Benjamin Netanyahu ordena ataques à Faixa de Gaza rompendo cessar-fogo

Nesta terça-feira (28), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mandou que o Exército israelense voltasse a atacar a Faixa de Gaza. Essa ordem veio por conta de acusações mútuas entre Israel e o Hamas por quebra do cessar-fogo.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) também falaram que, após uma avaliação do ministro da Defesa, Israel Katz, foi aprovado o fim do cessar-fogo. O Exército israelense recebeu ordem para retomar os ataques ao grupo terrorista Hamas nas comunidades próximas à Faixa de Gaza. Segundo Netanyahu, a decisão foi tomada após consultas de segurança.

Decisão de Netanyahu pelo fim do cessar-fogo

O fim do cessar-fogo veio em meio às tensões e acusações mútuas entre Israel e o Hamas, isso porque, após o grupo terrorista entregar restos mortais de um refém israelense já devolvido a Israel anteriormente, a ação foi considerada uma violação do acordo por Netanyahu. Já o Hamas afirma que está comprometido com o cessar-fogo, mas que os ataques de Israel iriam atrasar a busca e recuperação dos corpos de reféns.


Informações sobre a volta do ataque à Faixa de Gaza pela IDF (Foto: reprodução/X/@IDF)

O Hamas havia anunciado que entregaria o corpo de outro refém israelense. Porém, com esse fim do cessar-fogo por parte de Israel, torna-se incerto o andamento das próximas devoluções A entrega de reféns israelenses e prisioneiros palestinos ocorria em um cumprimento à primeira fase do acordo, mas a continuidade da segunda etapa está em dúvida após a retomada dos ataques. Os ataques violam o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, que é o presidente do Conselho.

Acordo de cessar-fogo

O acordo, mediado pelos EUA, tinha como objetivos um cessar-fogo e a troca de reféns entre os dois. Israel concordou em libertar 250 presos condenados por motivos de segurança, além de 1.700 adultos e 22 menores detidos em Gaza durante o conflito. Em contrapartida, o Hamas deveria devolver 20 reféns vivos e 28 corpos.


Imagem do ministro de Defesa de Israel, Israel Katz (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Chip Somodevilla)

O Hamas devolveu os reféns vivos, mas ficaram faltando 13 corpos a serem entregues. Porém, com as tensões altas entre os países, Netanyahu ordenou o fim do cessar-fogo e o Exército israelense voltou a atacar a Faixa de Gaza. Até o momento, os Estados Unidos e outros países ainda não comentaram sobre a quebra do acordo. Agora, um novo entendimento é necessário para garantir a recuperação dos corpos e restabelecer a estabilidade na região.

Trump ameaça Hamas após retomada violenta de Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje, através da rede social Truth Social, que, caso o Hamas continue a matar pessoas em Gaza, a Casa Branca permitirá que Israel reocupe a região e aniquile os membros do grupo. Um dos negociadores da paz temporária no Oriente Médio, Trump advertiu os terroristas acerca do estrito cumprimento do acordo, na busca pela manutenção da trégua.

Hamas mata 33 pessoas em Gaza

À medida que libertava os últimos reféns vivos, na segunda-feira (13), o Hamas retomou de forma violenta o controle sobre a Faixa de Gaza. Supostos colaboradores das forças israelenses foram assassinados nas ruas.

Uma fonte anônima disse à CNN que, desde a interrupção do conflito, 32 membros de “uma gangue ligada a uma família na Cidade de Gaza” foram mortos, assim como seis integrantes dessa mesma família. Mais tarde, vídeos de execuções públicas no que parece ser a localidade puderam ser vistas nas redes sociais, embora não se saiba a data e local exatos da produção do conteúdo.


Guerra em Gaza deixou brutal destruição (Foto: Reprodução/Getty Images Embed/Abdolrahman Rashad/)


A situação não é nova. Historicamente, os vários recuos de tropas israelenses em Gaza, após brutal destruição promovida pelo Estado vizinho, foram acompanhados de repressão àqueles que facilitaram ou lucraram com sua ocupação, o que configura uma afronta aos termos da negociação de paz.

Tropas israelenses também foram acusadas, pela Organização das Nações Unidas, nos últimos dias, de desrespeitar o acordo, ao atirar contra civis palestinos que se aproximaram quando elas se retiravam da região. 

