Lula critica PEC da Blindagem e destaca que sua rejeição era previsível

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em coletiva de imprensa durante a Assembleia Geral da ONU, na data de ontem, quarta-feira (24), se posicionou contra a PEC da Blindagem aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados e arquivada em definitivo pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. Lula declarou que a PEC foi “desnecessária e provocativa”. Segundo ele, o simples fato de colocar a proposta em votação foi “um erro histórico”, que passou um “péssimo sinal” para a sociedade.

Declarações do presidente Lula

Ontem, logo após comentar sobre o conflito Rússia-Ucrânia, no final da entrevista coletiva na sede da ONU em Nova York, nos EUA, o presidente Lula foi questionado sobre a PEC da Blindagem e o arquivamento em definitivo do projeto pela CCJ. Apesar de o assunto não estar na pauta do dia, o presidente brasileiro declarou que a proteção para os parlamentares deve vir de um comportamento ético, e não de medidas que busquem isentá-los das consequências de seus atos.

 “O único jeito das pessoas serem protegidas é não fazerem as coisas erradas. Você não pode querer a proteção que a Sociedade não tem.(…) está com medo do quê?”, questionou Lula, destacando que a proposta foi uma tentativa equivocada de blindar os políticos de investigações.


Lula, presidente do Brasil, no final da entrevista coletiva na sede da ONU, faz declarações sobre a PEC da Blindagem (Vídeo: reprodução/X/@LulaOficial)

Apesar da aprovação inicial do projeto na Câmara dos Deputados, a pressão popular, levando milhares de pessoas às ruas no último domingo (21) e o rápido movimento de parlamentares no Senado Federal mostraram que, mesmo diante da polarização política vivida no pais, algumas propostas não conseguem escapar da avaliação rigorosa da opinião pública, unindo apoiadores e opositores do Governo Federal.

Arquivamento em definitivo

O arquivamento da PEC no Senado ocorreu como uma resposta direta à pressão popular e, também, ao consenso dentro da própria CCJ que votou de forma unânime pela rejeição do projeto. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou a decisão, ressaltando que os parlamentares seguiram com rigor o regimento interno da Casa e “sem atropelos”. 

A Comissão rejeitou a proposta em tempo recorde, após análise que concluiu pela inconstitucionalidade do Projeto de Emenda à Constituição. Alcolumbre enfatizou que a decisão era um reflexo do compromisso do Senado com a ética e a legalidade, em um momento de intensa mobilização pública contra a proposta.


Publicação sobre a rejeição da PEC da Blindagem pela CCJ (Foto: reprodução/Instagram/@senadofederal)


A PEC da Blindagem foi aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados em 16 de setembro (2025) por 353 votos a favor e 134 contra, gerando críticas por parte da imprensa e de vários setores da sociedade. Articulada pelo “Centrão”, oficialmente denominada de “PEC das Prerrogativas”, visava ampliar direitos de parlamentares, incluindo a possibilidade de votação secreta para autorizar ou não a abertura de processos contra os próprios congressistas, sendo interpretada como uma tentativa de enfraquecer o combate à corrupção.

Conversa entre Lula e Trump deve ser a distância

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23) que se encontrou rapidamente com Lula e que os dois concordaram em conversar na próxima semana. O Governo Brasileiro, que confirmou a fala de Trump, entende que a reunião deve ocorrer de forma remota, por telefone ou videoconferência. 

Química excelente 

De acordo com Trump, o encontro com o líder brasileiro ocorreu pouco antes de seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente americano afirmou que eles se abraçaram e que houve uma “química excelente”, além disso, combinaram de se encontrar na próxima semana. Dentre os temas da reunião, devem estar: o tarifaço de 50% e as sanções aplicadas pelos EUA aos membros do judiciário brasileiro. O governo Trump se posiciona de forma contrária ao processo que culminou na condenação de Jair Messias Bolsonaro e outros 7 réus, membros do “núcleo crucial” da trama golpista. 


