Embora esteja internado, Lula não passará presidência para Geraldo Alckmin

Após realização de cirurgia para drenagem de hemorragia cerebral, feita na madrugada desta terça-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu não transferir o exercício da presidência para seu vice, Geraldo Alckmin. A Constituição Federal de 88 não é clara sobre transferência de poder em casos de cirurgias breves.

O documento é claro apenas em situações apenas como viagens ao exterior que durem mais de 15 dias; afastamentos prolongados por motivos de saúde; licença solicitada, que não pode ultrapassar 120 dias; suspensões temporárias, ou processo de impeachment. Como o caso do Lula se trata de uma cirurgia breve e um afastamento curto, não há obrigatoriedade de transmissão formal do cargo.

Apesar de se recuperar bem, Lula ainda não está apto para voltar ao trabalho. É previsto que o presidente seja liberado para retornar a Brasília na próxima semana.

Caso parecido

Lula não foi o único presidente a optar por não transferir o exercício da presidência para seu vice. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o então presidente decidiu não transferir a presidência para seu vice, Hamilton Mourão, mesmo se ausentando em determinados períodos para a realização de cirurgias, como a da retirada da bolsa colostomia, onde ele tirou uma licença de 48 horas.


Lula e Geraldo Alckmin em 2024 (Foto: reprodução/ Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Reunião

Nesta terça-feira (10), Geraldo Alckmin se reuniu com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico. Alckmin, que tinha agenda para realizar em São Paulo, voltou para Brasília para substituir o presidente Lula no compromisso.

O vice agradeceu Robert Fico pelo apoio da Eslováquia nas negociações de acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que foi finalizado semana passada. Fico destacou a importância da aliança e informou que tentará convencer os outros integrantes da União Europeia sobre a relevância da implementação do acordo.

Robert desejou pronta recuperação a Lula, frisando sua importância no cenário internacional. O político também convidou o presidente brasileiro para uma visita à Eslováquia.

Imprensa internacional reage à cirurgia de emergência de Lula

Na manhã desta terça-feira (10), os veículos de comunicação ao redor do mundo noticiaram a cirurgia realizada pelo atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. A intervenção médica foi necessária para drenar uma hemorragia intracraniana, oriunda do acidente doméstico sofrido por Lula, no dia de 19 de outubro.

Grandes veículos da imprensa internacional destacaram o caráter emergencial da cirurgia, além de atualizar sobre sua recuperação. O jornal de Londres, BBC NEWS, utilizou em sua manchete o estado de Lula pós cirurgia. Lula está bem após cirurgia de hemorragia cerebral, escreveu o periódico.

Já o famoso The New York Times, dos Estados Unidos, publicou Lula passa por cirurgia de emergência por sangramento no cérebro”. A matéria sinaliza que os médicos do presidente associaram a hemorragia à queda sofrida pelo presidente em outubro.

O jornal Francês, Le Monde, noticiou que a cirurgia feita por Lula ocorreu sem problemas e que ele se recupera bem. O jornal argentino, La Nacion, também focou no estado de saúde do presidente brasileiro, após a cirurgia, afirmando que o presidente já estava consciente.


Perfil oficial do Jornal The New Times informa sobre cirurgia de Lula (Foto: reprodução/ X/ @nytimes)

Sem sequelas

A equipe médica do presidente Lula realizou uma coletiva de imprensa para atualizar o estado do governante. Segundo o médico, Lula passa bem, alimenta-se normalmente e não sofrerá nenhum tipo de sequela decorrente da intervenção cirúrgica. De acordo com as informações, as funções neurológicas dele foram preservadas.

“O presidente encontra-se, agora, estável, conversando normalmente, se alimentando e deverá ficar em observação nos próximos dias“, informou o médico Roberto Kalil

Retorno

A perspectiva é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deva retornar a Brasília, na próxima semana. Lula não poderá receber visitas no hospital até ficar completamente recuperado. Sua esposa, Janja, acompanhou-o em todo trajeto até São Paulo, e está com ele no quarto.

