Miu Miu contraria o mercado de luxo e se consagra como o maior fenômeno do universo da moda

Mini saias, micro shorts, looks agêneros, com underwears bordadas, óculos ovais e um forte investimento em tricôs, consagraram a irmã mais nova da Prada como personagem principal dos olhares de toda cadeia industrial da moda. Miuccia Prada transcendeu a inspiração inicial de seu guarda-roupa pessoal e elevou a pequena, historicamente deixada de lado Miu Miu, para o marca de luxo com mais pesquisas no ano de 2024 – segundo o Lyst Fashion Index, de 2020 para cá, as buscas cresceram em 208% e, no início deste ano, recuperou seu título de marca mais quente do mundo.


Coleção Miu Miu Primavera/Verão 2025 (Foto: reprodução/©launchmetrics/spotlight)

O motivo do sucesso? A marca soube transcrever o zeitgeist de toda uma nova geração em peças que traduzem o desejo de “menos é mais”. Com uma estética de beleza peculiar, a Miu Miu construiu efetivamente, durante suas três décadas de história, a imagem de força e ternura que resume a “Garota Miu Miu”. O adjetivo virou lentamente objeto de desejo, e essa necessidade vital de entrar para tal exclusivo clube, de uma maneira ou de outra, resultou em um crescimento de 93% das vendas – aproximadamente US$ 579 milhões somente no primeiro semestre de 2024.


Coleção Miu Miu Outono/Inverno 2022/2023 (Foto: reprodução/©launchmetrics/spotlight)

Em entrevista, a fundadora e entusiasta principal da marca, Miuccia Prada, afirmou que a espontaneidade vital da grife, nasce de sua própria dualidade, podendo ser ‘‘uma garota de 15 anos ou uma senhora à beira da morte”. A fórmula teve sucesso e a identificação que nasce, para muito além de um visual perfeito, se concretiza no estilo de vida das garotas amantes da Miu Miu.

História da marca

Formada como doutora em ciência política e estudando para se tornar uma mímica, a herdeira do império Prada, caminhava em direções opostas às do resto da família. Miuccia aceitou trabalhar ao lado de sua mãe, desenhando bolsas, enquanto se mantinha energética no movimento ativista de direitos das mulheres. Apenas em 1978 ela assumiu a cadeira de seu avô, Maria Prada, como designer-chefe da tradicional grife italiana. 


Miuccia trabalhando na coleção de Outono 1995 da Miu Miu (Foto: reprodução/Instagram/@whatmiuccia)

Ainda com o desejo de se expressar fora dos limites clássicos da grife, Miuccia, em 1992, decidiu criar sua própria linha de peças, uma coleção que refletisse seu estilo mais casual e, ao mesmo tempo, fugisse de sua ancestralidade. Assim, em meio a franjas, pradarias e camurças, nasceu a Miu Miu – nome que deriva do apelido de infância de sua criadora.

O atrativo exclusivo

A aposta da designer deu certo e a Miu Miu chegou na década de 90 com um dos maiores nomes na indústria. Deixando de lado o maximalismo dos anos anteriores, a irmã mais nova da Prada se consagrou ao andar em conjunto com as principais it girls do momento (se é que essa denominação já existia na época), como Chloë Sevigny, Juliette Lewis e Drew Barrymore. 

A estratégia deu tão certo, que a construção da “Garota Miu Miu”, até hoje, é o arquétipo que os entusiastas e a imprensa especializada se referem ao comentar sobre novos nomes que aderiram ao clube, como a modelo Bella Hadid.


Bella Hadid desfilando a coleção primavera/verão 2023 (Foto: reprodução/Victor Boyko/Getty Images Embed)


Hoje, mais diversificada do que antes, ‘‘A garota Miu Miu’’ pode ser tudo: Da rapper Little Simz as atrizes Mia Goth e Cailee Spaeny, da escritora Miranda July à cantora indie Ethel Cain e a aposentada Qin Huilan, expressando cada vez mais a dualidade que Miuccia sempre desejou.

