Para o JP Morgan, fim da era Trump não significa o fim das tarifas

O JP Morgan Chase, por meio de seu Centro para Geopolítica, publicou um relatório que sugere um cenário de política comercial nos Estados Unidos bastante diferente daquele que o mercado e os observadores internacionais vinham imaginando. A principal conclusão do estudo é que a política tarifária que caracterizou a era Trump não deve desaparecer com a possível saída do atual presidente. Pelo contrário, ela parece ter se enraizado no cenário político americano, tornando improvável um retorno ao antigo regime de comércio de tarifas baixas.

O documento aponta que as tarifas efetivas sobre importações devem se manter em torno de 22% por um tempo. A justificativa para essa permanência está no consenso crescente entre o espectro político americano de que essas tarifas são uma ferramenta crucial para fortalecer a base industrial do país, especialmente em setores estratégicos considerados essenciais para a segurança nacional. Essa visão compartilhada invalida a ideia de que as tarifas seriam apenas uma tática temporária de barganha política, como muitos no mercado acreditavam.

Política tarifária dos EUA desafia expectativas de reversão pós-Trump

Essa análise contraria a visão otimista de que os recentes acordos comerciais sinalizam uma possível suavização da postura de Washington. O relatório do JP Morgan é enfático ao afirmar que um retorno às políticas pré-Trump seria um erro de avaliação. Mesmo que um novo presidente americano tenha a intenção de reverter a estrutura tarifária atual, ele enfrentaria desafios significativos. A política se tornou tão intrínseca ao pensamento estratégico do país que sua reversão demandaria um esforço político considerável e talvez impraticável.


Matéria sobre a alteração das tarifas de exportação do governo Trump (Vídeo: reprodução/YouTube/G1)

Adaptação empresarial e custo crescente dificultam retorno ao modelo comercial anterior

Além do desafio político, o tempo também joga contra o retorno ao regime comercial anterior. O relatório sugere que, com o passar dos anos, as empresas terão tempo para se ajustar à nova realidade, recalibrando seus investimentos e cadeias de suprimentos. Esse processo natural de adaptação econômica tornará cada vez mais difícil e custoso reverter as mudanças, cimentando o novo cenário de tarifas elevadas. Um relatório anterior do JP Morgan Chase Institute já havia quantificado o impacto financeiro dessas tarifas, estimando um custo adicional de até US$ 187,7 bilhões para empresas de médio porte, um valor seis vezes maior do que o custo das tarifas vigentes no início de 2025. O Centro para Geopolítica, lançado em maio pelo JP Morgan, tem como objetivo principal auxiliar as empresas a navegar por esses e outros desafios econômicos, oferecendo análises como a que foi publicada.

Tecnologia impulsiona ganhos entre os homens mais ricos do mundo

A Forbes manteve Elon Musk como o homem mais rico do mundo em agosto de 2025, mesmo tendo uma queda em sua fortuna. Enquanto isso, outros bilionários tiveram ganhos significativos em seus patrimônios, ocupando lugares expressivos na lista dos homens mais ricos do mundo deste mês. 

Jensen Huang, CEO da Nvidia, subiu do décimo lugar no ranking para o sexto, de acordo com estimativas da Forbes. A Nvidia é uma empresa voltada à fabricação de chips para inteligência artificial, o que se assemelha às características que a empresa tem em comum com outras dirigidas pelos bilionários da lista. A tecnologia dominou o ranking, com corporativas que variam do comércio eletrônico até o Google. 

Já Larry Ellison conquistou o lugar de segundo homem mais rico, com as ações da Oracle – empresa de software e computação em nuvem – subindo em 14% no mês. O patrimônio líquido de Ellison se mantém abaixo dos US$ 300 bilhões, com uma soma de US$ 37 bilhões após o impulso das ações. 

10 homens mais ricos do mundo

1º lugar: Elon Musk. 

Elon é CEO da Tesla e da SpaceX, além de ser presidente e diretor da rede X (antigo Twitter) e fundador da xAI – startup de inteligência artificial. A fortuna de Musk caiu US$ 5 bilhões em julho, resultado de uma queda das ações da Tesla, mas o impacto foi pequeno diante de seu capital. Atualmente, ele tem um patrimônio líquido de US$ 401 bilhões e vem acumulando sua fortuna através de ações em empresas de tecnologia. 

