Bolsonaro e réus do 8 de janeiro terão cinco dias para apresentar defesa prévia ao STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, atribuiu o prazo de cinco dias para apresentação de defesa prévia por parte dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos outros sete réus integrantes do núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado. A abertura do prazo foi a primeira medida que o ministro, que é relator do caso, assinou no processo criminal aberto contra os acusados.

A abertura se trata de uma formalidade para cumprimento da decisão da Primeira Turma da Corte de aceitar a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que transformou Bolsonaro, o general Walter Braga Netto e outros acusados em réus.


General Walter Braga Netto, um dos acusados e integrante do núcleo 1 (Foto: reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil)

Conforme a decisão, os acusados poderão usar como argumento “tudo o que interesse à sua defesa”. Eles também podem apresentar provas pretendidas e listar testemunhas, que irão depor por videoconferência. Moraes confirmou que os réus deverão prestar depoimento ao findar da instrução, que ainda não tem data definida.

O ministro afirmou que irá recusar a inquirição de testemunhas “meramente abonatórias”, que são pessoas que não possuem ciência dos fatos e são apresentadas apenas para elogiar os acusados. Nos casos das testemunhas abonatórias, seus depoimentos deverão ser enviados por escrito pelas defesas.


Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/Rosinei Coutinho/SCO/STF)

Quem integra o núcleo 1

Dentre os oito que se tornaram réus e integram o núcleo 1 estão: o ex-presidente Jair Bolsonaro; o general, ex-ministro e vice de Bolsonaro em 2022, Walter Braga Netto; o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem; o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid.

Desdobramentos futuros

Com a abertura do processo penal, os réus devem responder por crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado.

A ação penal também é o início da fase de instrução processual, em que os advogados poderão indicar testemunhas e solicitar a produção de novas provas para comprovação das teses de defesa. Os réus também serão interrogados no final da fase. O gabinete do ministro Alexandre de Moraes conduzirá os trabalhos.

Com o fim da instrução, o julgamento será agendado e os ministros decidirão se os acusados serão condenados à prisão ou absolvidos. Caso haja condenação, a pena aplicável aos crimes pode passar de 30 anos de prisão.

Maioria dos brasileiros apoia a prisão de envolvidos na tentativa de golpe

Uma pesquisa inédita do Instituto Quaest, divulgada recentemente, mostra que a maioria da população brasileira defende que os envolvidos na invasão do Palácio do Planalto em 8 de janeiro de 2023 continuem presos e cumpram suas penas. Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados apoiam a continuidade das prisões, enquanto apenas 34% acreditam que os acusados não deveriam ter sido detidos ou que já cumpriram tempo suficiente.

Dados dos eleitores

Os dados entram em contraste com a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro, que vem defendendo a anistia dos envolvidos nos atos antidemocráticos. A pesquisa, no entanto, revela que nem mesmo entre seus eleitores há consenso sobre o tema. Entre os que votaram em Bolsonaro, 32% apoiam a manutenção das prisões, 36% afirmam que os invasores não deveriam ter sido presos, e 25% consideram que o tempo já cumprido seria suficiente.


Movimento de oposição à anistia (Foto: reprodução/X/@janealbez)

O levantamento ouviu 2.004 pessoas de todas as regiões do Brasil entre os dias 27 e 31 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Relação de Bolsonaro com a tentativa de golpe

Outro dado relevante da pesquisa diz respeito à percepção sobre o envolvimento direto do ex-presidente nos atos. Para 49% da população, Bolsonaro teve participação ativa na tentativa de golpe, enquanto 36% discordam dessa avaliação.

Além disso, 52% dos entrevistados consideram justa a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de torná-lo réu no inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado. Já 36% avaliam que a medida foi injusta.

A população também está dividida quanto ao desfecho do julgamento do ex-presidente. Para 46% dos brasileiros, Bolsonaro será preso ao fim do processo. Outros 43% acreditam que isso não acontecerá. Com a margem de erro, os números configuram um empate técnico.

Os resultados indicam que, apesar da base de apoio fiel, Bolsonaro ainda enfrenta resistência significativa entre os brasileiros, inclusive dentro de seu próprio eleitorado.

