EUA aplicam tarifas sobre aço importado de 10 países, incluindo o Brasil

Na terça-feira (26), o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou a aplicação de tarifas antidumping dos EUA contra o Brasil e outros nove países nas importações de aço resistente à corrosão. A medida segue investigação que identificou práticas comerciais consideradas desleais e tem como objetivo proteger o setor siderúrgico norte-americano.

A aplicação da tarifa

As importações afetadas chegam a cerca de US$ 2,9 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 15,75 bilhões na cotação atual. Além do Brasil, a decisão abrange Austrália, Canadá, México, Holanda, África do Sul, Taiwan, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Vietnã. Além disso, o Departamento de Comércio apontou que o aço Core desses países estava sendo vendido abaixo do preço de mercado ou recebendo subsídios indevidos.

O aço resistente à corrosão é amplamente usado na produção de automóveis, eletrodomésticos, equipamentos industriais e construções civis. Por isso, a aplicação das tarifas busca garantir que empresas e trabalhadores americanos compitam em condições justas. William Kimmitt, subsecretário de Comércio Internacional, afirmou: “Empresas e trabalhadores dos EUA merecem competir em igualdade de condições.”


EUA analisam possível aplicação de tarifas antidumping contra siderúrgicas brasileiras (Vídeo: reprodução/YouTube/BM&C NEWS)

Próximos passos e efeitos das tarifas antidumping dos EUA contra o Brasil

A Comissão de Comércio Internacional (ITC) agora fará uma análise sobre possíveis prejuízos ao setor siderúrgico dos EUA. Caso a ITC confirme impactos negativos, o Departamento de Comércio em seguida emitirá oficialmente as tarifas antidumping (AD) e compensatórias (CVD). Além disso, especialistas alertam que a decisão também pode refletir no comércio global, levando países exportadores a revisar preços e práticas comerciais.

No caso do Brasil, o setor siderúrgico já avalia alternativas para minimizar impactos sobre exportações e, assim, manter a competitividade internacional. Portanto, as tarifas antidumping dos EUA contra o Brasil não apenas protegem a indústria americana, mas também podem influenciar negociações e preços no mercado mundial.

De forma adicional, analistas reforçam que a medida pode gerar debates sobre acordos comerciais e, consequentemente, revisões tarifárias futuras, afetando políticas de comércio exterior de diversos países. Em resumo, a ação destaca a importância de acompanhar políticas comerciais e compreender seus efeitos sobre o comércio brasileiro.

Trump defende retomada de diálogo sobre desnuclearização

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a abertura de conversações sobre desnuclearização com Rússia e China. A iniciativa, segundo ele, deve se somar aos esforços para reativar a diplomacia estagnada com a Coreia do Norte.

O então presidente Donald Trump afirmou a jornalistas, na segunda-feira (25), que a desnuclearização da Rússia e da China é uma das prioridades de seu governo. A declaração foi feita na Casa Branca, pouco antes de uma reunião com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung. O republicano disse acreditar que Moscou e Pequim demonstram disposição para discutir limites em seus arsenais, ressaltando que a proliferação nuclear não pode continuar.

Temos que acabar com as armas nucleares. O poder é muito grande”, declarou.

Trump falou com o Presidente Putin


Putin e Donald Trum conversando(Foto:Reprodução/Andrew Harnik/Getty Images Embed)


Mais cedo, em evento separado na Casa Branca, Trump revelou ter tratado do tema com o presidente russo, Vladimir Putin, embora não tenha detalhado quando a conversa ocorreu.

Estamos falando sobre a limitação das armas nucleares. Vamos envolver a China nisso”, acrescentou.

Os comentários coincidem com o desejo expresso por Trump de se reunir ainda este ano com o líder norte-coreano, Kim Jong Un. Até agora, porém, o dirigente de Pyongyang tem ignorado os apelos para retomar o diálogo direto, retomando uma agenda que marcou o primeiro mandato de Trump, entre 2017 e 2021, mas que não resultou em acordos concretos para frear o programa nuclear da Coreia do Norte.