O presidente americano, Donald Trump, falando sobre o rápido encontro com Lula
(Vídeo: reprodução/YouTube/CartaCapital)

Amanda Robertson, porta-voz do Governo Americano, afirmou em entrevistas a canais brasileiros de televisão que a relação comercial entre os dois países deve ser reavaliada no futuro encontro dos presidentes. Robertson destacou que essas reuniões de “alto nível” são organizadas pelos diplomatas. 

Cautela do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, enxerga a situação com cautela. A preocupação é para não se repetir os recentes episódios constrangedores de líderes mundiais na Casa Branca. Em fevereiro deste ano, Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, discutiu com Donald Trump e, segundo Lula, “foi humilhado” pelo americano. Em maio, Cyril Ramaphosa, da África do Sul, passou por cena parecida quando foi acusado de “limpeza étnica’’ no Salão Oval da sede do governo americano.


Lula falando sobre o bate-boca de Zelensky com Trump na Casa Branca
(Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)

Caso se confirme, será a primeira reunião entre Lula e Trump. Em seu discurso na ONU, o presidente brasileiro, que tradicionalmente abre a assembleia, reafirmou a soberania nacional, a defesa da democracia e condenou os ataques ao judiciário. Ele ainda se posicionou contra qualquer forma de anistia para aqueles que tentem abolir o Estado Democrático de Direto brasileiro. 


Lula cita condenação de Bolsonaro e critica sanções dos EUA em discurso na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou a condenação de Bolsonaro na ONU durante seu discurso de abertura da Assembleia Geral nesta terça-feira (23), em Nova York. Ele também criticou as sanções impostas pelos Estados Unidos e reiterou a necessidade de medidas de regulação das redes sociais. Segundo o presidente, o episódio marca um momento sem precedentes na história política do país.

Na ONU, Lula destaca condenação de Bolsonaro e autonomia das instituições

Em sua fala, Lula mencionou a recente decisão do Supremo Tribunal Federal que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Além disso, segundo o presidente, o julgamento representa um marco para o Brasil e, ao mesmo tempo, reforça que as instituições têm cumprido seu papel de forma independente. O chefe do Executivo também destacou que o episódio serve como alerta para a importância da responsabilidade de todos os líderes políticos e da observância das leis brasileiras.

Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade”, declarou Lula, ressaltando que a punição foi resultado de um processo com amplo direito de defesa.


Lula discursa na Assembleia Geral da ONU em Nova York (Vídeo: reprodução/X/GloboNews)

Lula critica sanções dos EUA em discurso na ONU sobre Bolsonaro

O presidente também usou a tribuna para criticar diretamente as sanções econômicas impostas pelo governo norte-americano como resposta às investigações e ao julgamento de Bolsonaro. De acordo com Lula, tais medidas são arbitrárias e atingem não apenas o governo, mas a própria população brasileira.

Não há justificativas para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos”, destacou.

Dessa forma, Lula buscou transmitir a ideia de que o país não cederá a pressões externas.


Lula discursa na Assembleia Geral da ONU em Nova York (Vídeo: reprodução/X/GloboNews)

Regulação digital gera polêmica internacional

Outro ponto central do discurso foi a defesa da regulação das redes sociais. Lula criticou a atuação das plataformas digitais, que, segundo ele, facilitam campanhas de desinformação e ataques à democracia. Além disso, afirmou que a resistência à regulação parte de setores que buscam proteger interesses particulares.

Ataques a medidas de controle sobre as plataformas servem para encobrir interesses escusos. Não se trata de censura, mas de proteger a vida das pessoas”, disse Lula.

No entanto, a fala gerou reação imediata nos bastidores diplomáticos, pois alguns países consideraram a proposta uma ameaça à liberdade de expressão. Com isso, tornou-se um dos pontos mais polêmicos da participação do presidente na ONU.

Lula encerrou seu discurso reforçando a disposição do Brasil em participar ativamente de debates globais sobre governança digital e cooperação internacional. Ele destacou que, apesar das tensões recentes, o país busca soluções equilibradas que garantam transparência, segurança e responsabilidade no uso das plataformas digitais.

