79 países estão com hospedagem confirmada na COP 30

Nesta última quarta-feira, dia 17 de setembro, a Secretaria Extraordinária para a COP 30 (Secop) apresentou um balanço ao Bureau da UNFCCC. O relatório mostrou que 79 delegações já estão com hospedagem confirmada para a COP 30, evento organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que acontecerá em Belém, no mês de novembro. Segundo o balanço, outras 70 delegações continuam em negociação.

Preços das diárias: uma dificuldade 

O preço das diárias tem sido um debate entre a ONU, o Governo do Brasil, o Governo do Pará e as delegações. Em conjunto, os órgãos responsáveis definiram que as diárias não devem ultrapassar 600 dólares para parte das delegações participantes. A ONU havia definido que países em desenvolvimento pagariam no máximo 144 dólares; porém, a organização retrocedeu: para aliviar custos, o valor da Diária de Subsistência (DSA) subiu 53 dólares e passará a custar U$197. 

O governo brasileiro afirma que Belém tem por volta de 42 mil quartos disponíveis para a COP 30. São 8.166 quartos de hotel; 3.882 em navios; 7.354 quartos disponíveis na Bnetwork, plataforma de aluguel oficial da COP 30, e mais de 23 mil anúncios de aluguel por temporada. O custo médio das diárias mais baratas disponíveis na Bnetwork é de 350 dólares: perto de R$2 mil, na cotação atual. 


Apresentação dos locais onde a COP 30 vai acontecer (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


Para tentar resolver a situação em relação à falta de quartos e aos preços abusivos, o secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), Simon Stiell, sugeriu que as delegações diminuíssem a quantidade de participantes. “Tendo em vista as limitações de capacidade em Belém, gostaria de solicitar gentilmente que os chefes do sistema das Nações Unidas, agências especializadas e outras organizações relevantes revisem o tamanho de suas delegações na COP 30 e reduzam o número de delegações sempre que possível”, disse Simon Stiell. 

A COP 30 em Belém

Belém foi escolhida como cidade-sede da COP 30 durante a COP 28, em 2023, que aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. É a primeira vez que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas acontece em uma cidade da Amazônia. O evento acontece em novembro, no Parque da Cidade. 

Relatório de órgão da ONU sobre recursos hídricos globais alerta sobre futuro

Nesta quinta-feira (18/09), a Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão parceiro da ONU, publicou no seu site oficial, um relatório sobre o estado dos Recursos Hídricos Globais 2024. O relatório busca monitorar o estado dos rios, reservatórios, gelos, águas subterrâneas, solos, entre outros componentes do ciclo hidrológico. Seu objetivo é ampliar uma visão global sobre os extremos hídricos, baseada em dados, e orientar ações de adaptação, gestão e proteção dos recursos hídricos.

O documento aponta que apenas um terço das bacias hidrográficas do mundo registrou condições normais no ano passado, nas outras houve excesso ou escassez de água. Por meio deste relatório é possível entender e comparar o que está fora dessa normalidade, os extremos de seca e enchentes, tanto no mundo quando no Brasil. 

Extremos no Brasil

Em território nacional, a estiagem na Amazônia, que já foi sentida com muita força em 2023, atingiu 59% do território nacional em 2024, comprometendo principalmente rios, transportes fluviais e comunidades próximas aos rios. os principais reservatórios do país, Serra da Mesa (GO), já foi reportado que estava com 23% de sua capacidade total. Sobradinho–BA, teve momentos de reservas muito baixas, porém hoje ela está com 38% (o que é melhor, mas ainda sob risco dependendo do período de estiagem). Reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo, o volume médio estava por volta de 38,4% nos sete sistemas principais, pode parecer alto, entretanto para um reservatório que abastece a maior Metrópoles do Brasil é algo insuficiente.


