Eduardo Bolsonaro ignora PF e é investigado por tentar interferir em investigações do STF nos EUA

A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não respondeu aos primeiros contatos para prestar esclarecimentos em um inquérito que investiga suas ações nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Segundo a corporação, foram feitas várias tentativas de contato com o parlamentar, incluindo e-mails enviados ao seu endereço funcional e pessoal, mensagens enviadas por aplicativo no celular e até ligações para o telefone do gabinete dele em Brasília. Apesar disso, Eduardo não deu retorno por nenhum desses meios.

Informações do STF

De acordo com o relatório enviado ao STF, o sistema de correio eletrônico confirmou que os e-mails foram entregues com sucesso, o que indica que as mensagens chegaram aos seus destinos. No entanto, até o momento, o deputado não se manifestou nem respondeu aos pedidos de esclarecimento. A autorização para que Eduardo preste depoimento por escrito foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, considerando que ele está fora do país, residindo atualmente nos Estados Unidos.


Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro em reunião (reprodução/x/@g1)

O inquérito foi solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta possíveis crimes cometidos por Eduardo Bolsonaro em território estrangeiro. A investigação se baseia em declarações feitas por ele em entrevistas e postagens nas redes sociais. A PGR afirma que o deputado teria atuado junto ao governo do ex-presidente Donald Trump para tentar aplicar sanções contra ministros do STF, o que caracterizaria uma tentativa de interferência indevida nas instituições brasileiras.

Alegações da PGR

Ainda segundo a PGR, essa suposta atuação de Eduardo nos EUA tem como principal objetivo prejudicar as investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado no Brasil, caso no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do deputado, é um dos réus. A conduta do parlamentar, diz a Procuradoria, pode ser enquadrada como coação, obstrução de investigações sobre organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Em meio a essa investigação, Jair Bolsonaro foi ouvido pela PF e revelou ter transferido R$ 2 milhões para o filho por meio do sistema Pix. Segundo o ex-presidente, o valor foi enviado para garantir que Eduardo não passasse necessidades enquanto estivesse nos Estados Unidos.

PF revela mensagens de Braga Netto que sugerem interferência em investigações

A Polícia Federal (PF) revelou neste sábado (14), mensagens trocadas por Walter Souza Braga Netto, general e ex-ministro do governo Bolsonaro, que levantam suspeitas de interferência em investigações. O conteúdo foi detalhado em uma decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes. As conversas, recuperadas no âmbito de inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF), indicam que o militar teria buscado informações sigilosas e tentado coordenar uma narrativa entre investigados.

O ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, figura central no governo Bolsonaro, é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) relacionadas a uma suposta tentativa de golpe de Estado. Preso no Rio de Janeiro, Braga Netto será mantido sob custódia do Exército.

Tentativa de controle da narrativa

Nas mensagens, Braga Netto teria orientado pessoas próximas a alinhar discursos para evitar contradições em depoimentos e preservar aliados políticos. A PF acredita que o objetivo era limitar os impactos das investigações, que miram a organização e o financiamento de atos que contestaram o resultado das eleições de 2022.


Braga Netto (Foto: reprodução/ Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Nessas mensagens, Braga Netto aparece em grupos e conversas individuais, onde discutia estratégias para mobilizar apoiadores e autoridades militares. O general também buscou obter informações confidenciais sobre o avanço das apurações. Apesar das evidências apresentadas, a defesa do ex-ministro nega as acusações, alegando que as mensagens foram retiradas de contexto.

Consequências jurídicas

A decisão de Alexandre de Moraes destaca que o conteúdo das mensagens pode configurar crimes como associação criminosa e tentativa de obstrução de investigação judicial. O ministro autorizou novas medidas para aprofundar as investigações, incluindo a análise de outros dispositivos eletrônicos apreendidos.

O caso agrava a situação de Braga Netto, que já era alvo de críticas por sua atuação durante o governo Bolsonaro. Agora, o general enfrenta maior pressão pública e legal, com a possibilidade de ser formalmente acusado pelos atos revelados. A investigação segue em ritmo acelerado, com novos desdobramentos esperados para os próximos dias.

