Vaticano rejeita supostas aparições de Jesus na França e encerra debate sobre Maria

Jesus pode ouvir as orações dos fiéis, mas não apareceu em uma colina da Normandia nas últimas décadas. Acima de tudo, o Vaticano afirmou nesta quarta-feira (12) que as alegadas visões registradas na pequena cidade de Dozulé não possuem caráter sobrenatural, apesar da forte repercussão entre devotos.

Nesse sentido, a decisão integra uma nova instrução aprovada pelo papa Leão XIV. O documento orienta os 1,4 bilhão de católicos a não considerar genuínas as supostas 49 aparições relatadas por uma moradora da região durante os anos 1970.

Decisão reforça posição doutrinária

A mulher afirmou ter visto Jesus repetidas vezes e relatou que ele teria ditado mensagens, além de ordenar a construção de uma cruz de 7,38 metros na colina local. O texto do Dicastério para a Doutrina da Fé, porém, descarta a validade espiritual desses relatos e afirma que o fenômeno não tem origem sobrenatural.


Cruz em Dozulé (Foto: reprodução/X/@@misyjne_pl)


O Vaticano lembra que a Igreja reconhece algumas aparições, como Nossa Senhora de Guadalupe no México e as visões de Jesus à irmã Faustina Kowalska na Polônia. No entanto, a Santa Sé mantém critérios rígidos para evitar fraudes, abusos e usos lucrativos da fé popular.

Documento também revisa título ligado a Maria

Ocasionalmente, a instrução apresentada nesta semana dialoga com outro decreto recente sobre a mãe de Jesus. O texto esclarece que Maria não deve ser chamada de “corredentora”, já que a tradição católica atribui apenas a Cristo a redenção da humanidade. Além disso, a Igreja destaca que Maria inspira fé e devoção, mas não participa diretamente do ato salvador.

O Vaticano também citou inconsistências nas mensagens atribuídas às visões de Dozulé. Uma delas anunciava o fim do mundo antes do ano 2000, previsão que, segundo o órgão, jamais se cumpriu. Outro trecho, divulgado à época, afirmava que a construção de uma enorme cruz anunciaria a Segunda Vinda de Cristo. Ao comentar o caso, o documento reforçou que a fé cristã não depende de estruturas monumentais. “A cruz se ergue em cada coração que se abre ao perdão”, afirmou o texto, que encerra oficialmente o debate sobre o episódio francês.

Papa Leão denuncia “descarrilamento ético” diante da fome global

Durante discurso nesta quinta-feira (16) na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), em Roma, o papa Leão XIV fez um apelo enfático aos líderes mundiais para que acabem combatam a fome global, chamando a situação de “um descarrilamento ético”.

O pontífice católico apontou que permitir que milhões de pessoas passem fome todos os dias é um “sinal claro de uma insensibilidade predominante”, acusando o sistema de ser injusto na distribuição de recursos, além de citar a economia mundial, a chamando de “sem alma”. Durante o encontro, ele ressaltou que 673 milhões de pessoas não comem o suficiente todos os dias, um dado que a própria ONU divulgou.

Responsabilidade global

Em seu discurso no fórum para 125 delegações, o papa Leão XIV reforçou que apesar de vivermos em um momento em que a expectativa de vida é mais alta, graças à ciência, ainda milhões de pessoas passam fome – e morrem devido isso – ao redor do mundo. Ele chamou a situação de “fracasso coletivo”, chamando a atenção global do mundo acerca do problema.

Ainda, sem mencionar países ou conflitos específicos, o líder católico mencionou o uso da fome como arma de guerra. De acordo com ele, os conflitos atuais trouxeram de volta esse mecanismo, mas o direito humanitário proíbe ataques a civis e a bens essenciais para a sobrevivência de pessoas. O papa completou, dizendo que o mundo parece ter se esquecido disso, já que “testemunhamos o uso contínuo dessa estratégia cruel”, e que isso deve levar o destino da humanidade à ruína.


Papa Leão XIV em discurso (Vídeo: reprodução/X/@vaticannews_pt)

Combate à pobreza

Grande parte da trajetória pastoral do papa Leão XIV foi atuando como missionário no Peru, onde ele combateu a pobreza como principal foco de seu trabalho. Primeiro papa dos EUA, desde o começo de sua liderança do Vaticano, ele trata o cuidado com os necessitados como um dos temas centrais de suas declarações, chamando a atenção para os conflitos atuais ao redor do mundo e pedindo por paz.

