Ouro sobe acima de US$ 4 mil com dúvidas comerciais e compras de bancos centrais

O ouro encerrou em alta nesta segunda-feira (3), sendo negociado acima do nível de US$ 4 mil. O impulso ocorre devido às novas compras de banco centrais e pela persistente incerteza de investidores acerca das taxas de juros e da política comercial dos Estados Unidos.

As declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed) são uma das causas das incertezas entre os investidores. O crescente nível de juros dos EUA junto às políticas comerciais entre o país norte-americano e outros países tem causado dúvidas, o que acarretou que o ouro tivesse uma alta e se mantivesse como o principal metal de refúgio na economia.

Mercado do ouro

As negociações de dezembro do ouro na divisão de metais da Nymex (bolsa de Nova York), encerraram o pregão em alta de 0,44%, a US$ 4.014,00 por onça-troy, significando um avanço do metal no mercado global.

De acordo com o banco holandês ING, um dos fatores que o mercado vem analisando é o acordo comercial entre os EUA e a China. Oficializado na semana passada, o acordo recente entre as duas potências trouxe um respiro temporário ao mercado, entretanto, não ajudou efetivamente nas principais divergências.


A situação comercial entre EUA e China é um dos fatores que impulsionaram o ouro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/FREDERIC J.BROWN)


A situação atual aumenta a busca pelo ouro, mas os novos cortes de juros pelo Fed em dezembro mantém as expectativas reduzidas, segundo o ING.

Expectativas sobre os juros

Para o Saxo Bank, o momento atual é incerto, mesmo que os principais motivos pela alta do ouro “permanecem intactos”. Embora esses fatores permaneçam em uma posição de persistência, o ouro enfrenta obstáculos de curto prazo diante da política monetária cautelosa do Fed. De acordo com o banco dinamarquês, quando o momento de correção de juros acabar, os mesmos motivos que alimentaram a alta do metal devem retornar, com previsão para 2026.

Entre os dirigentes do Fed há uma divergência nas próximas decisões. O diretor do Fed, Stephen Miran, mencionou nesta segunda-feira (3), que pretende defender a redução de 50 pb (pontos-base) na próxima reunião monetária em dezembro. Já o presidente da distrital de Chicago, Austan Goolsbee, mencionou que ainda não tomou uma decisão acerca do encontro.

Ouro atinge recorde inédito e se firma como refúgio diante da turbulência nos mercados internacionais

Ouro atinge recorde histórico ao ultrapassar US$ 4.000 por onça, refletindo fatores econômicos e geopolíticos que aumentam a procura pelo metal como ativo de proteção. A expectativa de cortes na taxa de juros do Federal Reserve (Fed), somada à paralisação parcial do governo americano, intensifica a instabilidade nos mercados e eleva a percepção de risco entre investidores.

Os contratos futuros de ouro para entrega em dezembro avançaram cerca de 1,3%, atingindo US$ 4.058, enquanto o ouro à vista negociava próximo de US$ 4.036. Especialistas afirmam que a valorização evidencia o papel do metal como proteção frente à volatilidade cambial e às oscilações financeiras, atraindo atenção de investidores institucionais e privados.

Expectativa de cortes de juros impulsiona valorização

Analistas apontam que a perspectiva de redução da taxa básica de juros nos EUA é um dos principais fatores por trás da alta do ouro. Um corte de 25 pontos-base neste mês, seguido por outra possível redução em dezembro, estimula a demanda pelo metal, que historicamente se valoriza em períodos de juros baixos, preservando valor mesmo sem gerar dividendos.

Peter Grant, vice-presidente de metais, afirma que o ouro atua como um refúgio seguro em tempos de incerteza, destacando que a demanda de investidores institucionais fortalece sua importância estratégica.