Manifestação de Bolsonaro pede anistia para condenados do ataque de 8 de janeiro

Na tarde deste domingo (6), apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, em um ato convocado pelo ex-presidente. A manifestação teve como principal pauta o pedido de anistia para os envolvidos no ataque às sedes dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, considerado o mais grave atentado contra as instituições democráticas do país desde a redemocratização.

O evento contou com a presença de diversas lideranças políticas, incluindo os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo, Republicanos), Romeu Zema (Minas Gerais, Novo), Ratinho Junior (Paraná), Wilson Lima (Amazonas), Ronaldo Caiado (Goiás, União Brasil), Mauro Mendes (Mato Grosso, União Brasil) e Jorginho Mello (Santa Catarina, PL).

A manifestação

A manifestação teve início por volta das 14h, com uma oração conduzida pela deputada federal Priscila Costa (PL-CE), que ocupa o cargo de vice-presidente do PL Mulher.

Depois, Michelle Bolsonaro defendeu publicamente a cabeleireira Débora Rodrigues Santos, detida após usar um batom para pichar a estátua “A Justiça”, localizada em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Entre os manifestantes, muitos trajavam roupas verde e amarela e exibiam batons em alusão ao episódio que transformou Débora em um mártir da narrativa direitista de perseguição política.


Ato de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista (Foto: reprodução/X/JairBolsonaro)

Durante a tarde, durante seu discurso, Jair Bolsonaro defendeu a concessão de anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro, criticou o Supremo Tribunal Federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Ao exaltar sua gestão, destacou a atuação da equipe econômica e mencionou a implementação do PIX como um dos avanços sob seu comando. Ele também alegou que houve uma interferência que teria alterado o desfecho das eleições de 2022.

O ex-presidente ainda comentou sobre sua viagem aos Estados Unidos, feita poucos dias antes de deixar o cargo, e afirmou que, caso estivesse no Brasil no dia dos ataques, provavelmente teria sido preso e estaria “apodrecendo ou até mesmo assassinado”.

Pesquisa sobre anistia

No levantamento do centro de pesquisa da Quaest, divulgado neste domingo, revela que 56% da população brasileira se posiciona contra a anistia aos participantes dos atos de 8 de janeiro de 2022.

Por outro lado, 34% defendem a libertação dos envolvidos, seja por considerarem que não deveriam ter sido presos ou por acreditarem que o tempo de detenção já foi excessivo. Os outros 10% não sabiam ou não responderam.

Bolsonaro tem recurso negado pelo STF em caso de propaganda contra Lula

O Supremo Tribunal Federal (STF) impôs mais uma derrota a Jair Bolsonaro (PL). Desta vez, a Primeira Turma da suprema Corte rejeitou recurso apresentado pela defesa do ex-presidente.   

O caso envolvia propaganda eleitoral irregular contra o então candidato Lula (PT) nas eleições de 2022.  

Além de rejeitar o recurso, os ministros do STF reafirmaram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou o uso inadequado de impulsionamento para divulgar propaganda irregular contra o então adversário Luiz Inácio Lula da Silva.  


Jair Bolsonaro em campanha durante as eleições de 2022 (Foto: reprodução/Alexandre Cassiano/Agência O Globo)

Voto dos ministros

Os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Carmen Lúcia votaram contra o recurso apresentado em novembro do ano passado, acompanhando Dino e formando a maioria. Luiz Fux, por outro lado, ainda não registrou seu voto no plenário virtual e tem até o dia 4 de abril para se pronunciar. Caso considere necessário mais tempo para analisar o caso, o ministro pode pedir vista, o que suspenderia o julgamento por até 90 dias.  

A denúncia ao TSE

Bolsonaro e aliados contrataram dez propagandas publicitárias que, em vez de promoverem sua candidatura, direcionavam o eleitor a conteúdos críticos sobre Lula.   

Em seu entendimento, o ministro Flávio Dino afirma que a estratégia violou as regras eleitorais e burlou o propósito permitido de impulsionamento nas campanhas.  

Enquanto isso, a defesa de Bolsonaro alega que a decisão do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) não teria sido fundamentada e tentou enquadrar o caso como matéria constitucional para justificar o recurso extraordinário.  