Matéria por Alexia Gabriela (Lorena- R7)

Saiba o que falta para X voltar ao Brasil

Foi informado pela rede social X que os documentos solicitados pelo ministro Alexandre de Moraes foram apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF), além do desbloqueio da plataforma ter sido solicitado. O material encaminhado será analisado pelo magistrado, como afirmado por interlocutores da Corte.

Demandas solicitadas por Moraes

Segundo o X, os requisitos que Alexandre de Moraes estipulou para que a plataforma retornasse já foram cumpridos, sendo eles: regularização da representação do X no Brasil, bloqueio de nove perfis que tinham ordens de suspensão e o pagamento das multas por descumprir diversas decisões judiciais no valor de R$ 18,3 milhões.

Para regularização da plataforma no Brasil, a advogada Rachel Villa Nova Conceição foi nomeada, e a documentação da Junta Comercial comprovando o vínculo já foi entregue ao STF. As ordens de suspensão dos nove perfis, incluindo o do senador Marcos do Val, foram emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Os advogados do X declaram que a petição, assinada pelos advogados Fabiano Robalinho Cavalcanti e Caetano Berenguer (Bermudes Advogados), André Zonaro Giacchetta e Daniela Seadi Kessler (Pinheiro Neto Advogados) e Sérgio Rosenthal (Rosenthal Advogados Associados), fornece o cumprimento integral das demandas de Moraes.


https://bsky.app/profile/poptime.space/post/3l5545z3tro2d
Liberação do X no Brasil segue sendo analisada (Vídeo: reprodução/Bluesky/@poptime.space‬)


Outro ponto que deverá ser tratado por Moraes, e que deixou de ser mencionado na petição, foi a volta do X durante cerca de um dia no Brasil, que ocorreu por meio de um artifício utilizado, na qual uma nova suspensão foi declarada pelo ministro, mediante uma pena diária de R$ 5 milhões. Segundo interlocutores da empresa, como a multa não foi formalizada, não está claro se de fato será aplicada.

Estando tudo correto, Moraes pode determinar que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) restabeleça o acesso da plataforma.

Anatel e Polícia Federal no caso do X

Foi mostrado pelo O GLOBO que o STF recebeu os relatórios sobre o acesso a rede social X após o bloqueio, pela Anatel e a Polícia Federal (PF).

O X passou por uma mudança em seu endereço eletrônico, que permitiu livre acesso no Brasil, quando a plataforma voltou durante algumas horas. Foi relatado pela Anatel, em documento, que o bloqueio total foi retomado pelas operadoras notificadas.

A Polícia Federal declarou ao STF sobre as medidas que estão sendo adotadas para identificação dos casos de acesso vedado por decisão de Moraes, para que uma eventual multa seja aplicada.

A identidade dos usuários que acessaram a plataforma de forma irregular foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e autorizada por Moraes no dia 16 de setembro.

O GLOBO apresentou que, depois do STF ter pedido que o PF investigasse os casos de acesso do X, a PGR estabeleceu as condutas a serem ponderadas para uma futura punição. O foco é naqueles que continuam a propagar discursos de ódio em suas postagens e fake news, como as que podem afetar as eleições.

Operação da PF prende suspeitos de espalharem fake news em período eleitoral no Rio

Uma operação da Polícia Federal, prendeu nesta quinta-feira (12), quatro suspeitos de espalharem fake news durante o período eleitoral. A Operaçào Teatro Invisível combatia a disseminação de fake news em eleições municipais no Rio de Janeiro. 

Segundo a própria polícia, o grupo teria propagado fake news sobre candidatos desde 2016 e teria influenciado as disputas de pelo menos 13 prefeituras no estado.


Operação da PF contra fake news (Vídeo: reprodução/Youtube/SBT News)

Mandados de busca e apreensão

Os mandados eram: 4 de prisões preventivas e outros 15 de busca e apreensão. Além dos mandatos, também foi feito o bloqueio judicial de R$ 1 milhão em bens para os investigados, decisão do juiz Bruno Rulière. 