Trump critica ONU e questiona eficácia da diplomacia internacional

Durante a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso contundente criticando a atuação da ONU, apontando o que considera falhas na eficácia da organização em lidar com conflitos globais. Segundo Trump, embora a ONU tenha “muito potencial”, muitas vezes suas ações se limitam a palavras sem efeito prático.

Crítica direta à ONU e à diplomacia simbólica

“Na maior parte do tempo, ela parece ter palavras vazias e seguir uma carta apenas com palavras vazias. Elas não resolvem uma guerra, a única coisa que resolve uma guerra é uma ação”, disse o presidente, reforçando a necessidade de medidas concretas para a manutenção da paz internacional.

Trump aproveitou o discurso para destacar sua própria atuação, afirmando que, nos primeiros sete meses de seu segundo mandato, conseguiu encerrar sete conflitos internacionais. Ele enfatizou que a liderança dos Estados Unidos está disponível para colaborar com qualquer país disposto a agir de forma prática e decisiva para tornar o mundo “mais seguro e mais próspero”.


Discurso do presidente Trump (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)

Alianças estratégicas e responsabilidade global

O discurso, marcado por um tom crítico, também incluiu menções à importância de alianças estratégicas e à responsabilidade de países poderosos em assumir papéis ativos na resolução de crises globais. Trump sugeriu que a ONU muitas vezes falha por depender apenas de declarações diplomáticas e resoluções que não são seguidas de ações concretas, e defendeu que o caminho para a paz exige comprometimento real e medidas efetivas.

Além de críticas à ONU, Trump também ressaltou a necessidade de cooperação entre países para enfrentar desafios globais, incluindo segurança internacional, comércio e tecnologia. Segundo ele, a postura norte-americana é oferecer parceria e liderança, mas sempre com foco em resultados concretos, e não apenas em discursos ou promessas.

Perspectiva internacional e análises de especialistas

Analistas internacionais observaram que o discurso de Trump reflete uma visão pragmática e unilateral dos Estados Unidos, priorizando resultados tangíveis sobre protocolos diplomáticos formais. Especialistas apontam que, ao enfatizar a ação direta, Trump busca reforçar a imagem de liderança americana, especialmente em um momento em que a ONU enfrenta críticas por sua lentidão em lidar com crises em diferentes regiões, como Oriente Médio, África e Ásia.

O discurso chamou atenção por sua clareza em diferenciar o que Trump considera diplomacia efetiva e diplomacia simbólica. Ao longo da fala, ele reiterou que a ONU deve ser mais do que um fórum de discussões: deve ser um espaço de decisões e ações que realmente impactam a vida das pessoas e a estabilidade mundial.






Lula na ONU: soberania, clima e denúncia de genocídio em Gaza

Em discurso proferido na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra o que chamou de crescente desrespeito à soberania dos países, especialmente manifestado por meio de sanções unilaterais e intervenções arbitrárias. Para Lula, tais medidas não são exceção, mas vêm se tornando uma “regra” no cenário internacional.

“Desordem internacional” e a importância das instituições democráticas

O presidente afirmou que os princípios que regem a criação da ONU estão sob ameaça. Criticando o uso do poder em escala global como instrumento de imposição, ele disse que atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais se intensificaram, corroendo a ordem internacional.

Lula também defendeu o julgamento de Jair Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe após perder a eleição de 2022 — ressaltando que todo o processo respeitou o direito ao contraditório e à ampla defesa. Esse ponto aparece como central para mostrar que a democracia brasileira funciona, inclusive nos momentos em que determinados atores externos buscam questionar decisões judiciais ou interferir politicamente.

Rejeição a sanções externas e apelo por autonomia

Sem citar nomes específicos, o presidente criticou medidas adotadas por outros países, especialmente sanções econômicas, restrições de vistos e tarifas comerciais voltadas ao Brasil. Ele classificou essas ações como arbitrárias — uma forma de intimidação diplomática que ameaça a integridade institucional do país.

Uma das mensagens mais fortes do discurso foi a afirmação de que “nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. Essa declaração sinaliza que o Brasil, sob seu governo, não aceitará interferências externas que busquem fragilizar ou condicionar sua atuação institucional.


