O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não participar da cerimônia oficial de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai. A decisão foi confirmada pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty, que informou que o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, responsável por assinar formalmente o tratado em nome do país.
Embora Lula não esteja presente no ato oficial, o governo brasileiro reforça que o presidente apoia o acordo e participou ativamente das negociações finais. Nos dias que antecederam a assinatura, Lula se reuniu com lideranças europeias no Brasil, incluindo representantes da Comissão Europeia, para alinhar os últimos detalhes do entendimento fechado após mais de duas décadas de tratativas entre os blocos.
Ausência não altera posição do Brasil sobre o acordo
Segundo integrantes do governo, a decisão de Lula de não viajar ao Paraguai não representa recuo nem desconforto em relação ao conteúdo do acordo. O presidente defende o tratado como estratégico para o Brasil e para o Mercosul, especialmente pela ampliação do acesso a mercados europeus e pela consolidação de regras comerciais entre os dois blocos.
Nesse contexto, a assinatura formal por parte do Brasil será feita pelo chanceler Mauro Vieira, que representará o país na cerimônia oficial em Assunção, ao lado de autoridades dos demais países do Mercosul e da União Europeia. O governo avalia que a representação ministerial é suficiente para formalizar o compromisso assumido nas negociações diplomáticas já concluídas.
Cerimônia reúne países do Mercosul e líderes europeus
O evento no Paraguai marca a formalização política do acordo entre os blocos, após o entendimento técnico ser fechado no fim de 2025. Estão confirmadas as presenças do presidente paraguaio, Santiago Peña, anfitrião da cerimônia, e do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. A participação do presidente argentino, Javier Milei, é aguardada até a véspera do evento.
Presidente Lula encontra presidenta da comissão europeia, Ursula Vender Leyen (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)
Pela União Europeia, representantes das principais instituições do bloco acompanham o ato, que simboliza a conclusão de um dos acordos comerciais mais longos da história recente. O tratado envolve os 27 países da UE e os membros do Mercosul, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo em termos de população e volume econômico.
Próximos passos e necessidade de ratificação
Apesar da assinatura nesta sábado (17), o acordo não entra em vigor de forma imediata. O texto precisa passar por processos de ratificação nos parlamentos nacionais dos países envolvidos, especialmente na União Europeia, onde há debates sobre impactos ambientais, regras sanitárias e concorrência agrícola.
Para o governo brasileiro, a assinatura representa um passo político decisivo, mas o foco agora se volta à tramitação interna e à implementação gradual das regras previstas no tratado. A ausência de Lula na cerimônia não altera o conteúdo nem o andamento do acordo, mas evidencia o cuidado diplomático adotado pelo Planalto em um tema sensível e de longo alcance econômico.