Em seu discurso, o pontífice criticou indiretamente a atual economia, a denominando “sem alma”, e sugeriu que o problema da fome e da pobreza não se encontra apenas como resultados externos, mas também como produto da desigualdade entre as pessoas. Segundo dados divulgados pela ONU este ano, 8,2% da população mundial sofreu com a fome em 2024, um número menor do que 2023 (8,5%), mas ainda alarmante. Apesar de uma melhora entre os anos, os conflitos e outros fatores, como na África e no Oriente Médio, podem invalidar esse avanço.

Lula vai ao Vaticano e se encontra com o Papa Leão XIV

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja da Silva tiveram um encontro nesta segunda-feira (13) com o papa Leão XIV, no Vaticano. Durante a audiência, Lula elogiou o papel do pontífice à frente da Igreja Católica e aproveitou o momento para convidá-lo oficialmente a participar da COP 30, conferência climática da ONU que ocorrerá em novembro de 2025, na cidade de Belém–PA. O chefe do Executivo brasileiro chegou a Roma no domingo (12), onde participa da abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025, evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e considerado o mais importante do calendário anual da entidade.

Objetivos da viagem

A viagem de Lula ocorre em meio às celebrações pelos 80 anos de fundação da FAO e tem caráter simbólico, já que acontece poucos meses depois de o Brasil ter sido retirado do Mapa da Fome, conforme apontou o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2025)”, publicado em julho.


Lula vai até o Vaticano e se encontra com Papa Leão XIV (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)

Em conversa com a imprensa na última quarta-feira (8), o ministro Saulo Arantes Ceolin, responsável pela Coordenação-Geral de Segurança Alimentar e Nutricional do Itamaraty, destacou que a participação de Lula nas cerimônias representa um reforço da parceria histórica e estratégica entre o Brasil e a FAO, concretizando o protagonismo do país nas políticas globais de combate à fome e à desnutrição. Ceolin destacou que a principal finalidade da viagem é demonstrar reconhecimento ao Fórum e celebrar o aniversário da instituição, considerada de grande relevância internacional. Segundo ele, o Brasil mantém há muitos anos uma parceria sólida e contínua com a organização, reforçando laços de cooperação e confiança mútua.

Primeiro encontro entre ambos

Foi a primeira reunião entre o presidente Lula e o papa Leão XIV, que sucedeu o papa Francisco no comando da Igreja Católica. O encontro vinha sendo articulado pelo governo brasileiro nos últimos dias e, segundo o presidente, o papa manifestou o desejo de visitar o Brasil em uma ocasião adequada.

Lula ressaltou que, quando isso ocorrer, o papa será recebido com grande afeto e hospitalidade pelo povo brasileiro, conhecido por sua forte devoção religiosa. O presidente ainda mencionou as recentes celebrações do Círio de Nazaré e do Dia de Nossa Senhora Aparecida como exemplos da profunda fé presente no país.

Papa Leão XIV abençoa fiéis e propõe pontificado voltado à paz e à escuta

Neste domingo (11), a Praça de São Pedro foi novamente cenário de fé e emoção com a primeira bênção dominical do Papa Leão XIV. Desde o início, a cerimônia, marcada pela oração do Regina Caeli, reuniu uma multidão de fiéis, reforçando, assim, o início de um novo capítulo no comando da Igreja Católica.

Além disso, ao transmitir sua bênção, o pontífice aproveitou o momento para destacar temas urgentes e, consequentemente, delinear sua visão de papado.

Apelo pela paz e fim dos conflitos armados

Durante sua fala, o Papa Leão XIV fez um apelo direto pelo fim das guerras em curso, com palavras firmes e emotivas. Além disso, mencionou os conflitos na Ucrânia, na Faixa de Gaza e em outras regiões afetadas por tensões políticas e humanitárias. Ele marcou seu discurso ao enfatizar a importância do diálogo entre povos e líderes. Sinalizando que o novo pontificado manterá a postura ativa de mediação que já era característica de seu antecessor, Papa Francisco.


