EUA desafiam Maduro e revelam vulnerabilidade do arsenal militar venezuelano

Pressionada pelo governo do presidente Donald Trump, a Venezuela enfrenta um dos maiores testes militares dos últimos anos. Segundo especialistas, a defasagem tecnológica, as restrições orçamentárias e as sanções internacionais comprometem o arsenal militar venezuelano, fragilizando suas Forças Armadas e limitando sua resposta aos Estados Unidos. Nos últimos dias, a tensão aumentou com o envio […]

21 ago, 2025
Foto destaque: soldados e civis próximos à base aérea La Carlota, em Caracas (Reprodução/Rafael Hernandez/Getty Images Embed)
Foto destaque: soldados e civis próximos à base aérea La Carlota, em Caracas (Reprodução/Rafael Hernandez/Getty Images Embed)
Arsenal militar venezuelano mostra fragilidades diante dos EUA

Pressionada pelo governo do presidente Donald Trump, a Venezuela enfrenta um dos maiores testes militares dos últimos anos. Segundo especialistas, a defasagem tecnológica, as restrições orçamentárias e as sanções internacionais comprometem o arsenal militar venezuelano, fragilizando suas Forças Armadas e limitando sua resposta aos Estados Unidos.

Nos últimos dias, a tensão aumentou com o envio de três navios de guerra norte-americanos ao sul do Caribe, próximo à Venezuela. O argumento dos EUA é combater cartéis de drogas. Em resposta, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos, apresentados como parte da “defesa da pátria” diante das supostas ameaças americanas.

Escalada no Caribe

A movimentação dos navios elevou a tensão entre Washington e Caracas, reforçando o clima de confronto na região. Além disso, a retórica de defesa de Maduro se intensificou contra a presença militar americana. Segundo a Casa Branca, Maduro “não é um presidente legítimo” e estaria envolvido em crimes ligados ao narcotráfico. Há uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.


Maduro critica presença militar dos EUA como “ameaça à paz regional” (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

Limitações do exército e impacto no arsenal militar venezuelano

De acordo com o relatório “Balanço Militar 2025” do IISS, as Forças Armadas da Venezuela enfrentam “capacidades restritas” e “problemas de prontidão” devido à crise econômica, isolamento diplomático e sanções. Portanto, há dependência de reparos improvisados, o que afeta caças, blindados e embarcações.

O orçamento militar do país foi de US$ 640 milhões em 2024, apenas 0,07% do montante destinado à Defesa pelos EUA, evidenciando o desequilíbrio bélico entre os dois países.

Composição do arsenal militar venezuelano

Apesar de parcerias com Rússia, China e Irã, o arsenal venezuelano é limitado e conta com:

  • 844 tanques e veículos blindados
  • 545 veículos de artilharia
  • 95 navios de patrulha e combate
  • 79 jatos de combate (F-16, Su-30 e K-8W)
  • 9 helicópteros de ataque
  • 2 fragatas e 2 submarinos
  • Sistemas de defesa aérea S-300
  • Drones Mohajer 6 e 2, além do Ansu-100 nacional
  • Mísseis de curto alcance russos e americanos
  • Esquadrão de 19 aeronaves Tucano EMB-312

No entanto, parte significativa do equipamento não está em plena operação devido à falta de peças e manutenção precária.

Risco de confronto e aliados externos

Para o professor Vitelio Brustolin, o cenário atual indica que uma ofensiva militar em larga escala dos EUA é improvável. Além disso, “o que vemos é um gesto de pressão, não um plano de mudança de regime”, afirmou, ressaltando que a movimentação de navios serve como sinal de força e instrumento de coerção, sem representar ordens de bombardeios em solo venezuelano. Por outro lado, Maduro aproveita a tensão para mobilizar a população e reforçar a resistência interna, convocando milhões de milicianos, ampliando os custos políticos de qualquer ação americana e fortalecendo o discurso de defesa da pátria.

Apesar das limitações, a Venezuela mantém parcerias estratégicas com Rússia, China e Irã, que fornecem equipamentos militares e assessoria técnica. Ainda assim, diante do poderio dos EUA, o desequilíbrio bélico permanece evidente, e a crise do país continua mais marcada por pressões diplomáticas e econômicas do que pelo risco de um conflito direto de grande escala.

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