OMS inclui medicamentos como Ozempic e Wegovy à lista de essenciais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (05), a inclusão de medicamentos como semaglutida (ingrediente ativo do Ozempic e Wegovy), dulaglutida, liraglutida e tirzepatida na sua Lista Modelo de Medicamentos Essenciais — um catálogo considerado referência global sobre quais fármacos devem estar disponíveis em todos os sistemas de saúde plenamente funcionais.

Esta atualização visa ampliar o acesso a essas terapias inovadoras, especialmente em países de renda baixa, incentivando a produção de versões genéricas mais acessíveis.

O que significa estar na lista de medicamentos essenciais?

A Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS, atualizada a cada dois anos desde 1977, apresenta os fármacos que, segundo a organização, devem ser prioritários para atender às principais necessidades de saúde da população. A inclusão de um medicamento pode estimular a produção de genéricos, reduzir custos e ampliar o acesso — como ocorreu com os antirretrovirais nos anos 2000.

Os medicamentos recém-incluídos pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1 (e, no caso da tirzepatida, também do GIP). Eles imitam o hormônio intestinal GLP-1, estimulando a produção de insulina, reduzindo o glucagon, retardando o esvaziamento gástrico e promovendo saciedade.

Esses efeitos ajudam no controle da glicemia, na redução de peso e ainda oferecem proteção cardiovascular e renal. A tirzepatida se destaca por atuar em dois receptores diferentes, potencializando os resultados no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.


Obesidade pode ser tratada pelos medicamentos adicionados à lista essencial da OMS (Foto: reprodução/Milatas/Getty Images embed)


Impacto no acesso e no custo

Os preços elevados — que podem chegar a US$ 1 000 por mês em países como os Estados Unidos — dificultam o acesso a essas terapias, especialmente em nações em desenvolvimento. A OMS destacou que a entrada desses medicamentos na lista de essenciais pode estimular a produção de genéricos.

Estimativas indicam que a semaglutida genérica poderia ser produzida por menos de US$ 5 por mês em locais como a Índia. Além disso, a patente da semaglutida expira em alguns países já em 2026, o que deve acelerar o processo de barateamento.

A inclusão de semaglutida, dulaglutida, liraglutida e tirzepatida na lista de medicamentos essenciais da OMS representa um marco importante no combate à diabetes tipo 2 e às suas complicações. A medida busca não apenas garantir tratamentos eficazes a pacientes com obesidade e comorbidades cardiovasculares ou renais, mas também ampliar o acesso por meio de genéricos, fortalecendo a saúde pública mundial.

Casos de Covid aumentam em alguns estados do Brasil

O levantamento mais recente do InfoGripe, da Fiocruz, registrou crescimento nos diagnósticos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados à Covid-19 em quatro estados do país: Rio de Janeiro, Ceará, Amazonas e Paraíba.

Apesar da oscilação, o relatório ressalta que os índices gerais permanecem reduzidos e que o avanço ainda não se refletiu de forma significativa nas internações. Mesmo assim, a publicação reforça a necessidade de que pessoas pertencentes a grupos vulneráveis mantenham o calendário vacinal atualizado.

Síndromes respiratórias aumentaram

Idosos e pessoas com baixa imunidade devem receber a vacina contra a Covid-19 a cada semestre, enquanto os demais grupos considerados vulneráveis, como aqueles com doenças crônicas, precisam atualizar a proteção anualmente. A orientação é destacada por Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Processamento de Dados Científicos da Fiocruz e integrante do Boletim InfoGripe.


Boletim informativo divulgado pela Fiocruz (Vídeo: reprodução/YouTube/Fiocruz)

No Brasil, em 2025, já foram contabilizados 163.956 registros de síndrome respiratória aguda grave. Desse total, 87.741 (53,5%) tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. Entre os resultados, 24,6% correspondem à influenza A, 1,1% à influenza B, 45,1% ao vírus sincicial respiratório (VSR), reconhecido como o principal agente da bronquiolite em crianças, 25,2% ao rinovírus, responsável por resfriados, e 7% ao Sars-CoV-2, causador da Covid-19.

