Lula afirma estar aberto a diálogo com Trump em entrevista nos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (22) que está disposto a dialogar com Donald Trump, caso o republicano manifeste interesse. A declaração foi feita em entrevista ao canal norte-americano PBS, durante sua primeira visita oficial aos Estados Unidos desde que o ex-presidente americano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Lula ressaltou que, até o momento, nunca houve contato direto entre os dois líderes.

Crítica à aproximação com Bolsonaro

Durante a entrevista, Lula comentou que Trump teria optado por construir uma relação política com Jair Bolsonaro, decisão que considera equivocada. “Na minha opinião, isso foi um erro. Ele fez uma escolha de construir uma relação com Bolsonaro, e não uma relação com o povo brasileiro”, afirmou. O presidente brasileiro ainda destacou que está preparado para tratar de temas políticos diretamente com Trump, caso haja disposição do ex-mandatário dos EUA.

Questionado sobre as tarifas impostas ao Brasil, Lula classificou como “inacreditável” a postura de Trump diante do país. Segundo o petista, a medida não foi apenas de caráter econômico, mas principalmente política. O republicano justificou o tarifaço citando o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, associando a decisão à tentativa de encerrar o que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente.


Lula e Trump discursam na ONU (Vídeo: reprodução/YouTube/@bbcnewsbrasil)


Relação entre Estados

Na visão de Lula, a relação entre nações deve estar acima de afinidades pessoais ou diferenças ideológicas. “Um chefe de Estado tem que ter uma relação com outro chefe de Estado, independentemente da posição política. Estes são dois Estados importantes, as maiores democracias da América, as maiores economias da América. Portanto, é muito importante que a gente tenha uma relação muito civilizada”, declarou.

Lula está em Nova York para abrir o debate de líderes da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23). O discurso deve trazer recados indiretos a Trump, além de defender a soberania brasileira e criticar medidas unilaterais de tarifas. O presidente também deve destacar temas como democracia, multilateralismo, reforma da ONU, preservação ambiental e transição energética. Outro ponto esperado é a defesa de um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, reforçando o papel do Brasil como mediador no cenário internacional.

Governo dos EUA provoca Alexandre de Moraes e sua esposa, os comparando com Bonnie e Clyde

Nesta segunda-feira (22), o governo dos Estados Unidos classificou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como um “agente externo nocivo” e, ao justificar punições contra sua esposa, Viviane Barci de Moraes, fez menção ao casal de criminosos Bonnie e Clyde.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que Viviane atua como apoiadora e defensora de Moraes. Segundo ele, pessoas que oferecem cobertura e sustentação a figuras vistas dessa forma colocam em risco interesses dos EUA e também estão sujeitas a medidas de responsabilização.

Já o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou que a decisão foi tomada porque Viviane garantiria uma base de suporte financeiro ao ministro, que desde julho já estava sob sanções.

Alexandre de Moraes já havia sido sancionado

Segundo o governo norte-americano, as penalidades aplicadas são um conjunto de medidas iniciadas ainda na gestão de Donald Trump, que atribuiu a Alexandre de Moraes condutas como abuso de poder, implementação de um sistema de censura, perseguição direta a adversários políticos e violações graves de direitos humanos.

Com a decisão, qualquer patrimônio ou recurso financeiro registrado em nome de Viviane Moraes em território norte-americano fica congelado, assim como negócios ou companhias vinculadas a ela. A partir de agora, tanto o ministro do STF quanto sua esposa estão impedidos de realizar operações financeiras com cidadãos ou empresas dos Estados Unidos, incluindo movimentações por meio de cartões de crédito emitidos por instituições americanas.


Viviane Barci sofreu sanções pelo governo dos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

A inclusão de Viviane nas sanções previstas pela Lei Magnitsky faz parte de uma ofensiva de retaliação do governo Trump contra o magistrado. O Supremo havia condenado o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Trump, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe em agosto. A aplicação da Lei Magnitsky à esposa do ministro, somada à suspensão de vistos, marca o primeiro movimento de resposta de Washington após a decisão do STF contra Bolsonaro.

Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky autoriza o governo dos Estados Unidos a aplicar punições contra cidadãos de outros países. Sua finalidade é responsabilizar indivíduos acusados de cometer violações graves de direitos humanos ou de participar de esquemas significativos de corrupção. A lei recebeu esse nome em memória do advogado russo Sergei Magnitsky, que morreu na prisão após denunciar um esquema de desvio de recursos envolvendo integrantes do governo da Rússia. O projeto foi aprovado pelo Congresso norte-americano e oficializado pelo então presidente Barack Obama em 2012.

Num primeiro momento, o foco era atingir empresários e autoridades russas envolvidos no caso que levou à morte do advogado. Já em 2016, consolidou-se a interpretação de que a lei poderia ser aplicada em situações mais amplas, como episódios de corrupção internacional, ligações com organizações criminosas e abusos sistemáticos de direitos humanos. Nesse mesmo ano, o alcance da legislação foi estendido para ter validade global. Desde então, diversas pessoas ao redor do mundo passaram a ser alvo de sanções com base nesse dispositivo jurídico.

Protesto contra a PEC da Blindagem reuniu cerca de 42 mil pessoas na Avenida Paulista

A mobilização realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (21), contra a chamada PEC da Blindagem e o projeto que prevê anistia a condenados pelos atos de 8 de Janeiro, reuniu cerca de 42,4 mil participantes, conforme levantamento de pesquisadores da Universidade de São Paulo.

A estimativa elaborada pela equipe do Monitor do Debate Político do Cebrap em conjunto com a ONG More in Common, considerou o número de pessoas presentes. O cálculo foi feito a partir de imagens aéreas e processamento por software. Levando em conta a margem de erro, a quantidade variou entre 37,3 mil e 47,5 mil indivíduos.

Para efeito de comparação, o ato realizado na capital paulista em 7 de setembro, organizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em defesa da anistia, teve público estimado em 42,2 mil pessoas, utilizando o mesmo método de contagem.

Manifestação durante a tarde

A manifestação, de caráter tranquilo, teve início por volta das 14h e foi articulada pelas redes sociais por coletivos ligados à esquerda, ocorrendo simultaneamente em outras capitais do país. Em São Paulo, a concentração chegou a ocupar aproximadamente quatro quarteirões da Paulista. Duas chuvas passageiras atingiram a região e diminuíram a presença de pessoas ao longo do ato.


Além de São Paulo, outras capitais também tiveram atos contra a PEC da Blindagem (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Os manifestantes cantaram coros contrários à proposta de anistia e exibiam faixas e cartazes. Durante a mobilização, também foi estendida uma enorme bandeira do Brasil, em contraste com o protesto de 7 de setembro, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro exibiram uma bandeira dos Estados Unidos no mesmo endereço.

Sistema de contagem moderno

Entre o público presente, estavam os deputados federais Luiza Erundina (PSOL), Guilherme Boulos (PSOL), Tabata Amaral (PSB) e Erika Hilton (PSOL). Ao longo da mobilização, foram registradas imagens em quatro momentos distintos: 14h10, 14h45, 15h22 e 16h06, somando 38 fotografias.

Ás 16h06, momento de maior concentração de participantes, abrangendo a totalidade da avenida ocupada, sem repetições de enquadramento. Na técnica adotada, drones capturam vistas aéreas da concentração e, em seguida, um programa de computador processa os registros para identificar e marcar automaticamente a presença de cada pessoa.

Com auxílio de inteligência artificial, o sistema reconhece os indivíduos e contabiliza os pontos correspondentes. Esse procedimento assegura maior rigor na estimativa, inclusive em trechos mais compactos da multidão.

