Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de infarto e AVC, aponta estudo internacional

A vacinação contra o herpes-zóster pode oferecer benefícios além da prevenção da doença. A princípio, um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2025, em Madri, mostrou que pessoas vacinadas tiveram menor risco de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.

Os pesquisadores analisaram 19 estudos e um ensaio clínico. A meta-análise indicou que a vacina recombinante (RZV) reduziu o risco em 18% para adultos a partir de 18 anos. Já a vacina viva atenuada (ZVL) apresentou queda de 16% em pessoas com 50 anos ou mais.

Impacto sobre doenças do coração

De acordo com Charles Williams, diretor médico da GlaxoSmithKline (GSK), os resultados sugerem um papel importante da imunização contra o herpes-zóster. No entanto, ele reforçou que são necessários mais estudos para confirmar se a redução está ligada diretamente à vacina.

Nesse ínterim, o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destacou que mesmo reduções aparentemente pequenas podem salvar muitas vidas. Além disso, Kfouri afirmou que menos casos de infarto e AVC significam queda na mortalidade e menos internações.


Como identificar e agir diante de um infarto (Vídeo: reprodução/YouTube/Qualicorp)

Vacinas e proteção cardiovascular

Ainda assim, essa não é a primeira vez que uma vacina mostra impacto sobre doenças do coração. A Sociedade Europeia de Cardiologia já recomenda a imunização contra a gripe, que reduz em até 60% as infecções respiratórias e em 30% os eventos cardíacos graves.

Kfouri lembra que vírus como o da gripe e o herpes-zóster provocam inflamações generalizadas. Em pessoas com predisposição, isso pode funcionar como gatilho para complicações cardíacas. Por isso, as vacinas podem ser aliadas no mesmo nível que o controle da hipertensão e do colesterol.

Pesquisas ampliam benefícios do imunizante

Outros trabalhos também indicam vantagens da vacinação contra o herpes-zóster além da proteção direta. Em 2024, um estudo publicado na Nature Medicine mostrou que a vacina Shingrix reduziu o risco de demência em até 27% quando comparada a outras vacinas.


Drauzio Varela explica sobre herpes-zóster (Vídeo: reprodução/YouTube/Drauzio Varella)

Segundo Kfouri, as vacinas já mudaram a história da saúde pública ao reduzir a mortalidade infantil e ampliar a expectativa de vida. Agora, também podem reforçar o bem-estar e a longevidade da população mais velha.

O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Estima-se que um em cada três indivíduos desenvolverá a doença ao longo da vida, e suas complicações podem afetar até os vasos sanguíneos, aumentando riscos de derrame.

Vacina universal contra o câncer com RNA mensageiro avança em testes promissores

Cientistas da Universidade da Flórida deram um importante passo em direção à criação de uma vacina universal contra o câncer. Utilizando a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), eles desenvolveram uma formulação genérica que estimulou fortemente o sistema imunológico de camundongos, combatendo diferentes tipos de tumor, inclusive os mais resistentes a tratamentos.

O estudo foi divulgado na última quinta-feira (18) e o experimento combinou a vacina com imunoterápicos já utilizados em humanos, como os inibidores de checkpoint imunológico. O resultado impressionou: alguns tumores desapareceram por completo, abrindo caminho para testes clínicos com pacientes.

Abordagem gera reação imune sem personalização

O diferencial desta vacina está em sua atuação não específica, visto que não mira em mutações individuais, mas sim, “engana” o sistema imunológico. Essa “enganação” provoca uma resposta generalizada, como se o organismo estivesse combatendo um vírus. Tal estímulo levou as células de defesa a reconhecerem e destruírem células cancerígenas.


A tecnologia do RNA mensageiro (Vídeo: reprodução/YouTube/RFI Brasil)

Além disso, os pesquisadores usaram a estratégia de forçar os tumores a expressarem a proteína PD-L1. Essa proteína torna os tumores mais visíveis às células T, aumentando a eficácia da resposta imunológica e potencializando os efeitos da imunoterapia.

mRNA como esperança no combate a cânceres

A nova tecnologia da vacina segue o modelo das vacinas desenvolvidas contra a covid-19, como as da Pfizer e da Moderna. Os cientistas utilizam nanopartículas lipídicas para entregar instruções genéticas às células. Com isso, o corpo aprende a produzir uma resposta contra o câncer.

Segundo os autores do estudo, essa abordagem pode inaugurar um novo paradigma. Em vez de personalizar vacinas, os pesquisadores buscam desenvolver uma solução mais potente e abrangente, capaz de funcionar em diferentes pacientes e tipos de tumor. A equipe já organiza os testes clínicos em humanos.

