Toffoli decide estender apuração sobre BRB e Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu estender por mais sessenta dias as investigações sobre a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília, o BRB. A decisão foi tomada após um pedido dos órgãos responsáveis pela apuração, que alegaram a necessidade de mais tempo para analisar documentos e informações reunidas durante o processo.

A investigação busca esclarecer como a operação foi conduzida, se todas as etapas legais foram cumpridas e se houve algum tipo de irregularidade. Por envolver um banco público e uma negociação de grande impacto financeiro, o caso passou a chamar atenção de autoridades e da sociedade, reforçando a importância de uma análise cuidadosa.

STF autoriza mais tempo para análise do caso

Segundo os investigadores, a compra do Banco Master envolve uma série de contratos, estudos técnicos, análises financeiras e decisões administrativas. Parte desse material é extensa e não pôde ser examinada de forma completa dentro do prazo inicial. Segundo a apuração, alguns documentos exigem uma leitura detalhada para que seja possível compreender todos os termos do negócio.

A complexidade da operação também está relacionada ao fato de envolver recursos públicos. Como o BRB é um banco controlado pelo governo do Distrito Federal, qualquer decisão desse tipo precisa ser analisada com cuidado redobrado. Os investigadores destacam que a prorrogação do prazo é importante para garantir uma apuração correta, transparente e responsável.

Outro ponto levantado é que decisões financeiras desse porte podem ter impactos diretos na administração do banco e, indiretamente, na população. Por isso, a investigação busca entender se todos os procedimentos legais foram seguidos e se a operação ocorreu dentro das normas previstas.



Dias Toffoli, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) (Vídeo: reprodução/YouTube/@globonews)


Além disso, a apuração também procura esclarecer se houve participação de agentes públicos em todas as etapas do processo e se as decisões tomadas atenderam ao interesse público. Os investigadores querem confirmar se a negociação foi transparente e se não houve favorecimento indevido, garantindo que os recursos envolvidos tenham sido tratados com responsabilidade.

Ao analisar o pedido, o ministro Dias Toffoli avaliou que os argumentos apresentados justificavam a ampliação do prazo. Ele ressaltou que a investigação precisa de tempo suficiente para examinar todos os dados envolvidos. Na decisão, afirmou: “Posto isso, considero que as razões apontadas para prorrogação, por mais 60 dias, devem ser deferidas”.

O que está sendo investigado na operação

A apuração busca entender se a compra do Banco Master pelo BRB seguiu todas as normas exigidas por lei. Entre os pontos analisados estão o valor da operação, como a negociação foi aprovada e os possíveis riscos financeiros assumidos pelo banco público.

O BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal, o que aumenta a responsabilidade sobre suas decisões. Por esse motivo, qualquer operação de grande porte precisa ser transparente e bem justificada. A investigação também avalia se houve prejuízo aos cofres públicos ou falhas nos processos internos.

Durante os próximos sessenta dias, os investigadores devem continuar analisando documentos, pareceres técnicos e registros financeiros. Caso seja necessário, novas informações podem ser solicitadas e outras diligências podem ser realizadas para esclarecer dúvidas que ainda existam.

Especialistas avaliam que a decisão do ministro Toffoli segue um caminho comum em casos complexos. A prorrogação de prazos é vista como uma forma de garantir mais segurança jurídica e evitar erros na condução das investigações.

Até o momento, não há conclusão definitiva sobre a legalidade da operação. O Supremo Tribunal Federal segue acompanhando o andamento do caso e poderá tomar novas decisões conforme o avanço da apuração.

Com a ampliação do prazo, a expectativa é que as autoridades consigam esclarecer todos os pontos envolvidos na compra do Banco Master. A decisão reforça a postura do STF de priorizar uma investigação responsável, transparente e baseada em fatos bem apurados.

Lula não participa da assinatura do acordo Mercosul-UE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não participar da cerimônia oficial de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai. A decisão foi confirmada pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty, que informou que o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, responsável por assinar formalmente o tratado em nome do país.

Embora Lula não esteja presente no ato oficial, o governo brasileiro reforça que o presidente apoia o acordo e participou ativamente das negociações finais. Nos dias que antecederam a assinatura, Lula se reuniu com lideranças europeias no Brasil, incluindo representantes da Comissão Europeia, para alinhar os últimos detalhes do entendimento fechado após mais de duas décadas de tratativas entre os blocos.