Brasil lidera evento pela democracia e deixa Estados Unidos de fora

Na próxima quarta-feira (24), acontece em Nova York a segunda edição do encontro Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo. A iniciativa é organizada pelo Brasil em parceria com países que têm buscado aproximar suas agendas políticas em torno da defesa das instituições democráticas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a articulação, ao lado de Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai). A expectativa é que aproximadamente 30 países enviem representantes para discutir medidas de combate ao extremismo, ao discurso de ódio e à desinformação, além de debater formas de reduzir desigualdades sociais.

Estados Unidos ficam de fora

Diferentemente da primeira edição, realizada no ano passado, os Estados Unidos não receberam convite para participar. Na ocasião anterior, quando Joe Biden ainda estava na Casa Branca, o país havia enviado um representante do Departamento de Estado para acompanhar os debates.

Agora, sob a administração de Donald Trump, o cenário mudou. Autoridades brasileiras e aliados consideraram que seria contraditório incluir Washington em um encontro voltado justamente à defesa da democracia, em um momento em que os EUA têm questionado a legitimidade das instituições brasileiras, incluindo o sistema eleitoral e o Judiciário.

Sanções e tensões diplomáticas

Outro fator que pesou na decisão foi o histórico de medidas impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil. O governo Trump aplicou sobretaxas de até 50% a produtos brasileiros, restringiu vistos de autoridades e chegou a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por meio da Lei Magnitsky.


Governo Trump é barrado em evento internacional pela democracia (Foto: reprodução/Chip Somodevilla/Getty Images Embed)


Mais recentemente, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que novas sanções estão em andamento, motivadas pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado. Esse posicionamento acabou fortalecendo o entendimento de que a presença dos EUA no encontro não seria coerente.

Agenda de Lula nos Estados Unidos

O presidente Lula embarca neste domingo (21) para Nova York, onde abrirá os discursos da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23). O Brasil tradicionalmente é o primeiro país a falar na tribuna do evento.

No dia seguinte, Lula se reúne novamente com lideranças internacionais para o fórum Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo. A expectativa é que a reunião resulte em uma declaração conjunta de apoio às instituições democráticas e em novas formas de cooperação entre os países participantes.

Lula expressa apoio ao Catar e reforça defesa de dois Estados

Nesta sexta-feira (19), foi divulgada uma nota oficial pelo Palácio do Planalto que informou que o presidente Luiz  Inácio Lula da Silva realizou na tarde de ontem, quinta-feira (18), uma ligação ao emir do Catar, o xeique Tamin Bin Hamad al-Thani, para expressar sua solidariedade depois do ataque realizado por Israel no último dia 9 de setembro.

O Palácio informou que o presidente do Brasil expressou preocupação com a possibilidade de o ataque israelense comprometer os esforços conduzidos pelo Catar para a liberação dos reféns. 

Sobre o ataque

Israel assumiu o ataque realizado no início deste mês contra autoridades do grupo terrorista Hamas, na capital do Catar, Doha. O ataque foi classificado pela ONU como uma violação de soberania. O governo catari criticou duramente a ação e prometeu responder.

Atualmente, o Catar atua como mediador nas negociações de cessar-fogo na Faixa de Gaza, que inclui a libertação de reféns mantidos pelo grupo terrorista Hamas, porém, após o bombardeio, anunciou a suspensão temporária da mediação das conversas.

Detalhes Importantes

No entanto, o grupo terrorista disse que os integrantes do alto escalão escaparam ilesos. O governo do Catar afirmou em nota que um membro da Força de Segurança, Interna do país foi morto no ataque israelense e outros membros do órgão ficaram feridos, porém, não especificou quantos.

O presidente do Brasil também “defendeu a efetivação do Estado palestino, em paz e segurança ao lado do Estado de Israel, como solução para o conflito” entre Israel e o Hamas.


Equipes de regate palestinas procuram por sobreviventes na Faixa de Gaza (Foto: reprodução/instagram/@mahmudhams)

Guerra já dura quase 2 anos

O conflito armado entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, após o grupo terrorista Hamas e outros  grupos militares palestinos realizarem ataques a cidades israelenses. Em resposta ao Hamas, tropas de Israel tomaram a Faixa de Gaza e avançaram para tentar o controle total do local habitado por palestinos.