Papa Leão XIV, discursa na varanda principal da galeria central com vista para a Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano (Foto: Reprodução/Vatican Pool/Getty Images Embed)


Além disso, ele celebrou com esperança os sinais de reconciliação entre Índia e Paquistão, “A paz é o único caminho possível para um futuro comum”, afirmou.

Primeiras impressões do novo pontificado

Eleito no mês passado após o conclave, Leão XIV escolheu um nome que remete ao Papa Leão XIII. Conhecido por sua atuação em temas sociais no século XIX. Com sua primeira aparição dominical, a expectativa é de um governo pastoral marcado pela escuta, pelo compromisso com os pobres e pelo combate à desigualdade. A missa e a oração reuniram peregrinos de diversos países, que aguardavam ansiosos a primeira bênção oficial do novo líder da Igreja Católica.

Leão XIV e o desafio de enfrentar os abusos na Igreja

A escolha do cardeal Robert Francis Prevost como novo líder da Igreja Católica Apostólica Romana, agora conhecido como papa Leão XIV, provocou reações divididas entre fiéis, membros da Igreja e organizações civis.

Aos 69 anos, Prevost assume o papado com o desafio de dar continuidade à luta contra os abusos sexuais cometidos por membros do clero, uma questão que há décadas compromete a credibilidade e a autoridade moral da Igreja.

Preocupação da SNAP

Entidades como a Rede de Sobreviventes de Abuso Sexual por Sacerdotes (SNAP) e a organização Bishop Accountability expressaram preocupação com a postura de Leão XIV frente à transparência e à responsabilização de padres envolvidos em crimes sexuais. As críticas recaem principalmente sobre seu período como bispo de Chiclayo, no norte do Peru, entre 2013 e 2025.

Durante esse tempo, ele teria deixado de divulgar os nomes de acusados e não teria aberto investigações formais mesmo após denúncias de vítimas. Segundo essas organizações, algumas das vítimas recorreram às autoridades civis apenas anos depois, sem obter resposta da Igreja.


Manifestação da SNAP (reprodução/x/@enzo_barrila)

A atuação de Prevost enquanto prefeito do Dicastério para os Bispos também levanta questionamentos. Nessa função, ele era responsável por avaliar casos contra bispos acusados de abuso ou de encobrir crimes, mas, segundo as ONGs, não houve punições públicas nem informações claras sobre os processos. A falta de desfechos visíveis reforça as críticas sobre uma possível conivência com o silêncio institucional.

Participação do atual papa

No entanto, o novo papa também é reconhecido por ter participado ativamente da denúncia e posterior intervenção do Sodalício de Vida Cristã, uma congregação peruana envolvida em sérios casos de abuso e corrupção. Sua colaboração nesse processo foi destacada por vítimas e defensores dos direitos humanos. Antes de deixar o Peru, Prevost também se reuniu com sobreviventes de abusos, demonstrando abertura ao diálogo.

O histórico ambivalente de Leão XIV alimenta incertezas sobre o futuro da Igreja no enfrentamento dessa crise. O novo pontífice herdou de Francisco um conjunto de reformas e normas que precisam ser ampliadas e efetivadas, como o fim do segredo pontifício e a exigência de denúncias internas.

A sociedade civil e as vítimas esperam que, nos primeiros meses de seu pontificado, ele adote medidas concretas e corajosas. Entre as demandas mais urgentes estão a criação de uma legislação canônica com tolerância zero e a criação de um fundo de reparação para os sobreviventes. A forma como Leão XIV irá conduzir esse processo poderá definir sua liderança e o rumo da Igreja Católica nas próximas décadas.

Moda molda imagem dos papas ao longo da história e reflete mudanças na Igreja

Na primeira semana de maio de 2025, no Vaticano, a morte do Papa Francisco marca não apenas uma transição religiosa, mas também simbólica e visual. Com o início do conclave, que escolherá o novo pontífice, uma nova etapa será iniciada para a Igreja Católica.

Francisco, conhecido por sua simplicidade, deixou um legado que influenciou a forma como a figura papal é representada. A moda papal, historicamente usada como instrumento de poder e comunicação, volta a ser discutida, pois pode sinalizar a direção que será assumida pelo próximo papa.

Símbolos visuais reforçam autoridade espiritual

Ao longo dos séculos, a moda dos papas foi usada para comunicar poder, espiritualidade e tradição. Roupas luxuosas, como mantos bordados a ouro, mitras e estolas, foram adotadas para destacar a autoridade dos pontífices.

