Questão de matemática do Enem gera polêmica

Uma questão de matemática do Enem 2025 ganhou destaque por apresentar um nível de complexidade acima do esperado. O item trazia o gráfico de uma função tangente com alterações no período e com deslocamentos horizontais e verticais, exigindo dos candidatos a identificação da equação correspondente. O conteúdo, pouco comum nas edições anteriores do exame e pouco explorado na maioria dos currículos do ensino médio, gerou ampla repercussão entre estudantes e professores, que apontaram a questão como uma das mais difíceis da prova.

Questão gerou dificuldade

A polêmica surgiu porque a questão exigia que o candidato identificasse uma função tangente a partir de seu gráfico. Para isso, era necessário reconhecer que o período observado equivalia a um ciclo de dois pi, o que determinava o coeficiente de dilatação horizontal da função. Além disso, o gráfico revelava um deslocamento vertical significativo, obrigando o estudante a ajustar a função para que ela coincidisse com as coordenadas apresentadas.


Enem convive com polêmica envolvendo prova (Foto: reprodução/Marcello Casal Jr/Agência Brasil)


Depois de determinar o período e o deslocamento, restava comparar as alternativas e testar valores específicos do gráfico. Esse passo final eliminava respostas incorretas e levava à identificação da equação correspondente. A combinação desses elementos, pouco familiar para muitos alunos, acabou transformando a pergunta em um dos pontos mais difíceis da prova.

Questão parou nas redes sociais

A surpresa com a presença de uma tangente transladada em plena prova do Enem rapidamente se espalhou entre os candidatos e passou a ocupar grande espaço nas discussões online. Nas horas seguintes ao exame, redes sociais como X, Instagram e TikTok registraram um volume elevado de publicações comentando a questão, muitas delas destacando a dificuldade em reconhecer o comportamento da função a partir do gráfico apresentado. Além dos memes que satirizavam a complexidade do item, surgiram relatos de estudantes que afirmaram ter perdido tempo significativo tentando interpretar a curva ou escolher entre alternativas muito semelhantes.

Entre os candidatos, consolidou-se a percepção de que o exercício destoava do perfil tradicional da prova, que costuma priorizar aplicações práticas e interpretação contextualizada. Para muitos, a exigência de conhecer alterações de período, deslocamentos e formas específicas da tangente representou um ponto fora da curva em relação aos conteúdos mais recorrentes. Professores também observaram que a repercussão refletiu um sentimento coletivo de insegurança diante de um tema tratado com pouca profundidade na maior parte dos materiais preparatórios. Com isso, a questão se tornou um dos principais símbolos do debate sobre o nível de dificuldade da edição de 2025.

Mesmo entre estudantes experientes, a questão foi vista como complexa e inesperada. Para muitos, o desafio representou um divisor entre quem apenas conhecia a função tangente e quem dominava suas variações mais avançadas. A discussão segue intensa e deve continuar alimentando análises sobre o nível de dificuldade do Enem deste ano.

ENEM 2025 será aplicado em dois domingos; confira horários e principais regras

O Exame Nacional do Ensino Médio 2025 (ENEM) está marcado para acontecer nos domingos 9 de novembro (primeiro dia) e 16 de novembro (segundo dia) em grande parte do Brasil. Cidades como Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, terão aplicações em 30 de novembro e 7 de dezembro, devido à realização da COP 30 na região.

Para os dois dias, o horário de Brasília será seguido: os portões abrem às 12h, fecham às 13h, e as provas iniciam às 13h30. No primeiro dia, a previsão é que o encerramento seja às 19h, no segundo às 18h30.

Como será o primeiro dia de exame

No domingo de abertura, além de responder 45 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que incluem Língua Portuguesa, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), e outras 45 de Ciências Humanas (História, Geografia, Filosofia, Sociologia), os candidatos deverão produzir uma redação dissertativa-argumentativa.


Netflix solta vídeo de Sidie Sink falando sobre o Enem (Reprodução/X/@NetflixBrasil)


A duração estimada para esse primeiro dia é de 5 horas e 30 minutos para a maioria dos participantes. Chegar com antecedência é essencial. Quem entrar após o fechamento dos portões (13h) não poderá participar. Também vale estar atento a documentos, caneta preta, garrafas de água transparentes, alimentos em embalagens fechadas ou em pacotes transparentes. Também vale lembrar da importância de manter os celulares sem volume, com alarmes desativados e desligados.

Regras gerais essenciais e o que muda em 2025

Além dos horários, o edital destaca que o resultado do ENEM pode ser usado como certificado de conclusão do ensino médio ou declaração parcial de proficiência para maiores de 18 anos. O valor da taxa de inscrição permanece em R$85,00, com pagamento previsto até 11 de junho.

