São Paulo Fashion Week celebra a autenticidade nos looks de beleza

A 60ª edição do São Paulo Fashion Week chegou ao fim nesta segunda-feira (20), reunindo 38 marcas que apresentaram suas coleções de Primavera/Verão, cada uma destacando sua própria originalidade. A autenticidade não ficou restrita às passarelas e às roupas: as produções de beleza também se sobressaíram, reforçando a diversidade de estilos e a valorização da expressão individual que marcaram esta temporada.

A seguir, destacamos os principais looks de beleza que chamaram atenção nesta edição do evento.

Delineado duplo

No desfile de Marina Bitu, inspirado nas pinturas de Djanira da Motta e Silva, a maquiagem se destacou pelo delineado duplo. Combinado a uma sombra marrom suave, o traço nos cantos externos das pálpebras superior e inferior reforçou a contemporaneidade feminina proposta pela coleção.


Modelo desfilando para Marina Bitu no São Paulo Fashion Week (Foto: reprodução/Instagram/@catwalkats)

Rabo de cavalo volumoso

O penteado volumoso foi um dos destaques do desfile de Catarina Mina, especialmente no rabo de cavalo alto, que ganhava volume extra na parte presa. Criado pela hairstylist Jana Moraes, o look reforçou o toque regional do desfile da marca cearense, que trouxe à passarela a sustentabilidade da planta “Carnaúba” em sua nova coleção.


Modelo no backstage do desfile de Catarina Mina durante o São Paulo Fashion Week (Foto: reprodução/Instagram/@catarinamina)


Unhas decorativas e maquiagem infantil

Continuando no aspecto regional, a Foz encerrou sua trilogia interiorana com o desfile “Povoado Poesia”. Em uma celebração da nostalgia, Maxime Weber assinou a maquiagem, inspirada no momento em que a criança se diverte fazendo sua própria maquiagem de forma bagunçada. Além disso, as unhas decorativas das modelos combinavam com a extravagância dos acessórios de artesanato.


Modelo em registro para Foz, no São Paulo Fashion Week (Foto: reprodução/Instagram/@foz_____)


Tranças finas e maquiagem discreta

Saindo do clima interiorano para o baile noturno carioca, o desfile da Handred destacou um penteado com tranças finas na raiz, deixando o restante do cabelo solto e natural. Carla Birba assinou a produção, que completou o look com uma maquiagem discreta, realçada por uma sombra marrom cintilante.


Modelo desfilando para Handred no São Paulo Fashion Week (Foto: reprodução/Instagram/@catwalkats)


A edição destacou como a beleza pode complementar a moda, transformando cada desfile em uma experiência visual completa.

Atelie Mão de Mãe junta Tropicália e Crochê para representar o Brasil

Na 30ª edição do São Paulo Fashion Week, o Ateliê Mão de Mãe trouxe à passarela uma homenagem vibrante à Tropicália, refletindo o Brasil contemporâneo em sua essência: colorido, artesanal e cheio de personalidade.

Inspirada no movimento dos anos 1960, que unia estética nacional a um olhar global para questionar o autoritarismo, a coleção revisita técnicas manuais clássicas, como crochê e frivolité, reinterpretadas em peças modernas e cheias de atitude.

Desfile e coleção

Vestidos, regatas, saias, bermudas, biquínis e bolsas exibiram cores fortes e detalhes minuciosos: babados, flores e franjas que transformaram cada peça em um verdadeiro manifesto artesanal. Ao mesmo tempo, a mistura com linho e elementos de ready-to-wear, como jaquetas, calças e t-shirts, cria um diálogo entre tradição e contemporaneidade, mantiveram o frescor característico da marca.


 

Ateliê Mão de Mãe publica vídeo do desfile (Vídeo: Reprodução/Instagram/@ateliemaodemae)

Mais do que roupas, o desfile foi uma celebração da liberdade criativa e da diversidade do Brasil. Cada ponto, cada textura e cada cor reforçaram que a moda nacional pode ser intensa, rica e calorosa, longe do minimalismo que por vezes domina as passarelas. 

Sobre o Ateliê Mão de Mãe

O Ateliê Mão de Mãe é uma marca baiana voltada para a moda artesanal, que valoriza técnicas manuais e o conhecimento transmitido entre gerações. Cada peça é concebida com atenção aos detalhes e ao acabamento, traduzindo identidade, autenticidade e cuidado em sua execução. 