As causas da Guerra entre Israel e Hamas podem ser divididas em fatores históricos, territoriais, políticos e religiosos. O ponto principal é a disputa sobre a soberania e o controle de territórios como Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Lula é crítico da ofensiva israelense e considera as ações um “genocídio” do povo palestino. A posição fez o presidente ser declarado persona non grata em Israel.

Lula critica PEC da Blindagem e aponta que proposta “Não é uma coisa séria”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (18) a chamada PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dois dias antes. Para Lula, a proposta que amplia a imunidade de parlamentares “não é algo sério”.

Segundo ele, em vez de dar mais privilégios a deputados, senadores e dirigentes partidários, o Congresso deveria se preocupar em garantir direitos básicos à população, como educação, trabalho e dignidade. A declaração foi feita durante um evento no Palácio do Planalto sobre investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O que a PEC defende?

A PEC altera pontos como foro privilegiado e medidas cautelares, além de criar novas proteções, entre elas a exigência de votação secreta para a prisão de parlamentares. Defensores do projeto dizem que a proposta apenas resgata garantias da Constituição de 1988, mas críticos avaliam que ela cria blindagens inéditas.

Antes do evento, Lula também comentou a decisão da Câmara de dar urgência a um projeto de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, acelerando a análise da proposta — uma das principais pautas da oposição.


porcentagem de votos do partidos para a PEC (Foto: Reprodução/X/@camarotedacpi)


PEC agora passará para o senado

No Senado, porém, a expectativa é de forte resistência à PEC da Blindagem. Parlamentares de diferentes partidos, do PL ao PT, consideram que o texto dificilmente terá apoio suficiente. O voto secreto para prisão de deputados e senadores é visto como um dos pontos mais problemáticos.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, disse que a medida é um “desrespeito ao eleitor” e defendeu que seja “enterrada” já na Casa. Segundo ele, não há condições de alcançar os 49 votos necessários para a aprovação.

O MDB também se posicionou oficialmente contra. Em nota, o líder da bancada no Senado, Eduardo Braga (AM), afirmou que os senadores do partido vão trabalhar pela inconstitucionalidade da PEC na CCJ e votar contra caso chegue ao plenário.

Senadores articulam projeto para derrubar tarifaço de Trump contra o Brasil

Nesta quinta feira (18), senadores protocolaram um projeto de lei que visa remover as tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

O projeto foi apresentado por cinco senadores, sendo 4 opositores e um aliado do Presidente. Em nota, afirmaram que as taxações contra o Brasil elevariam os preços dos alimentos e poderia prejudicar a economia americana

Conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos

No meio deste ano, Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), informando que iria impor tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A medida foi justificada como uma repressão ao que se classificou como “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva dissertando em uma olimpíada de matemática no Rio de Janeiro. (Reprodução/Buda Mendes/Getty Images)


A medida foi aplicada no início do mês de Agosto, sendo anunciada pela Casa Branca quase 700 itens seriam isentos das tarifas, incluindo combustíveis, veículos, aeronaves e determinados tipos de madeiras e metais.

O senador republicano Rand Paul, que integra a base de Donald Trump, foi um dos autores do projeto. Em comunicado, ele demonstrou preocupação com o que chamou de “perseguição do governo brasileiro” contra Bolsonaro, mas afirmou que a ordem de Trump é inconstitucional.

“O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, para impor tarifas unilateralmente. Política comercial é competência do Congresso, não da Casa Branca”, declarou.


Donald Trump em sua campanha na Geórgia. (Reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images)


Oposição de seus próprios aliados

O democrata Chuck Schumer, líder da minoria do senado, afirma que Trump tem jogado suas fichas em uma “guerra comercial” defendendo uma agenda política americana, não dando a devida importância aos custos da população americana.

“Os americanos não merecem que Trump faça política com seu sustento e seu bolso. Já passou da hora de os republicanos no Congresso encerrarem essa loucura e se unirem aos democratas contra a tarifa de Trump”, afirmou Chuck.

