Investigação da PF indica ocultação de valores por Eduardo e Jair Bolsonaro em contas das esposas

O relatório final da Polícia Federal (PF), concluído em 15 de agosto de 2025 e disponibilizado ontem, quarta-feira (20) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que há indícios de que o deputado federal Eduardo Bolsonaro teria usado a conta bancária da esposa, Heloísa, como estratégia para ocultar transferências recebidas de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de movimentações semelhantes envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. 

Segundo a PF, tais ações teriam o objetivo de driblar eventuais bloqueios judiciais e dificultar o rastreamento dos recursos. Para a Polícia Federal, as movimentações financeiras de Eduardo e Jair Bolsonaro buscavam interferir no andamento da Ação Penal 2668, que investiga a tentativa de golpe de Estado no STF. 

Valores transferidos

O relatório foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes para análise. Em decisão na data de ontem, quarta-feira (20), Moraes deu 48 horas para que a defesa do ex-presidente esclareça “possíveis violações de medidas cautelares”, “repetição de condutas ilegais” e “risco de fuga”.

No corpo do relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF aponta que Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões para Eduardo em maio de 2025. Esse valor, o ex-presidente confirmou ter enviado para o filho “não passar necessidade”. No entanto, a investigação realizada pela PF destaca que os registros financeiros indicam “repasses adicionais”, fracionados em “seis transações ao longo deste ano” de 2025, totalizando cerca de R$ 111 mil, os quais foram omitidos, segundo a investigação, no depoimento à polícia. 


Publicação do STF sobre o relatório final da Polícia Federal enviado a PGR (Foto: reprodução/X/@STF_oficial)

A PF também ressaltou que, logo após receber os valores de Jair Bolsonaro, Eduardo teria realizado duas transferências para a conta bancária de Heloísa Bolsonaro, sua esposa. Conforme declararam os investigadores, houve duas transferências, uma no valor de R$ 50 mil e outra, no valor de R$ 150 mil, em 19 de maio e em 5 de junho, deste ano, respectivamente. Para os investigadores, essas transferências configuram um “artifício para dissimular a origem e evitar bloqueios” na conta do deputado federal.

A investigação da PF também detectou uma movimentação semelhante envolvendo a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Na véspera de seu depoimento à PF, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de acordo com a investigação, transferiu R$ 2 milhões para a conta de sua esposa, Michele. Essa operação foi considerada sem justificativa adequada pelos policiais, que a entenderam como uma “manobra” para se livrar de recursos em posse imediata, dificultando o bloqueio dos valores.  

O relatório

Além dessas transações financeiras entre familiares, a PF também levantou registros de operações de câmbio realizadas por Jair Bolsonaro. De acordo com as investigações, cerca de R$ 105 mil foram trocados em dólar, além de saques em espécie, totalizando mais de R$ 130 mil. Para os investigadores, as ações reforçam o cenário de tentativas de evitar rastreamento financeiro. 

O relatório final possui cerca de 170 páginas e documenta o suposto uso de contas das esposas de ambos para ocultar e direcionar recursos financeiros que apoiariam, segundo a PF, as “atividades ilícitas” do deputado federal no exterior. Jair Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, foram indiciados por coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito no contexto da ação penal que investiga os “atos antidemocráticos” de 08 de janeiro de 2023.


Publicação do STF que impôs medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: reprodução/Instagram/@supremotribunalfederal)


A defesa de Eduardo Bolsonaro nega qualquer intenção de interferência no andamento do processo no STF ou tentativa de obstruir investigações. O deputado federal afirma que sua atuação nos Estados Unidos destinou-se apenas à promoção de liberdades individuais, por meio de canais institucionais. A PF, porém, conclui que os indícios evidenciam planejamento e operação consciente por parte de Eduardo e Jair Bolsonaro, para ocultar recursos com ”fins ilegítimos”, segundo investigação.

Silas Malafaia orientou Jair Bolsonaro a descumprir ordem do STF, segundo investigações da Polícia Federal

De acordo com a apuração da Polícia Federal (PF), divulgada nesta quarta-feira (20), o pastor Silas Malafaia estimulou o ex-presidente Jair Bolsonaro a descumprir ordens do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).  A investigação em curso indica que Malafaia teve papel ativo na articulação de publicações em redes sociais, mesmo após Bolsonaro ser proibido de utilizá-las por decisão judicial. 