Falou com o Presindente da China também

A proposta de relançar o debate sobre controle de armas nucleares não é inédita. Em fevereiro, o republicano já havia indicado que pretendia envolver Putin e o presidente chinês, Xi Jinping, em discussões sobre limites para os arsenais estratégicos. À época, afirmou que a desnuclearização seria uma prioridade de um eventual segundo mandato.

O movimento ganha força diante da aproximação do prazo de expiração do Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Novo Start), firmado em 2010 e válido até 5 de fevereiro de 2026. O acordo é hoje o último em vigor entre EUA e Rússia para restringir o número de ogivas nucleares e sistemas de lançamento.

Moscou, no entanto, já alertou que as chances de renovação são baixas. Sob o governo anterior, de Joe Biden, Washington tentou atrair a China para negociações formais sobre o tema, mas sem avanços significativos.

EUA pressionam exportações chinesas com nova ameaça comercial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a tensionar as relações com a China na segunda-feira (25), ao declarar que poderá aplicar uma tarifa de 200% sobre produtos chineses. A medida foi vinculada ao envio de ímãs de terras raras, considerados insumos estratégicos para os setores automotivo, militar e eletrônico americanos.

A fala foi feita durante a recepção oficial ao presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, na Casa Branca. Diante da imprensa, Trump afirmou que os EUA “precisam receber ímãs”, e que, sem isso, “não haverá outro caminho senão aplicar uma taxa pesada”. A declaração marca um novo capítulo na guerra comercial entre Washington e Pequim.

Conflito comercial ganha novo fôlego com ameaça tarifária

Os ímãs de terras raras voltaram a ocupar o centro das disputas após a imposição, pela China, de licenças de exportação para o insumo. Embora parte dessas restrições tenha sido flexibilizada após reuniões diplomáticas, o governo americano alega que o fornecimento ainda está sendo atrasado intencionalmente.


Publicação de President Donald J. Trump (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)


Trump indicou que, se a exportação não for destravada rapidamente, os EUA deixarão de fazer negócios com a China, como já ocorreu durante tarifas anteriores de até 145%. “Desta vez, pode chegar a 200%”, disse, ao mencionar que “não teremos problemas com isso”.

Relações bilaterais continuam frágeis apesar de trégua

Apesar de uma trégua tarifária de 90 dias, prorrogada até novembro, o clima entre os dois países permanece instável. Negociações foram realizadas nos últimos meses para reequilibrar o fluxo comercial, mas os avanços foram limitados. Washington continua pressionando por mais agilidade nas concessões chinesas.

Trump, contudo, buscou amenizar o tom ao lembrar que mantém diálogo direto com Xi Jinping. “Temos uma relação estupenda”, afirmou. Ainda assim, ele reforçou que os EUA possuem “cartas poderosas”, sugerindo novas ações, caso o impasse continue. A declaração repercutiu imediatamente nos mercados e reacendeu o debate sobre a dependência americana de insumos estratégicos importados. A comunidade internacional acompanha com cautela os próximos desdobramentos.

Mercosul e Canadá retomam diálogo estratégico em Toronto

Depois de um longo período de estagnação, as conversas entre o Mercosul e o Canadá para um tratado de livre comércio foram oficialmente retomadas. A movimentação ocorre em um cenário global instável, marcado pela escalada das tarifas entre os Estados Unidos e a China. Para fortalecer alianças comerciais, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai enviaram sinal verde para a retomada das tratativas.

A missão brasileira, prevista para setembro em Toronto, foi anunciada como o marco inicial dessa nova fase. Conforme informado pelos governos envolvidos, os chefes negociadores das nações devem se reunir novamente em outubro para dar continuidade às discussões. A proposta tem como objetivo criar caminhos para impulsionar o fluxo de exportações e investimentos entre os blocos.

