Xangai apresenta ao mundo a primeira vacina inalada de Covid-19

Em setembro, na capital chinesa Xangai, acredita-se que a empresa farmacêutica CanSino Biologics, tenha lançado a primeira vacina inalada contra o coronavírus do mundo. Desenvolvedores afirmam que quando inalada, a vacina age na mucosa do sistema respiratório, causando uma imunidade maior contra vírus.

Os reguladores chineses aprovaram o uso da vacina como reforço em setembro, e agora, os primeiros pacientes já estão recebendo as doses da vacina inalada pela boca, uma versão em aerossol da injetável comum, e que vem armazenada em um recipiente semelhante a um copo grande de café.

“Há uma grande proporção de pessoas que são resistentes a tomar a vacina porque têm fobia de agulhas. Eles podem não articular isso, mas é o que pensam”, disse Erwin Loh, diretor e médico da St Vincents Health Australia, exaltando o ineditismo da tecnologia empregada no método, e o outro caráter benéfico a difusão da nova invenção chinesa.

Zhao Hui, diretor médico do hospital Shangai United Family Pudong – clínica que agora administra a inalação e as injeções convencionais – enfatizou o maior potencial imunológico da vacina chinesa num comunicado a Reuters: “A primeira linha de defesa do nosso corpo é a membrana mucosa do nosso sistema respiratório, queremos que seja estimulada diretamente para melhorar a imunidade e o uso da vacina inalada faz isso”.


Médico em Xangai realizando testes urbanos em cidadãos (Foto: Reprodução/O Globo)


A China ainda é uma exceção mundial porque mantém sua política de Covid Zero para a eliminação de surtos comunitários. Os dados chineses mostram que 90% do país inteiro está vacinado com a vacina do vírus inativo, essa que é produzida em seu próprio território, já que a China nunca importou ou produziu uma vacina a base de mRNA.

A esperança do diretor Loh é que a eficácia da vacina inalada seja um convite a adesão por outros países: “Acho que as vacinas inaladas para doenças respiratórias como a Covid-19 serão o futuro”, finalizou.

Em pronunciamento essa semana na sua conta do WeChat, o governo de Xangai anunciou a eficácia da vacina inalada, e disse que 12 milhões de habitantes já receberam as doses de reforço, enquanto 23 milhões de cidadãos estão totalmente vacinados contra o coronavírus na cidade.

Foto destaque: Mulher tomando a vacina pelo nariz. Reprodução/FolhaPE

Faltando um dia para a eleição, saiba como lidar com a ansiedade eleitoral

Especialistas indicam que não existe um quadro denominado ansiedade eleitoral, mas que uma crise pode ser disparada pelo período das eleições

“Esta eleição mexeu comigo. Fico nervoso quando converso com alguém que só tem discursos prontos, baseados em fake news. Tento dialogar com quem pensa diferente de mim, mas vejo que muita gente está cega, defendendo um candidato com base em mentiras ou discursos prontos. Não há um debate saudável”, relatou o eleitor Maxwell Souza, 32 anos, que teve duas fortes crises de ansiedade quando discutia sobre o atual momento político do Brasil, e desde o primeiro turno apresenta medo, dores no estomago e falta de apetite.

Segundo o psiquiatra Daniel Barros, a proximidade das eleições deste domingo (30), pode levar a crises de ansiedade: “A ansiedade pode ser causada por muitos fatores, situações e contextos nos quais da pessoa se vê e que parece ameaçador, amedrontador. Se a pessoa se sente amedrontada pelo momento do período eleitoral, então ela estará ansiosa por conta do período eleitoral”, disse Barros.


Manifestantes portando bandeiras para acampanha eleitoral de Bolsonaro e Lula (Foto: Reprodução/Reuters)


Especialistas relatam que a ansiedade é uma reação natural do corpo humano, e é caracterizada por um mix de reações psicológicas e físicas ao estresse. Normalmente, sensações de preocupação e aflição aparecem no campo psíquico, enquanto dor de estômago, batimento cardíaco acelerado, insônia, tontura entre outros que acontecem em nossa fisiologia. Também aparecem sintomas comportamentais como desinteresse em sair de casa, incapacidade de encontrar pessoas, paralisação e congelamento.