Bernard Rodrigues Soares foi um dos presos e era presidente municipal pelo União Brasil em São João de Meriti, município na região metropolitana do Rio. Outros 3 homens foram presos, mas as equipes de defesa de todos os presos ainda não se pronunciaram.

Grande parte do grupo investigado e preso reside na região de São João de Meriti e para o cumprimento de um dos mandados na Baixada Fluminense a Polícia Federal deslocou um blindado. 

Pagamento de atores

A Polícia Federal informou que por meio das investigações, foi apurado que a organização criminosa teria desenvolvido um esquema complexo e lucrativo com base na contratação de pessoas que influenciaram o processo eleitoral de diversos municípios. 

Também foi descoberto que os líderes dessa organização criminosas seriam pessoas que ocuparam funções públicas em diversas cidades cariocas. O método de ação era que as pessoas contratadas se infiltraram em lugares com grande aglomeração de pessoas, como pontos de ônibus, filas, padarias, mercados, e difundia informações falsas sobre o candidato rival. 

O trabalho incluia um relatório diário contendo a quantidade de pessoas que teriam sido abordados, número de votantes em cada um dos candidatos e quantos eleitores teriam sido “convencidos” pelos atores. Cada um dos contratados ganhava R$ 2 mil mensais para a função. 

Os suspeitos são investigados por organização criminosa, desvio de funcionários públicos, utilização de laranjas, lavagem de dinheiro, assédio eleitoral e prescrições penais sobre a divulgação de notícias falsas, previstas no Código Eleitoral.

PF instala comitê de crise para apurar origem dos incêndios no Pantanal 

Devido aos fortes incêndios que assolam a região pantaneira, foi montado pela Polícia Federal um gabinete de crise capaz de investigar a origem dos constantes incêndios. Neste ano, o fogo que corrompe o bioma já chegou a destruir o equivalente a 684 mil campos de futebol.

Crise Pantaneira

Nesta última quinta-feira (27), integrantes da Força Nacional, parte do gabinete de crise criado pela PF, chegaram na região afetada pelo fogo. A situação se encontra cada dia mais tensa, deixando o bioma completamente vulnerável e fraco. A intensidade do fogo permite que o cenário apresentado àqueles na região seja de uma noite pintada de vermelho. 

De acordo com o subtenente do Corpo de Bombeiros do MS, Edraudino Lúcio, o combate em cima de alguns focos contou com o apoio de fazendeiros locais somado a ajuda de tanques de água e uma motobomba puxada por trator. Ele também conta que o combate foi feito 500 metros à frente do local afetado para que o fogo fosse apagado linearmente na volta. Militares também estão na ativa, caminhando sob a vegetação queimada, dando suporte aos combates dos bombeiros e brigadistas.  


Combates à incêndios no Pantanal (Foto: reprodução/ Bruno Rezende/ G1)

“E assim a gente está continuando o combate, até a extinção total desse fogo”, conta o subtenente. A guarnição do Corpo de Bombeiros é responsável pela aplicação de técnicas de combate além de verificar a progressão do incêndio.  

“Isso aqui é um cupim, que nós debelamos o incêndio, extinguimos. Mas, quando abrimos, descobrimos que ele estava em chamas”, conta o tenente do Corpo de Bombeiros de MS, Tatiane Inoue. Abafadores, sopradores e bombas costais também são usadas como apoio na luta contra o fogaréu alastrante. Segundos os bombeiros, um dos aparelhos, o soprador, potencializa a ação antes efetuada com o abafador.  

Preparação da força-tarefa

A maior estratégia dos responsáveis contra o incidente é combater as chamas longe da luz solar, controlando os incêndios no período noturno. Segundo o coordenador do Prevfogo/MS, Márcio Yule, trabalhar durante a noite desgasta menos os combatentes além de ter uma temperatura mais tranquila assim como menos vento, facilitando o controle da força-tarefa.  

Bombeiros, Marinha e Ibama/Prevfogo — um dos braços do Ibama que também está recebendo apoio — concentraram o maior número de militares e brigadistas no Pantanal. As instituições já contam com cerca de 260 pessoas e espera-se que o número aumente pelos próximos dias. Nesta quinta-feira, quarenta militares da Força Nacional chegaram na região de Corumbá.  