Cada detalhe — desde a cor vermelha, que simboliza o sangue dos mártires, até o anel do pescador, que representa a sucessão de São Pedro — foi cuidadosamente escolhido para transmitir mensagens profundas. Até mesmo os sapatos vermelhos, usados por séculos, refletiram uma conexão entre fé e influência política.


Papa Franscico (Foto: reprodução/Vatican Pool/Getty Imagens Embed)


Contudo, essas tradições começaram a ser revistas. Durante o pontificado de Bento XVI, o uso de trajes mais simbólicos voltou a ganhar destaque, como o retorno dos sapatos vermelhos. Já com o Papa Francisco, o visual papal passou por uma transformação.

Elementos luxuosos foram deixados de lado. Cruz de ferro, sapatos pretos e anel de prata foram usados em vez das versões tradicionais. Essa escolha representou mais do que um estilo: sinalizou uma postura de serviço e humildade.

Moda e Vaticano influenciam tendências culturais

A influência da moda papal ultrapassa os muros da Igreja. Grifes como Dolce & Gabbana, Valentino e Jean Paul Gaultier frequentemente buscaram inspiração na estética católica. Silhuetas solenes, tecidos nobres e símbolos religiosos foram incorporados a desfiles e coleções, como no Met Gala de 2018, que teve como tema “Corpos Celestiais: Moda e Imaginação Católica”.


Papa Francisco comparece à missa de corpo presente do Papa Emérito Bento XVI na Praça de São Pedro, em janeiro de 2023 (Foto: reprodução/Antonio Masiello/Getty Imagens Embed)


Com a morte de Francisco, especialistas e fiéis se perguntam se o próximo papa retomará os símbolos visuais tradicionais ou manterá a linha mais sóbria. De qualquer forma, o vestuário continuará sendo usado como ferramenta de expressão da Igreja. A moda papal, ao longo da história, refletiu os dilemas entre tradição e mudança, espiritualidade e poder. Agora, esse diálogo será reatualizado pelo novo sucessor de São Pedro.

Lula felicita Papa Leão XIV e reforça legado de Francisco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (8) para parabenizar o novo líder da Igreja Católica, o cardeal Robert Francis Prevost, agora Papa Leão XIV. Enquanto isso, Lula está na Rússia para participar das comemorações dos 80 anos da rendição da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Além disso, o presidente brasileiro expressou seu desejo de que Leão XIV dê continuidade ao legado de Francisco, especialmente na defesa do meio ambiente e no respeito à diversidade. Da mesma forma, Lula destacou a importância da solidariedade e do combate ao ódio e à intolerância.

Por fim, ele completou: “Não precisamos de guerras, ódio e intolerância. Precisamos de mais solidariedade e mais humanismo. Precisamos de amor ao próximo, que é a base dos ensinamentos de Cristo.”


O presidente Lula felicita o novo Papa, Leão XIV, e desejou um papado de solidariedade e amor ao próximo (Foto: reprodução/X/@LulaOficial)

Direto da Rússia, Lula acompanha escolha do novo pontífice

Desde quarta-feira (7), Lula cumpre agenda oficial na Rússia, onde participa das comemorações dos 80 anos do Dia da Vitória, evento que marca o fim da Segunda Guerra Mundial. A visita reforça o compromisso do Brasil com o multilateralismo, além de abrir espaço para novas parcerias internacionais.

Durante sua estadia, o presidente pretende assinar acordos de cooperação em ciência e tecnologia e ampliar as relações comerciais entre os dois países. No momento em que foi revelado o nome do novo pontífice, Lula visitava o Grande Palácio do Kremlin, localizado dentro do Kremlin de Moscou, e é a residência oficial do presidente da Rússia.

A relação de Lula com Francisco e o que esperar do novo Papa

Durante o pontificado de Francisco, Lula manteve contato frequente com ele, trocando cartas e se reunindo em diversas ocasiões. Em 2019, Francisco enviou uma carta a Lula enquanto ele estava preso, incentivando-o a não desanimar. Após sua soltura, em 2020, Lula visitou o Papa no Vaticano. Em 2023, já no terceiro mandato, o presidente brasileiro voltou a encontrá-lo e recebeu uma placa com a mensagem “a paz é uma flor frágil”.