2º lugar: Larry Ellison

Larry Ellison se manteve em sua posição como o segundo homem mais rico do mundo, após uma soma de US$ 37 bilhões a sua fortuna em apenas um único mês. Ele é presidente do conselho e diretor de tecnologia da empresa Oracle – que o próprio fundou em 1977 – , responsável por softwares e computação em nuvem. 

3º lugar: Mark Zuckerberg

O dono da Meta, Mark Zuckerberg encerrou o mês de julho em alta, após o lucro por ação da rede atingir cerca de US$ 7,14 milhões, resultando em uma receita de US$ 47,5 bilhões. Mark foi responsável pela criação do Facebook – que hoje se chama Meta Platforms –  em 2004, ainda estudante da Universidade de Harvard. Atualmente, a empresa é a maior rede social mundial e Mark também é dono do Instagram e do Whatsapp, o que o torna o principal proprietário das redes sociais globalmente. 

4º lugar: Jeff Bezos

Bezos é o fundador da Amazon e atualmente é CEO da empresa, desde julho de 2021. Sua fortuna atual é de US$ 246,4 bilhões, tendo uma alta de US$ 13 bilhões somente em julho, com a valorização das ações da Amazon. No fim de junho, o CEO se casou com Lauren Sanchez, em uma cerimônia luxuosa que chamou a atenção do mundo ao ser realizada em Veneza, na Itália. 

5º lugar: Larry Page 

Cofundador do Google em 1998 junto de Sergey Brin, Larry Page acumula uma fortuna de US$ 158 bilhões, com crescimento de US$ 12 bilhões em julho. A alta de quase 9% das ações da Alphabet – empresa que controla o Google, onde ele atua como membro do conselho – foi a principal razão do acréscimo, graças à valorização do mercado no ramo da tecnologia. Ele se mantém no quinto lugar do ranking desde o mês anterior. 

6º lugar: Jensen Huang

Graças a disparada das ações da Nvidia, Huang subiu para o sexto homem mais rico do mundo, acumulando um patrimônio liquido de US$ 154,8 bilhões. Ele cofundou a empresa de fabricação de chips gráficos e atua como CEO e presidente desde a fundação em 1993. Apesar de ter nascido em Taiwan, Huang se mudou junto ao irmão para os Estados Unidos. 

7º lugar: Sergey Brin

O segundo fundador do Google, Sergey Bin viu sua fortuna crescer US$ 11,3 bilhões em julho, resultado da mesma valorização da Alphabet que impulsionou a fortuna de Larry Page. Atualmente seu patrimônio líquido é de US$150 bilhões. 

8º lugar: Steve Ballmer

Steve Ballmer é ex-CEO da Microsoft e tem um patrimônio líquido de US$ 148,7 bilhões. Ele estudou em Harvard, onde foi colega de Bill Gates e entrou como funcionário na Microsoft em 1980. Ballmer ocupou o cargo de CEO da gigante de 2000 a 2004 e hoje é aposentado da empresa, tendo comprado o time de basquete de Los Angeles por US$ 2 bilhões. 

9º lugar: Warren Buffett

Em penúltimo lugar, temos Warren Buffet, que teve uma queda de US$ 2,2 bilhões em seu patrimônio e então saiu do sexto lugar para o nono no ranking. Buffett controla a rede Berkshire Hathaway, que comanda empresas como Geico e Duracell. Ele comprou suas primeiras ações aos 11 anos, sendo filho de um congressista americano. 

10º lugar: Bernard Arnault

Bernard Arnault tem como fonte do seu patrimônio líquido a LVMH – bens de luxo. Apesar da alta de US$ 4,5 bilhões em sua fortuna, ele não conseguiu manter seu lugar como o nono homem mais rico de julho e caiu para o décimo em agosto. 

Mulher mais rica do mundo

Enquanto a lista é ocupada somente por homens e em sua maioria americanos – com Bernard Arnault sendo o único não-americano -, Alice Walton ocupa o primeiro lugar de mulher mais rica do mundo. Ela é herdeira do fundador do Walmart, Sam Walton e tem um patrimônio estimado em US$ 107 bilhões, estando no 16º lugar entre as pessoas mais ricas do mundo. 