Segundo o relatório, o pastor sugeriu os melhores horários para as postagens, indicou canais para amplificação das mensagens e ajudou a formular discursos com o objetivo de pressionar a opinião pública contra o STF, em uma possível tentativa de obstruir a Justiça e coagir autoridades.

A investigação 

A PET 14305 / DF, assinada em 18 de agosto (2025), pelo ministro Alexandre de Moraes indica que o pastor Malafaia atuou “de maneira deliberada e consciente, em alinhamento com os demais investigados”, em menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro. 

Para a PF, foram “estratégias voltadas à intimidação e à propagação de informações falsas”, inclusive, participando do “planejamento de ações coordenadas“, a fim de “pressionar membros do alto escalão do Poder Judiciário”, para “impedir que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF)” contrariassem os interesses dos investigados.


Parte integrante da PETIÇÃO 14.305/DF, em curso no STF (Fotos: reprodução/STF)


Segundo a Polícia Federal, a atuação do pastor Silas foi além de conselhos. Em conversas analisadas pelos investigadores, o pastor orientou o ex-presidente sobre “o que dizer, como dizer e quando publicar”, demonstrando planejamento e intencionalidade. Para a PF, Malafaia aderiu a uma estratégia que violava decisões do ministro Alexandre de Moraes. 

A investigação concluiu que havia uma atuação conjunta, com ações deliberadas para manipular a opinião pública e fragilizar o sistema judiciário brasileiro, especialmente nas redes sociais, onde Bolsonaro, ainda, tinha grande influência.


Parte integrante da PETIÇÃO 14.305/DF, em curso no STF (Fotos: reprodução/STF)


Um dos episódios apontados pela PF envolve uma mensagem enviada por Silas Malafaia orientando Bolsonaro sobre como transformar o tema das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil em uma bandeira política contra a Suprema Corte brasileira. Na mensagem, o pastor sugere que o ex-presidente use o discurso da “justiça e liberdade”, e declara que os ministros do STF se intimidariam com possíveis sanções a eles e suas famílias.

Inclusão no processo

Na data de ontem, quarta-feira (20), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou busca, apreensão e imposição de medidas restritivas contra o pastor Silas Malafaia. A decisão foi tomada com base em representação da Polícia Federal (PF) e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Uma das medidas adotadas em desfavor do pastor Silas é a proibição de deixar o país, além de manter contato com Jair e Eduardo Bolsonaro. Houve, também, a apreensão do celular de Malafaia e de seus passaportes. 


Publicação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre medidas cautelares contra o pastor Silas Malafaia (Foto: reprodução/X/@STF_oficial)

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Conforme relatos, as investigações apontam que Malafaia teria agido como “orientador e auxiliar” nas ações de coação e obstrução promovidas por Jair e Eduardo Bolsonaro, com o objetivo de influenciar o andamento da Ação Penal 2668, referente aos “atos antidemocráticos”, que acusa o ex-presidente de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. 

Na decisão, o ministro Moraes, ressaltou que os diálogos entre Malafaia e Bolsonaro evidenciam “atos executórios claros” dos crimes de coação no curso do processo e obstrução de investigação de organização criminosa, configurando uma campanha criminosa orquestrada com ampla produção e divulgação de ataques ao Poder Judiciário 

Hugo Motta encaminha pedidos de cassação de Eduardo Bolsonaro ao Conselho de Ética da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enviou ao Conselho de Ética da Casa nesta sexta-feira (15) quatro pedidos de cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por quebra de decoro parlamentar. 

Eduardo Bolsonaro está sendo investigado por obstrução à Justiça e coação do processo judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolve o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo judicial por tentativa de golpe de Estado. 

Posicionamento do presidente da Câmara

Eduardo Bolsonaro se licenciou do mandato em fevereiro e partiu para os Estados Unidos, onde tem acessado autoridades e representações locais para sancionar a economia e autoridades do Brasil. 