Modelos representam a nova coleção do Ateliê Mão de Mãe (Foto: Reprodução/Instagram/@ateliemaodemae)

Sob a liderança dos sócios Vinícius Santana, Patrick Fortuna e Luciene Brito, o ateliê desenvolve sua produção de forma coletiva. Com foco na valorização do trabalho manual, a marca consolida um modelo de criação consciente, que alia design autoral, técnicas artesanais e propósito, reforçando sua posição como referência em moda autoral brasileira.

Emoção e nostalgia toma conta dos 30 anos de São Paulo Fashion Week

O São Paulo Fashion Week terminou na última segunda-feira (21), e neste ano o evento comemorou os seus 30 anos com um line-up muito especial, trazendo diversos estilistas que já passaram pela passarela de São Paulo em um retorno triunfal, com coleções exclusivas e cenários diferentes.

Estilistas que voltaram 

Os esforços de Paulo Borges para trazer os veteranos de volta ao SPFW começaram um ano antes e valeram super a pena, ver diferentes gerações de designers brasileiros reunidos em um único evento relembrou ao público a força da moda brasileira. 

Alguns nomes que marcaram a história do desfile e voltaram nesta edição foram: Ronaldo Fraga, que homenageou Milton Nascimento em sua coleção, Marcelo Sommer, que lançou a sua marca de roupas upcycling, além de Amir Slama, que aproveitou a nostalgia do evento para revisitar as diferentes silhuetas que produziu ao longo de sua carreira. 


Look Amir Slama SPFW 2025 (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Fernanda Calfat)

Outros nomes de peso que voltaram ao evento foram: Gloria Coelho, com uma coleção que foi apresentada dentro de 7 vagões de metrô em movimento, Alexandre Herchcovitch, que usou uma sala de ensaios do Theatro Municipal e Luiz Claudio Silva que em sua coleção homenageou o legado de Benjamim de Oliveira, um dos primeiros palhaços negros do país.


Coleção Alexandre Herchcovitch 2025 (Foto: Reprodução/Instagram/@alexandreherchcovitch)

Pontos que chamaram a atenção

Uma das coisas que chamou a atenção foi como a sustentabilidade brilhou no evento, as coleções de Flávia aranha e Normando, usaram do látex amazônico para impermeabilizar fibras naturais como linho e seda, as marcas também usaram bactérias para o tingimento de algumas roupas, o que não gera resíduos químicos e a malva, uma fibra também amazônica que é utilizada em sacaria. 

Vale comentar também que além dos pontos oficiais do desfile alguns outros locais viraram cenário para o evento, como: o metrô, o Theatro Municipal, o Museu da Língua Portuguesa, a Biblioteca Mário de Andrade, o Teatro Iguatemi, entre vários outros, o que mostrou a força e a influência da semana de moda da capital paulista.

Lino Villaventura celebra 50 anos de carreira com desfile marcante na SPFW

Há cerca de quinze anos, Lino Villaventura foi apelidado de “John Galliano da moda brasileira”, uma comparação que dizia muito sobre sua estética dramática, excêntrica e intensamente artesanal. O estilista, conhecido por suas construções em moulage e pelas icônicas nervuras que se tornaram sua marca registrada, sempre transitou entre o experimental e o luxuoso.

Mesmo com o passar do tempo, o espírito de alta-costura de Lino permanece intacto. Em um cenário dominado pela busca por simplicidade, ele segue na contramão, reafirmando um maximalismo que desafia o olhar e transforma o desfile em uma experiência sensorial.

O retorno da exuberância na passarela

Nesta edição da São Paulo Fashion Week, Lino apresentou uma coleção que sintetiza o melhor de seu universo criativo. Os vestidos em volumes tipo casulo, com nervuras e blocos de cores contrastantes, evocam uma estética entre o orgânico e o escultórico. As peças prateadas, com bicos e curvas que parecem saídas do  futuro, reforçam sua habilidade de fundir passado e modernidade.

O glamour retrô dos longos rendados trouxe um toque de sofisticação atemporal, enquanto os drapeados excêntricos reafirmaram a ousadia do criador. Um dos momentos mais marcantes foi a entrada da modelo Pathy De jesus, que incorporou com maestria o clima de alta-costura e teatralidade que define o trabalho do estilista.