Para a psicóloga Mariangela Savoya, integrante do Programa Ansiedade do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP), as pessoas que ficam mais ansiosas no período eleitoral são as que tem alguma propensão ao quadro ou já lutam contra a doença: “São pessoas que têm maior dificuldade de lidar com situações incontroláveis e não sabem como reagir em uma situação em que não pode fazer nada.”

O psiquiatra Daniel Barros, explica que para conter uma crise devemos usar métodos convencionais para diminuir a ansiedade: “Já que não é possível tirar o problema da frente, vale tirar um pouco o foco do problema. Então, estratégias de distração, de engajamento em outras atividades, de coisas que cabem no nosso foco, além de exercícios de relaxamento, de meditação. Tudo isso pode ajudar conter a ansiedade”.

Os profissionais da área dizem que as pessoas que sofrem com crises rotineiras de ansiedade, devem procurar ajuda de um médico especializado, enquanto não é necessário para as que tem apenas um momento isolado de estresse. Geralmente a busca por um psiquiatra se faz essencial quando realizar tarefas simples do cotidiano gera estresse ou preocupação em excesso, gerando dores na barriga e desconfortos recorrentes.

Foto destaque: Mulher usando máscara e votando na urna eletrônica. Reprodução/Jovem Pan

Cientistas usam células modificadas no tratamento de crianças com leucemia

No ano de 2020, o mundo conheceu um novo método de edição de genes, o CRISPR/Cas9, que é capaz de alterar o DNA de plantas, animais e microrganismos de precisão. Utilizando essa tecnologia, pesquisadores do Reino Unido projetaram células do sistema imunológico, as famosas células T, colhidas por doadores para o tratamento de crianças com leucemia em quadros graves e com poucas opções de tratamento. Na primeira fase do ensaio clínico, as células T foram alteradas com as tesouras genéticas  através de um corte realizado no DNA e inserção de um código genético para que as células passem a expressar um receptor chamado CAT. 

Os pacientes tratados no Reino Unido tinham entre 14 meses e 11 anos de vida e receberam o tratamento até fevereiro deste ano com o objetivo de que as células editadas ficassem ativas por quatro semanas, prazo que a doença reduz ou se torna indetectável. Nesse prazo os participantes tornaram-se elegíveis a receber o tratamento com células-tronco da medula óssea, por meio deste tratamento, os pacientes podem ter um sistema imunológico saudável.


Crianças com leucemia precisam passar por diversos tratamentos para combater a doença (Reprodução/Blog da Saúde)


Ainda durante a pesquisa, quatro das seis crianças entraram em remissão e depois receberam o transplante. “Embora existam desafios a serem superados, este estudo é uma demonstração  promissora de como as tecnologias emergentes de edição de genoma podem ser usadas para atender às necessidades de saúde de crianças mais doentes.’ afirma o autor principal do estudo, Waseem Qasim.

Essa terapia revolucionária tem o objetivo de reprogramar geneticamente as células do sistema de defesa do paciente para reconhecer e ao mesmo tempo combater o tumor é conhecida como CAR-T. O tratamento funciona com o uso das células do próprio paciente e já se encontra autorizada pela Anvisa aqui no Brasil e está sendo realizada com poucos pacientes. Por se encontrar em sua fase inicial, ela acontece no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo, com o apoio do Sistema Nacional de Saúde (SUS).

Foto destaque: Durante o tratamento, a criança sofre com a perca capilar. Reprodução/Drauzio Varella

Tuberculose: Mortes e casos aumentam durante a pandemia de Covid-19

De acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no último dia 27, calcula-se que 10,6 milhões de pessoas adoeceram de tuberculose em 2021, evidenciando um aumento de 4,5% referente ao ano passado. Os dados também revelam que 1,6 milhão de indivíduos vieram a óbito por causa da doença, incluindo 187 mil dessas pessoas que tinham o vírus da imunodeficiência humana, conhecido popularmente como HIV. Ainda sobre o relatório divulgado pela OMS, entre 2020 e 2021, aumentou em 3% o número da carga de tuberculose resistente ao medicamento, e em 2021, foram registrados 450 mil casos de pacientes resistentes à rifampicina antibiótico, indicado para combater além da tuberculose a hanseníase, podendo estar sempre associado a inserção de outros medicamentos.

