Irmã de Marielle Franco declara dificuldade em perdoar Ronnie Lessa

Nesta quinta-feira (31), Anielle Franco disse no julgamento de Ronnie Lessa, que existe uma dificuldade para perdoar os assassinos de sua irmã, a então vereadora Marielle Franco, que foi assassinada com Anderson Gomes, seu motorista, no dia 14 de março de 2018. Ela relatou no tribunal, em depoimento, criada no meio cristão e ensinada sobre a importância do perdão, entretanto lembrou a falta que sente dela em sua vida e como isso torna complicado perdoar.

Perdão

Ronnie Lessa, enquanto rolava a primeira sessão, pediu perdão às famílias das pessoas que ele estava sendo acusado de matar. Durante o momento em que ocorria o júri popular, ele citou o seguinte:

“Preciso pedir perdão a essas famílias. Perdi meu pai recentemente e já foi péssimo. Perder um filho deve ser a coisa mais triste do mundo, um marido”.

Enquanto ele falava, continuou em seu relato lembrando que não tem como voltar no tempo, e que ele busca se esforçar para fazer o possível para confortar a todos, assumindo a responsabilidade em torno do ocorrido. Ainda em seu depoimento, reiterou que precisou pedir o perdão para poder tirar esse peso da consciência, pois sempre se sentira culpado pela morte da Marielle.


Nesta quinta-feira (31), Elcio de Queiroz e Ronnie Lessa dão depoimento por videoconferência no 1º dia do julgamento (reprodução/Mauro Pimentel/Getty Images embed)


O primeiro alvo

Enquanto relatava durante seu julgamento, Ronnie Lessa revelou que o seu primeiro alvo era Marcelo Freixo, que foi deputado federal e preside atualmente a Embratur. Segundo o mesmo, era inviável matá-lo naquele momento. Lembrou também que houve uma estratégia quanto ao local onde iria ser feito o assassinato, para não haver interpretação de parecer que havia um intuito político no crime.

Ronnie Lessa permanece sendo julgado pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Caso Marielle Franco: assassinos são condenados pelo Tribunal do Júri

Após 6 anos do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, o 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro proferiu a sentença nesta quarta-feira (30). O crime, que abalou o Brasil e gerou indignação em todo o mundo, ainda ecoa nos corações e mentes de muitas pessoas, refletindo a luta por justiça e a busca por melhores condições de segurança e democracia no país.

O ex-policial militar, Ronnie Lessa, considerado o autor dos disparos fatais na noite de 14 de março de 2018, foi condenado a uma pena de 78 anos e 9 meses de prisão. Já Élcio Queiroz, também ex-PM, que assumiu a direção do veículo Cobalt utilizado no atentado, recebeu uma pena de 59 anos e 8 meses de detenção.


Julgamento foi retomado nesta quinta-feira (31), com a sentença definida um dia antes (Reprodução/Instagram/@tjrjoficial)


Crimes

Ronnie e Élcio foram condenados pelos seguintes crimes:

  • Duplo homicídio triplamente qualificado;
  • Tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves;
  • Receptação do Cobalt prata.

Apesar das sentenças, Lessa e Élcio devem ser liberados da prisão antes do esperado devido a um acordo de delação premiada que auxiliou nas investigações sobre os mandantes do crime.

No acordo, Élcio Queiroz pode ficar preso por até 12 anos e Ronnie Lessa por até 18 anos em regime fechado, com mais 2 anos em regime semiaberto. Os prazos começam a contar a partir da prisão deles em 12 de março de 2019, o que resultará em um desconto de 5 anos e 7 meses de suas penas. Assim, Élcio pode ser liberado em 2031, enquanto Lessa pode ir para o semiaberto em 2037 e ficará livre em 2039.

