Paolla Oliveira fala sobre maternidade, vida profissional e autoestima

Em entrevista ao programa Roda Viva, a atriz Paolla Oliveira, de 43 anos, falou sobre pressão que sofreu em relação a maternidade. A artista, que atualmente interpreta Heleninha Roitman na nova versão da novela “Vale Tudo”, foi entrevistada nesta segunda-feira (5).

Não tenho mais vergonha. Eu inventava respostas e você vai achando que o problema é você. Então, não tenho mais vergonha. Acho a maternidade uma coisa tão linda, grandiosa e especial, que tem que ser uma decisão de ter, de não ter, de escolher ter dúvidas, de ter depois, como eu, que congelei óvulos”, disse.

Paolla revelou que considera difícil lidar com o estigma que mulheres sofrem ao terem suas vidas consideradas menos importantes por não terem filhos.

A mulher está condicionada à reprodução ou não. Acho muito injusto e vi que os números são grandes: quase 40% optam por isso. É uma escolha genuína e quero que outras mulheres tenham a escolha que eu tenho”

Paolla ainda contou que outras mulheres que escolheram não serem mães se identificaram com ela

Mulheres me paravam na rua: ‘achava que eu era estranha.’”.

Ela ainda diz que já perdeu contratos publicitários porque era considerada como “menos família” pelas empresas

Me sentia muito à parte, estranha, quando falava sobre isso. Que bom que a gente pode rever isso e sobre nossas escolhas, porque é uma escolha da mulher”, declarou a artista.

Heleninha Roitman

Paolla, que está em um relacionamento com o sambista Diogo Nogueira há quatro anos, falou sobre sua personagem na nova versão da novela “Vale Tudo”, Heleninha Roitman. A filha de Odete Roitman passa por um momento no qual se perde como profissional devido a um relacionamento amoroso


Paolla Oliveira deixou o posto de rainha de bateira da Grande Rio para se dedicar ao audiovisual (Foto: reprodução/Instagram/@paollaoliveirareal)

A gente não pode se abandonar. Temos várias vertentes, a vida é multiplicidade de caminhos. Relacionamentos são somas, não divisão. Não devemos nos pautar pelas faltas que fazem, o que um agrega no outro. Não faz sentido abandonar o que você gosta por ninguém. Se fizer, está errado”, declarou Paolla.

Autoestima

A atriz também conta que é importante se sentir bem enquanto uma pessoa imperfeita.

Isso tem muito a ver com beleza real, isso não tem a ver com não me cuidar. E eu tento existir com o mínimo de coerência. ‘Agora ela emagreceu’, ‘agora ela envelheceu’, essa patrulha está ativa. Quem julga, fala mais sobre eles do que qualquer coisa”, disse a atriz sobre críticas relacionadas à aparência que recebe através das redes sociais.


Paolla Oliveira caracterizada como Heleninha Roitman (Foto: reprodução/Globo/Marcos Serra Lima)

Paola ainda afirma que não deve considerar esses ataques como determinantes para sua vida. Ela afirma que não é errado utilizar benefícios da medicina e estética a seu favor, mas que é importante manter o controle e não deixar de usar esses recursos por pressão externa.

Claudia Raia se posicona e defende a legalização do aborto

Mais um episódio do “Roda-Viva” foi ao ar nesta noite de segunda-feira (07) e contou com a participação especial de Claudia Raia. Durante a entrevista, a atriz revelou seu posicionamento em relação a legalização do aborto e relata caso de aborto espontâneo no passado.

Posicionamento de Raia

Rodeada por jornalistas, Raia foi questionada por um dos presentes e afirmou ser a favor da legalização do aborto – sem pensar duas vezes. Ela pontua: “É preciso que você tenha autonomia sobre teu corpo e sobre uma gravidez, uma vida que você vai gerar”.

“A mulher que sabe o que está acontecendo com ela. Você não é obrigada a ter uma gravidez se você for estuprada ou se você não deseja, porque se você não deseja o corpo é teu.”

Claudia Raia

A atriz relembrou tambem que no passado sofreu um aborto espontâneo durante as gravações de um filme. A produção em questão foi gravada no Xingu e ela conta que tomou a vacina de febre-amarela e na época estava grávida, no entanto não sabia.


Fala de Claudia Raia (reprodução/X/@rodaviva)

Madonna

Ainda no debate sobre feminismo, Claudia reverência à Madonna após o grandioso espetáculo realizado na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no final de semana passado. 