Desfile de Lino Villaventura durante o SPFW (Reprodução/Instagram/@ambulatoriodamoda)

Entre o artesanal e o visionário

Lino Villaventura segue fiel à sua essência: uma moda que é arte, performance e emoção. Em tempos de minimalismo e uniformização estética, seu desfile se destaca como um manifesto pela beleza do excesso e pela liberdade criativa.

Mais do que roupas, suas criações contam histórias de tecidos moldados à mão, de volumes que desafiam a forma e de um olhar que insiste em ver a moda como expressão poética. Com esta coleção, Lino não apenas reafirma seu legado, mas também lembra que o verdadeiro luxo está na imaginação sem limites

Weider Silveiro leva o balé para as ruas em coleção inspirada em “Pacarrete”

Inspirado no filme “Pacarrete” (2020), de Allan Deberton, o estilista Weider Silveiro apresentou no SPFW N60 uma coleção que transforma o balé clássico em moda urbana, sofisticada e emocional. Longe de ser literal, o desfile propõe uma leitura contemporânea da dança, unindo força e leveza, rigidez e fluidez, elementos que definem tanto o universo da bailarina quanto o olhar do criador.

A referência principal é a história real de Maria Araújo Lima (1912–2005), artista de Russas, no Ceará, cuja trajetória inspirou o longa. Considerada “louca” por sonhar com a arte em uma cidade pequena, a bailarina serve como símbolo de resistência e sensibilidade, sentimentos que atravessam toda a coleção.

Entre o palco e a cidade

Na passarela, Silveiro construiu um diálogo entre a disciplina do balé e o movimento das grandes metrópoles. Vestidos drapeados e franzidos evocam tutus e colants, enquanto blazers e casacos estruturados ganham volumes esculturais criados a partir de fitas de cetim e novos materiais, como o acetato, que substitui o couro tradicional.


Desfile de Weider Silverio no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)

Os decotes em U e quadrados remetem aos figurinos das bailarinas, mas surgem de forma tridimensional, destacando a modelagem precisa do estilista. Entre as peças, aparecem também trench coats, coletões, calças tipo Aladdin e moletons com frases como “He-Man”, “Paris” e “Russas”, uma ponte entre o erudito e o pop.

A cartela de cores reforça essa dualidade: tons de berinjela, mostarda, marrom, laranja queimado e roxo constroem uma atmosfera terrosa e sofisticada. Tudo em tecidos lisos de malha e viscose, pensados para o movimento e o conforto.

Um encerramento simbólico e emocionante

Encerrando o desfile, a performance de Márcia Dailyn, primeira bailarina trans do Theatro Municipal de São Paulo, emocionou o público. Vestida com uma camiseta de Russas, ela trouxe à passarela a energia que conecta arte, corpo e expressão, pilares que sustentam tanto o balé quanto a moda de Weider Silveiro.


Desfile de Weider Silverio no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@weidersilveiro)

Com essa coleção, o estilista reafirma seu talento em equilibrar conceito e acessibilidade, criando roupas que contam histórias. O resultado é uma moda que dança entre o clássico e o contemporâneo, sem jamais perder o ritmo da emoção.

LED transforma passarela em carnaval no SPFW

O último domingo (19) contou com o penúltimo dia da nova temporada do São Paulo Fashion Week. A responsabilidade de finalizar esse dia ficou por conta da LED, em uma apresentação que aconteceu no Pavilhão das Culturas Brasileiras, localizado no Parque Ibirapuera. A marca fechou o dia em grande estilo, em uma coleção que levou o público a um carnaval fora de época e trouxe como surpresa, ao final do desfile, músicos que incendiaram a passarela, criando um momento único e divertido.

Carnaval fora de época na passarela

A LED foi criada em 2013 com a visão de fazer moda como forma de resistência, unindo estilo e temáticas sociais e políticas. Atualmente, a marca mineira, que já fez sua contribuição outras vezes para o SPFW, voltou para o evento com a responsabilidade de finalizar o penúltimo dia de apresentações. Sob o comando dos estilistas Célio Dias e Cleu Oliver, a nova coleção da dupla assumiu as passarelas de um dos maiores palcos da moda na América Latina, referenciando e celebrando uma das maiores festas culturais do Brasil, o carnaval.