A OMS informa que, essa é a primeira vez em muitos anos que foi registrado o aumento no número de casos de resistência, além de alertar que, devido à pandemia de covid-19, muitos serviços foram interrompidos prejudicando assim muitas pessoas que precisam de tratamento contínuo. A tuberculose é uma doença transmissível e infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis e afeta principalmente o pulmão e pode acontecer em outros órgãos. Mesmo sendo uma doença que ainda permanece subdiagnosticada devido aos desafios para o fornecimento e acesso aos serviços de saúde, o número de pessoas diagnosticadas com a doença caiu de 7,1 milhões em 2019 para 5,8 milhões em 2020. 


Fadiga, perda de apetite e tosse com sangue ou crônica podem ser sintomas da doença (Reprodução/Getty Images)


O relatório da OMS não traz apenas dados negativos sobre a doença. Cerca de 26,3 milhões de pessoas receberam tratamento entre 2018 e 2021. O Brasil está entre os países com a taxa mais alta de cobertura e tratamento da doença, considerando uma lista de 30 países que possuem alta carga de doença. O número de pessoas que tiveram acesso ao  tratamento preventivo teve uma recuperação em 2021 comparando com o ano de 2019. 

Outro ponto positivo são os países que estão aderindo novas ferramentas recomendadas pela OMS com a intenção de gerar diagnósticos precoces para ampliar o número de pessoas em tratamento, possibilitando chances de conviver melhor com a doença. Todo esse esforço da aplicação dessas novas ferramentas, proporcionou um aumento de 33% para 38% de pessoas que foram inicialmente testadas e receberam o diagnóstico de forma rápida.

Foto destaque: Geralmente a tuberculose afeta o pulmão do paciente. Reprodução/Clínica do Pulmão

Uso de vape, muito utilizado pelos jovens, acarreta aos mesmos problemas cardíacos que o cigarro

No ano de 2021, o cigarro eletrônico virou febre entre os jovens, e além de acreditarem que seu uso não traz malefícios, apostam nele como uma alternativa saudável. No entanto, de acordo com especialistas da Universidade da Califórnia, o uso de vape é tão ruim quanto o cigarro e pode acarretar em problemas cardíacos. 

A pesquisa foi publicada na revista científica Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology (ATVB), da American Heart Association. Nos estudos, os pesquisadores, primeiramente, avaliaram a função endotelial de fumantes de vape e não fumantes. A função endotelial regula a circulação sanguínea, e quando afetada, os danos podem ser cardíacos e vasculares, como a hipertensão e a doença arterial coronariana.

Apesar da diferença de substâncias entre o vape e o cigarro, os pesquisadores descobriram que os danos aos vasos sanguíneos não são provocados por um componente específico, mas sim pela irritação das vias áreas responsáveis pelas funções involuntárias dos órgãos internos.

“Ficamos surpresos ao descobrir que não havia um único componente que você pudesse remover para interromper o efeito prejudicial da fumaça ou do vape. Enquanto houver algo irritando as vias aéreas, a função dos vasos sanguíneos pode ser prejudicada”, disse Matthew L. Springer, um dos autores da pesquisa.

A conclusão dos cientistas é que os prejuízos causados pelo uso frequente de cigarro eletrônico e de tabaco, são semelhantes para a saúde cardíaca. 


O uso de vape por jovens sem saber as consequências. (Foto: Reprodução/Blog JuicesBR)


As doenças cardiovasculares (DCV) são líderes de mortalidade no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), aproximadamente 14 milhões de brasileiros possuem alguma doença no coração e cerca de 400 mil morrem por ano em decorrência dessas enfermidades, o que corresponde a 30% de todas as mortes no país.

Qualquer tipo de fumaça com nicotina pode estimular a produção de novas placas nas artérias e piorar o acúmulo de gordura nas paredes das artérias. “Os homens fumantes têm três vezes mais chances de ter um infarto, se comparado aos homens não fumantes. Nas mulheres, esse risco é ainda maior”, esclareceu Abrão Cury, cardiologista e clínico geral do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo (SP), em entrevista realizada ao site do Hospital.

