Moraes libera redes de Zambelli com restrição contra posts de ódio

O ministro e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, revogou o bloqueio das redes sociais da deputada Carla Zambelli, que responde a um processo de cassação e está presa na Itália desde 29 de julho.

A liberação, no entanto, tem restrições severas e prevê multa diária de 20 mil reais caso Zambelli descumpra a determinação, publicando conteúdos que incitem ódio contra as instituições, propaguem desinformação ou atentem contra o Estado Democrático de Direito.

Restrições ao uso das redes sociais

O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou Carla Zambelli a retomar o acesso às suas redes sociais, mas manteve restrições importantes. Ele destacou que, nesta fase do processo, não há necessidade de bloqueio total, mas as publicações que motivaram a medida devem continuar fora do ar, por representarem risco ao Estado Democrático de Direito.

Mesmo com a liberação, Zambelli e familiares que tiveram perfis reativados estão proibidos de publicar conteúdos que disseminem ódio, desinformação ou ataques às instituições. O descumprimento das regras acarreta multa diária de 20 mil reais por conta ou canal.


Defesa de Zambelli se pronunciou sobre o desbloqueio da medida determinada por ministro do STF (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Prisão de Carla Zambelli

Carla Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Ela foi apontada como autora intelectual de um ataque hacker ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em janeiro de 2023, quando documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, foram inseridos no sistema. O hacker Walter Delgatti Neto, que executou a invasão, cumpre oito anos de prisão por sua participação.

Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil alegando buscar tratamento de saúde, mas foi presa em Roma em julho de 2025. Ela também recebeu outra condenação de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, relacionada a um episódio em que perseguiu um jornalista armado durante as eleições de 2022.

A questão da perda do mandato ainda está sendo analisada e permanece em julgamento, enquanto a deputada aguarda o processo de extradição na Itália.

Governo Trump mira esposa de Alexandre de Moraes com Lei Magnitsky

Em uma escalada de tensões diplomáticas, o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (22), a aplicação de sanções à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A medida, publicada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro norte-americano, utiliza a Lei Magnitsky, um instrumento legal que permite aos EUA punir estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos e corrupção.

A sanção contra Viviane Barci de Moraes se soma à punição já imposta ao próprio ministro, Alexandre de Moraes, em julho. Com a designação, todos os bens e ativos da advogada nos EUA estão bloqueados, além de qualquer empresa ligada a ela, como o escritório de advocacia Lex Instituto de Estudos Jurídicos, com sede em São Paulo, do qual ela e dois de seus filhos são sócios. O comunicado do Tesouro americano justifica a ação, afirmando que a advogada fornece uma “rede de apoio financeiro” ao marido.

Lei Magnitsky amplia tensão entre Brasil e EUA

A Lei Magnitsky, apelidada de “pena de morte financeira”, é um dispositivo legal que foi criado em homenagem ao advogado russo Sergei Magnitsky, que morreu na prisão após denunciar um grande esquema de corrupção. Inicialmente focada em oligarcas russos, a lei foi expandida em 2016 para ser aplicada globalmente em casos de violações de direitos humanos e corrupção em larga escala.


Matéria aborda a sanção da Lei Magnitsky à esposa do ministro Alexandre de Moraes (Vídeo: reprodução/YouTube/ O POVO)

A decisão americana surge em um contexto de crescente atrito entre os dois países. Funcionários do Itamaraty, que se manifestaram sob a condição de anonimato, consideram a aplicação da lei uma escalada de tensão e uma clara mensagem de que o governo Trump busca a impunidade total para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Três dias antes do veredito que condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o governo americano já havia indicado que continuaria a aplicar sanções a autoridades brasileiras.

Retaliação americana inclui revogação de vistos

Além das sanções a Viviane, o governo Trump também revogou os vistos americanos do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de outras cinco autoridades do Judiciário brasileiro. Em resposta, Messias classificou as medidas como “totalmente incompatíveis com a pacífica e harmoniosa condução de relações diplomáticas” e reafirmou seu compromisso com a independência do Judiciário brasileiro. A estratégia de retaliação do governo americano é percebida como uma resposta direta à condenação de Bolsonaro, aliado político de Trump, e foi criticada por grande parte da imprensa internacional.

