Senado autoriza devolução de tarifas altas em exportações nacionais

Foi aprovado nesta terça-feira (1), pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, um projeto com procedimentos para o governo responder diretamente os países ou blocos que barrem a comercialização de produtos brasileiros, aplicando, por exemplo, tarifas altas em produtos nacionais, como vem ocorrendo no governo Trump.

Segundo o texto do projeto, o governo federal poderá agir diretamente quando as decisões unilaterais estrangeiras:

  • violarem ou prejudicarem os acordos comerciais do Brasil;
  • ameaçarem ou aplicarem sobretaxas; ou
  • decretarem critérios ambientais para produtos brasileiros, mais rígidos do que os aplicados para os mesmos produtos nos países importadores.

Teresa Cristina fala sobre a “PL da reciprocidade” (Vídeo: reprodução/X/@tvsenado)

Resposta às tarifas altas

A proposta é apoiada pelo governo e pela bancada do agronegócio, vindo como uma resposta a dois casos que estão impactando a balança comercial brasileira, envolvendo a União Europeia e os Estados Unidos.

No caso do primeiro, há medidas contra a agropecuária brasileira, e oposição ao acordo com o Mercosul, com a assinatura pendente até então, por falta de compromisso ambiental.

E no governo de Donald Trump, cada vez mais os Estados Unidos anunciam taxas maiores para produtos estrangeiros, fechando o país do mundo, e impedindo que ocorra uma transação global.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) contou que, sendo aprovada, esta lei não serve apenas para os EUA, mas sim para todos os países que realizam comércio exterior com o Brasil, sendo uma proteção para com os produtos nacionais.

Próximos passos para a PL

O texto da chamada “PL da reciprocidade” é apoiada pelo presidente Lula, que já discursou a favor do Brasil retribuir as taxas altas que forem atribuídas por outros países.

Hoje, seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil não aplica tarifas específicas para quaisquer países, mediante o princípio da “nação mais favorecida”, que prevê a proibição do favorecimento ou penalização de outro participante da OMC com tarifas.

Caso não haja recurso para uma votação no plenário principal do Senado, o projeto seguirá para análise na Câmara dos Deputados.

Guerra tarifária: Donald Trump ameaça União Europeia com “penalidades adicionais”

Em coletiva de imprensa na quarta-feira (12), o presidente dos EUA Donald Trump, ameaçou impor tarifas adicionais à União Europeia, caso levem adiante o plano de aumentar tarifas sobre produtos americanos.

A fala de Donald Trump deve-se ao fato de que o parceiro comercial de longa data, a União Europeia, recebeu com críticas e retaliação às tarifas impostas, por Trump,  de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio realizadas pelos EUA. 

Aos repórteres da Casa Branca, Donald Trump declarou: 

“O que quer que eles cobrem de nós, nós estamos cobrando deles. (…) Claro que responderia com mais tarifas se a UE seguisse com seu plano” Donald Trump

Entre os principais produtos exportados pela União Europeia para os EUA destacam-se: automóveis e veículos a motor, máquinas, medicamentos, produtos farmacêuticos, produtos químicos, além de alimentos e bebidas

Segundo a União Europeia, nesta guerra comercial, a economia será prejudicada com as tarifas impostas por Donald Trump. Sobretudo a indústria de bebidas alcoólicas que responde com uma grande fatia do mercado de exportação. 

As tarifas de 25% sobre produtos derivados de aço e alumínio impostas pelos EUA entraram em vigor na última quarta-feira (12). 

Tarifas retaliatórias aos EUA pela União Europeia

A presidente da Comissão da União Europeia, Ursula von der Leyen, usou as redes sociais para se manifestar contra as tarifas impostas pelos EUA à Europa. Declarando que: “Tarifas são impostos. Elas são ruins para os negócios e ainda piores para os consumidores. Hoje, a Europa toma contramedidas fortes, mas proporcionais.


Discurso de Ursula von der Leyen contra taxação dos EUA à Europa (Vídeo: reprodução/X/@vonderleyen)

A União Europeia declarou que as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump ao bloco europeu são injustificadas e que o pacote “contra-tarifas” que entrará em vigor a partir de 1º de abril (2025),  é uma resposta “rápida e proporcional”.  

O bloco europeu a apresentou um pacote tarifário e impôs taxação aos EUA em 28 bilhões de dólares americanos. Os impostos incidem sobre itens como barcos, motocicletas e eletrodomésticos, além de produtos industriais, agrícolas, têxteis e alimentícios.

