Inovação e atitude: Adidas mostra força criativa em semanas de moda globais

As semanas de moda de outubro foram marcadas por colaborações que misturaram inovação e estilo esportivo. A Adidas se destacou tanto na Shanghai Fashion Week quanto na edição mexicana, na qual apresentou coleções em parceria com as marcas Sentimiento e Ayanegui. Unindo criatividade local, performance e identidade cultural. 

Adidas em Shanghai

A Adidas encerrou a Semana de Moda de Shanghai com o desfile “Power of Three”, que celebrou os 20 anos do Centro de Criação de Shanghai. Foram mais de 100 looks desenvolvidos pelo estúdio da marca, divididos em quatro capítulos que mostraram diferentes lados da sua energia criativa. Entre as peças, apareceram releituras da jaqueta Tang, roupas esportivas com várias camadas e versões de alfaiataria com as três listras, além de jeans largos.


Looks apresentados no desfile (Foto:reprodução/Instagram/@adidasoriginals)

A coleção Adidas Sportswear Future of Style abriu o desfile com destaque. A proposta trouxe o design técnico para o dia a dia, com fechos ajustáveis, camadas modulares e linhas aerodinâmicas. A marca também apresentou o tênis Holo Peak, que combina o visual urbano com a função de corrida, além das versões limitadas GTX, à prova d’água, e em tons neutros, e Vinture, que aposta em texturas e em aparência desgastada.

Novidades na passarela mexicana

Na Volvo Fashion Week México, a Adidas apresentou duas colaborações que chamaram a atenção por unir emoção, identidade e atitude. A primeira foi com a marca Sentimiento, que trouxe um desfile íntimo e simbólico sobre o feminino, a irmandade e a busca pela própria voz. Inspirada na história pessoal da criadora, a coleção navegou entre o luto e a esperança, transformando a dor em força criativa. 


Desfile Ayanegui (Foto:reprodução/Instagram/@__ayanegui__)

O encerramento ficou por conta da Ayanegui, que levou uma explosão de energia à passarela com a coleção AYANEGUI x Adidas. Agasalhos com rasgos metálicos, minishorts e bodies com as icônicas três listras formaram uma estética que combinava sensualidade e atitude streetwear. Sob uma iluminação intensa e performance marcante, a marca mostrou que a moda pode ser também um manifesto visual.

Atelie Mão de Mãe junta Tropicália e Crochê para representar o Brasil

Na 30ª edição do São Paulo Fashion Week, o Ateliê Mão de Mãe trouxe à passarela uma homenagem vibrante à Tropicália, refletindo o Brasil contemporâneo em sua essência: colorido, artesanal e cheio de personalidade.

Inspirada no movimento dos anos 1960, que unia estética nacional a um olhar global para questionar o autoritarismo, a coleção revisita técnicas manuais clássicas, como crochê e frivolité, reinterpretadas em peças modernas e cheias de atitude.

Desfile e coleção

Vestidos, regatas, saias, bermudas, biquínis e bolsas exibiram cores fortes e detalhes minuciosos: babados, flores e franjas que transformaram cada peça em um verdadeiro manifesto artesanal. Ao mesmo tempo, a mistura com linho e elementos de ready-to-wear, como jaquetas, calças e t-shirts, cria um diálogo entre tradição e contemporaneidade, mantiveram o frescor característico da marca.


 

Ateliê Mão de Mãe publica vídeo do desfile (Vídeo: Reprodução/Instagram/@ateliemaodemae)

Mais do que roupas, o desfile foi uma celebração da liberdade criativa e da diversidade do Brasil. Cada ponto, cada textura e cada cor reforçaram que a moda nacional pode ser intensa, rica e calorosa, longe do minimalismo que por vezes domina as passarelas. 

Sobre o Ateliê Mão de Mãe

O Ateliê Mão de Mãe é uma marca baiana voltada para a moda artesanal, que valoriza técnicas manuais e o conhecimento transmitido entre gerações. Cada peça é concebida com atenção aos detalhes e ao acabamento, traduzindo identidade, autenticidade e cuidado em sua execução. 