 

Foto destaque: Segurando um vape na mão. Reprodução/Blog JuicesBR

Proteína: Saiba qual é a quantidade ideal a ser consumida

A boa e velha proteína é uma boa companheira dos atletas, que sabem da importância do seu consumo diário para recuperar e construir músculos. Ela e conhecida como nutriente nobre, estando presente em todas as células do corpo, assim como ossos, músculos, cartilagens, pele e sangue. A proteína ainda é utilizada para construir e reparar tecidos, produzir enzimas, hormônios e outras substâncias. 


 

Foto: Homem se exercitando sua musculatura. (Foto: Reprodução/GETTY IMAGENS)


Nossos músculos são responsáveis por toda nossa força e movimento. Quanto melhor nossa massa muscular, mais resistente ela estará para realizar as tarefas diárias. Diminuindo assim os riscos de quedas, lesões ou traumas. O corpo precisa desse micronutriente em quantidades relevantes para se manter funcionando. Diferente da gordura e do carboidrato nosso corpo não armazena proteína, não há um reservatório para recorrer quando precisar de um suprimento.

Essa necessidade deve ser suprida através da alimentação. A baixa ingestão deste nutriente causa uma série de sintomas como dor de cabeça, queda de cabelo, unhas frágeis, fome constante, baixa taxa de ferro no sangue, perda de massa muscular além de falta de disposição e concentração.

A quantidade de proteína varia de acordo com a idade, peso e tipo de atividade que praticamos. Apesar de ela estar envolvida em uma serie de processos, uma das aplicações mais conhecidas esta em quem quer ganhar massa muscular.

Especialistas sugerem que o consumo de proteína para aqueles que querem ganhar massa muscular deva ser de 1,5 gramas para cada quilograma de peso corporal. Ou seja, se uma pessoa pesar 80 kls ela deverá consumir em média 120gdo nutriente por dia. Eles ainda sugerem um cardápio para a ingestão da proteína considerando que ela pode ser espaçada em três ou quatro refeições diárias. Confira:

  • Café da manhã: 2 ovos + 30g de queijo minas;
  • Almoço: 140g de peito de frango;
  • Lanche da tarde: vitamina com 30g de whey protein + 200ml de leite;
  • Jantar: 120g de patinho;
  • Ceia: iogurte natural 170g (1 pote).

Ainda de acordo com os especialistas na área da nutrição o primeiro passa para uma alimentação saudável e rica em proteínas é, dentre as fontes animais, preferir peixes e aves, limitando a carne vermelha e evitando os alimentos ultra processados.

E para aqueles que são atletas e desejam a hipertrofia é necessário Intercalar os treinos com o descanso necessário para a recuperação do corpo. Seguir uma dieta de pré e pós-treino que seja à base de proteína, carboidratos, gordura, sais minerais e vitaminas. Ter equilíbrio entre os treinos e cuidar da quantidade de horas de sono para que o corpo possa reparar o estresse causado pela intensidade da musculação. Por isso, entender exatamente a quantidade necessária do nutriente é fundamental para compor um cardápio que mantenha o corpo funcionando e ajude o indivíduo a atingir seus objetivos.

 

Foto destaque: Imagens de alimentos com proteína. Reprodução/GETTY IMAGENS.

Cirurgião explica se viajar de avião pós-cirurgia plástica pode causar prejuízos à saúde

Viralizaram nas redes sociais recentemente imagens de uma modelo britânica afirmando que sua cabeça teria “explodido” durante uma viagem de avião que fazia. A mulher afirmou em vídeos que havia acabado de fazer um procedimento estético realizado na pálpebra, que tem o objetivo de delinear o olhar, alongando a abertura e levantando o canto externo do olho.

De acordo com o médico cirurgião-plástico Bora Kostic, que é membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membro ativo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Estética, alguns cuidados pós-cirúrgicos precisam ser realizados em todos os casos de pacientes que acabaram de realizar cirurgias.

“Pelo que ela falou foi feito um procedimento cirúrgico e somente estético, como por exemplo, preenchimento. Esse tipo de procedimento, cantoplastia, é uma cirurgia que de qualquer forma deixa os hematomas, principalmente na pálpebra inferior. Pela foto não se observa nenhuma assimetria, portanto nenhum ponto “soltou””, disse.

