Alertas de desmatamento na Amazônia sobem 91% em maio de 2025
O desmatamento na Amazônia teve um crescimento alarmante em maio de 2025, atingindo 960 km², o segundo pior índice da série histórica para esse mês. O aumento de 91% em relação ao mesmo período do ano anterior acendeu um alerta entre ambientalistas e autoridades, que apontam incêndios florestais e decisões políticas como agravantes da crise […]
O desmatamento na Amazônia teve um crescimento alarmante em maio de 2025, atingindo 960 km², o segundo pior índice da série histórica para esse mês. O aumento de 91% em relação ao mesmo período do ano anterior acendeu um alerta entre ambientalistas e autoridades, que apontam incêndios florestais e decisões políticas como agravantes da crise ambiental.
Incêndios impulsionam devastação inédita
Segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), esse avanço só perde para maio de 2021, quando o desmatamento alcançou 1.390 km².
A elevação nos alertas, que já havia sido registrada em abril, marca a segunda alta consecutiva de 2025. Nos últimos dez meses, de agosto até maio, o acumulado já representa um aumento de 9,7% na área desmatada em relação ao mesmo período anterior.
O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou o cenário como crítico, explicando que a maior parte da perda de floresta em maio ocorreu devido a incêndios florestais, algo que, segundo ele, rompe com uma tendência histórica até então pouco observada.
Capobianco informou que mais da metade do desmatamento no período foi registrado em áreas que haviam sido atingidas por fogo. Ele destacou ainda que, historicamente, os incêndios tinham impacto limitado sobre as taxas de desmatamento.
Contudo, diante do agravamento das mudanças climáticas e da maior fragilidade da cobertura vegetal, inclusive nas florestas primárias, esse panorama estaria se transformando, o que preocupa o governo federal.
Entre os estados mais afetados, Mato Grosso lidera com 627 km² de floresta desmatada, representando 65% do total de maio e registrando um aumento de 237% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Pará e Amazonas aparecem na sequência, com 145 km² e 142 km², respectivamente.
De agosto de 2024 até maio de 2025, a elevação acumulada foi de 9,1% em relação ao período anterior (Foto: reprodução/Evaristo SA/Getty Images Embed)
PL ambiental preocupa especialistas
A especialista em conservação do WWF-Brasil, Ana Carolina Crisostomo, avaliou que a recente aprovação do Projeto de Lei 2159/2021, conhecido como PL do Licenciamento Ambiental ou “PL do Desmatamento”, é extremamente preocupante.
Segundo ela, o projeto não leva em conta a emergência climática atual e vai de encontro aos compromissos firmados pelo Brasil, tanto ao nível nacional quanto internacional.
Ela afirmou que, ao flexibilizar regras ambientais, o país estaria adotando uma postura contraditória com sua meta oficial de zerar o desmatamento até 2030.
Ainda de acordo com Crisostomo, essa medida representa uma nova onda de retrocessos ambientais, ao permitir que projetos com alto potencial de impacto avancem com menos exigências legais.
O Greenpeace também alertou para os efeitos climáticos acumulados nos últimos dois anos, apontando a combinação entre as mudanças no clima e um El Niño intenso como fatores que contribuíram para temperaturas elevadas e secas severas na região amazônica.
Para a organização, esses eventos deixaram grandes áreas da floresta mais suscetíveis à ação humana e ao uso do fogo como ferramenta de desmatamento.
Capobianco reforçou essa análise, ao observar que, em um cenário de aquecimento e seca crescente, o uso criminoso do fogo tem agravado ainda mais a destruição da Amazônia.