Itens que marcaram época

Ao longo dessa trajetória, a Miu Miu emplacou tendências que dominaram o que seria hit nas próximas temporadas. Desde dos mini vestidos rodados e das icônicas peep-toes que fecharam a década de 2010, até o suspiro de esperança (e uma ótima jogada de marketing) que a marca apostou para enfrentar a decaída em suas vendas, em 2021, ao lançar uma coleção baseada na moda dos anos 90 e convidar Lila Moss, filha de Kate Moss, o nome que mais representava a época, para desfilar a coleção primavera nas passarelas.


Lila Moss desfilando a coleção Primavera/Verão 2021 (Foto: reprodução/©launchmetrics/spotlight)

Novamente, as estratégias de Miuccia vingaram e a Miu Miu continuou trilhando um caminho de sucesso, e responsável pelo retorno de tendências como as sapatilhas, os office looks, a alfaiataria plissada e a ternura das cores bege e cinza. Tudo hit em 2023 e 2024, passou antes pelas passarelas da Miu Miu, por isso não é difícil de acreditar que esse reinado possa continuar em 2025 – assim como o aumentou de vendas no varejo em 58% em 2023.

Através das parcerias, e da conexão com a Geração Z, a Miu Miu desafiou todos os especialistas e continua em alta, contrariando a avalanche de desinteresse que as principais marcas de luxo enfrentam nos últimos anos.

Estética indie sleaze mistura punk, grunge e atitude debochada e retorna como tendência

Novidade para alguns e nostalgia para muitos, o estilo que marcou a geração de blogueiras do Tumblr de 2010 está de volta como uma avalanche no meio das it girls: o indie sleaze, que mistura um  visual propositalmente desleixado, com influências do grunge e do punk, sai das tumbas de noitadas underground do começo da década e, graças a natureza cíclica do mundo da moda, atinge o patamar de tendência novamente.


E se nos últimos anos, acompanhamos um maré de trends, que valorizavam a saúde mental e física, além de um visual put together (“em ordem”, em tradução livre), valorizando o minimalismo, como a estética clean girl, o indie sleaze chega com os dois pés na porta em oposição, trazendo de volta, junto com a ajuda das maiores estrelas do pop atual, como Olivia Rodrigo e Charli XCX, a personagem descontraída e despreocupada da messy girl.

Estilo para além da moda

O fenômeno cultural indie deu seus primeiros passos no final da década de 2000, atingindo seu ápice por volta de 2010. A estética visual que representou o movimento no cenário da moda era totalmente alternativa e despreocupada, refletindo um sentimento de rebeldia e inconformidade. Batizada de indie sleaze a tendência esteve totalmente ligada, durante seu momento de crescimento, a dois pilares principais: o cenário musical, com artistas como Arctic Monkeys, The Strokes e a cantora Lana Del Rey e o mecanismo disseminação, a plataforma online Tumblr, que era febre entre os jovens da época. 


Modelo Kate Moss, no Glastonbury Music Festival em 2005 (Foto: reprodução/Matt Cardy/Getty Images Embed)


Adolescentes ligadas ao universo fashion e amantes da nova tendência passavam horas salvando e publicando fotos que serviam de inspiração na hora de montar os novos looks. E se até então, o indie sleaze parecia novidade, muitos descobriram que na verdade ele já era marca visual registrada de nomes gigantes como Kate Moss, Sienna Miller e Alexa Chung, que com suas camisas xadrez oversized, meia-calças rasgadas e botas western vintage, encarnaram o maximalismo underground, herdeiro do sex appeal do rock dos anos 80.  

Mas, mais do que uma tendência, o indie sleaze consegue reverberar como comportamento pessoal, caminhando contra as normas da sociedade, desde hábitos saudáveis até ostentação de lançamentos tecnológicos, admirando o analógico. Movimento esse, presente atualmente entre a geração Z, que transforma câmeras digitais e fone de ouvido com fio, característicos dos anos 2000, em acessórios de styling. No cenário social, o retorno da estética é uma clara resposta da geração atual ao conservadorismo político, que influencia múltiplos contextos, inclusive da moda.

Indie sleaze comercial

Quebrando o apelo contra-hegemônico de tribo, o estilo chegou ao mainstream ao ser adotado pelas principais estrelas atuais da juventude, como Charli xcx, Addison Rae e Olivia Rodrigo. Peças chunky, comprimentos mini, meias arrastão, rímeis borrados e referências do grunge e gótico estão presente no guarda-roupa (e nas publicações nas redes sociais) dessas estrelas, criando-se um aura maximalista de vivência em noites selvagens e atitude indomáveis, gerando uma vontade de viver o mesmo em quem as acompanha.


