Julgamento no TSE pode definir futuro político de Cláudio Castro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima terça-feira (04), o julgamento de uma ação que pode levar à cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). A decisão foi tomada pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, após a liberação do caso pela relatora do processo, ministra Isabel Gallotti.

Gallotti, que não será mais integrante do tribunal em menos de um mês, tem priorizado o julgamento de ações consideradas relevantes antes do fim de seu mandato. Entre elas, está o processo que apura suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, envolvendo o governador e seu vice, Thiago Pampolha (MDB).

Contexto político e operação no Rio

A definição da data para o julgamento se deu em meio a um momento tenso no estado. Um dia antes, uma megaoperação foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha e teve como resultado mais de 100 mortes, gerando repercussão nacional e críticas sobre a condução das forças de segurança do Rio de Janeiro. O episódio trouxe à tona o debate sobre a política de segurança pública adotada pela gestão de Castro e trouxe ainda mais atenção ao julgamento no TSE.

O caso tem gerado reações em diversos setores políticos. Deputados governistas do estado anunciaram uma visita ao Complexo do Alemão em resposta às críticas à operação, enquanto outras lideranças cobram apuração rigorosa das mortes e maior transparência nas ações do governo.

Acusações e histórico do processo

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), órgão ligado à PGR, defendeu no ano passado a cassação de Castro e Pampolha. De acordo com o órgão, irregularidades foram apuradas em relação ao uso da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para financiar projetos e programas com fins eleitorais.



Julgamento no TSE coloca mandato de Cláudio Castro em risco e pode mudar o rumo da política fluminense (Vídeo: reprodução/YouTube/O POVO)


Em maio deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu contra a cassação da chapa. Apesar disso, o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE, reforçando o pedido de cassação e sustentando que houve abuso de poder. Além do governador e do vice, o pedido atinge também o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), embora, no caso de Pampolha, não tenha sido incluído o pedido de inelegibilidade por falta de provas.

Com o julgamento marcado, o futuro político de Cláudio Castro e de seus aliados volta ao centro das atenções. A decisão do TSE pode redefinir o cenário político fluminense e terá grande impacto sobre a condução do governo do estado nos próximos meses.

Cláudio Castro diz que somente policiais foram vítimas na megaoperação

Nesta quarta-feira, dia 29 de outubro, o governador do estado do Rio de Janeiro Cláudio Castro esteve em uma coletiva de imprensa a respeito da Operação Contenção que aconteceu na terça-feira, dia 28 de outubro. Durante a entrevista coletiva, Cláudio Castro afirmou que os policiais que perderam a vida durante a operação são as únicas vítimas verdadeiras do conflito. A ação das forças de segurança do Rio de Janeiro deixou por volta de 130 vítimas: 128 civis morreram, e quatro pessoas das forças do Rio de Janeiro morreram. A megaoperação foi violenta e afetou a cidade: tiros, ruas interditadas, arrastões, comércios fechados e expediente suspenso foram alguns dos acontecimentos que a cidade passou.

Declaração de Cláudio Castro

Durante a coletiva de imprensa, o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro declarou que “as verdadeiras vítimas da megaoperação foram os policiais”. Além disso, o governador do Rio também falou que se solidarizava com os quatro guerreiros (os quatro policiais que perderam a vida durante a operação), e que as respectivas famílias receberão amparo e apoio do estado. 

Na terça-feira, dia em que a operação aconteceu, Cláudio Castro avaliou a megaoperação como a de mais sucesso na história do estado do Rio de Janeiro. A declaração repercutiu e foi tida como controversa. No momento da afirmação, o número de mortos já era alto: 64 confirmações de pessoas mortas. 60 eram civis, e quatro eram policiais. 

A megaoperação

A Operação Contenção foi realizada na terça-feira, dia 28 de outubro, pela Polícia Civil e pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, em conjunto. A megaoperação aconteceu na Zona Norte do Rio de Janeiro, nos complexos do Alemão e da Penha. A operação mobilizou 2.500 agentes.


 

Operação Contenção é a operação policial mais letal do Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Instagram/@uolnoticias)

O objetivo da Operação Contenção era cumprir 100 mandados de prisão. Os mandados eram relacionados a integrantes do CV – o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Brasil. A Operação Contenção se tornou a operação policial mais letal do Rio de Janeiro: segundo o primeiro balanço oficial, foram 64 mortes; porém, durante a noite de terça-feira (28/10) para quarta-feira (29/10) os moradores do Complexo da Penha recuperaram mais de 70 corpos.