Relembre a denúncia

Em 2023, o TSE multou Bolsonaro em R$ 10 mil por impulsionar propaganda negativa contra Lula nas eleições de 2022. A coligação Pelo Bem do Brasil, liderada pelo ex-presidente, também recebeu uma multa de R$ 30 mil.  

Portanto, o relator Benedito Gonçalves destacou que dez anúncios foram divulgados em sites de busca, redirecionando os usuários para um endereço com conteúdo desfavorável ao adversário político de Bolsonaro.  

Além disso, as propagandas omitiram informações obrigatórias, como o CNPJ do responsável pela publicação e a expressão “propaganda eleitoral”, violando a legislação. 

Acusações que tornaram Bolsonaro réu incluem tentativa de golpe e organização criminosa

Nesta quarta-feira (26), A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados. Eles se tornaram réus na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado durante e após as eleições de 2022. A decisão foi unânime entre os ministros responsáveis pelo julgamento.

Bolsonaro avança para fase judicial após acusações

Com a instauração da ação penal, o processo avança para a fase de tramitação judicial, que incluirá a realização de audiências e a oitiva de testemunhas tanto da acusação quanto da defesa.

O ex-presidente Jair Bolsonaro é acusado de cinco crimes, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Além disso, responde por dano qualificado, devido à violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, causando considerável prejuízo, e pela deterioração de patrimônio tombado.

Caso seja condenado, estima-se que a pena pode chegar a até 39 anos de prisão.

Organização criminosa

A denúncia da Procuradoria-Geral da República afirma que Bolsonaro foi responsável por liderar uma organização criminosa armada.

Conforme a legislação brasileira, esse crime ocorre quando quatro ou mais pessoas se associam de maneira estruturada e com divisão de tarefas para cometer infrações penais.


Bolsonaro no plenário do STF (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a legislação prevê que qualquer pessoa que integrar, financiar ou promover uma organização criminosa pode ser condenada a uma pena de reclusão que varia de 3 a 8 anos, além do pagamento de multa.

Envolvimento nos ataques de 8 de janeiro

A denúncia aponta que o grupo tentou suprimir o regime democrático e destituir o governo eleito por meio de violência e grave ameaça.

Os crimes estão previstos em uma lei sancionada pelo próprio Bolsonaro em 2021, que substituiu a Lei de Segurança Nacional e incluiu no Código Penal novos crimes contra a democracia.

A acusação também liga Bolsonaro aos ataques de 8 de janeiro de 2023, que causaram danos de mais de R$ 20 milhões às sedes dos Três Poderes. O crime de dano ao patrimônio público prevê pena de seis meses a três anos de detenção, além de multa.

Por fim, A PGR responsabiliza Bolsonaro pelo crime de deterioração de patrimônio tombado, argumentando que ele incentivou acampamentos golpistas e não agiu para desmobilizar os manifestantes antes dos ataques de 8 de janeiro. A pena prevista é de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa.

Em decisão histórica, Jair Bolsonaro vira réu em cinco ações penais

A Primeira Turma do STF, na tarde de ontem, quarta-feira (26), decidiu aceitar a denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados. 

Na decisão histórica, os ministros Flávio Dino, Carmen Lúcia, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Alexandre de Moraes, tornou réus os oito denunciados por: tentativa de golpe de Estado e de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito, grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, além de liderança de organização criminosa armada. 

O caso que desde ontem, quarta-feira (26), tem ganhado destaque na imprensa nacional e internacional, vem gerando grande manifestação por parte da opinião pública. Não só pelos desdobramentos, como também, por ser a primeira vez na história brasileira que um ex-presidente e militares sentam no banco dos réus pelo crime de “tentativa de golpe de Estado”. 

A informação foi apresentada por Carlos Fico, professor de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista ao G1. Fico ressalta que, em 1922, o Brasil era presidido por Hermes da Fonseca que chegou a ser preso por envolvimento em tentativa de golpe contra Epitácio Pessoa, no entanto, Fonseca morreu antes da conclusão do inquérito. 