Vídeo: Sobre a seca na Amazônia (Vídeo: reprodução/BBC News Brasil/YouTube)

Alguns especialistas alertam que isso aumenta o risco de apagões e encarece a conta de luz, já pressionada pela bandeira vermelha patamar 2, acionada devido ao baixo nível dos reservatórios dos rios. Por outro lado, no Sul, enchentes deixaram 183 mortos e milhares de desabrigados, e, para os especialistas, esses extremos hídricos serão mais prolongadas, com secas há longo tempo e enchentes mais intensas, isso ocorre por conta de o planeta estar ainda mais quente.

Relatório sobre situação no mundo

Em 2024, foi o terceiro ano consecutivo em que todos os glaciares monitorados perderam massa. Isto é, águas congeladas que derreteram e se juntaram à água líquida do mar, portanto contribuindo para o aumento do nível do mar no mundo. O relatório traz exemplos da crise em várias regiões, como, por exemplo, seca no sul da África, enchentes na Europa, ciclones na Ásia e chuvas intensas na região do Sahel, na África Ocidental todos elas passaram da normalidade de tempo e quantidade.


Vídeo explicando o efeito estufa (Vídeo: reprodução/Toda Matéria/YouTube)

O relatório afirma que, em 2024, a temperatura da superfície do mundo ficou, em média, 1,55 °C acima dos níveis pré-industriais. O efeito estufa é um dos principais fatores, mas os esforços para combatê-lo nos últimos anos pelos países ainda não são suficientes. O que demonstra a não eficácia no combate a ele. O relatório deixa explícito também que por muitas vezes não conseguiu cobrir todas as áreas e é necessária uma cooperação maior dos países, investir nesses monitoramentos e sistemas de alerta precoce para extremos hidrológicos.

Unicef emite alerta para nível de desnutrição aguda na Faixa de Gaza

A Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) emitiu alerta para o nível de desnutrição no território da Palestina nesta terça-feira (16), onde dados levantados pela organização revelou que mais de 26 mil crianças precisam de tratamento para desnutrição aguda.

Alerta máximo

O porta-voz da Unicef, Tess Ingram, afirmou que das 26 mil crianças que precisam de tratamento, 10 mil delas estão concentradas na Faixa de Gaza, área bastante afetada pelos bombardeios e pela falta de suprimentos básicos para a população. No mês de agosto, especialistas em insegurança alimentar da ONU (Organização das Nações Unidas) afirmaram que a região da Faixa de Gaza estavam em situação de fome. 

Com os bombardeios intensificando na região, muitos palestinos, incluindo crianças em situação de desnutrição, estão sendo obrigados a se deslocarem para a região Sul, e para Ingram, isso representa uma “ameaça mortal” para os mais vulneráveis, que não têm forças e suporte para realizarem o deslocamento de forma segura. 

Deslocamento de civis

Os bombardeios na Faixa de Gaza estão obrigando civis a se deslocarem para a região Sul da Faixa de Gaza. De acordo com dados da Ocha (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) ocorreram mais de 70 mil deslocamentos para a região sul nos últimos dias. No mês passado, foram mais de 150 mil deslocamentos para a mesma região.


Civis palestinos se deslocando em meio aos ataques israelenses (Foto: reprodução/Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images Embed)


Com os deslocamentos em massa, grandes estradas que fazem ligações importantes entre regiões se encontram congestionadas, como a Estrada Al Rashid, que estava com uma grande concentração de pessoas, segundo Tess Ingram, que esteve no local na última segunda-feira (15). 

A região em que os palestinos estão se deslocando não tem estrutura e suprimentos suficientes para abrigar os refugiados. Israel enviou diversos panfletos recomendando o deslocamento de civis para “zonas humanitárias” na região sul. Apesar da recomendação de deslocamento para essa região, as tropas israelenses vêm realizando bombardeios nesses locais onde há grandes deslocamentos, ocasionando em mortes e deixando muitos civis feridos.

