TJSP nega habeas corpus e mantém prisão de Deolane Bezerra
Influenciadora e advogada teve pedido rejeitado pela Justiça de SP; investigação aponta 35 empresas fantasmas e suposta lavagem de dinheiro do PCC
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra sofreu uma nova derrota judicial nesta quinta-feira (25). O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou um pedido de habeas corpus que visava a revogação de sua prisão. Presa preventivamente desde maio por risco de fuga, Deolane segue detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
Diante da nova negativa do TJSP, a equipe jurídica da influenciadora informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Paralelamente, corre um pedido de transferência para uma sala de Estado-Maior, sob a alegação de violação de prerrogativas profissionais da ré.
O centro das investigações: bilhetes e empresas de fachada
O caso que levou à prisão da influenciadora teve origem em 2019, após agentes penitenciários interceptarem bilhetes manuscritos com ordens internas da facção PCC (Primeiro Comando da Capital) na Penitenciária II de Presidente Venceslau. A partir desse material, foi possível mapear uma estrutura financeira complexa que utilizava empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos.
Segundo as autoridades, o esquema envolvia uma transportadora de cargas que realizava depósitos fracionados para contas de terceiros com o intuito de “dissimular” a origem do dinheiro. Investigadores apontam que Deolane teria aberto 35 empresas fantasmas em um único endereço para auxiliar nesse processo de lavagem.
Recentemente, no dia 18 de junho, Deolane Bezerra Santos e Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), líder do PCC, passaram a responder como réus na Justiça de São Paulo. O processo, movido pelo MPSP, investiga a participação de ambos nos esquemas de lavagem de capitais e atuação na organização criminosa.
Conexões com a cúpula do crime
A acusação sustenta que o principal elo entre a influenciadora e Marcola, líder máximo do PCC, seria Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do criminoso que reside na Espanha.
Além disso, comprovantes de depósitos diretos para as contas de Deolane foram encontrados em um celular apreendido com gestores da transportadora investigada. A polícia argumenta que tais repasses ocorriam em momentos de “fechamento de contas” da organização criminosa e não correspondiam a serviços advocatícios legítimos, contrariando a tese da influenciadora, que alega inocência.
Histórico de negativas e suspensão da OAB
Antes da recente decisão, a equipe jurídica de Deolane já havia apresentado outros dois recursos ao Tribunal de Justiça de São Paulo. O primeiro foi rejeitado e o segundo acabou arquivado após o magistrado declarar a incompetência do órgão para avaliar o pedido.
A tentativa de obter prisão domiciliar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em maio, também não prosperou. Na época, o ministro Flávio Dino indeferiu a solicitação por entender que não havia nenhuma ilegalidade flagrante na ordem de prisão preventiva que justificasse uma atuação extraordinária da Corte.
OAB-SP suspende carteira de advogada de Deolane Bezerra.
A suspensão tem duração de 90 dias, impedindo-a de exercer a advocacia enquanto responde a acusações de envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro ligadas ao PCC, podendo ser prorrogada pelo mesmo… pic.twitter.com/QJBoghYEeX
— Central Reality (@centralreality) June 25, 2026
OAB SP suspendeu a advogada Deolane Bezerra (Foto: reprodução/X/@centralreality)
Além do processo criminal, Deolane enfrenta sanções em sua área profissional. A OAB SP suspendeu preventivamente o registro da advogada na última quarta-feira (24), impedindo-a de exercer a profissão com efeito imediato. Pela legislação, a suspensão inicial pode durar até 90 dias, com possibilidade de prorrogação por até 360 dias enquanto corre o julgamento definitivo. O Tribunal de Ética e Disciplina da autarquia apura as infrações sob sigilo, conforme prevê o Estatuto da Advocacia.
