Sarkozy inicia cumprimento de pena e afirma ser vítima de “escândalo judiciário”

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy iniciou nesta terça-feira (21) o cumprimento de sua pena de cinco anos de prisão por conspiração para arrecadar fundos ilegais da Líbia. Condenado no fim de setembro, o ex-líder conservador chegou à penitenciária de La Santé, em Paris, acompanhado de sua esposa, Carla Bruni. O local, de segurança máxima, já abrigou nomes como Manuel Noriega e Carlos, o Chacal.

Cela individual e rotina em isolamento

Em declaração ao jornal La Tribune Dimanche, Sarkozy afirmou: “Não tenho medo da prisão. Vou manter minha cabeça erguida, inclusive nos portões da prisão”. Antes de ser detido, ele publicou no X que “não é um ex-presidente da República que está sendo preso esta manhã, é um inocente”. O ex-líder também prometeu continuar denunciando o que chama de “escândalo judiciário” que o persegue há mais de uma década.

De acordo com o chefe do sistema prisional francês, Sebastien Cauwel, Sarkozy ficará em uma cela individual, entre 9 e 12 metros quadrados, com chuveiro privativo, televisão e telefone fixo. Ele poderá sair duas vezes ao dia para o pátio, sempre sozinho, por motivos de segurança. Seu advogado, Jean-Michel Darrois, informou que já apresentou um pedido de liberdade e que o ex-presidente pretende escrever durante o tempo em que estiver preso.


Nicolas Sarkozy é preso na França (Vídeo: reprodução/YouTube/@cbnrede)

Condenação marca virada no combate à corrupção política

A sentença contra Sarkozy encerra anos de investigações sobre o suposto financiamento líbio de sua campanha presidencial de 2007, que teria recebido milhões de euros do regime de Muammar Kadhafi. Embora absolvido de uso direto dos fundos, foi condenado por conspirar para obtê-los. O caso representa um marco na postura da Justiça francesa, que tem adotado medidas mais duras contra crimes de colarinho branco, exigindo o cumprimento imediato de penas, mesmo com recursos pendentes.

Segundo o advogado Darrois, Sarkozy levou suéteres, protetores auriculares e três livros para sua primeira semana, entre eles O Conde de Monte Cristo, clássico sobre injustiça e vingança. A prisão do ex-presidente dividiu a opinião pública: enquanto aliados classificam a decisão como “política”, pesquisa da Elabe indica que 61% dos franceses apoiam a execução imediata da pena. O presidente Emmanuel Macron, que manteve boa relação com Sarkozy, confirmou ter se encontrado com ele antes da detenção.

Sarkozy recebe sentença de cinco anos de prisão por conspiração criminosa

Nesta quinta-feira, dia 25 de setembro, o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy recebeu a sentença de cinco anos de prisão. O ex-presidente foi considerado culpado por conspiração criminosa, enquanto estava fazendo sua campanha presidencial no ano de 2007. A condenação se refere ao uso de métodos ilegais para financiar a campanha presidencial, por meio de recursos vindos da Líbia, país localizado no norte da África. A defesa de Sarkozy poderá recorrer da decisão, mas o ex-presidente será preso da mesma forma; caso recorra, Nicolas Sarkozy esperará o resultado dentro da cadeia. 

O processo

Nicolas Sarkozy, ex-presidente da França, estava sendo julgado por corrupção passiva; por receber, ilegalmente, valores para financiar sua campanha presidencial; e por conspiração criminosa. Somente a última acusação – conspiração criminosa – se tornou uma condenação; Nicolas não foi considerado culpado as duas outras acusações: segundo a juíza do caso, Nathalie Gavarino, as provas a respeito da corrupção passiva e financiamento ilegal da campanha eram inexistentes. 


