Imperatriz decide excluir Hariany Almeida do Carnaval de 2026 após repercussão nas redes

A Imperatriz Leopoldinense anunciou na manhã desta sexta-feira (12) que a influenciadora Hariany Almeida não integrará o elenco da escola no Carnaval de 2026. A decisão foi tomada após a ex-BBB ganhar destaque nas redes sociais ao defender publicamente a participação de influenciadoras digitais nos desfiles, argumento que gerou ampla repercussão e dividiu opiniões entre internautas, integrantes do samba e admiradores da festa.

Ao comentar as críticas que recebeu sobre sua presença na Avenida, Hariany afirmou que parte do debate desconsidera os efeitos positivos dessa participação. Em um vídeo que circulou amplamente, ela declarou que a atuação de influenciadoras contribui para ampliar a visibilidade do Carnaval e aproximar a festa de um público mais jovem. A influenciadora também relatou ter ouvido de uma jovem no Rio de Janeiro que, neste ano, o Carnaval estaria mais presente nas conversas e nas redes sociais.

Escola confirma desligamento

A exclusão foi confirmada pela própria agremiação em comunicado oficial. “O G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense, em nome de sua diretoria, informa que a influenciadora Hariany Almeida, até então destaque de alegoria, não fará mais parte do elenco da escola para o Carnaval de 2026. A agremiação agradece Hariany por sua participação e compromisso e deseja sucesso em sua trajetória”, informou a nota.


Comunicado da Imperatriz (Foto: reprodução/Instagram/@imperatrizleopoldinenseoficial)


As declarações da influenciadora continuaram a repercutir após o anúncio. Em suas falas, Hariany reforçou a ideia de que criadores de conteúdo ajudam a levar o Carnaval “para fora da bolha” e a conectá-lo com a nova geração. O tema provocou respostas públicas, como a da rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, Mayara Lima, além de ponderações de Gabriel David, presidente da Liesa, que atribuiu o aumento da visibilidade da festa a mudanças estruturais promovidas pelas próprias escolas.

Homenagem a Ney Matogrosso está mantida

Apesar da mudança no elenco, a Imperatriz confirmou que mantém o enredo previsto para o Carnaval de 2026. A escola levará à Marquês de Sapucaí uma homenagem a Ney Matogrosso, com o tema “Camaleônico”, celebrando a trajetória do cantor e sua relevância artística.

Segundo a agremiação, o desfile irá destacar a obra musical e a força performática do artista, reunindo referências a sucessos que marcaram gerações. O enredo será desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, que seguirá a proposta de valorizar a diversidade da cultura brasileira nos desfiles da escola.

Matéria por  Afonso Morais

Ney Matogrosso ressignifica a moda e desafia convenções há cinco décadas

Além da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense homenagear Ney Matogrosso no carnaval de 2026, e o filme Homem com H alcançar R$13 milhões de bilheteria, alcançando a marca histórica de 600 mil espectadores, é importante destacar os figurinos mais marcantes do cantor no decorrer da sua trajetória musical.  A seguir, os visuais mais emblemáticos que atravessaram décadas, refletindo estética, performance e contestação.

Secos & Molhados (1971–1974)

Ney irrompeu nos palcos com o grupo Secos & Molhados, adotando maquiagem dramática e adereços tribais como colares de contas e dentes, penas, braceletes cilíndricos e até um “tapa-sex” com crina, criando um visual teatral e subversivo em plena ditadura militar. Esse figurino inaugurou sua identidade: ousado e politicamente engajado.


Figurino e maquiagem dos Secos e Molhados (Foto: reprodução/Pinterest/@AlessandraSilva)


Mais do que um mero elemento visual, essa estética causava estranhamento e encantamento ao mesmo tempo, desafiando noções rígidas de masculinidade e introduzindo a androginia como parte da linguagem de palco. Ney usava o corpo como extensão da música, com gestos que transformavam cada performance em um ato de resistência simbólica.