Chefe de Direitos Humanos da ONU implora pelo fim do ataque de Israel à Gaza

Volker Turk, Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), suplicou pelo fim da invasão terrestre de Israel à Gaza. Após o início da ocupação, nesta terça-feira (16), o exército israelense declarou que a ofensiva deve durar meses. A ação, que tem como objetivo a tomada do controle da região, já matou mais de 100 palestinos, de acordo com lideranças locais. 

Expansão dos ataques 

O exército israelense iniciou uma ofensiva terrestre na Cidade de Gaza, que, segundo eles, tem como objetivo destruir a infraestrutura do Hamas. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as forças do país só vão recuar quando a missão for concluída. O chefe dos Direitos Humanos da ONU apelou à comunidade pelo fim da “carnificina”. Volker questionou os bombardeios a abrigos e áreas residenciais, os definindo como uma expansão dos ataques. 


Postagem de Volken Turk condenando o ataque de Israel a membros do Hamas em Doha na semana passada (Foto: reprodução/X/volker_turk)

Cerca de 100 mil habitantes deixaram a região após pedido de Israel, que anunciou um novo corredor de fuga para acelerar a saída dos moradores para a região sul. A ONU alertou que a ocupação terrestre de Gaza pode levar ao deslocamento forçado de 1 milhão de palestinos. A União Europeia anunciou que planeja sanções e rompimento de acordos comerciais com o governo de Benjamin Netanyahu.  

Histórico do conflito e genocídio

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada após o ataque do Hamas a Israel, que matou cerca de 1200 pessoas em outubro de 2023. De acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza, assegurados pela ONU, até agosto deste ano, mais de 61 mil palestinos já haviam morrido em decorrência da ofensiva. Uma investigação do jornal britânico, The Guardian, identificou que 42 mil dos mortos eram civis. 


Ataque israelense a prédio de Gaza nesta semana (Vídeo: reprodução/YouTube/folha de s. paulo)

A Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas constatou que Israel cometeu genocídio em Gaza. O texto conclui que o governo israelense executou 4 das 5 práticas genocidas definidas pelo Direito Internacional, que são: assassinato de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso; consumação de danos físicos e mentais; imposição condições de vida calculadas para provocar destruição física total ou parcial; imposição medidas destinadas a impedir nascimentos.

ONU considera “preocupante” demora de vistos dos EUA para delegação brasileira

A Organização das Nações Unidas declarou, nesta segunda-feira (15), que a lentidão na emissão de vistos para representantes do Brasil que participarão da Assembleia Geral em Nova York é motivo de “preocupação”. O porta-voz do secretário-geral António Guterres, Stéphane Dujarric, ressaltou que a situação deve ser resolvida rapidamente. “Obviamente, é preocupante. Esperamos que os vistos sejam entregues, como enfatizamos no caso da delegação palestina”, afirmou.

Papel dos Estados Unidos como país-sede

Dujarric destacou que os Estados Unidos, como nação anfitriã da ONU, têm responsabilidades legais a cumprir. “O acordo de sede exige que os EUA, nosso governo anfitrião, facilitem a viagem para os Estados Unidos das pessoas que têm negócios diante desta organização”, declarou. O Brasil já havia levado o tema ao comitê de relações com o Estado-sede, em reunião realizada na última sexta-feira (12), demonstrando apreensão com a morosidade.

A uma semana do início da Assembleia Geral, marcada para o dia 23, parte da delegação brasileira continua sem a documentação necessária. Entre os nomes pendentes está o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Temos indicação do governo americano que os que ainda não foram concedidos estão em vias de processamento. Não tenho como especular sobre qual vai ser o resultado desse processamento”, explicou o diretor do Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, Marcelo Marotta Viegas.


Preocupação com vistos para comissão brasileira após a condenação de Bolsonaro (Vídeo: reprodução/Youtube/@veja)


Soberania e obrigações legais

Viegas ressaltou que, embora a decisão final sobre a concessão de vistos seja soberana dos Estados Unidos, existem regras específicas quando se trata da ONU. “Ainda que nos casos dos vistos para participação na assembleia da ONU exista uma obrigação claramente estabelecida no acordo de sede que obriga conceder esses vistos. Qualquer medida que não se conforme com o que está estabelecido no acordo é uma violação legal”, afirmou.