“Danos pós-cirúrgicos como uma trombose podem ser gerados em viagens mais longas, o que não significa que os pacientes não podem viajar de avião. No caso de uma abdominoplastia, por exemplo, pode provocar isso mesmo sem viajar, caso o paciente não se movimente a  cada duas horas. E isso pode acontecer mesmo dentro do avião”, disse.
Weronika afirma que sentiu um sangramento em sua cabeça durante o voo e explicou que, por conta da pressão da cabine do avião, alguns dos pontos abriram durante o trajeto.

No entanto, no caso da modelo, o médico observou que seria necessário avaliar o caso individualmente para saber se a mulher realmente tinha condições de viajar.

O médico ressaltou que é muito importante, dependendo de alguns fatores, como o tipo da cirurgia, do estado físico do paciente e da avaliação médica, que ele espere pelo menos 15 dias para fazer uma viagem de avião de longa duração.

“Qualquer procedimento precisa ser feito com um cirurgião-plástico conhecido, renomado e experiente. Os pacientes precisam seguir os conselhos dos seus médicos e caso haja algum problema, retornar ao médico”, disse.

Por fim, o médico disse que no mundo existem muitos brasileiros que preferem fazer cirurgia “em casa”, portanto, antes de definir a data do procedimento, viabilizam a vinda ao seu país.


Dr. Bora Kostić (Foto/Reprodução)


“Hoje é muito fácil fazer uma consulta on-line e combinar a data certa de ida e de retorno, para evitar no máximo qualquer tipo de complicações, que por sua vez podem ser até graves, como trombose. Deixando bem claro, que esse tipo de complicação pode aparecer sem cirurgia também. Nessas viagens mais longas, uma simples caminhada a cada duas horas, pode prevenir esse tipo de problema”, finalizou.

Siga o Dr. Bora Kostić nas redes sociais.
 
 
Foto Destaque: Reprodução

Pesquisa brasileira revela que amostras de sangue podem ajudar a monitorar epidemias

Uma pesquisa realizada no Brasil mostrou que é possível calcular a população previamente infectada (soroprevalência) por COVID-19 com o uso de amostras de sangue. Segundo os cientistas, o método possibilita que outros tipos de doenças sejam rastreadas e que se calcule a imunidade coletiva.

Foram analisadas 97.950 amostras de sangue vindas de oito capitais brasileiras (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Manaus, Fortaleza e Curitiba). O período analisado na pesquisa foi de março de 2020 até março de 2021. Os cientistas do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde) chegaram à conclusão de que a epidemia de COVID-19 no Brasil foi heterogênea. Atingiu públicos diferentes em momentos distintos. Os primeiros foram homens e jovens.

“No início, algumas linhas de investigação achavam que todos se infectavam ao mesmo tempo, mas mostramos que isso não é verdade. Em termos de retrato da epidemia concluímos que houve uma heterogeneidade extrema no Brasil, com diferenças de infecção por grupos e uma variação extensiva da taxa de letalidade. Esse era um resultado que não esperávamos”, informou à CNN Brasil o pesquisador Carlos Augusto Prete Junior, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do artigo.


Foto: Doação de sangue. Reprodução/Davidyson Damasceno/Agência Brasília


Os cálculos de soroprevalência costumam ser feitos utilizando amostras aleatórias da população. É um processo mais caro e mais complicado. Isso é importante para analisar a epidemia e criar políticas públicas na intenção de controlar um vírus.

O estudo foi parte do doutorado de Prete Junior, orientado pelo professor Vitor Heloiz Nascimento, da Poli. A co-orientadora é Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP e responsável pelo Cadde no Brasil. Cientistas do Imperial College London e da Universidade de Oxford, do Reino Unido, participaram da pesquisa.

Ester e Vitor também são autores do trabalho, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por meio do Cadde e da bolsa concedida a Prete Junior. A pesquisa contou com financiamento do Instituto Todos pela Saúde e foi publicada na revista científica eLife.

 

Foto destaque: Amostra de sangue. Reprodução/Depositphoto

China lança vacina oral contra a COVID-19

Nesta quarta-feira (26), a primeira vacina oral inalável contra a COVID-19 foi administrada, em Xangai, na China. Ela foi desenvolvida pela biofarmacêutica Cansino Biologics. O produto, gratuito, é uma espécie de fumaça aspirada pela boca através de um copo.