O crime

Em 14 de maio de 2018, a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi assassinada a tiros no Estácio, Rio de Janeiro. Ela levou quatro tiros na cabeça, enquanto o motorista Anderson Pedro Gomes também foi baleado e faleceu. Fernanda Chaves, que estava no banco de trás, foi ferida por estilhaços. Os assassinos, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, perseguiam Marielle em um carro Cobalt prata durante cerca de 4 quilômetros, disparando ao se aproximarem do veículo dela antes de fugir sem roubar nada.

Ronnie Lessa afirma que a motivação para executar a vereadora Marielle Franco foi financeira

Ronnie Lessa, réu pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes em 2018, declarou em depoimento que teria recebido a promessa de R$ 25 milhões para realizar o crime. A alegação representa uma reviravolta importante no caso, pois levanta a hipótese de que Lessa poderia ter atuado sob encomenda, uma motivação financeira que sugere o possível envolvimento de mandantes.

“Fiquei cego; minha parte eram R$ 25 milhões. Podia falar assim: era o papa, que eu ia matar o papa, porque fiquei cego e reconheço. Vou cumprir o meu papel até o final, e tenho certeza absoluta de que a Justiça será feita”, lembra o ex-policial.

O ex-policial afirma que optou por confessar o crime e realizar a delação premiada, indicando os outros envolvidos, por não ter a capacidade de voltar no tempo e que, gostaria de diminuir a angústia de todos, assumindo sua parte e apontando os envolvidos no crime.


Protesto contra a morte de Marielle em São Paulo (Foto: reprodução/
NurPhoto/ Getty Images Embed)


O assassinato de Marielle Franco

O crime aconteceu no dia 14 de março de 2018 e a principal motivação apontada seria política. De acordo com o depoimento de Ronnie Lessa, o assassinato de Marielle teria sido motivado pelo temor de que ela se tornasse obstáculo em dois loteamentos de terrenos realizados pela milícia no bairro do Tanque, no Rio de Janeiro. Segundo ele, os mandantes do crime afirmaram que a vereadora teria se reunido com lideranças comunitárias e feito o pedido de que elas não aceitassem o loteamento feito pelas milícias.

No Rio de Janeiro, milícias controlam atividades ilegais em várias regiões, e Marielle denunciava essas práticas, o que pode ter gerado um desejo de retaliação. Essa teoria é fortalecida pela ligação de Lessa com a polícia e sua possível proximidade com esses grupos.

A trajetória política de Marielle Franco

Nascida em 27 de julho de 1979, mulher negra, cresceu no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro. Antes de entrar na política, Marielle trabalhou como pesquisadora em direitos humanos e atuou em organizações que defendiam os direitos das minorias. Se destacou por sua crítica aberta à violência policial nas favelas do Rio de Janeiro, denunciando abusos e excessos cometidos por agentes de segurança. Iniciou sua vida acadêmica no curso de Ciências Sociais, com bolsa integral, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), posteriormente, realizou mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a dissertação “UPP: a redução da favela a três letras”.

Como uma mulher negra, Marielle representava uma perspectiva muitas vezes ausente nas esferas políticas tradicionais. Sua eleição como vereadora no Rio de Janeiro simbolizou a conquista de espaços políticos por pessoas historicamente marginalizadas e a importância da diversidade na política.

Caso Marielle: Ministério Público solicita pena máxima de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz

O Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou recentemente que pretende exigir a pena máxima, de 84 anos, para os acusados do assassinato de vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes. O pedido será feito ao Conselho de Sentença do IV Tribunal do Júri.

Contexto

O pedido do Ministério Público será feito para um júri com previsão de início no dia 30 de outubro. Os dois acusados são denunciados por duplo homicídio triplamente qualificado. Além disso, há denúncia de homicídio tentado e receptação de veículo. Todas as acusações estão relacionadas ao caso Marielle Franco.

O júri será formado por 21 integrantes, sendo sete pessoas sorteadas na hora, todos serão pessoas comuns e dormirão nas dependências do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os membros do júri ficarão isolados.

Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz serão ouvidos por videoconferência, ambos estão presos Complexo Penitenciário de Tremembé e no Complexo da Papuda, respectivamente.


Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes (Foto: reprodução/ X/ @Metropoles)

Andamento do caso

O crime do caso Marielle Franco foi executado no dia 14 de março de 2018, desde então as investigações e judicialização do caso têm se encaminhado. Após a identificação dos autores, a Justiça tem trabalhado para também localizar os mandantes do crime.

Em março deste ano a Justiça prendeu Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, que são suspeitos de terem mandado o crime. O delegado Rivaldo Barbosa, acusado de ter ajudado no planejamento, também foi preso. Todos foram presos em ações de prisão preventiva e aguardam a decisão. Os nomes foram entregue à Justiça em delação premiada.

Também estão presos o ex-policial militar Robson Calixto, que teria ajudado a sumir com a arma do crime, e o major Ronald Paulo Alves Pereira, acusado de monitorar a rotina da vereadora para garantir a execução do crime.

O STF vai ouvir todos os 5 presos em um processo na Corte para apurar a participação de cada um no crime que tirou a vida de Marielle e Anderson.

Ex-delegado Rivaldo Barbosa nega culpa no assassinato de Marielle Franco

Seis anos após o assassinato de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, os inquéritos ainda permanecem abertos em meio as acusações do real mandante do crime. Na última quinta-feira (24), o ex-delegado geral da Policia Civil do Rio de Janeiro, Ribaldo Barbosa, prestou seu depoimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Barbosa disse ter respeito por Marielle

Barbosa está preso na Penitenciaria Federal de Mossoró (RN) e é apontado como um dos mentores do crime, sendo o terceiro de cinco réus ouvidos sobre o caso. Durante o depoimento, o ex-delegado negou qualquer envolvimento no crime e mostrou ter grande respeito por Marielle. Disse também ser grato por tudo que ela proporcionou para o profissional Rivaldo, para a Polícia Civil e toda a sociedade.

Barbosa se defendeu dizendo que não mataria nem uma formiga, muito menos um ser humano. Em seu depoimento, negou também conhecer os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, coacusados no crime. Ele alega o mesmo sobre o policial militar Ronnie Lessa que, em delação premiada, apontou Barbosa como mentor do assassinato.


Grafite de Marielle Franco no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


Investigações podem ter sido sabotadas

A Policia Federal trouxe investigações que indicam que a Polícia Civil, sob comando de Barbosa, agiu para dificultar o esclarecimento dos assassinatos de Marielle e Anderson. Segundo a PF, a investigação vem sendo sabotada desde o início, com indícios de um acordo entre os autores intelectuais do crime e a equipe responsável pela apuração de homicídios no Rio.

As autoridades identificaram quarto falhas no inquérito: ausência de imagens de câmeras de segurança, desaparecimento de um celular apreendido, falta de informações em busca e apreensão relacionada aos Brazão, e sabotagem da Operação Nevoeiro.

A defesa de Rivaldo Barbosa afirma que ele não tem qualquer envolvimento com o crime e alega que as acusações são infundadas, apontando a ausência de provas concretas que comprovem a participação do ex-delegado. Além disso, Barbosa destacou em seu depoimento a relação profissional que manteve com Marielle, ressaltando que a conheceu através do então vereador Marcelo Freixo (PT-RJ), para quem a vereadora trabalhou antes de ser eleita.

Ronnie Lessa revela motivação financeira por trás do assassinato de Marielle Franco

Em um depoimento revelador ao Supremo Tribunal Federal (STF), Ronnie Lessa confessou que o assassinato da vereadora Marielle Franco foi motivado pela promessa de uma recompensa financeira milionária. O ex-policial revelou que aceitou o crime em troca de R$ 25 milhões, valor estimado de terrenos que seriam entregues a ele, mudando a perspectiva sobre o brutal assassinato que chocou o Brasil em 2018.