Paralisação do governo reforça recorde histórico

A paralisação parcial do governo americano, agora no sétimo dia, interrompeu a divulgação de indicadores oficiais, obrigando investidores a recorrer a dados alternativos e projeções independentes para avaliar o ritmo de cortes de juros. Assim, o cenário reforça a atratividade do ouro, que atinge recorde histórico e segue valorizando-se em períodos de instabilidade política.


Ouro alcança valor recorde no mercado internacional (Vídeo: reprodução/YouTube/G1)

Crises geopolíticas em países como França e Japão pressionam os mercados internacionais, consolidando o metal como principal ativo seguro frente a ações e moedas tradicionais. Enquanto isso, investidores ajustam carteiras para proteger capital e aproveitar oportunidades de valorização.

Compras estratégicas e crescimento do ouro atinge recorde histórico

Valorização do ouro atinge recorde histórico em 2025, acumulando alta superior a 50% no ano, superando os mercados acionários e reforçando sua posição como ativo de destaque. Compras estratégicas de bancos centrais, somadas a aportes em fundos de índice (ETFs), sustentam essa trajetória de valorização.


         Ouro alcança valorização de 50% (reprodução/X/@DocRoger)


A prata acompanhou parcialmente o movimento, registrando crescimento de 2,4% e aproximando-se de seu próprio recorde histórico. Outros metais, como platina e paládio, apresentaram variações mais moderadas, mantendo o foco dos investidores no ouro como principal porto seguro.

Cenário futuro e perspectivas do ouro atinge recorde histórico

Segundo analistas, a evolução do ouro atinge recorde histórico nos próximos meses e dependerá de três fatores: decisões do Fed, paralisação governamental e volatilidade global. Um corte mais profundo de juros ou a extensão da instabilidade política poderia impulsionar ainda mais o metal, consolidando seu papel como refúgio seguro.

Além disso, a demanda deve permanecer elevada, impulsionada por investidores individuais e institucionais que buscam diversificação. Mercados monitoram indicadores alternativos, já que a paralisação limita dados oficiais.

Portanto, ajustes estratégicos em carteiras são esperados, aproveitando oportunidades de valorização e mitigando riscos de desvalorização. A expectativa é que o ouro continue desempenhando papel estratégico, oferecendo proteção contra incertezas econômicas e turbulências geopolíticas.

Consequentemente, especialistas reforçam que a evolução do metal pode impactar ativos correlacionados, como prata, platina e ETFs de metais preciosos, tornando o ouro um termômetro confiável da percepção de risco global. Também, variações no preço do metal influenciam decisões de alocação de capital em mercados internacionais, afetando estratégias de investidores institucionais e privados, fundos de investimento e políticas de reservas de bancos centrais.

Ouro e ações dos EUA batem recordes simultaneamente em meio a otimismo do mercado

O mercado financeiro global assiste a um fenômeno incomum: o ouro e o índice acionário S&P 500 dos EUA atingem picos históricos simultaneamente. Na segunda-feira (22), ambos renovaram suas máximas, um feito que se repetiu seis vezes só neste ano e dez vezes no ano passado. Este alinhamento é notavelmente raro, tendo ocorrido antes, de 1970 a 2023, apenas em duas ocasiões, em 1972, logo após o fim da conversibilidade do dólar em ouro.

Historicamente, esses ativos caminham em direções opostas. O ouro, um tradicional “porto seguro“, prospera em tempos de incerteza e pessimismo econômico. Já as ações costumam subir em cenários de crescimento ou quando a expectativa de estímulo monetário é alta. A convivência atual sugere uma encruzilhada, onde medo e confiança se sobrepõem, ou que uma dinâmica mais profunda está em jogo.

Desvalorização do dólar impulsiona ouro e ações americanas

A principal tese para explicar o inusitado recorde duplo é a forte desvalorização do dólar americano. Analistas como Marko Papic, da BCA Research, e Peter Corey, da Pave Finance, apontam para o enfraquecimento da moeda como o catalisador. O Índice Dólar já recuou 10% neste ano, o que favorece o ouro, cotado em dólares, e torna as ações americanas mais atraentes para investidores estrangeiros.