Canadá entra na guerra tarifária  contra EUA

Dominic LeBlanc, Ministro das Finanças do Canadá, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, anunciou, também, um pacote “contra-tarifas” destinado a produtos dos EUA. O montante equivale a 29,8 bilhões de dólares canadenses.

De acordo com LeBlanc, as tarifas estão destinadas a produtos derivados de aço e alumínio, além de produtos de ferro fundido, produtos esportivos e computadores. As tarifas estão previstas para entrarem em vigor na data de hoje (13).

O Ministro das Finanças canadense, usou as redes sociais para dizer que: “As tarifas dos EUA impostas ao aço e alumínio canadenses são irracionais. Em resposta, o Canadá imporá tarifas recíprocas.“


Postagem de Dominic LeBlanc em resposta as tarifas impostas pelos EUA (Reprodução/X/@DLeBlancNB)

De acordo com o Departamento de Comércio dos EUA, em 2024, o Canadá forneceu aos estadunidenses aproximadamente 6 milhões de toneladas de aço. Sendo o maior exportador do produto para os EUA.

“Imperialista revisionista” diz Emmanuel Macron sobre Vladimir Putin 

Durante o encerramento da reunião extraordinária do Conselho Europeu, que aconteceu em Bruxelas na Bélgica, na última quinta-feira (06), o presidente da França, Emmanuel Macron, subiu o tom contra Vladimir Putin, após o presidente russo dizer que  “lamenta que ainda haja pessoas que querem voltar aos tempos de Napoleão”. 

“Napoleão liderou conquistas.  A única potência imperial que vejo hoje na Europa se chama Rússia. (…)  (Vladimir Putin) é um revisionista imperialista da história e da identidade dos povos”
Emmanuel Macron

O presidente francês também declarou que as negociações de Moscou com os Estados Unidos, para um cessar-fogo na Ucrânia, não eram para uma “paz duradoura”, mas sim “para retomar melhor a guerra” .

Tensões entre França e Rússia

Na quarta-feira (04), em um discurso nacional de pouco mais de 13 minutos, em horário nobre, o presidente francês pediu o rearmamento europeu e cogitou sobre a possibilidade de dissuasão nuclear.

Segundo Macron, o presidente russo “é uma ameaça existencial duradoura para todos os europeus” e classificou a guerra na Ucrânia como “um conflito global”.


Trecho do discurso do presidente Emmanuel Macron ao povo francês (Vídeo: Reprodução/ YouTube/ @euronewspt)

Em seu discurso, Emmanuel Macron, ainda, disse estar pronto para discutir sobre a possibilidade de colocar a Europa sob o “guarda-chuva nuclear” francês. Isso significa que, países que não possuem armamentos nucleares fiquem sob “proteção” daqueles países que possuem esse tipo de armamento e, caso, sejam atacados com armas nucleares, sejam defendidos e protegidos por estes países.

De acordo com o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), os Estados-Nações que legalmente possuem o direito a armamento nuclear são: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. 

Resposta da Rússia 

Em contrapartida, o porta-voz oficial da Rússia, Dmitry Peskov, acusa o governo francês de não pensar em Paz e por estar inclinado a dar continuidade à guerra na Ucrânia.

“O discurso foi de fato extremamente confrontacional. Dificilmente poderia ser percebido como um discurso de um líder que estava pensando em paz (…) Em vez disso, pelo que foi dito, pode-se concluir que a França está pensando mais em guerra, em continuar a guerra”  (Dmitry Peskov em resposta às declarações de Emmanuel Macron)


Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov e o presidente russo, Vladimir Putin (Foto: Reprodução/ Contributor / Getty Images Embed)

Ainda assim, segundo o Kremlin, termo usado para se referir ao governo russo, a França não representa ameaça, já que a Rússia tem saído vitoriosa das batalhas travadas em território ucraniano. 

Lideranças do Ocidente reafirmam apoio à Ucrânia e a Zelensky

Uma reunião acalorada no Salão Oval da Casa Branca nexta sexta-feira (28) entre Volodymyr Zelensky, Donald Trump e J.D. Vance, provocou a reação imediata de autoridades do Ocidente em favor do presidente ucraniano e seu país. A Ucrânia sofre graves consequências de uma guerra contra a Rússia desde 24 de fevereiro de 2022. 