Ausência não altera posição do Brasil sobre o acordo

Segundo integrantes do governo, a decisão de Lula de não viajar ao Paraguai não representa recuo nem desconforto em relação ao conteúdo do acordo. O presidente defende o tratado como estratégico para o Brasil e para o Mercosul, especialmente pela ampliação do acesso a mercados europeus e pela consolidação de regras comerciais entre os dois blocos.

Nesse contexto, a assinatura formal por parte do Brasil será feita pelo chanceler Mauro Vieira, que representará o país na cerimônia oficial em Assunção, ao lado de autoridades dos demais países do Mercosul e da União Europeia. O governo avalia que a representação ministerial é suficiente para formalizar o compromisso assumido nas negociações diplomáticas já concluídas.

Cerimônia reúne países do Mercosul e líderes europeus

O evento no Paraguai marca a formalização política do acordo entre os blocos, após o entendimento técnico ser fechado no fim de 2025. Estão confirmadas as presenças do presidente paraguaio, Santiago Peña, anfitrião da cerimônia, e do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. A participação do presidente argentino, Javier Milei, é aguardada até a véspera do evento.


Presidente Lula encontra presidenta da comissão europeia, Ursula Vender Leyen (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Pela União Europeia, representantes das principais instituições do bloco acompanham o ato, que simboliza a conclusão de um dos acordos comerciais mais longos da história recente. O tratado envolve os 27 países da UE e os membros do Mercosul, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo em termos de população e volume econômico.

Próximos passos e necessidade de ratificação

Apesar da assinatura nesta sábado (17), o acordo não entra em vigor de forma imediata. O texto precisa passar por processos de ratificação nos parlamentos nacionais dos países envolvidos, especialmente na União Europeia, onde há debates sobre impactos ambientais, regras sanitárias e concorrência agrícola.

Para o governo brasileiro, a assinatura representa um passo político decisivo, mas o foco agora se volta à tramitação interna e à implementação gradual das regras previstas no tratado. A ausência de Lula na cerimônia não altera o conteúdo nem o andamento do acordo, mas evidencia o cuidado diplomático adotado pelo Planalto em um tema sensível e de longo alcance econômico.

Trump mira economia da Groenlândia com novas tarifas

Nesta sexta-feira (16), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar repercussão internacional ao falar sobre a possibilidade de impor tarifas comerciais a países que não concordarem com interesses ligados à Groenlândia. A declaração reacendeu debates sobre economia, política externa e segurança nacional, além de provocar reações em governos e mercados internacionais.

A Groenlândia é considerada uma região estratégica por sua localização e por recursos naturais que despertam interesse global. Ligada politicamente à Dinamarca, a ilha ocupa posição relevante no cenário geopolítico atual. Ao relacionar tarifas comerciais à região, Trump trouxe novamente o tema para o centro das discussões, ampliando a atenção sobre o papel dos Estados Unidos no Ártico.

Trump defende tarifas ligadas à segurança nacional

Durante uma declaração recente, o presidente Donald Trump afirmou que pode utilizar tarifas como forma de pressão contra países que não apoiem a posição dos Estados Unidos em relação à Groenlândia. Segundo ele, a medida estaria diretamente ligada à segurança do país. “Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional”, afirmou.

A fala reforça uma postura já conhecida do atual presidente, que faz uso frequente do discurso econômico como instrumento político e estratégico. Para Trump, medidas desse tipo servem tanto para proteger interesses internos quanto para fortalecer a posição dos Estados Unidos em negociações internacionais.

A Groenlândia é vista como estratégica por sua proximidade com rotas importantes e por seu papel no monitoramento da região do Ártico. Além disso, o território abriga interesses militares e econômicos que ganham ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e do aumento da competição entre grandes potências.

A declaração gerou atenção entre países europeus, especialmente por envolver um território ligado à Dinamarca. O uso de tarifas como ferramenta de pressão levanta preocupações sobre possíveis impactos nas relações diplomáticas e no comércio internacional. Governos acompanham o tema com cautela, avaliando como esse posicionamento pode influenciar acordos e parcerias futuras.