Este declínio é atribuído, em parte, ao esgotamento do impulso fiscal gerado pelos trilhões de dólares injetados na economia dos EUA durante a pandemia. Segundo Papic, o fim da “dominância fiscal americana” é um ponto de virada.


Ouro e ações dos EUA estão em alta simultaneamente (Foto: reprodução/X/@bahiaeconomica)


Risco de repetição histórica, inflação pode ameaçar os recordes de mercado

O paralelo com o início da década de 1970, o último momento de convergência, é um alerta. Na época, a queda da inflação entre 1970 e 1972 impulsionou as ações. Contudo, a aceleração inflacionária em 1973 levou a um aumento brusco nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), resultando na perda de metade do valor do S&P 500.

Especialistas alertam que a sustentação dos recordes atuais dependerá do rumo da economia: se o crescimento for consistente, as ações podem se decolar e manter a alta; se a inflação ressurgir e o Fed agir drasticamente, o mercado pode enfrentar um desfecho semelhante ao de 1973.

Fed corta juros nos EUA e dólar recua frente ao real

O dólar oscilou nesta quarta (17), após decisão do Federal Reserve (Fed), que anunciou o primeiro corte de juros de 2025. A medida, prevista pelo mercado, pressionou a moeda americana, e o dólar recuou frente ao real enquanto investidores monitoram os próximos passos da política monetária nos EUA e no Brasil. A expectativa é que a Selic, taxa básica de juros brasileira, mantenha-se elevada, reforçando a atratividade do real.

Mercado global reage ao corte de juros do Fed

O Fed reduziu a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, estabelecendo o intervalo entre 4,00% e 4,25%. Além disso, a instituição indicou a possibilidade de mais dois cortes ainda neste ano. A decisão pressionou o dólar, reforçando o movimento de queda frente a moedas de países emergentes, incluindo o real.

O impacto se refletiu globalmente. O dólar oscilou e investidores ajustaram suas posições. No entanto, especialistas apontam que, embora o corte tenha sido modesto, a sinalização dovish do Fed aumenta a probabilidade de capital fluir para mercados com juros mais atrativos, como o Brasil.

Efeito sobre o Brasil e valorização do real frente ao dólar

A manutenção da Selic em níveis elevados no Brasil contribui para sustentar o real frente ao dólar, tornando o país mais atrativo para investidores estrangeiros. Esse diferencial de juros ajuda a sustentar a valorização da moeda mesmo diante de oscilações pontuais no mercado.

Indicadores domésticos mostram um cenário mais complexo: inflação e produção industrial apresentam moderada estabilidade, enquanto o mercado de trabalho mantém sinais de resiliência, indicando um equilíbrio delicado. Analistas ressaltam que a estabilidade do real dependerá tanto do cenário externo quanto das decisões da política monetária interna.


Análise: Dólar recua com expectativa de corte de juros nos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Perspectivas para o dólar e próximos movimentos

A primeira redução de juros do Fed em 2025 contou com apenas uma dissidência: Stephen Miran, indicado por Donald Trump, votou a favor de um corte mais agressivo. Economistas afirmam que o ciclo de ajustes será gradual e controlado, garantindo a estabilidade econômica nos EUA.

Com isso, o dólar recua frente ao real, enquanto investidores observam a continuidade dos cortes americanos e as decisões do Copom. O real pode seguir se valorizando, embora movimentos globais e indicadores internos ainda possam provocar novas oscilações.

Trump solicita novamente demissão de diretora do Fed na Justiça

O governo do presidente Donald Trump apresentou neste domingo (14), outro pedido de emergência a um tribunal de apelações dos Estados Unidos, solicitando autorização para a demissão de Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A ação ocorre dias antes da próxima decisão de política monetária da instituição, marcada para quarta-feira (17), e reacende um debate sobre a independência do Fed frente às pressões políticas.