Nas quatro semanas mais recentes, entretanto, a presença do rinovírus avançou para 44,8% dos casos, enquanto a do coronavírus aumentou para 11,5%.

Vacinas contra a Covid

Desde 2024, a imunização contra a Covid-19 passou a integrar o calendário oficial para gestantes, idosos e crianças. Nesses casos, há regras específicas: uma dose em cada gestação, aplicação semestral para pessoas com 60 anos ou mais e esquema primário para crianças de 6 meses a 5 anos, variando conforme o fabricante da vacina.

Grupos considerados prioritários, como indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pessoas com doenças crônicas, imunocomprometidos, profissionais de saúde, detentos e população em situação de rua, continuam recebendo reforços: semestrais para os imunossuprimidos e anuais para os demais.

Fora dessas categorias, não há indicação de novas doses para a população em geral.

Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de infarto e AVC, aponta estudo internacional

A vacinação contra o herpes-zóster pode oferecer benefícios além da prevenção da doença. A princípio, um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2025, em Madri, mostrou que pessoas vacinadas tiveram menor risco de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.

Os pesquisadores analisaram 19 estudos e um ensaio clínico. A meta-análise indicou que a vacina recombinante (RZV) reduziu o risco em 18% para adultos a partir de 18 anos. Já a vacina viva atenuada (ZVL) apresentou queda de 16% em pessoas com 50 anos ou mais.

Impacto sobre doenças do coração

De acordo com Charles Williams, diretor médico da GlaxoSmithKline (GSK), os resultados sugerem um papel importante da imunização contra o herpes-zóster. No entanto, ele reforçou que são necessários mais estudos para confirmar se a redução está ligada diretamente à vacina.

Nesse ínterim, o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destacou que mesmo reduções aparentemente pequenas podem salvar muitas vidas. Além disso, Kfouri afirmou que menos casos de infarto e AVC significam queda na mortalidade e menos internações.


Como identificar e agir diante de um infarto (Vídeo: reprodução/YouTube/Qualicorp)

Vacinas e proteção cardiovascular

Ainda assim, essa não é a primeira vez que uma vacina mostra impacto sobre doenças do coração. A Sociedade Europeia de Cardiologia já recomenda a imunização contra a gripe, que reduz em até 60% as infecções respiratórias e em 30% os eventos cardíacos graves.

Kfouri lembra que vírus como o da gripe e o herpes-zóster provocam inflamações generalizadas. Em pessoas com predisposição, isso pode funcionar como gatilho para complicações cardíacas. Por isso, as vacinas podem ser aliadas no mesmo nível que o controle da hipertensão e do colesterol.

Pesquisas ampliam benefícios do imunizante

Outros trabalhos também indicam vantagens da vacinação contra o herpes-zóster além da proteção direta. Em 2024, um estudo publicado na Nature Medicine mostrou que a vacina Shingrix reduziu o risco de demência em até 27% quando comparada a outras vacinas.


Drauzio Varela explica sobre herpes-zóster (Vídeo: reprodução/YouTube/Drauzio Varella)

Segundo Kfouri, as vacinas já mudaram a história da saúde pública ao reduzir a mortalidade infantil e ampliar a expectativa de vida. Agora, também podem reforçar o bem-estar e a longevidade da população mais velha.

O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Estima-se que um em cada três indivíduos desenvolverá a doença ao longo da vida, e suas complicações podem afetar até os vasos sanguíneos, aumentando riscos de derrame.

Vacina contra chikungunya é suspensa nos EUA após relatos de efeitos graves

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, suspendeu a vacina Ixchiq, desenvolvida pela Valneva em parceria com o Instituto Butantan. A decisão foi tomada após 21 hospitalizações e três mortes possivelmente relacionadas ao imunizante, que utiliza uma versão enfraquecida do vírus da chikungunya.