Lula passou a última segunda-feira (09), sentindo fortes dores de cabeça, quando foi detectada uma hemorragia intracraniana. O presidente, então, foi internado no Hospital Sírio-Libanês, que fica na capital paulista, para a realização da cirurgia de drenagem.

Médicos informam que Lula não terá sequelas após cirurgia

Em entrevista para a imprensa nesta terça-feira (10), a equipe médica, responsável pela operação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que ele está bem, que conversa e se alimenta como de costume, e não haverá sequelas, suas funções neurológicas estão preservadas.

Segundo o médico cardiologista, Roberto Kalil, o estado de Lula evoluiu bem. Ele chegou praticamente acordado da cirurgia, e está estável após ter sido extubado. Lula ficará em observação pelos próximos dois dias na UTI.

Por ordens médicas, o presidente não poderá receber visitas no hospital até estar plenamente recuperado. A previsão é que seu retorno para Brasília ocorra na próxima semana.


Equipe médica fala para a imprensa sobre o estado de saúde do presidente Lula (Foto: Reprodução/Nelson Almeida/AFP via Getty Images/Getty Images embed)


O reconhecimento do sangramento

O presidente do Brasil passou a última segunda-feira (9) com dor de cabeça, e realizou um exame de imagem em Brasília, que mostrou uma nova hemorragia intracraniana, com aproximadamente três centímetros. Sangramento este que, segundo Kalil, era até mais relevante.

Após uma ressonância magnética ter comprovado o sangramento, a equipe médica do Dr Rogério Tuma optou pelo procedimento cirúrgico, e Lula foi internado às pressas, durante a noite de segunda-feira no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O procedimento do presidente

Lula realizou um procedimento cirúrgico emergencial de drenagem de hematoma na cabeça, decorrente de uma queda que sofreu em outubro desse ano, no banheiro de sua casa.

Apesar da região batida na queda tenha sido a da nuca, o hematoma estava na região do lobo frontal e parietal; o que, segundo os médicos, ocorreu pela “sacudida” que houve no cérebro durante a batida.

O lobo frontal é responsável pelos movimentos voluntários do corpo, além da linguagem e do gerenciamento de habilidades cognitivas, enquanto que o lobo parietal integra as informações sensoriais, como toque, temperatura e dor.

O neurocirurgião Marcos Stavale contou que a cirurgia durou cercas de duas horas, e que o sangramento estava entre o cérebro e a membrana que o reveste, sem qualquer dano ao cérebro. Kalil secundou que o sangramento não causou quaisquer mudanças nas ações do presidente, nem antes ou após a cirurgia.

Entenda como funciona a craniotomia, cirurgia de cabeça realizada em Lula

Na última segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por uma cirurgia craniana no Hospital Sírio-Libanês, após sentir fortes dores de cabeça, e precisou ser transferido de Brasília para a unidade de São Paulo. O procedimento chamado “craniotomia” durou cerca de 2 horas e não houve intercorrências. Segundo boletim médico, Lula segue em recuperação monitorada em leito hospitalar na UTI.


Boletim médico de Lula publicado nas redes sociais (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


O que é e como funciona a craniotomia

A cirurgia foi necessária para drenar um hematoma intracraniano, causado pela queda de Lula em outubro deste ano, no Palácio do Planalto. Essa cirurgia é feita para tratar condições neurológicas que exigem acesso direto ao cérebro.

O procedimento, em que parte do crânio é temporariamente removida para tratar problemas neurológicos, como hemorragias, traumatismos ou tumores; inicia-se com a aplicação de anestesia geral para garantir o conforto do paciente.

Em seguida, o cirurgião faz uma incisão no couro cabeludo e remove uma seção do osso craniano, chamada “retalho ósseo”. Após chegar ao cérebro e tratar o problema, o osso removido é reposicionado e fixado com placas ou parafusos.

Nos casos em que a cirurgia envolve áreas sensíveis do cérebro, como as responsáveis pela fala ou pelo movimento, é possível que o procedimento seja realizado com o paciente acordado, para monitorar funções importantes durante a operação.


