Na COP30, Brasil exige ação concreta pelo clima

A preparação para a COP30, que acontecerá em 2025 em Belém do Pará, já movimenta discussões em todo o mundo. Em meio às expectativas para a conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou que o evento precisa marcar um novo momento na luta contra as mudanças climáticas. Segundo ele, é hora de transformar as promessas feitas em encontros anteriores em ações reais e mensuráveis.

Durante seu discurso, Lula destacou que a COP30 não pode ser apenas mais uma reunião com discursos ambiciosos e metas vagas. O presidente afirmou que o Brasil está pronto para assumir um papel de liderança global na defesa do meio ambiente, mas ressaltou que isso só será possível se houver compromisso coletivo e responsabilidade compartilhada entre os países.

Brasil quer liderar a transição verde

Ao falar sobre o papel do Brasil na agenda ambiental, Lula lembrou que o país tem um dos maiores patrimônios naturais do planeta, com a Amazônia, o Pantanal e outros biomas essenciais para o equilíbrio climático global. Ele destacou que o governo federal vem reforçando políticas de preservação e combate ao desmatamento ilegal, que já apresentou redução significativa nos últimos meses, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

O presidente também ressaltou a importância de unir desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Segundo ele, é possível gerar emprego e renda sem destruir o meio ambiente. Como exemplo, citou o avanço de projetos de energia limpa e de incentivo à agricultura de baixo carbono. Lula reafirmou ainda que o Brasil quer atrair investimentos verdes, capazes de impulsionar a economia e, ao mesmo tempo, reduzir emissões de gases poluentes.

Além disso, Lula defendeu o fortalecimento da diplomacia ambiental. O governo brasileiro vem buscando aproximação com outros países da América Latina e da África para firmar parcerias em pesquisas e projetos sustentáveis. A meta é apresentar na COP30 um conjunto de compromissos regionais que demonstrem que o combate à crise climática depende da cooperação internacional.

“Queremos mostrar que é possível crescer e proteger a natureza. O Brasil vai liderar pelo exemplo e cobrar o mesmo de outros países”, afirmou Lula, reforçando que o evento de Belém será uma oportunidade de reafirmar o compromisso global com o futuro do planeta.


Presidente Lula na COP30 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Pablo Porciuncula)

Desafios e expectativas para a COP30

Marcada para ocorrer em novembro de 2025, a COP30 reunirá líderes mundiais, cientistas e ativistas para discutir políticas de mitigação das mudanças climáticas. Pela primeira vez, o evento será realizado na Amazônia, o que aumenta o simbolismo e a responsabilidade do Brasil como anfitrião. A escolha de Belém reflete o desejo de dar visibilidade às populações que vivem na floresta e que enfrentam, diariamente, os efeitos da degradação ambiental.

Entre os principais temas que devem ser debatidos estão o financiamento climático, a preservação das florestas, a redução das emissões de carbono e a adaptação das cidades às novas condições climáticas. Especialistas afirmam que a COP30 precisa ir além das promessas e apresentar resultados concretos, especialmente em relação ao cumprimento do Acordo de Paris.

O governo brasileiro aposta em uma conferência inclusiva, com a participação ativa de povos indígenas, comunidades tradicionais e representantes da sociedade civil. Para Lula, dar voz a essas populações é essencial para construir políticas que respeitem a diversidade e o conhecimento local. Ele também destacou que o Brasil pretende propor metas ambiciosas, mas realistas, alinhadas com o desenvolvimento sustentável e a proteção da Amazônia.

Apesar do otimismo, o caminho até a COP30 ainda apresenta desafios. A necessidade de equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental continua sendo um ponto delicado. Além disso, a cooperação internacional nem sempre avança na mesma velocidade das urgências climáticas. Muitos países ainda resistem em adotar medidas que possam reduzir lucros no curto prazo, mesmo que isso comprometa o futuro das próximas gerações.

Lula reconheceu as dificuldades, mas reforçou que a crise climática não pode ser tratada como um problema distante. Ele lembrou que as enchentes, secas extremas e queimadas são sinais de que o tempo para agir está se esgotando. “O planeta está cobrando um preço alto pela nossa demora. A COP30 será o momento de mostrar que aprendemos a lição”, disse o presidente.

Com o olhar voltado para Belém, o Brasil busca inspirar o mundo a agir. A expectativa é que a COP30 se torne um marco histórico, não apenas por reunir os principais líderes globais, mas por transformar discursos em compromissos reais. A conferência será um teste para a capacidade coletiva de enfrentar um dos maiores desafios da humanidade: garantir um futuro sustentável e equilibrado para todos.