Até o momento, o governo brasileiro não soube detalhar quantos integrantes da comitiva ainda aguardam autorização para entrada em solo americano. A situação ocorre em um contexto de tensões diplomáticas, já que a gestão de Donald Trump tem adotado medidas mais duras em relação ao Brasil. O impasse reforça a importância do debate sobre a obrigação do país-sede em garantir a participação plena de todas as delegações nos trabalhos da ONU.

Belém receberá mais de 130 delegações na COP 30, segundo governo do Pará

Na última sexta-feira, dia 12 de setembro, a vice-governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), declarou que a cidade de Belém está apta a receber a COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), e que 135 delegações já confirmaram presença. O evento acontecerá em novembro, no Parque da Cidade. 

A COP 30 em Belém

A COP 30 trouxe polêmicas a respeito da cidade de Belém. A principal foi a respeito dos valores de acomodações, que inflacionaram os preços de forma absurda. Um dos hotéis, que tinha diárias no valor de 70 reais, subiu o valor para mais de 6 mil reais — um aumento de mais de 3.000%. Depois de viralizar na internet, o hotel baixou o preço da diária para cerca de 2 mil reais. 


CNN Brasil fala da COP 30, em Belém (Vídeo: Reprodução/YouTube/@CNN Brasil)

Os valores, tidos como absurdos, fez com que representantes de delegações pedissem que a COP 30 mudasse de cidade-sede, ou desistissem de participar do evento. O presidente da Áustria, Alexander Van der Bellen, desistiu de trazer a delegação austríaca para Belém: “Os custos particularmente altos para a participação do Presidente Federal na COP deste ano, além da delegação austríaca de negociadores, não estão dentro da estrutura orçamentária apertada da Chancelaria Presidencial por razões logísticas”.

Depois das polêmicas, órgãos públicos do governo do Pará trabalharam em conjunto ao Procon, para combater práticas abusivas no setor de hospedagem da cidade de Belém. Uma das resoluções foi disponibilizar 2.500 quartos individuais, com tarifas fixas entre 100 e 600 dólares.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas

A COP é um evento organizado pela Organização das Nações Unidas anualmente. Sua finalidade é reunir representantes dos países do mundo com cientistas, pesquisadores e especialistas, para discutir as mudanças climáticas. Além disso, a COP é utilizada para promover o conhecimentos dos impactos do aquecimento global, e para pensar em medidas para enfrentar as mudanças climáticas.

ONU aprova criação de Estado Palestino sem participação do Hamas

A Assembleia Geral da ONU adotou, nesta sexta-feira (12), por 142 votos a favor, 10 contra e 12 abstenções, uma resolução conhecida como “Declaração de Nova York” que respalda a criação de um Estado Palestino livre da participação do Hamas, excluindo o grupo terrorista do governo futuro. A proposta, apresentada por França e Arábia Saudita, marca um momento histórico, mas repleto de desafios diplomáticos e práticos.

O contexto histórico do conflito Israel-Palestina

O conflito entre israelenses e palestinos é centenário, remontando ao fim do Império Otomano, ao Mandato Britânico, à partilha proposta pela ONU em 1947, e à guerra que levou à criação de Israel em 1948. Após guerras, ocupações e tensões contínuas, os territórios da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental permanecem como pontos centrais das disputas. 


Manifestante mostra cartaz ilustrando dissolução do território palestino ao longo das décadas (Foto: reprodução/Beata Zawrzel/Getty Images Embed)


O Hamas, grupo islâmico-militar, venceu eleições legislativas em 2006 e assumiu o controle de Gaza em 2007, o que levou ao bloqueio israelense e a repetidos confrontos com Israel. Desde então, sua presença armada tem sido considerada um dos maiores obstáculos à paz duradoura e ao reconhecimento de um Estado Palestino viável.