Em entrevista à Globo News na quinta-feira (14), Motta declarou: “Não podemos colocar o interesse pessoal, por mais válido que seja, partidário, por mais importante que seja, acima do país. Isso é uma coisa que não podemos permitir. Eu quero aqui registrar a nossa completa discordância com essas atitudes porque penso que elas são atitudes que trazem prejuízos consideráveis para pessoas e empresas, para a economia do país que não deveriam estar sendo colocadas em discussão num debate hoje jurídico e político”.

Posicionamento de legendas partidárias

Segundo a Agência Brasil, o filho de Jair foi denunciado por atentar contra a soberania do país em três representações do PT e uma do PSOL, que estavam paradas aguardando deliberação de Hugo Motta. 


Partidos vinham fazendo pressão sobre a presidência da Câmara (Vídeo: reprodução/X/@Reimont)

A Agência Câmara de Notícias listou as quatro representações do PT e do PSOL que acusam Eduardo de ferir o decoro parlamentar:

  • PT: atuação contra a pátria nos Estados Unidos e permanência do deputado em território americano após o fim da licença de seu mandato; 
  • PSOL: articulação com autoridades estrangeiras de sanções políticas e econômicas contra o Brasil;
  • PT: promoção de ataques contra o STF, constrangimento do exercício da Justiça e articulação de sanções internacionais contra autoridades brasileiras;
  • PT: crime contra a soberania nacional quando o deputado busca em outros países medidas contra o Brasil e contra um dos Poderes da República.

O PT afirma que “o representado, em total dissintonia com a realidade, atentando contra os interesses nacionais, patrocina, em Estado estrangeiro, retaliações contra o seu próprio país e também contra um dos integrantes do Supremo Tribunal Federal”

A representação argumenta que o objetivo do parlamentar é coagir, intimidar ou retaliar autoridades do Poder Judiciário do Brasil, especialmente o ministro do STF Alexandre de Moraes, que é o relator da ação penal e do inquérito da tentativa de golpe de Estado contra Jair Bolsonaro. 

Outra representação do partido alega que “é dever do parlamentar zelar pela honra do mandato que exerce e cumprir rigorosamente os limites funcionais que o regulam. Sua permanência no exterior, associada à atuação pública contra instituições nacionais, enquanto se furta às obrigações regimentais mínimas de presença e deliberação, representa grave atentato do decoro e à integridade da representação popular”.

O PSOL sustenta que “ao acionar, de forma deliberada e planejada, lideranças estrangeiras e o governo dos Estados Unidos da América para impor sanções econômicas ao Brasil, com o objetivo de coagir o Supremo Tribunal Federal e forçar uma anistia a Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, o deputado Eduardo Bolsonaro não apenas rompeu com o exercício legítimo da representação política, mas também se colocou como um agente contrário ao interesse nacional, atuando para constranger o Judiciário brasileiro e favorecer interesses pessoais e familiares”.

Posicionamento de Eduardo Bolsonaro

O filho de Jair Bolsonaro afirma sofrer “perseguição política” e diz que a revisão da tarifa comercial imposta pelo governo Trump contra a economia brasileira dependerá de uma ‘anistia geral e irrestrita’ a todos os condenados pela tentativa de golpe de Estado para anulação das eleições presidenciais de 2022. 


Eduardo Bolsonaro ameaça escalar as sanções até a cúpula do Congresso Nacional (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)

O parlamentar informou que não vai renunciar ao cargo e que permanecerá nos Estados Unidos por temer que seja preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a abertura de uma investigação contra ele por ataques à soberania brasileira. 

Desde que reassumiu o mandato, após o vencimento da licença parlamentar em 21 de julho, o deputado já computou oito faltas não justificadas. Além disso, não pode receber mais o salário desde 24 de julho, quando a Justiça comunicou à Câmara o bloqueio das contas e bens de Eduardo Bolsonaro.

Família de Padilha é alvo de represália dos EUA

O governo dos Estados Unidos cancelou os vistos da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha — atualmente no cargo — por informações que teriam tornado ambas inelegíveis, segundo comunicado do Consulado Geral dos EUA em São Paulo. A medida também atingiu funcionários ligados ao programa “Mais Médicos”. O próprio Padilha não foi afetado, pois seu visto já estava vencido há meses.