Em relação a outros militares sentarem no banco dos réus, Carlos Fico informa que:

“Em todos os casos de tentativas de golpe e pronunciamentos militares contra presidentes nunca houve a efetiva punição de militares golpistas. Mesmo nos casos em que houve o início de alguma investigação, uma anistia acabou sendo aprovada”
Carlos Fico

Golpe de Estado

Uma ação é considerada golpe de Estado quando tenta-se por vias não legais derrubar um governo democraticamente eleito. Para isso pode, ou não, haver uso da força ou coerção para que o governo em exercício seja substituído. 

O objetivo a ser alcançado por quem procura a derrubada de um governo a partir desta ação é: tomar o controle das instituições democráticas do país para implementar suas políticas sem que haja um processo eleitoral e legal para isso. 

De acordo com estudos das Relações Internacionais, historicamente, países que sofreram ou sofrem tentativa de golpe de Estado, são, em sua maioria, países com democracias frágeis, polarizados por divisões político ideológicas e com instituições democráticas enfraquecidas. 

No caso da ação que tornou réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete denunciados, o procurador geral da República, Paulo Gonet, detalhou o plano, que segundo ele, foi articulado pelos denunciados em face da eleição que tornou Luiz Inácio Lula da Silva presidente do Brasil.


Procurador geral da República, Paulo Gonet, oferecendo denúncia contra a tentativa de golpe de Estado (Vídeo: reprodução/Youtube/@uol)

Presidentes brasileiros investigados

Nas últimas décadas, desde a redemocratização do Brasil, após a ditadura militar, alguns presidentes foram investigados por crimes que não envolviam tentativa de golpe de Estado. 

Os crimes atribuídos a estes presidentes, em sua maioria, eram crimes relacionados a corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. No entanto, estes  processos não tiveram continuidade porque, segundo as investigações, não apresentaram provas substanciais e as acusações foram rejeitadas. 

Os presidentes que tiveram suas acusações anuladas foram: Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer, Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello. Estes dois últimos sofreram impeachment, deixando os seus mandatos antes do término previsto. 

Moraes destaca gravidade do 8 de janeiro: “ninguém estava passeando”

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) continuou ontem (26) com o julgamento da ação da Procuradoria Geral da República (PGR), que denunciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete envolvidos na trama golpista de 2022.    

Por unanimidade, os oito denunciados passam à condição de réus e responderão à ação penal no Supremo pelos crimes dos quais foram denunciados.    

Moraes relembra violência dos atos

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou em seu voto a gravidade dos acontecimentos do dia 8 de janeiro de 2023, além disso, reiterou que todos que participaram da invasão na Praça dos Três Poderes sabiam exatamente o que estavam fazendo e que ninguém foi lá por diversão.   

“Ninguém, absolutamente ninguém que lá estava, estava passeando. E ninguém estava passeando porque tudo estava bloqueado”, enfatizou Moraes.   

Moraes relatou a agressão a alguns policiais que tentavam conter os manifestantes e também relembrou o incidente em que uma policial militar teve o capacete quebrado por barras de ferro, mostrando a gravidade da situação.    


Ministro Alexandre de Moraes fazendo leitura do voto, no plenário do STF (Foto: reprodução/X/@STF_oficial)

Moraes critica narrativa distorcida

Ao encerrar a leitura do voto, o ministro destacou a importância de lembrar constantemente dos atos para evitar que se repitam e condenou aqueles que minimizam os acontecimentos daquele dia.  

Dessa forma, segundo Moraes, pessoas honestas acabam sendo enganadas por milícias digitais que criam uma narrativa própria para minimizar aquilo que foi uma tentativa de golpe de Estado.   


Acompanhe a leitura completa do voto do ministro (Vídeo: reprodução/YouTube/CNNBrasil)

Próximos passos do julgamento

Após aceitação da denúncia pelo STF, é aberto o processo criminal e os advogados deverão apresentar testemunhas e solicitar novas provas para sustentar a defesa. Em seguida, somente após instrução do processo, o julgamento será agendado, e os ministros decidirão entre condenar ou absolver o ex-presidente e os outros acusados.  