Belém se torna o centro do mundo na luta climática durante a COP30

A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, é o palco da nova Cúpula dos Líderes, que começou nesta quinta-feira (6) em Belém, no Pará. A cidade recebe líderes de diversos países para discutir ações contra as mudanças climáticas, em preparação para a COP30, que será realizada oficialmente na próxima segunda-feira (10). O evento acontece em dois espaços principais: a “Zona Azul”, onde ficam os representantes oficiais e jornalistas, e a “Zona Verde”, destinada a ONGs, comunidades indígenas e à sociedade civil.

Agenda lotada dos chefes de Estado

Durante o primeiro dia, o clima foi quente, com pancadas de chuva no fim da tarde, e uma longa recepção marcada por 127 apertos de mão entre chefes de Estado, que foram recebidos pelo grupo paraense Arraial da Pavulagem. O secretário-geral da ONU, António Guterres, foi direto ao ponto, dizendo que o mundo falhou moralmente ao não conter o aquecimento global em até 1,5°C, como prometido no Acordo de Paris. De janeiro a agosto deste ano, a média global já chegou a 1,42°C acima do nível pré-industrial.


líderes mundiais reunidos para a foto (Foto: reprodução/X/@LulaOficial)


Lula faz discurso otimista com relação ao meio ambiente

O presidente Lula abriu seu discurso destacando que ainda é possível reverter os danos ambientais. Ele defendeu ações conjuntas para frear o desmatamento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Também afirmou que o combate às mudanças climáticas deve estar ligado à luta contra a fome, a pobreza e as desigualdades sociais.

Outros líderes também se pronunciaram. O presidente chileno, Gabriel Boric, criticou Donald Trump por negar a crise climática, e o colombiano Gustavo Petro afirmou que o negacionismo americano ameaça o futuro da humanidade. Já o Príncipe William fez um apelo para que esta geração seja a que “inverte a maré” da destruição ambiental.

Lula ainda anunciou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que busca captar até US$ 25 bilhões para financiar projetos sustentáveis. Noruega, França, Portugal, Brasil e Indonésia já confirmaram contribuições, enquanto a Inglaterra, por ora, não aderiu ao fundo.

Fora do evento, manifestações de indígenas e artistas pediram mais ação e menos discurso dos líderes mundiais.

Líder do PT prevê avanço do projeto antifacções apenas após a COP30

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), avalia que o projeto de lei antifacções, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, logo após a megaoperação no Rio que deixou 121 mortos, só deve avançar na Casa depois da COP30.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas acontece entre 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), e deve movimentar a agenda política durante todo o mês. “Não vejo clima para votar um projeto desse à distância”, afirmou Lindbergh, indicando que as discussões devem ser retomadas apenas após o evento.

O que diz o projeto

De acordo com o Ministério da Justiça, o projeto visa atualizar a Lei de Organizações Criminosas e criar uma figura da “facção criminosa”. A pena prevista é de 8 a 15 anos de prisão para grupos que controlam territórios ou atividades econômicas com uso de violência ou ameaça. Os homicídios cometidos por ordem dessas facções poderão chegar a 30 anos de cárcere e serão considerados crimes hediondos.



Lula assina Projeto de Lei Antifacção (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Outros fatores que podem acarretar no aumento da pena são os casos com incidências de que uma facção criminosa mantém contato com outras organizações criminosas independentes, transnacionalidade da organização, apropriação territorial e morte ou lesão corporal a agentes de segurança pública.

Divergências e tensões

Governistas acreditam ainda que a COP30 será uma grande oportunidade para Lula discutir o tema com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e avaliar a unificação do projeto antifacções com o PL antiterrorismo, ideia defendida por parte da oposição e do centrão. Em contrapartida, os aliados do presidente Lula se opõem à proposta que equipara facções ao terrorismo, temendo brechas para interferências estrangeiras e criminalização de movimentos de cunho social. 

Para Lindbergh, o texto “antiterrorismo” pode até causar questões diplomáticas entre Lula e Donald Trump, em um momento de tentativa de reaproximação entre os dois líderes. Na Câmara, o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) propôs a junção dos dois projetos, o que deve acirrar ainda mais o debate quando o tema voltar à pauta após a COP30.