Ex-presidente da frança é condenado a cinco anos de prisão (Vídeo: Reprodução/YouTube/@CNNBrasil)

As acusações são resultantes de um suposto acordo que Nicolas teria feito com o ditador líbio Muammar Kadhafi. O acordo teria sido firmado em 2005, quando Sarkozy era o então Ministro do Interior, durante o mandato presidencial de Jacques Chirac. A investigação começou em 2013, dois anos após a morte de Kadhafi. Saif al-Islam – o filho de Muammar Kadhafi – fez a acusação que Sarkozy teria recebido dinheiro de Kadhafi, dando o pontapé inicial nas investigações. 

O caminho de Sarkozy até a presidência 

Nicolas Sarkozy ocupou diversas posições dentro da política francesa antes de chegar à presidência. Ele foi deputado; prefeito da cidade de Neuilly-sur-Seine; foi ministro nos governos do presidente François Mitterrand e do presidente Jacques Chirac. Sarkozy lançou sua candidatura à presidência para o mandato de 2007-2012, e ganhou.

Em seu mandato presidencial, mesmo sendo alinhado à direita, Nicolas mantinha boas relações com o Brasil, que na época também tinha Lula como presidente. A condenação de Sarkozy se refere somente ao período entre 2005 e 2007, quando o político era o Ministro do Interior: ao se tornar presidente, ele recebeu a imunidade presidencial.

Ex-primeira-dama da França é indiciada por irregularidades em campanha eleitoral

Nesta terça-feira (09), a justiça francesa decidiu acusar a cantora e ex-primeira dama do país, Carla Bruni, por auxiliar em irregularidades no financiamento da campanha eleitoral do seu marido, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, ocorrida em 2007. Segundo a justiça, Carla teria manipulado algumas testemunhas e participado ativamente de uma associação criminosa para cometer o crime. 

Controle judicial 

As suspeitas da justiça francesa são de que o dinheiro utilizado na campanha eleitoral tenha vindo da Líbia, e a principal testemunha do caso, o empresário Ziad Takieddine, confirmou a informação. Ele afirma que chegou a entregar uma pasta com milhões de euros vindo do ditador líbio Muammar Khaddafi para o líder da equipe de Nicolas Sarkozy, mas recentemente ele voltou atrás e negou que tenha realizado essa transação. 

Segundo as análises realizadas, as pessoas próximas a Sarkozy teriam agido e influenciado o empresário a mudar seu depoimento e uma dessas pessoas seria Carla Bruni. A polícia, em investigações, descobriu que a ex-primeira dama apagou mensagens de uma conversa com a jornalista francesa Michele Marchand após a comunicadora ser acusada de manipular testemunhas em 2021. 


Nicolas Sarkozy e Carla Bruni (Foto: reprodução/Christian Liewig – Corbis/Corbis via Getty Images Embed)


Com a acusação, a justiça decidiu colocar Carla Bruni em controle judicial e proibi-la de contatar outras pessoas envolvidas no caso, exceto seu marido, Nicolas Sarkozy. Os advogados de Carla lamentaram a decisão afirmando ser uma acusação infundada. Eles também declararam que a ex-primeira dama irá recorrer do processo. 

Caso se iniciou em 2021

O caso começou a ser investigado em 2021, mas somente em 2023 que Sarkozy foi indiciado pela justiça. Ele é acusado de formar associações criminosas para realizar uma fraude judicial e de manipular testemunhas. Em abril de 2024, ele chegou a entrar com um pedido de anulação do processo que não foi deferido pela justiça. 

Apesar de negar todas as acusações, o político seguirá para julgamento que deve ocorrer no início de 2025.


Ex-presidente Nicolas Sarkozy (Foto: reprodução/Luke Dray/Getty Images Embed)


Nicolas Sarkozy foi presidente da França entre os anos de 2007 a 2021 e faz parte do partido republicano do país. Em 2021, ele chegou a ser condenado pela campanha eleitoral realizada no ano de 2012. Sarkozy foi acusado de financiar ilegalmente sua candidatura e por corrupção e foi sentenciado a um ano de prisão na época.