EUA apresentam plano em três fases para a Venezuela
Marco Rubio diz que estratégia dos EUA após captura de Maduro inclui estabilização, recuperação e transição política, com uso de petróleo e reconciliação
O secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), Marco Rubio, apresentou nesta quarta-feira (7) um plano estratégico de três fases para a Venezuela após a captura do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas. A proposta combina medidas econômicas, políticas e sociais, culminando em uma transição de poder que, segundo o governo Trump, visa estabilizar o país, promover sua recuperação e preparar o terreno para um novo governo com maior participação democrática.
Estratégia em três etapas
O plano detalhado por Rubio — marcado por grande controvérsia — foi descrito como um esforço para evitar que a Venezuela mergulhe no caos político e econômico após a recente operação militar americana que resultou na captura de Maduro e de sua esposa.
A primeira fase do plano foca na estabilização imediata do país. Rubio afirmou que medidas como a apreensão e venda no mercado internacional de petróleo venezuelano sob sanções são parte dessa etapa, que ele descreve como uma espécie de “quarentena” econômica para a Venezuela. Segundo ele, entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo serão vendidos a preço de mercado, gerando receitas que os EUA pretendem controlar e administrar de forma a beneficiar a população venezuelana, não o antigo regime.
Segundo Rubio, isso é crucial para evitar uma espiral de desordem e permitir um ponto de partida financeiro e institucional para os próximos passos. A retenção e uso desses recursos têm sido um ponto forte de crítica por opositores da estratégia americana, que questionam a legalidade e os efeitos dessa abordagem econômica.
A segunda etapa, denominada de recuperação, combina fatores econômicos e sociais. Rubio explicou que os Estados Unidos querem garantir que empresas americanas e ocidentais tenham acesso justo ao mercado venezuelano, enquanto se cria um ambiente propício à reconstrução da sociedade civil.
Essa fase inclui planos para iniciar um processo de reconciliação nacional, que envolveria a anistia de opositores detidos e a reintegração de líderes políticos que resistiam ao regime chavista. A intenção, de acordo com o secretário americano, é que vozes diversas contribuam para a reconstrução institucional e social do país, com a participação de forças políticas antes marginalizadas.
A etapa final do plano, chamada de transição, ainda carece de detalhes mais específicos segundo Rubio, que prometeu mais informações “nos próximos dias”. No entanto, ele afirmou que essa fase será dedicada à transição efetiva de poder político para uma nova configuração que, nas palavras dos EUA, devem conduzir a Venezuela a uma estrutura mais democrática e com maior participação de diferentes setores políticos.
EUA anunciam plano de três fases para Venezuela e controle de vendas de petróleo (Vídeo: reprodução/YouTube/VEJA+)
Reações e controvérsias
A estratégia dos EUA tem gerado debates intensos tanto internamente quanto no cenário internacional. Legisladores democratas nos Estados Unidos criticaram o plano, acusando a administração Trump de agir sem consulta ao Congresso e de, essencialmente, apropriar-se do petróleo venezuelano sem a devida transparência ou justificativa legal clara.
Já alguns congressistas republicanos apoiaram a remoção de Maduro, mas também alertaram para a necessidade de que os EUA demonstrem motivações altruístas e um compromisso claro com a democratização efetiva da Venezuela, em vez de parecerem explorar seus recursos naturais em benefício próprio.
Além disso, a operação americana em solo venezuelano e a subsequente estratégia foram fortemente criticadas por países como Rússia, China e França, que consideraram a ação uma violação da soberania venezuelana e um precedente perigoso para a política internacional.
Impactos regionais e geopolíticos
A ação e o plano dos EUA têm reverberado por toda a América Latina, levantando preocupações sobre estabilidade regional, fluxos migratórios e o equilíbrio de poder geopolítico. A Venezuela, já enfrentando uma grave crise humanitária e econômica antes da intervenção, agora se encontra no epicentro de um novo capítulo de intervenção estrangeira, que pode redefinir suas relações com potências globais e com seus próprios cidadãos.
Analistas observam que, se o plano chegar a se concretizar conforme descrito, ele representaria uma das estratégias mais audaciosas dos Estados Unidos na América Latina em décadas, com implicações profundas para as políticas de energia, economia e direitos humanos na região.
