Embaixador brasileiro diz que captura de Maduro foi “sequestro” e critica intervenção
Brasil está presente na reunião extraordinária convocada pela OEA para debater a influência externa dos EUA na Venezuela e se mantém contra intervenção
Na terça-feira (6), durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos, o representante do Brasil na OEA, embaixador Benoni Belli, afirmou que a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, foi um “sequestro”.
As declarações do embaixador Benoni Belli reafirmam a posição do Brasil de condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, tanto pela captura de Nicolás Maduro quanto pelo bombardeio à capital do país, Caracas.
Reunião da OEA
A Organização dos Estados Americanos (OEA) visa a promoção da cooperação entre os países do continente americano e o fortalecimento de princípios comuns. No entanto, foi necessária a convocação de uma reunião dos países-membros após a intervenção dos Estados Unidos no país latino-americano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
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Presidente dos EUA Donald Trump sobre a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)
Como citado anteriormente, o representante do Brasil é o embaixador Benoni Belli e, durante a reunião, ele afirmou que a defesa da soberania nacional, com base no direito internacional, é essencial. O embaixador também declarou que, caso esse caminho seja mantido, os países de menor poder financeiro e militar se tornariam coadjuvantes de seus próprios destinos.
Além disso, alertou que as relações de cooperação passariam a ser de subordinação e que a sociedade enfrentaria um colapso da ordem internacional, que tenderia a ser regida pela lei da selva, do mais forte.
Posição do Brasil e fala de Lula
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se pronunciou em suas redes sociais sobre a intervenção dos Estados Unidos em solo venezuelano. Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).
Para o presidente do Brasil, o ataque a Caracas, capital da Venezuela, e a captura de Nicolás Maduro ultrapassam uma linha considerada inaceitável, constituindo uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e, assim, estabelecendo um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em…
— Lula (@LulaOficial) January 3, 2026
Presidente do Brasil, Lula, sobre a intervenção dos EUA na Venezuela (Foto: reprodução/X/@lulaoficial)
Na última segunda-feira (5), durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil, representado pelo embaixador na ONU, Sérgio Danese, manteve o alinhamento com o discurso do presidente do país e condenou a intervenção norte-americana.
Nesse sentido, Danese comentou que aceitar tais ações por parte dos Estados Unidos, de tamanha gravidade, poderia conduzir a um cenário marcado por violência, desordem e erosão do multilateralismo mundial.