Em documentos apresentados no sábado (13), os advogados de Cook pediram que o tribunal rejeitasse a tentativa do governo de demiti-la, argumentando que não há razões legais ou fundamentadas para sua demissão. A defesa destacou que a saída da diretora poderia gerar instabilidade econômica, além de comprometer a credibilidade da autoridade monetária norte-americana.

Disputa judicial ganha força

Segundo a equipe jurídica de Cook, a iniciativa de Trump não respeita os limites institucionais do Fed, cuja independência é essencial para conduzir políticas financeiras e de juros de forma técnica, e os documentos dizem que remover uma dirigente do banco central sem motivo prejudica a governança do Fed, e também a estabilidade econômica do país.

A administração de Trump respondeu neste domingo, reiterando ao Tribunal de Apelações do Distrito de Columbia que os argumentos apresentados por Cook carecem de embasamento legal. O governo sustenta que a diretora teria cometido irregularidades relacionadas a suposta fraude hipotecária, justificando a tentativa de afastamento.


Diretora do Fed Lisa Cook (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


Impactos na estabilidade econômica

A disputa judicial volta a colocar em evidência a tensão entre a presidência e o Federal Reserve, organismo que historicamente busca manter autonomia frente ao Executivo, inclusive em períodos de pressão por cortes nos juros ou flexibilização de políticas monetárias. Especialistas apontam que qualquer alteração na direção do Fed pode gerar dúvidas no mercado financeiro, além de impactar decisões de investimento.

O caso de Lisa Cook será acompanhado por analistas econômicos e observadores políticos. Especialistas afirmam que a situação pode estabelecer precedentes importantes, na qual o foco está nos limites do poder presidencial sobre o Federal Reserve. A decisão do tribunal pode influenciar relações entre Executivo e autoridade monetária, e o desfecho também poderá impactar a estabilidade econômica e a confiança do mercado.

Ouro dispara e atinge máxima histórica com expectativa de corte de juros pelo Fed

Nesta segunda-feira (8), pela primeira vez o ouro superou a marca de US$ 3,6 milhões por onça no mercado spot, impulsionados pelas fortes expectativas de que o Federal Reserve (Fed) irá cortar as taxas de juro na próxima semana. Esse movimento do mercado refletiu os dados de empregos nos EUA, reforçando a possibilidade do corte de juros pelo Fed.

Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, afirma que o ouro pode avançar ainda mais, em direção aos níveis de US$ 3,7 mil a US$ 3.730. De acordo com ele, a “continuidade da fraqueza do mercado de trabalho e as expectativas de cortes contínuos nas taxas de juro do Fed até o início de 2026 podem fornecer suporte sustentado para o ouro”.

Expectativa de corte de juros

O impulso positivo do ouro no mercado veio após o relatório de empregos divulgado na última sexta-feira (5) mostrar uma desaceleração notável no crescimento do emprego nos Estados Unidos. Esse dado possibilitou a chance de um corte de juros de um quarto de ponto percentual, estimado em 90% pelo CME FedWatch. Ainda existe uma chance de 10% de um corte maior de 50 bp, com uma redução ainda mais agressiva.

Esse cenário na economia americana tem sido determinante para o avanço do ouro no mercado, com a queda de juros reduzindo a atratividade de outros ativos para os investidores e fortalecendo a busca por metais preciosos. 


O nível de desemprego nos EUA está ligado a alta do ouro (Foto: reprodução/Anadolu/Getty Images Embed)


Fatores estruturais

A valorização do metal precioso também é explicada por meio de fatores estruturais de médio e longo prazo. O ouro já acumula um crescimento de 38% neste ano, após o aumento de 27% em 2024. Entre os principais fatores para a alta estão o enfraquecimento constante do dólar e o aumento de incertezas no cenário comercial internacional. 