Retomada acontece após quatro anos de pausa nas conversas

As negociações estavam congeladas desde 2021, após um início promissor em 2019. Contudo, o novo cenário global e o interesse mútuo em diversificar mercados reacenderam o diálogo. No comunicado conjunto divulgado na segunda-feira (25), Brasil e Canadá reafirmaram o compromisso com um comércio aberto, sustentável e baseado em regras claras, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como principal referência.


Participantes do Mercosul (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


Além disso, os governos declararam que a iniciativa representa um passo estratégico rumo à diversificação econômica. As partes envolvidas destacaram a necessidade de aprofundar as relações comerciais e gerar novas oportunidades para empresas, trabalhadores e investidores dos dois lados.

Brasil vê oportunidade diante do conflito comercial global

O avanço das conversas entre os blocos ocorre paralelamente à tensão gerada pelas tarifas anunciadas por Donald Trump. O governo brasileiro, atento ao impacto desse cenário nas cadeias globais, acredita que a parceria com o Canadá pode fortalecer o papel do Mercosul no comércio internacional.

A expectativa é que o novo acordo favoreça setores industriais, agrícolas e de serviços, consolidando o Brasil como um elo estratégico entre a América do Sul e o mercado norte-americano. Com isso, o bloco sul-americano busca ampliar sua presença global, enquanto sinaliza abertura para novos negócios em um ambiente comercial cada vez mais competitivo.

Índia mantém relações comerciais com os EUA em meio à expectativa para novas tarifas

O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, declarou neste sábado (23), que está mantendo as relações comerciais entre Nova Délhi e Washington, mesmo com o país asiático precisando proteger determinados setores estratégicos.  A fala acontece por conta da expectativa de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos indianos, que podem ser confirmadas nos próximos dias.

Tarifas ampliam atrito e travam negociações comerciais

Os EUA anunciaram sobretaxas que podem chegar a 50% sobre algumas exportações indianas, uma das medidas mais duras já aplicadas contra o país. Atualmente, uma tarifa de 25% está em andamento, e a parcela restante está prevista para começar a valer a partir de 27 de agosto. A Casa Branca tem como justificativa para a medida o aumento da importação de petróleo russo por parte da Índia, algo que vem gerando atritos diplomáticos.

Uma missão de negociadores americanos que deveria visitar Nova Délhi entre 25 e 29 de agosto foi cancelada, frustrando as expectativas de uma flexibilização ou adiamento dessas medidas. No entanto, Jaishankar destacou que certas linhas vermelhas precisam ser respeitadas. O ministro afirma que interesses fundamentais dos agricultores e pequenos produtores indianos não podem ser colocados em risco.


Ministro Subrahmanyam Jaishankar (Foto: reprodução/Roy Rochlin/Getty Images Embed)


No início de 2025, as tratativas comerciais já haviam esbarrado na resistência da Índia em iniciar o mercado agrícola e de laticínios a produtos estrangeiros. Apesar disso, o volume do comércio bilateral continua expressivo, superando a marca de US$ 190 bilhões, o que torna a relação estratégica para ambas as economias.

Tarifas podem frear crescimento indiano

Analistas da Capital Economics alertaram que a manutenção integral das tarifas poderia reduzir em até 0,8 ponto percentual o progresso econômico da Índia em 2025, além de prejudicar a atratividade do país como polo global de manufatura.

Jaishankar também criticou a postura do presidente americano, Donald Trump, afirmando que nunca houve na história recente dos EUA uma condução tão pública da política externa. Ele ainda ressaltou que as preocupações americanas com o petróleo russo não estão sendo aplicadas a outros compradores, como China e União Europeia, que possuem volumes de importação superiores aos da Índia.

Para o chanceler indiano, as compras de petróleo russo nunca haviam sido questionadas em negociações anteriores com Washington, sendo a imposição de tarifas vista como uma mudança brusca e inesperada na relação bilateral.