Lessa admitiu que sua decisão de participar do crime foi impulsionada por dificuldades financeiras e a ilusão de uma grande fortuna, destacando a ganância como a principal força motriz por trás da execução de Marielle. O depoimento lança novas luzes sobre o envolvimento de pessoas poderosas e questiona as estruturas de poder que facilitaram a ação criminosa.


Videoconferência do depoimento do réu colaborador Ronnie Lessa no STF (Foto: reprodução/OGlobo)

O Depoimento de Ronnie Lessa

Ronnie Lessa, ex-policial militar e acusado de assassinar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em março de 2018, confessou em depoimento ao STF que aceitou matar a parlamentar em troca de uma promessa de R$ 25 milhões. O ex-PM, que anteriormente negava qualquer envolvimento no crime, surpreendeu ao revelar que a motivação financeira foi o fator decisivo para sua participação no assassinato.

Durante o depoimento, Lessa detalhou que o montante oferecido era equivalente ao valor de dois terrenos localizados em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Ele afirmou que a proposta surgiu em um momento em que ele enfrentava dificuldades financeiras, o que o levou a aceitar o “trabalho” oferecido. No entanto, até o momento, não foram divulgadas informações sobre quem teria feito essa oferta milionária.


Ronnie Lessa depõe ao STF sobre morte de Marielle (Vídeo: reprodução/YouTube/+SBT)

A Repercussão do Caso e Novas Investigações

A confissão de Lessa trouxe um novo capítulo para as investigações sobre a morte de Marielle Franco, que continua a ser um dos crimes políticos mais emblemáticos do Brasil. A revelação de que a motivação foi puramente financeira, sem qualquer aparente viés ideológico, muda a perspectiva do caso e lança luz sobre as conexões perigosas entre crime organizado e ex-membros das forças de segurança.

Autoridades agora trabalham para identificar quem estaria por trás da oferta feita a Lessa e quais interesses estavam em jogo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou que vai aprofundar as investigações para descobrir os mandantes do crime, uma vez que a identidade de quem encomendou a morte de Marielle continua envolta em mistério.

Com as novas declarações de Ronnie Lessa, a pressão aumenta sobre o sistema judiciário para resolver o caso, que já dura mais de seis anos sem uma resolução definitiva. A família de Marielle e movimentos sociais clamam por justiça, enquanto o Brasil acompanha de perto os desdobramentos desse episódio que expõe as fragilidades e a corrupção entranhada nas instituições do país.

STF avalia se Google deve informar quem pesquisou sobre Marielle na semana de sua morte

Uma nova medida pode ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que na ultima terça-feira (18) tornaram réus os acusados de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

O deputado Chiquinho Brazão (sem partido), Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Rivaldo Barbosa, delegado da Policia Civil, o major Ronald Paulo Pereira e Robson Calixto Fonseca, policial militar são os acusados.

De acordo com a PGR, a morte da vereadora foi encomendada por ela apresentar obstáculos diante de interesses financeiros dos irmãos Brazão.

Outro processo será julgado a respeito do crime, uma ação que debate se o Google deve ou não fornecer a lista de usuários que fizeram pesquisas com combinações de palavras que tivessem relação a vereadora, em março de 2018, durante a semana em que ocorreu sua morte.


Foto: reprodução/Portal Governo Federal

Entenda o processo

Para os investigadores do caso, as informações sobre quem pode ter pesquisado sobre Marielle são essenciais para a nova fase da produção de provas, que teve iniciou com a abertura da ação penal contra os possíveis mandantes.

Possíveis novas evidências podem ajudar a investigação a comprovar o que Ronnie Lessa – executor confesso do crime – narrou durante seu depoimento de acordo de colaboração premiada.

Decisões

A primeira instancia e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anteriormente haviam decidido que o Google deveria disponibilizar as informações, no entanto a empresa recorreu ao Supremo alegando que fornecer a lista seria violação à privacidade.