Rob, Alice e Jim durante evento anual de acionistas do Walmart em 2018 (Foto: reprodução/Rick T. Wilking/Getty Images Embed)


Sua fortuna é resultado principalmente de participações acionárias herdadas de seu pai na rede varejista Walmart. A herança que Sam Walton deixou foi dividida entre ela e seus irmãos Rob, Jim e John, mas os herdeiros das ações de Sam foram Christy Walton (sua viúva) e Lukas Walton (filho de Sam e Christy), estando ambos na lista de bilionários da Forbes.  A posição de Alice Walton demonstra que, embora envolvida em grandes fortunas, a presença de mulheres no ranking ainda são raras e os pódios continuam sendo ocupados por figuras masculinas.

UE suspende retaliação contra tarifas dos EUA por seis meses

A União Europeia suspenderá, por um período de seis meses, seus pacotes de contramedidas às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4) por um porta-voz da Comissão Europeia, após um acordo temporário com o governo norte-americano de Donald Trump.

A decisão afeta duas frentes importantes: as tarifas sobre aço e alumínio, e as taxas sobre automóveis e produtos básicos. Ambas as medidas retaliatórias estavam programadas para entrar em vigor em 7 de agosto, mas agora ficarão em espera enquanto negociações avançam.

Negociações seguem com incertezas

Apesar do anúncio da trégua temporária, muitos pontos seguem indefinidos no acordo entre as duas potências econômicas. Autoridades da UE esperam que novos decretos americanos sejam emitidos em breve, ajustando setores que ficaram de fora da lista inicial de exceções.


Publicação de Donald Trump em visita à Escócia (Vídeo: reprodução/Instagram/@potus)


A declaração conjunta, que estava prevista para ser formalizada no último dia 27 de julho, ainda está em fase de alinhamento entre os representantes de ambos os lados. Enquanto isso, produtos como bebidas alcoólicas, que estavam entre os mais afetados, seguem sujeitos às tarifas impostas pelos EUA.

A Comissão Europeia afirmou que a suspensão das contramedidas não significa uma desistência das reivindicações, mas sim uma tentativa de abrir espaço para uma solução diplomática. “O diálogo continua, e esperamos avanços reais nas próximas semanas”, afirmou o porta-voz.

Impactos econômicos e bastidores políticos

O setor empresarial europeu recebeu a decisão com alívio moderado. Grandes fabricantes de automóveis e indústrias de aço temiam um efeito cascata de perdas, caso as tarifas retaliatórias fossem aplicadas. No entanto, a suspensão é apenas uma pausa, e não uma solução definitiva.

Nos bastidores, fontes diplomáticas indicam que a UE aposta na diplomacia para evitar um agravamento da guerra comercial, mas não descarta retomar as contramedidas caso os EUA não flexibilizem os termos. Por enquanto, o continente aguarda os próximos movimentos de Trump, com a esperança de uma resolução sem danos maiores para o comércio global.

Ações da Novo Nordisk caem após queda nas vendas do Ozempic

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk enfrentou uma forte queda em suas ações nesta terça-feira (30), após revisar para baixo suas projeções de receita e lucro para o ano de 2025. A empresa, conhecida mundialmente pelos medicamentos Wegovy e Ozempic, viu seus papéis recuarem mais de 21%, sendo negociados a pouco mais de US$ 54. Esse desempenho representa uma das maiores quedas da história da companhia, superando inclusive o recuo de 19% registrado em abril de 2002.

A revisão das projeções foi significativa: a expectativa de crescimento da receita foi reduzida para uma faixa entre 8% e 14%, ante os 13% a 21% anteriormente estimados. Já o lucro, que antes era projetado para crescer entre 16% e 24%, agora deve ficar entre 10% e 16%. A empresa atribui essa desaceleração principalmente à expansão mais lenta do mercado norte-americano e ao aumento da concorrência, incluindo a presença de versões manipuladas dos medicamentos.

Atenção a Versões Manipuladas e Riscos à Saúde

Essas versões manipuladas, segundo a Novo Nordisk, são produzidas sem aprovação da FDA (agência reguladora dos EUA) e representam riscos à saúde dos consumidores. Apesar de a FDA ter permitido temporariamente a produção dessas cópias durante um período de escassez, a agência já declarou que a situação foi normalizada e retirou os medicamentos da lista de desabastecimento. Mesmo assim, os produtos manipulados continuam circulando no mercado.


Matéria sobre a perda de mais de 70 Bilhões de dólares da Novo Nordisk (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Novo CEO e Expectativas para o Próximo Balanço

Além disso, a empresa anunciou mudanças importantes em sua liderança. Maziar Mike Doustdar foi nomeado como novo CEO, assumindo o cargo em 7 de agosto. Ele substitui Lars Fruergaard Jorgensen, que deixou o posto em maio. Doustdar liderava as operações internacionais da companhia, que dobraram de tamanho sob sua gestão.

