Cientistas revivem vírus “zumbi” que passou 48.500 anos congelado no permafrost

Jean-Michel Claverie, professor emérito de Medicina na Universidade Aix-Marseille, localizada na França, andou estudando o chamado de “Vírus Zumbi”, um vírus que permaneceu inativo por dezenas de milhares de anos, e que podem colocar em risco a saúde animal e humana. Temperaturas mais altas no Ártico estão descongelando o permafrost da região (uma camada congelada de […]

11 mar, 2023

Jean-Michel Claverie, professor emérito de Medicina na Universidade Aix-Marseille, localizada na França, andou estudando o chamado de “Vírus Zumbi”, um vírus que permaneceu inativo por dezenas de milhares de anos, e que podem colocar em risco a saúde animal e humana. 
Temperaturas mais altas no Ártico estão descongelando o permafrost da região (uma camada congelada de solo abaixo do chão) e potencialmente ativando vírus.
O permafrost cobre um quinto do hemisfério norte, tendo sustentado a tundra ártica e as florestas boreais do Alasca, Canadá e Rússia por milênios.


 

Cientistas revivem vírus “zumbi” que passou 48.500 anos congelado no permafrost

Jean-Michel Claverie. (IGS/CNRS-AM)


Ele serve como uma cápsula do tempo, que preserva além de vírus antigos, os restos mumificados de diversos animais extintos que os cientistas conseguiram desenterrar e estudar nos últimos anos.
“Há muita coisa acontecendo com o permafrost que é preocupante e realmente mostra porque é super importante mantermos o máximo possível do permafrost congelado”, disse Kimberley Miner, cientista do clima no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, no Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena.
O permafrost é um ótimo meio de armazenamento, já que além de frio, é também um ambiente livre de oxigênio que a luz não entra. Mas as temperaturas atuais do Ártico estão aumentando, assim enfraquecendo a camada superior do permafrost, o que faz com que haja a possibilidade desses organismos voltarem à vida.
Por precaução, Claverie e sua equipe estudam apenas vírus zumbis que podem infectar amebas, mas a pesquisa indica que os riscos, embora baixos, são subestimados.


Cientistas revivem vírus “zumbi” que passou 48.500 anos congelado no permafrost

Núcleos de amostras de permafrost são retratados em um contêiner. (Jean-Michel Claverie/IGS/CNRS-AM)


Os cientistas não sabem quanto tempo esses vírus podem permanecer infecciosos, uma vez expostos às condições atuais, ou qual a probabilidade de o vírus encontrar um hospedeiro adequado. 
Embora seja habitado por 3,6 milhões de pessoas, o Ártico ainda assim é um lugar pouco povoado, tornando baixo o risco de exposição humana à virus antigos.
Ainda assim, o risco tende a aumentar no contexto do aquecimento global, no qual o degelo do permafrost continuará acelerando e consequentemente mais pessoas povoarão o Ártico na sequência de empreendimentos industriais.

 

Foto destaque: Pithovirus sibericum.(Foto: Julia Bartoli / Chantal Abergel / IGS / CNRS / AMU)

Mais notícias