Desfile da LED no SPFW (Vídeo:reprodução/Instagram/@hylentino/@led_cd)

 Ao final do desfile, a passarela foi incendiada pelo clima carnavalesco, transportando o público para uma imersão na festa nacional. Contando com músicos participantes de escolas de samba que tocavam bateria e com a modelo e passista Jamilly, que brilhou na passarela tanto desfilando quanto sambando. E a dupla de estilistas Célio e Cleu entrou no momento de agradecimentos com blusas escritas “Não deixe a moda nacional morrer”, fazendo referência ao samba cantado por Alcione “Não deixe o samba morrer”.

Estilo e apostas da nova coleção

A nova coleção ganhou o nome de “Barracão-Carnaval”; a dupla quis trazer a energia contagiante dessa época do ano que geralmente ocorre em fevereiro ou março. Além da coleção, o visual apresentado pelas modelos, como maquiagens e cabelos, também quis reafirmar essa festa.

Para a apresentação da nova coleção, a dupla buscou referências no carnaval, deixando isso bem estampado nas vestimentas desfiladas na passarela. Pensando nessa festa, uma colaboração chamou a atenção do público: a marca Brahma se juntou à LED, estampando a blusa com a logo da marca em alguns looks. A estratégia foi inteligente e bem pensada por ambas as partes, pois a marca de bebidas alcoólicas possui um dos camarotes mais famosos da época do carnaval.


Desfile da LED no SPFW (Fotos:reprodução/Instagram/@topicomns)

Além disso, outra forma de homenagear a festa foi utilizar cores vibrantes, estampas em listras, trazendo um divertimento para a coleção e adereços utilizados na cabeça e no colo, referindo-se a acessórios usados por passistas. Contudo, a marca mineira também optou por trazer algumas peças em alfaiataria e tons terrosos, bege e brancos, mostrando uma variedade de opções, mantendo a proposta inicial do carnaval, mas também optando por atender os mais variados públicos. 

Tom Martins surpreende no SPFW com desfile silencioso

Nesta segunda-feira (20), a grife Martins revelou sua mais nova coleção na São Paulo Fashion Week em um desfile que chamou a atenção por um detalhe inusitado: o silêncio absoluto. Durante toda a apresentação, o público presente na SPFW ouvia apenas o som dos passos dos modelos, enquanto Tom Martins, diretor criativo da marca, transformava a passarela em uma reflexão sobre sua própria trajetória, com o jeans se destacando como peça central de cada look.

Silêncio chama a atenção

Em um desfile sem música, os looks eram praticamente a única atração para quem acompanhava a apresentação. A ausência de trilha sonora criou uma atmosfera diferente do habitual, tornando cada passo dos modelos e cada detalhe das peças ainda mais evidentes. A marca apresentou uma experiência surpreendente aos fashionistas, que acompanharam o desfile com um misto de desconforto e atenção redobrada.


Desfile (Vídeo:reprodução/Instagram/@spfw)


Enquanto os ouvidos dos convidados captavam apenas os passos de quem desfilava, os olhos se deparavam com uma coleção introspectiva, mas repleta de criatividade. Tom Martins conseguiu levar para a passarela uma reflexão sobre toda a sua carreira e trajetória, utilizando o jeans como peça-chave em cada look e reforçando a identidade estética da marca.

Retorno às raízes

Ao todo, foram 24 looks desfilados. A coleção é focada no jeanswear de cortes amplos, combinada com tricoline de algodão egípcio, viscose e náilon, explorando sobreposições e experimentações com camisaria. O desfile resgata elementos que o estilista utilizava no início de sua trajetória, há 10 anos, ao mesmo tempo em que evidencia a evolução de sua linguagem criativa, mantendo o vínculo com suas origens na moda, como o uso do denim, presente em sua primeira coleção apresentada no mesmo evento, em 2020.


Look da coleção (Foto:reprodução/Instagram/@synca___)

O fim do desfile ficou marcado como o único momento em que outro som tomou a sala. Enquanto o estilista caminhava pela passarela, os aplausos do público preencheram o espaço. Diferentemente de grande parte da indústria, Tom Martins deixou que as próprias peças se expressassem, transmitindo sua proposta de forma direta. A coleção, inspirada em pedidos de clientes antigos, combina elementos urbanos e referências do streetwear contemporâneo, trazendo frescor, criatividade e acabamento de alta qualidade.

