Sagrado Feminino guia desfile da SAU e celebra a força ancestral no beachwear do Verão 2026

Com o nascer do sol como inspiração e o corpo como território sagrado, a SAU Swim abriu o quinto dia da São Paulo Fashion Week com uma coleção que é, ao mesmo tempo, manifesto e celebração. Intitulada “Sagrado Feminino”, a coleção Verão 2026, assinada por Yasmim Nobre, traz à passarela uma releitura contemporânea da espiritualidade e da ancestralidade feminina, costurando com delicadeza temas como força, sensibilidade, intuição e natureza.

“Esse desfile é um convite para que cada pessoa resgate em si a força que já existe. O sagrado feminino é corpo, mente e espírito, é coletivo e é singular. É o que nos atravessa e o que atravessamos”, definiu a diretora criativa antes do desfile, em uma fala que ecoou na estética e na energia de cada look apresentado.

Moda e leveza

A coleção aposta em peças de beachwear versátil, feitas para transitar entre o mar e a cidade com leveza, mas sem perder profundidade. Tecidos naturais, modelagens fluidas e técnicas artesanais como crochê, tramas manuais e tingimentos orgânicos,  reforçam a conexão com o ancestral e o sustentável.


Desfile SAU Swim (Foto: Reprodução/Instagram/@sau.swim)

A cartela de cores passeia por tons terrosos, areia, marfim e nuances suaves de azul e verde, evocando paisagens naturais e a calmaria de rituais íntimos. As silhuetas celebram o corpo em sua pluralidade, abraçando curvas e movimentos com respeito e liberdade.

Roupas que vestem a alma

Em um momento em que a moda se reinventa e busca novos significados, a SAU entrega mais do que tendências: entrega propósito. O desfile não apenas vestiu modelos, mas transmitiu energia, criando uma atmosfera quase cerimonial na passarela, um verdadeiro respiro em meio à agitação da semana de moda.


Desfile SAU Swim (Foto: Reprodução/Instagram/@sau.swim)

“Sagrado Feminino” marca uma virada sensível no beachwear nacional, trazendo espiritualidade para o centro da conversa estética. E, acima de tudo, relembra que a moda pode e deve ser um canal de expressão do que há de mais verdadeiro em nós.

Projeto Cria Costura apresenta peças criadas por alunos periféricos no SPFW

Neste último sábado (18), o projeto Cria Costura chegou às passarelas da nova temporada do São Paulo Fashion Week, com uma apresentação emocionante, compartilhando aos espectadores do desfile vestimentas confeccionadas pelos próprios alunos do projeto. As peças criadas possuem inspiração no balé triádico, conhecido por explorar o abstrato e a geometria, utilizando a dança, os bailarinos e figurinos para essa representação. 

Detalhes sobre o projeto social Cria Costura e SPFW

A edição de número 60 do SPFW, que é conhecida por ser um dos mais importantes da moda na América Latina, conta com apresentações diversas. Além de marcas e estilistas reconhecidos nacionalmente, o evento abre espaço em sua passarela para que movimentos e programas sociais possam apresentar suas iniciativas e projetos por meio da expressão da moda, fazendo com que eles ganhem uma grande visibilidade e reconhecimento.

O projeto Cria Costura foi criado pelo Instituto Nacional de Moda e Design, que é uma organização social sem fins lucrativos, tendo como objetivo a valorização da moda brasileira. O projeto criado por eles tem como missão capacitar jovens da periferia de São Paulo, agindo com aulas tanto práticas como teóricas, e unindo o empreendedorismo e a moda para ajudar esses jovens na busca pela entrada no ramo profissional da moda.


Desfile do projeto Cria Costura no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@__the_vault___)

Para essa apresentação, os alunos contaram com aulas da estilista Simone Nunes, formada em desenho industrial pela Unesp e especializada em moda em Milão. Os visuais demonstrados nos corpos das modelos no desfile foram criados pelos alunos que estão no módulo 2 do projeto, tendo inclusive entrado ao lado de suas criações no final do desfile. Mas não foram só eles que ganharam espaço no SPFW. No Pavilhão das Culturas Brasileiras, os alunos do módulo 1 puderam deixar suas criações expostas.