Um dos óbitos foi confirmado como decorrente de encefalite — inflamação no cérebro — diretamente associada à vacina. A FDA informou que, diante dos novos dados, os riscos superam os benefícios em determinados grupos da população.

Vacina contra chikungunya ainda está aprovada no Brasil

No Brasil, a Anvisa aprovou o uso da Ixchiq em abril de 2025, restrito a pessoas entre 18 e 65 anos. Apesar da suspensão nos EUA, a dose segue autorizada no país e ainda não está disponível comercialmente.


Embalagem da Ixchiq, vacina contra chikungunya (Foto: reprodução/valneva.com)

O Instituto Butantan também participa do desenvolvimento de uma versão nacional da vacina, que poderá futuramente ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), e disse apenas que “vem acompanhando as avaliações dos órgãos regulatórios dos Estados Unidos”. Até o momento, o Ministério da Saúde não anunciou mudanças nas recomendações e nem se pronunciou sobre o assunto.

Europa e EUA divergem sobre o uso

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) havia inicialmente decidido suspender a vacina para idosos acima de 65 anos, após registros de efeitos adversos graves nesse grupo, mas em julho deste ano voltou a liberar o imunizante, reforçando que a aplicação deve ocorrer somente em situações de alto risco de exposição à chikungunya e sempre após uma avaliação cuidadosa dos benefícios e riscos individuais.

Nos Estados Unidos, entretanto, a situação se manteve mais rigorosa: após o surgimento de novos casos graves envolvendo idosos com idades entre 70 e 82 anos, a FDA optou pela suspensão definitiva da vacina, alegando que o benefício clínico ainda não foi completamente comprovado em estudo confirmatório. A Valneva, fabricante do imunizante, afirmou que os eventos adversos observados até o momento estão dentro dos padrões esperados durante ensaios clínicos e experiências pós-comercialização, especialmente em populações mais vulneráveis, e reforçou que está investigando detalhadamente os últimos casos relatados, mantendo o compromisso de oferecer segurança e transparência aos órgãos reguladores e à população.

Reação ao contraste em exame causa morte de jovem de 22 anos; entenda os riscos

Uma jovem de 22 anos morreu em um hospital de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, após sofrer um choque anafilático — uma reação alérgica grave — ao entrar em contato com uma substância química conhecida como contraste, utilizada para melhorar a visualização de órgãos e tecidos durante exames de imagem. A vítima foi identificada como Leticia Paul.

Segundo informações, Leticia recebeu atendimento imediato, foi entubada e passou por procedimentos de emergência, mas, infelizmente, não resistiu e faleceu na última quarta-feira (20).


Letícia em divulgação de salão de beleza (Fotos: reprodução/Instagram/@cleideback_beautyartist)


O que é o contraste e para que serve

O contraste é uma substância usada em exames como tomografia, ressonância magnética e radiografia. Ele ajuda os médicos a detectar alterações no corpo com maior precisão. Dependendo do exame, o contraste pode ser ingerido, injetado na veia, introduzido em articulações ou até em cavidades do organismo.


Comparação entre uma tomografia com e sem o uso de contraste (Foto: reprodução/affordablemri.com)

Os tipos mais comuns são feitos à base de iodo, bário ou gadolínio. Normalmente, o efeito do contraste dura até duas horas, sendo eliminado pelo organismo por meio da urina. Por isso, recomenda-se ingerir bastante água após o procedimento.

Riscos e efeitos colaterais

Na maioria dos casos, o contraste é seguro e funciona conforme o esperado. No entanto, em situações raras, pode causar reações adversas, como urticária, coceira, dificuldade para respirar, queda de pressão arterial e, em casos extremos, choque anafilático.

Essas reações adversas ocorrem em uma pequena parcela dos pacientes, com cerca de 0,6% apresentando reações alérgicas leves e cerca de 0,04% tendo reações graves com agentes iodados. Com os agentes de gadolínio, essas reações são ainda mais raras, com incidência de 0,008%. Para pacientes com histórico de reações, é comum o uso de pré-medicação com corticosteroides (como prednisona) e anti-histamínicos (como difenidramina). Esse protocolo pode reduzir drasticamente as chances de uma nova reação.

