Bombas de fragmentação matam e ferem civis na Ucrânia
Uma nova apuração de monitor internacional revela que desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, bombas de fragmentação deixaram mais de 1.200 mortos e feridos civis na Ucrânia. O número reflete não apenas a violência direta dos ataques, mas também o perigo persistente das munições não detonadas que ficam espalhadas, funcionando como minas […]
Uma nova apuração de monitor internacional revela que desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, bombas de fragmentação deixaram mais de 1.200 mortos e feridos civis na Ucrânia. O número reflete não apenas a violência direta dos ataques, mas também o perigo persistente das munições não detonadas que ficam espalhadas, funcionando como minas terrestres latentes.
Uso contínuo e efeitos indiscriminados
Essas armas conhecidas como bombas cluster ou de fragmentação funcionam de maneira devastadora porque, ao serem lançadas, se abrem no ar e liberam dezenas de pequenas submunições. Esse mecanismo faz com que grandes áreas sejam atingidas em questão de segundos, sem distinção entre alvos militares e civis.
Em regiões habitadas, o efeito costuma ser ainda mais destrutivo, já que casas, escolas e espaços comunitários ficam no raio de impacto. Como consequência, os ataques não apenas provocam mortes imediatas, mas também deixam um rastro de feridos com sequelas graves, comprometendo famílias inteiras e sobrecarregando o sistema de saúde local.

O perigo, porém, não termina no momento da explosão. Uma parte considerável dessas submunições não detona de forma imediata, permanecendo ativa no solo, em plantações ou entre destroços de construções. Esse cenário cria um risco constante para a população, que pode ser atingida dias, meses ou até anos depois do ataque inicial. Crianças, em especial, estão entre as mais vulneráveis, já que confundem os artefatos com objetos comuns.
O Observatório de Minas Terrestres e Munições de Fragmentação alerta que a situação pode ser ainda mais grave do que os números divulgados sugerem, pois muitos incidentes não são mapeados com precisão e inúmeros casos sequer chegam a ser reportados oficialmente.
Falta de tratados e resposta internacional
Nem a Rússia, nem a Ucrânia, assinaram a Convenção sobre Munições de Fragmentação de 2008, que proíbe o uso, produção e estocagem dessas armas. A ausência das duas nações nesse acordo contribui para a escalada no uso desses armamentos. Em 2024, por exemplo, a Ucrânia concentrou a maioria das vítimas civis globalmente causadas por bombas de fragmentação, destacando o peso do conflito sobre sua população. A ONG denuncia ainda um retrocesso preocupante nos esforços globais para erradicar ou ao menos restringir esse tipo de armamento, apontando que a linha entre violações do direito internacional humanitário e ataques indiscriminados continua tênue.
As vítimas incluem mulheres, crianças e pessoas em comunidades agrícolas ou periferias, locais onde a densidade populacional e a falta de estruturas de proteção agravam o impacto. Os danos vão além da morte e ferimentos imediatos: infraestrutura destruída, medo prolongado entre civis e dificuldade de reconstrução.