Cessar-fogo é anunciado

A partir da liderança dos Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, foi divulgado na segunda-feira (13) um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, após 2 anos de conflito. 

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas atacou uma festa isarelense na fronteira com Gaza, deixando 1.200 mortos e 251 sequestrados. Israel revidou com brutalidade, fazendo cerca de 67 vítimas palestinas fatais e desencadeando uma crise humanitária na região, que sofre com o precário abastecimento de comida e água.

As recentes negociações possibilitaram o imediato retorno dos reféns mantidos pelo grupo terrorista a suas famílias. Contaram ainda com planos de desarmamento do Hamas e de um futuro sem que esse comande a região, no que poderia culminar com o feito inédito da criação do Estado da Palestina, uma reivindicação histórica da ONU e do mundo árabe.

É ela, a história, no entanto que provê argumentos contrários à esperança de novos tempos: entre diversos cessar-fogo, o conflito já dura quase 80 anos, contando com inúmeros conflitos e tréguas nesse meio tempo.

Ministro da Defesa de Israel elogia Trump e Netanyahu por firmarem acordo

Nesta quinta-feira (9), Israel Katz, Ministro da Defesa de Israel, parabenizou o presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por firmarem a  primeira fase do acordo de paz na Faixa de Gaza. O novo tratado prevê a liberação de reféns que estão sob domínio do Hamas. 

“Agradeço ao Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu e ao presidente dos EUA, Donald Trump, pela liderança que levou ao acordo — e aos heróicos soldados das Forças de Defesa de Israel, cuja coragem, determinação e imenso sacrifício nos trouxeram a este grande momento”, escreveu o ministro no aplicativo Telegram. 

Além disso, Katz também escreveu uma mensagem às famílias dos reféns mantidos pelo Hamas desde o início da guerra e, também, saudou as tropas das Forças de Defesa de Israel, incluindo os mortos. 

A primeira parte do acordo

Na última quarta-feira (8), Israel e Hamas anunciaram que chegaram a um acordo para implementar a primeira parte do plano de cessar-fogo no território da Faixa de Gaza. Esse acordo, apresentado em setembro pelos Estados Unidos, teve negociação mediada pelo Egito, Turquia e Catar. 


Moradores de Gaza comemoram acordo de paz selado entre Israel e Hamas. (Vídeo/Instagram/@bbcbrasil)

De acordo com os pontos discutidos, esta primeira etapa consistirá na liberação de todos os reféns mantidos pelo Hamas desde o início da guerra, em outubro de 2023. Além disso, tropas israelenses devem recuar de suas posições em Gaza. Por fim, o território palestino receberá mais caminhões de ajuda humanitária, com a entrega de comida, água e medicamentos. 

Os corpos dos reféns mortos

Apesar da primeira parte do plano de cessar-fogo incluir a devolução dos reféns e os corpos dos que já foram mortos, o Hamas alega que não sabe onde estão todos os corpos das vítimas. 

Nesse sentido, segundo a imprensa americana, o grupo teria pedido mais tempo para devolver os corpos dos israelenses mortos. Estima-se que dos 48 reféns que permaneciam sob domínio do Hamas, apenas 20 estejam vivos. 

De acordo com a primeira parte do plano, Israel também deve libertar quase 2 mil palestinos, incluindo os condenados à prisão perpétua.

Donald Trump apresenta plano de paz para encerrar guerra em Gaza 

O presidente Donald Trump se reuniu na segunda-feira (29) com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca e apresentou um plano para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. A proposta prevê a criação de um conselho internacional presidido pelo presidente dos EUA, anistia a integrantes do Hamas, caso eles aceitem entregar as armas, e a possibilidade da criação de um Estado palestino no futuro.

Enquanto Netanyahu diz aceitar a proposta, o presidente Trump afirma que o Hamas teria 72 horas para aceitar o acordo. Caso não aceitem, os EUA irão apoiar Israel para eliminar o Hamas de uma vez por todas.

Plano de paz para Faixa de Gaza

O plano presidido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, prevê a libertação de todos os reféns israelenses que estão sob o domínio do Hamas em até 72 horas após o governo israelense aceitar a proposta (em tese, o tempo já estaria correndo, porque o primeiro-ministro israelense havia aceitado o acordo).