Por isso, especialistas orientam que pacientes informem ao médico sobre alergias, problemas de saúde, gravidez e medicamentos de uso contínuo antes do exame. Em casos graves, os sintomas costumam surgir nas primeiras 48 horas após a aplicação.

Comissão vinculada ao Ministério da Saúde veta Wegovy, Saxenda e similares no SUS

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), entidade vinculada ao Ministério da Saúde que avalia a inclusão de tratamentos no sistema público do país, se disse contrária à incorporação de medicações à base de semaglutida e liraglutida ao SUS. A decisão foi embasada no alto custo dos fármacos.

A medida afeta diretamente o fornecimento público de remédios como Wegovy e Saxenda, destinados, respectivamente, ao tratamento de obesidade grau II e III e diabete tipo 2, que só poderão ser acessados através da rede privada.

Justificativa foi o alto preço dos medicamentos

A Conitec explicou sua decisão através de, entre outros argumentos, cálculos de impacto financeiro da adoção da medida. Nesse sentido, relatórios do Ministério da Saúde apontam que o custo total da adoção do tratamento variaria de 4,1 a 6 bilhões de reais para os cofres públicos nos próximos 5 anos, levando em conta que certos casos exigem tratamento contínuo e cada caneta aplicadora tem o preço de mil reais. 

A Comissão também destacou que o SUS já oferece a cirurgia bariátrica como alternativa às canetas no combate à obesidade. 



Repórter Victória Melo, do SBT Brasil, traz informações sobre a não inclusão do Wegovy e Saxenda na lista de remédios oferecidos pelo SUS (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)


O Ministério da Saúde, por sua vez, declarou que “as decisões da Conitec sobre a incorporação de medicamentos no SUS consideram as melhores evidências científicas disponíveis, abrangendo eficácia, segurança e análises de custo-efetividade”. 

Para contornar a problemática do alto preço do tratamento, a pasta comandada por Alexandre Padilha aposta no desenvolvimento de uma caneta própria a partir de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica nacional EMS, anunciado há duas semanas. 

“Cabe ressaltar ainda a importância estratégica da ampliação da oferta de medicamentos genéricos. Essa medida estratégica estimula a concorrência, contribui para a redução de preços, amplia o acesso da população a tratamentos de qualidade e fortalece as condições para a incorporação de novas tecnologias ao SUS”, finalizou a nota do ministério.

Entidades do setor médico e farmacêutico criticam medida

A não incorporação de tais medicações ao SUS gerou a discordância de parte do setor médico, para o qual a decisão impede o acesso da população mais pobre a tratamentos considerados eficazes. 

Para a endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), o efeito da liraglutida (Saxenda) e semaglutida (Wegovy) na saúde do paciente abrange muito mais do que a perda de peso.

“(Esses medicamentos) reduzem a inflamação dos tecidos e têm efeitos positivos em condições como gordura no fígado e até na cognição de pacientes com Alzheimer. Ignorar esses resultados pode gerar custos ainda maiores no futuro com complicações mais graves, como cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante”, alertou ela ao G1, nesta sexta-feira.

Já a empresa dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pela produção do Wegovy, disse que “compreende que o histórico subfinanciamento do SUS, somado ao contexto de desequilíbrio fiscal, restrições orçamentárias e obsolescência dos mecanismos de incorporação vigentes atualmente, impõem desafios para oferta de tecnologias inovadoras de saúde à população ao nível nacional, mesmo quando estas são evidentemente custo-efetivas”.