Cardiologista responsável pela equipe médica que operou Lula, Roberto Kalil Filho, na coletiva de imprensa divulgada nas redes sociais (Vídeo: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Recuperação e cuidados pós-operatórios

Após a cirurgia, a recuperação exige atenção médica rigorosa. O paciente precisa permanecer internado para monitoramento dos sinais vitais e avaliação neurológica. A mobilização precoce é incentivada para evitar complicações; e cuidados com a cicatrização da incisão são fundamentais para prevenir infecções.

No caso de Lula, “está estável, consciente e não tem sequela” afirma o responsável pela equipe médica, o cardiologista Roberto Kalil Filho, através de boletim médico; e afirma que ele está respondendo bem à cirurgia e segue sendo acompanhado de perto pela equipe médica.

Lula foi submetido a exames após o dono da Amil, o empresário José Seripieri Filho, que também é amigo próximo do presidente; achar seu comportamento estranho. Após uma semana com fortes dores de cabeça, intensificando-se nesta segunda-feira (9),além de sonolência; Lula foi inicialmente atendido em Brasília, onde exames apontaram uma hemorragia intracraniana, decorrente do acidente que sofreu. Em seguida, ele foi transferido para São Paulo, onde passou pelo procedimento.

Lula é operado em São Paulo após sentir fortes dores de cabeça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi submetido a uma cirurgia emergencial no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após sentir fortes dores de cabeça na noite deste dia (9) de dezembro, segunda-feira, no Hospital Sírio-Libanês , em São Paulo. O procedimento, realizado para drenar um hematoma intracraniano decorrente de uma queda anterior, foi bem-sucedido. Lula está estável e permanece sob observação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Uma coletiva de imprensa está programada para fornecer mais detalhes sobre seu estado de saúde.

Segundo boletim médico Lula passa bem

Conforme boletim médico, que foi divulgado às 3h20 desta terça-feira (10), Lula passou mal ainda em Brasília, após sentir dores de cabeça, fez exames de imagem ainda na unidade do hospital da capital federal, por volta das 8h30, segundo informações estava acordado e consciente.


Boletim médico do Hospital Sírio-Libanês referente ao presidente Lula (Foto: reprodução/ G1)

 Em nota, o hospital informou: “ A ressonância magnética mostrou hemorragia intracraniana , decorrente do acidente domiciliar sofrido em 19/10. Foi transferido para o Hospital Sírio-Libanês, unidade de São Paulo, onde foi submetido à craniotomia para drenagem de hematoma. A cirurgia transcorreu sem intercorrências”]

Lula se encontra sob os cuidados da equipe médica comandada pelo doutor Roberto Kalil Filho e Ana Helena Germoglio.


@tocontigo

Presidente Lula foi submetido a uma cirurgia de emergência no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após hemorragia intracraniana. Entenda o que é, e o procedimento realizado! 📹: Instagram #lula #presidente #saude #hemorragiaintracraniana #contigo

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Matéria sobre cirurgia de Lula (Vídeo: reprodução/ Tiktok @tocontigo)

Outros procedimentos que foi submetido

Em outubro deste ano (2024), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada. Ele estava sentado em um banco, que escorregou, fazendo-o cair e bater a cabeça. O acidente aconteceu no dia 19 de outubro, quando Lula estava se preparando para uma viagem à Rússia para a Cúpula dos Brics. Após o incidente, ele foi levado ao Hospital Sírio Libanês em Brasília, onde recebeu pontos na nuca. Não foi necessária internação, mas a viagem foi cancelada para que ele pudesse repousar.

Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por cirurgia significativa. Foi em setembro, para tratar de uma artrose no quadril direito. A cirurgia, chamada artroplastia total, foi realizada no Hospital Sírio-Libanês, o presidente teve uma recuperação bem-sucedida. Após a cirurgia, ele seguiu um plano de fisioterapia para recuperar a mobilidade e o equilíbrio.

Além disso, Lula também se submeteu a uma cirurgia nas pálpebras (blefaroplastia), que foi realizada logo após a operação no quadril. Esse procedimento visou corrigir o excesso de pele nas pálpebras, dando um aspecto de pálpebra caída, e foi realizado sem complicações.