Por outro lado, Israel libertaria mais de 1.900 prisioneiros palestinos e iria incluir os 250 que receberam a pena de prisão perpétua. E também, os líderes e integrantes do grupo terrorista Hamas que se renderem receberão anistia pelos crimes e poderão ir embora.

Além disso, o acordo prevê que a ajuda humanitária seria ampliada imediatamente, com entrada de alimentos, medicamentos e materiais para reconstrução. A distribuição seria comandada pela ONU, pelo Crescente Vermelho e por outras ONGs internacionais.


Vídeo: Presidente dos EUA Donald Trump fala sobre plano de paz para Faixa de Gaza (Reprodução/Youtube/CNNBrasil)

Além disso, o plano de Trump indica que Gaza será transformada em uma zona “desradicalizada”, ou seja, livre de grupos armados. O território passará por reconstrução com apoio de um comitê palestino tecnocrático e de especialistas internacionais, sem os líderes de grupos terroristas como o do Hamas. 

Esse conselho indicado pelos Estados Unidos atuará sob supervisão de um novo órgão internacional, o chamado Conselho da Paz, presidido pelo presidente Trump. O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair também deve integrar o conselho, segundo informações divulgadas. Ainda não está claro se Israel participará desse conselho. O Hamas terá túneis, locais de esconderijo e fábricas de armas destruídos, além de uma nova Força Internacional de Estabilização ser criada.

Outras propostas do plano

Ademais, o plano de paz deixa claro que Israel não anexaria o território da Faixa de Gaza. Além disso, as Forças de Defesa de Israel se retirariam gradualmente do local, entregando as áreas. E a Força Internacional cuidaria da segurança do local. A Força Internacional de Estabilização treinará e dará suporte às forças policiais palestinas em Gaza, em consulta com a Jordânia e Egito, que têm experiência próxima à área.


Foto: Faixa de Gaza destruída por conta da guerra (Reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Em síntese, o plano de paz de Trump será executado mesmo com a rejeição do grupo terrorista Hamas. Então, caso o grupo terrorista rejeite o plano, ele irá começar em partes onde o grupo não tem mais poder. Esse plano indica que a Autoridade Palestina tomaria o poder definitivamente, o que consolidaria a criação do Estado Palestino ao final da transição de poderes na Faixa de Gaza. O grupo terrorista Hamas, que tem o Egito e Catar como intermediadores, comentou que não recebeu uma proposta formal ainda, mas que estariam dispostos a analisar positivamente a proposta.

Unicef emite alerta para nível de desnutrição aguda na Faixa de Gaza

A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) emitiu alerta para o nível de desnutrição no território da Palestina nesta terça-feira (16), onde dados levantados pela organização revelou que mais de 26 mil crianças precisam de tratamento para desnutrição aguda.

Alerta máximo

O porta-voz da Unicef, Tess Ingram, afirmou que das 26 mil crianças que precisam de tratamento, 10 mil delas estão concentradas na Faixa de Gaza, área bastante afetada pelos bombardeios e pela falta de suprimentos básicos para a população. No mês de agosto, especialistas em insegurança alimentar da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmaram que a região da Faixa de Gaza estavam em situação de fome. 

Com os bombardeios intensificando na região, muitos palestinos, incluindo crianças em situação de desnutrição, estão sendo obrigados a se deslocarem para a região Sul, e para Ingram, isso representa uma “ameaça mortal” para os mais vulneráveis, que não têm forças e suporte para realizarem o deslocamento de forma segura. 

Deslocamento de civis

Os bombardeios na Faixa de Gaza estão obrigando civis a se deslocarem para a região Sul da Faixa de Gaza. De acordo com dados da Ocha (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) ocorreram mais de 70 mil deslocamentos para a região sul nos últimos dias. No mês passado, foram mais de 150 mil deslocamentos para a mesma região.


Civis palestinos se deslocando em meio aos ataques israelenses (Foto: reprodução/Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images Embed)


Com os deslocamentos em massa, grandes estradas que fazem ligações importantes entre regiões se encontram congestionadas, como a Estrada Al Rashid, que estava com uma grande concentração de pessoas, segundo Tess Ingram, que esteve no local na última segunda-feira (15). 