Segundo os senadores, o projeto tem caráter privilegiado, que seria obrigatoriamente decidida por votação. Mas para que a lei seja aprovada, os democratas precisariam conquistar os votos de pelo menos 4 republicanos.

Além disso, para que as tarifas sejam efetivamente derrubadas, a proposta também teria de ser aprovada na Câmara, onde Trump também tem a maioria.

União Brasil acelera ruptura com governo Lula e exige saída de filiados em 24h

Em um movimento decisivo, União Brasil deixa cargos no governo Lula em até 24 horas, sob risco de expulsão por infidelidade partidária. A medida atinge ministérios, autarquias, fundações e empresas públicas, consolidando a ruptura do partido com a gestão petista. Também, reforça a independência do partido e abre espaço para novas articulações políticas com foco nas eleições de 2026.

União Brasil deixa cargos e exige saída imediata de filiados

O partido definiu prazo de 24 horas para que todos os filiados peçam exoneração de cargos na administração federal. Caso contrário, estarão sujeitos a punição disciplinar, incluindo a expulsão.

Dessa forma, a resolução reflete a decisão do partido de romper formalmente com o governo Lula. Além disso, sinaliza um reposicionamento estratégico para o próximo ciclo eleitoral, fortalecendo alianças de centro-direita e enfraquecendo a base petista.

A medida afeta diretamente o Ministério do Turismo, comandado por Celso Sabino (União-PA), e outros cargos ocupados pelo partido em diferentes órgãos da administração. Inclusive, analistas apontam que a decisão reforça a independência do União Brasil e cria um impacto político relevante sobre o governo Lula.

Impacto da saída: ministros e cargos não afetados

Celso Sabino vinha buscando alternativas junto à direção do partido para permanecer à frente da pasta. No entanto, ainda não se manifestou sobre a resolução.

Por outro lado, ministros vinculados ao partido, mas ocupando cargos por indicação pessoal de dirigentes, como Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações), não serão atingidos pelo afastamento determinado pelo União Brasil.


União Brasil e PP deixando governo Lula e pedindo que membros renunciem a cargos (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)

Controvérsias envolvendo a direção do partido

A determinação de saída ocorreu após reportagens ligarem Antonio de Rueda, presidente nacional do União Brasil, a supostas atividades ilícitas do PCC. Rueda negou envolvimento e afirmou que se trata de uma tentativa de desgaste político.

Em nota oficial, o partido declarou:

União Brasil, por meio de sua Executiva Nacional e de suas Lideranças na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, manifesta irrestrita solidariedade ao Presidente Antonio Rueda, diante de notícias infundadas, prematuras e superficiais que tentam atingir a honra e a imagem do nosso principal dirigente.”

Nota oficial do União Brasil

Sem contar que, o comunicado ressaltou que a decisão de afastamento dos filiados foi legítima e amplamente debatida, reforçando a autonomia do partido frente ao governo federal.

Partido deixa cargos e traça estratégia política para 2026

O afastamento do União Brasil enfraquece a base do governo Lula e, ao mesmo tempo, cria oportunidades para novas articulações políticas de centro-direita.

O partido, em articulação com o Progressistas, avalia alianças estratégicas e possíveis candidaturas para 2026. Entre os nomes em evidência estão Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás.

Assim, especialistas avaliam que a medida fortalece a independência do partido e, consequentemente, impacta diretamente a estratégia eleitoral do PT, dificultando a manutenção da unidade política do governo na disputa de 2026.

Lula afirma que vetará a anistia de Jair Bolsonaro caso seja aprovado pelo Congresso

O presidente da república, Lula, afirmou em entrevista para BBC News Internacional no Palácio da Alvorada nesta quarta-feira (17) que irá vetar a proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro caso seja aprovada pelo Congresso. O ex-presidente foi condenado por tentativa de golpe de estado e outros quatro crimes.