As sanções a autoridades brasileiras, especialmente aos juízes do STF e suas famílias, ganharam força após a articulação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, que está nos EUA desde fevereiro deste ano. Durante o julgamento de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o STF não cederia a pressões externas, em uma clara referência às sanções anunciadas pelos EUA. A diplomacia brasileira continua a observar os desdobramentos, com o receio de que as ações unilaterais possam comprometer a relação entre as duas nações.

STF Exige esclarecimentos sobre procedimentos de escolta de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou à Polícia Penal do Distrito Federal que apresente um relatório detalhado sobre os procedimentos adotados durante a escolta do ex-presidente Jair Bolsonaro ao hospital. A investigação visa compreender as razões pelas quais a saída do ex-chefe do Executivo do hospital não ocorreu de forma “imediata” após sua liberação médica, no último domingo (14).

Em um despacho emitido nesta segunda-feira (15), Moraes determinou a apresentação de um “relatório circunstanciado sobre a escolta realizada, com informações do carro que transportou o custodiado, agentes que o acompanharam no quarto e o motivo de não ter sido realizado o transporte imediato logo após a liberação médica”.

Bolsonaro deixa prisão domiciliar para exames médicos

Bolsonaro encontra-se em regime de prisão domiciliar, mas obteve autorização de Moraes para se submeter a procedimentos médicos no domingo. Essa foi a primeira vez que o ex-presidente deixou sua residência desde que foi condenado pelo STF a uma pena de 27 anos e três meses de prisão, em decorrência de acusações relacionadas a uma tentativa de golpe de Estado.


Bolsonaro foi acompanhado do filho mais novo, Jair Renan (Foto: reprodução/X/@JovemPanNews)

O ex-presidente chegou à unidade de saúde por volta das 8h, sob um rigoroso esquema de segurança, e permaneceu no local até as 13h50, quando foi transportado de volta para sua residência. O boletim médico divulgado após sua alta indicou um quadro de “anemia”, e exames de tomografia revelaram a presença de uma imagem residual compatível com pneumonia recente.

Político deixou hospital sob escolta e foi recebido por apoiadores

Ao receber alta médica, Bolsonaro deixou o hospital pela entrada principal, acompanhado por dois de seus filhos: os vereadores Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC). Antes de embarcar no veículo que o levaria para casa, o ex-presidente permaneceu em pé por aproximadamente cinco minutos, enquanto apoiadores entoavam gritos de apoio, como “volta Bolsonaro” e “anistia já”, além de cantar o Hino Nacional. Com uma expressão séria, ele cumprimentou com a cabeça alguns dos policiais que integravam a escolta, mas não se dirigiu aos manifestantes presentes.

A decisão de Moraes sublinha a atenção rigorosa que o STF tem dedicado a todos os aspectos relacionados ao cumprimento das medidas cautelares impostas a figuras públicas, especialmente aquelas sob investigação ou condenação judicial. A investigação sobre os detalhes da escolta e do tempo de permanência no hospital pode ter implicações na avaliação das condições de cumprimento da prisão domiciliar e na segurança das operações.

Lula lamenta ‘momento delicado’ do país e declara que Bolsonaro ‘sabe que fez burrice’

O presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (9) que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro não é inocente e sabe que fez “burrice”. Lula ainda destacou que o país vive um “momento delicado” e teceu críticas às articulações do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto a Donald Trump. A manifestação do presidente foi feita em um evento em Manaus e em meio ao julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe. 

Contexto da declaração

As afirmações do presidente Lula aconteceram no primeiro dia dos votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento do núcleo principal da trama golpista de 2022. Os votos já computados foram do ministro e relator do caso, Alexandre de Moraes, e de Flávio Dino. Ambos defenderam a tese do papel de liderança de Jair Bolsonaro na organização criminosa que visava a manutenção dele na presidência do país, o que poderia acarretar um maior cumprimento de pena.