A região em que os palestinos estão se deslocando não tem estrutura e suprimentos suficientes para abrigar os refugiados. Israel enviou diversos panfletos recomendando o deslocamento de civis para “zonas humanitárias” na região sul. Apesar da recomendação de deslocamento para essa região, as tropas israelenses vêm realizando bombardeios nesses locais onde há grandes deslocamentos, ocasionando em mortes e deixando muitos civis feridos.

Hamas se pronuncia sobre possível investida dos EUA para realocar população Palestina

Um dirigente político do Hamas declarou nesta segunda-feira (1º) que Gaza não pode ser tratada como mercadoria, em reação a notícias divulgadas pela imprensa sobre uma possível proposta dos Estados Unidos que sugeriria a remoção dos moradores da região.

Segundo Bassem Naim, membro da liderança política do grupo, afirmou que Gaza é inegociável e constitui parte inseparável do território nacional palestino.

Possível planejamento

De acordo com informações obtidas pelo jornal norte-americano The Washington Post, o plano em estudo previa a transferência voluntária de quase 2 milhões de habitantes para outros países ou para zonas consideradas seguras dentro da própria Faixa de Gaza, até que a região fosse reconstruída após dois anos de conflitos.


Gaza é uma região de forte interesse estadunidense (Vídeo: reprodução/YouTube/Jovem Pan News)

Um representante do Hamas, que falou à AFP sob anonimato, declarou que o movimento se opõe a qualquer iniciativa que force a saída de palestinos de suas casas enquanto Israel mantém controle sobre o território, classificando tais ideias como ineficazes e desiguais.

Ainda segundo o documento, quem aceitasse deixar Gaza teria direito a um incentivo de US$ 5 mil (cerca de R$ 27 mil), além de apoio financeiro para custear quatro anos de moradia e auxílio alimentar durante um ano.

Reconstrução de Gaza

Segundo o plano descrito, donos de terrenos em Gaza poderiam receber “ativos digitais” como forma de apoio para recomeçar a vida em outro local ou, alternativamente, ter a possibilidade de trocar suas terras atuais por moradias em complexos residenciais planejados, entre seis e oito “cidades inteligentes”, baseadas em tecnologias de Inteligência Artificial, a serem erguidas dentro da própria Faixa.

O Washington Post também relatou que a proposta prevê que a Faixa de Gaza seja administrada, durante um período de dez anos, por um organismo chamado Fundo para a Reconstrução, Aceleração e Transformação Econômica de Gaza (GREAT Trust). Após esse tempo, a administração passaria a uma autoridade Palestina reestruturada e considerada livre de radicalismo.

Questionado pela AFP, o Departamento de Estado dos Estados Unidos não se manifestou sobre o suposto projeto, divulgado poucos dias depois de um encontro oficial em Washington.

Trump planeja reunião para decidir futuro da Faixa de Gaza

Na última quarta-feira (27), o presidente americano, Donald Trump, liderou uma reunião que pautava os planos futuros para a Faixa de Gaza após o hipotético fim da guerra entre Israel e o Hamas. Além do chefe da Casa Branca, estavam presentes o ministro das Relações Exteriores israelense, Gidenon Sa’ar, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. 

A motivação do encontro teria sido adiada pelo enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, que prometeu uma finalização da guerra “de um jeito ou de outro”. Witkoff ainda declarou que o planejamento do futuro de Gaza deve ser traçado nesta quinta-feira (28). 

A motivação do encontro teria sido adiada pelo enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, que prometeu uma finalização da guerra “de um jeito ou de outro”. Witkoff ainda declarou que o planejamento do futuro de Gaza deve ser traçado nesta quinta-feira (28). 

Impasse nas tratativas de resolução da guerra

A reunião da última quarta-feira (27) durou aproximadamente uma hora e foi considerada positiva para ambos os lados. Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores israelense, Gidenon Sa’ar, negou o reconhecimento do Estado da Palestina por parte de Israel, revelando o pensamento da improvável existência de duas nações no território. 


Civis palestinos lutam contra a fome durante a guerra na Faixa de Gaza. (Foto: Reprodução/AFP/Getty Images embed)


Além disso, Egito e Catar redigiram uma proposta de cessar-fogo, na qual foi aceita pelo Hamas no último dia 18 de agosto, no entanto, Israel segue sem dar resposta sobre a tentativa de trégua no conflito. Esse plano, ainda não assinado por Benjamin Netanyahu, prevê uma paralisação da guerra por 60 dias, liberação de reféns,  além da retirada das tropas israelenses do território de Gaza.