Proposta de anistia e PEC da blindagem

Durante a entrevista com o canal de notícias internacional, o presidente afirmou que pretende vetar o texto que daria anistia política para Jair Bolsonaro, porém apesar de seu posicionamento firme, ele afirmou que isso deve ser decidido entre os parlamentares e que ele, como presidente, não pode se envolver em “coisa do Congresso Nacional” e que a decisão fica a cargo dos partidos presentes no parlamento. 

A declaração foi feita em meio a uma movimentação da oposição para que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, aprove a proposta de anistia, que tem caráter de urgência para a oposição.


Presidente Lula para à BBC News (Foto: reprodução/Paulo Koba/BBC)

Lula também condenou a aprovação da proposta de emenda constitucional chamada “PEC da blindagem”, que protege parlamentares de investigações. Ele afirmou que se fosse deputado ou presidente de um partido, votaria contra ou orientaria o voto contra a proposta. 

Brasil e Estados Unidos

Ainda na entrevista à BBC, Lula também comentou a relação com o presidente norte-americano Donald Trump, onde condenou o aumento das tarifas comerciais. Atualmente se prepara para viajar para os Estados Unidos para a Assembleia Geral da ONU.

A viagem e o aumento das tarifas ocorreram no escalonamento da tensão entre o governo brasileiro e norte-americano em meio à condenação de Bolsonaro, onde o Secretário de Estado de Donald Trump declarou na última quinta-feira (11) que os Estados Unidos respondem à condenação do ex-presidente brasileiro. Apesar das dificuldades de diálogo, Lula declarou que está há aberto para conversas e negociações com Trump em sua viagem para o hemisfério norte nos próximos dias.

Lula sanciona lei para proteger crianças da ‘adultização’ nas redes sociais

Nesta quarta-feira (17), uma nova lei foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de proteger crianças e adolescentes do fenômeno conhecido como “adultização” nas redes sociais. A medida, que estabelece uma série de novas obrigações para as plataformas digitais, representa um marco importante na regulamentação da internet no Brasil.

A lei foi criada para combater a exposição de menores a conteúdos inapropriados e para garantir um ambiente online mais seguro. Ela exige que os provedores de serviços digitais vinculem as contas de crianças e adolescentes a um responsável legal, assegurando maior controle e supervisão sobre a atividade online desse público. Além disso, as empresas agora têm a obrigação de remover qualquer conteúdo que seja considerado abusivo ou prejudicial a menores, reforçando a proteção contra exploração e assédio.

Legislação ganha força após denúncia viral

A necessidade de uma legislação como essa ganhou destaque após um vídeo do influenciador Felca viralizar, expondo a maneira como algumas plataformas incentivam a monetização de conteúdo criado por crianças de forma controversa. A grande repercussão do caso chamou a atenção do público e de legisladores, levando o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a priorizar a votação da proposta. O projeto foi rapidamente aprovado tanto na Câmara quanto no Senado, demonstrando o amplo consenso sobre a urgência do tema.


Matéria sobre a sansação do projeto chamado ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente Digital) (Vídeo: reprodução/YouTube/Jornal da Gazeta)

As novas regras se aplicam a todos os produtos e serviços de tecnologia da informação que possam ser utilizados por crianças e adolescentes, independentemente de sua natureza ou tamanho. Isso significa que a lei impacta desde as maiores redes sociais até aplicativos e jogos que permitam a interação de menores.

Sanções severas reforçam compromisso com a proteção infantil

O descumprimento das normas estabelecidas acarreta punições rigorosas. As multas podem variar de R$ 10 por usuário cadastrado na plataforma até um teto de R$ 50 milhões, dependendo da gravidade da infração. A lei também prevê a possibilidade de suspensão temporária ou até mesmo definitiva das atividades das empresas que persistirem no descumprimento das regras.

Essas sanções financeiras e operacionais têm o objetivo de garantir que as plataformas levem a sério a responsabilidade de proteger seus usuários mais jovens. A nova lei busca equilibrar a liberdade de expressão e a inovação tecnológica com a necessidade de salvaguardar a saúde mental e o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes na era digital.