Lula promete nova ligação a Trump se negociações comerciais não avançarem até o fim da COP30

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que pretende entrar novamente em contato com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso as negociações comerciais entre os dois países não avancem até o encerramento da COP30, conferência climática da ONU que está sendo realizada em Belém (PA). A declaração reforça o tom diplomático adotado por Lula diante do recente aumento das tarifas impostas por Washington sobre produtos brasileiros.

Lula lembrou do encontro com Trump

O petista relembrou o encontro que teve com Trump em outubro, na Malásia, quando ambos tentaram amenizar as tensões bilaterais criadas após o governo norte-americano elevar de 10% para 50% as tarifas de importação da maioria dos produtos vindos do Brasil. Segundo Lula, a conversa foi positiva, e houve um compromisso mútuo de buscar um entendimento comercial. Em entrevista, o presidente declarou ter saído do encontro com o presidente Trump com a convicção de que um acordo será firmado. Ele também ressaltou a urgência de iniciar imediatamente as conversas entre os negociadores.

A nova ofensiva diplomática de Lula também reflete uma tentativa de recolocar o Brasil em posição de destaque nas relações internacionais, após anos de distanciamento com os Estados Unidos em temas comerciais e ambientais. O presidente tem buscado reforçar o papel do país como protagonista na transição para uma economia sustentável, tema central da COP30, e aposta que um acordo equilibrado com Washington poderia abrir portas para novos investimentos estrangeiros e parcerias tecnológicas. Assessores do Planalto acreditam que o diálogo direto entre Lula e Trump, mesmo com eventuais divergências políticas, é fundamental para garantir estabilidade nas trocas comerciais e fortalecer a imagem do Brasil como um ator global disposto a negociar com diferentes blocos de poder.

O governo está confiante para um acordo

O governo brasileiro acredita que um novo acordo pode restabelecer o fluxo comercial afetado pelas medidas unilaterais de Trump, especialmente nos setores agrícola, siderúrgico e de manufaturados. Lula destacou ainda que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão preparados para retomar as discussões e, se necessário, viajar aos Estados Unidos nas próximas semanas. Ele afirmou que, se a reunião entre as equipes de negociação não estiver agendada até o final da COP, ele ligará novamente para Trump para resolver a situação.


Lula atual Presidente do Brasil (Foto: Reprodução/PABLO PORCIUNCULA/AFP/Getty Images Embed)


Fontes próximas ao Planalto avaliam que Lula busca equilibrar firmeza e diálogo para evitar um agravamento nas relações com os EUA, país que figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil. A expectativa é de que as negociações avancem ainda neste mês, aproveitando o ambiente diplomático da COP30 e o protagonismo brasileiro nas discussões sobre sustentabilidade e economia verde. Para o governo, um eventual acordo pode fortalecer a imagem do Brasil como mediador global e ampliar as oportunidades de exportação em meio ao cenário de incerteza econômica internacional.

Lula sanciona criação do Sistema Nacional de Educação (SNE)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona na última sexta-feira, 31 de outubro, a lei que cria o Sistema Nacional de Educação (SNE). A medida garante a integração de políticas educacionais no Brasil. Por meio de uma gestão colaborativa entre a União, estados e municípios. O objetivo é ajudar no acesso à qualidade e principalmente, equidade da educação, com um acompanhamento mais eficiente de todo o percurso dos estudantes, desde o ensino básico, até a universidade.

Mudança estrutural no setor educacional

Após a sanção do SNE, o país dá um passo importante em relação à educação no Brasil. A implementação do novo sistema tem como objetivo ajudar na transparência, planejamento e também no controle da educação, visto que estabelece uma coordenação mais integrada entre as esferas do governo. Ainda, com o Sistema Nacional de Educação, o objetivo é tornar a educação mais acessível e eficiente, garantindo o combate as desigualdades regionais que ainda persiste em diversas regiões do país.


Publicação de Lula (Vídeo: reprodução/YouTube/Lula)


Para isso, o SNE vai unificar dados sobre matrículas, frequência escolar, recursos financeiros e outras informações relevantes, facilitando a gestão e o planejamento de políticas públicas. Assim, o sistema permitirá intervenções rápidas em casos de dificuldades de aprendizagem ou evasão escolar, criando um acompanhamento contínuo do aluno ao longo de toda sua trajetória educacional.

Desafios e expectativas para o futuro da educação

Apesar de ser uma medida celebrada por muitos, a criação do SNE ainda traz desafios. De acordo com especialistas, a integração entre as esferas do governo precisam ser bem coordenadas, para que seja possível evitar a desorganização e também falhas no processo. Ainda, é importante que a distribuição dos recursos aconteça de forma justa, e principalmente, priorizando as regiões e escolas que precisam de mais apoio.