Outro fator de peso é o movimento dos bancos centrais. O da China, por exemplo, tem se destacado ao ampliar sua sequência de compras de ouro por dez meses consecutivos até agosto. Esse movimento reforça o valor do ouro atualmente como ativo estratégico.

Já os rendimentos do Tesouro dos EUA atingiram seu nível mais baixo em cinco meses, reduzindo a atratividade relativa da renda fixa e acabando por direcionar as atenções dos investidores para o ouro. De acordo com Fawad Razaqzada, da City Index e FOREX.COM, o movimento avançado do ouro deve acompanhar os dados dos EUA, caso eles continuem a reduzir. Contudo, se os dados americanos demonstrarem resistência, o analista de mercado avalia que os níveis do ouro devem ser corrigidos.

Trump demanda renúncia de diretora do Fed e aumenta a tensão sobre autonomia da instituição

A potencial estratégia de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, reacende um debate crítico sobre a independência do Federal Reserve (Fed), o banco central do país. A instituição, desenhada para operar de forma autônoma e tomar decisões de política monetária sem interferências políticas, tem se tornado um alvo constante de críticas por parte de Trump, que busca uma maior influência sobre suas decisões, especialmente no que se refere às taxas de juros.

Trump mira Lisa Cook em nova ofensiva para influenciar o Federal Reserve

A mais recente investida de Trump se direciona a Lisa Cook, uma das diretoras do Fed nomeadas por Joe Biden. Com base em alegações levantadas por Bill Pulte, um de seus aliados, sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo Cook, Trump pediu publicamente sua renúncia. Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento da Habitação (FHFA), afirmou que Cook teria declarado duas residências como principais em diferentes empréstimos, uma prática que, se confirmada, poderia ter-lhe garantido condições de financiamento mais vantajosas. As acusações, que datam de 2021, antes de sua nomeação para o Fed, foram rapidamente endossadas por Trump em sua plataforma de mídia social.


A diretora é uma das três pessoas nomeadas por Biden cujos mandatos se estendem para além do mandato de Trump (Foto: reprodução/X/@ForbesBR)

A situação de Cook exemplifica um dos principais desafios de Trump para remodelar o Fed. A diretora é uma das três pessoas nomeadas por Biden cujos mandatos se estendem para além de um possível segundo mandato de Trump. Essa particularidade de mandatos longos dificulta os esforços do ex-presidente em preencher a maioria das sete cadeiras do concelho, um passo fundamental para consolidar seu controle. Atualmente, apenas dois dos seis membros restantes foram nomeados por ele: Christopher Waller e Michelle Bowman.

A Luta pelo Controle e o Futuro da Política Monetária

A crítica de Trump ao Fed não é recente. Ele tem se posicionado abertamente contra a postura do atual presidente da instituição, Jerome Powell, defendendo uma drástica redução das taxas de juros para estimular a economia. Embora reconheça as barreiras legais que o impedem de demitir membros do conselho por discordâncias políticas, a estratégia de Trump se concentra em nomear aliados para as vagas que surgem.

A vaga deixada pela recente renúncia de Adriana Kugler, por exemplo, já foi preenchida com a nomeação de Stephen Miran, um nome próximo a Trump. No entanto, o desafio maior é a presidência do Fed. O mandato de Powell se encerra em maio, e Trump poderá nomear um sucessor. Ainda que Powell pudesse, teoricamente, permanecer como diretor até 2028, a tradição sugere que ele não o faria. A luta pelo controle da diretoria, no entanto, pode levar mais tempo, uma vez que os mandatos dos diretores têm duração de 14 anos e não coincidem com os ciclos eleitorais.

Essa busca por influência no Fed levanta sérias preocupações sobre a neutralidade e a estabilidade da política monetária americana. A autonomia do banco central é vista por economistas como um pilar essencial para a credibilidade do dólar e para a condução de políticas que visam o controle da inflação e a manutenção do pleno emprego, sem ceder a pressões políticas de curto prazo. As ações de Trump, ao questionar publicamente a integridade de seus membros e pressionar por mudanças na taxa de juros, alimentam a incerteza e testam os limites de uma das instituições mais importantes dos Estados Unidos.