Nesta quarta-feira (10), Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin devem finalizar a votação do julgamento inédito na história brasileira. O voto mais aguardado é o do ministro Fux, que deu indícios de divergência em relação a Moraes.


Declaração de Lula sobre atos de Bolsonaro e viagem de Eduardo aos EUA (Vídeo: reprodução/youtube/terrabrasil)

Lula ainda criticou a movimentação do congresso para aprovar a anistia a Bolsonaro e outros golpistas. O presidente destacou que Jair ‘sabe que fez burrice’, mas deveria estar se defendendo e não pedindo anistia antes da condenação.

Trump e Eduardo Bolsonaro

Durante seu discurso, Lula reprovou as articulações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, junto ao presidente norte-americano Donald Trump. No dia 6 de agosto, as taxações de 50% dos Estados Unidos aos produtos brasileiros entraram em vigor, e segundo os EUA, era uma resposta a ações que ameaçam à segurança nacional e à política externa. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, havia sido englobado na Lei Global Magnitsky, uma das mais severas punições da Casa Branca para estrangeiros que violam direitos humanos. 


Eduardo Bolsonaro discursando na Argentina com uma imagem de seu pai ao fundo
(Foto: reprodução/Tomas Cuesta/Getty Images Embed)


Nesta terça-feira (9), após questionada sobre possível condenação de Bolsonaro, Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, disse que Trump não hesitaria em utilizar meios militares para proteger a liberdade de expressão. Após a declaração, o Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores, condenou as ameaças do uso da força contra a democracia brasileira. 



 

Moraes vota contra Bolsonaro e impulsiona julgamento no STF

Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta terça-feira (9), em Brasília, pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus no julgamento da trama golpista.

Segundo Moraes, os acusados atentaram contra o Estado Democrático de Direito ao tentar depor o governo legitimamente constituído por meio de violência e grave ameaça, configurando crimes de golpe de Estado, abolição violenta do regime democrático, organização criminosa e dano qualificado ao patrimônio público. O voto reforça a gravidade do caso e amplia a pressão sobre o STF na decisão final.

Moraes aponta crimes graves em trama golpista

No voto apresentado, Alexandre de Moraes afirmou que os atos do dia 8 de janeiro de 2023 não foram protestos comuns, mas resultado de uma ação organizada, com funções divididas e um objetivo claro: derrubar o governo eleito. Para o ministro, Jair Bolsonaro teve papel importante ao incentivar apoiadores e dar espaço para um movimento que tentou atacar a democracia.

Moraes explicou que os réus fazem parte de um grupo que ultrapassou o limite da manifestação política e colocou em prática uma tentativa real de golpe de Estado. Ele destacou que os acusados cometeram crimes de golpe de Estado, abolição violenta do regime democrático, formação de organização criminosa e destruição de patrimônio público.

O ministro ressaltou ainda que os ataques tiveram como alvo direto o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, símbolos da democracia no país. Para Moraes, os atos foram uma ameaça grave e sem comparação na história recente do Brasil.


Moraes vota para condenar Bolsonaro e outros sete réus (Vídeo: reprodução/Youtube/CNN Brasil)

Como a trama golpista aconteceu

Segundo o voto de Alexandre de Moraes, a tentativa de golpe não começou no dia 8 de janeiro, mas foi construída aos poucos. Bolsonaro fez lives e discursos dizendo que não aceitaria perder as eleições e espalhando dúvidas sobre as urnas eletrônicas. Depois, vieram reuniões secretas e até uma minuta de decreto golpista que tentava dar aparência legal a uma intervenção militar.

Generais próximos ao ex-presidente também participaram do plano, ajudando a organizar as ações.Tudo isso levou ao ataque de 8 de janeiro de 2023, quando prédios como o Congresso, o STF e o Planalto foram invadidos e destruídos por manifestantes. Para Moraes, esses fatos mostram que houve uma articulação planejada, liderada por Bolsonaro e apoiadores, com o objetivo de derrubar a democracia e manter o poder de forma ilegal.