Olivia Rodrigo, em sua turnê GUTS, em 2024 (Foto: reprodução/Kevin Mazur/Getty Images Embed)


Além do apelo na cultura pop, o indie sleaze já vem a algum tempo sendo notado em passarelas ao redor do mundo. A passagem de Hedi Slimane, em 2015, na grife Saint Laurent envolveu peças que poderiam facilmente entrar no guarda-roupa de qualquer entusiasta – de cardigãs de tricô desgrenhados, camisas xadrez grandes usadas como vestidos e, o famoso, jeans skinny colado. Assim, fica óbvio que o indie caminha rapidamente para expulsar as estéticas clean do coração das fashionistas, falta saber quanto tempo irá durar no topo e qual a próxima tendência a tomar o seu lugar.

Estampa de oncinha renasce como tendência em oposição ao conservadorismo fashion

No auge de sua estrondosa carreira internacional de modelo, e de meio expediente it girl – antes mesmo dessa nomeação existir –  Kate Moss surgiu publicamente, na nebulosa e intoxicante indústria fashion da década de 90, e afirmou “Estampa de oncinha é tom neutro”. Mal sabia a britânica, que sua defesa da estampa cool, ainda prorrogaria atualmente, com a volta do embate de amor e ódio que a estampa (em termos mais chiques, conhecida como animal print), mais uma vez protagonizaria, agora em meio a geração Z.


Kate Moss fotografa usando apenas casaco animal print, da coleção Outono/Inverno 2009, da Isabel Marant (Foto: reprodução/Isabel Marant/HeyCrazy.com)

Ainda não se tem registros de nenhuma fashionista na história que tenha alcançado um meio-termo nesse embate. A oncinha é tradicionalmente polêmica, e talvez por isso seja tão emblemática, com lugar cativo no hall da fama de estampas atemporais. Mas, para além do ame ou odeie, é inegável que esse statement da moda é cheio de história e significados, já que tecidos com estampas animais são datados desde Antigo Egito, passando pela corte francesa do século XVI, e aterrissando em 2024 com ímpeto e força que só ícone alcançam.

Um suspiro questionador do conservadorismo minimalista

Os últimos momentos no cenário da moda foram dominados por estéticas mais conservadoras, desde old money, herdeiro do preppy, vangloriador de cores claras e logos de luxo minimalistas, até o clean girl e sua estética de beleza natural e sem esforço, dificilmente alcançada pela maioria da população. O fato é que se notou uma onda entre as gerações mais novas, acorrentadas as tendências difundidas em redes sociais, como o TikTok, de uma espécie de conservadorismo de estilos, resultando em um esgotamento mundial de individualidade e personalidade, refletido vice e versa nas principais passarelas do calendário internacional. 

Foi só quando um recente revival dos seriados dos anos 1990 trouxe um suspiro de reviravolta. Segundo Vanessa Hikichi, Senior Account Manager e Trend Expert na WGSN, em entrevista para Glamour, o apoio de jovens ao movimento nostálgico das telinhas, impactou diretamente nas tendências de moda, impulsionado, pelo já mencionado TikTok, resultando em um aumento de cerca de 200% na pesquisa no Google por “Cheetah print” (também lida como leopardo e chita, mas conhecida em solos brasileiros como oncinha).


Dior Outono-Inverno 2023/2024, Paris (Foto: reprodução/©Launchmetrics/spotlight)

O fluxo ganhou nome e o retorno do “indie slaze” foi consagrado como última tendência, levando como maré, além do brilho, couro, cabelos bagunçados e maquiagens borradas, a oncinha de volta às passarelas – como a coleção de outono-inverno 2023/2024 da Dior, onde a print foi uma das protagonistas.  

Mesmo com o aval fashion das maiores maisons internacionais, a padronagem ainda enfrenta o estigma velho conhecido de cafona e vulgar. Talvez, ainda demore, para assim como floral, que entrega feminilidade e romantismo, com visual exagerado e gritante, que oncinha possa deixar de lado a negatividade, e começar a ser enxergada como sinônimo de mulher forte, energética e sexy. 

