ONU critica organização da COP-30 e cobra melhorias em carta

A ONU (Organização das nações unidas) divulgou um comunicado oficial após a invasão da área azul da conferência, na segunda-feira (11), criticando a condução da COP-30, realizada em Belém (PA). O episódio expôs falhas na segurança e na infraestrutura e motivou o pedido por melhorias na organização, em meio ao aumento do fluxo de delegações e atividades na programação.

No documento, Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, órgão da ONU responsável pela organização da COP, direciona as críticas diretamente às autoridades brasileiras. A carta foi enviada ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, e ao governador do Pará, Helder Barbalho, reforçando a cobrança por ajustes imediatos diante das falhas identificadas nos últimos dias.

Principais pontos do documento

No comunicado, Simon Stiell reforça a preocupação da ONU com a segurança interna da COP-30 após a invasão da área azul, um espaço restrito a delegações e autoridades. Ao pedir uma resposta imediata das equipes responsáveis, o secretário-executivo da UNFCCC deixa claro que o episódio acendeu um alerta sobre a falta de controle no acesso e a vulnerabilidade da estrutura do evento.

Stiell também solicita que o governo brasileiro implemente, ainda no mesmo dia, ações concretas para restabelecer a ordem e garantir a proteção dos participantes. A cobrança direta ao Brasil evidencia a gravidade da situação e pressiona por ajustes rápidos, especialmente diante do aumento no fluxo de público, reuniões paralelas e negociações que concentram a atenção do encontro climático.


Detalhes da invasão na área azul da COP-30 (Vídeo: Reprodução/YouTube/Band Jornalismo)


O que diz a Casa Civil

Em nota, a Casa Civil afirmou que não participou das decisões tomadas pelas forças de segurança durante os protestos do dia 11 de novembro e ressaltou que a segurança da área azul é de responsabilidade da UNDSS, órgão das Nações Unidas encarregado de definir protocolos de proteção dentro do espaço. O governo também destacou que todas as solicitações feitas pela ONU vêm sendo atendidas desde o início da conferência.

Segundo o comunicado, equipes do Governo Federal, do Governo do Pará e do próprio UNDSS realizaram, no dia 12, uma reavaliação completa do efetivo e dos procedimentos adotados nos perímetros Laranja e Vermelho, que foram ampliados para reforçar o controle de acesso. Entre as medidas implementadas estão o aumento do espaço intermediário entre as zonas azul e verde, a atuação conjunta da Força Nacional e da Polícia Federal e a instalação de gradis, barreiras metálicas e outras estruturas de contenção em áreas consideradas vulneráveis.

Além do reforço na segurança, também foram realizadas melhorias estruturais no local da conferência. Entre as intervenções, estão a ampliação dos sistemas de refrigeração dos pavilhões e ajustes em pontos críticos da infraestrutura, medidas adotadas para garantir condições adequadas de circulação, conforto e operação ao longo dos próximos dias da COP-30.

Líder do PT prevê avanço do projeto antifacções apenas após a COP30

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), avalia que o projeto de lei antifacções, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, logo após a megaoperação no Rio que deixou 121 mortos, só deve avançar na Casa depois da COP30.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas acontece entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), e deve movimentar a agenda política durante todo o mês. “Não vejo clima para votar um projeto desse à distância”, afirmou Lindbergh, indicando que as discussões devem ser retomadas apenas após o evento.

O que diz o projeto

De acordo com o Ministério da Justiça, o projeto visa atualizar a Lei de Organizações Criminosas e criar uma figura da “facção criminosa”. A pena prevista é de 8 a 15 anos de prisão para grupos que controlam territórios ou atividades econômicas com uso de violência ou ameaça. Os homicídios cometidos por ordem dessas facções poderão chegar a 30 anos de cárcere e serão considerados crimes hediondos.



Lula assina Projeto de Lei Antifacção (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Outros fatores que podem acarretar no aumento da pena são os casos com incidências de que uma facção criminosa mantém contato com outras organizações criminosas independentes, transnacionalidade da organização, apropriação territorial e morte ou lesão corporal a agentes de segurança pública.