Trump inicia entrevista para novo diretor do Fed e há favoritos

O presidente dos EUA Donald Trump anunciou nesta quarta-feira(6) que vai entrevistar candidatos para ocupar a vaga de diretor do Federal Reserve(Fed). Há quatro nomes como opção de escolha, mas o provável favorito é Kevin Warsh para atuar na política monetária americana. 

A escolha de Trump

Em entrevista a repórteres no Salão Oval, o presidente americano fez elogios a dois candidatos, ambos coincidentemente chamados Kevin: o então conselheiro econômico Kevin Hassett e o 

ex-diretor do Fed, Kevin Warsh. Entretanto, após indicação de Trump para assumir a cadeira de diretor, o Senado ainda vai ter de confirmar sua nomeação para tomar posse.

“Tomarei essa decisão antes do final da semana”, disse Trump sobre seus planos de nomear um substituto para a diretora do Fed Adriana Kugler, 


Casa Branca (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Aerial Footage)


Por que a nova nomeação?

O candidato escolhido por Trump vai ocupar a vaga deixada por Adriana Kugler, diretora do Federal Reserve (Fed). Kugler fez o anúncio de sua saída do cargo de diretora para esta sexta-feira. Retornando a realizar atividades acadêmicas na Universidade de Georgetown. Mediante isso, quem assumir o cargo de diretor vai cumprir o restante do mandato de Kugler.

O presidente Donald Trump classificou a saída da diretora, antes do término do mandato, como uma “agradável surpresa”. Isso porque, com a abertura desta vaga, o indicado a diretor poderá posteriormente ocupar a presidência do Fed. Sobre Powell, Trump tem sido crítico. Sua insatisfação vem do fato de o presidente do Fed não ter cortado os juros desde que o republicano reassumiu a presidência dos Estados Unidos, em janeiro.

O Fed

O Fed, nos Estados Unidos, equivale ao nosso Banco Central, sendo responsável por garantir a estabilidade econômica e financeira do país. Trump quer corrigir o rumo que a economia está tomando e provavelmente fará mudança na presidência do banco. Entre as determinações do Fed, manter os preços estáveis e promover o máximo nível de emprego.

Trump volta atrás após fazer declarações com a intenção de demitir Jerome Powell

Nesta terça-feira (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar controvérsia ao comentar sobre o futuro de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Em um curto intervalo de tempo, Trump fez declarações contraditórias que reacenderam o debate sobre a independência da política monetária nos EUA.

Durante uma reunião com parlamentares republicanos na Casa Branca, Trump teria sinalizado a intenção de demitir Powell, demonstrando insatisfação com a condução da política de juros. No entanto, no dia seguinte, recuou publicamente, afirmando que a demissão era “altamente improvável”. Essa mudança repentina de postura gerou incertezas nos mercados financeiros, que reagiram negativamente à possibilidade de interferência política no Fed.

Taxa de juros no centro do embate entre Trump e Powell

O principal ponto de tensão entre Trump e Powell gira em torno da taxa de juros. Enquanto o presidente do Fed adota uma postura cautelosa, argumentando que cortes prematuros podem agravar a inflação, Trump pressiona por reduções mais agressivas, com o objetivo de impulsionar o crescimento econômico. Essa divergência se intensificou especialmente diante dos impactos da política comercial adotada por Trump durante seu mandato, que, segundo Powell, contribuiu para a instabilidade econômica.

Do ponto de vista legal, a demissão de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, não é simples e apresenta múltiplos desafios. A legislação americana prevê que o presidente do Fed só pode ser destituído em casos de má conduta grave, e não há precedentes claros sobre a possibilidade de o presidente dos EUA tomar essa iniciativa unilateralmente. Ainda assim, Trump já demonstrou disposição para desafiar normas institucionais em outras ocasiões, o que torna o cenário ainda mais incerto e cheio de controvérsias.