A expectativa é que com a criação do novo sistema, ofereça mais transparência e também qualidade de ensino em todo o Brasil. Pois a novidade é vista como uma forma de entregar acesso à educação de qualidade para todas as regiões nacionais, assim superando obstáculos que ainda aflige inúmeras famílias, crianças e jovens no país.

Lula assina projeto de lei antifacção

O governo federal apresentou ao Congresso o projeto de lei conhecido como “antifacção”, que endurece o combate ao crime organizado no país. A proposta cria a figura da “organização criminosa qualificada”, que amplia as punições para grupos que dominam territórios, aliciam menores ou utilizam armas de grosso calibre. Nessas situações, as penas passam a ser mais severas, podendo chegar a 30 anos de prisão em casos de homicídio cometido em benefício da facção.

O que muda na lei com o projeto

A iniciativa surge após a recente onda de violência no Rio de Janeiro, que expôs falhas no enfrentamento a esses grupos. Entre as medidas previstas, estão a apreensão antecipada de bens e valores durante as investigações, a intervenção judicial em empresas ligadas a organizações criminosas e a criação de um banco de dados nacional sobre facções, para mapear integrantes e atividades.

O texto também reforça os mecanismos de investigação e inteligência, autorizando a infiltração de agentes, o monitoramento de presos, o bloqueio de operações financeiras e a cooperação entre estados e União. A proposta marca uma tentativa de resposta mais incisiva do Estado diante do avanço do crime organizado e da influência das facções em diversas regiões do país.


Presidente Lula visa ações legais para combater a violência (Foto: reprodução/Ricardo Stuckert/PR)


Proposta visa aumentar segurança para população

O momento político e social foi determinante para acelerar a proposta. O aumento da sensação de insegurança, as operações policiais intensas em grandes centros urbanos e o fato de a segurança pública voltar a ocupar o topo das preocupações da população levaram o governo a buscar respostas mais concretas.

Se aprovado, o projeto pode representar uma nova etapa no enfrentamento ao crime organizado. A expectativa é que as facções enfrentem maior risco jurídico, menos espaço para atuação econômica e territorial e maior capacidade de investigação coordenada entre os órgãos de segurança. Especialistas, porém, alertam para possíveis efeitos colaterais. Críticos apontam o risco de centralização excessiva de poder, fragilização de garantias processuais e dependência de uma estrutura policial ainda limitada em várias regiões do país.

Apesar das incertezas, o texto é visto como uma tentativa do governo de colocar a segurança pública no centro da agenda nacional e de construir um marco mais duradouro no combate às facções criminosas. O desafio agora será viabilizar a aprovação no Congresso e garantir condições práticas de implementação.

Presidente Lula convoca reunião com ministros após megaoperação no Rio

O presidente Lula convocou nesta quarta-feira (29) uma reunião de emergência com os ministros do governo no Palácio da Alvorada para tratar da situação em que se encontra o Rio de Janeiro, após a megaoperação da polícia ontem (28). De acordo com balanço oficial feito pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de mortos já passa de 130.

A megaoperação – considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro – foi realizada nos complexos da Penha e do Alemão, como forma de combater o CV (Comando Vermelho). O número de mortos durante a ação da polícia ultrapassa o número somado das operações em Jacarezinho (2021), com 28 óbitos, e Vila Cruzeiro (2022), com 24.

Reunião no Palácio da Alvorada

O encontro, convocado pelo presidente Lula, reúne ministros do governo federal para debater a situação alarmante causada pela megaoperação da polícia no Rio de Janeiro. A pauta será tratada na residência oficial da Presidência da República, o Palácio da Alvorada – onde o próprio presidente reside.

Foram convocados os integrantes do primeiro escalão do governo de Lula. Então incluídos: o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin; a ministra de Relações Exteriores, Gleisi Hoffman; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

Em entrevista durante a tarde desta terça-feira (28), após o início da megaoperação, Lewandowski negou ter recebido qualquer solicitação de ajuda do governador Cláudio Castro para a ação policial nos complexos.


Lewandowski comenta sobre a megaoperação no Rio de Janeiro (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNNbrasil)

Megaoperação no Rio

A operação da polícia, realizada no dia 28 nos complexos do Alemão e da Penha – localizados na Zona Norte do RJ -, teve como alvo o Comando Vermelho. Conforme informado pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de óbitos total já está em 132, com 128 sendo civis e 4 policiais. A ação contou com mais de 2.500 agentes, com objetivo principal de cumprir 100 mandados de prisão contra membros e líderes do CV.