Águas do Céu / Homem de Neanderthal (1975)

Em sua estreia solo, Ney encarnou um “homem-pássaro”, usando pelos, chifres e pintura corporal, fundindo ancestralidade primitiva com sensualidade. Essa persona bestial reforçou sua proposta estética original e provocadora.


Maquiagem e figurino de Águas do Céu/Homem de Neandertal (Foto: reprodução/Ney Matogrosso)


Os trajes, embora minimalistas em tecido, eram maximalistas em conceito. Ele propunha um retorno ao instintivo, ao corpo naturalizado e ritualístico, questionando as normas sociais que o vestuário impõe. Através da pele exposta, Ney evidenciava a potência do corpo como território de expressão artística.

Bandido (1976)

Durante o show Bandido, ele operacionalizou sua androginia urbana, misturando elementos masculinos e femininos em looks que exploravam o corpo como linguagem, com peças em couro, transparências e cenários teatrais.


Figurino e maquiagem da era Bandido (Foto: reprodução/Ney Matogrosso)


Essa fase marcou um ponto de virada, no qual Ney transitava entre o marginal e o sofisticado. As roupas refletiam um espírito libertário, por vezes punk, que dialogava com a metrópole e a efervescência política da época. Era o artista se reposicionando em meio às tensões sociais do país.

Homem com H (1981)

Durante o lançamento do álbum de 1981, que trazia a emblemática faixa “Homem com H”, Ney Matogrosso consolidou seu visual urbano androginizado. Nesse período, ele transitava por um figurino que misturava sofisticação cosmopolita e elementos transgressores: peças em couro, transparências sutis e cortes minimalistas, sempre realçando o corpo como linguagem performática. A estética refletia a transição do artista do contexto marginal para palcos metropolitanos, numa intersecção de elegância punk e contestação sociocultural.


Apresentação de Homem com H no Fantástico, em 1981 (Vídeo: reprodução/Youtube/@VideotecadoJota)


Visualmente, Ney abraçou uma estética que rompia com padrões: camisas estruturadas, calças justas e detalhes provocativos que flertavam com a moda masculina tradicional, mas que eram carregados de sensualidade e ambiguidade. Esse figurino urbano‑andrógeno permitiu-lhe seguir se posicionando como figura provocadora em plena ditadura, reforçando sua identidade artística em meio ao sucesso comercial do disco. A era “Homem com H” foi, portanto, um marco estético que consolidou seu papel como precursor da androginia performática no Brasil.

Festival dos Festivais (1985)

No icônico evento, Ney apareceu apenas com uma tanga de penas e miçangas, glitter e uma penugem na cabeça, evocando ancestralidade indígena e teatralidade, e consolidando sua presença performática.


Ney Matogrosso no Festival dos Festivais (Foto: reprodução/Pinterest/@TVGlobo)


O impacto desse visual foi imediato: causou polêmica, fascínio e foi amplamente comentado na mídia. Ao se apresentar com tamanha vulnerabilidade física e ao mesmo tempo com tamanha força cênica, Ney reafirmava que o corpo, mesmo quase nu, podia ser armadura, protesto e arte.

Atento aos Sinais (2013)

Na turnê “Atento aos Sinais”, Ney surgiu com macacões metalizados feitos por Ocimar Versolato, Milton Cunha e Marta Reis. Eram peças coladas ao corpo, carregadas de brilho, turbantes, franjas e adereços, que ressaltavam seu legado teatral e futurista.


Ney Matogrosso em turnê Atento aos Sinais (Foto: reprodução/Pinterest/@Letras.mus.br)


Com esse figurino, Ney reafirma que a maturidade não é sinônimo de contenção. Ao contrário: seus 70 anos vieram acompanhados de mais audácia e brilho, provando que sua estética evolui sem perder a essência. O corpo em cena segue sendo ferramenta de transformação e poesia.

Bloco na Rua (2019–)

Nesta turnê mais recente, assinada por Lino Villaventura, o cantor veste uma “pele dourada”: um macacão-armadura metálica com cristais, capuz, pássaros nos punhos e pés, peça que, ao revelar seu rosto no palco, emociona e impacta.