Por fim, após os julgados, será feita a leitura das sentenças. No caso de condenação, os culpados receberão penas que somadas chegam a 43 anos de prisão, de acordo com o Código Penal. Por outo lado, se forem inocentados, o caso é arquivado e não haverá prisão.   

Imprensa internacional repercute decisão do STF que torna Bolsonaro réu

O ex-presidente Jair Bolsonaro se tornou réu por envolvimento em um plano de golpe de Estado em 2022, após decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (26). O caso teve grande repercussão na mídia internacional.

A notícia foi destaque em grandes veículos de relevância internacional. O jornal norte-americano The New York Times traçou um paralelo entre os atos de 8 de janeiro no Brasil e a invasão do Capitólio nos Estados Unidos, afirmando que “a decisão marca um esforço significativo para responsabilizar o Sr. Bolsonaro pelas acusações de que ele tentou efetivamente desmantelar a democracia brasileira ao orquestrar um amplo plano para dar um golpe”.


Reportagem do jornal “The New York Times” sobre decisão do STF de tornar Bolsonaro réu (Foto: reprodução/ The New York Times)

O jornal também destacou a relação do ex-presidente Bolsonaro com o atual presidente norte-americano Donald Trump, mencionando que Bolsonaro aposta no apoio de Trump ao buscar asilo político nos EUA. Além disso, o NYT mencionou o processo movido pelo grupo de mídia de Trump contra o ministro do STF Alexandre de Moraes:

“No mês passado, poucas horas depois de promotores brasileiros indiciaram Bolsonaro, a empresa de mídia de Trump processou o juiz Moraes, que supervisiona o caso, em um tribunal federal dos EUA, acusando-o de censurar ilegalmente vozes de direita nas redes sociais.”
Ana Ionova

Outros veículos internacionais destacam o caso

A decisão do STF também foi repercutida por veículos de diversos países. O jornal espanhol El País destacou na primeira página de seu site que “não é incomum que um ex-presidente seja acusado ou julgado criminalmente no Brasil; o que é inédito é que ele será levado a julgamento por um golpe”.

Os jornais Clarín (Argentina), El Comercio (Peru) e Al Jazeera (Oriente Médio) também deram ênfase ao julgamento.

O The Washington Post (EUA) ressaltou a unanimidade dos ministros da Primeira Turma do STF ao aceitarem a denúncia e destacou que Bolsonaro se declara inocente. O jornal também mencionou que o ex-presidente é “conhecido por expressar nostalgia pela ditadura militar e desafiar abertamente o sistema judicial brasileiro durante seu mandato”.

O Wall Street Journal (EUA) analisou as consequências políticas do julgamento, afirmando que a decisão “deve aprofundar as tensões políticas em um país que está dividido antes da eleição presidencial de outubro de 2026, especialmente se o ex-presidente for condenado e preso”.

Decisão do STF

Na quarta-feira, o STF tornou réus Jair Bolsonaro e outros sete aliados no caso que investiga a tentativa de golpe de Estado durante e após as eleições de 2022. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, aceitou na íntegra a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), sendo acompanhado pelos demais ministros da Primeira Turma: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

“Bolsonaro tentou contribuir para o meu assassinato”, diz Lula

Na noite de ontem, quarta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em coletiva de imprensa no Japão, comentou sobre a decisão da Primeira Turma do STF que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro réu em cinco ações penais. Em sua declaração, Lula, enfatiza que Bolsonaro tentou dar golpe de Estado e contribuir para o seu assassinato. 

Ao ser perguntado sobre os atos praticados no dia 08 de janeiro de 2023, o presidente inicia a fala dizendo ser “presunção” fazer qualquer prognóstico sobre a decisão da Suprema Corte Brasileira. Porém entende que o STF está se baseando em meses de investigação feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. 

Na sequência, Lula faz declarações sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e reitera:

“É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país. É visível, por todas as provas que ele (Jair Bolsonaro) tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente, para o assassinato do ex-presidente da justiça eleitoral brasileira”
Luiz Inácio Lula da Silva

Lula, ainda, enfatiza que: “todo mundo sabe o que aconteceu nesse país” e que não adianta Bolsonaro “fazer bravata dizendo que está sendo perseguido”.