Buenos Aires adota criptomoedas para pagamento de impostos

Em uma iniciativa pioneira na América Latina, a capital argentina, Buenos Aires, anunciou recentemente que passará a aceitar criptomoedas como forma de pagamento para diversos tributos e serviços públicos. Essa medida, divulgada na última quarta-feira, abrange impostos como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (ABL) e outros relacionados a veículos (Patentes), além de procedimentos não tributários, como a emissão de carteiras de motorista e o pagamento de multas de trânsito. A decisão sinaliza o objetivo ambicioso do governo local de se tornar uma referência global no universo cripto.

Criptomoedas ganham espaço como solução moderna em meio à crise

A adoção de criptomoedas como meio de pagamento vem em um contexto de crise econômica na Argentina, onde a população já se familiarizou com outras formas de transações digitais, incluindo as transferências via cripto e o Pix brasileiro. O movimento de Buenos Aires visa não apenas modernizar o sistema de pagamentos, mas também atrair empresas e talentos da economia digital, criando um “arcabouço regulatório favorável”. Para o especialista em cripto, Caio Villa, essa medida oferece risco praticamente nulo tanto para os contribuintes quanto para o governo, já que a conversão é realizada no momento exato da transação, fixando o valor e eliminando a preocupação com a volatilidade.


Existe a previsão que o sistema incluirá ativos digitais de grande relevância, como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH). (Foto: reprodução/Instagram/@portaldobitcoin)


Embora ainda não haja uma lista específica de quais criptomoedas serão aceitas, especialistas como Paulo Camargo, da Underblock, preveem que o sistema incluirá ativos digitais de grande relevância, como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH), além de stablecoins, com a conversão imediata para pesos argentinos. A cidade já possui um ecossistema digital robusto, com mais de 10 milhões de contas cripto em todo o país, o que representa 22% do volume total da América Latina. O prefeito de Buenos Aires, Jorge Macri, destacou que a iniciativa é um passo essencial para que o Estado se adapte à economia digital, removendo a burocracia e incentivando o crescimento de empresas inovadoras na cidade.

Visão Holística e Desafios da Regulamentação

A iniciativa de Buenos Aires vai além da simples aceitação de criptoativos. Quatro propostas-chave foram anunciadas para impulsionar o setor: a atualização da nomenclatura de atividades econômicas, que cria uma categoria específica para a compra e venda de criptoativos, simplificando a declaração fiscal; a exclusão dos Provedores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV) de regimes de arrecadação bancária, o que reduz a burocracia e aumenta a segurança jurídica para as empresas; a alteração na base de cálculo tributária, onde os impostos serão cobrados apenas sobre a diferença entre a compra e a venda, e não sobre o valor total da operação; e a própria aceitação do pagamento de tributos e taxas com cripto através de um sistema de QR Code.

A aceitação de criptoativos por um governo pode ser vista como um sinal de legitimidade, transformando esses ativos de meros instrumentos especulativos para componentes da infraestrutura financeira do futuro. No entanto, o movimento também traz à tona desafios regulatórios e jurídicos, como apontado pela advogada Lisa Worcman, sócia do escritório Mattos Filho. Em muitos países, como o Brasil, as criptomoedas não são consideradas moeda de curso legal, o que cria um obstáculo para sua utilização no pagamento de tributos, que geralmente exigem a moeda oficial. A volatilidade e a necessidade de mecanismos de conversão instantânea também são pontos de atenção. Em Buenos Aires, o sistema se baseia em intermediários que convertem os valores, o que levanta questões sobre o momento exato da quitação da obrigação e a responsabilidade em caso de falhas.

Apesar dos desafios, a postura do governo argentino, com a aprovação do presidente Javier Milei, conhecido por ser favorável ao uso de criptomoedas, sugere que essa iniciativa de Buenos Aires pode servir de modelo para outras províncias e até mesmo para outros países da região, consolidando o papel da Argentina como um polo de inovação na economia digital.

Trump demanda renúncia de diretora do Fed e aumenta a tensão sobre autonomia da instituição

A potencial estratégia de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, reacende um debate crítico sobre a independência do Federal Reserve (Fed), o banco central do país. A instituição, desenhada para operar de forma autônoma e tomar decisões de política monetária sem interferências políticas, tem se tornado um alvo constante de críticas por parte de Trump, que busca uma maior influência sobre suas decisões, especialmente no que se refere às taxas de juros.

