SpaceX prepara megainvestida na bolsa e pode alcançar valor de mercado acima de US$ 1 trilhão

A SpaceX, empresa de exploração espacial comandada por Elon Musk, começou a dar os primeiros passos para um dos IPOs mais aguardados da última década. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, a companhia pretende levantar mais de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 136,75 bilhões) em uma oferta pública inicial de ações prevista para 2026. Caso a projeção se confirme, o movimento poderá impulsionar o valuation da fabricante de foguetes para além da marca de US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,47 trilhões), colocando a empresa entre as mais valiosas do mundo.

Além do impacto financeiro, um IPO da SpaceX pode redefinir o ecossistema de inovação espacial. A abertura de capital tende a ampliar a pressão por transparência e acelerar investimentos em tecnologias críticas, como sistemas de lançamento reutilizáveis, infraestrutura orbital e projetos de exploração interplanetária.

Starlink e Starship impulsionam ambição trilionária

A decisão de abrir capital ganhou força graças à aceleração do crescimento do Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX. A empresa vem ampliando rapidamente sua cobertura global, além de desenvolver novos serviços, como conectividade direta para dispositivos móveis, um salto que pode redefinir o setor de telecomunicações.


SpaceX’s Starship rocket 38 (Foto: reprodução/GABRIEL V. CARDENAS/AFP via Getty Images Embed)


Outro motor do otimismo é o avanço do programa Starship, o foguete de próxima geração projetado para missões de grande porte, incluindo futuras viagens à Lua e a Marte. O progresso técnico e a perspectiva de contratos bilionários com a NASA e outras agências espaciais reforçam o apetite dos investidores por uma participação na empresa.

De acordo com a fonte, a SpaceX já iniciou conversas preliminares com bancos e instituições financeiras sobre a estrutura do IPO, cujo lançamento deve ser discutido formalmente entre junho e julho de 2026.

Mercado aquecido e expectativas globais

A possível abertura de capital ocorre em um cenário de retomada do mercado de IPOs, após três anos de retração global. A partir de 2025, especialistas têm observado um ressurgimento das ofertas públicas, e a previsão é de que esse movimento ganhe força em 2026, impulsionado por empresas de tecnologia com forte demanda reprimida.

Executivos de Wall Street avaliam que a SpaceX pode se tornar o grande destaque desse ciclo. Para Samuel Kerr, chefe de mercados de capitais de ações da Mergermarket, a companhia “representa uma das oportunidades mais empolgantes no mercado global de IPOs” e está na “lista de desejos de vários investidores há anos”.

A SpaceX não comentou oficialmente a informação, mas o interesse crescente do mercado sugere que a abertura de capital pode redefinir não apenas o setor aeroespacial, como também o próprio panorama das empresas trilionárias no mundo.

SpaceX realiza 11º teste de voo do foguete Starship

Durante a noite desta segunda-feira (13), por volta das 20h20, a SpaceX conseguiu realizar com sucesso o 11º voo-teste da aeronave Starship, após falhas em testes anteriores. A nave permaneceu cerca de sete minutos no espaço e retornou a Terra, caindo no Golfo do México.

Uma das partes da nave continua no espaço, transmitindo imagens ao vivo para a empresa. O resultado positivo do novo teste marca um avanço significativo nas apostas da Nasa e de Elon Musk (CEO da SpaceX) para a exploração espacial, incluindo viagens tripuladas para outros planetas e para a Lua. 

11º voo-teste 

Para o 11º teste da nave Starship, foram realizados experimentos e modificações no sistema operacional, visando restaurar capacidades que não tiveram resultados positivos nos testes anteriores. Após sete minutos no ar, a nave executou uma aterrissagem bem sucedida no Golfo do México. A aterrissagem foi um dos problemas nos outros voos que dificultaram o avanço da missão. O fato de uma das partes da aeronave ter ficado no espaço e estar transmitindo imagens ao vivo também é significativo, podendo ajudar na tecnologia desenvolvida pela SpaceX.