Peças inspiradas no balé triádico

O balé triádico possui estilo abstrato, explorando a relação entre o corpo e geometria, utilizando a dança e bailarinos como esculturas e figurinos que se destacam, representando a parte da geometria referenciada neste estilo de balé. Para as criações apresentadas no SPFW, os alunos do projeto usaram este estilo de dança como ponto de partida, recriando a geometria e composições de cores que compõem os figurinos.


Desfile do projeto Cria Costura no SPFW (Fotos: reprodução/Instagram/@__the_vault___)

Na passarela, o conceito de partida foi bem aproveitado pelos jovens. Em um dos visuais, a saia curta em releitura da saia tutu bandeja do balé foi trazida, referenciando a dança de maneira moderna. Além disso, o estilo triádico foi bem representado por cores vibrantes e estampas, tendo sido apresentado em diferentes momentos no desfile.

O maior destaque foram as cores e desenhos feitos nas vestimentas, mas, além disso, as texturas se fizeram presentes de maneira diversa, trazendo o olhar desses jovens em visuais modernos desfilados pelas modelos. Os diferentes recortes também se fizeram presentes, passeando de roupas longas a curtas. Ao final do desfile, os jovens subiram à passarela ao lado de suas criações. Com esses resultados, o projeto mostra que sua missão e objetivo têm sido bem aproveitados pelos jovens que participam do programa.

Handred celebra a moda noturna em desfile no SPFW

A Handred apresentou sua nova coleção no São Paulo Fashion Week, na noite desta quinta-feira (16), em um desfile realizado na Casa Higienópolis. Sob direção criativa de André Namitala, a marca carioca levou à passarela a coleção “Baila”, inspirada na vida noturna antes do crepúsculo e nos tradicionais bailes do Rio de Janeiro.

As peças foram feitas à mão por mais de 50 profissionais no ateliê da marca, no Rio de Janeiro. Para envolver o público no clima da coleção, o desfile contou com torres de champanhe comandadas por Ivana Wonder e uma trilha sonora que relembrou esses bailes.

O conceito da coleção “Baila”

Ao longo do último ano, Namitala passou por diversas transformações, incluindo a mudança de sede da marca e um processo de amadurecimento profissional. Foi nesse contexto que surgiu a ideia de criar uma coleção que celebrasse essas conquistas. Em entrevista à Vogue, o estilista contou como esse momento inspirou o conceito da nova coleção:

“Ela veio de uma vontade de querer comemorar um pouco. Acho que toda a trajetória de quem tem negócio são trajetórias que vão como montanha-russa. Pode ser meio clichê, mas a gente dita um pouco da emoção que a gente quer sentir.”

A inspiração também veio de um sonho que envolvia uma celebração e da chegada da Era de Aquário, símbolo de inovação, coletividade, que celebra o renascimento, a liberdade e a espiritualidade através da noite — vista aqui como um ritual de passagem entre o crepúsculo e a madrugada.

Handred e a moda em movimento

A coleção “Baila” traz peças confeccionadas em seda e couro sustentável, que recebem o acabamento matelassê, realçando a textura e o visual das roupas. O design foi criado para acompanhar as formas do corpo, transmitindo leveza e elegância, em sintonia com o clima de celebração da coleção.


Modelos desfilando para Handred no São Paulo Fashion Week (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


O desfile foi construído como uma narrativa em movimento: começou de forma mais introspectiva e evoluiu para um ritmo mais leve e fluido, refletindo a essência das roupas criadas por André.


 

Modelos desfilando para Handred no São Paulo Fashion Week (Vídeo: Reprodução/Instagram/@glamourbrasil)

A trilha sonora, a performance e a ambientação reforçaram essa transição, criando uma experiência sensorial que traduz o espírito de “Baila”: uma celebração da liberdade, da expressão individual e da alegria de se reconectar com o outro através da moda.

Uma imersão na sensibilidade

Com “Baila”, André Namitala reafirma sua posição entre os criadores mais poéticos da moda brasileira contemporânea. Sua Handred mantém o equilíbrio entre sofisticação artesanal e experimentação estética, traduzindo em forma e textura uma narrativa sobre liberdade, conexão e renascimento.