A empresa declara que a medida solicitada se for concluída, poderá abrir margem para que as pesquisas online se tornem meios de vigiar a população de forma indevida.

O Google ainda declara ao STF que atendeu a outras ordens judiciais a respeito do caso Marielle, mas que desta vez trata-se de “pedidos genéricos e não individualizados, contrariando a proteção constitucional à privacidade e aos dados pessoais”.

Anderson Gomes, motorista de Marielle Franco que a acompanhava no dia do crime também foi morto durante o atentado.

Viúva de Marielle Franco celebra decisão do STF de tornar os acusados réus do caso

Nesta terça-feira (18), Monica Benicio, vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL e viúva de Marielle Franco, comentou a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), de aceitar a denúncia contra os acusados e torná-los réus pelo crime de homicídio contra Marielle e o motorista Anderson Gomes. 

A decisão foi anunciada pelo relator do caso, Alexandre de Moraes, que indiciou o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, e os irmãos Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio de Janeiro, e Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio. 

Palavras de Monica

A vereadora comemorou em suas redes sociais o fato do veredito ter sido aprovado de forma unânime pelos cinco ministros. Monica escreveu que se sentia emocionada e aliviada pela decisão, e que essa unanimidade representa mais um passo significativo para a justiça prevalecer e acontecer. 


Declaração de Monica (Foto: reprodução/X/@monica_benicio)

“Não só por mim ou pela família de Anderson, mas por cada brasileiro e brasileira que não quer a barbárie instalada na nossa sociedade. A violência não pode fazer parte da política. A justiça por Marielle e Anderson é a busca por uma sociedade mais justa para todas as pessoas.”

Monica Benicio, vereadora e viúva de Marielle Franco

Monica também comentou que a solução do crime é uma chance de levar esperança ao Brasil, devolvendo sua democracia. A irmã de Marielle, Anielle Franco, também comentou sobre a decisão em suas redes sociais, “Desejo que o julgamento seja rápido, pois já esperamos tempo demais. Reitero minha confiança na justiça, na Polícia Federal e na condução do Supremo. O Brasil quer e precisa de justiça por Marielle e Anderson!”. 

A viúva de Anderson, Ágatha Arnaus, compartilhou uma foto do marido com o filho nas redes sociais e declarou que esse é um passo crucial para alcançar a justiça pelo caso. Ademais, ela também afirma que a luta é extensa, mas que não perderá a fé nas leis, “gostaria de ressaltar que esta luta por justiça não é só por mim, nem pelo meu marido, mas pelo nosso filho Arthur, que é meu “pedacinho de Anderson”, e que infelizmente não tem o pai ao seu lado para compartilhar a alegria da vida.”


Publicação da esposa de Anderson Gomes (Foto: reprodução/Instagram/@agathaarnaus)


Processo entrará na fase de coleta de provas 

O processo também colocou como réus, o major da Polícia Militar Ronald Paulo, responsável por acompanhar Marielle em deslocamentos de eventos, e o ex-assessor de Domingos Brandão, Robson Fonseca. Agora, o caso entrará na parte de instrução, onde serão coletadas provas, testemunhos e a realização de interrogatórios com os acusados. 

Após isso, o caso deverá entrar em julgamento para definir as penas dos envolvidos. A defesa dos réus decidiu não recorrer da decisão judicial e irá aguardar a próxima fase da investigação para agir. Apesar disso, Rivaldo Barbosa e Chiquinho Brazão negam ter participado do homicídio ocorrido em março de 2018.

Por unanimidade, STF torna réus os acusados de mandar matar Marielle Franco

Nesta terça-feira (18), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, aceitou a denúncia que torna réus os acusados de mandar assassinar a vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, motorista de Marielle, mortos em 2018. 

Próximos passos 

Alexandre de Moraes, ministro do STF e também relator do caso, afirmou que os elos entre os interesses da organização criminosa e os assassinatos são convincentes, fortalecendo os argumentos apresentados pela acusação, levando os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do RJ, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo de Alves Paula, major da Polícia Militar, e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, a responderem criminalmente.