A atriz declara que a cantora norte-americana foi uma de suas inspirações e conta sobre as portas que Madonna abriu para que algumas pautas fossem debatidas, como o feminismo, o movimento LGBTQUIAP+ e também sobre o etarismo na mídia.

“Madonna é o símbolo do feminismo, símbolo da liberdade. […] Ela só levou porrada porque só enfrentou todas as questões políticas, religiosas e sexuais. Ela é uma mulher absolutamente necessária. Madonna é um exemplo de quem jamais fez o que disseram pra ela fazer”.

Madonna

Claudia Raia segue em cartaz em São Paulo com o espetáculo “Tarsila, A Brasileira” e já tem planos para o segundo semestre de 2024 para retomar o musical “Concerto para Dois – O Musical” ao lado de seu marido, Jarbas Homem de Mello.

Preta Gil conta sobre experiência de quase morte no programa ‘Roda Viva’

A artista e empresária Preta Gil, de 49 anos, foi convidada para participar do programa Roda Viva, na TV Cultura, na última segunda-feira (4), em comemoração à semana da mulher. Durante o programa, a cantora falou sobre sua doença, pressão estética, carreira e ainda compartilhou o relato da sua experiência de quase morte em que a mesma foi ressuscitada e voltou a vida.  


Preta Gil no programa Roda Viva (Foto: reprodução/site/tv cultura)

Câncer

Para quem não sabe, a cantora teve sua remissão de um câncer de intestino após longo tratamento que se encerrou recentemente. A mesma já afirma que o câncer mudou sua percepção em relação a vida. “Mudou sim minha percepção da morte. Não tira mais meu sono. Eu me cuido pra que tenha uma vida longeva, até quando Deus quiser “, diz ela. Além disso, ela afirma que não sente mais angústia em relação ao tema, e que a doença é capaz de humanizar a morte.“Te aproxima de verdade e você faz uma desconstrução”, completou ela, que ainda disse que teve uma experiência de quase morte (EQM), dando detalhes sobre o ocorrido.

“Quando tive a sepcemia (sepse), fazendo a quimio, foi divisor de águas, porque tive uma experiência de quase-morte, fui ressuscitada pelos médicos e voltei”, relembra a empresária. Além disso, Preta falou sobre como o apoio do pai, Gilberto Gil, foi importante em sua recuperação, que lhe aconselhava a se conectar com a natureza e a entender como a vida tem seu fim.

Em suas próprias palavras, “ele falou um monte de coisa que, na hora, eu não entendi. Mas de uma maneira muito poética, humana e afetiva, (…) sobre encarar a morte, a possibilidade de que a finitude poderia estar chegando pra mim. E que eu não tivesse medo, mas claro que fiquei apavorada. Mas naquelas noites muito difíceis em uma UTI, fui me conectando com a energia. A gente só morre porque vive” completou a cantora.

Pressão estética

Além da doença, a artista ainda é constantemente incomodada e atacada por mostrar suas cicatrizes e seu corpo e falou como se orgulha de suas marcas (decorrentes devido ao tratamento do câncer). Há uma no peito (por onde ela fez a quimioterapia), uma na barriga (devido a retirada do tumor) e uma na lateral (para o uso da bolsa de ileostomia). 

Ela completou, dizendo que é preciso deixar de ser refém de rótulos e estigmas que são impostos às mulheres para que as mesmas se sintam diminuídas a todo o tempo, frisando a importância da liberdade. “Eu quero usar biquíni, postar, vou viver muito e vou me privar por que tenho uma cicatriz? A cicatriz se dá num corpo vivo e, se estou viva, passei por uma luta, a cicatriz é símbolo dessa vitória. Cicatriz é vida”, disse ainda.

Ela ainda falou sobre os avanços  da luta contra a gordofobia, mas que ainda existem muitos aspectos a serem melhorados em relação ao tema. “É naturalizado a gente chegar em um ambiente e a pessoa dizer: ‘nossa, você emagreceu!”, como se fosse um elogio. Não devemos falar do corpo do outro, seja magro, gordo, azul, amarelo”, afirma a artista.

Finalizou falando da desconstrução de comportamentos machistas que até mesmo mulheres reproduzem e que luta há anos contra atitudes da sociedade que buscam restringir as mulheres a um formato ideal. Ressaltando que ainda há muita luta pela frente, e afirmando que ainda não chegamos no ideal, mas que já avançamos em comparação ao passado.