Tramas golpistas: Bolsonaro pede anistia dos indiciados por golpe de estado

Jair Bolsonaro concedeu nesta quinta-feira (28), uma entrevista ao programa “Oeste sem Filtro” da revista Oeste. O ex-presidente pediu a anistia a investigados por tentativa de golpe de estado e defendeu que este seria um meio para “pacificar o país”.

Além disso, Bolsonaro admitiu ter debatido com militares as possibilidades de aplicação do artigo 142 da Constituição Federal, que, para os suspeitos, poderia dar suporte jurídico a um possível golpe militar.


Os comandantes das Forças falam que “Bolsonaro discutiu conosco hipóteses de (artigo) 142, estado de sítio, estado de defesa”. E eu discuti, sim. Não foi nenhuma discussão acalorada. (…) Golpe usando a Constituição? O que está dentro da Constituição você pode utilizar

Bolsonaro, em entrevista à revista Oeste

Ele já havia se posicionado favoravelmente à anistia aos participantes do ato golpista de 8 de janeiro de 2023, mas, desde seu indiciamento, a família de Bolsonaro tem defendido a anistia ainda mais ampla dos golpistas. O filho e senador Flávio Bolsonaro disse que Alexandre de Moraes, ministro do STF, “irá sofrer consequências por abusos”.

Jair Bolsonaro apelou a anistia citando diretamente o ministro do STF mas não esclareceu a que golpes específicos se referia.


Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/Valter Campanato/Agência Brasil)

Apelo a STF e Lula

Bolsonaro também citou o presidente Lula como um dos que, segundo ele, deveria se pronunciar a favor da anistia:

Para nós pacificarmos o Brasil, alguém tem que ceder. Quem tem que ceder? O senhor Alexandre de Moraes. A anistia. Em 1979, eu não era deputado, foi anistiada gente que matou, que soltou bomba, que sequestrou, que roubou, que sequestrou avião, e ‘vamos pacificar, zera o jogo daqui para frente’. Agora, se tivesse uma palavra do Lula ou do Alexandre de Moraes no tocante à anistia, estava tudo resolvido. Não querem pacificar? Pacifica

Ex-presidente Bolsonaro à revista Oeste , sobre a anistia


Foto destaque: Bolsonaro em entrevista à revista Oeste (Foto: reprodução/ Revista Oeste)

Indiciamento de Bolsonaro

A Polícia Federal retirou, nesta terça-feira (26), o sigilo sobre um relatório que apontava Jair Bolsonaro como líder dos planejamentos golpistas para mantê-lo no poder após a derrota democrática nas eleições de 2022.

O principal líder da direita no Brasil, juntamente com outras 36 pessoas, foram indiciadas por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado democrático de direito e organização criminosa.

Dólar atinge sua maior cotação, fechando em R$ 5,91

Na tarde desta quarta-feira (27, o dólar bateu sua máxima desde a pandemia do COVID-19, quando atingiu o valor de R$ 5,9007. Na data de hoje, a moeda chegou ao valor de R$ 5,9124.

Assim que foi liberada a notícia de que Fernando Haddad, o ministro da Fazenda, anunciaria a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil mensalmente, o dólar aumentou. A isenção do IR é uma promessa da campanha de Lula, que aconteceria a partir de 2026.

O mercado financeiro hoje

O mercado financeiro, há semanas, aguarda maiores detalhes a respeito do pacote de corte de gastos públicos, que deve ser liberado pelo governo federal. O corte de despesas precisa ocorrer para que o déficit público de 2024 seja zerado. Conforme prometido pelo governo, a meta seria que, em 2024 e 2025, o déficit fosse zerado, igualando as receitas e os gastos, a fim de que a dívida federal não aumente.