O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que existe um agressor nesta guerra, que é a Rússia, e um povo sendo atacado, que é o ucraniano. Macron constatou terem tomado uma decisão acertada ao defender a Ucrânia desde o início do conflito, bem como ao sancionar o país russo. Por isso, devem continuar a fazê-lo. Agradeceu aos países que têm oferecido apoio ao país atacado e fez questão de citar os Estados Unidos, o Canadá e o Japão. Em seguida, reforçou que é preciso respeitar aqueles que estão lutando por sua dignidade, independência, filhos e pela segurança de toda a Europa. 

Autoridades internacionais apoiam ucranianos publicamente

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou Zelensky por sua dignidade e o encorajou a continuar sendo forte, corajoso e destemido. A líder afirmou que a Europa continuará trabalhando para que a paz se estabeleça de forma justa e duradoura. 

“Você não está sozinho, querido presidente.”

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia

Seguindo o exemplo da líder europeia, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, declarou que o governo canadense permanecerá ao lado da Ucrânia e seus cidadãos na conquista pela paz. Trudeau fez uma postagem na rede social X (ex-Twitter) e destacou a coragem e resiliência daquele povo em sua luta por democracia, liberdade e soberania, em uma luta que importa a todos.


Primeiro-ministro canadense define invasão da Rússia à Ucrânia como ilegal e injustificável (Foto: Reprodução/X/@JustinTrudeau)

Analistas geopolíticos ficam chocados

O encontro entre Zelensky e o governo americano causou consternação e surpresa, por fugir das práticas diplomáticas amigáveis adotadas pelos governos ao redor do mundo até hoje. O analista geopolítico da Globo News, Guga Chacha, confessou estar em choque e disse: “Isso nunca ocorreu. Eles, literalmente, brigaram. O Trump e o Zelensky brigaram. O Trump tratando o Zelensky como inimigo, um criminoso.” O professor da Fundação Getúlio Vargas e colunista do Estadão, Oliver Stuenkel, chamou a atenção para a necessidade da Europa dar suporte militar à Ucrânia de maneira imediata e rápida, transformando o apoio público em ajuda concreta para garantir a sobrevivência do país. 


Legendado: veja íntegra da discussão entre Donald Trump, Volodymyr Zelensky e J.D. Vance (Vídeo: Reprodução/YouTube/Metrópoles)

De acordo com a rede de notícias Reuters, o chanceler alemão Olaf Scholz viarajá para Londres no próximo domingo (2) para participar de um encontro de líderes da União Europeia para discutir a resposta que será dada à pressão de Donald Trump sobre a situação na Ucrânia. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, receberá líderes da Itália, Polônia e outros aliados, e possivelmente Volodymyr Zelensky também, para conversar sobre os gastos de defesa e segurança da região. 

Donald Trump promete aplicação de tarifas em produtos da União Europeia

Os líderes europeus estão enfrentando tensões comerciais com os Estados Unidos devido às ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas sobre produtos europeus, é o que promete o presidente Donald Trump em uma entrevista, embora não tenha dado uma data, declarou que “com certeza” irá acontecer, o que acabou por impactar o mercado de ações europeu, segundo site G1.

Eles não levam os nossos carros, não levam os nossos produtos agrícolas: eles não levam quase nada, e nós pegamos tudo”, disse Trump justificando sua decisão de impor tarifas à UE. As taxas devem entrar em vigor nesta terça-feira (4).


Vídeo sobre taxas que Trump deve impor ( Vídeo: reprodução/@uolnews)

Diálogo com líderes do Canadá e México

Donald Trump Planeja nesta terça-feira realizar telefonemas separados, com primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, para uma discussão sobre as tarifas que anunciou.

Em resposta, a União Europeia afirmou, que “responderá com firmeza”, caso venha a ser taxada pelos Estados Unidos, segundo a Comissão Europeia, as tarifas baixas promovem o crescimento e também a estabilidade econômica.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que uma guerra tarifária seria uma “corrida para o abismo” e destacou a importância de negociar com os EUA para evitar uma escalada nas tensões comerciais. 

O bloco europeu ainda declarou que as relações comerciais e investimentos os Estados Unidos são mais importantes e globais e por isso devem ser fortalecidas, um porta voz fez uma declaração à EuroNews que “as tarifas criam perturbações econômicas desnecessárias e promovem a inflação, sendo prejudiciais para todas as partes”.

Já o ministro da Indústria da França, Marc Ferraci, sobre a necessidade de uma resposta ao que chamou de “ameaças” de Trump, afirmando que é crucial que os EUA esteja preparados para reagir.

