Alexandre de Moraes converte prisão preventiva de Márcio Poncio em domiciliar

Pastor Márcio Poncio foi alvo de operação contra lavagem de dinheiro e prisão domiciliar concedida por Moraes exige outras medidas cautelares

12 jul, 2026
Pastor Márcio Poncio │ Reprodução/X/@republiqueBRA
Pastor Márcio Poncio │ Reprodução/X/@republiqueBRA

Neste sábado (11), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), converteu a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em domiciliar. Moraes também determinou o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. À primeira vista, a decisão considera o estado de saúde do investigado e a gravidez de alto risco de sua esposa. No entanto, Poncio continuará submetido a restrições durante o andamento das investigações.

Saúde motivou mudança na prisão

Márcio Poncio é pastor e empresário brasileiro, pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio. O pastor foi preso pela Polícia Federal (PF) em 02 de julho deste ano, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne. A ação também cumpriu mandados contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já detidos.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de integrar um esquema envolvendo pagamentos do jogo do bicho e da chamada “Máfia do Cigarro”. Os recursos, conforme a apuração, beneficiariam agentes públicos no Rio de Janeiro. Ao justificar a mudança para prisão domiciliar, Moraes destacou o quadro clínico de Poncio. O pastor sofre de retocolite ulcerativa grave e necessita de tratamento médico contínuo.

Além disso, o ministro ressaltou que o investigado passou por cirurgia para retirada do intestino grosso e do reto. Dessa forma, considerou adequada a substituição da prisão preventiva. Durante a operação, agentes localizaram Poncio em um flat na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele é pastor da Igreja da Nuvem, empresário e pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio.

Restrições permanecem em vigor

Apesar da mudança no regime, Moraes estabeleceu diversas medidas cautelares, assim, o pastor deverá usar tornozeleira eletrônica e permanecer em prisão domiciliar. Além disso, ele não poderá manter contato com outros investigados por qualquer meio e também ficará proibido de utilizar redes sociais durante o cumprimento da medida.


Conta oficial de Poncio no Instagram foi desativada após prisão (Foto: reprodução/Instagram/@casosbrasil)


A decisão ainda determina a suspensão de eventuais documentos de porte de arma de fogo. Da mesma forma, Poncio deverá entregar todos os passaportes às autoridades competentes. De acordo com a Polícia Federal, o pastor é investigado por suposta ligação com a Máfia do Cigarro. Já Adilsinho é apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho fluminense.

Operação apura lavagem de dinheiro

A Polícia Federal informou que esta fase da Operação Unha e Carne aprofunda investigações sobre lavagem de dinheiro. Os investigadores também apuram possíveis vínculos da organização com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo estaduais.


Márcio Poncio fala sobre trajetória e sobre fábrica de cigarros (Vídeo: reprodução/Instagram/@jornalrenascer)


A operação deriva da Operação Fumus, realizada em 2021, que investigava o monopólio do comércio ilegal de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, agentes encontraram planilhas contendo supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e registros financeiros ligados à lavagem de capitais. Segundo a TV Globo, ao menos 20 políticos são investigados por supostos repasses mensais atribuídos a Adilsinho. O contraventor acabou preso apenas em fevereiro deste ano, após monitoramento realizado com drones em Cabo Frio.

Em abril, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter recebido relatos de um diretor da Polícia Federal sobre supostos pagamentos a deputados da Assembleia Legislativa do Rio. Após a prisão do pai, a deputada estadual Sarah Poncio divulgou nota pública. Ela classificou o episódio como um dos momentos mais difíceis de sua vida e declarou confiar na inocência de Márcio Poncio diante das acusações.

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