Figurino dourado da turnê Bloco na Rua (Foto: reprodução/Ney Matogrosso)


O figurino funciona quase como um escudo luminoso, transformando Ney em um ser místico e contemporâneo. A escolha por uma peça única, estruturada e brilhante carrega simbologia: é a união do sagrado com o pop, da idade com a vanguarda. Ney segue desafiando o tempo, o gênero e a forma.

Um olhar reflexivo

Cada figurino de Ney Matogrosso foi concebido para não apenas encantar, mas para comunicar: sejam ancestrais, futuristas, eróticos ou políticos, seus visuais transformam cada performance em manifesto. Como ele mesmo define, “o figurino me mostra nu”, criando um personagem que protege e o revela ao mesmo tempo.

Seus visuais atravessaram o teatro, a moda, a identidade de gênero e a resistência artística. Tanto que museus e exposições, como as do Senac e MIS, mantêm acervos de suas peças, algumas com mais de 220 itens, preservando sua marca na cultura brasileira.



Prêmio da Música Brasileira irá homenagear Cazuza em 2026

Após Doechii vencer a estatueta do Grammy 2025 na categoria Melhor Álbum de Rap e Ajulia Costa levar a estatueta de Melhor Artista Revelação no Bet Awards 2025, Cazuza (1958-1990) será homenageado na 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira de 2026. A escolha do cantor foi um consenso em conselho que inclui Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Zélia Duncan, Karol Conká e Zé Mauricio Machline.

A escolha por unanimidade do iconoclasta carioca reforça a postura do prêmio em valorizar tanto os talentos emergentes quanto os que deixaram um legado imortal na música nacional. Cazuza é autor das músicas “Exagerado”, “O Tempo Não Para” e “Brasil”, que foram eternizadas por artistas como Emicida, Céu e Gilberto Gil em suas gravações.

Os artistas assumirão um papel central na celebração de 2026, proporcionada por um espetáculo que promete ser, ao mesmo tempo, frenético, íntimo e profundamente representativo do espírito de rebeldia de Cazuza. A cerimônia vai unir multipercursos artísticos, reunindo vozes veteranas e promessas contemporâneas do cenário brasileiro, em releituras poderosas que ecoarão tanto no palco quanto na memória coletiva.

Anúncio oficial à família

O anúncio do tributo a Cazuza foi feito com um toque emocional: os membros do conselho, liderados por Zé Mauricio Machline, entraram em contato com Lucinha Araújo (mãe de Cazuza), por meio de um telefonema coletivo, trazendo a notícia que combinou reverência e entusiasmo.


Cazuza e Lucinha Araújo (Foto: reprodução/Pinterest/@monique)


A repercussão foi imediata: para o criador do prêmio, “celebrar Cazuza é celebrar a coragem, a liberdade e a potência de uma obra que segue viva e necessária”. Essa frase reflete não só o reconhecimento artístico, mas a dimensão da obra de Cazuza como força transformadora, cuja influência ultrapassa o universo musical, tocando questões de liberdade individual, expressão política e identidade cultural.

Legado que atravessa gerações

A figura de Cazuza permanece onipresente na cultura brasileira. Vocalista emblemático do Barão Vermelho, ele quebrou paradigmas ao mesclar rock, MPB e letras carregadas de poesia e questionamento social. Após sua morte, em 1990, o artista se tornou símbolo de resistência contra a AIDS e ícone da luta por visibilidade LGBTQIA+.


Cazuza e Ney Matogrosso (Foto: reprodução/Pinterest/@monique)


Sem contar a força simbólica de canções como “O Tempo Não Para”, que, ironicamente, o imortalizam a cada nova interpretação. A escolha do Prêmio da Música Brasileira reconhece, assim, sua arte e sua coragem, além de reafirmar a relevância das discussões que conduziu, ainda hoje presentes no cenário sociocultural nacional.