Reações do México, Canadá e China

Os países, Canadá e México prometem retaliar, caso as promessas de Donald Trump venham a se cumprir.  A presidente do México Claudia Sheinbaum falará sobre seus planos esta semana, enquanto Trudeau falou sobre tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos dos EUA.

A China também pode ser atingida por uma taxa de 10%, e promete contramedidas correspondentes, não especificando quais serão estas ações. Trump respondeu que pode aumentar ainda mais as tarifas em caso de retaliação.

Próximo à posse de Trump, México e União Europeia fecham acordo

Na última sexta-feira (17), o México e a União Europeia fecharam um novo acordo comercial, próximo da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente eleito havia advertido ambos os locais sobre tarifas extremas para exportações na próxima semana.


Donald Trump fala sobre cobrar tarifas altas (Vídeo: Reprodução/X/@GloboNews)

O acordo entre México e União Europeia

O contrato, que ainda precisa ser aceito pelos dois governos, faria com que o México retirasse as altas tarifas inseridas nos produtos da UE, como queijo e vinho.

Seu principal objetivo é elevar as exportações europeias em áreas-chave, como o comércio eletrônico e serviços financeiros, além de fortalecer a cadeia de abastecimento de matérias-primas essenciais, e estimular investimento da União Europeia no México.

Ademais, as empresas de ambos os locais terão acesso aos contratos governamentais do outro país; a UE com acesso aos contratos do México, e vice-versa.

Parceria comercial entre América Latina e Europa

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a UE deseja fortalecer ainda mais a parceria de confiança já existente entre os países, estabelecendo um relacionamento e cooperação mais profundo, o que favorecerá grandemente a população e a economia.

Segundo Leyen, caso o acordo seja aceito, agricultores e empresas alimentícias se privilegiarão, pois, novas possibilidades de negócios surgirão.

Foi afirmado ainda que esta decisão histórica é a prova de que o comércio aberto, com base em regras, auxilia a segurança econômica e prosperidade, além de auxiliar para a ação climática e o desenvolvimento sustentável dos locais.

Em toda a América Latina, o México é o segundo maior parceiro comercial da UE, conforme dados da comissão, que informou que o comércio de bens entre os locais totalizou 82 bilhões de euros (US$ 84,39 bilhões) em 2023.

Se o acordo comercial for firmado e atualizado, diversos produtos ficarão isentos de impostos, em especial nos setos alimentício e agrícola.

Além dos benefícios para estes setores, o tratado visa proteger as indicações geográficas, tratando-se de uma proteção legal, que será atribuída a mercadorias como o presunto de Parma e o champanhe.

UE ordena que TikTok retenha dados de eleições na Romênia

A União Europeia emitiu uma ordem para que o TikTok congele todos os dados relacionados às eleições romenas. A decisão faz parte da aplicação da Lei de Serviços Digitais e está conectada a preocupações com a influência estrangeira e o uso da plataforma para promover o candidato ultranacionalista Calin Georgescu.

Autoridades romenas revelaram o uso de contas coordenadas e algoritmos do TikTok para promover o político pró-Rússia, levantando suspeitas de ataques híbridos russos.

TikTok e as eleições romenas

A União Europeia determinou que o TikTok congele dados vinculados às eleições presidenciais da Romênia, em um movimento inédito para conter suspeitas de interferência estrangeira. A medida, anunciada nesta quinta-feira (5), está respaldada pela Lei de Serviços Digitais, criada para regular gigantes das redes sociais em solo europeu.

A decisão foi tomada no contexto de documentos revelados por autoridades romenas, que indicam que o ultranacionalista pró-Rússia Calin Georgescu foi amplamente promovido no TikTok por meio de contas coordenadas e uso de algoritmos. Apesar de Georgescu afirmar que não investiu em campanhas digitais, evidências apontam para um esquema massivo de promoção paga.


Sobre os ataques russos híbridos agressivos — (Vídeo: Reprodução / YouTube / CNN Brasil)


Nos Estados Unidos, autoridades também expressaram preocupações com possíveis ataques híbridos russos, embora o Kremlin negue envolvimento nas eleições romenas.

Impactos políticos e resposta do TikTok

Se vencer o segundo turno das eleições, marcado para este domingo (8), Georgescu poderá adotar uma política externa mais isolacionista, opondo-se à União Europeia e intensificando a crise política no país. Especialistas temem que sua vitória aprofunde tensões regionais e fortaleça movimentos pró-Rússia.