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Matéria da Real time sobre a intenção de Trump na demissão de Powell (Vídeo: reprodução/X/CNBC/@roloureirotv)


Desafios à Autonomia Institucional e o Papel do Congresso

A situação levanta questionamentos significativos sobre os limites da autoridade presidencial e o respeito à autonomia das instituições econômicas vitais para a estabilidade do país. Caso a ameaça se concretize, o Congresso poderá ser forçado a se posicionar diante de uma possível crise institucional sem precedentes, com sérias implicações.

Bitcoin pode estar prestes a iniciar novo ciclo de valorização, segundo analistas

A quantidade de dinheiro circulando nos Estados Unidos aumentou e voltou a animar o mercado de criptomoedas, especialmente o do Bitcoin. Com a quantidade de dinheiro em circulação batendo recordes e os juros estáveis, muitos investidores acreditam que esse aumento na liquidez pode impulsionar o valor do Bitcoin nos próximos meses.

A recente estabilidade nos preços do Bitcoin, após meses de forte valorização, pode estar prestes a ser rompida. Especialistas do setor apontam para sinais macroeconômicos que podem empurrar o ativo para novos patamares ainda em 2025. Entre os principais fatores, destaca-se a crescente oferta monetária nos EUA, indicador que, historicamente, tem forte correlação com o desempenho do Bitcoin.

Liquidez recorde e maior tolerância ao risco

O volume da chamada M2, que mede o dinheiro em circulação, considerando dinheiro em espécie, contas correntes, poupanças e fundos de mercado monetário, atingiu a marca de US$ 22 trilhões, um recorde na história econômica dos Estados Unidos. Há uma relação histórica entre esse crescimento da liquidez e o desempenho do Bitcoin, que tende a seguir a mesma direção da expansão monetária.

Para analistas do setor financeiro, como Matt Mena, estrategista da 21Shares, a trajetória da M2 costuma refletir diretamente na movimentação do mercado cripto. Segundo ele, quando há mais dinheiro disponível na economia, parte desses recursos acaba sendo alocada em ativos digitais, como o bitcoin, impulsionando seus preços.

A expectativa é compartilhada por outros nomes influentes do setor. O empresário do setor de criptoativos Anthony “Pomp” Pompliano chegou a projetar que o preço do Bitcoin poderia alcançar US$ 150 mil ainda este ano, caso a tendência da M2 se mantenha.

Fed sinaliza cautela com juros, mercado reage

Enquanto isso, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, optou por manter as taxas de juros nos níveis atuais, mesmo diante do aumento da inflação projetada após as políticas tarifárias adotadas pelo governo. Jerome Powell, presidente do Fed, explicou que prefere aguardar antes de tomar qualquer atitude. Segundo ele, não é o momento de agir com pressa.

Essa postura já foi criticada por Trump em diversas ocasiões. No dia 30, Trump divulgou uma carta para Powell em que ele diz “Jerome, você está, como de costume, ‘atrasado demais’. Você custou uma fortuna aos EUA e continua custando. Você deveria reduzir a taxa – e muito! Centenas de bilhões de dólares estão sendo perdidos! Sem inflação”. Powell disse que poderiam ter iniciado cortes nas taxas ainda este ano, não fossem as mudanças políticas implementadas pelo próprio Trump.


A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, segura a nota manuscrita de Trump para Powell, durante uma coletiva na Casa Branca, em 30 de junho de 2025 (Foto: reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)


David Morrison, da corretora Trade Nation, avalia que o Fed só deve iniciar cortes nas taxas de juros se o mercado de trabalho dos EUA apresentar sinais claros de enfraquecimento. Até lá, a expectativa é que a política monetária siga estável, permitindo que a alta liquidez continue pressionando positivamente os preços de ativos digitais.