“As guarnições que forem para combate vão estar reforçando essa linha de frente, e alguns militares da Força Nacional também vão ficar aqui nos auxílios aqui na região de Corumbá, que é o nosso centro de comando de incidentes”, comenta Gabriel Lopes, capitão dos Bombeiros de MS.  

O comitê de gerenciamento da Policia Federal foi montado em Ladário, no Pantanal. A polícia receberá apoio de peritos brasilienses e de outros estados, assim como mais combatentes para atuar na região. Segundo informações, a polícia quer identificar e responsabilizar possíveis autores de crimes ambientais.  

PF deve indiciar Bolsonaro por atos do 8 de janeiro

O ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser indiciado pela Polícia Federal (PF) pelos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro. Isso se deve à apuração feita pela polícia, onde foi descoberto que Bolsonaro solicitou seus assessores para discutir uma minuta golpista e até delegou ajustes no documento.

Outros membros do ex governo devem ser indiciados pela PF


Destruição em sala do Palácio do Planalto após atos de 8 de janeiro (Foto: reprodução/Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images embed)


Jair Bolsonaro divulgou a “minuta do golpe” entre generais e comandantes das Forças Armadas, tentando apoio para investir na tentativa de Golpe de Estado. Através de diálogos restaurados na investigação, o ex-ministro da Defesa, Braga Netto, aparece xingando o General Freire Gomes, então comandante do Exército, por resistir a aderir ao golpe.

Provas suficientes contra o ex-ministro foram adquiridas e sua participação aparece no inquérito, que, segundo a PF, deverá ser concluído até agosto.

Paulo Sérgio Nogueira, último Ministro da Defesa o governo Bolsonaro, e o General Augusto Heleno, também estão na mira da PF, eles aparecem discutindo com o próprio Jair, em gravação, estratégias para mantê-lo no poder ao fim do seu mandato.

Prisão

Por enquanto, a prisão dos indiciados não está prevista, e deverá ser emitida apenas em caso de descumprimentos de leis como coação de testemunhas ou ao desobedecer qualquer medida estabelecida pela investigação.

Em depoimentos já colhidos em fevereiro pela PF, Bolsonaro, Braga Netto e Heleno permaneceram calados. O ex-presidente se pronunciou apenas para alegar incompetência da parte do Supremo Tribunal Federal ao analisar o caso, e, na semana seguinte em um evento, citando a minuta golpista: “Agora, o golpe é porque tem uma minuta de um decreto de estado de defesa. Golpe usando a Constituição? Tenha a santa paciência”, disse ele insatisfeito com as acusações, em frente a milhares de apoiadores que se reuniram em apoio.

A Polícia Federal ainda pretende exibir argumentos que ligam outras eventualidades à tentativa antidemocrática.

Sem passaporte, Bolsonaro pede autorização do STF para viajar até Israel 

Através de seus advogados, Bolsonaro solicitou nesta semana a devolução do passaporte apreendido em fevereiro na esteira da operação “Tempus Veritatis” da Polícia federal. 

PF apreendeu o passaporte em fevereiro

A PF, que já havia indiciado Bolsonaro por fraude e associação criminosa no inquérido dos cartões de vacina, ao mesmo tempo investigava sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, sendo que no dia 08/02 acabou deflagrando uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal de Federal, na figura do ministro Alexandre de Morais. Na oportunidade foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. 


Jair Bolsonaro em marcha da Avenida Paulista (Foto: reprodução/ Getty Images Embed)


Bolsonaro que não teve seu nome entre as ordens de prisão, teve que entregar seu passaporte e na oportunidade também foi proibido de entrar em contato com os outros investigados. 


Post da Polícia Federal no X no dia da Operação Tempus Veritatis (reprodução/@policiafederal)

Convite de Bibi Nethanyahu

O Ex-presidente solicitou agora a devolução de seu passaporte para viajar para Israel informando que foi convidado por Benjamin Netanyahu para visitar o país em maio. O pedido pode ser analisado pela segunda turma ou plenário do Supremo, mas ainda não tem data para ocorrer. 