Estudos apontaram que a vacina gera resposta imunológica em pessoas que tenham recebido duas doses de outra vacina chinesa contra a COVID. Ela está sendo oferecida somente como dose de reforço. A eficácia do produto ainda não foi explorada por completo. A vacina administrada oralmente pode contribuir para repelir o vírus, mas isso depende do tamanho de suas gotículas.


Foto: Vacina chinesa. Reprodução/Gettty Images


A Cansino Biologics desenvolveu essa vacina a partir de uma outra já existente. A versão oral é uma adaptação de uma vacina contra o adenovírus que se utiliza de um vírus do resfriado atenuado. O objetivo é facilitar a vacinação para pessoas que têm medo de injeção e para países que possuem dificuldade em administrar vacinas convencionais.

Em um vídeo publicado pela mídia estatal da China, é possível observar o modo de uso. A vacina é distribuída em um copo branco com bico vedado. O bico é aberto próximo a boca e o cidadão inala. Após isso, deve prender a respiração por cinco segundos. O procedimento completo dura cerca de 20 segundos. Uma das pessoas presentes no vídeo descreveu a sensação. “Foi como beber uma xícara de chá com leite. Quando eu respirei, tinha um gosto um pouco doce”. 

Essa é uma solução que a China busca para vacinar mais pessoas. Em meados de outubro, 57% dos chineses haviam recebido dose de reforço. O governo espera que o número aumente para relaxar as medidas de restrição. As autoridades chinesas não obrigam a população a se vacinar, mas é necessário um teste negativo de COVID para frequentar locais públicos. Não há sinais de que a política governamental de restrições, “Covid Zero”, esteja perto de um fim. 

 

Foto destaque: Vacina contra a COVID-19. Reprodução/CanSino

Estudo sugere idade limite para deixar de fumar

O tabagismo é um hábito que ano após ano vem aumentando, para os adeptos desse prazer popular, largar o cigarro de vez e se engajar nessa mudança pode ser um grande desafio. No Brasil o tabaco é o grande responsável por 90% dos óbitos todos os anos.


Foto: Homem fazendo uso do cigarro-. Reprodução/ GETTY IMAGENS.


Segundo o Instituto nacional do câncer, o tabagismo esta relacionado ao desenvolvimento de mais de 50 enfermidades, dente elas alguns tipos de câncer como leucemia, de bexiga, de pâncreas, de fígado, do colo do útero, de esôfago, nos rins, laringe, faringe, boca, pulmão, e estômago. Além de doenças no parelho respiratório e doenças cardiovasculares. O tabagismo ainda pode ser associado ao risco de outras patologias como úlcera do aparelho digestivo, osteoporose, catarata, impotência sexual no homem, infertilidade na mulher, menopausa precoce e complicações na gravidez.

Um estudo realizado por cientistas da Sociedade Americana contra o Câncer, nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicado esta semana na Plataforma JAMA Network Open, revela os benefícios de parar de fumar aos 35 anos. O estudo sugere que o fumante deve abandonar o vício caso não deseje elevar seu risco de morte precoce. De acordo com os pesquisadores fumantes que abandonarem o cigarro até os 35 anos terão taxas de mortalidade semelhantes a de pessoas que nunca fumaram, e aqueles que deixarem o uso do fumo em idades avançadas, também terão benefícios, porém não tão substanciais quanto aos que pararem antes.

A pesquisa mostrou, por exemplo, que deixar de fumar entre os 35 e 44 anos apresentam um risco de morte de 21% maior do que as pessoas que nunca fumaram. Enquanto que na faixa etária seguinte, dos 45 aos 54 anos, a taxa de mortalidade é de 47% maior entre os fumantes do que entre os que nunca fumaram.

No entanto, é possível obter benefícios em outras idades também. Por exemplo, quem deixou de fumar entre 35 e 44 anos apresentam taxas que são de 10% a 20% maiores de morte em comparação aos que nunca fumaram. Vale lembrar que, cerca de 30% a 50% dos norte americanos tentam deixar o vício do fumo. No entanto, as taxas de sucesso em abandonar a nicotina tendem a ser baixas. 

 

Foto destaque: 30% a 50% dos norte americanos tentam deixar o vício do fumo.  REPRODUÇÃO/GETTY IMAGENS.