Representantes da Dinamarca e Groenlândia em discurso (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1globo)


Especialistas em economia apontam que tarifas costumam ter efeitos diretos no preço de produtos e no fluxo de exportações e importações. Quando um país anuncia esse tipo de medida, o mercado reage rapidamente, ajustando expectativas e estratégias. Por isso, falas do presidente sobre o tema costumam ter grande repercussão.

Mesmo sem uma decisão oficial anunciada, a declaração de Trump já foi suficiente para reacender debates sobre o papel dos Estados Unidos no cenário global. A relação entre comércio e segurança nacional aparece mais uma vez como um ponto central do discurso presidencial.

Governo dos EUA tenta reduzir tensão internacional

Após a repercussão das declarações de Trump, o governo dos Estados Unidos se manifestou por meio de sua porta-voz, Karoline Leavitt. Ela afirmou que fatores externos não interferem nas decisões estratégicas do país em relação à Groenlândia. “Não acho que tropas europeias influenciem o processo de decisão do presidente, nem o objetivo de adquirir a Groenlândia”, declarou.

A fala busca afastar a ideia de que pressões internacionais ou movimentos militares europeus tenham impacto direto nas decisões do governo norte-americano. Segundo a porta-voz, as avaliações sobre a região seguem critérios internos, baseados em interesses estratégicos e análises próprias.

A posição oficial tenta conter tensões diplomáticas e sinalizar estabilidade na política externa dos Estados Unidos. Ainda assim, o tema segue sendo acompanhado de perto por líderes internacionais, já que envolve questões sensíveis como soberania, segurança e comércio.

A Dinamarca, responsável pelas relações exteriores da Groenlândia, já afirmou em outras ocasiões que o território não está à venda e que decisões sobre seu futuro devem respeitar a autonomia local. A população da ilha também tem papel central nesse debate, o que torna o assunto ainda mais complexo.

O interesse internacional pela Groenlândia aumentou nos últimos anos, impulsionado por mudanças no clima, novas rotas marítimas e disputa por recursos naturais. Nesse contexto, declarações do presidente dos Estados Unidos ganham peso e influenciam a dinâmica global.

O episódio mostra como economia e política externa estão cada vez mais conectadas. Uma fala sobre tarifas pode ultrapassar o campo econômico e alcançar questões de segurança e diplomacia. Por isso, declarações de Trump continuam sendo analisadas com atenção por governos, especialistas e investidores.

Enquanto não há definição sobre possíveis medidas concretas, o debate segue aberto. A Groenlândia permanece no centro das discussões estratégicas, refletindo um cenário internacional marcado por disputas, interesses econômicos e preocupação com segurança.

Baixo volume no Cantareira reacende alerta hídrico em São Paulo

O Sistema Cantareira, responsável por parte significativa do abastecimento da capital paulista e da Região Metropolitana de São Paulo, voltou ao centro das atenções após registrar um dos menores volumes dos últimos anos. Dados analisados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que a combinação entre chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas em 2025 reduziu de forma expressiva a capacidade de recuperação dos reservatórios.

Segundo o levantamento, o total de chuvas acumuladas na bacia do Cantareira ficou abaixo de 900 milímetros ao longo do ano passado, índice inferior ao observado durante a crise hídrica de 2014 e 2015. Com isso, o volume útil do sistema chegou a patamares próximos de 20%, acendendo um alerta para os impactos no abastecimento ao longo de 2026, mesmo em cenários considerados climáticos favoráveis.

Cenários projetados indicam recuperação limitada

Simulações realizadas pelo Cemaden consideraram diferentes cenários de precipitação para 2026, incluindo volumes dentro da média histórica e reduções de até 50%. Em todos eles, o sistema apresentou dificuldade para retomar níveis considerados seguros. Mesmo com chuvas regulares, a recuperação seria lenta e insuficiente para afastar o risco de restrições no fornecimento de água.

O Sistema Cantareira é formado por sete reservatórios interligados e abastece cerca de 8 milhões de pessoas. Quando o volume total fica abaixo de 30%, entram em vigor regras operacionais mais restritivas. Atualmente, a vazão de retirada de água foi reduzida, o que representa centenas de milhões de litros a menos disponíveis diariamente para o abastecimento da população.