Discurso do presidente Lula (Reprodução/X/@GloboNews)

Contexto diplomático

O discurso de Lula ocorre em meio a tensões recentes entre Brasil e Estados Unidos, provocadas por sanções impostas por Washington, que incluem a revogação de vistos e restrições a autoridades brasileiras. O governo americano justifica essas medidas como resposta a decisões judiciais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

No mesmo palco internacional, Donald Trump relatou ter se encontrado rapidamente com Lula nos bastidores da ONU. Segundo ele, os dois se cumprimentaram com um abraço e combinaram uma reunião para a semana seguinte, ocasião em que Trump elogiou o brasileiro, descrevendo-o como “um homem muito simpático”. 


Discurso do presidente Trump (Reprodução/X/@GloboNews)

Já a diplomacia brasileira insiste que as sanções ferem princípios fundamentais do direito internacional e da soberania nacional, enquadrando a disputa como parte de uma narrativa de defesa do respeito mútuo entre Estados e do fortalecimento das instituições democráticas.

Reformas internacionais, ação climática e critica ao genocídio em Gaza

Além da defesa da autonomia brasileira, Lula também voltou a cobrar reformas profundas nas instituições multilaterais, apontando que organismos como a ONU e o Conselho de Segurança precisam refletir a realidade geopolítica atual, dando mais espaço ao Sul Global e reduzindo as assimetrias de poder entre nações. Para ele, não é mais aceitável que estruturas criadas no pós-guerra continuem a determinar unilateralmente os rumos da política internacional.

A pauta ambiental também esteve no centro do discurso. Lula ressaltou a urgência em enfrentar a crise climática, defendendo a aceleração da transição energética e maior apoio financeiro e tecnológico aos países mais vulneráveis.

Ele frisou que florestas tropicais e comunidades tradicionais devem estar no centro das políticas ambientais e cobrou que os compromissos já assumidos pelas nações desenvolvidas saiam do papel. O presidente ainda propôs a criação de um balanço ético global das ações climáticas, que leve em conta não apenas números técnicos, mas também justiça, equidade e solidariedade entre os povos.

Um dos trechos mais contundentes do discurso foi dedicado ao conflito no Oriente Médio. Lula condenou o que chamou de genocídio em curso na Faixa de Gaza, afirmando que “nenhum atentado terrorista, por mais grave que seja, justifica o genocídio em andamento”.


Discurso do presidente Lula (Reprodução/X/@GloboNews)

Ele acusou países com poder de influência de serem “cúmplices” ao não agir para frear a escalada da violência e criticou o uso da fome como arma de guerra e o deslocamento forçado da população civil. Para o presidente, o massacre em Gaza não representa apenas a morte de milhares de inocentes, mas também a tentativa de anular o sonho de um Estado palestino.

Compromisso do Brasil com justiça, paz e sustentabilidade

O discurso de Lula reforça a postura do Brasil como um ator que busca equilíbrio entre soberania, justiça social e responsabilidade global. Ao combinar críticas à ordem internacional atual, apelos por ação climática e defesa de direitos humanos, o presidente projeta a imagem de um país ativo, que não se limita a reagir a eventos externos, mas propõe soluções e reformas estruturais.

Ao encerrar sua fala, Lula destacou que o respeito à vida, à democracia e à dignidade humana deve ser o alicerce de qualquer política internacional. Ele concluiu afirmando que o Brasil continuará a lutar por um mundo mais justo, sustentável e solidário, onde conflitos sejam resolvidos pelo diálogo e pela cooperação, e não pela imposição ou violência.







Lula afirma estar aberto a diálogo com Trump em entrevista nos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (22) que está disposto a dialogar com Donald Trump, caso o republicano manifeste interesse. A declaração foi feita em entrevista ao canal norte-americano PBS, durante sua primeira visita oficial aos Estados Unidos desde que o ex-presidente americano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Lula ressaltou que, até o momento, nunca houve contato direto entre os dois líderes.