Contexto e impacto sobre o programa “Mais Médicos”

O cancelamento dos vistos ocorreu nesta sexta-feira (15) e foi interpretado como mais um ataque contra aliados do governo atual. Além disso, agentes e ex-agentes do programa “Mais Médicos” também tiveram seus vistos cancelados nessa nova onda de sanções diplomáticas do governo Trump. O programa “Mais Médicos”, criado em 2013 durante o governo Dilma Rousseff, contou com apoio cubano e visava suprir a carência de profissionais de saúde nas periferias e no interior do Brasil. Padilha ressaltou que o programa continua salvando vidas e disse que não se curvará a essas sanções.

Expansão de sanções e lobby de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Esse movimento faz parte de um pacote mais amplo de restrições que se intensificou nos últimos meses. A administração Trump já revogou vistos de magistrados do STF e aliados por sua atuação no julgamento de Jair Bolsonaro, além de aplicar tarifas comerciais sobre produtos brasileiros. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, reside nos Estados Unidos desde março e tem atuado para pressionar por sanções contra autoridades brasileiras envolvidas no processo contra seu pai, além de pleitear intervenções políticas do governo americano.


Eduardo Bolsonaro em evento com aliados do governo Donald Trump nos EUA (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images embed)


Repercussão nacional e reação do governo brasileiro

A medida gerou forte reação no Brasil. Parlamentares do PT criticaram o cancelamento dos vistos como “covardia”, destacando a injustiça especialmente por atingir uma criança. O presidente Lula, durante evento em Pernambuco, defendeu o programa Mais Médicos e fez críticas ao bloqueio contra Cuba, ressaltando a solidariedade brasileira frente à decisão americana.

Reflexos da Medida

A revogação dos vistos dirigidos a familiares de Padilha e ligados ao programa Mais Médicos reflete uma escalada da diplomacia punitiva dos EUA, que se manifesta também por meio de tarifas e sanções a figuras envolvidas no julgamento de Bolsonaro. Em paralelo, Eduardo Bolsonaro intensifica seu lobby em Washington, buscando transformar a crise jurídica de seu pai em uma guerra política internacional. A ação americana, no entanto, reforça o clima de tensão e aprofunda divisões diplomáticas entre os dois países.

Esposa de Eduardo Bolsonaro tem contas bloqueadas

Nesta quarta-feira (23), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse, em publicações feitas no Instagram e no X, que sua esposa, Heloísa Bolsonaro, também teve suas contas bloqueadas por ordem de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. O deputado federal licenciado, teve suas contas bloqueadas na segunda-feira (21).

Na publicação, Eduardo fala que provavelmente é mais um ato arbitrário ordenado pelo ministro do STF e tal ação foi realizada contra sua mulher sem qualquer justificativa legal. 

Ações contra a soberania brasileira

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirma, em meio a estadia nos EUA, que tem mantido contato com o governo americano para buscar sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e outras autoridades envolvidas nas ações contra Jair Bolsonaro, alegando perseguição política.

Segundo avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Jair e Eduardo tentam dificultar o andamento da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado, que tem como principal réu o ex-presidente. 

Toda movimentação de Eduardo Bolsonaro no exterior, resultou na tarifação de 50% sobre produtos brasileiros que entrará em vigor a partir de 1º de agosto, além da suspensão dos vistos das autoridades envolvidas na investigação, como é o caso de Moraes.


Eduardo Bolsonaro fala sobre bloqueio na conta da esposa (Foto: reprodução/Instagram/@bolsonarosp)


A decisão para bloqueio de bens móveis e imóveis de Eduardo foi deferida no sábado (19). Essa estratégia investigativa tem como objetivo interromper a continuidade de práticas criminosas.

“Os próximos meses serão vitais para o Brasil”, diz Eduardo

Em participação no podcast Inteligência LTDA. nesta segunda-feira, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, após bloqueio das contas, disse que os próximos meses serão vitais para as próximas décadas do país e que está disposto a ir às últimas consequências.

No episódio, o deputado licenciado diz que a decisão do ministro é arbitrária e criminosa, e que ele não irá se intimidar e se calar, “eu me preparei para este momento”, completou ele. Para o filho do ex-presidente, a única solução para o Brasil é o impeachment de Alexandre de Moraes.