Modelos representam a nova coleção do Ateliê Mão de Mãe (Foto: Reprodução/Instagram/@ateliemaodemae)

Sob a liderança dos sócios Vinícius Santana, Patrick Fortuna e Luciene Brito, o ateliê desenvolve sua produção de forma coletiva. Com foco na valorização do trabalho manual, a marca consolida um modelo de criação consciente, que alia design autoral, técnicas artesanais e propósito, reforçando sua posição como referência em moda autoral brasileira.

Emoção e nostalgia toma conta dos 30 anos de São Paulo Fashion Week

O São Paulo Fashion Week terminou na última segunda-feira (21), e neste ano o evento comemorou os seus 30 anos com um line-up muito especial, trazendo diversos estilistas que já passaram pela passarela de São Paulo em um retorno triunfal, com coleções exclusivas e cenários diferentes.

Estilistas que voltaram 

Os esforços de Paulo Borges para trazer os veteranos de volta ao SPFW começaram um ano antes e valeram super a pena, ver diferentes gerações de designers brasileiros reunidos em um único evento relembrou ao público a força da moda brasileira. 

Alguns nomes que marcaram a história do desfile e voltaram nesta edição foram: Ronaldo Fraga, que homenageou Milton Nascimento em sua coleção, Marcelo Sommer, que lançou a sua marca de roupas upcycling, além de Amir Slama, que aproveitou a nostalgia do evento para revisitar as diferentes silhuetas que produziu ao longo de sua carreira. 


Look Amir Slama SPFW 2025 (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Fernanda Calfat)

Outros nomes de peso que voltaram ao evento foram: Gloria Coelho, com uma coleção que foi apresentada dentro de 7 vagões de metrô em movimento, Alexandre Herchcovitch, que usou uma sala de ensaios do Theatro Municipal e Luiz Claudio Silva que em sua coleção homenageou o legado de Benjamim de Oliveira, um dos primeiros palhaços negros do país.


Coleção Alexandre Herchcovitch 2025 (Foto: Reprodução/Instagram/@alexandreherchcovitch)

Pontos que chamaram a atenção

Uma das coisas que chamou a atenção foi como a sustentabilidade brilhou no evento, as coleções de Flávia aranha e Normando, usaram do látex amazônico para impermeabilizar fibras naturais como linho e seda, as marcas também usaram bactérias para o tingimento de algumas roupas, o que não gera resíduos químicos e a malva, uma fibra também amazônica que é utilizada em sacaria. 

Vale comentar também que além dos pontos oficiais do desfile alguns outros locais viraram cenário para o evento, como: o metrô, o Theatro Municipal, o Museu da Língua Portuguesa, a Biblioteca Mário de Andrade, o Teatro Iguatemi, entre vários outros, o que mostrou a força e a influência da semana de moda da capital paulista.

Apartamento 03 transforma a história de Benjamim de Oliveira em moda e emoção no SPFW N60

No último dia do SPFW N60, a Apartamento 03 emocionou o público ao levar para a passarela a história de Benjamim de Oliveira, o primeiro palhaço negro a conquistar sucesso no Brasil. Mineiro nascido alforriado em 1870, Benjamim fugiu com o circo e tornou-se um dos pioneiros do teatro-circo nacional, além de cantor, ator e compositor.

Também mineiro, Luiz Cláudio Silva, diretor criativo da marca, mergulhou em uma pesquisa profunda sobre o artista, iniciada a partir do livro “Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil”, de Erminia Silva. O estilista manteve contato com a família de Benjamim, que compartilhou fotografias e lembranças, transformando o processo criativo em um exercício de afeto e respeito histórico.

Dandismo negro e o encanto do picadeiro

O resultado dessa imersão é uma coleção que une alfaiataria tradicional e elementos lúdicos, numa interpretação contemporânea do dandismo negro. Fraques, cartolas, bengalas e golas rufo aparecem reinterpretados em silhuetas modernas e fluidas, em uma harmonia entre o rigor da forma e a leveza do movimento, assim como o próprio artista que inspirou o desfile.


Desfile da Apartamento 03 no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)

A passarela foi tomada por tecidos dourados e pretos, representando o brilho e a sofisticação de Benjamim. Brocados, lurex, matelassês e plissados convivem com losangos, poás e xadrezes, em alusão às tendas e cortinas do circo. A madeira, tratada para se assemelhar ao couro, surge em detalhes esculturais, enquanto as penas e plumas simbolizam proteção espiritual e ancestralidade.