Divergências e tensões

Governistas acreditam ainda que a COP30 será uma grande oportunidade para Lula discutir o tema com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e avaliar a unificação do projeto antifacções com o PL antiterrorismo, ideia defendida por parte da oposição e do centrão. Em contrapartida, os aliados do presidente Lula se opõem à proposta que equipara facções ao terrorismo, temendo brechas para interferências estrangeiras e criminalização de movimentos de cunho social. 

Para Lindbergh, o texto “antiterrorismo” pode até causar questões diplomáticas entre Lula e Donald Trump, em um momento de tentativa de reaproximação entre os dois líderes. Na Câmara, o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) propôs a junção dos dois projetos, o que deve acirrar ainda mais o debate quando o tema voltar à pauta após a COP30.

Belém recebe Anitta, Chris Martin e Gilberto Gil em evento que celebra início da COP 30

Belém viveu uma noite inesquecível neste sábado (1). Mesmo com chuva, o estádio Mangueirão viveu intensamente o festival Global Citizen, que abriu oficialmente as celebrações e debates simbólicos rumo à COP 30. E, como já era esperado, a música roubou a cena. Chris Martin, líder do Coldplay, encantou o público ao cantar hits, como se estivesse em plena turnê da banda, mas o momento mais comentado veio depois: quando ele voltou ao palco para ser, literalmente, músico de apoio de Seu Jorge. A parceria inesperada empolgou a plateia e rapidamente se tornou um dos pontos altos do evento.

A energia amazônica tomou conta do festival desde os primeiros minutos. Ícone da região, Gaby Amarantos fez um show vibrante, celebrando as raízes paraenses e a força cultural da Amazônia. A cantora também destacou a importância de Belém sediar a COP 30, reforçando o papel do Norte do país nas discussões ambientais globais.


Seu Jorge e Chris Martin (Vídeo: reprodução/X/@forumcoldplay)


Confira detalhes das demais apresentações

O artista Charlie Puth, de 33 anos, fez uma apresentação breve com cerca de três canções, uma delas foi “See you Again”, dele e de Wiz Khalifa. Usando camisa social e gravata, o cantor fez as três músicas ao piano.

Gilberto Gil manteve os shows curtos, apresentando hits como “Palco”, “Tempo Rei” e “Toda Menina Baiana”. O cantor baiano, de 83 anos, realizou apresentação acompanhado por uma banda composta de guitarra, baixo e bateria.

O líder do grupo intitulado Coldplay fez voz e violão, optando por alguns sucessos como “Paradise”, “Viva la vida” e “A sky full of stars” e, para animar de vez o público, leu em português algumas palavras escritas em um papel. “Boa noite, meus amigos, muito bom estar aqui com vocês.”

Show de Anitta

Uma das atrações mais esperadas da noite, a cantora de Honório Gurgel, surgiu no palco com um cenário que lembrava as aparelhagens de som típicas de Belém. Realizou releitura de “Show das Poderosas” e seguiu apresentação com outros sucessos na versão tecnobrega “No chão Novinha”, parceria com Pedro Sampaio, “Joga pra lua” e “Savage funk”, finalizando o Global Citizen com um baile funk.


Anitta em apresentação em Belém (Foto: reprodução/Instagram/@anitta)


O Global Citizen encerrou a noite deixando uma mensagem clara: a música, quando aliada ao ativismo, ganha ainda mais potência. Em Belém, artistas de diferentes países e estilos mostraram que o palco pode e deve ser um espaço para conscientização, mobilização e celebração da diversidade. Assim, o evento não apenas abriu caminhos para a COP 30, mas também reafirmou a cultura como protagonista na luta por um futuro sustentável.

Belém receberá mais de 130 delegações na COP 30, segundo governo do Pará

Na última sexta-feira, dia 12 de setembro, a vice-governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), declarou que a cidade de Belém está apta a receber a COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), e que 135 delegações já confirmaram presença. O evento acontecerá em novembro, no Parque da Cidade. 