A resolução da ONU e as posições dos envolvidos

A nova resolução, apoiada por 142 países, defende “passos tangíveis, com prazo e irreversíveis” para implementar a solução de dois Estados, onde o governo palestino — mais especificamente a Autoridade Palestina — assumiria o controle, contanto que o Hamas seja desarmado e não participe do governo. 


Resultado da votação que propôs a criação de um Estado Palestino (Foto: reprodução/Angela Weiss/Getty Images Embed)


Israel e Estados Unidos votaram contra, argumentando que a resolução deixa de lado negociações diretas, garante condições questionáveis de segurança e exige pré-condições vistas como inviáveis. O Hamas, por sua vez, rejeita sua exclusão do futuro Estado palestino e se recusa a abrir mão de seu arsenal, alegando ser legítimo representante político e militar em Gaza.

Por que um Estado Palestino ainda não saiu do papel?

A dificuldade em consolidar um Estado Palestino está ligada a uma série de fatores. As fronteiras nunca foram plenamente definidas, especialmente em relação à Jerusalém e aos assentamentos israelenses. A segurança é outro ponto sensível, já que Israel exige garantias contra ataques, enquanto palestinos exigem o fim da ocupação.

Além disso, há divisões políticas internas: a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia, enquanto o Hamas domina Gaza. Essa fragmentação dificulta negociações unificadas. O reconhecimento internacional também é desigual, e a viabilidade econômica e institucional do futuro Estado continua sendo um desafio.

Caminhos adiante

A resolução aprovada aumenta a pressão sobre Israel e seus aliados para aceitarem um processo com prazos definidos, enquanto cobra dos palestinos maior unidade política e a exclusão de grupos armados. Ainda que não tenha força vinculante imediata, o texto representa um sinal do desejo global por uma solução de dois Estados.

O verdadeiro teste será a capacidade das partes envolvidas de transformar o apoio diplomático em avanços concretos, conciliando segurança, soberania e representatividade política. Só assim será possível abrir caminho para um Estado Palestino reconhecido de fato e de direito.

Ataque a ônibus em Jerusalém deixa mortos e feridos

Um ataque a tiros dentro de um ônibus em Jerusalém, nesta segunda-feira (8), deixou seis mortos e mais de dez feridos, sendo seis deles em estado grave, de acordo com o governo e os serviços de emergência de Israel. Segundo a agência Associated Press (AP), dois atiradores entraram em um ônibus e começaram a atirar. A polícia de Israel informou em comunicado que os suspeitos foram “neutralizados”.

Israel aponta ameaça e cobra resposta ao terrorismo

O governo de Israel afirmou em sua conta na rede social X (antigo Twitter), que o ataque em Jerusalém evidencia a ameaça que o país enfrenta. A nota destacou que os atiradores miraram qualquer pessoa próxima ao ônibus, e que a resposta de Israel é direcionada a todos que apoiam o terrorismo.

O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, confirmou o número de mortos. Já sobre os feridos, os dados variam: a polícia aponta 11, o serviço de resgate 12, e o gabinete do premiê Benjamin Netanyahu fala em mais de 12.

Segundo a agência Associated Press (AP), o ataque aconteceu em um cruzamento na entrada norte de Jerusalém, em uma estrada que leva a assentamentos judaicos na região leste da cidade, na Cisjordânia. A região é palco de conflitos por causa dos planos de Israel de expandir os assentamentos e, eventualmente, anexar a Cisjordânia, ação que contraria normas internacionais.


Pessoas correndo após tentativa de ataque terrorista em Jerusalém (Vídeo: reprodução/X/@hoje_no)

Até a última atualização, ainda não se sabe quem realizou o ataque nem o motivo. O grupo Hamas, que está em guerra contra Israel desde outubro de 2023, elogiou a ação de dois “combatentes da resistência palestina”, mas não assumiu a autoria.