Backstage e desfile da Apartamento 03 no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@apartamento03)

As joias, criadas em parceria com Carlos Penna, incluem peças em formato de cadeira, referência ao antigo costume de o público levar o próprio assento ao picadeiro. Já o artista plástico Will assina o retrato de Benjamim que se transforma em estampa, uma ponte visual entre passado e presente.

Moda como memória e resistência

Com um casting formado majoritariamente por modelos negros (95%), o desfile da Apartamento 03 reforça o compromisso de Luiz Cláudio com a representatividade e a valorização da cultura afro-brasileira. Sem recorrer a caricaturas, o estilista reinterpreta símbolos históricos com sofisticação e sensibilidade, transformando a memória de Benjamim em uma narrativa de futuro.

Em meio aos aplausos, o desfile se encerrou como um manifesto poético, um convite a olhar para o passado não com nostalgia, mas com orgulho e potência criativa, reafirmando a moda como um espaço de resgate, emoção e liberdade.

Weider Silveiro leva o balé para as ruas em coleção inspirada em “Pacarrete”

Inspirado no filme “Pacarrete” (2020), de Allan Deberton, o estilista Weider Silveiro apresentou no SPFW N60 uma coleção que transforma o balé clássico em moda urbana, sofisticada e emocional. Longe de ser literal, o desfile propõe uma leitura contemporânea da dança, unindo força e leveza, rigidez e fluidez, elementos que definem tanto o universo da bailarina quanto o olhar do criador.

A referência principal é a história real de Maria Araújo Lima (1912–2005), artista de Russas, no Ceará, cuja trajetória inspirou o longa. Considerada “louca” por sonhar com a arte em uma cidade pequena, a bailarina serve como símbolo de resistência e sensibilidade, sentimentos que atravessam toda a coleção.

Entre o palco e a cidade

Na passarela, Silveiro construiu um diálogo entre a disciplina do balé e o movimento das grandes metrópoles. Vestidos drapeados e franzidos evocam tutus e colants, enquanto blazers e casacos estruturados ganham volumes esculturais criados a partir de fitas de cetim e novos materiais, como o acetato, que substitui o couro tradicional.


Desfile de Weider Silverio no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@spfw)

Os decotes em U e quadrados remetem aos figurinos das bailarinas, mas surgem de forma tridimensional, destacando a modelagem precisa do estilista. Entre as peças, aparecem também trench coats, coletões, calças tipo Aladdin e moletons com frases como “He-Man”, “Paris” e “Russas”, uma ponte entre o erudito e o pop.

A cartela de cores reforça essa dualidade: tons de berinjela, mostarda, marrom, laranja queimado e roxo constroem uma atmosfera terrosa e sofisticada. Tudo em tecidos lisos de malha e viscose, pensados para o movimento e o conforto.

Um encerramento simbólico e emocionante

Encerrando o desfile, a performance de Márcia Dailyn, primeira bailarina trans do Theatro Municipal de São Paulo, emocionou o público. Vestida com uma camiseta de Russas, ela trouxe à passarela a energia que conecta arte, corpo e expressão, pilares que sustentam tanto o balé quanto a moda de Weider Silveiro.


Desfile de Weider Silverio no SPFW (Foto: reprodução/Instagram/@weidersilveiro)

Com essa coleção, o estilista reafirma seu talento em equilibrar conceito e acessibilidade, criando roupas que contam histórias. O resultado é uma moda que dança entre o clássico e o contemporâneo, sem jamais perder o ritmo da emoção.

Tom Martins surpreende no SPFW com desfile silencioso

Nesta segunda-feira (20), a grife Martins revelou sua mais nova coleção na São Paulo Fashion Week em um desfile que chamou a atenção por um detalhe inusitado: o silêncio absoluto. Durante toda a apresentação, o público presente na SPFW ouvia apenas o som dos passos dos modelos, enquanto Tom Martins, diretor criativo da marca, transformava a passarela em uma reflexão sobre sua própria trajetória, com o jeans se destacando como peça central de cada look.