A COP 30 em Belém

A COP 30 trouxe polêmicas a respeito da cidade de Belém. A principal foi a respeito dos valores de acomodações, que inflacionaram os preços de forma absurda. Um dos hotéis, que tinha diárias no valor de 70 reais, subiu o valor para mais de 6 mil reais — um aumento de mais de 3.000%. Depois de viralizar na internet, o hotel baixou o preço da diária para cerca de 2 mil reais. 


CNN Brasil fala da COP 30, em Belém (Vídeo: Reprodução/YouTube/@CNN Brasil)

Os valores, tidos como absurdos, fez com que representantes de delegações pedissem que a COP 30 mudasse de cidade-sede, ou desistissem de participar do evento. O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, desistiu de trazer a delegação austríaca para Belém: “Os custos particularmente altos para a participação do Presidente Federal na COP deste ano, além da delegação austríaca de negociadores, não estão dentro da estrutura orçamentária apertada da Chancelaria Presidencial por razões logísticas”.

Depois das polêmicas, órgãos públicos do governo do Pará trabalharam em conjunto ao Procon, para combater práticas abusivas no setor de hospedagem da cidade de Belém. Uma das resoluções foi disponibilizar 2.500 quartos individuais, com tarifas fixas entre 100 e 600 dólares.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas

A COP é um evento organizado pela Organização das Nações Unidas anualmente. Sua finalidade é reunir representantes dos países do mundo com cientistas, pesquisadores e especialistas, para discutir as mudanças climáticas. Além disso, a COP é utilizada para promover o conhecimentos dos impactos do aquecimento global, e para pensar em medidas para enfrentar as mudanças climáticas.

Alok é o novo embaixador da COP 30 

Nesta quinta-feira (25), o DJ goiano Alok foi anunciado como embaixador do evento das Organizações das Nações Unidas (ONU), intitulado COP 30, que trata de mudanças climáticas. 

A festividade ocorrerá em Belém do Pará e a contagem regressiva começará, já que o artista começará sua turnê, que foi anunciada no último domingo (21), na cidade de Belém e terá conexão com o evento que ocorrerá no mesmo local no próximo ano. 

O convite

Alok foi convidado pelo próprio governador do Pará, Helder Barbalho, que ressaltou a importância do evento e dos assuntos que serão tratados, principalmente a Amazônia. O governador fez o seguinte comunicado em vídeo:

Queria te convidar para ser embaixador da COP 30, [para] que a gente possa falar para o mundo aquilo que a Amazônia precisa dizer”.

Helder Barbalho

O político também explica a escolha de Alok como embaixador. No vídeo, Helder Barbalho explica que o DJ é um dos artistas mais respeitados do mundo e é muito engajado em causas ambientais.

Barbalho também fez um pedido especial para o DJ. O governador pediu para que o artista se apresentasse ao lado de artistas locais, dando destaque a cultura local: 

Eu quero que tu toque com a Joelma, o tacacá, “Voando pro Pará”; que você possa chamar o Pinduca, que é o rei do carimbó; a Gaby [Amarantos], que é maravilhosa; tem que incluir a Manu Bahtidão também, que está superestourada; Crocodilo, Rubi, Carabao, um monte de aparelhagem.”

Helder Barbalho


O próximo show de Alok em Belém, que ocorrerá em novembro deste ano, abrirá a temporada de contagem regressiva para a COP 30 e acontecerá no Estádio de futebol de Belém e terá entrada gratuita. A estrutura do show contará com cem toneladas de equipamentos, um palco giratório de 360º, uma altura equivalente a um prédio de dez andares, 400 refletores e 600 metros quadrados em mais de 2.000 painéis de LED.

A COP 30 

O evento, que é organizado pela Organização das Nações Unidas e terá sede em Belém do Pará, tratará de assuntos como as mudanças climáticas do mundo, dando destaque às estratégias para reduzir os efeitos dos gases causados pelas indústrias sob visão do Norte Global. 


Painel de divulgação da COP 30 em Belém (Reprodução/Bruno Cecim/Ag. Pará)

Como o evento ocorrerá em Belém, assuntos como as reduções de emissões na floresta amazônica terão espaço na conferência pela primeira vez, assim como o papel do Sul Global nas discussões climáticas.