O desfile foi mais do que uma exibição de roupas — foi uma experiência sensorial completa, que envolveu o público em um clima de celebração e introspecção. O encontro entre música, dança e design evocou memórias afetivas das noites tropicais, onde o vestir é também um ato de expressão e pertencimento.

Entre o passado e o futuro, “Baila” surge como uma ode à noite e ao poder transformador da arte de criar. Ao fundir o artesanal e o contemporâneo em uma mesma linguagem, a Handred convida o público a dançar sob a luz da nova era — a Era de Aquário, onde a moda é mais do que aparência: é movimento, emoção e rito.

Foz transforma memórias do interior em moda no SPFW

A marca Foz apresentou, nesta sexta-feira (17), sua nova coleção no São Paulo Fashion Week, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera. Chamada “Povoado Poesia”, a coleção propõe uma interpretação afetiva da vida no interior, por meio da recriação de um vilarejo fictício idealizado pelo estilista Antônio Castro.

Para trazer nostalgia, a trilha sonora da apresentação incluiu cantigas cantadas pelo coral infantil do Colégio Maria Montessori, onde Antônio estudou.

Além de valorizar elementos regionais no desfile, a coleção marca a parceria entre a Foz e a Prefeitura de Maceió, envolvendo grupos, ONGs, cooperativas e artesãos locais que colaboraram na produção das peças apresentadas no evento.

Looks exibidos na passarela

As roupas desta coleção apresentam elementos infantis, como pipas coloridas e estampas quadriculadas, que reforçam a proposta lúdica do universo. Também teve fitas do Senhor do Bonfim aplicadas em peças de tapeçaria e em camiseta, com as frases “Viajo porque te amo” na frente e “Volto porque preciso” nas costas.


Modelos desfilando para Foz no São Paulo Fashion Week (Vídeo:reprodução/Instagram/@spfw)

Outro elemento regional presente na coleção é o patchwork, técnica que une pedaços de tecido em uma única peça, popularmente conhecida como retalhos. Essa técnica aparece em calças, jaquetas e calçados. A coleção também inclui peças mais escuras, feitas com fuxicos de tamanhos variados e jacquard, uma técnica que entrelaça o tecido diretamente na peça, apresentando paisagens.


Modelos desfilando para Foz no São Paulo Fashion Week (Vídeo:reprodução/Instagram/@topviewclub)

Entre os acessórios, as bolsas chamaram a atenção, decoradas com alças e franjas de palha e feitas com faixas de tecido. O desfile também trouxe pulseiras e brincos artesanais que complementaram o visual.

O universo interiorano de Foz

“Povoado Poesia” marca o encerramento da trilogia da Foz, composta pelas coleções “Alambique Fantasia” (2023) e “O Conto de Laura” (2024). Nesta fase final, a marca explora a sensibilidade do amadurecimento e resgata memórias da infância, refletidas na arquitetura e nos contos folclóricos das cidades do interior.

Em “Alambique Fantasia”, a Foz apresenta uma fábrica de cachaça sob a perspectiva de um engenho de cana-de-açúcar. Enquanto isso, “O Conto de Laura” conta a história da tia-avó de Antônio, que, nos anos 1930, fugiu da casa dos pais para se juntar ao cangaço.

Leandro Castro emociona com “Gaiafilia” e é um dos mais aplaudidos do quarto dia da SPFW

Em um dos momentos mais marcantes do quarto dia da São Paulo Fashion Week, o estilista Leandro Castro arrebatou o público com o desfile de sua nova coleção, intitulada “Gaiafilia”. O nome que faz referência à conexão profunda e afetiva com a Terra antecipa a proposta conceitual do estilista: uma moda que é ao mesmo tempo poética, política e visceral.

Com uma passarela que evocava o ancestral, Castro traduziu em tecidos, cortes e texturas uma relação íntima entre o humano e o planeta. Tecidos naturais, tramas artesanais e silhuetas fluidas marcaram presença, em um desfile onde cada look parecia crescer da terra, como se fosse parte viva do ambiente.