Leandro Castro e Sau levam artesanato para passarela do SPFW

A nova edição de número 60 do São Paulo Fashion Week carrega a celebração dos 30 anos de existência do evento, que é um dos mais importantes da moda na América Latina. Durante as semanas em que acontecem as apresentações, diversas marcas, estilistas e projetos se unem no solo paulista para mostrar suas coleções, fruto de trabalho extenso e pesquisas. O estilista Leandro Castro e a marca Sau, de Yasmin Nobre, subiram às passarelas com desfiles que uniram moda, sustentabilidade e artesanato. 

Leandro Castro

Na quinta-feira (16), o estilista paulistano subiu às passarelas do SPFW pela segunda vez. Para essa nova coleção apresentada, Leandro se uniu ao estilista Walter Rodrigues, tutor do projeto Biomas da Sebrae, em uma viagem à Amazônia com a finalidade de fazer uma imersão de estudos sobre o bioma, a sustentabilidade e os materiais orgânicos que ele oferece. 

Desse modo, nasceu a coleção “Gaiafilia”, resultado dessas pesquisas. Para a criação dessa coleção, o estilista se aprofundou nos estudos feitos, trazendo os materiais sustentáveis a serem confeccionados. Compartilhando com os espectadores do desfile, no tempo da apresentação, uma pequena imersão no bioma brasileiro por meio da moda. 


Desfile de Leandro Castro no SPFW (Fotos:reprodução/Instagram/@topicomns)

Na coleção, os materiais utilizados para dar vida às peças vestidas foram cuias, sementes, madeira de ipê-roxo, biojoias, látex e sementes. Esses materiais foram utilizados em diferentes técnicas, resultando em um desfile diverso com visuais modernos e surpreendentes. Podendo ser vistos em blusas com recortes de madeira, látex utilizado em peças escuras. A nova coleção contou com cores escuras, indo do preto ao azul, até tons mais claros, como o rosa e o branco. Além disso, demonstrou a sustentabilidade usando materiais orgânicos apresentados como acessórios ou peças principais.

SAU de Yasmin Nobre

Na sexta-feira (17), a marca, que tem foco na moda praia e possui origem no Ceará, foi comandada pela estilista Yasmin Nobre. A nova coleção que foi apresentada no Pavilhão das Culturas Brasileiras contou com um time diverso para sua criação. A marca contou com a colaboração de alunos do Senac do Ceará na confecção das roupas, que ajudaram a desenvolver a modelagem e a criar texturas para as peças.

Além disso, a nova coleção contou com as mãos da artesã Dona Boba, profissional que faz parte da comunidade Cabreiro, localizada no município de Aracati, no litoral do Ceará. A colaboração com a artesã foi essencial para trazer o artesanato e a contemporaneidade às peças utilizadas, sendo, inclusive, feitas à mão por ela.


Desfile de Sau no SPFW (Fotos:reprodução/Instagram/@topicomns)

A nova coleção apresentada no SPFW ganhou o nome “Sagrado Feminino” e foi feita e pensada por mulheres. A marca foca no público feminino, expondo essa visão durante seu desfile ao mostrar suas peças em silhuetas femininas. Os visuais apresentam um grande destaque para tons terrosos e bege, mas ainda assim podemos ver tonalidades como branco e verde, cores coringas em aposta para o verão do próximo ano.

As peças da nova coleção contêm biquínis, maiôs, vestidos em propostas curtas e calças largas, em um estilo mais fresco para o verão. A apresentação mostrou o trabalho feito pela artesã de diferentes modos, mas o grande destaque foi as palhas usadas em vestidos, como bolsa e até mesmo na frente dos seios, como um sutiã.

David Lee une raízes nordestinas e apelo global em coleção vibrante no SPFW

O estilista cearense David Lee reafirmou seu lugar como um dos nomes mais autênticos e inventivos da moda brasileira ao apresentar, neste domingo (19), sua nova coleção na SPFW N60. Conhecido por equilibrar referências regionais com uma estética cosmopolita, Lee mostrou mais uma vez que é possível criar moda com identidade local e alcance global, sem abrir mão de suas origens no Nordeste.