Até o momento, o desenvolvimento da Starship estava apresentando dificuldades desde novembro de 2024, como o cancelamento do 10º teste no dia 25 de agosto. Faltavam apenas dez segundos para que a aeronave fosse lançada, quando a SpaceX interrompeu o teste, alegando problemas climáticos. Entretanto, o teste ocorreu no dia seguinte (26), conseguindo liberar oito protótipos de satélites da Starlink no espaço, e em seguida pousando no Oceano Índico. 


Momento do lançamento da aeronave Starship (Vídeo: reprodução/YouTube/VideoFromSpace)

Planos para a Starship

Elon Musk mantém uma visão ambiciosa quanto a Starship, alegando que a nave será o veículo que levará os primeiros humanos para Marte. Musk apresenta esse objetivo desde os primeiros estágios do projeto, considerando a nave como uma peça principal na exploração do nosso planeta vizinho. 

Além de estar na visão de Musk, a Starship também está na mira da Nasa, mas na exploração lunar. O plano da agência dos EUA é utilizar a aeronave na missão Apollo, que busca levar astronautas à Lua novamente, ainda nessa década. Contudo, o projeto ainda está nos primeiros passos da fase de desenvolvimento, com a nave precisando demonstrar mais resultados positivos, já que entre os dez testes anteriores, seis falharam, incluindo até mesmo a explosão de um protótipo durante teste em solo ainda.

Elon Musk se torna a primeira pessoa do mundo a alcançar fortuna de US$ 500 bilhões

Elon Musk acaba de se tornar a pessoa mais rica do mundo, de acordo com levantamento feito pela Forbes nesta quarta-feira (1º). O bilionário acumula um patrimônio líquido de US$ 500 bilhões (R$ 2,66 trilhões), alcançando um recorde mundial. 

Agora, com Musk na liderança, o segundo lugar na lista ficou para Larry Ellison, que tem um patrimônio líquido de US$ 276 bilhões (R$ 1,49 trilhão). Musk já havia se tornado a primeira pessoa a atingir os US$ 400 bilhões (R$ 2,128 trilhões) em dezembro do ano passado e atualmente está no caminho de se tornar o primeiro trilionário do mundo, como CEO da Tesla e da SpaceX – fundada por ele em 2002.

Fontes da fortuna de Elon Musk

A fortuna de Musk é composta especialmente por ações em empresas. A Tesla, onde detém 12% de ações, teve uma alta de 10% em dezembro, fazendo a parcela de Musk atingir US$ 191 bilhões (R$ 1,016 trilhão). Além das ações, ele também ocupa a posição de CEO da empresa automobilística, mas seu pacote de remuneração foi anulado por decisão judicial de Delaware no início deste ano.

Além disso, a SpaceX, fundada por Elon Musk no início dos anos 2000, está avaliada em cerca de US$ 400 bilhões (R$ 2,128 trilhões). Musk atualmente tem em posse uma participação estimada de 42% na gigante, ou seja, aproximadamente US$ 168 bilhões (R$ 893,8 bilhões). 

Ainda no ramo tecnológico, Musk foi responsável por fundar a xAI Holdings (avaliada em US$ 113 bilhões) em março, através da fusão da xAI, sua empresa de inteligência artificial, com o X (antigo Twitter). O bilionário controla cerca de 53% da xAI Holdings, com um valor de US$ 60 bilhões (R$ 318,6 bilhões).


Tesla é uma das principais fontes da fortuna de Musk (Foto: reprodução/Jeremy Moeller/Getty Images Embed)

Conquista de Musk

Somando esses valores, Musk efetivamente se tornou a primeira pessoa do mundo a atingir a marca histórica de US$ 500 bilhões. Segundo a Forbes, esse aumento em seu patrimônio líquido deriva principalmente da alta das ações da Tesla.

Em setembro, Musk fez uma postagem em seu perfil na rede X, afirmando que a conquista não tem ligação com o dinheiro e sim com ter influência na Tesla para garantir a segurança de construção de robôs. Em sua postagem, o bilionário ainda complementou sua fala dizendo que não se sente confortável com um futuro onde ele possa ser expulso por empresas de consultoria ativistas da Tesla. 