Netanyahu promete reação dura após ataques em Jerusalém

O serviço de ambulâncias informou que as vítimas são um homem de 50 anos, uma mulher também com cerca de 50 e três homens de aproximadamente 30 anos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu esteve no local após o tiroteio ser controlado. Ele voltou a prometer a destruição do Hamas e disse que tomará “medidas ainda mais duras” na região.

Netanyahu declarou que as forças de Israel estão em busca dos responsáveis pelo ataque e de todos que tenham ajudado ou apoiado os terroristas. Segundo ele, os ataques não enfraquecem o país, mas reforçam a determinação de Israel de continuar suas operações em Gaza e na Cisjordânia. O Exército de Israel informou que enviou soldados ao local do ataque e, junto com a polícia, procura possíveis cúmplices.


Foto e vídeo do ônibus atacado em Jerusalém (Vídeo: reprodução/X/@SachaRoytman)

Embora ataques menores tenham acontecido nos últimos meses, o último ataque em massa foi em outubro de 2024. Na ocasião, dois palestinos da Cisjordânia abriram fogo em Tel Aviv, matando sete pessoas e ferindo várias outras. O Hamas assumiu a autoria daquele ataque.

Segundo dados da ONU, entre o início da guerra e julho de 2025, pelo menos 49 israelenses foram mortos por palestinos em Israel ou na Cisjordânia. No mesmo período, forças e civis israelenses mataram pelo menos 968 palestinos nessas regiões.

Governo Trump pode impedir acesso de autoridades brasileiras à sede da ONU

Em coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca nesta sexta-feira (5), o presidente norte-americano, Donald Trump, revelou que não descarta a possibilidade de restringir os vistos de representantes brasileiros que pretendem participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) deste ano. 

“Estamos muito chateados com o Brasil. Já aplicamos tarifas pesadas porque eles estão fazendo algo muito lamentável”, disse o republicano, que impôs taxas de até 50% aos produtos brasileiros, em vigor desde 1º de agosto. 

Insatisfação com o governo brasileiro

Apesar de afirmar que ama e mantém uma excelente relação com o povo do Brasil, Trump acusou as autoridades brasileiras de terem se voltado radicalmente para a esquerda, o que, segundo ele, prejudica o país. O presidente norte-americano afirmou que o governo dos Estados Unidos vai analisar a situação.


A decisão de restringir vistos de autoridades brasileiras pode elevar tensão diplomática (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

Uma decisão política, e não econômica, fez com que Trump elevasse as taxas de produtos importados sobre o Brasil por causa do que ele chama de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação penal que acusa Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do estado democrático de direito e criminosa foi o argumento usado pelo republicano.

Outros governos em risco

Além das autoridades brasileiras, representantes de outros países-membros da ONU também podem ser impedidos de entrar nos Estados Unidos para partiticipar do encontro mundial. 

Cerca de 80 representantes palestinos que participariam da assembleia deste ano tiveram seus vistos negados ou revogados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos no dia 29 de agosto. Dentre estes, está o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas; ainda não está evidente se ele poderá ir até Nova Iorque, onde é esperado para discursar na assembleia anual.

A Associated Press teve acesso a um memorando interno do Departamento de Estado americano e informou que as delegações do Irã, Sudão e Zimbábue podem sofrer sanções do governo Trump. Seus representantes podem ser impedidos de viajar para fora do estado, de fazer contatos com outras autoridades norte-americanas ou reuniões bilaterais fora do estado, além de também poderem ter seus vistos negados ou revogados.

Estados Unidos como anfitrião

O “Acordo de Sede da ONU” (1947) estabelece que os Estados Unidos não podem impedir o acesso de representantes estrangeiros à sede das Nações Unidas. No entanto, o governo americano se defende sob a alegação de que pode negar vistos por questões de “segurança, terrorismo e política externa”


Tratado estabelece as condições de operação da sede da ONU em Nova Iorque (Vídeo: reprodução/X/@Boscardin)

A decisão do governo dos Estados Unidos em restringir o acesso de líderes mundiais ao país pode impactar as relações bilaterais entre os países-membros e o papel que os Estados Unidos desempenham como país anfitrião de organismos internacionais. 

A abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU acontecerá no próximo dia 23, na sede da organização em Nova Iorque. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar no evento, devido a uma homenagem ao diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, por sua atuação no início da organização. Em seguida, os Estados Unidos discursam como país anfitrião.

Crise Climática pode redesenhar o “mapa da pobreza” infantojuvenil na América Latina até 2030

A Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quinta-feira (28), divulgou dados sobre os impactos das mudanças climáticas no desenvolvimento de crianças e adolescentes latino-americanos e caribenhos. Até 2030, conforme o relatório, 5,9 milhões de pessoas nesta faixa etária poderão ser afetadas devido aos danos causados pelo efeito estufa e pela falta de financiamento climático. 

O estudo, que é uma parceria entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL), analisou os impactos climáticos no Brasil e em mais 17 países da região, projetando cenários sombrios caso medidas urgentes não sejam adotadas.

Impactos climáticos

Segundo o relatório, a crise climática não é apenas uma questão ambiental, uma vez que está diretamente ligada à realidade social de milhões de crianças e jovens na América Latina e no Caribe. Conforme o documento, se nada for feito de forma efetiva, a situação tende a se agravar, lançando milhares de crianças e jovens destes países à pobreza extrema. Podendo quase triplicar a projeção inicial, alcançando 17,9 milhões de jovens em situação de vulnerabilidade.


Publicação sobre o estudo referente aos impactos do clima na América Latina (Foto: reprodução/X/@ONUNews)

Além do impacto direto, o relatório chama atenção para as “perdas e danos” que comprometem o desenvolvimento satisfatório dos jovens e sua qualidade de vida. A falta de acesso a serviços de saúde, nutrição adequada e saneamento básico interfere diretamente na capacidade cognitiva e no bem-estar desta parcela da população. 

Apesar destes dados, o estudo denuncia que apenas 3,4% do financiamento climático multilateral é direcionado às iniciativas voltadas para o público infantojuvenil. Evidenciando a necessidade urgente para uma mudança nas prioridades e maior proteção dos mais vulneráveis, desde os primeiros anos de vida.

Regiões mais afetadas

O relatório apontou o nordeste brasileiro como uma das áreas críticas onde os efeitos das mudanças climáticas são mais severos. O “Cone Sul”, formado por Argentina, Chile e Uruguai, também é uma região que merece mais atenção. Além do “Corredor Seco” da América Central, entre o Sul do México e o Panamá, regiões expostas a eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e furacões. 

Para os analistas, esses fenômenos não apenas colocam em risco a integridade física das crianças e jovens, mas também prejudicam seriamente seu acesso a direitos básicos como educação, moradia, água potável e alimentação.  Sem uma atuação coordenada, de acordo com o estudo, a desigualdade tende a se aprofundar, perpetuando um ciclo de pobreza e exclusão que poderia ser evitado com planejamento, investimento e compromisso político real.


Conferência sobre Desenvolvimento Social que acontecerá entre 2 e 4 de setembro de 2025, em Brasília, capital federal (Foto: Reprodução/X/@cepal_onu)

A Unicef e a Cepal destacam que a resposta à crise climática deve ir além da redução de emissões. Para os analistas, é fundamental garantir políticas públicas que fortaleçam os serviços sociais e promovam a resiliência das comunidades. Também reforçam a importância da educação ambiental nas escolas como ferramenta para preparar as novas gerações. Segundo informaram, para evitar que a pobreza adicional se concretize, seriam necessários entre US$ 10 e US$ 48 bilhões de dólares em recursos para proteger crianças, adolescentes e jovens com menos de 25 anos.