Inspirado na força cultural e na beleza do Ceará, o designer trouxe à passarela um desfile marcado pela mistura de tecidos naturais, cores terrosas e shapes fluidos, que remetem ao clima, à natureza e à leveza da região. Cada look parecia contar uma história sobre pertencimento e resistência, traduzindo em roupas o orgulho de ser nordestino. Ao mesmo tempo, a coleção se destacou pela sofisticação e pela linguagem internacional de suas peças, que poderiam facilmente ocupar vitrines em qualquer capital da moda.

Tradição e contemporaneidade se encontram na passarela

O desfile de David Lee no SPFW N60 celebrou o equilíbrio entre ancestralidade e modernidade. As modelagens amplas e os cortes assimétricos conversavam com referências urbanas e esportivas, resultando em um visual contemporâneo e versátil. Essa combinação reforça a proposta do estilista de quebrar barreiras geográficas e estéticas, mostrando que o regional pode ser universal quando tratado com autenticidade e propósito.


 


Cada detalhe da coleção evidenciou a atenção ao processo criativo e à valorização da cultura nordestina. Os acessórios, produzidos em parceria com artesãos locais, trouxeram texturas e materiais que remetem à vida no sertão, enquanto a paleta de cores, que variava entre tons de areia, azul e ocre, refletia o contraste entre o litoral e o interior do Ceará. 

A moda como expressão de identidade e futuro

Além do apelo estético, o trabalho de David Lee carrega uma forte mensagem sobre representatividade e sustentabilidade. O estilista mantém uma produção consciente, priorizando o uso de tecidos de baixo impacto e a valorização de profissionais da região. Sua proposta vai além da moda: é um ato político, que reafirma o poder da criação nordestina em um dos maiores eventos do país.

Ao unir tradição, inovação e propósito, David Lee mostra que a moda pode ser uma ponte entre culturas. Sua coleção no SPFW é mais do que um desfile, é uma celebração da diversidade brasileira e uma prova de que o estilo nordestino tem, sim, voz e lugar no cenário global.

Marcelo Sommer retorna ao SPFW com desfile em academia e foco no upcycling

O estilista paulistano Marcelo Sommer fez um retorno marcante à SPFW, com uma apresentação que mistura nostalgia, irreverência e consciência ambiental. Fiel à sua identidade criativa, Sommer voltou a transformar o comum em espetáculo: depois de ter levado os fashionistas a um supermercado no início dos anos 2000, desta vez o cenário escolhido foi uma academia de ginástica, onde apresentou sua nova marca e sua mais recente coleção.

O espaço inusitado deu o tom da performance, divertida, crítica e cheia de significados. A proposta do estilista foi refletir sobre o culto ao corpo e os padrões estéticos que dominam a sociedade atual, contrapondo o ambiente fitness à ideia de reaproveitamento e imperfeição, que permeia toda a coleção.

O espírito provocador de Sommer

Com o mesmo humor e leveza que sempre marcaram seu trabalho, Sommer levou para a passarela um mix de cores, texturas e referências pop, criando um diálogo entre o urbano e o experimental. As modelos circularam entre aparelhos de musculação e espelhos, vestindo peças com sobreposições criativas, cortes assimétricos e detalhes manuais, que remetem à liberdade estética do início dos anos 2000, mas com um olhar atualizado.


 


A apresentação teve uma atmosfera performática, reforçada por uma trilha sonora vibrante e pelo comportamento espontâneo dos modelos, que pareciam parte de uma instalação artística. Sommer, mais uma vez, mostrou que moda é experiência — algo que ultrapassa o vestir e toca o campo da atitude.

Upcycling e reinvenção na nova fase

O retorno do estilista também marca uma mudança de rumo em sua trajetória, agora centrada no upcycling, técnica de reaproveitamento de materiais e roupas antigas para criar novas peças. Longe de ser apenas uma tendência, o conceito representa uma postura ética diante do consumo e da produção de moda.

Sommer propõe uma criação mais consciente, mas sem abrir mão do estilo. Tecidos reaproveitados aparecem em composições inesperadas, estampas ganham novas combinações e o resultado é uma moda autoral, vibrante e sustentável. Com essa volta, Marcelo Sommer reafirma sua relevância na moda brasileira e mostra que criatividade e responsabilidade podem caminhar lado a lado, transformando até uma academia em passarela e a roupa em manifesto.