Fiocruz se une com UFMS e comprova eficácia da Qdenga

Segundo o jornal O Globo, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) analisou dados de vida real que comprovaram a eficácia da primeira dose da vacina da dengue entre adolescentes. Sendo assim, essa pesquisa é a primeira a apurar informações do resultado da campanha de imunização do Brasil e a estudar a possibilidade da redução pela metade do risco da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Ainda de acordo com O Globo, as conclusões do trabalho de campo comprovaram que a vacina japonesa contra a dengue possui propriedades eficazes para prevenir a persistência da infecção. Assim, o trabalho realizado pelos pesquisadores acompanhou os dados de jovens na faixa etária entre 10 e 14 anos que foram vacinados pela Qdenga em um período entre fevereiro e dezembro de 2024, no estado de São Paulo.

Vale ressaltar que a injeção produzida pela empresa farmacêutica Takeda, chegou ao SUS (Sistema Único de Saúde) e passou a ser avaliada pelos estudiosos no ano anterior. Além disso, a pesquisa brasileira chegou a ser publicada na revista científica “The Lancet Infectious Diseases” durante esta última terça-feira (19).

Fiocruz comprova que primeira dose da vacina contra dengue já traz resultados

A iniciativa revelou que apenas uma injeção já comprovou a eficácia de 50% contra casos sintomáticos oito dias após a primeira aplicação. Nesse ritmo, o sucesso de 67,5% em casos mais graves que recorrem a uma hospitalização, mostrou que a proteção depois da primeira dose é possível com o uso da medicação preventiva.


Informações sobre a vacina Qdenga (Foto: reprodução/Instagram/@vacinasaobento)


Como consequência, a segunda leva da medicação aumentou o combate contra a variante sintomática da infecção para 61,7%. Os responsáveis pela pesquisa ainda explicaram que não foi possível estimar a eficácia da segunda aplicação contra a internação hospitalar. Porém, eles pretendem repetir o estudo com dados atualizados da amostra deste ano.

Resultados apontam que vacina japonesa é eficaz para variantes da dengue

O coordenador do estudo que atua como pesquisador da Fiocruz e da UFMS, Julio Croda, informou que essa foi a primeira avaliação do mundo que acompanhou a rotina de pessoas vacinadas pela Qdenga. Ele explicou ainda que na vida real tudo pode ser diferente da tese e dos ensaios clínicos. Por isso, existiam muitas dúvidas em relação à proteção que uma pessoa vacinada apenas com a primeira dose teria.

No entanto, os estudos da equipe comprovaram os resultados positivos do teste que reforçam a alta proteção contra a hospitalização apenas com uma aplicação. Desse modo, o estudo que teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), também contou com a colaboração de instituições internacionais como a Universidade de Yale, a Universidade Johns Hopkins e a Universidade Emory, na América do Norte.

Além do projeto ter confirmado que os imunizados vêm sendo protegidos contra a arbovirose, essa iniciativa comprovou hipóteses que haviam sido levantadas sobre sua eficácia em relação aos sorotipos da doença. Ademais, essa mobilização resultou na aceitação do medicamento mediante a concretização de sua prevenção às duas variantes do vírus que circularam durante a pandemia de 2024.

Esofagite em foco, entenda o problema que levou Bolsonaro ao hospital

O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, foi diagnosticado com esofagite e gastrite após passar por exames médicos no Hospital DF Star. A inflamação no esôfago, se não tratada adequadamente, pode causar complicações sérias. O boletim médico divulgado no sábado (16) aponta que o quadro é persistente e requer acompanhamento especializado.

A esofagite é uma condição de saúde caracterizada pela inflamação do esôfago, o tubo muscular responsável por transportar alimentos e líquidos da boca até o estômago. Embora possa parecer um problema simples à primeira vista, essa inflamação pode causar desconforto significativo e, se não for tratada corretamente, levar a complicações sérias. Recentemente, a condição ganhou destaque após o diagnóstico do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que trouxe a esofagite para o centro das discussões sobre saúde pública.

Causas e Tipos da Esofagite

A causa mais comum da esofagite está diretamente ligada ao refluxo gastroesofágico (DRGE). Esse quadro ocorre quando a válvula na parte inferior do esôfago, chamada cárdia, não se fecha corretamente. Com isso, o conteúdo ácido do estômago consegue retornar, agredindo a mucosa esofágica e causando a inflamação.