Impactos operacionais e reflexos no consumo

A redução na vazão afeta diretamente a pressão na rede de distribuição, principalmente em áreas mais altas e regiões periféricas da capital e de municípios vizinhos. Técnicos alertam que, caso o nível dos reservatórios continue em queda ou não se recupere de forma consistente, falhas pontuais no abastecimento tendem a se tornar mais frequentes ao longo do próximo ano.

 


Seca no reservatório cantareira provoca crise Hídrica em São Paulo (Vídeo: reprodução/Instagram/@sbtnews)


O cenário também amplia a possibilidade de adoção de medidas adicionais, como reforço em campanhas de uso consciente da água, ajustes operacionais e, em último caso, restrições mais severas. Embora não haja anúncio oficial de racionamento, especialistas destacam que o sistema opera em uma faixa de segurança cada vez mais estreita, isso faz com que algumas áreas acabem ficando desabastecidas, principalmente as mais altas e periféricas da cidade.

Seca prolongada e desafios estruturais

De acordo com pesquisadores, a situação atual é resultado de um período prolongado de chuvas abaixo da média desde 2024, aliado a fenômenos climáticos que dificultaram a formação de sistemas de chuva persistentes sobre o Sudeste. O padrão reforça a tendência de eventos extremos mais frequentes, com secas mais longas e intensas.


Infográfico compara nível da represa cantareira ao longo dos anos (Foto: reprodução/Instagram/@folhadespaulo)


Além dos fatores climáticos, o alerta reacende o debate sobre a necessidade de investimentos estruturais, redução de perdas na rede e diversificação das fontes de abastecimento. Para especialistas, o quadro observado no Cantareira indica que a segurança hídrica da maior metrópole do país segue vulnerável e exige planejamento contínuo diante de um cenário climático cada vez mais imprevisível.

RedeTV! anuncia a saída de Luciana Gimenez

A RedeTV! e a apresentadora Luciana Gimenez informam, em comum acordo, o encerramento do contrato que mantinham há 25 anos.
Ao longo de mais de duas décadas, Luciana construiu uma trajetória marcante na emissora, tornando-se um dos rostos mais emblemáticos da televisão brasileira. Sua dedicação, profissionalismo e talento foram fundamentais para o sucesso do “SuperPop” e para a consolidação de uma relação de confiança e respeito mútuo com o público e com a RedeTV!.
A emissora agradece profundamente a contribuição de Luciana Gimenez ao longo desses 25 anos, reconhecendo sua importância na história da RedeTV! e desejando pleno êxito em seus novos projetos e desafios profissionais.

Lula busca protagonismo com cúpula europeia antes de acordo Mercosul-UE

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, optou por não comparecer à assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, marcada para sábado (17), em Assunção. Em vez disso, Lula receberá líderes europeus no Rio de Janeiro, na véspera do evento oficial.

A princípio, na sexta-feira o presidente encontrará Ursula von der Leyen e António Costa para uma reunião política estratégica. O encontro ocorre antes da assinatura formal e busca reafirmar o protagonismo brasileiro no processo.

Estratégia diplomática busca protagonismo brasileiro

Segundo interlocutores do Planalto, o presidente Lula pretende garantir uma “foto da vitória” com os principais líderes da União Europeia (UE). Assim, o governo brasileiro tenta consolidar a imagem do país como fiador político do acordo. Além disso, a agenda no Rio busca evitar a divisão de holofotes com o presidente argentino Javier Milei. Sobretudo, a relação entre os dois líderes permanece protocolar e distante desde o início do mandato argentino.


Geraldo Alckmin aposta em acordo Mercosul-UE (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


O encontro ocorrerá no Palácio do Itamaraty, com previsão de declaração conjunta à imprensa. Nesse sentido, a diplomacia brasileira avalia que esse gesto terá mais peso simbólico que a cerimônia paraguaia. Apesar disso, Ursula von der Leyen e António Costa participarão também do evento em Assunção. Ainda assim, o Planalto considera a reunião com Lula mais relevante politicamente.

Ausência em Assunção e críticas nos bastidores

Enquanto líderes da Argentina, Uruguai e Paraguai confirmaram presença no evento na capital paraguaia, o Brasil enviará apenas Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil. Portanto, o chanceler representará o país na cerimônia oficial de assinatura.