SpaceX alcança marco histórico com novo teste da Starship

A SpaceX realizou, nesta terça-feira (26), o 10º voo experimental do foguete Starship, partindo da base Starbase, no Texas. O voo cumpriu todas as manobras previstas. A Starship separou-se do propulsor Super Heavy, demonstrou transporte de carga útil e coletou dados inéditos durante a reentrada. Além disso, os resultados fortalecem a campanha de testes da nave.

Primeira demonstração de carga útil da Starship

Durante o teste, a Starship implantou oito simuladores de satélites Starlink. Essa foi a primeira vez que a nave demonstrou sua capacidade de transportar carga útil. Além disso, o foguete atingiu velocidade suborbital com os seis motores Raptor do estágio superior operando conforme planejado. O feito mostrou a capacidade de transportar equipamentos e abre caminho para futuras cargas mais complexas.

Super Heavy e Starship cumprem objetivos em voo

Após a separação, o propulsor Super Heavy iniciou a queima de retorno rumo à zona de pouso prevista. Na fase de descida, a equipe da SpaceX desativou um dos três motores centrais e ligou um motor reserva. Dessa forma, a redundância do sistema foi testada com sucesso. O propulsor pairou sobre a água antes de realizar o pouso controlado.

O foguete manteve a propulsão ativa durante a ascensão até atingir a velocidade esperada. Na sequência, a equipe ativou novamente um dos motores Raptor em velocidade suborbital. A etapa é crucial para ajustes de trajetória e reentrada, mostrando avanços na confiabilidade do foguete e fornecendo dados relevantes para próximos testes.


10º voo experimental do foguete Starship (Vídeo: reprodução/X/@SpaceX)

Avanços rumo à Lua e a Marte

O teste forneceu dados cruciais para o aprimoramento das futuras versões da Starship e do Super Heavy. Além disso, o comportamento do escudo térmico durante a reentrada foi cuidadosamente avaliado, assegurando maior segurança para missões com tripulação.

O foguete é peça-chave nos planos de Elon Musk de enviar humanos a Marte. O foguete também servirá à Nasa em futuras expedições lunares. Dessa forma, o sucesso do 10º voo representa um passo importante rumo a um sistema totalmente reutilizável. Essa estratégia permitirá reduzir custos, aumentar a frequência de lançamentos e acelerar a exploração interplanetária.

Novos desafios para a Starship

Com a décima missão concluída, a SpaceX fortalece seu papel na exploração espacial. Além disso, durante o voo, foram confirmadas a eficiência dos sistemas principais e obtidos resultados relevantes para aprimoramentos futuros.

Isso significa que o desempenho da Starship aproxima a empresa de novos desafios. Agora, o objetivo é consolidar a reutilização total do foguete e viabilizar viagens de longa distância. Consequentemente, os registros obtidos representam um progresso relevante rumo ao retorno lunar e, posteriormente, à exploração de Marte.

SpaceX se prepara para 10º teste de voo para Starship

A SpaceX, empresa de Elon Musk, se prepara para o décimo teste de voo de seu foguete Starship, neste domingo (24), dentro do complexo de lançamento em Starbase, Texas. A expectativa é que o novo lançamento estabeleça avanços significativos no desenvolvimento da nave, após uma série de testes anteriores que enfrentaram falhas em fases iniciais do voo.

Preparativos e planos para o futuro

O foguete, composto pelo propulsor Super Heavy, de 70 metros, e pelo estágio superior Starship, com 52 metros de altura, estava posicionado em seu suporte de lançamento horas antes do horário previsto para decolagem, marcado para 19h30 (horário do leste dos EUA). Elon Musk deve fornecer atualizações sobre os últimos avanços no projeto pouco antes do início da missão.

O desenvolvimento da Starship é considerado importante para os planos de Musk, tanto para os negócios de lançamento da SpaceX quanto para suas ambições de exploração de Marte. A Nasa planeja utilizar o foguete em 2027 para levar astronautas à Lua, marcando o retorno de missões tripuladas ao satélite natural desde a era Apollo.


Empresário Elon Musk (Foto: reprodução/Allison Robbert/Getty Images Embed)


O sucesso da Starship também está relacionado ao futuro do serviço de internet via satélite Starlink, outra iniciativa de destaque da SpaceX. Musk pretende usar a capacidade de carga da Starship para colocar satélites maiores em órbita, para trabalhar em conjunto com o Falcon 9, responsável atualmente pelos lançamentos do projeto.