A Novo Nordisk divulgará seus resultados do segundo trimestre no próximo dia 6 de agosto, um momento crucial para analisar os impactos reais dessa turbulência.

Trump eleva tarifas sobre produtos brasileiros e agronegócio prevê perdas bilionárias

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (30) uma nova tarifa de 40% sobre produtos brasileiros, elevando para 50% o total da taxação sobre exportações do país. O decreto, divulgado pela Casa Branca, entrará em vigor no dia 6 de agosto e atinge diretamente setores estratégicos do agronegócio nacional, como o de carnes e o cafeeiro.

Trump contra alguns países

Segundo o comunicado, a decisão busca “proteger a economia norte-americana” e se soma à série de medidas comerciais adotadas recentemente pelo governo Trump contra países com os quais mantém disputas políticas ou comerciais.

A nova tarifa, no entanto, não será aplicada a todos os produtos agrícolas brasileiros. Ficaram de fora itens como castanhas-do-Brasil com casca, polpa de laranja e suco de laranja congelado. De acordo com estimativa da CitrusBR (Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos), a exceção para o suco de laranja evita que o país perca até US$ 792 milhões por safra — cerca de R$ 4,3 bilhões — com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O setor florestal, que inclui madeira, papel e celulose, também não foi afetado pela nova taxação. Até o momento, representantes do segmento não se manifestaram publicamente sobre a decisão.

Café vai sofrer um prejuízo

Por outro lado, os impactos para carnes e café devem ser significativos. A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), que reúne empresas como JBS e Marfrig, estima perdas de aproximadamente US$ 1 bilhão com a medida. Já o setor cafeeiro pode sofrer um prejuízo de US$ 481 milhões, segundo projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).


Fernando Haddad ministro da Fazendo (Foto: Reprodução/Arthur Menescal/Bloomberg via Getty Images)


A imposição das tarifas aumenta a tensão comercial entre Brasília e Washington em um momento de instabilidade nas relações diplomáticas. Para analistas do setor, a medida deve forçar o Brasil a intensificar a busca por novos mercados compradores, com destaque para a China, que já é o principal parceiro comercial do país.

Lula critica tarifas de Trump e diz que Brasil buscará novos mercados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, em entrevista publicada nesta quarta-feira (30) pelo jornal norte-americano The New York Times, as tarifas comerciais de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O governo de Donald Trump anunciou a medida no início de julho, com previsão de entrada em vigor nesta sexta-feira (2).

Trump anunciou Tarifas

Lula afirmou que o líder norte-americano “não pode confundir briga política com negociação comercial” e sugeriu que está aberto ao diálogo, desde que seja no campo econômico. “Se ele quer uma briga política, vamos tratar como briga política. Se ele quiser falar sobre comércio, vamos sentar e discutir comércio”, disse o presidente brasileiro.


Donald Trump Presidente do EUA (Foto: reprodução/Chip Somodevilla/Getty Images Embed)


Trump havia anunciado as tarifas em carta enviada a Lula e publicada em sua própria rede social em 9 de julho. Na mensagem, o republicano justificou as medidas citando um suposto déficit comercial dos EUA com o Brasil – que, na realidade, têm superávit na balança –, decisões judiciais consideradas desfavoráveis às big techs e o que chamou de “perseguição política” ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O norte-americano chegou a afirmar que a situação de Bolsonaro precisa ser revertida “imediatamente”.

Questionado sobre as críticas, Lula disse não saber “o que Trump ouviu” sobre ele, mas garantiu que, caso os dois se encontrem, o republicano perceberá que ele é “20 vezes melhor” que Bolsonaro. O presidente brasileiro também afirmou que não vai “chorar sobre o leite derramado” caso as tarifas entrem em vigor.

Brasil vai buscar alternativas

Segundo Lula, o Brasil buscará alternativas para escoar seus produtos em outros mercados, destacando a China como principal parceiro comercial do país. “Se os Estados Unidos e a China querem ter uma guerra fria, não vamos aceitar isso. Não tenho preferência. Quero vender para quem quiser comprar e pagar mais”, declarou.

A crise comercial adiciona tensão às já delicadas relações diplomáticas entre Brasília e Washington. Enquanto Lula tenta preservar o diálogo, Trump endurece o discurso em ano eleitoral nos EUA, aproximando política externa de disputas ideológicas internas.