Internamente, o governo minimiza a ausência presidencial e critica a condução paraguaia do evento. Autoridades afirmam que o Paraguai tentou elevar o encontro ao nível presidencial de última hora. Já segundo o Itamaraty, a assinatura sempre foi tratada como atribuição dos chanceleres. Assim, a presença de chefes de Estado não seria necessária, segundo essa avaliação.

Costura com a Itália foi decisiva

Nos bastidores europeus, a viabilização do acordo passou por negociação direta entre Lula e Giorgia Meloni. A primeira-ministra italiana pediu um adiamento diante da pressão de agricultores locais. 

Nesse ínterim, em conversa no fim de 2025, Meloni relatou dificuldades políticas internas e solicitou paciência ao Brasil. Logo, o adiamento permitiu que Itália, Alemanha e Espanha se alinhassem em favor do texto. Com isso, a França ficou isolada como principal foco de resistência ao acordo. Consequentemente, o movimento destravou a aprovação interna na União Europeia.

Resistências, aprovação e próximos passos

Inicialmente, o acordo Mercosul-UE seria assinado em dezembro passado, durante a presidência brasileira do Mercosul. No entanto, a aprovação europeia só ocorreu neste mês. Apesar do avanço, agricultores europeus seguem contrários ao tratado, sobretudo na França. Desse modo, eles temem aumento da concorrência com produtos agrícolas do Mercosul.


Agricultores seguem contra acordo Mercosul-UE (Foto: reprodução/ERIC LALMAND/AFP/Getty Images Embed)


Recentemente, Emmanuel Macron afirmou que a França votará contra o acordo. Mesmo assim, a União Europeia confirmou a aprovação do texto, segundo anúncio feito por Chipre. Atualmente, o país do Oriente Médio ocupa a presidência rotativa do bloco europeu.

Com a aprovação, cresce a expectativa pela assinatura oficial no dia 17 de janeiro. Depois disso, o acordo seguirá para análise do Parlamento Europeu. Além disso, alguns trechos podem exigir aprovação dos parlamentos nacionais europeus. No Mercosul, cada país também precisará ratificar o texto em seus Congressos.

Banco Central do Brasil decreta liquidação da Reag no caso Master

Nesta quinta-feira (15), o Banco Central do Brasil (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Reag. A corretora e distribuidora foi citada pela primeira vez na Operação Carbono Oculto, que ligou a instituição ao caso Master.

Com o novo nome de CBSF — nova denominação da Reag —, a empresa passará por um processo de liquidação extrajudicial. Trata-se de um procedimento legal pelo qual o BC encerra as atividades da instituição forçadamente, sem necessidade de recorrer à Justiça, quando são identificados graves problemas de solvência, irregularidades ou riscos ao sistema financeiro.

A medida permite que o Banco Central assuma o controle da empresa e organize a quitação de débitos e ativos, evitando que a situação cause prejuízos ainda maiores a investidores e credores.

O Banco Central afirmou que a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN). O BC interveio porque notou que era a melhor medida possível, após ficar evidente a necessidade para garantir a continuidade das investigações, o controle do mercado e a mitigação de prejuízos.  

Banco Central, CBSF DTVM/Reag e Banco Master 

A decisão do Banco Central de interromper as operações da corretora Reag foi motivada pela identificação de irregularidades graves. Entre os motivos para a decretação da liquidação, o BC apontou que, em um dos fundos administrados pela empresa, foram identificadas operações consideradas atípicas e sem fundamentação econômica, conduzidas pelo Banco Master entre 2023 e 2024, em violação às normas legais e estatutárias.

A corretora Reag, por meio de alguns fundos, realizava transações em alta velocidade que faziam circular valores provenientes de empréstimos do Banco Master a empresas de fachada. Os recursos acabavam retornando ao próprio banco, porém sobrevalorizados, por meio de aplicações em CDBs do Master, conforme apontado em peças enviadas ao Ministério Público Federal. Trata-se de um possível esquema de fraude e maquiagem contábil, com potencial de inflar artificialmente os valores de mercado.


Post do Banco Central sobre liquidação do Reag/CBSF (Foto: reprodução/X/@BancoCentralBR)


De acordo com o último balanço patrimonial da CBSF (antiga Reag), o patrimônio líquido da companhia somava R$ 45,2 milhões em 30 de setembro de 2025. No mesmo período, o balanço apontou prejuízo e um problema de liquidez de R$ 431,5 milhões no trimestre encerrado em setembro.