Tarifaço de Trump ao Brasil começa a valer 

Entram em vigor nesta quarta-feira (6) as tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros. O decreto assinado na quarta-feira (30), pelo presidente Donald Trump, implementa uma taxa adicional de 40% sobre o Brasil, chegando ao total de 50%. A ordem tem um grande número de exceções como aeronaves civis, fertilizantes, petróleo e suco de laranja.

Justificativas do Governo Trump  

Na quarta-feira (30), Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, assinou uma Ordem Executiva (OE), que considera o Brasil uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA. 

Em comunicado, o governo estadunidense justifica a medida como forma de defesa do presidente Trump contra a extorsão das empresas americanas e perseguição política de seus cidadãos, a favor da liberdade de expressão e pela salvação da economia dos EUA “de ficar sujeita aos decretos arbitrários de um juiz estrangeiro tirânico.


Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca (Foto: reprodução/Alex Wong/Getty Images Embed)


A Casa Branca reproduz a versão do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso nesta segunda-feira (04), que afirma ser perseguido no processo que o acusa de liderar uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. 

O texto que anuncia as tarifas assume que as decisões em processos que envolvam Bolsonaro e seus apoiadores são fruto de perseguição política, assédio e censura e constituem graves abusos de direitos humanos que arruinam o Estado Democrático de Direito brasileiro.

As exceções do tarifaço

Iniciada nesta quarta-feira, a alíquota de 50% impacta ⅓ dos produtos brasileiros e prevê uma lista de exceção de quase 700 produtos. Os principais itens não sobretaxados são:

  • Artigos de Aeronaves Civis 
  • Veículos e peças específicas 
  • Eletrônicos 
  • Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre 
  • Fertilizantes 
  • Produtos agrícolas e de madeira
  • Alguns metais e minerais 
  • Produtos energéticos 

O Governo Lula prepara plano de contingência para diminuir o impacto das tarifas à economia nacional. A negociação com os EUA para diminuir ou isentar a taxa de produtos, a abertura de novos mercados que tenham interesse nos setores mais afetados, o oferecimento de crédito para exportadores mais prejudicados, além da utilização temporária de programas de renúncia fiscal são caminhos analisados pelo governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fará uma reunião com secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, no dia 13 de agosto para tratar da imposição das tarifas unilaterais.

Defesa nega descumprimento de ordem judicial por parte de Bolsonaro

Os advogados de Jair Bolsonaro declararam na noite da última segunda-feira (4) que o ex-presidente não descumpriu as ordens emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar após ser acusado de desrespeitar restrições relacionadas ao uso de redes sociais.

De acordo com o Supremo, a decisão foi motivada pela repetição de comportamentos anteriormente advertidos. Diante do novo cenário, agora o ex-presidente está impedido de deixar sua residência ou receber qualquer tipo de visita. Além disso, celulares foram recolhidos durante busca da Polícia Federal.

Declarações e uso de redes sociais

Segundo Moraes, Bolsonaro teria utilizado perfis de terceiros, incluindo os de seus filhos parlamentares, para veicular mensagens com teor político que violam os termos das medidas cautelares. Em uma dessas publicações, feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o conteúdo trazia apoio a atos favoráveis ao ex-presidente. “Claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”, apontou o ministro em sua decisão.

Os advogados de Bolsonaro consideram a decisão desproporcional e disseram ter sido surpreendidos pela ordem de prisão domiciliar. “A frase: ‘Boa tarde, Copacabana. Boa tarde meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos’ não pode ser compreendida como descumprimento de medida cautelar, nem como ato criminoso”, afirmou a defesa. A equipe jurídica do ex-presidente argumenta que ele cumpriu integralmente a restrição de não utilizar suas redes sociais de forma direta. Segundo eles, não houve quebra de regra.