Silêncio chama a atenção

Em um desfile sem música, os looks eram praticamente a única atração para quem acompanhava a apresentação. A ausência de trilha sonora criou uma atmosfera diferente do habitual, tornando cada passo dos modelos e cada detalhe das peças ainda mais evidentes. A marca apresentou uma experiência surpreendente aos fashionistas, que acompanharam o desfile com um misto de desconforto e atenção redobrada.


Desfile (Vídeo:reprodução/Instagram/@spfw)


Enquanto os ouvidos dos convidados captavam apenas os passos de quem desfilava, os olhos se deparavam com uma coleção introspectiva, mas repleta de criatividade. Tom Martins conseguiu levar para a passarela uma reflexão sobre toda a sua carreira e trajetória, utilizando o jeans como peça-chave em cada look e reforçando a identidade estética da marca.

Retorno às raízes

Ao todo, foram 24 looks desfilados. A coleção é focada no jeanswear de cortes amplos, combinada com tricoline de algodão egípcio, viscose e náilon, explorando sobreposições e experimentações com camisaria. O desfile resgata elementos que o estilista utilizava no início de sua trajetória, há 10 anos, ao mesmo tempo em que evidencia a evolução de sua linguagem criativa, mantendo o vínculo com suas origens na moda, como o uso do denim, presente em sua primeira coleção apresentada no mesmo evento, em 2020.


Look da coleção (Foto:reprodução/Instagram/@synca___)

O fim do desfile ficou marcado como o único momento em que outro som tomou a sala. Enquanto o estilista caminhava pela passarela, os aplausos do público preencheram o espaço. Diferentemente de grande parte da indústria, Tom Martins deixou que as próprias peças se expressassem, transmitindo sua proposta de forma direta. A coleção, inspirada em pedidos de clientes antigos, combina elementos urbanos e referências do streetwear contemporâneo, trazendo frescor, criatividade e acabamento de alta qualidade.

David Lee une raízes nordestinas e apelo global em coleção vibrante no SPFW

O estilista cearense David Lee reafirmou seu lugar como um dos nomes mais autênticos e inventivos da moda brasileira ao apresentar, neste domingo (19), sua nova coleção na SPFW N60. Conhecido por equilibrar referências regionais com uma estética cosmopolita, Lee mostrou mais uma vez que é possível criar moda com identidade local e alcance global, sem abrir mão de suas origens no Nordeste.

Inspirado na força cultural e na beleza do Ceará, o designer trouxe à passarela um desfile marcado pela mistura de tecidos naturais, cores terrosas e shapes fluidos, que remetem ao clima, à natureza e à leveza da região. Cada look parecia contar uma história sobre pertencimento e resistência, traduzindo em roupas o orgulho de ser nordestino. Ao mesmo tempo, a coleção se destacou pela sofisticação e pela linguagem internacional de suas peças, que poderiam facilmente ocupar vitrines em qualquer capital da moda.

Tradição e contemporaneidade se encontram na passarela

O desfile de David Lee no SPFW N60 celebrou o equilíbrio entre ancestralidade e modernidade. As modelagens amplas e os cortes assimétricos conversavam com referências urbanas e esportivas, resultando em um visual contemporâneo e versátil. Essa combinação reforça a proposta do estilista de quebrar barreiras geográficas e estéticas, mostrando que o regional pode ser universal quando tratado com autenticidade e propósito.


 


Cada detalhe da coleção evidenciou a atenção ao processo criativo e à valorização da cultura nordestina. Os acessórios, produzidos em parceria com artesãos locais, trouxeram texturas e materiais que remetem à vida no sertão, enquanto a paleta de cores, que variava entre tons de areia, azul e ocre, refletia o contraste entre o litoral e o interior do Ceará. 

A moda como expressão de identidade e futuro

Além do apelo estético, o trabalho de David Lee carrega uma forte mensagem sobre representatividade e sustentabilidade. O estilista mantém uma produção consciente, priorizando o uso de tecidos de baixo impacto e a valorização de profissionais da região. Sua proposta vai além da moda: é um ato político, que reafirma o poder da criação nordestina em um dos maiores eventos do país.

Ao unir tradição, inovação e propósito, David Lee mostra que a moda pode ser uma ponte entre culturas. Sua coleção no SPFW é mais do que um desfile, é uma celebração da diversidade brasileira e uma prova de que o estilo nordestino tem, sim, voz e lugar no cenário global.