Além disso, Francisco chegou a afirmar que Lula foi condenado sem provas em 2018, em entrevista a uma TV argentina. Em 2024, os dois se encontraram novamente durante a cúpula do G7, na Itália, onde discutiram temas como paz mundial e combate à fome.

Agora, diante de um novo pontífice, o presidente brasileiro espera ter bom relacionamento, embora discorde em algumas declarações dadas em 2012 pelo então cardeal Robert Francis Prevost, hoje Papa Leão XIV.

Robert Francis Prevost é eleito novo papa e usará o nome Leão XIV

A Igreja Católica tem um novo papa. O cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi eleito nesta quinta-feira (8), após a tradicional fumaça branca ser vista saindo da chaminé da Capela Sistina, no Vaticano. Com a eleição confirmada pelo anúncio do “Habemus Papam”, Prevost se torna o primeiro papa dos Estados Unidos na história da Igreja.

Leão XIV será o novo papa

O novo pontífice adotou o nome de Leão XIV e foi ovacionado por uma multidão de fiéis ao surgir na sacada da Basílica de São Pedro para sua primeira aparição pública. Em seu discurso inicial, ele transmitiu uma mensagem de esperança:

“A paz esteja com todos vocês. Esta é a primeira saudação do Cristo ressuscitado. Eu também gostaria que essa saudação de paz entrasse no coração de vocês.”

Leão XIV assume o trono de Pedro em um contexto de desafios significativos, como a diminuição no número de fiéis em várias regiões do mundo e a continuidade da forte influência do papado anterior.


Papa Leão XIV faz primeiro discurso a fiéis no Vaticano (Foto: reprodução/Tiziana FABI / AFP)

Ele sucede o papa Francisco, falecido há 17 dias após sofrer um AVC e uma insuficiência cardíaca. Francisco havia sido hospitalizado recentemente com pneumonia, agravando seu já frágil estado de saúde.

Prevost, que nasceu em Chicago, construiu grande parte de sua trajetória eclesiástica no Peru, onde serviu por anos e se destacou por seu trabalho pastoral próximo das comunidades locais.

O novo papa é visto como alguém alinhado à linha reformista de seu antecessor. Durante sua primeira fala como pontífice, ele prestou homenagem a Francisco: “Obrigado, papa Francisco. Sou agostiniano. Sou cristão, e, nesse sentido, podemos continuar juntos para aquela pátria para a qual Deus nos preparou”


Fumaça branca anuncia que novo papa foi escolhido (Foto: reprodução/G1)

Conclave é encerrado

A eleição ocorreu no segundo dia do conclave, repetindo o padrão dos conclaves anteriores em 2005 e 2013.

Apesar das expectativas de que o processo se estendesse devido ao número recorde de cardeais votantes, o consenso foi alcançado rapidamente.

A primeira votação, realizada na tarde de quarta-feira (7), e a sessão da manhã de quinta resultaram em fumaça preta, sinalizando indecisão. Apenas na terceira rodada de votos, à tarde, a escolha foi feita.

A confirmação do novo papa marca o fim oficial do período de “Sé Vacante”, intervalo entre o falecimento de um pontífice e a eleição de seu sucessor.

Com isso, inicia-se um novo capítulo no Vaticano, que poderá seguir ou redirecionar os caminhos traçados durante os 12 anos do pontificado de Francisco, caracterizados por reformas e uma aproximação pastoral com os mais vulneráveis.

Conclave: fumaça branca surpreende e confunde porta-voz do Vaticano

O porta-voz oficial do Vaticano, na manhã desta quinta-feira (08), horário de Brasília, gerou confusão em suas redes sociais ao publicar por engano “fumata bianca” como resultado da votação para escolha do novo Papa. Corrigindo-se de imediato após o ocorrido e apagando o comunicado.

Em uma postagem inicial havia a expressão fumaça branca, em tradução livre. No entanto, a continuidade da fumaça expelida pela chaminé da Capela Sistina foi escura, denotando que não houve consenso para a escolha de um novo pontífice.

Assim sendo, sem concordância entre os cardeais, a fumaça escura tomou os céus do Vaticano e marcou o segundo dia do conclave. O novo resultado será anunciado ainda nesta quinta-feira (08), à tarde, pelo horário de Brasília.