Crítica à aproximação com Bolsonaro

Durante a entrevista, Lula comentou que Trump teria optado por construir uma relação política com Jair Bolsonaro, decisão que considera equivocada. “Na minha opinião, isso foi um erro. Ele fez uma escolha de construir uma relação com Bolsonaro, e não uma relação com o povo brasileiro”, afirmou. O presidente brasileiro ainda destacou que está preparado para tratar de temas políticos diretamente com Trump, caso haja disposição do ex-mandatário dos EUA.

Questionado sobre as tarifas impostas ao Brasil, Lula classificou como “inacreditável” a postura de Trump diante do país. Segundo o petista, a medida não foi apenas de caráter econômico, mas principalmente política. O republicano justificou o tarifaço citando o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, associando a decisão à tentativa de encerrar o que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente.


Lula e Trump discursam na ONU (Vídeo: reprodução/YouTube/@bbcnewsbrasil)


Relação entre Estados

Na visão de Lula, a relação entre nações deve estar acima de afinidades pessoais ou diferenças ideológicas. “Um chefe de Estado tem que ter uma relação com outro chefe de Estado, independentemente da posição política. Estes são dois Estados importantes, as maiores democracias da América, as maiores economias da América. Portanto, é muito importante que a gente tenha uma relação muito civilizada”, declarou.

Lula está em Nova York para abrir o debate de líderes da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23). O discurso deve trazer recados indiretos a Trump, além de defender a soberania brasileira e criticar medidas unilaterais de tarifas. O presidente também deve destacar temas como democracia, multilateralismo, reforma da ONU, preservação ambiental e transição energética. Outro ponto esperado é a defesa de um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, reforçando o papel do Brasil como mediador no cenário internacional.

Nicolás Maduro rejeita acusações de narcotráfico e convoca ONU contra ações dos EUA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou as acusações dos Estados Unidos de que seria traficante de drogas. Em uma carta divulgada neste domingo (21), ele pediu diálogo ao presidente Donald Trump. O documento, datado de 6 de setembro, foi enviado poucos dias depois dos EUA enviarem oito navios de guerra para perto da costa venezuelana e realizarem o primeiro de vários ataques contra barcos que, segundo Washington, levavam drogas. Esse primeiro ataque deixou 11 mortos.

Maduro nega acusações e Venezuela aciona a ONU

Maduro disse que as acusações de envolvimento com o narcotráfico são “absolutamente falsas”. Segundo ele, trata-se da “pior das fake news já inventadas contra a Venezuela, usada para justificar um possível conflito armado que traria consequências graves para todo o continente. Na carta, ele ainda convida Donald Trump a manter a paz por meio do diálogo e do entendimento em todo o hemisfério.

Na sexta-feira (19), o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, pediu que a ONU investigasse o que chamou de “crimes contra a Humanidade” cometidos pelos Estados Unidos no Caribe, após o disparo de mísseis contra lanchas que Washington afirma estarem ligadas ao tráfico de drogas.


Soldados venezuelanos ensinando civis a usarem armas (Vídeo: reprodução/X/@hoje_no)

Segundo Saab, “o uso de mísseis e armas pesadas para matar pescadores indefesos em uma pequena lancha” deve ser investigado pela ONU como crime contra a humanidade.

O chanceler Yván Gil também declarou que a Venezuela solicitou ao Conselho de Segurança da ONU que exija o fim imediato das ações militares dos EUA no Mar do Caribe. Ele afirmou ainda que até as próprias autoridades americanas admitem que houve assassinatos extrajudiciais de civis, com o objetivo de espalhar medo entre os pescadores e a população. Para Gil, é fundamental que a soberania da Venezuela e de toda a região do Caribe seja respeitada.

Escalada de tensões após envio de tropas americanas ao Caribe

Em agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o envio de forças navais para a região Caribenha, alegando que a missão era combater cartéis de drogas no local. A decisão acendeu alertas na Venezuela, onde Nicolás Maduro é acusado de chefiar o chamado Cartel dos Sóis, grupo supostamente ligado a militares do país. Os EUA chegaram a oferecer uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Maduro, mas o governo venezuelano nega qualquer envolvimento dele ou de seus comandantes com o narcotráfico.


