centenas de pessoas estavam reunidas na igreja no momento do ataque, o que potencializou o risco e o número de vítimas.

Representantes públicos reagiram com consternação. A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, declarou que estava “com o coração partido pela comunidade de Grand Blanc”. Já a procuradora-geral dos EUA e o presidente Donald Trump fizeram manifestações nas redes sociais, classificando o ataque como direcionado e chocante. Trump sugeriu que o crime poderia ter motivação contra cristãos e afirmou que o FBI investigaria o caso.

A crença de que locais de culto são espaços seguros foi profundamente abalada com este episódio. O atentado reaviva debates sobre segurança em templos religiosos, controle de armas e proteção a comunidades vulneráveis. Localizada a cerca de 97 quilômetros de Detroit, Grand Blanc, cidade pequena de cerca de 7,7 mil habitantes, agora lida com o efeito traumático de um ato violento que rompeu a normalidade pacífica de um domingo de culto.

Talibã veta livros de mulheres e autores iranianos

O Talibã anunciou novas medidas que aprofundam o controle sobre a educação no Afeganistão. O regime determinou a proibição de livros escritos por mulheres e de obras de autores iranianos em universidades, além de retirar 18 disciplinas inteiras dos currículos acadêmicos. A decisão foi justificada sob a alegação de alinhar o ensino às interpretações religiosas defendidas pelas autoridades.

Livros e autores vetados

A ordem impede que obras de mulheres sejam lidas, independentemente do tema tratado, reforçando uma política de invisibilidade das vozes femininas no espaço acadêmico. Além disso, os livros produzidos por autores iranianos também foram banidos, sob o argumento de que suas ideias não correspondem ao modelo cultural e religioso estabelecido pelo governo.

Essa medida do Talibã elimina uma parte significativa da produção literária disponível nas bibliotecas universitárias, restringindo o contato dos estudantes com diferentes perspectivas e referências intelectuais.


O Talibã segue doutrinando leis e regras no Afeganistão (Foto: reprodução/QUDRATULLAH RAZWAN/EFE/EPA)

Disciplinas retiradas dos currículos

Outro ponto central da decisão foi o veto a 18 disciplinas que antes faziam parte das universidades do país. Segundo informações divulgadas, seis dessas matérias estavam ligadas diretamente a temas relacionados às mulheres. O corte não apenas reduz o leque de opções acadêmicas, mas também suprime debates sobre direitos e questões sociais que poderiam fortalecer a participação feminina na sociedade afegã.

A exclusão desses cursos não representa apenas um ajuste curricular, mas sim um esforço deliberado para consolidar um modelo de ensino rígido, homogêneo e completamente subordinado às diretrizes ideológicas do Talibã. Ao restringir o acesso a disciplinas que incentivam questionamentos, diversidade de pensamento e reflexão crítica, o regime busca impor uma narrativa única, onde apenas suas visões religiosas e políticas têm espaço.

Essa postura vai muito além de uma simples mudança administrativa: ela transforma a universidade em um ambiente controlado, no qual os estudantes deixam de ser estimulados a desenvolver autonomia intelectual e passam a ser moldados para reproduzir uma visão de mundo específica. Nesse processo, a instituição perde seu papel essencial de promover pluralidade, diálogo e produção de conhecimento diverso, tornando-se um instrumento de reforço do poder do regime.

As novas proibições, somadas às restrições já impostas desde que o Talibã retomou o poder, demonstram um movimento contínuo de cerceamento das liberdades no campo da educação. O impacto atinge tanto homens quanto mulheres, mas afeta de maneira mais severa a possibilidade de inserção e reconhecimento das mulheres no meio acadêmico e profissional.

ONU rejeita suspensão permanente de sanções ao Irã

O Conselho de Segurança da ONU rejeitou nesta sexta-feira (19) uma resolução que pedia a suspensão permanente das sanções impostas ao Irã. A proposta tinha sido apresentada após acusações de que o país estaria descumprindo compromissos assumidos no acordo nuclear de 2015. Mesmo com a derrota, há prazo adicional para negociações: governo iraniano e potências europeias têm mais oito dias para tentar chegar a um acordo.