Candidatos que necessitam de atendimento especial ou que usam nome social devem realizar solicitação durante o período de inscrição. É importante lembrar: o horário de início refere-se ao horário de Brasília, se você estiver em fusos diferentes, ajuste seu relógio para evitar perder o início da prova.

Didática que transforma: Aryane Rodrigues dos Reis consolida método de HQs no ensino de Química e amplia formação de professores pelo Brasil

Com trajetória acadêmica marcada pela pesquisa e aplicação prática de metodologias ativas, a professora de Química Aryane Rodrigues dos Reis vem se consolidando como referência nacional na formação docente por meio do uso de histórias em quadrinhos (HQs) como recurso didático. Mais do que apenas inovar no formato, Aryane criou um modelo replicável que vem sendo adotado por professores em diferentes regiões do país, multiplicando seu impacto muito além da sala de aula.

O método desenvolvido por Aryane parte da compreensão de que as HQs, tradicionalmente associadas ao entretenimento, podem funcionar como ferramenta pedagógica eficaz para ensinar conteúdos complexos de Química de forma acessível e visualmente estimulante. Essa abordagem dialoga com tendências apontadas por pesquisas do setor educacional: segundo o relatório “Transforming Education” da UNESCO (2021), metodologias ativas — que incluem narrativas visuais, gamificação e aprendizagem baseada em projetos — estão entre as estratégias mais recomendadas para estimular o pensamento crítico e o engajamento dos alunos.

Na prática, o modelo aplicado por Aryane vai além da criação de materiais didáticos. Ela ministra cursos e workshops para professores, compartilhando técnicas de elaboração de roteiros, escolha de conceitos-chave e estratégias de avaliação do impacto das HQs em sala de aula. Essa atuação direta na formação docente gera um efeito multiplicador: ao preparar outros educadores para produzirem seus próprios recursos visuais, o método potencializa o alcance a milhares de estudantes da rede pública e privada.

Dados da pesquisa TIC Educação (2020), publicada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), revelam que 93% das escolas urbanas brasileiras já utilizam algum tipo de recurso digital nas atividades pedagógicas. Contudo, apenas cerca de 30% relatam o uso sistemático de metodologias ativas, evidenciando o desafio de transformar inovação em prática constante. Nesse contexto, o trabalho de formação de professores realizado por Aryane se destaca justamente por oferecer metodologia estruturada, adequada à realidade escolar e de fácil adaptação a diferentes perfis de turmas.

Além do reconhecimento como prática inovadora, a estratégia das HQs tem respaldo científico. Estudos publicados na Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia (2020) destacam que recursos visuais como histórias em quadrinhos podem aumentar a retenção de conceitos científicos em até 25%, especialmente entre estudantes do ensino médio. Internacionalmente, instituições como a National Science Teaching Association (NSTA), nos Estados Unidos, também incentivam o uso de narrativas visuais para abordar conteúdos complexos de forma mais atrativa.

Aryane Rodrigues dos Reis, que se tornou nome de referência ao unir didática, pesquisa acadêmica e experiência prática, representa hoje um movimento crescente na educação: o da formação continuada como chave para inovação real nas salas de aula. Seu método, já reconhecido em portais nacionais como Diário do Vale e MSN Brasil, reflete a demanda por estratégias capazes de ir além do conteúdo, alcançando o modo como professores ensinam e como alunos aprendem.

Ao transpor fronteiras da sala de aula para os espaços de formação docente, Aryane contribui para ampliar o uso de metodologias ativas no país, incentivando professores a transformar suas práticas. Nesse processo, reafirma a centralidade do educador como protagonista na construção de caminhos mais criativos, inclusivos e eficazes para o ensino de Química — consolidando-se, de forma técnica e consistente, como referência nacional no tema.

Inscrições para SISU 2025 começam nesta sexta-feira

O Governo Federal anunciou, nesta segunda-feira (13), que a abertura das inscrições para o SISU (Sistema de Seleção Unificada), será no próximo dia 17. Gerido pelo Ministério da Educação (MEC), o sistema utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para selecionar estudantes para instituições públicas de ensino superior. O resultado da chamada regular será divulgado em 26 de janeiro, com matrículas previstas para o período de 27 a 31 de janeiro. Aqueles que não forem aprovados poderão participar da lista de espera, que estará aberta no mesmo período das matrículas.

Como funciona a inscrição

A inscrição é gratuita e deve ser realizada exclusivamente online, por meio do portal oficial do SISU. Para acessar o sistema, o candidato deve usar as informações de login do Gov.br, plataforma digital do governo federal. As notas do Enem 2024 são automaticamente recuperadas pelo sistema.