Imprevistos e detalhes do plano de voo

Este ano, a Starship enfrentou muitos contratempos, incluindo falhas no início de voos, problemas em trajetórias suborbitais e uma grande explosão na plataforma de testes em junho, que deixou detritos espalhados próximos ao México. Mesmo assim, a empresa manteve um ritmo acelerado de produção e testes, desenvolvendo novas unidades da nave em suas instalações no Texas.

O teste deste domingo vai manter o padrão de separação entre o Super Heavy e a Starship em altitude elevada. O primeiro retornará ao Golfo do México para pouso em águas calmas, enquanto o estágio superior prosseguirá em trajetória suborbital, simulando o lançamento de satélites Starlink e testando a reativação de motores no espaço. Durante a reentrada atmosférica sobre o Oceano Índico, o foguete enfrentará temperaturas extremas, colocando à prova o escudo térmico e os flaps de direção, elementos essenciais para sua rápida reutilização.

De acordo com a SpaceX, o perfil de reentrada foi projetado para submeter os flaps traseiros a forças máximas, garantindo que os limites estruturais da nave sejam testados sob condições extremas, aprendendo com os desafios enfrentados em voos anteriores.

Missão Ax-4 retorna à Terra com astronautas de quatro países

A missão Axiom 4 (Ax-4) retorna à Terra nesta terça-feira (15), com previsão de chegada às 6h30 (horário de Brasília), na costa da Califórnia. A nave espacial denominada Dragon, da SpaceX, traz de volta quatro astronautas de diferentes países. A missão foi conduzida pela empresa Axiom Space, que irá transmitir a amerissagem, além do YouTube da Nasa.

Após 18 dias acoplados à Estação Espacial Internacional (ISS), os quatro astronautas – entre eles, uma americana, um indiano, um polonês e um húngaro – encerram sua missão focada em experimentos científicos. A conexão entre a iniciativa privada e a pesquisa demonstram um passo importante no avanço da exploração espacial.

Os astronautas da missão Ax-4

A tripulação da nave espacial é composta por quatro profissionais de diferentes países: a veterana Peggy Whitson (EUA), o piloto Shubhanshu Shukla (índia), e os especialistas Sławosz Uznański‑Wiśniewski (Polônia) e Tibor Kapu (Hungria). Eles passaram mais de duas semanas na ISS, onde produziram cerca de 60 experimentos, que envolviam desde biologia do câncer e pesquisa celular até fisiologia humana e cultivo de plantas. 


Astronautas se preparam para embarcar na nave em 24 de junho (Foto: reprodução/Giorgio Viera/Getty Images Embed)


Entre os estudos realizados, estão incluídas iniciativas fundamentais para a saúde do ser humano no espaço, como avanços no monitoramento e tratamento de diabetes. Essa missão trouxe o retorno da Índia, Polônio e Hungria em missões espaciais patrocinadas pos seus governos, respectivamente.

Objetivo da empresa Axiom Space

A Axiom Space, responsável pela missão, tem como objetivo construir a Axiom Station, primeira estação espacial comercial mundial. A cápsula Dragon, desenvolvida pela SpaceX – empresa fundada e comandada por Elon Musk -, demonstra uma parceria entre empresas privadas e a NASA em um novo modelo de exploração espacial.

Com o sucesso da Ax-4, a Axiom Space avança em sua meta de criar um laboratório e ampliar a presença comercial no espaço. A estrutura do laboratório permanece em fase de desenvolvimento, com a data prevista de lançamento ainda não definida pela empresa.

Governo Trump manda revisar contratos da SpaceX após embate com Elon Musk

Em meio a uma disputa pública com Elon Musk, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou neste mês que a Nasa e o Departamento de Defesa realizem uma revisão detalhada dos contratos firmados com a SpaceX, segundo a Reuters. A medida pode abrir caminho para retaliações políticas e comerciais contra o bilionário, cujas empresas receberam bilhões de dólares em recursos públicos.