Prisão domiciliar de Bolsonaro foi decretada na última segunda-feira (4) (Vídeo: reprodução/Youtube/@g1)


Histórico de advertências e reiteradas decisões

Na decisão anterior, datada de 24 de julho, Alexandre de Moraes havia reconhecido que Bolsonaro cometeu uma “irregularidade isolada” e optou por não converter as cautelares em prisão preventiva. Naquele momento, Moraes advertiu que qualquer nova infração acarretaria em uma sanção mais rigorosa. “Se houver novo descumprimento, a conversão será imediata”, escreveu. A manifestação foi uma resposta às alegações da própria defesa, que negava intenção deliberada de violar qualquer imposição judicial.

Em nota, os advogados ressaltaram ainda que a decisão anterior do STF permitia que Bolsonaro concedesse entrevistas e participasse de eventos públicos. “Cabe lembrar que na última decisão constou expressamente que ‘em momento algum Jair Messias Bolsonaro foi proibido de conceder entrevistas ou proferir discursos em eventos públicos’”, afirmaram. De acordo com a defesa do ex-presidente, Bolsonaro teria agido dentro dos limites autorizados pela decisão judicial. O caso segue sob análise do Supremo e novas diligências devem ocorrer nos próximos dias.

Michelle Bolsonaro se pronuncia após prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida foi motivada pelo descumprimento de obrigações judiciais impostas em etapas anteriores do processo. A decisão amplia as restrições anteriormente aplicadas, como o uso de tornozeleira eletrônica. A prisão domiciliar inclui agora a proibição de saídas e de receber visitas.

Restrição integral de liberdade

Com a nova determinação, Jair Bolsonaro está impedido de deixar sua residência em qualquer horário, inclusive nos finais de semana. Também está vetado de manter contato presencial com terceiros, salvo por autorização judicial. As medidas substituem o regime anterior, que permitia circulação diurna em dias úteis. Moraes considerou que o ex-presidente infringiu obrigações anteriormente fixadas.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se manifestou horas após a divulgação da ordem de prisão. Pelo Instagram, ela compartilhou um versículo bíblico, em tom de confiança espiritual diante da decisão judicial. “E os céus anunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo é o Juiz”, publicou. A postagem foi feita nos stories, sem comentários adicionais. Michelle tem adotado posicionamentos públicos pontuais desde o avanço das investigações contra Bolsonaro.


Post feito por Michelle após prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (Foto: reprodução/Instagram/@michellebolsonaro)


Clima de tensão no campo político

Aliados do ex-presidente consideram que a decisão tende a intensificar o clima de tensão entre seus apoiadores e o Poder Judiciário. Deputados alinhados a Bolsonaro usaram as redes sociais para criticar a medida, chamando-a de “desproporcional”. Já integrantes do STF defendem que a ação segue critérios técnicos e jurídicos. A polarização no debate institucional continua intensa. A nova fase do inquérito deve incluir outras diligências ao longo dos próximos dias.

A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro representa mais um capítulo de uma crise político-jurídica que se estende desde o fim de seu mandato. Com o aprofundamento das apurações, ex-integrantes do governo federal passaram a figurar entre os principais alvos das investigações conduzidas pelo STF. Ao mesmo tempo, cresce a expectativa por eventuais desdobramentos sobre outros aliados. O cenário segue instável e sob forte atenção institucional.

Líder do PT recorre ao STF para barrar nomeação de Eduardo Bolsonaro por governadores

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a concessão de uma medida cautelar preventiva que impeça o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de assumir qualquer cargo comissionado. A solicitação foi feita nesta terça-feira (22).

Na segunda-feira (21), o portal de notícias CNN revelou que alguns governadores próximos a Eduardo Bolsonaro buscaram uma solução política por meio de interlocutores, cogitando a nomeação do parlamentar como secretário estadual para preservar seu mandato na Câmara dos Deputados.

Bloqueio de bens

No documento enviado ao Supremo, Lindbergh Farias argumenta que a possível nomeação de Eduardo Bolsonaro tem como finalidade assegurar, de forma indevida, sua sustentação financeira enquanto ele permanece nos Estados Unidos. A CNN já havia informado que o deputado está com o salário e as chaves Pix bloqueados, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, tomada no último sábado.