Reconecção com a natureza

As cores seguiram uma paleta terrosa, com tons de barro, musgo, areia e carvão, entrecortadas por nuances vibrantes que remetem a flores e minerais. A modelagem foi marcada por formas soltas e assimetrias intencionais, refletindo a imperfeição bela da natureza. Elementos como crochê, franjas, tecidos amassados e acabamentos crus reforçaram a proposta sensorial da coleção.


Desfile Leandro Castro (Vídeo: reprodução/Instagram/@ffw)

A escolha por matérias-primas sustentáveis e processos artesanais não foi apenas uma decisão criativa, mas também um posicionamento claro sobre o papel da moda no mundo atual. A presença de modelos diversos em corpos, gêneros e idades, reforçou a ideia de que a conexão com a Terra é universal, acessível e urgente.

Moda e consciência ambiental

Outro destaque foi a trilha sonora do desfile, que misturou sons da natureza com batidas eletrônicas sutis, criando uma atmosfera imersiva e sensorial. O cenário minimalista, quase ritualístico, permitiu que cada peça brilhasse com intensidade própria, reforçando o tom de reverência à Terra-mãe. Com “Gaiafilia”, Leandro Castro não apenas vestiu corpos  ele tocou consciências, confirmando seu nome como um dos mais relevantes desta edição da SPFW.

“Gaiafilia” é mais do que um manifesto visual: é um chamado à reconexão com o essencial. E Leandro Castro conseguiu fazer isso com sensibilidade estética e apelo contemporâneo, sendo ovacionado ao final do desfile.

Meninos Rei exaltam a herança cultural da Bahia e a ancestralidade negra na SPFW

A marca afro-baiana Meninos Rei marcou presença na 60ª edição da São Paulo Fashion Week, na tarde da última quinta-feira (16). O que se viu na passarela foram diversas referências ao Nordeste, às religiões de matrizes africanas e à cultura negra, celebradas em corpos diversos.

A coleção apresentada, intitulada “Cultura Popular: Umbigo da Bahia”, é, de acordo com a marca, um manifesto em forma de tecido que celebra o povo baiano, suas origens e toda a sua bagagem cultural. O desfile foi recheado de cores, babados e muito axé.

Melhores momentos do desfile na SPFW

Os irmãos Céu Rocha e Júnior Rocha levaram um pedacinho da Bahia para as passarelas de São Paulo. A apresentação foi uma imersão no universo cultural do estado, com referências ao folclore, à religiosidade e ao artesanato local. Cada look parecia contar uma história, misturando tecidos, estampas e texturas que remetem ao Recôncavo Baiano. Entre danças, músicas e muita energia, o desfile transmitiu a essência da Meninos Rei: celebrar a força, a identidade e o orgulho de ser baiano.

Entre os melhores momentos do desfile, se destacaram as apresentações musicais e performances ao vivo que trouxeram ritmo e energia à passarela, reforçando a conexão com a cultura baiana. Blocos temáticos como “Festa e Fartura” e “No Quintal de D. Nicinha” misturaram elementos lúdicos, folclóricos e artesanais, enquanto “Balangandãs da Boa Morte” trouxe um tom espiritual, homenageando as tradições das religiões de matriz africana. Cada look, com silhuetas inspiradas no candomblé e detalhes feitos à mão, transmitiu a riqueza cultural do Recôncavo e celebrou a criatividade da Meninos Rei.


Compilado dos melhores momentos do desfile da marca baiana (Foto: reprodução/Instagram/@meninosrei)

Cores vibrantes brilham na passarela

No desfile da Meninos Rei na SPFW N60, os looks se destacaram por uma explosão de cores vibrantes e estampas que celebram o Recôncavo Baiano e a riqueza da cultura afro-brasileira. As silhuetas, inspiradas em trajes do candomblé, foram complementadas por acessórios artesanais feitos em metal, couro e cerâmica, reforçando a conexão com as tradições locais e o artesanato da região. Cada peça trouxe à passarela a força e a identidade da Bahia, traduzindo história e cultura em moda.


Cores da Bahia ganham destaque nas estampas da passarela da SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@meninosrei)

A maquiagem, assinada por Kátia Cilene Araújo, reforçou essa proposta ao valorizar a luminosidade natural da pele e utilizar tons terrosos nos lábios, remetendo às memórias afetivas da cultura baiana. Essa escolha estética não só destacou os detalhes dos looks, mas também ressaltou o compromisso da Meninos Rei em celebrar a ancestralidade e a diversidade da cultura negra, criando uma narrativa visual única e cheia de significado.