Trump mira Lisa Cook em nova ofensiva para influenciar o Federal Reserve

A mais recente investida de Trump se direciona a Lisa Cook, uma das diretoras do Fed nomeadas por Joe Biden. Com base em alegações levantadas por Bill Pulte, um de seus aliados, sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo Cook, Trump pediu publicamente sua renúncia. Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA), afirmou que Cook teria declarado duas residências como principais em diferentes empréstimos, uma prática que, se confirmada, poderia ter-lhe garantido condições de financiamento mais vantajosas. As acusações, que datam de 2021, antes de sua nomeação para o Fed, foram rapidamente endossadas por Trump em sua plataforma de mídia social.


A diretora é uma das três pessoas nomeadas por Biden cujos mandatos se estendem para além do mandato de Trump (Foto: reprodução/X/@ForbesBR)

A situação de Cook exemplifica um dos principais desafios de Trump para remodelar o Fed. A diretora é uma das três pessoas nomeadas por Biden cujos mandatos se estendem para além de um possível segundo mandato de Trump. Essa particularidade de mandatos longos dificulta os esforços do ex-presidente em preencher a maioria das sete cadeiras do concelho, um passo fundamental para consolidar seu controle. Atualmente, apenas dois dos seis membros restantes foram nomeados por ele: Christopher Waller e Michelle Bowman.

A Luta pelo Controle e o Futuro da Política Monetária

A crítica de Trump ao Fed não é recente. Ele tem se posicionado abertamente contra a postura do atual presidente da instituição, Jerome Powell, defendendo uma drástica redução das taxas de juros para estimular a economia. Embora reconheça as barreiras legais que o impedem de demitir membros do conselho por discordâncias políticas, a estratégia de Trump se concentra em nomear aliados para as vagas que surgem.

A vaga deixada pela recente renúncia de Adriana Kugler, por exemplo, já foi preenchida com a nomeação de Stephen Miran, um nome próximo a Trump. No entanto, o desafio maior é a presidência do Fed. O mandato de Powell se encerra em maio, e Trump poderá nomear um sucessor. Ainda que Powell pudesse, teoricamente, permanecer como diretor até 2028, a tradição sugere que ele não o faria. A luta pelo controle da diretoria, no entanto, pode levar mais tempo, uma vez que os mandatos dos diretores têm duração de 14 anos e não coincidem com os ciclos eleitorais.

Essa busca por influência no Fed levanta sérias preocupações sobre a neutralidade e a estabilidade da política monetária americana. A autonomia do banco central é vista por economistas como um pilar essencial para a credibilidade do dólar e para a condução de políticas que visam o controle da inflação e a manutenção do pleno emprego, sem ceder a pressões políticas de curto prazo. As ações de Trump, ao questionar publicamente a integridade de seus membros e pressionar por mudanças na taxa de juros, alimentam a incerteza e testam os limites de uma das instituições mais importantes dos Estados Unidos.

Projeção do PIB para América Latina deve crescer, de acordo com Moody’s

A Moody’s Analytics divulgou nesta segunda-feira (18), uma análise econômica da América Latina para este ano e para 2026. Em seu relatório, a agência elevou a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países latinos em 2025, elevando a estimativa de 2,1% para 2,2%. 

O relatório destacou que a região teve uma expansão percentual de 2,3% no segundo trimestre de 2025, comparado ao mesmo período do ano interior. A revisão positiva teve destaque para o Brasil, Argentina e Chile, que mesmo em meio ao ambiente de tarifas rígidas impostas pelos EUA, mostraram resiliência. Apesar do crescimento para esse ano, a Moody’s ressalta que o cenário pode desacelerar em 2026, devido às tensões no ambiente político e social atualmente.