A proposta também acompanha iniciativas globais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) apoia o uso de vacinas de mRNA no combate a doenças como a gripe aviária. No Reino Unido, cientistas já iniciaram os testes da vacina BNT116, também baseada em mRNA, em pacientes com câncer de pulmão.


Funcionários em pesquisa de vacinas, sede da Moderna (Foto: reprodução/Adam Glanzman/Getty Images Embed)


Enquanto isso, a mídia brasileira acompanha casos de enfrentamento do câncer, como o da cantora Preta Gil, que iniciou tratamento nos EUA, e do chef Edu Guedes, que passou por cirurgia no pâncreas. Assim, os avanços como essa vacina podem oferecer a cura, ao combate dos cânceres e promovem


Crescimento de casos de sarampo na Europa preocupa OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quinta-feira (13) uma análise que mostrou um crescimento preocupante de casos de sarampo na Europa. Só em 2024 foram mais de 127 mil ocorrências da doença, a maioria delas em crianças antes do quinto ano de idade.   

Além da OMS, o relatório também contém dados do Fundo das Nações Unidas para Infância, a UNICEF, que mostrou que metade dos contaminados pela doença precisou de internação hospitalar, enquanto 36 deles não sobreviveram. Desde 1997 – quando o continente europeu registrou 126 mil diagnósticos do vírus- não se via tantos casos. Para se ter uma dimensão, a Europa foi responsável por um terço de todos os casos de sarampo noticiados no mundo no ano passado.  

Imunização contra o vírus (Foto: reprodução/Freepik)

Desinformação atrapalha imunização

Na Europa, sequelas econômicas e comportamentais deixadas pela pandemia de Covid-19 estão entre os motivos da baixa imunização. Países como Bósnia, Montenegro e Romênia vacinaram menos de 80% de suas crianças. Antes da pandemia, a vacinação chegava a 93% delas, mas ainda abaixo do recomendado pela OMS, que é de 95%. O desinteresse na vacina contra o vírus do sarampo (Measles morbillivirus) não é exclusividade do continente europeu, nos Estados Unidos, outro motivo atrapalha a imunização. A desinformação é combustível para manter os americanos longe das vacinas. O país enfrenta uma crescente onda de contaminados, a pior desde 2019. Só em janeiro deste ano, já foram notificados 250 casos, com duas mortes confirmadas. O problema preocupa ainda mais autoridades americanas pelo fato de o atual secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr. atuou no movimento antivacina e desmobilizou a vacinação contra Covid-19.  

Brasil livre de sarampo

A partir de 1995, quando autoridades de saúde junto ao governo federal implementaram um esquema de imunização, o Brasil passou a aplicar em crianças de 12 a 15 meses o tríplice viral, uma combinação de imunizantes contra caxumba, rubéola e sarampo, chegando a 95% de cobertura vacinal. Porém, em 2021, essa cobertura caiu para 74%, fazendo com que o país perdesse o reconhecimento de território livre da doença. Para mudar este cenário, o Ministério da Saúde precisou investir em vacinação em áreas de difícil acesso, nas fronteiras e combater a desinformação. Como resultado, em 2024, o Brasil reconquistou o título de país sem notificação de sarampo, que foi entregue pela Organização Pan-Americana de Saúde.    

Veja quem pode se vacinar contra o sarampo  

Bebês de 12 meses recebem o tríplice viral e aos 15 meses o reforço tetraviral.  Qualquer pessoa entre 30 e 59 anos que esteja com esquema vacinal incompleto deve procurar uma unidade de saúde mais próxima e atualizar a imunização.  

Vacinas contra o sarampo salvam cinco vidas por segundo, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que desde do ano 2000, vacinas contra o sarampo salvem cerca de cinco vidas por segundo. Neste ultimo domingo (17) foram divulgados dados sobre a doença, apontando que só em 2023 foram registrados 10,3 milhões de casos em todo o planeta, 20% a mais do que no ano de 2022.

Avaliação da OMS e dados da doença

A OMS avalia que a cobertura vacinal de forma inadequada é o que impulsiona o aumento de casos. O sarampo é evitado com duas doses, no entanto, mais de 22 milhões de crianças perderam a primeira dose em 2023, e estima-se que em todo o mundo, 83% delas receberam a primeira dose somente no ano passado, enquanto 74% receberam a segunda dose recomendada.