STF mantém medidas cautelares e afasta hipótese de prisão de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descartou nesta quinta-feira (24) a possibilidade de prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerando como pontual a infração às medidas cautelares. Contudo, cobrou explicações dos advogados de defesa do ex-presidente sobre o uso indireto de redes sociais, reafirmando, no entanto, que Bolsonaro segue autorizado a conceder entrevistas e a se manifestar publicamente.

Decisão do Ministro

A decisão do Ministro Alexandre de Moraes do STF é uma resposta aos esclarecimentos oferecidos por parte da defesa de Jair Bolsonaro, devido às suspeitas de que perfis de aliados atuaram em nome do ex-presidente, cometendo violação às restrições determinadas na última sexta-feira (18).

No entanto, ao ponderar as justificativas apresentadas pelos advogados, que alegaram não haver intenção em violar as regras, afirmando que o ex-presidente segue as condições impostas, o magistrado decidiu manter apenas as medidas cautelares já em vigor. 



Decisão do ministro Alexandre de Moraes em relação à prisão preventiva de Jair Bolsonaro, AP 2668 ED-QUINTOS / DF (Foto: reprodução/STF)

Apesar da não conversão, Moraes reforçou que qualquer nova violação levará à prisão preventiva. Desde a semana passada, o ex-presidente foi submetido ao uso de tornozeleira eletrônica, proibido de usar redes sociais e de se comunicar com demais  investigados na ação, incluindo o seu filho, o parlamentar Eduardo Bolsonaro.

O episódio

O episódio que levou o magistrado, Alexandre de Moraes, a pedir explicações sobre a conduta do ex-presidente, refere-se à publicação feita por Eduardo Bolsonaro em suas redes sociais na última terça-feira (22). Em vídeo, Bolsonaro mostra a tornozeleira eletrônica, alegando humilhação e discursando para seus apoiadores. A ação ocorreu durante sua saída, em frente à Câmara dos Deputados.


Ex-presidente Jair Bolsonaro em frente à Câmara dos Deputados Federal (Fotos: reprodução/Arthur Menescal/Bloomberg/ Getty Images Embed)


O ministro alegou que a conta do deputado federal Eduardo Bolsonaro, atualmente morando nos EUA, teria sido usada para beneficiar seu pai, Jair Bolsonaro, em um padrão já descrito nas investigações, PET 14129 DF, caracterizando infração à proibição de uso direto ou indireto de redes sociais. Nesta ação, ambos são investigados pelos crimes de coação no curso de processo legal, obstrução de investigação penal e atentado a soberania nacional.

Ida de Bolsonaro à Câmara acaba em tumulto e acidentes

Nesta segunda-feira (21), o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi à Câmara dos Deputados, para uma reunião. No fim do encontro entre os políticos, ocorreu um tumulto na área da saída do local, que acabou causando alguns acidentes, como a quebra de uma mesa de vidro e um sangramento no rosto do deputado Nikolas Ferreira. Depois do fim da reunião, Bolsonaro chegou a dar declarações espontâneas para jornalistas, dizendo como é uma “covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República”, após ser condenado a usar uma tornozeleira eletrônica.

Os acidentes na Câmara

Durante a saída de Bolsonaro da Câmara dos Deputados, houve um grande tumulto, com vários empurrões. No meio da confusão, ocorreu um acidente sobre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que acabou o ferindo no rosto, causando sangramento. A deputada Carol de Toni (PL-SC), após a situação, informou que Nikolas sofreu um pequeno corte abaixo do olho.

De acordo com a assessoria do deputado, seu ferimento advém de um microfone, que acabou atingindo-o durante o tumulto. Apesar de sangrar no momento, o político ficou bem depois.

A condenação de Bolsonaro

O ex-presidente, Jair Bolsonaro, pretendia participar de uma coletiva de imprensa, junto com deputados, porém foi dissuadido da ideia, após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibi-lo de fazer entrevistas e de serem divulgadas em redes sociais.

Na saída do Congresso, Bolsonaro deu declarações espontâneas, mostrando sua tornozeleira eletrônica e expondo o quão absurda ele acredita ser a situação.