Qualquer candidato que não tenha zerado a redação do Enem 2024 pode disputar o SISU (Foto: reprodução/ X/ @camarotedacpi)

Ao se inscrever, o candidato responde a um questionário socioeconômico, necessário para verificar a elegibilidade à Lei de Cotas. Além disso, pode escolher até duas opções de curso, que podem ser alteradas durante o período de inscrições. O sistema considera a última alteração como válida.

Requisitos e lista de espera

Podem participar do SISU 2025, os estudantes que realizaram o Enem 2024, obtiveram nota maior que zero na redação e não declararam participação como treineiros.

No sistema, o candidato poderá escolher duas opções de cursos. Caso não seja aprovado na primeira opção, poderá concorrer à segunda. Aqueles que não forem selecionados em nenhuma das duas opções indicadas ainda terão a oportunidade de disputar uma vaga por meio da lista de espera.

O SISU é uma das principais portas de entrada para o ensino superior público no Brasil, proporcionando acesso a milhares de vagas em instituições de todo o país, desde que a instituição almejada utilize o SISU como meio de ingresso.

O SISU entrou em vigor em 2010, com o objetivo de unificar a seleção de alunos nas instituições públicas de ensino superior de todo o país.

Governo lança “Pé-de-Meia Licenciatura” para incentivar formação de professores

O governo federal anunciou que, nesta terça-feira (14,) haverá o lançamento do programa “Pé-de-Meia Licenciatura”, uma nova iniciativa voltada para estudantes universitários que fazem licenciatura. A medida, que integra a política pública “Mais Professores”, visa proporcionar apoio financeiro aos futuros educadores, visando incentivar a carreira docente e valorizar a profissão.

Iniciativa busca fortalecer a carreira docente

O programa tem mensalidade de R$ 1.050 para os alunos matriculados em cursos de licenciatura, com os valores depositados diretamente em uma conta poupança. O intuito é oferecer um suporte durante a formação, garantindo uma maior estabilidade financeira aos estudantes, influenciando na decisão dos estudantes em ter uma formação como professor. O valor será depositado enquanto os estudantes estiverem matriculados e frequentando as aula.


Com a iniciativa, a ideia é que o interesse pela formação de docentes seja maior (Foto: reprodução/x/g1)

Controvérsias e desafios orçamentários

O programa enfrenta alguns desafios administrativos, Em dezembro de 2024 o Tribunal de Contas da União (TCU) questionou a legalidade da execução do “Pé-de-Meia”, após esse ocorrido houve um pedindo o bloqueio do valor de R$ 6 bilhões, que estavam destinados ao programa, que auxilia o estudante e evita e evasão escolar. A principal preocupação é que o programa esteja sendo executado de maneira inadequada, fora do Orçamento da União, o que pode comprometer o cumprimento das regras fiscais do país. A situação desperta preocupações sobre o possível descumprimento de regras financeiras essenciais, criadas para assegurar a estabilidade e o equilíbrio da economia do país.

Apesar das críticas, o programa “Pé-de-Meia Licenciatura” não foi desconsiderado e, é uma das apostas do Governo Federal para incentivar os estudantes e a formação de professores, depois do lançamento da primeira versão do programa, que auxiliava os alunos do ensino médio da rede pública. Durante o ano de 2024, cerca 4 milhões de alunos foram beneficiados por esse modelo, O programa é voltado ao apoio financeiro, garantindo uma série de incentivos ao longo dos anos. Entre os benefícios, estão os depósitos anuais que, ao final do período escolar, podem totalizar até R$ 9.200, ajudando os jovens a se manterem focados nos estudos e a lidarem com eventuais dificuldades financeiras.

Brasileiro é reconhecido no Under 30 dos EUA por inovações em Tecnologia Educacional

Enquanto a tecnologia apresenta desafios significativos para as práticas pedagógicas, ela também pode oferecer respostas eficazes para diversas dificuldades. Com o objetivo de redefinir o uso da inteligência artificial no ensino, o carioca Pedro Siciliano alcançou reconhecimento internacional. 

Educadores e instituições muitas vezes enfrentam dificuldades para incorporar novas tecnologias, seja pela falta de treinamento, infraestrutura ou recursos financeiros. Nem todos os alunos têm acesso igual a dispositivos e internet, o que pode acentuar desigualdades educacionais, no entanto, o brasileiro quebrou barreiras.