O ministro ainda declarou que os indícios colhidos após a colaboração premiada de Ronnie Lessa forneceram materialidade da autoria e existência da organização criminosa da qual um dos réus fazia parte (Chiquinho Brazão) e exercia influência política desde os anos 2000, e que Chiquinho teria sido o mandante dos crimes de homicídio. 

Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia forneceram apoio a Alexandre de Moraes.

Em seguida, o processo entrará na fase de instrução, o que dará início à coleta de provas, depoimentos e interrogatórios dos réus. Logo após, a defesa dos acusados entrará em ação e a PGR apresentará suas alegações finais, abrindo espaço para o julgamento, em que todo o conjunto do processo tornará os réus absolvidos ou não. Na segunda hipótese, as penas também serão definidas. 

A defesa dos acusados, em manifestação, disseram que não há pretensão de apresentar recursos ao STF.

Desdobramentos e acusações 

O ministro Alexandre de Moraes deu início à sessão de acusação da PGR por volta das 14h50, a qual ele abriu com a leitura do caso como, além de ministro, também relator. Em seguida, Luiz Augusto Santos Lima, subprocurador-geral da República, apresentou a denúncia. 

O representante da PGR, Paulo Gonet Branco, afirmou que a investigação revelou uma perigosa relação entre as milícias e os cargos eletivos do município do Rio de Janeiro.

“O peculiar modo de atuação das milícias fluminenses, com ocupação territorial permanente, favorece o modelo de negócios imobiliários dos irmãos Brazão […] Nos territórios controlados por milicianos, apenas candidatos apoiados por eles estão autorizados a exercer atos de campanha eleitoral. A contrapartida exigida pelos grupos criminosos é de que, uma vez eleitos, esses aliados defendam seus ilícitos interesses junto às instituições de Estado.”

O subprocurador-geral completou sua participação dizendo que, com base nas denúncias, há provas dos crimes de assassinato através dos laudos das perícia e também do crime de organização criminosa e que isso é o suficiente para reconhecer justa causa à ação penal. 

Os advogados de defesa solicitaram a anulação da denúncia por falta de provas, abrindo de dúvida quanto ao depoimento do réu confesso Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, ambos presos em 2019 por execução do assassinato. 

Já o advogado de Rivaldo Barbosa negou qualquer tentativa de interferência nas investigações por parte dos seus clientes e ainda afirmou que, neste momento, acusar Barbosa é colocar a própria Polícia Civil carioca no banco dos réus. 

A defesa de Chiquinho Brazão afirmou que existem diversas inconsistências no depoimento de Lessa e que não havia nenhum ressentimento entre o seu cliente e Marielle Franco. A defesa de Brazão também afirmou que tudo não passa de uma “criação”. 

A defesa de Ronald Paulo, acusado de acompanhar os passos de Marielle na noite do assassinato, afirmou que a denúncia não se sustenta e que ele foi envolvido na “judicialização de uma fofoca”. 

Por último, a defesa de Domingos Brazão, irmão de Chiquinho, afirmou que não há narrativa suficiente que ligue o mandato do deputado ao crime de organização criminosa, sendo esta a única possibilidade de mantimento do caso. 

Marielle Franco foi socióloga e vereadadora pelo PSOL, símbolo das lutas da população negra e periférica, assim como a promoção da cidadania e justiça social. Marielle foi homenageada postumamente pela ALERJ com a Medalha Tiradentes.


Vereadora Marielle Franco, símbolo na luta pelos direitos humanos e prevalência das comunidades (reprodução/Instagram/@mariellefranco)

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, no Rio de Janeiro. Marielle e seu motorista foram pegos em uma emboscada enquanto retornavam para a casa da vereadora, após a participação em um evento sobre mulheres negras na Lapa.