Trump expande negócios fora dos EUA e levanta dúvidas constitucionais

Em seu primeiro mandato, e agora cumprindo o segundo, Trump manteve participação ativa na Trump Organization – conglomerado internacional de propriedade privada, como hotéis, campos de golfe e resorts, fundado por Donald Trump -, mesmo enquanto exercia o cargo de presidente. Seus negócios continuam firmando contratos e licenças em diversos países por meio de contratos com sua marca.

A empresa comandada por Trump anunciou oito novos projetos em apenas dez meses, elevando sua receita de licenciamento institucional de US$ 6 milhões em 2022 para quase US$ 50 milhões no último ano. Embora ainda não tenha confirmado um acordo em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, tudo indica que isso pode acontecer em breve. Documentos corporativos apontam que cerca de três novos contratos internacionais estão a caminho, na Sérvia, Hungria e na própria capital dos Emirados Árabes Unidos. 

Expansão do império global de Trump

O crescimento internacional do portfólio da marca de Trump inclui resorts de luxo, hotéis e operações comerciais. Entretanto, Trump prometeu não iniciar novos negócios internacionais em seu primeiro mandato. Ele realizou apenas um contrato nos anos em 6 anos após sua primeira eleição, mas mesmo com as promessas de restringir novas negociações comerciais, seus negócios continuaram lucrando enquanto presidia. 

Por exemplo, o presidente sancionou recentemente uma legislação de criptomoedas. Diretamente, isso influencia em seu capital, já que provavelmente irá lhe render cerca de dezenas de milhões de dólares com o avanço das criptomoedas nos EUA. Já as viagens de Trump, parecem coincidentemente estarem ligadas a seus negócios pessoais e não somente às questões nacionais como presidente. Na última sexta-feira (25), Trump viajou para a Escócia, onde fechou acordos com a UE com relação às tarifas comerciais. A contradição, é que ele se encontrou com o primeiro-ministro do Reino Unido em um de seus resorts de golfe, possuindo dois no país europeu. 


Donald Trump em seu campo de golf na Escócia, em última viagem para o Reino Unido (Foto: reprodução/Christopher Furlong/Getty Images Embed)


Negociações de Trump com países do exterior

No seu segundo mandato, atualmente Trump cumpriu somente duas viagens ao exterior,  uma sendo esta última para a Escócia, além de algumas reuniões obrigatórias e o funeral do Papa. A segunda foi uma turnê pelo Oriente Médio, onde uma incorporadora assinou novos acordos com Trump e em seguida, em Doha, foi realizado um acordo que permite a criação de uma comunidade de golfe com a marca Trump. 

O ataque de 6 de janeiro poderia ter sido uma virada de página nos negócios de Trump, afetando a si e seus acordos quando bancos cortaram laços e suas redes sociais foram suspensas. Contudo, o resultado foi diferente do esperado. Seus negócios continuaram avançando com contratos de comunidade de golf – como um assinado por uma incorporadora saudita -, associações e criações de empresas, colocando seus filhos em negócios de licenciamento e até mesmo projetos sendo acelerados em nome de sua marca.

Cláusula dos emolumentos 

A cláusula dos emolumentos proíbe que qualquer pessoa que ocupe cargo público aceite presentes ou vantagens sem a aprovação do Congresso. Com a primeira vitória de Trump como presidente, os debates sobre a cláusula se iniciaram. A questão era se o presidente poderia manter seus negócios comerciais no exterior e na época da discussão, sua equipe até tratou o assunto com comprometimento e rigor, cancelando projetos e prometendo não iniciar novos. Entretanto, Trump delegou outros negócios aos filhos Eric e Don Jr – o último até mesmo reclamou das restrições em uma viagem à Índia, dizendo não receberem créditos por terem imposto as regras à si mesmos. 

Para Walter Shaub, ex-líder do Escritório de Ética Governamental – tendo atuado no primeiro mandato de Trump -, o que o presidente norte-americano está fazendo hoje é pior do que antes e ele afirma que Trump acabou com qualquer significado que o programa de ética governamental tinha. Shaub renunciou em 2017 e até mesmo confrontou a Casa Branca por conta da escolha de Donald Trump em manter seus empreendimentos. 