A vacina que previne o sarampo é a tríplice viral, e está disponível de forma gratuita nos postos de saúde de todo o país. O Programa Nacional de Imunizações recomenda que vacina seja aplicada em duas doses, entre 12 e aos 15 meses de idade.

A OMS destaca ainda uma necessidade de cobertura vacinal de pelo menos 95% de ambas as doses em todos os países e territórios para prevenir epidemias e proteger a população contra um dos vírus humanos mais contagiosos do mundo. A vacina contra o sarampo salvou mais vidas nos últimos 50 anos do que qualquer outro imunizante já registrado.


Presidente Luiz Inácio lula da Silva e Ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima (Reprodução/Instagram/@nisiatrindadelima)

Alguns dos dados recentes divulgados mostram que em 2023 cerca de 107,5 mil pessoas, em sua maioria crianças de menos de 5 anos, morreram por conta da doença. A OMS ainda avaliou que esse número representa uma queda de 8% em relação ao ano de 2022, mas que mesmo assim é uma quantidade enorme de crianças morrendo em razão de uma doença que é evitável.

O sarampo pode causar efeitos graves para a saúde, principalmente em bebês e crianças, por existir maior risco de complicações graves, como a cegueira, pneumonia e encefalite, que é uma infecção que causa inchaço cerebral junto de danos cerebrais.

Brasil livre do sarampo

O Brasil recebeu esta semana da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) o certificado de país livre do sarampo. O último registro da doença no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, aconteceu em junho de 2022, no estado do Amapá.


Brasil livre do Sarampo, com certificado da OPAS (Reprodução/Instagram/@lulaoficial)

Os dados de arquivo da OMS mostram que entre os anos de 2018 e 2022 foram confirmados 9.329, 21.704, 8.035, 670 e 41 casos de sarampo, respectivamente. Em 2022, os estados que confirmaram os casos foram: Rio de Janeiro, Pará, São Paulo e Amapá, sendo o último caso confirmado registrado no Amapá, com data de aparecimento do exantema (erupção cutânea) em 5 de junho.

Em 2024, o Brasil registrou dois casos confirmados, mas importados: um em janeiro, no Rio Grande do Sul, do Paquistão; e uma em agosto, em Minas Gerais, da Inglaterra.

República Democrática do Congo Espera Receber Primeiras Vacinas Contra Mpox em Breve

A República Democrática do Congo (RDC) está prestes a receber suas primeiras doses de vacina contra a mpox, com previsão de chegada até a próxima semana. Esse avanço é resultado do apoio significativo dos Estados Unidos e do Japão para ajudar a controlar o surto da doença, conforme anunciado pelo ministro da Saúde do país nesta segunda-feira.

OMS Reclassifica Mpox como Emergência Global

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revisou recentemente a situação da mpox, elevando-a ao status de emergência global de saúde pública pela segunda vez em dois anos. A decisão foi impulsionada pela expansão do surto da RDC para países vizinhos, o que gerou uma necessidade imediata de resposta. O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba Mulamba, revelou que Japão e EUA se comprometeram a enviar vacinas para a RDC.

“Finalizamos as negociações com a USAID e o governo dos Estados Unidos. Esperamos que as vacinas comecem a chegar até a próxima semana”, afirmou o ministro durante uma coletiva de imprensa.


Enfermeira coletando amostra de criança com Mpox (Foto: reprodução/REUTERS/Arlette Bashizi/www.cnnbrasil.com.br)

Medidas Internacionais para Reduzir Desigualdades na Vacinação

A chegada das vacinas representa um avanço crucial para reduzir a desigualdade na distribuição de imunizantes. Durante o surto global de mpox em 2022, muitos países africanos encontraram dificuldades para obter vacinas, enquanto essas estavam amplamente disponíveis na Europa e nos Estados Unidos.

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão informou, em comunicado à Reuters, que está organizando o envio de vacinas e agulhas para o Congo em colaboração com a OMS e outros parceiros. De acordo com Masano Tsuzuki, chefe da divisão de controle de doenças infecciosas do Japão, o país está determinado a oferecer o máximo de apoio possível.

A vacina contra a mpox, desenvolvida pela empresa japonesa KM Biologics e pela dinamarquesa Bavarian Nordic, produtora da vacina Jynneos, será enviada ao Congo. O Japão possui um estoque da vacina da KM Biologics.