Reação de Eduardo Bolsonaro ao bloqueio de seus bens (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Segundo Lindbergh, Eduardo continua em solo norte-americano atuando contra os interesses do Brasil, ao lado de Paulo Figueiredo. Ele afirma que ambos têm participado de encontros políticos e midiáticos com lideranças estrangeiras, promovendo sanções econômicas contra o país, ação que, conforme o deputado, teria contribuído para o chamado “tarifaço”, medida anunciada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que prevê a elevação em 50% das tarifas sobre exportações brasileiras a partir de agosto.

Além disso, o líder do PT solicitou que Moraes determine que os governadores se abstenham de oferecer a Eduardo qualquer cargo com funções administrativas na esfera pública.

Declaração de Eduardo Bolsonaro

Na segunda-feira, após ter suas contas bloqueadas, Eduardo declarou que não se surpreendeu com a decisão, classificando como mais um ato arbitrário e ilegal do que chamou de “ditador Alexandre de Moraes”. Segundo o parlamentar, o objetivo do bloqueio seria impedir que ele continue denunciando, no exterior, supostos abusos e violações de direitos fundamentais atribuídos ao magistrado.

No Senado, Flávio Bolsonaro pede impeachment de Alexandre de Moraes

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou com um pedido, nessa quarta-feira (23), de afastamento de Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal e impedimento de exercício de qualquer função pública por 8 anos após o ministro impor medidas cautelares contra Jair Bolsonaro, na última sexta-feira. Trata-se do 28º pedido de impeachment contra Moraes a ser protocolado.

A medida adotada restringe a arena pública de debate, desequilibra o ambiente democrático e fere frontalmente o entendimento doutrinário e jurisprudencial firmado pela própria Corte a que o Ministro pertence.”

Afirma o senador no documento, em que alega estar sendo alvo de uma suposta perseguição política por parte de seus adversários e setores do Judiciário.

Filho do ex-presidente cita Dilma e Zanin

Além de fundamentar o pedido através de princípios constitucionais, Flávio Bolsonaro comparou o tratamento da Corte Constitucional brasileira em relação a seu pai e a membros do Partido dos Trabalhadores.


A apresentadora Neila Guimarães, do portal Metrópoles, repercute ação de Flávio Bolsonaro nessa quarta-feira (reprodução/Youtube/Metrópoles)


Segundo o senador, o fato do STF não ter identificado atentado à soberania nacional quando Dilma declarou perante a ONU, em abril de 2016, ser vítima de um golpe e nem quando, anos depois, o então advogado de Lula (e atual ministro do Supremo), Cristiano Zanin, se reuniu com aliados europeus para defender que seu cliente era vítima de perseguição judicial no Brasil mostraria que a acusação a Jair Bolsonaro é política e parcial.

Nas situações envolvendo Dilma e Lula, não houve imputação criminal, inquérito policial, medidas cautelares, censura, nem mesmo reprimenda pública por parte do STF. Ao contrário: tais manifestações foram tratadas como estratégias políticas legítimas e amparadas pelo exercício da liberdade de expressão.”

Continuou o congressista, sugerindo que há tratamento desigual e questionando os critérios adotados pelo Judiciário em casos semelhantes.

Jair Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a medidas restritivas na última sexta-feira como recolhimento domiciliar noturno, proibição de se aproximar de embaixadas e a imposição do uso de tornozeleira eletrônica. Ele também foi alvo de um mandado de busca e apreensão, executado pela PF.

A ação ocorreu após Alexandre de Moraes seguir recomendação da Procuradoria Geral da República, que identificou concreta possibilidade de fuga do ex-presidente denunciado por 5 crimes ligados a suposta tentativa de golpe de Estado.

Na ocasião, Moraes disse ainda que o antigo governante federal tentou “interferir no curso de processos judiciais, desestabilizar a economia do Brasil e pressionar o Poder Judiciário” ao vincular o fim do tarifaço de Trump à anistia da suposta tentativa de golpe de Estado da qual é acusado.