Contudo, o número atualizado não bate com o que foi divulgado pelo governo do Rio de Janeiro na terça (28). De acordo com o governo, a operação teria sido terminada com 64 mortos, onde 4 eram policiais.

Nesta manhã, a Praça da Penha acordou com uma fila de corpos estirados no chão, levados pelos moradores do complexo. O total de corpos chegava a 74, mas de acordo com o secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, eles não constavam no número oficial que estava sendo divulgado. Segundo ativistas e moradores da região, os corpos foram retirados de uma área de mata do Complexo da Penha, durante toda a madrugada de hoje.

Lula recebe parabéns durante visita à Malásia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi surpreendido com uma homenagem em plena visita à Malásia. Durante solenidade oficial, ele foi levado ao palco onde lhe foi entregue um bolo, enquanto foi entoado para ele “Happy Birthday to You” em meio ao público presente. O momento descontraído se destacou como um dos mais simbólicos da agenda internacional do mandatário.

Vestido com trajes típicos do país, Lula subiu ao palco acompanhado de autoridades locais e foi saudado de forma calorosa. A celebração inusitada reforça o caráter diplomático mais leve de parte da visita, ao mesmo tempo, em que permite registrar um momento humano em meio às demandas políticas e institucionais.

Contexto da viagem e repercussão

A visita à Malásia faz parte de uma série de agendas internacionais do presidente voltadas ao fortalecimento de relações bilaterais e cooperação econômica. A homenagem com o bolo e os parabéns, ainda que simbólica, foi divulgada amplamente nas redes sociais e também repercutiu entre observadores políticos. A ação remete a gestos de cordialidade que buscam suavizar o tom de negociações e gerar empatia junto aos públicos locais e global.


O presidente Lula tem ganhado prestígio internacionalmente. (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)

Simbolismos e importância diplomática

Embora não constasse da agenda oficial esse momento festivo, a celebração do aniversário presidencial em solo estrangeiro traz simbologia para a diplomacia: humaniza a figura do chefe de estado, rompe formalismos rígidos e cria imagens positivas que reverberam internacionalmente. Além disso, o episódio é também uma lembrança de que lideranças políticas muitas vezes operam em múltiplas frentes, lidar com pautas institucionais e, simultaneamente, demonstrar proximidade com o público. Este instante em Kuala Lumpur ilustra como agendas externas mesclam política, cultura e relações interpessoais.

No cenário nacional, a repercussão do momento também alimenta a narrativa de popularidade e identidade do presidente. Para apoiadores, é imagem simbólica e positiva; para críticos, pode ser vista como distração em meio a temas mais complexos. Ainda assim, foi captado e compartilhado intensamente nas mídias brasileiras.

Em suma, a celebração com bolo e canto de “Happy Birthday” durante visita oficial à Malásia acrescenta uma camada leve à missão diplomática de Lula. Mais do que gesto protocolar, simboliza que, em diplomacia como em política, os momentos humanos podem abrir janelas de conexão entre povos e lideranças.

Abertura Histórica: Japão muito perto de importar carne bovina brasileira após 25 anos

O mercado de carne bovina do Japão, reconhecido por seu alto poder aquisitivo e exigência rigorosa, está a poucos passos de receber o produto brasileiro, segundo declarações enfáticas do Ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro. A expectativa é que o acesso, que esteve suspenso por mais de duas décadas e meia, seja concretizado ainda no decorrer deste ano, representando um significativo impulso para o agronegócio nacional.

Em entrevista concedida à Bloomberg News na Malásia, Fávaro ressaltou que o processo de abertura, que estava “paralisado há mais de 25 anos”, encontra-se na fase derradeira. A principal barreira sanitária foi superada no início deste ano, quando o Brasil obteve a certificação internacional como país livre de febre aftosa sem a necessidade de vacinação — um pré-requisito fundamental imposto pelo rigoroso sistema japonês.

Brasil prestes a conquistar mercado japonês

“Está avançando rapidamente. Algo que estava paralisado há mais de 25 anos agora está muito próximo de acontecer, restam apenas alguns detalhes”, afirmou o Ministro, indicando que a conclusão do protocolo sanitário final é o último obstáculo antes da liberação comercial.