Lugares onde os Estados Unidos estão posicionados no Mar do Caribe (Foto: reprodução/X/@Geopol21)

Desde então, os Estados Unidos já destruíram pelo menos quatro barcos acusados de ligação com o tráfico. Em um dos ataques, no início do mês, 11 pessoas morreram, o que levantou dúvidas sobre a legalidade dessas ações, inclusive entre parlamentares que fazem oposição a Donald Trump. A Casa Branca, porém, nega ter planos para derrubar Nicolás Maduro.

Na Venezuela, o governo colocou as Forças Armadas em estado de alerta e lançou uma campanha para que a população se una a milícias voluntárias. Segundo o Palácio de Miraflores, milhões já aderiram. Além disso, nos últimos dias foram convocados exercícios de treinamento com armas de fogo e táticas de combate. No sábado, essas atividades ocorreram em mais de 300 quartéis espalhados pelo país.

Brasil vê tendência de condenações a Israel na Assembleia da ONU

A República Federativa do Brasil aposta em fortes condenações a Israel durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa nesta terça-feira (23), em Nova York. A princípio, fontes do governo afirmam que a posição israelense se tornou insustentável diante das recentes ações em Gaza e na Cisjordânia.

Logo, países europeus já anunciaram apoio ao reconhecimento da Palestina como Estado, entre eles França, Canadá, Portugal e Bélgica. Para o governo Lula, pelo menos 150 países devem se alinhar à proposta.

Pressão global e contradição europeia exposta

Sobretudo, fontes brasileiras afirmam que Israel já ocupa a posição de “vilão” no cenário internacional. A conferência sobre os dois Estados, organizada por França e Arábia Saudita, reforça esse movimento. O presidente Emmanuel Macron atua nos bastidores para ampliar o apoio. Já no Brasil, o Palácio do Planalto vê a mudança como confirmação de sua postura desde o início de 2024. O governo avalia que a palavra “genocídio” aparecerá em muitos discursos, mesmo sem consenso formal da ONU.

Diante do cenário, autoridades brasileiras afirmam que a Europa não pode condenar a Rússia e poupar Israel. Consequentemente, isso destruiria a narrativa contra a invasão da Ucrânia. A comparação se tornou central na estratégia diplomática de Lula. O presidente brasileiro também terá encontros paralelos em Nova York. A agenda prevê um evento conjunto com a Espanha sobre democracia e combate ao extremismo. Segundo o Itamaraty, Donald Trump, então presidente dos EUA, não será convidado, para evitar legitimar discursos radicais.


Israel condenou Brasil por avaliar atos genocidas (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Escalada militar em Gaza

Enquanto cresce a pressão internacional, Israel avança com tropas em Gaza. O porta-voz militar Effie Defrin confirmou que reservistas foram convocados para ocupar áreas estratégicas. Por um lado, críticos alertam que a ofensiva deve gerar deslocamentos em massa de civis. Por outro lado, a ONU já acusou Israel de práticas genocidas em Gaza.

Assim, relatórios citam assassinatos, destruição de condições de vida e restrições que configuram crimes previstos pelo Direito Internacional. Apesar da pressão, os Estados Unidos seguem apoiando Israel. Anteriormente, a capital Washington vetou resoluções que exigiam cessar-fogo e acesso irrestrito à ajuda humanitária, aumentando tensões na diplomacia global.

ONU rejeita suspensão permanente de sanções ao Irã

O Conselho de Segurança da ONU rejeitou nesta sexta-feira (19) uma resolução que pedia a suspensão permanente das sanções impostas ao Irã. A proposta tinha sido apresentada após acusações de que o país estaria descumprindo compromissos assumidos no acordo nuclear de 2015. Mesmo com a derrota, há prazo adicional para negociações: governo iraniano e potências europeias têm mais oito dias para tentar chegar a um acordo.