Caso Marielle: Declaração de Ronnie Lessa omite documentos do assassinato

Os novos depoimentos de Ronnie Lessa quanto ao assassinato de Marielle Franco em 2018, referentes à delação premiada, foram propagandeados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (07), após a retirada de sigilo das oitivas que ainda não tinham sido divulgadas.

Em determinada parte de seu relato, Lessa explana detalhadamente seu vínculo com um dos grandes bicheiros cariocas, Rogério Andrade, e que, após obter sua permissão, explorou diversas máquinas caça-níqueis na região da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Entretanto, em sua declaração carecem os anexos referentes a sua colaboração como assassino de Marielle Franco.


A ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (Foto: Reprodução/Pinterest/@giovannasegeti)

Pormenores de nova declaração

Lessa relatou ter inspecionado a rotina de Marielle durante três meses e que houveram adversidades ao tentar executar o crime. Isso pois, a ex-vereadora foi até um bar, o qual era difícil acessar, bem como sua residência, segundo o assassino.

Ronnie informou que o acordo era matar Marielle, e dois loteamentos seriam entregues, sendo um deles para o mandante. Segundo o réu, foi o ex-policial Edmilson Macalé que realizou o crime.

Edmilson agia em sincronia com Robson Calixto, conhecido como o Peixão, que também é sondado por ter, possivelmente, uma união com os irmãos Brazão; Macalé foi morto em 2021.

Também foi narrado no depoimento que a morte do motorista de Marielle, Anderson Gomes, não deveria ter ocorrido. Ronnie só ficou sabendo de sua morte após o crime, quando ele e o motorista, Élcio Queiroz, foram para um bar na Barra da Tijuca, e um garçom comentou sobre, mostrando fotos.


Ronnie Lessa, ex-policial militar que auxiliou no assassinato de Marielle Franco, ex-vereadora do Rio de Janeiro, assassinada em 2018 (Foto: Reprodução/Pinterest/@marleneebisa)

Élcio e Ronnie foram ao bar após passarem na casa da mãe do primeiro, onde depositaram a arma e o carro usados na delinquência.

Repercussão do caso

Durante seu trato de delação premiada, Ronnie informou que a propagação desmedida do homicídio da ex-vereadora Marielle não era esperado, causando apreensão nos envoltos na atrocidade.

A alegação ocorreu enquanto o ex-PM descrevia um encontro com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, que ocorreu após o crime. Ainda segundo Lessa, os irmãos são os mandantes do delito.

A aflição foi comedida pelos irmãos, que advertiram a Ronnie que Rivaldo Barbosa, que atuava na época como chefe da Polícia Civil, estava verificando e fazendo com que a investigação olhasse para o outro lado, tomando outro rumo.

Segundo Lessa, os dois o teriam tranquilizado dizendo que o então chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, “estava vendo” e estaria “virando o canhão” da investigação para o outro lado.

A PGR, Procuradoria-Geral da República, acusou os irmãos pelo envolvimento na infração. Todavia, qualquer coadjuvação fora contestada.

A defesa de Domingos Brazão é realizada pelos advogados Márcio Palma e Roberto Brzezinski que, na época da denúncia, asseguraram que a participação de Domingos não passa de uma “narrativa do assassino”, uma vez que não há provas que sustentem tal alegação.


Chiquinho e Domingos Brazão, possíveis mandantes do assassinato de Marielle Franco (Foto: Reprodução/Pinterest/@g1)

No mesmo período houve um pronunciamento da defesa de Chiquinho Brazão, efetuada por Cléber Lopes, o qual informou não ter obtido a acusação difundida ao STF, assim como os termos da queixa que a PF citou, impossibilitando um julgamento das denúncias.

Na segunda-feira (03/06), Rivaldo depôs junto à Polícia Federal, onde contrapôs qualquer comprometimento com o assassinato, e ainda relatou ser alvo de “perseguição”. O delegado informou que foram indicadas instabilidades na apuração que gerou a prisão.