Projeção para 2025 e 2026

O crescimento percentual de 2,1% para 2,2% – por mais que um avanço tímido – está ligado a uma performance mais estabilizada no início de 2025. No primeiro trimestre deste ano, a América Latina já havia registrado um crescimento de 3,1% na economia latina, superando o valor projetado pela agência Moody’s inicialmente, de 2,6%. Graças ao mercado de trabalho no Brasil e aos processos de recuperação econômica no Chile, Peru e Colômbia, os países conseguiram manter um bom desempenho no ano. 

Entretanto, a agência alerta que a tendência pode ser de desaceleração do ritmo em 2026. É estimado pela Moody’s uma expansão de 2,1% para 2026, sendo um valor que está abaixo da projeção prevista antes. O documento ressalta que a diminuição do ritmo de crescimento pode estar relacionada a fatores externos – como desaceleração global e o tarifaço dos EUA impostos aos países latinos – e também a fatores internos, como a inflação e dificuldades fiscais. Esse panorama reforça que a região vive um cenário de recuperação e crescimento, mas ainda pode estar vulnerável a desafios. 

Impactos das tarifas 

Um dos principais pontos ressaltados pelo relatório que podem influenciar na baixa do crescimento é a política tarifária dos Estados Unidos. O tarifaço imposto pelo governo Trump desde o primeiro trimestre do ano afeta diretamente o crescimento e competitividade global das exportações dos países latinos-americanos. O Brasil, por exemplo, foi um dos países mais impactados pelas tarifas, sendo um dos únicos no mundo a enfrentar tarifas de 30%. Essa política afeta diretamente setores estratégicos da economia local e pode comprometer parte do crescimento econômico esperado. 

Paralelamente, Chile e Peru puderam ter um respiro de alívio com a exclusão do cobre refinado das tarifas adicionais, o que garantiu uma margem de respiro, já que a maior parte das exportações da commodity são direcionadas aos EUA. Contudo, o cenário à frente ainda é desafiador, devido à agenda eleitoral dos países, restrições fiscais e guerra política e tarifária dos Estados Unidos. 


A análise feita pela Moody’s demonstra um crescimento, mas alerta para desaceleração em 2026 (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


Cenários dos países

O Brasil aparece na análise como um dos países em que a economia persiste, sustentado pelo mercado de trabalho e consumo das famílias. Apesar dos desafios fiscais e da inflação que segue elevada, a economia do país conseguiu resistir melhor do que o esperado aos impactos tarifários. 

Na Argentina, o cenário também é positivo. O programa de estabilização adotado no fim do ano passado vem apresentando resultados positivos, com uma queda drástica na inflação e crescimento do crédito. Para 2026, a agência projeta a continuação da recuperação de forma estável.

Já o Chile, Peru e Colômbia tiveram resultados beneficiadores devido à valorização das commodities, especialmente minerais. No Peru, a inflação permanece controlada, com um mercado de trabalho em ascensão e na Colômbia, a queda do desemprego apoiou a economia. O México, paralelamente, enfrenta desafios em sua economia, pressionado por cortes nos gastos públicos e taxas altas dos EUA.

Trump celebra encontro com Zelenskiy e líderes europeus em Washigton

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou nesta segunda-feira (18) que será uma “grande honra para a América” receber o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, e líderes europeus na Casa Branca, em Washington. O encontro entre o presidente norte-americano e os diversos líderes europeus marca uma reunião histórica, devido à presença de autoridades internacionais.

O encontro ocorreu em meio a um momento de tensões geopolíticas acerca da guerra na Ucrânia. Na última sexta-feira (15), Trump e Vladimir Putin, presidente da Rússia, se encontraram no Alasca em uma cúpula para discutir sobre um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia. Apesar da reunião ter ocorrido, os dois líderes não chegaram a um acordo e o cessar-fogo continua sendo uma questão em aberto. 

A expectativa para essa nova reunião é que os diálogos tenham se concentrado na guerra na Ucrânia novamente, focando principalmente na resolução de um cessar-fogo entre os dois países e no papel dos EUA como mediador entre aliados europeus e a Rússia. O encontro em Washington também reforça a imagem de protagonismo que Trump procura consolidar desde seu retorno à presidência dos EUA, devido a promessas de sua campanha de acabar com guerras ao redor do mundo. 