Trump ameaça impor tarifas de até 20% a países

O presidente Donald Trump declarou durante visita à Escócia, que os Estados Unidos poderão impor uma tarifa global entre 15% a 20% sobre importações feitas por países que não fecharem acordos comerciais com o país. A medida deve atingir até 200 países, em uma estratégia forçada do governo norte-americano para forçar negociações até o prazo final, que é 1º de agosto.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28) durante coletiva de imprensa realizada em Turnberry, na Escócia. Trump fez esta declaração ao repórteres em seu resort de golfe, ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Ainda em seu discurso, Trump afirmou que “só quer ser gentil” com relação às tarifas globais impostas e que logo enviará cartas informando cerca de 200 países sobre a taxa prevista para aqueles que não estabelecerem acordos comerciais com os EUA. 

Foi mencionado pelo presidente norte-americano que ele espera que a tarifa fique entre 15% a 20%, o que representa um aumento em relação a tarifa adicional de 10% aplicada em abril. Embora essa tarifa já tenha sido aplicada a potências como Japão e a União Europeia – esta última fechou um acordo com os EUA para que a tarifa seja estabelecida em 15% sobre exportações -, o Brasil ainda enfrenta uma situação diferente. O país ainda está sujeito ao tarifaço de 50% e segue em busca de negociações com Washington. 

Negociações com o mundo

Os Estados Unidos já fecharam acordos com parceiros-chaves como Japão e União Europeia, com tarifas estabelecidas em torno de 15% para produtos exportados ao país, após uma intensa e longa negociação. A negociação com a União Europeia foi essencial para os EUA, para que se evitasse uma guerra comercial entre os países do bloco e eles. Esse possível embate iria afetar duramente a economia global, já que a União Europeia reúne algumas das maiores potências mundiais. O pacto inclui um compromisso de compra de US$ 750 bilhões em energia e US$ 600 bilhões em investimentos nos EUA.


Donald Trump e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia em reunião na Escócia (Foto: reprodução/Andrew Harnik/Getty Images Embed)


Paralelamente aos acordos fechados, os Estados Unidos retomaram as negociações com a China, sendo estabelecida uma trégua tarifária temporária até 12 de agosto, após Pequim e Washington realizarem um acordo preliminar. Entretanto, as negociações com a potência asiática são sensíveis devido ao embate econômico entre os dois países.

Negociação com o Brasil

Enquanto isso, o Brasil continua tentando uma possível negociação com o governo norte-americano. Contudo, o país continua sem resposta de Washington e está sob ameaça direta das tarifas que entram em vigor a partir de 1º de agosto. As razões para o tarifaço excedem os motivos somente econômicos, e entra na inadequada interferência política de Trump no caso do ex-presidente, Jair Bolsonaro. 

O governo brasileiro entrou com um recurso formal na OMC, e na quarta-feira passada (23) realizou um discurso no Conselho Geral da OMC. Foi reiterado na declaração que o Brasil condena o uso do tarifaço como meio de interferência em assuntos internos do país – fazendo referência direta a carta de Trump ao Brasil, onde o presidente norte-americano condenou o julgamento de Bolsonaro.

Tesla fecha contrato de US$ 16,5 bilhões com a Samsung para fornecimento de chips

Elon Musk, o presidente executivo da Tesla, fecha contrato, avaliado em US$ 16,5 bilhões (cerca de R$ 92,24 bilhões), e estabelece que a Samsung fornecerá chips para os carros da montadora, com foco em Inteligência Artificial (IA). A parceria acontece em um momento importante para ambas as empresas, que enfrentam desafios em mercados altamente competitivos.

A gigante sul-coreana, que lidera a produção de chips de memória, sofre uma pressão crescente no setor de IA, onde ainda fica atrás de seus concorrentes, como a TSMC e SK Hynix. Porém, o novo acordo promete aumentar sua participação no mercado de chips para IA e renovar sua imagem como fornecedora confiável de tecnologia avançada. Após o anúncio, na última segunda-feira, as ações da empresa subiram quase 7%.

Tesla e a estratégia de chips para IA

Elon Musk, afirma que a parceria vai acelerar a inovação no setor automotivo e no desenvolvimento de novas tecnologias. Ainda, afirma que o acordo com a Samsung é um passo estratégico para fortalecer a capacidade dos seus veículos.

“A Samsung concordou em permitir que a Tesla auxilie na maximização da eficiência da fabricação. Esse é um ponto crítico, já que eu vou caminhar pessoalmente na linha de produção para acelerar o ritmo do progresso. E a fábrica está convenientemente localizada não muito longe da minha casa”, afirmou Musk em um post no X (antigo Twitter).