O TikTok, por sua vez, afirmou estar cooperando com a Comissão Europeia para esclarecer os fatos. A empresa rejeitou especulações sobre seu envolvimento em ações indevidas, destacando sua disposição para investigar as acusações.

Com a ordem de retenção em vigor, analistas esperam que o caso sirva como precedente para regular o uso de redes sociais em processos eleitorais sensíveis.

Papa diz ao G7 que a inteligência artificial deve ser controlada pelos humanos 

O Papa Francisco foi o primeiro pontífice a se dirigir à cúpula do G7 que aconteceu nesta sexta-feira (14), onde reuniram as 7 potências da União Europeia para uma discussão sobre o uso da Inteligência Artificial.  

Nesta reunião, o Papa alertou os líderes mundiais sobre como a Inteligência Artificial não deve ter vantagem sobre a humanidade. 


Papa Francisco sendo recebido na reunião da G7 (Reprodução/EFE)

Durante o encontro, diversos líderes mundiais mostraram acolhimento ao líder religioso, recebendo-o enquanto caminhava em torno de uma enorme mesa oval, sendo levado por uma cadeira de rodas, já que por sua idade, a sua mobilidade já está afetada.

Palavras sobre a Inteligência Artificial

De acordo com o Papa Francisco, a Inteligência Artificial representou uma transformação histórica para a humanidade, porém também frisou sobre a importância de uma supervisão para essas tecnologias, para que assim, preservem a dignidade e vida humanas. 

Ele ainda acrescentou que nenhuma máquina deve tirar a vida de um ser humano e as pessoas não podem deixar um algoritmo superpoderoso decidir o seu destino. 

O líder da Igreja Católica ainda alertou sobre o futuro da humanidade: “Condenaríamos a humanidade a um futuro sem esperança se tirássemos a capacidade das pessoas de tomar decisões sobre si mesmas e suas vidas, condenando-as a depender das escolhas das máquinas”.

A ambivalência do uso da IA também foi outro ponto apontado pelo Papa, que destacou que o uso desse mecanismo pode trazer o acesso ao conhecimento por todo o mundo. “No entanto, ao mesmo tempo, poderia trazer consigo uma maior injustiça entre as nações avançadas e em desenvolvimento ou entre as classes sociais dominantes e oprimidas”, acrescentou ele. 

Por fim, o líder da Igreja Católica concluiu seu discurso dizendo que cabe a todos fazer bom uso da Inteligência Artificial e será necessário uma criação de políticas para que seu uso seja bom e frutífero.

Políticas do uso da IA

A Itália aprovou um projeto de lei no início deste ano, que estabelece um regras básicas para o uso da Inteligência Artificial, incluindo o estabelecimento de sanções para crimes relacionados ao uso da IA e Meloni alertou sobre os risco do uso dessa tecnologia no mercado de trabalho. 

No rascunho de sua declaração final, o G7 disse nesta sexta-feira (14), que faria uma elaboração de um plano para a antecipação de um plano para futuras habilidades e necessidades da educação para o aproveitamento do uso da IA. 

Emmanuel Macron e o avanço da extrema direita na Europa

O presidente da França, Emmanuel Macron anunciou a dissolução do Parlamento francês neste domingo (9), e convocou novas eleições. A decisão foi tomada após o partido da rival Marine Le Pen, política de extrema direita, ficar em primeiro lugar nas eleições para o Parlamento europeu. A medida foi recebida com choque pela imprensa internacional e pelos políticos europeus e roubou os holofotes da apuração das eleições parlamentares da União Europeia. As eleições ocorreram entre quinta (6), e domingo (9).

A decisão de Macron se mostra como uma tentativa de barrar o avanço da extrema direita na França demonstrada pela vitória do Reunião Nacional, partido de Le Pen, sobre o Renascimento de Macron. “Decidi devolver-vos a escolha do nosso futuro parlamentar através da votação”, disse o presidente “Estou, portanto, dissolvendo a Assembleia Nacional”. Já Le Pen afirma que está pronta para assumir o poder se os franceses derem permissão.

Por que a Europa está se voltando para a direita radical?