Votos, abstenções e oposição

No total, quatro países se posicionaram a favor da resolução (entre eles Rússia, China, Paquistão e Argélia) reforçando a visão de que a suspensão das sanções poderia abrir espaço para um diálogo mais construtivo com Teerã. Do outro lado, nove nações votaram contra, consolidando a maioria necessária para barrar a proposta. Entre os que se opuseram, destacaram-se França, Reino Unido e Alemanha, que lideraram a resistência com um discurso firme. Segundo esses países, o Irã tem falhado em cumprir compromissos essenciais assumidos no acordo nuclear de 2015, especialmente no que diz respeito às cláusulas de inspeção, monitoramento e transparência de suas atividades nucleares.


Bandeira ONU (Foto: reprodução/Instagram/@onunews)

Para as potências europeias, tais violações minam a confiança internacional e justificam a manutenção das restrições. Além disso, dois países optaram pela abstenção, indicando a dificuldade em assumir um posicionamento definitivo diante de uma questão tão sensível, marcada por pressões diplomáticas e interesses geopolíticos divergentes.

Consequências políticas e diplomáticas

A decisão de manter as sanções levanta tensões diplomáticas e evidência o cenário complexo das relações internacionais no Oriente Médio. O Irã agora segue sob pressão econômica, política e diplomática enquanto busca negociar melhores condições ou demonstrações de compromisso com o acordo nuclear. As potências europeias, por sua vez, enfrentam dilemas: ou mantêm a linha dura exigindo mais garantias de fiscalização, ou cedem parcialmente para evitar agravamento da crise.

Além disso, o prazo estabelecido para negociação adiciona nova dimensão à crise: se as conversas não avançarem, poderá haver escalada de sanções ou novas iniciativas de resolução por parte do Conselho de Segurança. O ambiente permanece incerto, com muitos cenários em aberto para próximos movimentos diplomáticos.

ONU aprova criação de Estado Palestino sem participação do Hamas

A Assembleia Geral da ONU adotou, nesta sexta-feira (12), por 142 votos a favor, 10 contra e 12 abstenções, uma resolução conhecida como “Declaração de Nova York” que respalda a criação de um Estado Palestino livre da participação do Hamas, excluindo o grupo terrorista do governo futuro. A proposta, apresentada por França e Arábia Saudita, marca um momento histórico, mas repleto de desafios diplomáticos e práticos.

O contexto histórico do conflito Israel-Palestina

O conflito entre israelenses e palestinos é centenário, remontando ao fim do Império Otomano, ao Mandato Britânico, à partilha proposta pela ONU em 1947, e à guerra que levou à criação de Israel em 1948. Após guerras, ocupações e tensões contínuas, os territórios da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental permanecem como pontos centrais das disputas. 


Manifestante mostra cartaz ilustrando dissolução do território palestino ao longo das décadas (Foto: reprodução/Beata Zawrzel/Getty Images Embed)


O Hamas, grupo islâmico-militar, venceu eleições legislativas em 2006 e assumiu o controle de Gaza em 2007, o que levou ao bloqueio israelense e a repetidos confrontos com Israel. Desde então, sua presença armada tem sido considerada um dos maiores obstáculos à paz duradoura e ao reconhecimento de um Estado Palestino viável.

A resolução da ONU e as posições dos envolvidos

A nova resolução, apoiada por 142 países, defende “passos tangíveis, com prazo e irreversíveis” para implementar a solução de dois Estados, onde o governo palestino — mais especificamente a Autoridade Palestina — assumiria o controle, contanto que o Hamas seja desarmado e não participe do governo. 


Resultado da votação que propôs a criação de um Estado Palestino (Foto: reprodução/Angela Weiss/Getty Images Embed)


Israel e Estados Unidos votaram contra, argumentando que a resolução deixa de lado negociações diretas, garante condições questionáveis de segurança e exige pré-condições vistas como inviáveis. O Hamas, por sua vez, rejeita sua exclusão do futuro Estado palestino e se recusa a abrir mão de seu arsenal, alegando ser legítimo representante político e militar em Gaza.

Por que um Estado Palestino ainda não saiu do papel?