Ainda hoje, Haddad deverá fazer um pronunciamento televisivo e radiofônico em rede nacional, e se espera que os cortes sejam abordados no discurso, que ainda não teve os tópicos a serem abordados, divulgados pelo governo. Contudo, sabe-se que a isenção do Imposto de Renda será abordado, devido a uma confirmação que ocorreu no blog da jornalista Julia Duailibi, apurado pelos jornalistas do G1, Gerson Camarotti e Guilherme Balza.


Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images embed)


Isenção no pagamento de Imposto de Renda

Hoje estão isentos do pagamento de IR, quem recebe até R$ 2.259,20 por mês e, caso a isenção dos que recebem até R$ 5 mil seja o foco do discurso de Haddad, é possível que o tópico de cortes de gastos não seja abordado, o que faria com que os impostos fossem renunciados de tal forma que, no futuro, seria difícil cumprir as metas do arcabouço fiscal.

Havendo a isenção de IR, a dívida pública poderá ser comprometida futuramente, fazendo com que o pacote de cortes perca o seu propósito. Segundo Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, o custo da medida para os cofres públicos poderá ser de R$ 40 bilhões.

Enquanto aguarda o pronunciamento do ministro da Fazenda, o mercado financeiro mostrou-se muito defensivo e relutante quanto à aprovação da isenção do pagamento do Imposto de Renda para os que recebem até R$ 5 mil.

Relatório da PF aponta que Bolsonaro viajou para os EUA para evitar prisão

De acordo com o relatório final da PF, que investiga a tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro decidiu deixar o Brasil em um momento de grande instabilidade política, quando suas tentativas de reverter o resultado das urnas não tiveram sucesso, o que aumentou o risco de sua prisão.

O ex-presidente também teria viajado para os Estados Unidos com o objetivo de aguardar o desfecho dos atos golpistas de 8 de janeiro, quando seus apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. A viagem foi uma estratégia para se proteger enquanto o cenário político se desenrolava e as consequências das ações golpistas eram investigadas.

Ex-Presidente da República Jair Bolsonaro (Foto: reprodução/Evaristo Sá/AFP)

Viagem aos EUA

A viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos no final de 2022 foi cuidadosamente planejada e adaptada conforme a situação política do momento. De acordo com as investigações, a decisão do ex-presidente de se afastar do Brasil e a movimentação em torno de sua fuga demonstraram a persistente intenção de seus aliados em protegê-lo e garantir sua liberdade, evitando as possíveis consequências legais de suas ações. A análise das investigações sugere que houve um esforço claro por parte de seu círculo próximo para mantê-lo seguro e longe de desdobramentos que pudessem resultar em sua prisão. Bolsonaro permaneceu nos Estados Unidos por três meses, retornando ao Brasil apenas em março de 2023, quando o cenário político já estava mais estabilizado.

Processo de Investigação

Durante o processo investigativo, a Polícia Federal encontrou no computador de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e um dos delatores, uma apresentação em PowerPoint com detalhes de um plano para a criação de uma rede de apoio à fuga e evasão, caso Bolsonaro decidisse não cumprir as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento revelou uma estratégia bem articulada para facilitar a fuga do ex-presidente, incluindo o uso de armamento para garantir a segurança e o sucesso da evasão em situações de confronto com a justiça.

As investigações mostraram que o plano de fuga, inicialmente concebido em 2021, foi modificado e adaptado após o grupo de aliados de Bolsonaro não conseguir implementar o golpe de Estado planejado para 2022. O fracasso da tentativa de subverter os resultados das eleições e instaurar um regime paralelo levou à reavaliação da estratégia, que passou a ser considerada uma alternativa caso as tentativas de golpe não se concretizassem. De acordo com o relatório da Polícia Federal, “o plano de fuga foi ajustado e reativado no final de 2022, quando a organização criminosa não conseguiu concretizar o golpe de Estado”, o que revela a continuidade das articulações e a persistência do grupo em garantir a proteção e a liberdade de Bolsonaro, mesmo diante do fracasso de seus objetivos políticos.

Alexandre de Moraes era o primeiro alvo do atentado “Punhal Verde e Amarelo”

A Polícia Federal desvendou um esquema que carrega o nome de “Punhal Verde e Amarelo”, que tinha como alvos, lideranças do governo brasileiro, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o atual vice dele, o ex-governador Geraldo Alckmin.