Além do refluxo, a esofagite pode ter outras origens, cada uma com suas particularidades:

  • Esofagite eosinofílica: uma condição crônica relacionada a alergias alimentares. Nela, células inflamatórias chamadas eosinófilos se acumulam no esôfago, causando a inflamação.
  • Esofagite medicamentosa: ocorre quando certos medicamentos, como anti-inflamatórios, antibióticos e corticoides, permanecem por tempo prolongado em contato com a parede do esôfago, irritando-a.
  • Esofagite infecciosa: É causada por infecções por vírus, fungos ou bactérias, sendo mais comum em pessoas com o sistema imunológico debilitado.

Matéria sobre a esofagite, condição diagnosticada em Bolsonaro (Vídeo: reprodução/YouTube/Metrópoles)

Sintomas, Diagnóstico e Fatores de Risco

Os sintomas da esofagite podem variar, mas frequentemente incluem azia e uma sensação de queimação persistente. Outros sinais comuns são a dificuldade e dor para engolir (conhecida como disfagia), dor no peito que pode ser confundida com problemas cardíacos, além de rouquidão, tosse seca e um gosto amargo na boca.

Para chegar a um diagnóstico preciso, é fundamental consultar um gastroenterologista. O médico pode solicitar exames como a endoscopia digestiva alta, que permite uma visualização direta do esôfago, e a pHmetria esofágica, que mede o nível de acidez no esôfago ao longo de 24 horas.

Diversos fatores aumentam a predisposição para desenvolver a doença. Entre eles estão o histórico familiar, alergias alimentares, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

Tratamento e Prevenção

O tratamento da esofagite depende da sua causa. Para casos de infecção, são usados medicamentos específicos, como antibióticos ou antifúngicos. Já para a esofagite causada por refluxo ou a eosinofílica, que são quadros crônicos, o tratamento geralmente envolve mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos contínuos. Em situações mais graves, a cirurgia pode ser uma opção.

O tratamento adequado é crucial para evitar complicações como o estreitamento do esôfago (estenose) e o desenvolvimento de úlceras. A complicação mais séria é o Esôfago de Barrett, uma alteração no revestimento interno do órgão que, em casos raros, pode evoluir para um câncer.

A prevenção da esofagite e o controle de seus sintomas passam pela adoção de hábitos saudáveis:

  • Evitar deitar-se logo após as refeições.
  • Reduzir o consumo de alimentos gordurosos, condimentados e bebidas alcoólicas.
  • Manter um peso saudável e praticar exercícios físicos.
  • Parar de fumar.
  • Evitar roupas muito apertadas, que podem aumentar a pressão abdominal.
  • Nunca se automedicar.

Em última análise, o acompanhamento médico contínuo e a adoção de uma dieta equilibrada são os pilares para o controle da esofagite, garantindo mais qualidade de vida para quem vive com a condição.

Anvisa aprova Voragino, novo tratamento para tumores cerebrais

A Anvisa autorizou nesta segunda-feira (11), através de decisão publicada no Diário Oficial da União, o uso do Voragino (vorasidenibe), um novo medicamento para o tratamento de gliomas difusos de baixo grau com mutações. A decisão representa um avanço significativo da medicina, sendo uma alternativa revolucionária para casos do tumor.

O Voragino funciona como um inibidor das enzimas IDH1 e IDH2 mutadas, inibindo a produção de metabolismos que ajudam o tumor a crescer no cérebro. A aprovação foi baseada nos resultados do ensaio clínico INDIGO, que demonstraram uma redução de 61% no risco de avanço do tumor, além de atraso em seu crescimento e diminuição do volume. O medicamento é uma possibilidade para pacientes adultos e adolescentes a partir de 12 anos que já passaram por cirurgia e não necessitam de quimioterapia ou radioterapia imediatas.