Após se formar em engenharia, Siciliano dedicou cinco anos ao trabalho como professor voluntário, período em que identificou os desafios enfrentados pelos docentes dentro e fora da sala de aula. Atualmente, sua startup figura entre as principais que utilizam inteligência artificial da América Latina, com a missão de revolucionar a forma como professores e alunos acessam e criam conteúdos colaborativamente, reunindo mais de um milhão de educadores cadastrados.


Pedro Siciliano, cofundador da Teachy (Foto: reprodução/Forbes Brasil)

O brasileiro contou sua impressão para a Forbes Brasil:

“É extremamente significativo receber esse reconhecimento atuando em um setor tão central para o desenvolvimento social e econômico quanto a educação. Nossa trajetória na Teachy nasceu de uma convicção: o professor é a figura-chave para transformar o futuro de milhões de estudantes, principalmente em países em desenvolvimento. Quando destacamos a importância dos educadores e investimos em soluções que realmente apoiam o seu trabalho, estamos falando não só de melhorar a qualidade do ensino, mas também de criar oportunidades de crescimento social.”

Uma voz para muitos

Pedro Siciliano se tornou uma voz para muitos que buscam impulsionar a educação no país. Ele observou as dificuldades que vão além da sala de aula, como a falta de recursos pedagógicos, o excesso de trabalho administrativo e a necessidade de inovação nas práticas de ensino. Essa vivência o capacitou a entender profundamente as “dores” do setor educacional.

Sua startup oferece uma plataforma colaborativa que facilita o acesso e a criação de materiais educacionais, promovendo o engajamento de professores e estudantes. Ao combinar tecnologia de ponta com as reais necessidades do ensino, a iniciativa não só preencheu lacunas no setor, mas também deu voz a milhares de educadores.

Obstáculos para o uso da IA na educação

A introdução de novas tecnologias na sala de aula ainda enfrenta barreiras e resistências, o que é compreensível em um ambiente tão delicado. Muitos professores expressam preocupações relacionadas à complexidade das ferramentas, à confiabilidade dos recursos e ao temor de que a tecnologia substitua suas funções, em vez de fortalecê-las.

Pedro foi destacado na renomada lista anual Forbes 30 Under 30 North América 2025, na categoria de Impacto Social. Ex-professor e engenheiro, com um MBA pela Universidade de Stanford, deu início a Teachy em 2022, junto com Fábio Baldissera.

São Paulo pode implementar IA para aprimorar material didático

O governo do estado de São Paulo está avançando em sua iniciativa pioneira de implementar uma plataforma de Inteligência Artificial (IA) para aprimorar o material didático utilizado por professores do ensino fundamental e médio. O projeto-piloto, liderado pela Secretaria Estadual da Educação, visa integrar a IA, exemplificada pelo ChatGPT, para enriquecer as aulas já em uso.

IA como ferramenta para potencializar ensino

Conforme a Secretaria, as aulas, elaboradas pelos professores curriculistas em 2023, servem como base para essa inovação. O objetivo agora é atualizar e enriquecer esse conteúdo com novas atividades, exemplos práticos e informações adicionais que ampliem a compreensão dos conceitos-chave em cada disciplina.

É importante ressaltar que os educadores continuarão a desempenhar um papel central no processo. A IA será utilizada como uma ferramenta para potencializar o ensino e a aprendizagem, não para substituir os professores. Bernardo Soares, professor e pesquisador de educação e tecnologia, destaca que a análise subjetiva dos professores é insubstituível, sendo eles os mediadores do conteúdo.

O professor será insubstituível

Contudo, a iniciativa não está isenta de críticas. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) expressou preocupações, chamando a substituição de professores por IA de “escárnio”. Eles argumentam que a IA, por si só, é propensa a erros e associações equivocadas de informações, podendo comprometer a qualidade do material educacional.


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Crianças com óculos VR no ensino fundamental (Foto: Getty Images Embed/Sritanan)


Porém, o governo defende a abordagem. O governador Tarcísio de Freitas enfatizou que a IA será um facilitador, não um substituto, e reiterou que o papel do professor é insubstituível na sala de aula.

O processo de implementação envolve várias etapas de revisão, incluindo a avaliação e edição do conteúdo pela equipe de professores curriculistas, revisão de direitos autorais e intervenções de design. A Secretaria da Educação está comprometida em testar essa abordagem de forma criteriosa, priorizando a qualidade do ensino.

Atualmente, a equipe de professores curriculistas da Seduc-SP está trabalhando nesse projeto, que visa modernizar o material educacional e potencializar as estratégias de ensino. O sucesso dessa iniciativa pode abrir novos caminhos para a integração da tecnologia no setor educacional, mantendo sempre o professor como protagonista do processo de ensino-aprendizagem.