A solicitação acontece na mesma semana em que o jornal internacional The New York Times publicou vídeos em que o ex-presidente se encontrava na embaixada da Hungria em São Paulo entre os dias 12 e 14 de fevereiro, ou seja, logo após a operação da Polícia Federal que apreendeu seu passaporte. A suspeita é que o investigado estivesse tentando se proteger de um eventual pedido de prisão e, pedir asilo político no país. 

Existem advogados defendendo que as embaixadas são consideradas territórios dos países correspondentes e em tese estariam fora da jurisdição brasileira, outros que embaixadas têm direito à inviolabilidade, mas não são território estrangeiro. 

No meio desse imbróglio jurídico, o juiz Moraes solicitou esclarecimentos a Bolsonaro, que por meio de sua defesa, declarou que é ilógico sugerir que a visita à embaixada se tratasse de uma tentativa de fuga, pois o mesmo estaria contribuindo para as investigações. 

No pedido da defesa, o ex-presidente pede para viajar a Israel entre os dias 12 e 18 de maio. 

Defesa de Bolsonaro responde Alexandre de Moraes após imagens na embaixada da Hungria

Nesta quarta-feira (27), A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro respondeu sobre a estadia do político na embaixada da Hungria por duas noites, apenas quatro dias depois de ter seu passaporte confiscado por medida cautelar devido a investigação que ocorre na Polícia Federal sobre uma tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder.

Mesmo que a embaixada seja no território brasileiro, cria-se uma certa imunidade contra a justiça brasileira. Por reciprocidade, os países mantém os prédios como representação do Estado em território internacional, podendo ser utilizado para proteção do povo nativo do país no território que compete a embaixada. Tendo isso em vista, a atitude de Bolsonaro criou interpretações como a busca de Asilo Político.

O que diz a defesa?

A defesa afirma que “é ilógico sugerir que a visita do peticionário à embaixada de um país estrangeiro fosse um pedido de asilo ou uma tentativa de fuga”, já que o ex-presidente nunca esteve com medo da prisão, e a decretação de uma medida mais severa, como a prisão preventiva, não estava iminente pois medidas como a apreensão de passaporte e proibição de sair do Brasil já haviam sido tomadas.

Os advogados focam na relação de Bolsonaro com o governo Húngaro, justificando assim, que a estadia na embaixada foi apenas para reforçar o alinhamento com o governo do país.

“Nesse contexto, o peticionário [Bolsonaro] mantém a agenda política com o governo da Hungria, com quem tem notório alinhamento, razão porque sempre manteve interlocução próxima com as autoridades daquele país, tratando de assuntos estratégicos de política internacional de interesse do setor conservador”, disse a defesa, reiterando o discurso de Bolsonaro, em um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo onde declarou que mantém boas relações internacionais.

Segundo o advogado Fábio Wajngarten, o desejo era “de despachar pessoalmente com o Ministro (Alexandre de Moraes) a fim de elucidar por completo toda e qualquer especulação fantasiosa sobre o tema”, mas em razão do recesso da Suprema Corte, a resposta precisou ser protocolada por meio eletrônico.

O que pode ser feito?

Caso o Ministro Alexandre de Moraes considere a ida de Bolsonaro à embaixada um pedido de fuga ou asilo político, medidas cautelares como a prisão preventiva ou prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica podem ser tomadas.


Advogado Augusto de Arruda Botelho via X (Reprodução/x/@augustodeAB)


O advogado Augusto de Arruda Botelho, ex Secretário Nacional de Justiça, supôs que Bolsonaro poderia ter “cavado a própria prisão” em post na rede social “X”. Mais tarde, em entrevista ao podcast “O assunto” o advogado discorreu sobre a postagem, explicando que a prisão preventiva não pode durar muito tempo no Brasil, e que se fosse preso neste momento, Bolsonaro poderia ser liberado na época das eleições municipais, trazendo um gás a mais para a votação. O advogado destacou que não é algo afirmado, mas sim uma visão política.