Santa Resistência leva as águas místicas do oceano à passarela da SPFW

No último sábado (18), a passarela da São Paulo Fashion Week foi inundada por “Águas de Si: Quando a Mulher Veste Mar”, nova coleção de verão da estilista baiana Mônica Sampaio, diretora criativa da grife Santa Resistência. Na passarela, referências a figuras femininas míticas, como Afrodite, Iemanjá, Iara e Atargatis deram o tom do desfile, que foi embalado por canções de Maria Bethânia e Clara Nunes.

Inspiração para a coleção: Mulheres oceano

Mônica Sampaio se inspirou na potência feminina para criar esta coleção: “Desde a primeira sereia, que surgiu na Odisseia, de Homero, nós temos a Vênus de Botticelli, da mitologia; sereia Iara, da nossa cultura indígena; e Iemanjá, da nossa cultura Yorubá, que atravessou o oceano vindo de território negro e é uma das divindades mais cultuadas no Brasil, independente da religião.” Mulheres fortes, protetoras dos mares. “Ao mesmo tempo que ela protege, leva para o fundo do mar também.”, reflete a estilista, que também traz a mulher real para o desfile “A esposa do marido pescador, as mulheres ribeirinhas que trabalham com escama de peixe, com artesanato e linha de pesca.”. A coleção simboliza a ligação mágica e de proteção entre o feminino e as águas.

Para dar forma a coleção, Mônica trouxe à passarela do evento texturas e volumes franzidos e formas sinuosas como as ondas e correntes marítimas. Predominaram as cores: verde-água, azul, branco, salmão e dourado.


Desfile Santa Resistência | SPFW N60 (Foto: reprodução/Instagram/@_the_vault_)

Colaborações femininas

A estilista baiana, é conhecida por se inspirar em figuras femininas fortes para suas coleções, como Maria Quitéria, Maria Padilha e Elizabeth de Toro, que foram homenageadas em coleções anteriores. Nesta coleção, Mônica foi além e contou com a colaboração de artistas talentosíssimas na criação: três estampas da coleção foram feitas a partir das aquarelas criadas pela designer Marcela Citon, uma delas, criada em parceria com a artista plástica Adriana Varejão, que fundiu duas de suas obras “Celacanto Provoca Maremoto” e “Figura de Convite III” em estampas de azulejo. Além delas, outra parceria que trouxe graciosidade ao desfile foram os dois looks esculturais de crochê, um representando Iemanjá e o outro águas-vivas, criados por Mônica e a artista têxtil, Milena Guerke.

Conhecidas por expressar arte em escamas, as artesãs da Associação Farol de Cabedelo, na Paraíba, assinaram dois looks: um vestido feito com linha de pesca e escamas de camurupim e um conjunto masculino do mesmo material. Entre suas referências e parcerias, Mônica quis transmitir nessa nova coleção leveza e fluidez e ao mesmo tempo a força e a potência presentes no interior feminino.

Matéria por Marian Bezerra do portal LorenaR7

Dendezeiro traz a efervescência dos Bailes Black dos anos 1970 à passarela da SPFW

A marca baiana Dendezeiro, comandada pela dupla de estilistas Pedro Batalha e Hisan Silva, levou à passarela da São Paulo Fashion Week N60, no último sábado (18), o desfile “Brasiliano 3: Lei da Vadiagem”. A apresentação encerrou a trilogia que vem discutindo, por meio da moda, questões históricas e políticas ligadas à identidade negra e periférica no Brasil.

Desta vez com foco no impacto da legislação que criminalizava a pobreza e as manifestações culturais das periferias. A coleção traz referências dos Bailes Black dos anos 1970 e 1980.

Coleção “Brasiliano 3”

Criada em 1941, durante o Estado Novo, a chamada “Lei da Vadiagem” foi usada por décadas como instrumento de repressão. Essa lei permitia a prisão de indivíduos considerados “ociosos” ou “sem ocupação”, sendo mais aplicada a jovens negros que frequentavam espaços culturais como bailes funk, rodas de samba e blocos de carnaval.