Revisão limita papel da SpaceX na defesa antimísseis dos EUA

O governo dos Estados Unidos deu início a uma apuração detalhada dos contratos firmados com a SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, após recentes atritos públicos entre o bilionário e o presidente Donald Trump. De acordo com fontes ouvidas pela agência Reuters, a Casa Branca solicitou que tanto o Departamento de Defesa quanto a Nasa revisem os acordos que somam cerca de US$22 bilhões.

Segundo pessoas próximas ao processo, o objetivo da revisão é reunir informações detalhadas sobre os acordos mantidos com a SpaceX, especialmente no contexto de um novo programa de defesa antimísseis que a empresa poderia integrar. Fontes ligadas ao Pentágono indicaram que está em avaliação a possibilidade de restringir a atuação da companhia nesse projeto estratégico.

A iniciativa da Casa Branca surge após Trump afirmar, no início de junho, que seu governo poderia rever contratos e benefícios concedidos às empresas de Musk. A declaração soou como uma resposta direta à troca de críticas públicas com o empresário, que até recentemente integrava o governo como conselheiro e líder de um órgão dedicado à eficiência administrativa, o DOGE.


Trump acompanha o sexto lançamento de teste da Starship, nave da SpaceX, em novembro de 2024, antes dos conflitos com Musk (Foto: reprodução/Brandon Bell/Getty Images Embed)


Especialistas apontam riscos de uso político de contratos

Embora ainda não esteja claro se contratos existentes podem ser legalmente revogados, a revisão alimenta suspeitas de uma possível retaliação e levanta preocupações sobre o uso de instrumentos públicos para fins pessoais ou políticos. Especialistas em governança veem riscos à transparência e à integridade na gestão dos recursos federais.

De acordo com fontes próximas ao governo, a principal motivação por trás da revisão dos contratos seria preparar o terreno para uma possível ação direta contra Elon Musk, caso o presidente decida adotar medidas mais duras. Uma das fontes chegou a afirmar que a análise busca fornecer “instrumentos políticos” que possam ser usados contra o empresário, caso necessário.

SpaceX e Departamento de Defesa não se pronunciaram. A Nasa afirmou que continuará trabalhando com parceiros do setor privado para cumprir as metas espaciais da atual gestão. Já a Casa Branca evitou comentar especificamente os contratos da SpaceX, mas ressaltou, segundo a Reuters, que todas as licitações passam por processos rigorosos de avaliação.

Elon Musk rompe com Donald Trump e ameaça suspender apoio à NASA

Uma tensão sem precedentes abalou as relações entre o setor privado e o governo dos Estados Unidos nesta quinta-feira (5), após uma série de declarações explosivas entre Elon Musk e o presidente Donald Trump. O embate, que começou nas redes sociais, rapidamente ganhou contornos políticos e pode impactar diretamente os projetos espaciais norte-americanos com a Estação Espacial Internacional.

Polêmica nas redes sociais

O início do embate se deu quando Musk respondeu a uma postagem sugerindo seu enfrentamento direto com o presidente, apoiando a ideia de impeachment de Trump e sugerindo o senador JD Vance como substituto. Em seguida, o bilionário intensificou a polêmica ao afirmar que, diante das ameaças de cancelamento de contratos governamentais com suas empresas, a SpaceX começará a descomissionar sua nave espacial Dragon.

A possível retirada da Dragon das operações representa um risco estratégico para os EUA. A cápsula é atualmente a única nave em atividade capaz de transportar grandes volumes de carga da Estação Espacial Internacional (ISS) de volta à Terra — além de ser crucial no transporte de astronautas. Sem ela, a NASA enfrenta um vácuo logístico considerável, especialmente após os problemas com a nave da Boeing, que deixaram dois astronautas presos por nove meses na ISS (International Space Station).


Elon Musk era conselheiro de Trump e anunciou que deixará seu cargo no governo (Foto: reprodução/Kevin Dietsch/Getty Images Embed)


Liberdade espacial EUA

O clima de confronto entre Musk e Trump escancara a crescente dependência do governo americano das iniciativas privadas para sustentar sua presença no espaço. Embora as tensões entre política e inovação não seja novidade, raramente se manifestaram com tamanha intensidade e potencial de dano imediato.