“Não roubei os cofres públicos, não desviei recurso público, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação em nosso país. Uma pessoa inocente. Covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República. Nós vamos enfrentar a tudo e a todos. O que vale para mim é a lei de Deus”, afirmou Bolsonaro.


Jair Bolsonaro mostrando sua tornozeleira eletrônica (Foto: reprodução/Arthur Menescal/Bloomberg/Getty Images Embed)


Além do ex-presidente, seu filho, Eduardo Bolsonaro, também responde à um processo por supostamente atuar contra instituições brasileiras, enquanto está nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro fala sobre o aumento das tarifas dos EUA

Durante uma entrevista ao podcast Inteligência Ltda, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente está nos Estados Unidos, revelou que não imaginava que o presidente Donald Trump fosse aumentar as tarifas sobre os produtos brasileiros importados pelo país. Eduardo ainda garantiu que seu objetivo nos Estados Unidos não era provocar uma taxação de 50% ao Brasil, mas sim articular sanções individuais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele também criticou a forma como estão tentando resolver a situação.

Minha crítica é para aqueles que acham que vão solucionar esse problema por meio de medidas comerciais. O Trump deixou claro que não é só contra o Bolsonaro, mas contra seus apoiadores, as big techs. É o conjunto da obra, liderada por Alexandre de Moraes e com o respaldo do Lula, que está fazendo o Brasil chegar ao dia 1º de agosto com tarifas de 50%. Esse nunca foi meu desejo, sempre defendi sanções individuais contra Alexandre de Moraes”, declarou o deputado.

Investigado pela Polícia Federal devido às suas movimentações nos corredores da Casa Branca, onde, segundo ele, busca apoio de autoridades americanas contra Alexandre de Moraes, Eduardo Bolsonaro teve seus bens bloqueados por decisão do ministro no âmbito de um inquérito sigiloso que o investiga.

Com a medida determinada pelo STF, o deputado licenciado está impedido de realizar qualquer movimentação financeira. Ele não pode receber nem transferir valores, e também está sem acesso ao salário de deputado federal, que ficará retido em conta.

Eduardo Bolsonaro diz que não vai renunciar ao cargo

O parlamentar afirmou, durante uma live nesta segunda-feira, que pretende permanecer no cargo por, no mínimo, mais três meses. Ele disse não ter intenção de renunciar e acredita que, se quiser, conseguirá manter o mandato por esse período.

Ao longo da semana, Eduardo indicou que não considera possível retornar ao Brasil neste momento, alegando que poderia ser preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que só pretende se pronunciar de forma definitiva após o recesso parlamentar. Acrescentou ainda que cogita a hipótese de não renunciar, deixando o tempo correr até que o mandato seja encerrado por falta de comparecimento.


Eduardo Bolsonaro fala sobre o aumento das tarifas dos EUA (Vídeo:reprodução/YouTube/inteligencia ltda)


Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil

No dia 9 de julho, por meio de uma carta enviada ao presidente Lula, o ex-presidente Donald Trump anunciou que aplicará tarifas de até 50% sobre os produtos brasileiros. A nova medida entrará em vigor no dia 1º de agosto.


Donald Trump impõe tarifas de 50% ao Brasil (Vídeo:reprodução/Youtube/CNN Brasil)


Trump, que compartilhou a carta em suas redes sociais, afirmou que os Estados Unidos vêm sofrendo com o déficit comercial e acusou o Brasil de cometer uma injustiça contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

O presidente norte-americano também reforçou que a forma de evitar as taxações seria transferir a produção e as empresas brasileiras para o território dos EUA. Ele alertou ainda que, caso o Brasil decida retaliar com o aumento de suas tarifas de importação, os Estados Unidos responderão elevando proporcionalmente suas próprias alíquotas.

Eduardo Bolsonaro tem contas bloqueadas por ordem do STF

Nesta segunda-feira, 21 de julho de 2025, o cenário político brasileiro foi abalado pela notícia do bloqueio das contas bancárias e chaves Pix do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A medida, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), insere-se no âmbito de uma investigação em andamento que visa apurar possíveis articulações internacionais do parlamentar, sobretudo com o governo dos Estados Unidos, então sob a liderança de Donald Trump.