Mauro Cid presta depoimento nesta segunda-feira

Mauro Cid vai depor novamente á Polícia Federal nesta segunda-feira. O ex-assistente pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro deve prestar esclarecimentos no âmbito da investigação que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Expectativa do novo depoimento

Ele já fechou um acordo de colaboração premiada, o qual já foi válido pelo Supremo Tribunal Federal. O coronel Mauro Cid, ex-auxiliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), será ouvido novamente pela Polícia Federal nesta segunda-feira (11). A expectativa é de que ele forneça detalhes no inquérito que investiga uma alegada articulação para golpear o governo em 2022.

O novo depoimento foi confirmado pela defesa de Mauro Cid ao blog da jornalista Camila Bomfim. O antigo homem de confiança de Bolsonaro já celebrou um acordo de delação com a PF, os termos ainda estão sob sigilo. Por isso, é habitual que seja convocado para prestar novos esclarecimentos à medida que as investigações avançam.


Mauro Cid (Foto: reprodução/plantaodoslagos.com)

Os investigadores esperam que o testemunho de Cid esclareça ou reforce aspectos das declarações prestadas pelo ex-comandante do Exército Marco Antônio Freire Gomes. O militar foi ouvido em 1º de março e, conforme o blog de Camila Bomfim, o conteúdo do depoimento foi considerado esclarecedor pelos agentes federais. De acordo com as apurações, Bolsonaro e seus aliados teriam tramado um golpe de Estado para mantê-lo no poder, evitando a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Informações das outras delações

Informações já vazadas da delação de Mauro Cid, ainda sob segredo, indicam que o general Freire Gomes participou das discussões sobre o plano golpista com o então presidente, mas teria se negado a aderir a qualquer tentativa de subversão, causando descontentamento entre os militares aliados de Bolsonaro, como o general Braga Netto. Em uma mensagem a outro oficial, Braga Netto, na época candidato a vice na chapa de Bolsonaro, teria insultado Freire Gomes por sua recusa em participar de uma possível intervenção militar, conforme mensagens obtidas pela Polícia Federal.

PF tem data para finalizar investigação contra Bolsonaro

A Polícia Federal informou que a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve terminar em julho. A PF apura o envolvimento do presidente com falsificações de certificados de vacina, jóias da Arábia Saudita e com a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023. 

Defesa de Bolsonaro

De acordo com a coluna da Bela Megale, do jornal O Globo, os advogados do ex-presidente e o próprio Bolsonaro acreditam que essa investigação que reúne os três inquéritos é a única capaz de unir provas suficientes para prender o ex-presidente. No último depoimento à PF, no dia 22 de fevereiro, Bolsonaro se manteve em silêncio e sua defesa solicitou acesso à delação premiada de Mauro Cid, ex-braço direito do presidente.


Jair Bolsonaro indo embora de carro depois de depoimento à PF sobre as joias sauditas (foto: reprodução/ Sérgio Lima/ Poder 360)

Investigações sobre Bolsonaro

Em até quatro meses, a PF pretende apresentar ao ministro Alexandre Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) relatórios que tentarão comprovar a participação de Bolsonaro em três esquemas ilegais.

O primeiro inquérito deve ser referente à possível falsificação de certificados de vacinação da covid-19 do ex-presidente, familiares de Bolsonaro e ex-assessores. Em janeiro deste ano, a Corregedoria Geral da União (CGU) concluiu que o certificado de vacinação de Jair Bolsonaro foi fraudado e que, segundo a enfermeira que consta no certificado, ela não vacinou o ex-presidente. Além disso, documentos da Força Aérea Brasileira comprovaram que Bolsonaro não estava na unidade de saúde que indica no seu carteira de vacinação.

Os investigadores também querem esclarecer o caso das joias sauditas que entraram no Brasil ilegalmente como presente a Jair e Michelle Bolsonaro e foram posteriormente vendidas nos Estados Unidos. Segundo a PF, faltam alguns documentos da cooperação internacional firmada com o país norte-americano.

A relação do ex-presidente com a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro de 2023 é apurada também pelos investigadores da PF. O objetivo é descobrir se Bolsonaro incentivou, junto de aliados, aos seus apoiadores a tentarem impedir a posse do presidente Lula e mantê-lo no poder.