Presidente Lula em coletiva de imprensa no Japão (Vídeo: reprodução/Youtube/@uol)  

Até a manhã desta sexta-feira (27), o ex-presidente Jair Bolsonaro não havia se manifestado sobre as declarações do presidente Lula.

Punhal verde e amarelo

As falas do presidente, sobre a tentativa de assassinato refere-se a operação “Punhal verde e amarelo”. Segundo investigações da Polícia Federal, seria um plano para assassinar autoridades brasileiras. 

Os alvos, de acordo com a PF, seriam o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin  e o ministro Alexandre de Moraes, à época presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Tais assassinatos, conforme as investigações, eram uma tentativa de golpe de Estado, impedindo que Luiz Inácio Lula da Silva, tomasse posse como presidente .

A operação “Punhal verde e amarelo”, foi investigada como uma extensão da operação “Contragolpe” que investigou e prendeu militares. Entre eles, o ex-ministro de Jair Bolsonaro e militar da reserva, General Braga Netto. 

Segundo investigação da Polícia Federal, a operação sobre a tentativa de assassinato de autoridades brasileiras, possuía um plano operacional com inicio em 12 de novembro de 2022 e término em 15 de dezembro do mesmo ano. Porém a missão foi abortada. 


Operação “Punhal verde e amarelo” (Vídeo: reprodução/Youtube/@otempo)

Bolsonaro réu

Na noite de ontem, a Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Carmen Lucia, Luiz Fux e Alexandre de Moraes, decidiu por unanimidade tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR). 

A decisão dos ministros que teve repercussão mundial, tornou os oito denunciados réus em cinco ações penais. Entre elas, tentativa de golpe de Estado e Abolição violenta do Estado Democrático de Direito. 

O processo seguirá os trâmites legais e a data do julgamento que poderá condenar ou absolver os réus, ainda, não tem data marcada. 

Sebastião coelho é detido por desacato no julgamento de Bolsonaro no STF

Nesta terça-feira (25), o advogado e ex- desembargador aposentado Sebastião Coelho, foi detido por desacato, durante o julgamento relacionado a denúncia envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete pessoas por golpe de estado.

O defensor de Felipe Martins, teria feito um tumulto durante o momento em que ocorria a audiência. Luís Roberto Barroso, ministro do STF, registrou o boletim de ocorrência relacionado a esse ocorrido, mesmo não estando presente na sessão.

Tumulto

Segundo relatório lido por Alexandre de Moraes, o advogado foi detido por “flagrante delito por desacato e ofensas no tribunal”, sendo o protagonista de um tumulto ocorrido um pouco antes do momento em que o magistrado fez a leitura do texto que relatava a acusação contra ele sendo proferida.

Sebastião chegou a gritar palavras de ordem, sendo “arbitrário”, tendo sido retirado do local após isso. Ele ainda enquanto era desembargador teve o seu sigilo bancário quebrado por suspeita de incitação de atos golpistas.

Sebastião Coelho

Nascido em Santana de Ipanema(AL), deixou de exercer a magistratura em 2022 no mês de setembro, após ter sido desembargador de justiça do Distrito Federal e dos demais territórios. Ele ainda esteve exercendo a advocacia no início dos julgamentos relacionados aos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, e na ocasião falou o seguinte:

Nessas bancadas aqui, nesses dois lados, senhores ministros, estão as pessoas mais odiadas desse país”


vídeo postado por Bruno Souza em seu perfil aonde Sebastião Coelho está fazendo (Foto: reprodução/Instagram/@brunosouza)


Condenado

O réu Aécio Pereira, que Sebastião Coelho estava defendendo no dia 13 de setembro de 2023, foi condenado na ocasião, pela participação nos atos de 8 de janeiro, ele foi sentenciado a 17 anos de reclusão, tendo sido o 1° condenado da situação ocorrida na praça dos três poderes na segunda semana de 2023. A condenação foi por dano qualificado e deterioração de patrimônio público tombado, também teve acusações relacionadas a golpe de estado, ainda tendo associação criminosa.

O julgamento de Bolsonaro e mais sete continua nesta quarta-feira(26).