História em muitas camadas

Se hoje existe um fã-clube para estampa felina, todos os méritos recaem no francês Christian Dior, primeiro estilista a desafiar os padrões colocando-a na passarela, já como tecido e não pele animal. Em sua coleção Monsieur Dior – Alta-Costura Primavera-Verão 1947, foi lançada uma peça, que posteriormente, se tornaria ícone da marca, a estampa de leopardo batizada de Mizza, em homenagem à musa Mizza Bricard.



Casaco Dior, 1947 (Foto: reprodução/Savitry/Getty Images Embed)


Nos Anos Dourados, por volta de 1940, a estampa ganhou outra versão e foi eternizada nas figuras sensuais das pin-ups. Seu retorno veio de maneira tão abrupta e contra-hegemônica quanto o cenário que se configurava, pós-movimento hippie de amor e paz dos anos 1960, a década de 70 marcou a rebeldia de uma juventude mergulhada no universo punk e pelo glam rock, com David Bowie e Debbie Harry como maiores ícones fashion.


Banda de glam rock, The New York Dolls, com peças e acessórios de animal print (Foto: reprodução/Michael Ochs Archives/Getty Images Embed)


As décadas seguintes, de 80 e 90, marcaram o apogeu da estampa no high-fashion. A oncinha retornou, mais uma vez, às passarelas e teve seu auge sob comando de casas como Versace, Roberto Cavalli e Dolce & Gabbana, instigando e caminhando na corda bamba entre cool e cafona. E, pelo que parece, até hoje a estampa continua a desafiar os olhares mais treinados e sempre chegar “chutando a porta”, recriando o mundo da moda, mais uma vez. 

Lily Collins e outros artistas marcam presença na Paris Fashion Week

Nesta segunda-feira (26) teve início a tão aguardada semana de moda na França, a Paris Fashion Week (PFW). Acontecendo aos pés da Torre Eiffel, o evento marca o final da temporada com marcas clássicas desfilando suas coleções para o inverno 2025.

Nesta terça-feira (27), foi a vez da marca francesa Saint Laurent, assinada pelo designer belga Anthony Vaccarello. Como era de se esperar, as peças foram baseadas na transparência, mesclando sensualidade e elegância, característica histórica da marca.

A YSL convidou personalidades para acompanhar o desfile. Lily Collins, Rosy de Palma, Monica Belucci, Kate e Lila Moss, além de Elsa Hosk e Linda Evangelista, tiveram a honra de assistir no front row, ou primeira fila.

Lilly Colins e outras referências fashionistas

Lilly já tem uma ligação especial com a cidade-luz por ter atuado como a carismática protagonista da série “Emily in Paris”. Ela compareceu ao desfile acompanhada de seu parceiro Charlie McDowell, e rasgou elogios a Vacarello em seu perfil do Instagram: “Seus shows são sempre um presente para testemunhar e suas roupas, uma honra vestir. Obrigado por nos receber”, postou.



Rossy de Palma, Monica Bellucci e Kate Moss

Quem absolutamente não passou despercebida na noite foi  Rossy de Palma. A atriz e modelo espanhola conhecida pelo biotipo marcante se tornou presença constante em vários desfiles ao longo de sua carreira. No auge dos seus 59 anos, continua sendo musa de consagrados diretores e estilistas.



Em se tratando de elegância, Monica Bellucci é referência inegável e atemporal. A atriz e modelo italiana, prestes a completar 60 anos, marcou presença no desfile de Saint Laurent demonstrando confiança em seu look deslumbrante destacando suas curvas.


Monica Bellucci na noite de desfiles da YSL (reprodução/Hello)

Entre as celebridades e ícones da moda que compareceram para testemunhar os designs inovadores, presenças como a da modelo Elsa Hosk cruzaram com precursoras das passarelas, como Kate Moss.

Kate Moss se destacou em um look que exemplificava a arte do ‘menos é mais’, com um ar It-girl. Ao lado da filha, a supermodelo e empresária britânica de 50 anos surpreendeu com mini shorts de couro preto e meia-calça transparente.