Dia histórico em Washington

Horas antes da chegada dos convidados à Casa Branca, Trump recorreu a sua rede social, Truth Social, para destacar a importância do evento. “Um grande dia na Casa Branca. Nunca tivemos tantos líderes europeus aqui ao mesmo tempo. Uma grande honra para a América!”, disse o presidente norte-americano em seu perfil. A mensagem serviu como uma sinalizador tanto para o prestígio e marco histórico da ocasião, quanto para marcar a presença e protagonismo dos EUA como centro de decisões mundiais, além de mediador da guerra na Ucrânia.

Essa reunião foi uma continuação do esforço diplomático que Trump vem tendo com relação à guerra entre Ucrânia e Rússia, principalmente após a cúpula realizada com Putin no Alasca. Trump vem afirmando durante seu mandato que pretende pôr “fim” à guerra entre os dois países, após realizar essa promessa em sua campanha para a corrida presidencial dos EUA em 2024. A agenda de reuniões com diversos líderes europeus e com o presidente russo é vista como uma possibilidade de redefinição da diplomacia americana.


Trump e Zelenskiy em reunião na Casa Branca nesta segunda-feira (Foto: reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)


Agenda diplomática 

O dia começou com uma reunião entre Trump e Zelenskiy, seguida por encontros com os líderes do Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Finlândia, União Europeia e Otan. Também foi especulado que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, poderia participar das conversas, de acordo com fontes, especialmente depois de acompanhar conversas entre Trump e Zelenskiy em fevereiro.

A presença simultânea de diversos líderes em solo americano reforça o peso político das reuniões e evidencia a busca por um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. A imagem de unidade e mediação que o governo americano tenta passar ao mundo é estratégica, especialmente em um momento em que negociações de paz estão em pautas – com influência direta ao que vem acontecendo em Gaza.

CNI revisa para baixo crescimento da indústria e alerta para impacto bilionário de tarifas dos EUA

A projeção de crescimento da indústria brasileira em 2025 foi reduzida de 2% para 1,7% pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (19), em Brasília. A decisão foi impulsionada pelos juros elevados e, principalmente, pelas tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos nacionais, o que pode gerar perdas superiores a US$ 5 bilhões nas exportações. Como resultado, o superávit comercial deve recuar 14% neste ano.

Tarifas americanas pressionam indústria e exportações

Segundo a CNI, a nova política tarifária dos Estados Unidos já causa reflexos negativos diretos na indústria nacional, especialmente nos setores mais dependentes do comércio exterior. De acordo com Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da entidade, as tarifas impostas afetam a competitividade dos produtos brasileiros e reduzem significativamente a margem de atuação das empresas nos mercados internacionais.


Indústria (Foto: Reprodução/Patrick Hendry/Unsplash)

A previsão de exportações para este ano foi rebaixada para US$ 341,9 bilhões, impactando o superávit, que pode encerrar 2025 em US$ 56,6 bilhões, uma queda de 14% em relação ao ano anterior. Apesar de medidas paliativas terem sido anunciadas pelo governo federal, a CNI alerta que nenhuma compensação substituirá de forma efetiva o mercado americano para setores fortemente dependentes dos EUA.

Crescimento desigual entre setores industriais

Mesmo diante das adversidades externas, alguns segmentos devem apresentar desempenho positivo. A construção civil, puxada pelos investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida, deve crescer 2,2%. Já a indústria extrativa segue favorecida pela alta na produção de petróleo, com expectativa de expansão de 2%.

Por outro lado, a indústria de transformação, principal motor da atividade industrial, deverá ter avanço tímido de apenas 1,5%, após ter crescido 3,8% em 2024. O setor de serviços também não deverá apresentar fôlego, com estimativa de alta de 1,8%, refletindo um cenário de incerteza generalizada e impacto direto no ritmo da recuperação econômica.