Com isso, a decretação da liquidação extrajudicial da Reag — hoje chamada de CBSF — pelo Banco Central suspende o funcionamento da empresa e os resgates de recursos dos fundos por ela administrados, até que uma nova administradora seja definida pelos cotistas desses fundos.

Com a interrupção das atividades, o liquidante nomeado pelo Banco Central passa a analisar os ativos classificados como APS (Ativos Problemáticos de Supervisão), uma classificação técnica do BC para ativos suspensos. Dessa forma, o Banco Central terá acesso a toda a documentação dos fundos, que também poderá ser compartilhada com outros órgãos de investigação, como o Ministério Público Federal.

Mudanças da Reag/CBSF

 Após ser alvo das investigações das operações Carbono Oculto e Compliance Zero, a Reag passou por uma série de mudanças. A empresa alterou sua denominação social para CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.; anteriormente, chamava-se Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O controlador João Carlos Mansur deixou a companhia. Mansur já havia sido alvo da Operação Quasar, que apura o uso de fundos de investimento para ocultar e blindar patrimônio, além de lavagem de dinheiro por meio de operações irregulares na cadeia de combustíveis. As investigações apontam ainda ligações com esquemas de lavagem de dinheiro do crime organizado, como o PCC, que se utilizava de fintechs e de dezenas de fundos de investimento.


Post da Reag sobre mandados de busca e apreensão em suas respectivas sedes no âmbito da Operação Carbono Oculto (Foto: reprodução/Instagram/@reaginvestimentos)


Como parte do processo de reestruturação promovido pela Reag, a empresa vendeu a gestora Empírica Holding para a SRM Asset, holding da Smart Hub. Portanto, a Reag vendeu a empresa Empírico para a SRM Asset e a Smart Hub é dona da SRM Asset. 

Além disso, uma parcela significativa da carteira do grupo — que já operava sob a denominação CBSF — teve seu controle transferido. Em uma transação iniciada em setembro do ano passado e concluída em 5 de janeiro deste ano, a B100, holding da Planner Corretora, adquiriu da Reag quase todas as operações da CBSF. No entanto, ficaram de fora do negócio as atividades da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central.

Resumo caso Master 

Para concluir, o caso Master: o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro de 2025, encerrando suas atividades devido a uma crise de liquidez e sinais de irregularidades financeiras.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude bilionária, incluindo a emissão de títulos de crédito falsos, manipulação contábil e venda de carteiras de crédito fictícias. O controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso preventivamente e, posteriormente, foi liberado com tornozeleira eletrônica, permanecendo sob investigação.

Mais de 1,6 milhão de clientes foram afetados, com dezenas de bilhões de reais em depósitos e títulos — muitos dos quais serão cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso pode ser a maior fraude bancária da história do Brasil.

 

Louvre vai cobrar cerca de R$ 200 de turistas não europeus

O Museu do Louvre, em Paris, anunciou que, a partir da última quarta-feira (14), visitantes de países fora da União Europeia passaram a pagar uma taxa 45% mais alta para acessar o espaço, medida adotada para reforçar o financiamento da instituição diante do aumento dos custos de manutenção e preservação do acervo.

A tarifa diferenciada passa a ser aplicada apenas a turistas estrangeiros não residentes na União Europeia, enquanto visitantes do bloco mantêm o mesmo valor. Com a mudança, pessoas de fora da UE, além de Islândia, Liechtenstein e Noruega, passam a pagar 32 euros, cerca de R$ 200, quantia aproximadamente R$ 63 superior à cobrada de cidadãos europeus.

Reajuste de tarifas se estende a outros pontos turísticos

O reajuste nos valores de entrada não se restringiu ao Museu do Louvre e também atingiu outros pontos turísticos de Paris. A Sainte-Chapelle e a Conciergerie passaram a cobrar ingressos mais caros, acompanhando a política de atualização de tarifas adotada por instituições culturais da capital francesa.

Segundo a administração dos espaços, o aumento busca cobrir custos operacionais, manutenção dos edifícios históricos e preservação do patrimônio. A medida ocorre em meio ao crescimento do fluxo de visitantes e à necessidade de investimentos contínuos para garantir a conservação das estruturas e a qualidade da experiência oferecida ao público.