Debate sobre Alexandre de Moraes ser vítima e juiz do caso ao mesmo tempo (Vídeo: reprodução/ Youtube/ CNN Brasil)


“Punhal Verde e Amarelo”

O plano traçado era altamente detalhado, com levantamento de horários e itinerários de Moraes, e incluía sequestro e execução, em quatro equipes de seis integrantes e utilizava celulares descartáveis adquiridos com identidades de outras pessoas.

O grupo responsável por tudo isso, se comunicava por um aplicativo de mensagens em um chat chamado “Copa 2022”. A operação foi articulada pelo general da reserva Mario Fernandes, ex-integrante da secretaria-geral da Presidência, além do agente da Polícia Federal Wladimir Matos, acusado de espalhar informações sigilosas sobre a equipe de segurança de Lula e sua localização.

37 pessoas indiciadas e investigação da PF

Além dos dois citados, a PF indiciou 37 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-diretor da ABIN Alexandre Ramagem e o general Walter Braga Netto, que foi candidato a vice do ex-presidente, além de outras figuras políticas como Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Augusto Heleno.

A investigação da Polícia Federal identificou o uso de alguns recursos logísticos e financeiros sofisticados para a execução do plano, que representava uma ameaça direta à democracia brasileira, enquanto os suspeitos presos não foram encontrados para comentar o caso.

A ampla repercussão do caso também sinaliza uma oportunidade para fortalecer a cultura da democracia e a necessidade urgente de revisar políticas de segurança para prevenir futuras repetições deste caso, que reflete um cenário preocupante sobre o momento político atual no Brasil.

Tentativa de envenenar eu e Alckmin não deu certo; nós estamos aqui, afirma Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um importante comentário nesta quinta-feira(21), durante um evento público, abordando, pela primeira vez, as recentes revelações da Polícia Federal. Essas revelações destacaram um plano que teria sido elaborado por militares com a intenção de realizar um golpe de Estado em 2022. Segundo as investigações, esse plano incluía a intenção de assassinar, seja por tiro ou veneno, não apenas a chapa vencedora das eleições, mas também o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal. A fala do presidente ressalta a gravidade das ameaças à democracia e a importância de se investigar e responsabilizar os envolvidos em tais ações.


Presidente Lula durante o G20 (Foto:Reprodução/Instagram/@lulaoficial)


Declaração de Lula

Eu sou um cara que tenho que agradecer agora, muito mais, porque eu tô vivo. A tentativa de envenenar eu e Alckmin não deu certo, nós estamos aqui“, disse Lula.

Em um evento no Palácio do Planalto, o presidente Lula divulgou planos do governo federal para a concessão de rodovias ao setor privado. Durante sua fala, além de abordar o tema do evento, ele também mencionou o plano de envenenamento descoberto pela Polícia Federal.

E eu não quero envenenar ninguém. A única coisa que eu quero é, quando terminar o meu mandato que a gente desmoralize, com números, aqueles que governaram antes de nós“, disse o Presidente.

Lula declarou que, ao final de seu mandato, deseja avaliar seu governo por meio de indicadores que mostrem quem construiu mais escolas, ajudou os pobres, construiu estradas e pontes, e aumentou o salário mínimo.

Estabilidade

Lula afirmou que seu objetivo é proporcionar estabilidade econômica, fiscal e jurídica ao Brasil, buscando previsibilidade para atrair investimentos. Ele criticou a insegurança enfrentada por servidores públicos ao autorizar obras e a prática de judicializar licitações, que muitas vezes atrasam projetos devido ao medo de possíveis denúncias.

O presidente elogiou o Tribunal de Contas da União por buscar soluções. O governo apresentou um programa que permite a repactuação de contratos de concessão rodoviária, evitando novas licitações e permitindo o início de novas obras em até 30 dias após a assinatura de aditivos. Estima-se que essa otimização pode levar a investimentos de até R$ 110 bilhões e beneficiar 1.566,1 quilômetros de duplicações de rodovias.