Votos, abstenções e oposição

No total, quatro países se posicionaram a favor da resolução (entre eles Rússia, China, Paquistão e Argélia) reforçando a visão de que a suspensão das sanções poderia abrir espaço para um diálogo mais construtivo com Teerã. Do outro lado, nove nações votaram contra, consolidando a maioria necessária para barrar a proposta. Entre os que se opuseram, destacaram-se França, Reino Unido e Alemanha, que lideraram a resistência com um discurso firme. Segundo esses países, o Irã tem falhado em cumprir compromissos essenciais assumidos no acordo nuclear de 2015, especialmente no que diz respeito às cláusulas de inspeção, monitoramento e transparência de suas atividades nucleares.


Bandeira ONU (Foto: reprodução/Instagram/@onunews)

Para as potências europeias, tais violações minam a confiança internacional e justificam a manutenção das restrições. Além disso, dois países optaram pela abstenção, indicando a dificuldade em assumir um posicionamento definitivo diante de uma questão tão sensível, marcada por pressões diplomáticas e interesses geopolíticos divergentes.

Consequências políticas e diplomáticas

A decisão de manter as sanções levanta tensões diplomáticas e evidência o cenário complexo das relações internacionais no Oriente Médio. O Irã agora segue sob pressão econômica, política e diplomática enquanto busca negociar melhores condições ou demonstrações de compromisso com o acordo nuclear. As potências europeias, por sua vez, enfrentam dilemas: ou mantêm a linha dura exigindo mais garantias de fiscalização, ou cedem parcialmente para evitar agravamento da crise.

Além disso, o prazo estabelecido para negociação adiciona nova dimensão à crise: se as conversas não avançarem, poderá haver escalada de sanções ou novas iniciativas de resolução por parte do Conselho de Segurança. O ambiente permanece incerto, com muitos cenários em aberto para próximos movimentos diplomáticos.

EUA vetam cessar-fogo em Gaza na ONU

Nesta quinta-feira (18), os Estados Unidos vetaram a resolução da ONU que exigia cessar-fogo e acesso irrestrito à ajuda humanitária em Gaza, aprofundando a crise no território.

A medida, redigida por 10 membros do Conselho de Segurança da ONU, foi vetada pelos Estados Unidos. Se aprovada, exigiria que Israel suspendesse todas as restrições à ajuda humanitária à Palestina e que o Hamas libertasse todos os reféns, garantindo um cessar-fogo permanente. O veto bloqueou qualquer avanço na proteção de civis, intensificando a pressão sobre a comunidade internacional e a urgência de soluções humanitárias.

Entenda o conflito entre Israel e Hamas

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou um ataque surpresa contra Israel, disparando milhares de foguetes e realizando incursões terrestres. O ataque resultou na morte de 1.195 israelenses e estrangeiros, além de 251 reféns. Em resposta, Israel iniciou a Operação Espadas de Ferro, uma ofensiva militar em Gaza que já causou mais de 65 mil mortes palestinas e deslocou cerca de 250 mil pessoas, segundo dados da ONU.

Após mais de um ano de intensos combates, um cessar-fogo mediado por Estados Unidos, Egito e Catar entrou em vigor em janeiro de 2025. No entanto, as hostilidades foram retomadas em março, com uma nova ofensiva israelense que resultou em centenas de mortos e feridos. Em agosto de 2025, a violência se intensificou novamente, com bombardeios e ataques aéreos em Gaza, exacerbando a crise humanitária na região.

EUA e sua intervenção na guerra em Gaza

Os Estados Unidos voltam a usar o seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU pela sexta vez desde o início do conflito, bloqueando medidas que buscavam pressionar Israel e o Hamas a cumprir acordos humanitários e de cessar-fogo. Analistas apontam que a decisão reflete a prioridade de Washington em proteger seus aliados estratégicos na região, mesmo diante do agravamento da crise civil em Gaza.


Trump em visita ao Reino Unido diverge sobre a criação de um Estado Palestino e reafirma a aliança com o Estado de Israel (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

O veto reforça a percepção de que a diplomacia internacional encontra limitações quando confronta interesses políticos e militares dos EUA. Organizações humanitárias alertam que a população palestina continua sem acesso seguro a suprimentos essenciais, enquanto as negociações de paz permanecem estagnadas e sem perspectiva de solução imediata.