Apesar disso, Netanyahu segue ordenando a evacuação dos palestinos na Faixa de Gaza, utilizando-se do uso de bombas e tanques militares que intimidam a população do território. Para o chefe do Estado de Israel, a cidade serve como esconderijo para os membros do Hamas, afirmação negada pelas autoridades palestinas. 

Histórico do conflito

Em 1947 a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a criação do  Estado de Israel em área na qual pertencia à Palestina, com o intuito de solucionar o antissemitismo. Assim, a partir de 1948, a região foi dividida em dois Estados, um judeu, pertencente à Israel e um árebe, pertencente à Palestina

A configuração proposta pela ONU gerou uma série de conflitos históricos entre os dois povos, com a ocupação de judeus em áreas que, inicialmente, deveriam pertencer aos palestinos.

Até o fechamento desta reportagem, desde o início do conflito entre Israel X Hamas em 2023, mais de 62 mil habitantes da Faixa de Gaza foram mortos. Além dos homens mortos em combate há também situações em que mulheres, crianças e idosos, sofrem pelos desdobramentos da guerra com a falta de suprimentos básicos como água e alimento agravam a situação dos civis que permanecem no território. 

Míssil atinge jornalistas e socorristas próximos a hospital em Gaza

Registros feitos tanto do lado de dentro quanto do lado de fora do hospital localizado na Faixa de Gaza captaram o instante em que repórteres e socorristas foram atingidos por um dos projéteis lançados pelo exército israelense nesta segunda-feira (25).

A ofensiva resultou na morte de 20 pessoas, entre elas cinco jornalistas, além de ter deixado muitos feridos, de acordo com informações do Ministério da Saúde do território, administrado pelo grupo Hamas.

Exército assumiu ataque

Um dos registros foi captado dentro do próprio hospital por um jornalista que acabou ferido. Ele documentava o esforço desesperado das equipes de resgate, que atendiam sobreviventes e retiravam corpos do primeiro ataque, quando uma nova detonação devastou o local. O vídeo se encerra rapidamente, encoberto por uma nuvem de poeira.


Imagens do momento do ataque em Gaza nesta segunda-feira (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)

O Exército de Israel assumiu a autoria do bombardeio e declarou lamentar possíveis baixas entre civis não envolvidos, sem explicar quem seria ou qual seria o alvo da ofensiva. A instituição também afirmou que não tinha como objetivo atingir a imprensa, mas evitou esclarecer quem estava na mira. Em comunicado, frisou que as Forças de Defesa de Israel não direcionam ataques deliberadamente contra a população civil. O ministro Benjamin Netanyahu qualificou o episódio como um acidente de grandes proporções, ainda que inevitável dentro da narrativa oficial do governo.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump demonstrou descontentamento com a ofensiva israelense, ressaltando que não deseja assistir a esse tipo de investida. Washington, maior aliado de Tel Aviv, voltou a pressionar por um acordo imediato que garanta a libertação dos reféns israelenses ainda mantidos sob controle do Hamas.

Dificuldades da imprensa em Gaza

Entre os jornalistas assassinados no ataque, estavam um repórter freelancer que colaborava com a agência Reuters, outro vinculado à Associated Press (AP) e dois jornalistas que atuavam para a emissora catari Al Jazeera.

O governo israelense mantém a proibição da entrada de correspondentes estrangeiros e de grandes veículos internacionais na Faixa de Gaza para acompanhar a guerra. A medida viola diretrizes das Nações Unidas que garantem a presença da imprensa em zonas de conflito como mecanismo de transparência e fiscalização. Diante desse bloqueio, as principais agências e canais recorrem a repórteres palestinos para relatar, de dentro dos cenários de guerra.

Forças Armadas de Israel iniciam ação de tomada da cidade de Gaza

Nesta quarta-feira (20), o porta-voz militar das forças armadas de Israel, Brigadeiro General Effie Defrin, anunciou que os primeiros passos das tropas israelenses para tomar a cidade de Gaza estão sendo tomados. O anúncio foi feito após o confronto com o grupo Hamas no sul de Khan Younis, na Faixa de Gaza.