A dificuldade em consolidar um Estado Palestino está ligada a uma série de fatores. As fronteiras nunca foram plenamente definidas, especialmente em relação à Jerusalém e aos assentamentos israelenses. A segurança é outro ponto sensível, já que Israel exige garantias contra ataques, enquanto palestinos exigem o fim da ocupação.

Além disso, há divisões políticas internas: a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia, enquanto o Hamas domina Gaza. Essa fragmentação dificulta negociações unificadas. O reconhecimento internacional também é desigual, e a viabilidade econômica e institucional do futuro Estado continua sendo um desafio.

Caminhos adiante

A resolução aprovada aumenta a pressão sobre Israel e seus aliados para aceitarem um processo com prazos definidos, enquanto cobra dos palestinos maior unidade política e a exclusão de grupos armados. Ainda que não tenha força vinculante imediata, o texto representa um sinal do desejo global por uma solução de dois Estados.

O verdadeiro teste será a capacidade das partes envolvidas de transformar o apoio diplomático em avanços concretos, conciliando segurança, soberania e representatividade política. Só assim será possível abrir caminho para um Estado Palestino reconhecido de fato e de direito.

Xi Jinping cobra BRICS contra protecionismo à China

Durante a cúpula virtual dos BRICS, realizada nesta segunda-feira (08), o presidente da República Popular China, Xi Jinping, destacou a urgência de que as nações integrantes do bloco fortaleçam o sistema de comércio multilateral e resistam a todas as formas de protecionismo. O alerta surge em um contexto global de tarifas elevadas, especialmente por parte dos Estados Unidos, que ameaçam equilibrar o comércio internacional.

O presidente chinês ressaltou ainda que os países do grupo devem se apoiar em suas vantagens comparativas e aprofundar a cooperação em áreas estratégicas como comércio, finanças e tecnologia. Segundo ele, uma união mais próxima entre os líderes dos BRICS pode gerar mais confiança, melhores opções e resultados práticos para enfrentar os desafios externos.

Brasil na liderança e os desafios do protecionismo

A iniciativa defendida por Xi Jinping ganha ainda mais relevância neste momento em que o Brasil exerce a presidência rotativa do bloco. Sob a condução do governo brasileiro, os BRICS têm buscado fortalecer o diálogo interno e adotar medidas que reforcem a ideia de multilateralismo como caminho para o equilíbrio global. A posição de liderança coloca o país em um papel estratégico, tanto como articulador político quanto como voz ativa na defesa de um comércio internacional mais justo e inclusivo.


Em um cenário difícil comercialmente, o Brasil tem papel fundamental (Foto: reprodução/Instagram/@aquifofoqueira)

A crescente utilização de tarifas e barreiras comerciais como instrumentos de pressão diplomática, em especial por grandes potências, vem evidenciando as fragilidades de um sistema que se mostra cada vez mais restritivo e unilateral. Esse cenário gera incertezas para economias emergentes, que dependem do livre fluxo de bens, serviços e investimentos para sustentar crescimento e inovação. Diante disso, os BRICS têm se mobilizado para elaborar respostas conjuntas capazes de reduzir os impactos do protecionismo e criar alternativas que favoreçam tanto a integração entre seus membros quanto a diversificação de parceiros no comércio global.

Cooperação entre emergentes como resposta global

A proposta de Xi também reforça a ideia de que, para resistir à volatilidade geopolítica e às pressões protecionistas, os países do BRICS precisam intensificar a solidariedade econômica e trocar experiências. Esse movimento aponta para um futuro onde a cooperação entre os emergentes seja o maior trunfo para equilibrar o poder econômico global e influenciar decisões multilaterais.

EUA liberam detenção por sotaque ou idioma

Nesta segunda-feira (8), a Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão que vai impactar diretamente a rotina das ações migratórias no país. O tribunal revogou uma ordem judicial prévia que impedia agentes federais de deter pessoas com base exclusivamente na língua falada, no sotaque ou na aparência étnica. Isso autoriza, em caráter emergencial, a retomada de operações de imigração só com esses critérios, uma conquista clara para a política do governo Trump.