Reajuste no ingresso do Louvre passa a valer para turistas não europeus (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil )


 Aumento de visitantes no Museu do Louvre

O aumento no valor do ingresso indica a pressão gerada pelo intenso fluxo de visitantes no museu mais visitado do mundo. Com milhões de pessoas circulando pelo espaço todos os anos, a instituição enfrenta desafios constantes para administrar filas, reforçar a segurança do público e preservar obras históricas que exigem controle rigoroso de conservação. Segundo o Ministério da Cultura da França, o reajuste também tem como objetivo ampliar as medidas de segurança no local.

Além de fortalecer a arrecadação, a mudança sinaliza uma tentativa de equilibrar a demanda e aprimorar a experiência dos visitantes. A medida pode contribuir para a redução da superlotação em períodos de alta temporada e viabilizar novos investimentos em infraestrutura, tecnologia e na gestão do fluxo de pessoas.

Mesmo com as justificativas oficiais, a decisão continua sendo alvo de críticas, apontada como ofensiva sob perspectivas sociais e humanas, além de intensificar protestos e greves de funcionários que reivindicam melhores condições de trabalho.

Moraes determina transferência de Bolsonaro à Papudinha

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro para a Papudinha, no Distrito Federal. Até então, Bolsonaro permanecia custodiado na Superintendência da Polícia Federal (PF), também em Brasília.

Ainda segundo a decisão, o ex-presidente ocupará uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar. Sobretudo, o espaço integra o Complexo Penitenciário da Papuda e segue padrões já adotados para outras autoridades presas.

Decisão prevê assistência médica e deslocamentos emergenciais

Além da transferência, Moraes determinou assistência médica integral, com atendimento 24 horas por profissionais previamente cadastrados pela defesa. Assim, os médicos particulares poderão atuar sem necessidade de comunicação prévia ao STF. Já em situações de urgência, Bolsonaro poderá ser levado imediatamente a hospitais da rede indicada pelos médicos. Nesse caso, entretanto, o STF deverá ser comunicado em até 24 horas após o deslocamento.

O ministro também autorizou sessões regulares de fisioterapia, contudo, os horários deverão seguir recomendação médica, com cadastro prévio do profissional responsável. Além disso, Bolsonaro receberá alimentação especial diariamente. A defesa deverá indicar formalmente quem ficará encarregado pela entrega das refeições.

Visitas, estrutura e restrições impostas

A decisão do ministro também autoriza visitas semanais da esposa e dos filhos do ex-presidente. Da mesma forma, Moraes liberou assistência religiosa com o bispo Rodovalho e o pastor Thiago Manzoni. Ainda mais, Bolsonaro também poderá realizar leituras durante o período de custódia. Todavia, o ministro negou o pedido de acesso a uma smart TV.


Michelle em visita ao esposo em dezembro de 2025 (Foto: reprodução/Ton Molina/AFP/Getty Images Embed)


Sendo assim, no espaço destinado ao ex-presidente, serão instaladas grades de proteção e barras de apoio na cama. Além disso, Moraes autorizou aparelhos de fisioterapia, como esteira e bicicleta ergométrica. Paralelamente, Bolsonaro deverá ser avaliado por uma junta médica oficial da Polícia Federal. Nesse sentido, a equipe analisará seu quadro clínico e emitirá laudo técnico ao STF.

O que é a Papudinha e como funciona a unidade

Conhecida como Papudinha, a unidade integra o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal e abriga policiais e autoridades presas, com condições distintas das celas comuns. Desse modo, a unidade possui capacidade para até 60 detentos e conta com oito celas no formato de alojamentos coletivos. Assim, cada espaço inclui banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. 

Segundo a Polícia Militar, todas as instalações passaram por reforma em 2020. Os presos podem receber itens de higiene, roupas e enxoval definidos pela administração. Além disso, a unidade permite acesso a televisores e ventilação mecânica, conforme regras internas.

Ainda mais, a Papudinha também possui consultório médico e área destinada a atividades físicas. O Núcleo de Custódia da Polícia Militar abriga militares ativos, presos aguardando condenação e civis com direito à sala de Estado-Maior. A Vara de Execuções Penais fiscaliza o funcionamento do local.