É a partir dessa crítica que a Dendezeiro constrói sua narrativa visual. O desfile resgata e ressignifica a estética dos bailes black dos anos 1970 e 1980 e homenageia a resistência cultural que floresceu mesmo diante da criminalização imposta na época.


Desfile da Dendezeiro SPFW N60 (Foto: reprodução/Instagram/Danilo Grimaldi/@agfotosite)

Com uma coleção que mistura alfaiataria com referências do streetwear, a Dendezeiro fez da passarela um palco político. Os looks exploram padronagens como xadrez e listras, associadas às festas suburbanas, com tecidos como couro de tilápia, recortes ousados e ombros estruturados que desafiam o tradicionalismo da moda. O funk, movimento marginalizado e constantemente atacado, aparece aqui como protagonista do manifesto da marca.


MC Carol e MC Cabelinho desfilam para Dendezeiro (Foto: reprodução/Instagram/Danilo Grimaldi/@agfotosite)

MC Carol e Cabelinho se uniram ao casting de modelos, reforçando a presença de vozes periféricas e populares. A trilha sonora do desfile foi composta por funks de protesto e discursos potentes, como o de Mano Brown que completaram a atmosfera do desfile.


Desfile da Dendezeiro SPFW N60 (Vídeo: reprodução/Instagram/@eucabs)


Encerramento da trilogia “Brasiliano”

Desde 2022, a Dendezeiro vem desenvolvendo a série “Brasiliano” como forma de repensar os marcos da história brasileira pela ótica de quem foi sistematicamente silenciado. O primeiro capítulo da trilogia abordou o autoritarismo do Estado Novo; o segundo, a resistência da Cabanagem no Norte do Brasil; e o último, a criminalização da cultura negra por meio da Lei da Vadiagem.

A marca, nascida em 2018, em Salvador, vem se consolidando como uma das mais relevantes da nova geração da moda nacional. Não apenas por sua estética plural, mas por usar a moda como um canal de articulação política, de denúncia e de reconstrução identitária.

Matéria por Marian Bezerra do portal LorenaR7

Sagrado Feminino guia desfile da SAU e celebra a força ancestral no beachwear do Verão 2026

Com o nascer do sol como inspiração e o corpo como território sagrado, a SAU Swim abriu o quinto dia da São Paulo Fashion Week com uma coleção que é, ao mesmo tempo, manifesto e celebração. Intitulada “Sagrado Feminino”, a coleção Verão 2026, assinada por Yasmim Nobre, traz à passarela uma releitura contemporânea da espiritualidade e da ancestralidade feminina, costurando com delicadeza temas como força, sensibilidade, intuição e natureza.

“Esse desfile é um convite para que cada pessoa resgate em si a força que já existe. O sagrado feminino é corpo, mente e espírito, é coletivo e é singular. É o que nos atravessa e o que atravessamos”, definiu a diretora criativa antes do desfile, em uma fala que ecoou na estética e na energia de cada look apresentado.

Moda e leveza

A coleção aposta em peças de beachwear versátil, feitas para transitar entre o mar e a cidade com leveza, mas sem perder profundidade. Tecidos naturais, modelagens fluidas e técnicas artesanais como crochê, tramas manuais e tingimentos orgânicos,  reforçam a conexão com o ancestral e o sustentável.


Desfile SAU Swim (Foto: Reprodução/Instagram/@sau.swim)

A cartela de cores passeia por tons terrosos, areia, marfim e nuances suaves de azul e verde, evocando paisagens naturais e a calmaria de rituais íntimos. As silhuetas celebram o corpo em sua pluralidade, abraçando curvas e movimentos com respeito e liberdade.

Roupas que vestem a alma

Em um momento em que a moda se reinventa e busca novos significados, a SAU entrega mais do que tendências: entrega propósito. O desfile não apenas vestiu modelos, mas transmitiu energia, criando uma atmosfera quase cerimonial na passarela, um verdadeiro respiro em meio à agitação da semana de moda.


Desfile SAU Swim (Foto: Reprodução/Instagram/@sau.swim)

“Sagrado Feminino” marca uma virada sensível no beachwear nacional, trazendo espiritualidade para o centro da conversa estética. E, acima de tudo, relembra que a moda pode e deve ser um canal de expressão do que há de mais verdadeiro em nós.