Os 27 países da União Europeia seguiram a tendência mundial de guinada à direita. Esse resultado acontece por causa de uma junção de fatores como imigração, insatisfação com a Economia e preocupações com a guerra entre Rússia e Ucrânia. Além disso, a crise em relação ao custo de vida e os custos para reformas ambientais também incomodam os cidadãos europeus

Essas preocupações arrastaram o eleitorado mais jovem e o mais idoso a votarem em políticos de extrema-direita que conquistaram mais cadeiras nesta eleição. No total, os políticos de centro-direita e direita formam 54,9% do bloco com 395 assentos. Os partidos nacionalista conquistaram votos através do discurso mais suave, para mascarar a imagem radical, mas com o discurso anti-imigração firme. Enquanto isso, políticos de centro-direita moderados estão se radicalizando para manter seu eleitorado. A direita então usou o descontentamento para emplacar um ideal de enfrentamento às “elites no comando”.


Eleições decidem quem irá ocupar as 720 cadeiras do parlamento europeu (Foto: reprodução/Geert Vanden Wijngaert/AP)

Em uma pesquisa feita pela plataforma Focaldata e compartilhada com a Reuters, “melhorar a economia e reduzir a inflação” foi o item mais citado pelos eleitores quando eram perguntados sobre o que influenciava seu voto. “Conflito internacional em guerra” e “imigração e solicitantes de asilo” seguiram como a segunda e a terceira maior preocupação dos 6 mil cidadãos questionados.

O que é o Parlamento Europeu?

O Parlamento Europeu é um dos órgãos legislativos da União Europeia e é onde são tomadas as principais decisões relacionadas ao bloco. Sua sede fica em Estrasburgo, França, e seus parlamentares são decididos pelos cidadãos dos 27 membros da União Europeia a cada cinco anos.

Os 720 parlamentares são responsáveis por aprovar as legislações do bloco e tomar decisões sobre o orçamento. O Parlamento é reunido uma vez por mês durante quatro dias em reuniões plenárias. Nas outras semanas há comissões que funcionam na capital da Bélgica. A União Europeia ainda tem o seu Conselho, formado por chanceleres e ministros e tem a responsabilidade de decidir assuntos intergovernamentais.

Investigação apura interferência russa nas eleições da União Europeia

Nesta sexta-feira (12), o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, anunciou que promotores federais iniciaram uma investigação para apurar a existência de “interferência” russa nas eleições para o Parlamento Europeu. Caso a acusação seja verdadeira, pode afetar o processo eleitoral em toda a União Europeia.

O objetivo [da Rússia] é ajudar a eleger candidatos mais pró-russos para o Parlamento Europeu e reforçar uma certa narrativa pró-russa nessa instituição,” disse De Croo. “O enfraquecido apoio europeu à Ucrânia serve a Rússia no campo de batalha.

Uma das características principais de candidatos “pró-russos“, seria o discurso para reduzir ou eliminar o suporte dado à Ucrânia, país ainda não-pertencente à União Europeia, e cujo território continua sendo invadido pela Rússia. De acordo com o primeiro-ministro belga, foi detectada a interferência em seu território nacional, mas não os supostos pagamentos com os quais foi financiada tal rede de influência.

Beneficitários da Rússia

Entre os principais partidos políticos que podem ter sido impulsionados pela interferência russa, estão o francês Rassemblement National, o austríaco Freedom Party e o alemão AfD, entre outros. Em comum, todos criticaram o apoio da União Europeia à Ucrânia, e estão projetados para ganhar mais votos nessa eleição.

De modo a remediar a situação antes de junho, data das eleições, as investigações pediram uma reunião urgente para a Cooperação Criminal e Justiça (Eurojust) discutir o caso, que deve ser tratado na próxima quarta-feira (17) em Bruxelas.

A Bélgica é a sede das instituições europeias, temos uma responsabilidade e nossa responsabilidade é defender que o direito de todos os cidadãos a um voto livre e seguro possa ser mantido,” afirmou o primeiro-ministro belga.


Protestos nos Estados Unidos, em 2017, contra a interferência da Rússia nas eleições (Foto: reprodução/Eduardo Munoz Alvarez/AFP)

Influência Russa

Neste mesmo ano, em março, a República Tcheca também denunciou uma rede de influência que havia sido financiada pela Rússia no seu território, e que então foi desmantelada. Mas até mesmo esse incidente não foi o primeiro de um país acusar a Rússia de interferir com o processo eleitoral internacional.

Já faz tempo que nações ocidentais tem acusado a Rússia de interferir com as suas eleições. Desde às eleições estadunidenses de 2016, quando investigações posteriores revelaram que a agência Glavset, em Saint Petersburg (Rússia), havia criado milhares de contas em redes sociais e atingido milhões de usuários de modo a espalhar a desinformação em favor de Donald Trump.

Em todos os casos, a Rússia negou as acusações.