Uso do medicamento no tratamento de gliomas

O Vorangino é um medicamento oral desenvolvido para bloquear as enzimas IDH1 e IDH2 mutadas, presentes em alguns tipos de gliomas. Essas mutações modificam o metabolismo celular, promovendo a produção de metabolismos que estimulam o crescimento do tumor. Ao bloquear essas enzimas, o tratamento reduz a produção desses metabólitos, bloqueando a multiplicação das células do tumor.

O medicamento é indicado para pacientes com gliomas difusos de grau 2 que apresentem mutações nas enzimas descritas acima, que já passaram por cirurgia prévia e não tem indicação imediata de radioterapia ou quimioterapia. Especialistas indicam que, embora o glioma de baixo grau tenha crescimento lento, ele pode evoluir para formas mais agressivas com o decorrer do tempo. A aprovação da Anvisa representa um avanço importante no tratamento de gliomas, através de um medicamento que diminui a progressão da doença.


Matéria da CNN sobre a aprovação (Foto: reprodução/X/@CNNBrasil)


O que é o glioma?

O glioma é um tumor que se forma na área cerebral ou na medula espinhal, que surge nas células gliais que circundam e auxiliam no funcionamento das células nervosas. Os principais são: os astrocitomas, que surgem nas células astrócitos, sendo o caso do glioblastoma, que é um tumor mais agressivo; os ependimomas, que se formam nos ependimócitos, células que revestem os ventrículos do cérebro e o canal central da medula espinhal; e os oligodendrogliomas que se originam nas células gliais chamadas oligodendrócitos.

Os gliomas podem ocorrer em adultos e crianças e os sintomas incluem dores de cabeça, náuseas, alterações cognitivas, entre outros. O tratamento normalmente se inicia com cirurgia, mas essa opção pode ser arriscada a depender da localização do tumor. O uso do Voragino abre novas perspectivas para o tratamento dos gliomas, oferecendo novas esperanças para os pacientes que sofrem com a doença.

OMS classifica Hepatite D como cancerígena

A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), em parceria com a OMS, classificou o vírus da hepatite D, assim como a B e C, cancerígena para os seres humanos. Assim, a doença passa agora a integrar a mesma lista que o Papilomavírus Humano (HPV), responsável pelo desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

Doença silenciosa

A hepatite D só pode ser contraída por pessoas que previamente já estão infectadas pela hepatite B. A contaminação é feita através do contato com sangue ou fluidos corporais infectados. E quando a pessoa contrai o tipo D, há um aumento de duas a seis vezes no risco de desenvolvimento de câncer de fígado. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas no mundo estão infectadas com os vírus das hepatites B, C e D. Essas doenças causam mais de 1,3 milhões de mortes anuais, uma média de 3,5 mil pessoas por dia. A OMS ainda emitiu um alerta de saúde pública aos governos e parceiros para acelerarem urgentemente os esforços para eliminar a hepatite viral.

O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, argumenta: “A cada 30 segundos, alguém morre de uma doença hepática grave ou câncer de fígado relacionado à hepatite. No entanto, temos as ferramentas para deter a hepatite.”


Vacinação continua sendo a melhor forma de prevenção (Foto: reprodução/Dasril Roszandi/Getty Images Embed)


Prevenção e tratamento

Apesar de termos grandes avanços na medicina, o combate às hepatites virais ainda enfrenta dificuldades. A melhor forma de se prevenir contra hepatite B, e consequentemente a D, continua sendo a vacinação, contudo outros cuidados podem ser tomados, como usar preservativo em relações sexuais e não compartilhar objetos pessoais como alicates ou agulhas, ajudam a se proteger da doença.

Agora, caso a pessoa já esteja contaminada com algum tipo, o tratamento para o tipo C consiste em medicamentos orais que podem oferecer a cura em poucos meses, já o tipo B exige controle por medicação contínua para garantir que não evolua para algum tipo de câncer ou cirrose. 

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a vacina, o tratamento e a testagem gratuitamente a todos. É necessário apenas se dirigir ao posto de saúde mais próximo com documento de identificação e solicitar o exame ou agendar uma consulta para iniciar o tratamento.