A nova fábrica de chips da Samsung, em Taylor, Texas, produzirá o chip AI6, que será usado em veículos da montadora. Musk, também garante que terá participação ativa na linha de produção, para aumentar a eficiência e o ritmo de fabricação.


Elon Musk fundador e CEO da Tesla (Foto: reprodução/Andrew Harnik/Getty Images Embed)


Uma nova era para a produção de chips

O impacto do acordo vai além da Tesla. A parceria representa uma nova era para a Samsung, que busca reafirmar o seu potencial em fabricação de chips IA, setor essencial para o futuro dos veículos autônomos, dispositivos conectados e soluções em nuvem.

Além de beneficiar a Tesla, a parceria promete acelerar a produção de chips para a indústria e abrir portas para novas soluções tecnológicas. O impacto na economia, especialmente no Texas, será significativo, pois será criado novas oportunidades de trabalho e tende fortalecer cadeias produtivas locais.

Com o novo contrato, tanto a Tesla quanto a Samsung estão posicionadas para fortalecer suas respectivas indústrias e consolidar suas lideranças em inovação tecnológica. Com o mercado de IA em crescimento constante, esse acordo tem o potencial de transformar a forma como as empresas tecnológicas e automotivas interagem com suas necessidades de produção e desenvolvimento.

Trump pressiona China por acordo e dá prazo final para resolver disputa tarifária

Negociadores de alto escalão dos Estados Unidos e da China se reuniram nesta segunda-feira (28), em Estocolmo, na Suécia, para discutir uma possível solução para a disputa comercial que opõe as duas potências há meses. O encontro marca uma nova tentativa de avançar nas conversas que vinham sendo conduzidas em cidades como Genebra e Londres, mas que ainda não resultaram em avanços concretos.

As tensões entre os países têm gerado impactos nas cadeias globais de suprimentos, com tarifas que ultrapassam 100% em alguns setores. Em junho, Washington e Pequim chegaram a um acordo preliminar para conter a escalada, mas sem resolver as divergências mais profundas. Agora, os Estados Unidos esperam fechar um entendimento definitivo até 12 de agosto, data apontada pelo governo do presidente Donald Trump como decisiva para evitar novas sanções.

Pressão por acordo cresce em meio a incertezas

A comitiva americana é composta por representantes do alto escalão econômico, enquanto o vice-primeiro-ministro He Lifeng chefia a delegação chinesa. A retomada das negociações ocorre em paralelo a outro esforço diplomático: neste domingo (27), Trump se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na Escócia, para discutir um acordo com a União Europeia que pode incluir tarifas básicas de até 15%.

Embora representantes dos dois países evitem revelar detalhes das conversas, o presidente Donald Trump declarou que “há uma boa chance” de firmar um acordo com a China nas próximas semanas, sinalizando disposição para avançar nas negociações. Especialistas, porém, mantêm uma postura cautelosa, destacando que os principais obstáculos ainda giram em torno de questões tecnológicas e do modelo econômico chinês voltado à exportação.


Negociações tarifárias entre Estados Unidos e China avançam em busca de acordo comercial (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

Tensões comerciais persistem apesar dos esforços de diálogo

Além das tarifas, as negociações também focam em barreiras comerciais não tarifárias, como restrições de acesso a mercados e políticas de subsídios que, segundo os Estados Unidos, prejudicam a concorrência justa. Pequim, por sua vez, reivindica que as medidas americanas em setores estratégicos de tecnologia são uma forma de conter o crescimento chinês e proteger interesses geopolíticos.

Outro ponto sensível é a questão das cadeias globais de suprimentos, que sofreram interrupções significativas nos últimos anos devido às tarifas e à pandemia. Empresas de ambos os países enfrentam custos elevados e dificuldades para planejar investimentos em meio à instabilidade comercial. Por isso, a expectativa é que um acordo sólido ajude a restaurar a confiança dos mercados e minimize os riscos para o comércio mundial.

Por fim, apesar das tensões persistentes, analistas destacam que a retomada das negociações representa um passo importante para evitar uma guerra comercial mais profunda, que poderia desacelerar o crescimento econômico global. A atenção está voltada para as próximas semanas, quando o governo Trump deverá definir se mantém ou flexibiliza a linha dura adotada até aqui.