A SpaceX ainda não emitiu um comunicado oficial sobre as declarações de Musk, mas o episódio já provoca inquietação nos bastidores de Washington e da comunidade científica. Caso a ameaça se concretize, os impactos serão sentidos muito além da órbita terrestre — atingindo diretamente a credibilidade e a liderança espacial dos Estados Unidos.

Musk diz que SpaceX terá receita de US$15 Bi em 2025

Nesta terça-feira (03), o bilionário e controlador da SpaceX, Elon Musk afirma que a empresa deve ter receita de aproximadamente US$15 Bilhões (aproximadamente R$84,5 Bi na cotação atual) e ressalta sobre o crescente domínio da companhia no setor espacial comercial. Musk utilizou suas redes sociais para comunicar sobre o planejamento financeiro para o ano.

O futuro da SpaceX também inclui o desenvolvimento do Starship, foguete de 122 metros que, segundo Musk, será essencial para levar humanos a Marte, além do envolvimento e favoritismo da empresa no projeto de defesa do governo para fornecimento de componentes para o escudo antimísseis ‘Golden Dome’.


Foguete Starship, da SpaceX, explode em lançamento (Vídeo: reprodução/YouTube/Uol)

Estimativa de Musk

De acordo com o bilionário, a empresa focada em operações comerciais no espaço excederá o orçamento da Agência Espacial Norte-Americana (NASA). Musk disse ainda através de sua conta no X que abrirá capital da SpaceX, que é sucesso por conta de seu serviço de internet via satélite disponibilizado em todos os continentes. Em 2023, foi apontado por Musk que sua empresa teria atingido o equilíbrio em seu fluxo de caixa, o que teria disponibilizado uma operação de implantação de milhares de satélites da Starlink, provedora de internet da empresa, por todos os continentes do globo, a fim de fornecer internet de alta velocidade para seus consumidores.


Fala de Musk em relação às projeções para a SpaceX no ano de 2025 (Foto: reprodução/X/@elonmusk)

Comparação com o ano anterior

Em comparação com o ano anterior, a empresa teve um aumento de quase U$2 Bi em relação à 2024, ano em que a estimativa de receitas era de US$13,3 Bi. Em comparação com o que foi previsto pela Payload, a SpaceX fechou 2024 com US$13,1 Bi, 1,5% de diferença com a previsão feita pela empresa. Desse valor, cerca de US$8,4 Bi aos cofres da empresa, cerca de US$2 Bi acima do projetado para o ano e dobrando o valor em relação ao ano anterior. 

SpaceX: Starship quebra na reentrada após sucesso parcial em teste orbital

A empresa de foguetes do bilionário Elon Musk, a SpaceX, lançou nesta terça-feira (27) o 9º voo da Starship, a maior e mais potente espaçonave do planeta. A missão do voo não tripulado falhou pela terceira vez consecutiva e a descida esperada no Oceano Índico após 90 minutos de voo não aconteceu.

O foguete decolou às 20h36, no horário de Brasília, a partir da base de lançamento da empresa, em Boca Chica, Texas, nos Estados Unidos. 

Sem controle e comunicação

A Starship não abriu para lançar em órbita oito simuladores de satélites da Starlink. Com cerca de 30 minutos de voo, a nave começou a girar de forma não programada no espaço e a central de comando não conseguiu mais controlar a altitude. A SpaceX perdeu o contato com o foguete cerca de 45 minutos após o lançamento.


O nono voo da nave Starship, da SpaceX, terminou com falha novamente (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)

Foi necessário utilizar o foguete propulsor Super Heavy, usado em janeiro, no sétimo lançamento da Starship. Contudo, a SpaceX perdeu contato com o equipamento durante a descida da nave e a manobra “de ré” não foi realizada. 

De acordo com a SpaceX, o Starship sofreu uma rápida desmontagem não programada e as equipes darão prosseguimento à análise dos dados e continuarão trabalhando para o próximo teste. 