A concretização deste acordo é vista como um movimento estratégico com implicações que transcendem as fronteiras bilaterais. O Japão, um dos maiores importadores globais de carne bovina, historicamente dependeu substancialmente do fornecimento vindo dos Estados Unidos e da Austrália. A entrada do Brasil, que já é o maior exportador mundial da commodity, adiciona uma nova e poderosa fonte de suprimento ao mercado nipônico.


 

Gados no pasto (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)

Concorrência acirrada e diplomacia estratégica

Este cenário surge em um momento delicado para os exportadores americanos. A carne brasileira, ao ganhar acesso a um mercado premium como o japonês, pode ofuscar as vendas dos EUA, que já enfrentam um recuo de 50% nas exportações para o mercado americano após a imposição de tarifas na gestão anterior. Além disso, os produtores de gado dos EUA enfrentam atualmente uma severa escassez de rebanho, elevando os custos e reduzindo lucros dos frigoríficos locais.

O caminho para esta abertura foi pavimentado com intensa movimentação diplomática. Autoridades japonesas realizaram inspeções sanitárias no Brasil ao longo do ano, e o próprio Presidente Luiz Inácio Lula da Silva se engajou diretamente nas negociações durante sua visita a Tóquio em março, declarando na época: “O Brasil está pronto”.

Expectativas cautelosas e transição política

Gilberto Tomazoni, diretor-presidente da JBS NV, manifestou otimismo sobre o potencial do mercado japonês para a exportação de “cortes nobres”, mas ponderou que a consolidação das vendas pode ser gradual. Mercados de alta exigência como o japonês demandam tempo para a construção de relações comerciais sólidas baseadas na qualidade consistente do produto.

Apesar do avanço ter se iniciado sob a administração japonesa anterior, a confirmação final agora ocorrerá sob um novo governo, após a recente eleição de Sanae Takaichi como Primeira-Ministra. O Ministério da Agricultura brasileiro celebra a notícia como parte de um esforço mais amplo, citando a abertura de 466 novos mercados para produtos brasileiros desde o início do atual mandato presidencial, com a meta de alcançar 500 até 2026.

Donald Trump faz elogios a Lula após reunião

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (27) que o encontro com Lula transcorreu de forma bastante positiva, destacando o bom clima da conversa, embora não tenha confirmado a assinatura de um acordo imediato. Por outro lado, Lula demonstrou otimismo, dizendo acreditar que um tratado comercial entre Brasil e Estados Unidos deve ser concluído nas próximas semanas.

Durante suas declarações, Trump fez elogios ao chefe de Estado brasileiro, descrevendo-o como um líder enérgico e admirável, além de cumprimentá-lo pelo aniversário de 80 anos, celebrado no mesmo dia.

Encontro na Malásia

Os dois chefes de Estado mantiveram uma conversa de cerca de uma hora em Kuala Lumpur, capital da Malásia, naquele que foi o primeiro encontro presencial oficialmente agendado entre ambos. Durante a reunião, Donald Trump demonstrou surpresa com a idade de Lula, descrevendo-o como um homem cheio de energia e disposição. Em tom descontraído, Lula fez uma brincadeira mencionando a proximidade de seu aniversário, comentando que o americano poderia até “provar um pedaço de bolo”.


Encontro entre os presidentes (Vídeo: Reprodução/YouTube/Metrópoles)

Segundo o republicano, ainda é cedo para saber o que será definido, mas há interesse mútuo em avançar nas tratativas. Ele também indicou que está aberto a discutir novos entendimentos sobre as tarifas aplicadas ao Brasil, destacando que considera justa a política atual, mas que vê com bons olhos uma negociação futura.

A declaração ocorreu após a reunião bilateral que marcou o pontapé inicial das negociações entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo de encontrar uma solução para as tarifas de 50% impostas por Washington a produtos brasileiros.

Negociação pode render frutos

As tratativas comerciais entre Brasil e Estados Unidos começaram oficialmente nesta segunda-feira, um dia após o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump. Uma delegação brasileira de alto escalão, composta pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelo ministro da Economia, Fernando Haddad, deverá viajar a Washington na próxima semana para dar continuidade às negociações.

Após a reunião, Lula manifestou confiança nos desdobramentos das conversas, afirmando que acredita na possibilidade de um entendimento satisfatório entre os dois países. O presidente brasileiro também mencionou que pretende manter contato direto com Trump sempre que considerar necessário durante o processo de diálogo.

Durante o encontro, os líderes também abordaram outros temas sensíveis da política internacional, entre eles a situação de Jair Bolsonaro, as relações com a China e a crise diplomática entre os Estados Unidos e a Venezuela.