A 60ª edição da SPFW acontece até o dia 20 de outubro, com mais de 30 desfiles programados, e marca os 30 anos da semana de moda, que se consolidou como referência nas principais passarelas do mundo.

À La Garçonne traz intimidade urbana e ousadia conceitual ao quarto dia de SPFW

A marca À La Garçonne (@alagarconne), sob direção criativa de Fábio Souza, abriu o quarto dia da São Paulo Fashion Week, nesta quinta-feira (16), no teatro do Shopping Iguatemi (SP), com um desfile que reafirma seu DNA urbano e provocativo. Sempre conectada com os desejos mais atuais da moda global, a grife apresentou uma coleção marcada pela fusão entre intimidade e streetwear, com forte presença de referências culturais e estéticas do cotidiano contemporâneo.

O desfile começou com uma cena impactante e simbólica: um modelo surgiu na passarela apenas de cueca e camisa branca, uma exposição crua da intimidade que a marca escolheu dividir com o público. A imagem, embora ousada, dialoga diretamente com a tendência crescente do underwear como outerwear, vista nas últimas fashion weeks internacionais. Peças íntimas, lingeries e roupas de baixo ganham cada vez mais protagonismo, não apenas como detalhe, mas como peça central dos looks.

A intimidade foi para a passarela

A sensualidade da intimidade foi elevada à proposta estética central da nova coleção da À La Garçonne. Ao invés de esconder, a marca escolheu valorizar a lingerie, colocando-a em evidência na composição dos looks. Tops, cuecas, meias-calças e rendas dividem espaço com peças de sobreposição, como jaquetas oversized e camisetas desestruturadas, em uma linguagem visual que flerta com o genderless e reforça o corpo como território de expressão.


Desfile À La Garçonne (Foto: Reprodução/Instagram/@ffw)


As modelagens amplas e desconstruídas continuam sendo uma assinatura da marca, mas surgem nesta temporada com nova energia. A silhueta larga é trabalhada com transparências, sobreposições ousadas e tecidos tecnológicos, garantindo uma estética urbana e ao mesmo tempo sofisticada. O resultado são peças que equilibram conforto e personalidade, ideais para um público que busca autenticidade no vestir.

Sobre estilo

A conexão com as ruas permanece como essência da À La Garçonne. Tênis de skate, bonés, jeans lavados e grafismos remetem ao universo do streetwear, evidenciando influências do hip hop, do skate e da cultura de rua em geral. Essa fidelidade à linguagem urbana mostra a capacidade da marca de dialogar com o presente, sem perder suas raízes.

Por fim, a coleção apresenta uma paleta sóbria, dominada por preto, branco, cinza e tons terrosos, pontuada por cores vibrantes e detalhes metálicos. Esse contraste entre o básico e o ousado adiciona dinamismo e contemporaneidade aos looks, criando composições visuais que equilibram sofisticação e rebeldia, traços sempre presentes no universo criativo da grife.

Lilly Sarti apresenta desfile com peças intercambiáveis no SPFW

O palco do teatro do shopping Iguatemi transformou-se em uma passarela para receber a marca da estilista Lilly Sarti no terceiro dia da São Paulo Fashion Week, que aconteceu nesta quarta-feira (15). A marca apresentou sua nova coleção, com apostas para o inverno de 2026, em um desfile marcado por conceitos e visuais inspirados na década de 1980, com um toque de modernidade.

O estilo e história de Lilly Sarti

A estilista Lilly Sarti iniciou seu caminho na moda ainda muito jovem. Com apenas 19 anos, criou sua primeira peça, o que a levou a enxergar uma oportunidade de empreender, vendendo roupas confeccionadas por ela mesma para suas amigas. Algum tempo depois, decidiu investir seriamente na empresa ao abrir uma sociedade com sua irmã, Renata Sarti.

A marca nasceu levando o nome da fundadora e já soma quase 20 anos de história da parceria entre as irmãs. Mesmo após tanto tempo, mantém viva sua essência inicial, que reflete a personalidade das sócias, com peças de estilo boho que não perdem a modernidade, característica que permite à marca atender a um público diversificado com peças versáteis.