Ação organizada

Em seu anúncio, Effie Defrin destacou que as tropas militares de Israel iniciaram os primeiros estágios para tomarem a cidade de Gaza e que já estão assumindo o controle de algumas regiões em torno da cidade. 

As forças armadas de Israel convocaram mais de 60 mil reservistas para colocar em prática a ação de tomada da cidade. Essa ação ocorre enquanto o governo de Israel negocia e avalia um novo acordo de cessar-fogo. Com essa força tarefa, Israel está avançando em seu plano de dominar o maior centro urbano de Gaza. A tomada da cidade de Gaza ocasionaria o deslocamento em massa de civis, o que preveem as críticas e análises de outros países sobre o plano. 


Soldados israelenses são vistos nas proximidades da fronteira com Gaza (Foto: reprodução/Amir Cohen/REUTERS)

Apesar da movimentação para a ação, um oficial militar afirmou à imprensa que os soldados da reserva não devem se apresentar até setembro. Esse intervalo pode abrir caminho para um cessar-fogo entre o grupo palestino Hamas e Israel.

Confronto em Khan Younis

Na quarta-feira (20), tropas israelenses entraram em conflito com 15 militantes do Hamas, que estavam em túneis e foram atacados por tiros e mísseis antitanque. O confronto aconteceu ao sul de Khan Younis, que fica na Faixa de Gaza. De acordo com o governo de Israel, o confronto deixou soldados feridos. 

As Brigadas Al-Qassam do Hamas emitiram um comunicado confirmando a realização do ataque às tropas de Israel no sudeste de Khan Younis e enfrentaram as tropas israelenses à queima-roupa. Afirmaram que o ataque, que durou cerca de duas horas, atingiu soldados.

Israel planeja controlar Faixa  Gaza e futuramente transferir para as forças árabes

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou a um canal de televisão norte-americano que pretende assumir o controle total da Faixa de Gaza, com a intenção de, posteriormente, transferir a administração do território para forças árabes. A entrevista, concedida à emissora Fox News e divulgada nesta quinta-feira (07), ocorre no momento em que conselheiros israelenses se reúnem para definir os próximos passos militares, exatamente 22 meses após o início da guerra

Controle estratégico territorial

Segundo Netanyahu, o objetivo é derrotar completamente o grupo Hamas, o que, de acordo com estimativas da imprensa local, poderia exigir uma operação militar de quatro a cinco meses. Para isso, seria necessário ocupar regiões densamente povoadas, onde se acredita que parte dos reféns ainda esteja mantida em cativeiro. A estratégia incluiria o deslocamento de civis para o sul do enclave, repetindo práticas adotadas em ofensivas anteriores.

A proposta, que vinha sendo discutida nos bastidores, gerou divergências internas entre o governo e o Exército israelense. Setores militares expressam preocupação de que uma ofensiva total possa levar o Hamas a executar reféns. Apesar dessas tensões, Netanyahu reforçou, em reuniões privadas, que a conquista integral de Gaza é fundamental para atingir o que considera ser a libertação de israelenses e palestinos do controle do grupo.

No cenário internacional, a posição de Israel colide com os apelos por uma trégua definitiva. Países como Inglaterra e França advertiram que reconhecerão formalmente o Estado Palestino caso não haja um acordo de cessar-fogo até setembro. A pressão diplomática busca conter o avanço militar e evitar uma escalada ainda maior do conflito, que já provocou milhares de mortes e um agravamento da crise humanitária.


Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aponta para um mapa da Faixa de Gaza durante uma coletiva de imprensa (Foto: reprodução/ABIR SULTAN/ Getty Images Embed)


Negociação diplomáticas na região

Enquanto as negociações políticas e militares avançam, familiares de reféns israelenses intensificam ações para chamar atenção para a situação de seus entes. Nesta quinta-feira, cerca de 20 parentes partiram em três embarcações rumo à costa da Faixa de Gaza, tentando se aproximar o máximo possível da região onde acreditam que os sequestrados estão. A movimentação foi acompanhada por jornalistas, incluindo um repórter da agência AFP (Agence France-Presse) que relatou a tensão e a incerteza no grupo.

A possibilidade de uma ocupação total de Gaza mantém o impasse entre a estratégia militar de Israel e as demandas internacionais por paz. Com os riscos de novas perdas humanas e a instabilidade regional, o desfecho das próximas semanas será decisivo para definir os rumos do conflito.