Desta vez, a empresa espacial conseguiu chegar a estágios mais avançados no voo da Starship e reaproveitou o propulsor Super Heavy pela primeira vez. O equipamento passou por reparos antes de ser incorporado às operações novamente e tem componentes novos, mas a maior parte do propulsor foi utilizada em um voo anterior. 

A SpaceX utilizou o Super Heavy em experimentos de geração de dados para aumentar sua confiabilidade nas próximas missões. A empresa pretende reutilizar o propulsor muitas vezes em um mesmo dia no futuro. 

Tráfego aéreo impactado

A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, sigla em inglês) declarou que estava ciente do episódio durante a missão e que não havia relatos de feridos ou danos à propriedade pública. 

A agência autorizou o retorno do Super Heavy aos testes de voo na semana passada, porém exigiu diversos ajustes e aumentou a zona de exclusão aérea, que agora contempla a região do Caribe. 

A FAA confirmou que a SpaceX está atendendo às exigências técnicas e ambientais para a retomada dos testes, mas mantém o alerta de risco elevado. 

A área de risco de destroços aumentou de 855 para cerca de 2.960 quilômetros, o que afeta a navegação aérea do México, Cuba, Reino Unido e território dos EUA. 

A SpaceX já havia perdido o contato com a Starship em suas duas últimas missões, quando ambas as naves explodiram e destroços impactaram a rota de voos comercias no Haiti e nas Bahamas, no sétimo e oitavo lançamentos, respectivamente, na área do Caribe. 

Histórico de lançamentos

A SpaceX tem realizado uma série de testes com a espaçonave e o propulsor de foguete desde 2023: 

  • 1º teste, abril de 2023: Uma falha nos motores da Starship acoplada ao Super Heavy fez com que a empresa explodisse o foguete após ativar um sistema de destruição. 
  • 2º teste, novembro de 2023: o Super Heavy explodiu logo após se desconectar da Starship. A empresa identificou a necessidade de 17 correções na espaçonave. 
  • 3º teste, março de 2024: O voo durou 50 minutos e a Starship foi destruída logo em seguida. A SpaceX considerou o teste um progresso por ter sido o maior tempo de voo até então. 
  • 4º teste, junho de 2024: a Starship conseguiu pousar pela primeira vez no Oceano Índico, e o Super Heavy no Golfo do México, conforme o esperado. 
  • 5º teste, outubro de 2024: o teste de captura do Super Heavy no ar pelos “braços da plataforma” foi um sucesso. A Starship conseguiu pousar no Oceano Índico, mas explodiu, o que era esperado pela empresa. 
  • 6º teste, novembro de 2024: ao contrário do teste anterior, a empresa não foi bem sucedida no retorno do Super Heavy para a plataforma, que acabou pousando no Golfo do México logo após o lançamento. A Starship pousou no Oceano Índico aproximadamente uma hora após a decolagem. 
  • 7º teste, janeiro de 2024: a SpaceX conseguiu mais uma vez capturar o foguete Super Heavy para a plataforma de lançamento, mas perdeu o contato com a Starship pouco antes do pouso. 
  • 8º teste, início de março: a empresa perdeu o contato com a nave logo após o lançamento, mas conseguiu capturar o Super Heavy em pleno ar, pela terceira vez, pouco antes de pousar. 

“Foguetão”

O Starship é um foguete reutilizável criado pela Space X para levar humanos à Lua e à Marte, com capacidade de 150 toneladas de carga na Terra, com viagens de até uma hora e meia de ponto a ponto no planeta.


A empresa se orgulha dos avanços alcançados com o reuso do propulsor Super Heavy (Foto: reprodução/X/@SpaceX)

O objetivo é transportar até 100 pessoas em voos interplanetários de longa duração e ajudar na entrega de satélites, no desenvolvimento de uma base lunar e ser um transporte viável na Terra. 

A espaçonave mede 120 metros de altura, tem 9 metros de diâmetro e pesa 1,3 mil toneladas. Ela traz o propulsor Super Heavy, de 69 metros de altura, que pode levar a Starship até a órbita da Terra em aproximadamente 170 segundos. 

O Super Heavy carrega 33 motores Raptor, com empuxo de 72 meganewtons e pode ser reutilizado para outros voos, assim como a nave principal.