 

Lilly Sarti desfilando no SPFW (Vídeo: reprodução/Instagram/@spfw/@lillysartibrand)

Com 19 anos de história, a marca caminha no próximo ano para suas duas décadas de existência, sem perder suas características iniciais, atendendo a seu amplo público e conquistando novos olhares. Para a nova coleção apresentada, Lilly Sarti reafirma sua capacidade de compreender o público, oferecendo visuais que apostam na versatilidade, permitindo que cada pessoa monte seu próprio look ao adquirir as peças.

Desfile no São Paulo Fashion Week

Para a nova edição do SPFW, a marca levou um desfile repleto de conceitos, aproveitando o cenário que era o palco de um teatro para performar os visuais de sua nova coleção. Na passarela que continha três atos, o início da apresentação foi feito por modelos na escada, formando uma fila única. Para a finalização do desfile, o palco foi iluminado por luzes no chão em formato de quadrados que formavam um tabuleiro de xadrez, além disso, os modelos foram posicionados como peças desse jogo.


 

Lilly Sarti desfilando no SPFW (Fotos: reprodução/Instagram/@capricorniotextil/@nossacapri)

Nos visuais apresentados, a nova coleção aposta em peças intercambiáveis, o que conversa com a proposta da marca de atender grande parte de seu público, sendo versátil e permitindo que sejam usadas tanto para ocasiões casuais do dia a dia quanto para eventos noturnos. Além disso, a proposta permite que a pessoa que compra as vestimentas monte o look da maneira que se sinta mais confortável; a ideia entra de forma inteligente, abrangendo o público da marca.

Na passarela, as modelos desfilaram com visuais que variam entre o casual, a modernidade e a alfaiataria. Com peças jeans, lenços usados como acessório no pescoço, tonalidades em sua maior parte neutras e destaque para o couro, presente em calças, blusas e luvas que remetem aos anos 1980. Contudo, os designers também apostaram em sobreposições inusitadas e peças básicas essenciais ao guarda-roupa.

Florais de Patricia Viera antecipam tendência europeia e encantam com ilusão de tecido

O mais recente desfile de Patricia Viera foi um dos momentos mais comentados da temporada brasileira. Conhecida por transformar o couro em arte, a estilista apresentou uma coleção que parecia desafiar o olhar: suas peças, repletas de flores coloridas e textura suave, davam a impressão de serem feitas de tecido — mas eram, na verdade, couro trabalhado com técnicas de pintura e corte de precisão. 

Inspirada por Londres, cidade onde iniciou sua carreira, Patrícia criou uma atmosfera romântica e contemporânea, misturando tradição artesanal e inovação tecnológica. A passarela foi tomada por tons suaves, estampas que remetem aos florais ingleses e um frescor que dialoga com as tendências internacionais.

Técnica em couro

Desta vez, Patricia mirou nos tradicionais Liberty ingleses, conhecidos por seus desenhos miúdos e delicados, mas reinterpretou o conceito em flores maiores, com espaçamento generoso e visual de pintura artesanal. O resultado são peças que parecem saídas diretamente de um desfile europeu, mas com o DNA brasileiro que caracteriza sua marca.

Sua técnica envolve uma combinação de corte a laser, pintura manual e aplicação de texturas, o que faz cada criação se tornar quase uma obra de arte. O couro se dobra, ganha fluidez e leveza, desafiando o olhar de quem tenta distinguir se o tecido é real ou apenas uma ilusão habilmente construída.


Desfile da Patricia Viera (Foto: reprodução/Instagram/@patriciavieraoficial) 

O retorno do floral com alma vintage

O floral, que por muito tempo foi associado a um romantismo bucólico e aos tecidos de casa de avó, retorna à cena fashion com nova força e identidade. O chamado “floral estilizado”, apontado pela FFW como tendência internacional, apareceu em diferentes desfiles da temporada parisiense, em versões que misturam o toque artesanal com a ousadia contemporânea.