Formação de consenso

Para eleger um novo Papa, os cardeais precisam formar maioria de dois terços. Desta forma, dos 133 votantes, 89 precisam concordar votando no mesmo candidato ao papado.

O sinal do resultado, seguindo um ritual da Igreja Católica, é a cor da fumaça expelida pela chaminé da Capela Sistina. Fumaça de cor escura informa que não houve aprovação para a escolha de um novo Papa. Já a fumaça na cor branca caracteriza que houve entendimento entre os cardeais para a escolha do pontífice.


Publicação correta desta manhã sobre o resultado do Conclave (Vídeo: reprodução/Instagram/@vaticannews)


Caso não haja consenso, como nestas três últimas votações, a decisão ficará para o turno seguinte. De acordo com os resultados dos últimos Conclaves, geralmente, a escolha ocorre a partir do segundo dia de votação.

Sinal de fumaça

A fumaça usada como sinal para informar ao mundo a decisão tomada pelos cardeais gera grande expectativa, não só na multidão aglomerada na Praça São Pedro, como também na mídia internacional e nos espectadores à distância.

No entanto, para que a cor da fumaça esteja conforme o resultado da votação, é necessário utilizar produtos químicos para alcançar o resultado desejado.

De acordo com químicos e especialistas no assunto, a fumaça na cor preta é produzida com perclorato de potássio, antraceno e enxofre. Já para o tom esbranquiçado, utiliza-se clorato de potássio, lactose e âmbar.

Essas composições químicas foram adotadas pelo Vaticano a partir de 2005, uma vez que é mais eficaz na produção da coloração. Ainda assim, na manhã desta quinta-feira (08), o tom da fumaça confundiu até mesmo a mídia oficial do Vaticano.

Saiba os horários da fumaça que anunciará novo Papa

O conclave para escolha do novo papa começou nesta quarta-feira (7), e os 133 cardeais não chegaram a um consenso na primeira votação. Como parte do ritual, a fumaça escura surgiu da chaminé da Capela Sistina por volta das 21h (horário de Roma), 16h no horário de Brasília. Os cardeais retomam a votação nesta quinta-feira, seguindo um ritmo padrão que pode se repetir nos próximos dias até que cheguem a um consenso. Nesse sentido, eles fazem quatro votações diárias, duas pela manhã e duas à tarde. No entanto, a fumaça aparece apenas uma vez por turno, podendo surgir assim (horário de Brasília):

  • às 5h30 ou 7h (5h30 somente em caso de escolha do papa)
  • às 12h30 ou 14h (12h30 somente havendo um consenso)

O processo de escolha do novo Papa no conclave

A princípio, os cardeais votam para escolher o novo pontífice em um processo cuidadosamente organizado. Primeiro, três cardeais são sorteados para contar os votos, três para coletar o voto dos que estão doentes e outros três para revisar a contagem.

Os cardeais pegam suas cédulas, onde está escrita a frase “Elejo como Sumo Pontífice”, e escrevem à mão o nome do candidato escolhido. O processo ocorre de forma discreta, e eles não podem votar em si mesmos.

Em seguida, um a um, os cardeais caminham até o altar e afirmam seu voto diante de Deus, seguindo sua consciência. Logo após, os cardeais colocam o voto na urna e retornam aos seus lugares. Os cardeais continuam votando até que um candidato alcance dois terços dos votos e se torne oficialmente o novo Papa.


Conclave reúne os 133 cardeais para escolher o novo Papa (Foto: reprodução/Instagram/@vaticannewspt)


Anúncio do novo Pontífice

Dessa forma, tradicionalmente, quem faz o anúncio é o protodiácono do Colégio dos Cardeais, que esse ano é o cardeal francês Dominique Mamberti.

Enquanto, fora da Capela Sistina, a fumaça branca já avisa que há uma escolha definida, lá dentro o novo líder da Igreja Católica passa por uma ligeira sabatina.

Então, após ser eleito, o novo cardeal deve responder a duas perguntas do protodiácono: se “aceita sua eleição como Sumo Pontífice?” e “qual nome deseja usar?“. Se aceitar, ele se torna oficialmente Papa e bispo de Roma. Em seguida, os cardeais prestam respeito e obediência ao novo pontífice. Daí em diante começa o novo papado do cardeal escolhido.