Cela de Jair Messias Bolsonaro na Papudinha (Vídeo: reprodução/YouTube/@Record News)


Contexto político amplia repercussão da decisão

Paralelamente, a Polícia Federal determinou o retorno de Eduardo Bolsonaro ao cargo de escrivão. Logo, ele deverá reassumir funções administrativas após o encerramento do mandato parlamentar. Segundo a PF, a medida segue normas aplicáveis a servidores concursados afastados para cargos eletivos. Sendo assim, com o fim do mandato o retorno ao cargo de origem torna-se obrigatório.

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o PL da Dosimetria. O projeto previa redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro. Lula afirmou que crimes contra a democracia exigem punição rigorosa. Assim, o veto reforçou a linha dura do governo em relação aos ataques aos Três Poderes.

Tensões entre Estados Unidos e Irã podem indicar possível ataque

Na última terça-feira (13), Donald Trump declarou, em tom de ameaça, que poderia adotar “medidas muito duras” contra o Irã, caso o regime do aiatolá Ali Khamenei começasse a executar os manifestantes iranianos. 

Isso porque, em dezembro do último ano, por insatisfação com a situação econômica do país, ondas de protestos populares se intensificaram em território iraniano, principalmente na capital Teerã.  Nesse sentido, retaliações do regime contra a população local impulsionaram o presidente americano a fazer declarações que aumentaram o clima de tensão entre os dois países.

Sinais de tensão

Após organizações dos direitos humanos oficializarem que mais de 500 manifestantes iranianos foram mortos nos protestos contra a ditadura do aiatolá Ali Khamenei, Donald Trump fez uma série de declarações apoiando a população local que luta contra o regime. 


Tensões entre Irã e EUA aumentam em meio a protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


No último sábado (10), Trump afirmou que o Irã está “buscando liberdade” e, além disso, enfatizou que os Estados Unidos poderiam colaborar com os manifestantes. Nesse sentido, conforme os veículos de imprensa americanos, há uma chance considerável das tropas estadunidenses serem convocadas para interferir nos protestos.

Além disso, na última terça-feira (13), a Casa Branca emitiu um comunicado solicitando que todos os americanos deixassem o território iraniano urgentemente. França, Polônia e Canadá também emitiram alerta similares aos seus respectivos cidadãos. Já o Reino Unido, fechou temporariamente a embaixada britânica em Teerã, capital iraniana. 

Na última quarta-feira (14), segundo o site FlightRadar24, uma aeronave da Marinha dos EUA apareceu sobrevoando uma área próxima à costa do Irã. Diante disso, o país chegou a fechar o espaço aéreo por quase 5 horas para voos internacionais, com exceção dos voos com destino à capital do país. 

Nesse sentido, os últimos acontecimentos revelam um clima de tensão para possíveis ataques contra o território iraniano. No entanto, segundo a agência de notícias Reuters, o Irã mantém conversas com países vizinhos para que os mesmos tentem impedir um possível ataque estadunidense. 

Conforme o jornal americano The Wall Street Journal, noticiou países rivais do regime do aiatolá Ali Khamenei no Oriente Médio pressionam os EUA para evitar possíveis ataques sob território iraniano, uma vez que poderiam afetar o preço do petróleo e aumentar a instabilidade da região. 

O regime

A República Islâmica do Irã vive sob uma ditadura teocrática, ou seja, a legislação do país segue dogmas religiosos. Como chefe no cargo desde 1989, Ali Khamenei é o líder supremo que administra o território, conhecido como aiatolá. 

Khamenei foi eleito presidente do país em 1981, com 95% dos votos. No entanto, apenas em 1989, com a morte do aiatolá Khomeini, Ali Khamenei ocupou a posição de líder religioso e político do Irã. 

Nesse sentido, o descontentamento da população iraniana com o regime cresceu devido à crise econômica que assola o país, com os altos preços dos produtos básicos e a desvalorização da moeda local, o rial. 

Diante dos protestos crescentes, a administração Khamenei adotou uma política de forte repressão contra os opositores que lutam contra o regime, desde o início das manifestações, somam mais de 500 mortes. Além disso, a rede de internet chegou a ser cortada por mais de 72 horas em todo o território iraniano.