Essas estampas evocam memórias afetivas — o “toque de vó”, como brincam os fashionistas —, mas com uma roupagem moderna. As flores miúdas e organizadas dão lugar a composições mais livres, maiores e mais espalhadas, criando impacto visual e movimento. Essa releitura dialoga com a nostalgia do passado, ao mesmo tempo que se insere nas discussões atuais sobre moda afetiva, sustentabilidade e a valorização de técnicas manuais.

No Brasil, a tendência deve chegar antes do calor europeu. Com o clima tropical e o apreço nacional por cores vibrantes e texturas ricas, o país se torna terreno fértil para essa nova fase do floral, que combina leveza, feminilidade e uma pitada de irreverência.


Tendência durante o Paris fashion Week (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/Kristy Sparow) 

Tendência global com identidade brasileira

O trabalho de Patrícia Viera não se limita a acompanhar as tendências internacionais — ele as interpreta sob um olhar singular. A estilista reafirma sua posição de destaque ao unir sofisticação e inovação técnica, sem abrir mão de uma estética que valoriza a feminilidade e a força da mulher contemporânea.

Enquanto as passarelas europeias ainda se preparam para o auge do verão, o Brasil já desponta como palco para essa nova onda floral. A antecipação não é apenas uma questão de calendário, mas de criatividade e conexão global.

Em um mundo em que a moda se reinventa a cada estação, Patricia Viera mostra que tradição e modernidade podem coexistir no mesmo tecido — ou melhor, no mesmo couro.

Edição histórica da SPFW: marcas confirmadas na 60ª edição

A São Paulo Fashion Week vai comemorar, entre os dias 13 e 20 de outubro, seus 30 anos de existência, com uma programação que promete reviver toda a sua trajetória e os personagens que marcaram essa história.

Ao longo da semana, a organização do evento e as 38 marcas participantes irão se dividir em pontos importantes da cidade de São Paulo, como o shopping Iguatemi e o Pavilhão de Culturas Brasileiras, no Ibirapuera.

O que terá na programação na 60ª edição

A 60ª edição da São Paulo Fashion Week contará com 38 marcas, incluindo duas estreantes: Uó, de Marcelo Sommer, e Chapéus Davi Ramos. A programação promete celebrar a moda nacional com desfiles de nomes consagrados e novos talentos, distribuídos entre os dias 13 e 20 de outubro.

A semana começa com João Pimenta abrindo os desfiles às 11h do dia 13, seguido por Gloria Coelho às 15h e Ronaldo Fraga às 20h. No dia seguinte, Flávia Aranha apresenta sua coleção às 10h30, Patricia Vieira às 12h30 e Forca às 17h. Entre os dias 15 e 17, se destacam desfiles de Lilly Sarti, À La Garçonne, Meninos Rei, Marina Bitu, Leandro Castro, Catarina Mina, Dario Mittmann, Handred, Sau, Foz, Normando e Bold Strap, garantindo uma programação intensa e diversificada.

Nos dias 18 e 19, Alexandre Herchcovitch, Rafael Caetano, Ateliê Mão de Mãe, Santa Resistência, Dendezeiro, Uó, Angela Brito, David Lee, Davi Ramos, Amir Slama, Fauve e Led apresentam suas coleções, mostrando a força e a inovação da moda brasileira. Para encerrar a semana, no dia 20, Gustavo Silvestre e Weider Silveiro desfilam pela manhã, enquanto Apartamento 03, Martins e Lino Villaventura fecham a edição histórica com desfiles entre 18h30 e 20h30, consolidando a SPFW como referência de estilo e criatividade no cenário nacional.


Programação da 60ª edição da SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


O legado da SPFW ao longo de 30 anos

Ao longo de 30 anos, a São Paulo Fashion Week se consolidou como o principal palco da moda nacional, reunindo designers consagrados e revelando novos talentos. A cada edição, o evento reflete tendências, inovações e debates que atravessam o universo da moda, reforçando seu papel de referência no cenário cultural e criativo do país.


Desfile que marca os 30 anos de história da principal semana de moda do país (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)


Além dos desfiles, a SPFW construiu um legado de inspiração e networking, conectando profissionais, marcas e público. Suas passarelas não apenas mostram coleções, mas também contam histórias, valorizam a diversidade e destacam a força da moda brasileira no mercado global.