O próprio deputado relatou ter tomado conhecimento do bloqueio ao tentar efetuar duas transferências via Pix, ambas sem sucesso. Em declaração concedida ao colunista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, Eduardo Bolsonaro não hesitou em classificar a decisão como um “passo natural de ditadura”. Para ele, a ação se configura como uma tentativa de asfixia financeira com claros propósitos de intimidação política. Apesar das severas restrições impostas, o parlamentar reafirmou sua intenção de continuar empreendendo esforços para que o governo norte-americano amplie as sanções contra ministros do STF, incluindo o próprio Alexandre de Moraes.

Restrições de Contato e Investigações sobre Coação

Além do impedimento de acesso aos seus recursos financeiros, Eduardo Bolsonaro foi proibido de manter contato com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no contexto das investigações. As autoridades buscam esclarecer se houve coação no curso do processo, haja vista que Jair Bolsonaro teria remetido recursos ao filho enquanto este se encontrava nos Estados Unidos. Essa linha de investigação adiciona uma camada de complexidade ao caso, levantando questões sobre a eventual influência ou auxílio indevido em meio às apurações.


Matéria sobre bloqueio das contas de Eduardo Bolsonaro (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)

Repercussão Internacional e Tensão Diplomática

A repercussão do caso transbordou as fronteiras nacionais, ganhando novos contornos com o anúncio do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Ele declarou a suspensão dos vistos de Alexandre de Moraes e de seus aliados, justificando a medida como uma resposta ao que denominou “perseguição política” no Brasil. Esse movimento por parte do governo norte-americano sinaliza uma escalada na tensão diplomática, evidenciando o impacto internacional das decisões tomadas no cenário jurídico político brasileiro. Diante de todas as adversidades e restrições impostas, Eduardo Bolsonaro declarou estar preparado para enfrentar as dificuldades e persistir em sua atuação política, demonstrando resiliência frente aos desafios.

Ameaças de Eduardo Bolsonaro: Diretor da PF age com firmeza

A recente declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro, feita durante uma transmissão ao vivo e direcionada a servidores da Polícia Federal (PF), acende um sinal de alerta sobre os limites da liberdade de expressão e os riscos à integridade das instituições democráticas brasileiras.

Ao afirmar que poderia “se mexer” contra investigações em curso e ao se referir a um delegado como “cachorrinho”, o parlamentar ultrapassa os limites do discurso político legítimo, promovendo ataques pessoais e insinuando tentativas de intimidação contra agentes da lei. Tais declarações não apenas desrespeitam profissionais da segurança pública, mas também colocam em xeque a autonomia das instituições encarregadas de garantir a legalidade e a justiça no país.


Matéria sobre live de Eduardo Bolsonaro ameaçando a PF (Vídeo: reprodução/YouTube/Band Jornalismo)

Reação Institucional da Polícia Federal

Diante da gravidade das falas, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, anunciou que os comentários do deputado serão incluídos no inquérito já existente, que investiga Eduardo Bolsonaro por suposta obstrução de Justiça, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Essa resposta institucional é essencial para reafirmar que a Polícia Federal não se submeterá a pressões políticas e que todos os cidadãos, independentemente de cargo ou influência, estão sujeitos ao império da lei.

As declarações direcionadas a delegados como Fábio Alvarez Shor, responsável por investigações sensíveis envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, revelam uma estratégia preocupante de deslegitimação e ameaça. Em um Estado Democrático de Direito, a atuação das autoridades deve ocorrer com independência, imparcialidade e sem medo de retaliações. A tentativa de intimidar servidores públicos que cumprem seu dever constitucional representa um ataque direto à democracia e à ordem institucional.

Compromisso com a Justiça e a Defesa do Estado de Direito

A firmeza da Polícia Federal em repudiar essas tentativas de intimidação é fundamental para preservar o Estado de Direito. A garantia de que “nenhum investigado intimidará a Polícia Federal” deve ser mais do que uma frase de efeito: precisa ser um compromisso público com a justiça, a legalidade e a proteção das instituições que sustentam a democracia brasileira. O episódio serve como um lembrete de que a vigilância cidadã e a atuação firme das autoridades são indispensáveis para impedir retrocessos e assegurar que o país continue trilhando o caminho da transparência e da responsabilidade institucional.