Atualmente, a vacina não está disponível na RDC nem em outras regiões da África onde a mpox é endêmica há décadas. Esta infecção viral, que provoca lesões com pus e sintomas similares aos da gripe, costuma ser leve, mas pode ter consequências fatais em alguns casos. No Congo, o vírus se apresenta em duas variantes: a endêmica, conhecida como clado I, e uma nova variante, clado Ib. A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo, incluindo relações sexuais, e não há evidências de propagação pelo ar.

Países das Américas apresentam queda na cobertura vacinal

Nesta quarta-feira (18), o diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, apresentou dados que relatam uma queda relativa na cobertura vacinal de alguns países da América Latina. Jarbas chegou a evidenciar que crianças não estão sendo vacinadas contra doenças como Sarampo e HPV, além de evidenciar o risco que tal ação pode resultar no futuro.

“Historicamente, nossa região sempre foi líder na eliminação de doenças. No entanto, por mais de uma década, as coberturas de vacinação diminuíram significativamente” diz o diretor. Ao comparar com a estimativa apresentada antes da pandemia de COVID-19, Barbosa alega que os números não conseguiram recuperar seus níveis adequados desde então.

Detalhes sobre a declaração da Opas

Ainda de acordo com os dados apresentados pela Instituição, os países não conseguiram englobar nem 90% da taxa de cobertura vacinal necessária contra o papilomavírus humano (HPV).

Neste caso, a doença pode afetar meninas entre 9 e 14 anos. Tal informação vem seguida de preocupação por parte dos especialistas, uma vez que a doença é uma das principais responsáveis pelo diagnóstico de câncer de colo de útero.

Além disso, a falha na procura da vacina contra o Sarampo também é uma questão a ser discutida, principalmente devido a sua alta contaminação. Vale relembrar que o Brasil e a Venezuela chegaram a apresentar casos de Sarampo nos últimos anos. No Brasil, o último registro constatado da doença aconteceu em 2022.

Em relação aos motivos da queda de registros vacinais, Jarbas Barbosa foi claro ao reunir fatores distintos. Entre eles, o aumento da desinformação acerca da eficácia das vacinas, principalmente após a pandemia da COVID-19. Ademais, a falta de profissionais de saúde formados e a dificuldade do acesso as vacinas por parte da população também mostram-se como argumentos precisos.

A Semana de Vacinação nas Américas


Seringa sendo preparada para a devida aplicação de uma vacina (Foto: reprodução/Unsplash/Mufid Majnun)

No fim da coletiva, o presidente da Opas compartilhou informações sobre a 22° Semana de Vacinação nas Américas. O evento, que tem como finalidade estimular ainda mais a procura da vacinação, acontecerá entre os dias 20 e 27 de abril e contará com o slogan “Proteja o futuro: vacine-se”. Segundo a órgão, o plano arquitetado visa atingir a população com mais de 156 milhões de doses.

Milhares de vacinas contra a dengue podem vencer se a procura não aumentar

O governo brasileiro está correndo contra o tempo na tentativa de evitar que cerca de 145 mil doses de vacina contra a dengue sejam descartadas em seis estados. Os imunizantes fazem parte de um lote comprado pelo Ministério da Saúde com vencimento marcado para 30 de abril. O público-alvo das vacinas são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, já que depois dos idosos, são os que concentram o maior número de hospitalizações por conta da doença.

O plano para evitar o desperdício de vacinas

A Ministra da Saúde Nísia Trindade anunciou no fim de março um plano para evitar a perda desses imunizantes. O Ministério quer redistribuir as doses não utilizadas para outros municípios em outros nove estados, mas a adesão não tem sido compatível com a quantidade de vacinas disponível.

Em estados como Amapá, 22.376 doses perto de vencer foram recebidas no início do mês, vindos do Distrito Federal e do Mato Grosso do Sul, pelo fato destas duas unidades da federação compartilharem característica com o estado. Por volta de mil doses foram aplicadas em conformidade com os dados preliminares da Secretaria de Saúde. Outros oito estados também participam do remanejamento das doses que vencem em abril.


O Brasil registra milhões de casos de dengue, apesar da campanha de vacinação (Foto: reprodução/Buda Mendes/Getty Images embed)


Alguns estados ainda têm um grande número de doses a serem aplicadas, sendo o Goiás o estado de maior número, são 77,4 mil doses. A Bahia tem 15,3 mil, São Paulo possui 11,6 mil doses, o Amazonas tem 13 mil em estoque, e a Paraíba tem 6,1 mil. Os estados do Acre, Rio Grande do Norte e Maranhão não informaram o número de doses a serem usadas este mês.