Patrulhas Móveis e risco de discriminação

A determinação da Suprema Corte abre espaço para operações conhecidas como patrulhas móveis (roving patrols), em que agentes federais podem parar, interrogar e deter indivíduos baseando-se apenas em fatores subjetivos, como o idioma falado em público, o sotaque percebido ao se comunicar em inglês ou até mesmo o local de trabalho frequentado. Na prática, isso significa que situações cotidianas básicas, como conversar em espanhol em uma cafeteria ou falar inglês com entonação estrangeira em uma entrevista de emprego, podem ser interpretadas como indício suficiente para abordagem.



Especialistas em direito e imigração alertam que a medida derruba princípios jurídicos construídos ao longo de décadas para conter abusos e proteger comunidades contra a discriminação. A preocupação é de que o espaço aberto por essa decisão legitime práticas de racial profiling, em que julgamentos se baseiam mais em estereótipos raciais ou linguísticos do que em fatos concretos. Isso gera o risco de transformar atividades comuns em motivos de suspeita, ampliando o clima de insegurança entre imigrantes e até cidadãos americanos de ascendência estrangeira.

Direitos Civis em alerta

Direitos civis reagiram com força. A ACLU declarou que a decisão “põe muitos em risco real”, ressaltando que agentes agora podem agir motivados por medo e preconceitos, em vez de evidências concretas. Já a juíza Sonia Sotomayor, em discordância firme, classificou a medida como revés para liberdades constitucionais, alegando que violências e detenções arbitrárias podem se tornar rotina.

De um lado, o governo defende que tais abordagens são essenciais para conter a imigração ilegal. Do outro, ativistas argumentam que a decisão legitima perseguição por aparência e coloca comunidades vulneráveis sob constante ameaça. Essa mudança legal, ainda que emergencial, vai influenciar não só operações em regiões específicas, como Los Angeles, mas pode servir de precedente para intervenções semelhantes em outros estados.

Seja qual for a sua perspectiva, o fato é que o veredicto da Suprema Corte marca uma guinada significativa na forma como a política migratória pode ser aplicada, assim redefinindo os limites entre segurança nacional e direitos fundamentais em solo americano.

EUA alertam sobre impactos do reconhecimento da Palestina

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou nesta quinta-feira (4) que o reconhecimento da Palestina por outros países pode gerar complicações diplomáticas e regionais. Em visita ao Equador, Rubio afirmou que o reconhecimento poderia dificultar um cessar-fogo e levar a ações indesejadas. Ele também evitou comentar sobre discussões israelenses relacionadas aos conflitos na região de Gaza.

Países que reconhecem o Estado palestino

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece a Palestina como estado observador não-membro, o que contribui para que os EUA não reconheçam o país como soberano. Porém, mais de 100 países reconhecem a Palestina, gerando tensão diplomática. Recentemente, Bélgica, Canadá, França, Austrália e Reino Unido anunciaram seu posicionamento na Assembleia Geral da ONU, marcada para o final deste mês.


Mais detalhes sobre a situação da Palestina. (Vídeo/Reprodução/YouTube/CNN Brasil)


O movimento desses países antes da assembleia mostra descontentamento com o avanço israelense no território palestino. Para o presidente americano Donald Trump e o líder israelense Benjamin Netanyahu, essas articulações alimentam o terrorismo na região e fortalecem o grupo Hamas.

As articulações antes da assembleia geral da ONU

Às vésperas da Assembleia Geral da ONU, marcada para o final deste mês, o posicionamento de países influentes na assembleia gerou tensão inesperada, reafirmando o apoio ao reconhecimento da Palestina como Estado. A Bélgica, por exemplo, anunciou medidas restritivas a produtos provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia, evidenciando um movimento crescente de nações ocidentais para pressionar Israel a reduzir hostilidades e retomar negociações com os palestinos.

Espera-se que a Assembleia Geral seja marcada por debates acentuados sobre os direitos do povo palestino e a expansão de assentamentos em territórios ocupados. Embora resoluções simbólicas possam ser aprovadas, a falta de consenso entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, especialmente com o veto dos EUA, limita a eficácia prática dessas iniciativas. Especialistas apontam que, sem ações concretas, os textos terão mais impacto político do que mudanças reais.