A aposta do Ministério é fazer todas as aplicações a tempo e por isso, não há um plano alternativo para o eventual desperdício dessas vacinas. De acordo com a pasta, 31.65 doses foram aplicadas na primeira semana de abril. Em março, foram 449.725 aplicações e em fevereiro, mês de início da campanha, um pouco mais da metade disso. Segundo o aval da secretária nacional de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, o ritmo de aplicações é positivo. “Não tivemos nenhum indicativo por parte de estados e municípios de possível perda”, comentou ela. Ethel acrescenta que há um atraso no registro de doses aplicadas em municípios, o que faz com que os números divulgados não reflitam a realidade do avanço da campanha de vacinação. 

A pasta não trabalha com a possibilidade de remanejar as doses fora da faixa etária alvo neste ano, pois vai contra o planejamento da comissão técnica e a sugestão da Organização Mundial de Saúde.

O plano de imunização nas escolas

A epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do Programa de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, avalia que o governo precisa intensificar a campanha para evitar a perda de doses. “Precisamos de um mecanismo mais forte de mobilização. Estamos falando de uma população de 10 a 14 anos, a melhor estratégia é vacinar nas escolas. Isso precisa ser colocado como prioridade do Ministério da Saúde”, disse ela.

A Ministra da Saúde chegou a anunciar ação de imunização contra a dengue e outras doenças em escolas no início de março, via Programa Saúde nas Escolas. A ministra Nísia Trindade disse na época que a ação estava prevista para a segunda quinzena de março, mas a pasta reavaliou a iniciativa após casos de reação alérgica à vacina. Isso fez com que o ministério visse que a iniciativa precisa ser acompanhada de forma adequada. A recomendação também foi repassada às prefeituras.


A vacinação nas escolas ajudaria a intensificar a campanha, mas enfrenta um grande obstáculo (Foto: reprodução/Buda Mendes/Getty Images embed)


“Seria lamentável ter perdas num cenário em que temos pouca vacina. É aceitável uma perda de 3 a 5%, que chamamos de perda física, quando um refrigerador estraga ou algo do tipo. Mais do que isso é inadmissível e o governo precisa trabalhar para que não haja”, declarou a ministra.

O país tem passado por um disparo nos casos de dengue nos últimos quatro meses. Foram 3 milhões de casos registrados. Foram mais de 1.300 mortes pela doença e outros milhares de casos suspeitos. O Brasil também lidera o ranking de dengue nas Américas, fazendo com que o governo precise agir de forma rápida e eficiente para impedir o avanço da doença.

Vladimir Putin afirma que Rússia está perto da cura do câncer

Na quarta-feira (14), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou na televisão que os cientistas de seu país estão próximos de desenvolver uma vacina que combaterá o câncer. O líder da maior nação do mundo declarou que, em breve, o imunizante estará disponível para todos que precisarem. A cura para essa doença tem sido buscada por anos por diversos países e instituições.

Desenvolvimento da vacina russa

Vladimir Putin deu seu discurso durante um fórum sobre futuras tecnologias, em Moscou. O presidente ainda afirmou que espera que o imunizante tenha tanto sucesso que as pessoas possam usá-lo de maneira individual. O comandante não especificou para qual tipo de câncer sua vacina será utilizada, nem deu nenhum tipo de prazo para que ela seja liberada para o público.

Hoje em dia, o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo todo, sendo as doenças cardiovasculares a primeira causa. Em 2022, mais de dez milhões de pessoas morreram por causa da doença no ano todo. A título de exemplo, isso significa que uma a cada seis mortes tem algo relacionado à doença, e aproximadamente 70% dessas mortes ocorrem em países pobres.


Em ano eleitoral, opositor de Putin é encontrado morto na prisão (Vídeo: reprodução/YouTube/tvcultura)

Esforço global

Combater o câncer não é uma prioridade apenas do país comandado por Vladimir Putin; todas as nações do mundo estão atrás de uma cura para esta doença. O Reino Unido chegou a firmar um acordo com a empresa BioNTech para realizar testes em pacientes que possuem melanoma e reunir dez mil pessoas até 2030. As empresas Moderna e Merck estão desenvolvendo um imunizante que já comprovou ser eficaz para diminuir pela metade a chance de morte depois de três anos de tratamento.

Já estão disponíveis imunizantes para doenças como HPV e Hepatite B, doenças que podem levar ao câncer. A Rússia já provou ter uma boa equipe de cientistas quando, durante a pandemia de Covid-19, o país conseguiu desenvolver sua própria vacina e vender para outros países que queriam combater a doença.