Anvisa aprova primeira vacina de dose única contra a dengue

O Brasil alcançou um marco histórico na saúde pública e no combate contra a dengue nesta quarta-feira (26) com a aprovação da Anvisa acerca da vacina contra a doença. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, o imunizante Butantan-DV é o primeiro de dose única no mundo contra a dengue.

Com eficácia significativa contra casos graves, o imunizante agora entra na fase administrativa para registro, o que possibilita o registro nos próximos dias. Contudo, a aprovação técnica da vacina já foi realizada pela Anvisa, tornando possível que o governo dê início aos preparativos para a adicionar no Programa Nacional de Imunizações (PNI), mesmo que ainda não haja uma data oficial para o imunizante ser incluído no calendário nacional.

Butantan-DV

O imunizante Butantan-DV é o primeiro de dose única contra a dengue no mundo, com uma eficácia elevada até mesmo para casos mais graves da doença e que requerem internação. Os ensaios clínicos da fase 3 duraram cinco anos, com acompanhamento de voluntários de mais de 14 estados pelo Instituto Butantan. Cerca de 16 mil pessoas participaram dos testes entre 2016 e 2024.

De acordo com os resultados fornecidos pelo Butantan e aprovados pela Anvisa, a vacina representou cerca de 74,7% de eficácia geral para prevenção em pessoas entre 12 e 59 anos, além de uma porcentagem de 91,6% na proteção contra dengue grave ou com sinais de alarme. Já na proteção contra hospitalizações o resultado se mostrou 100% eficaz.

A vacina inclui os quatro sorotipos do vírus da dengue, se destacando também pelo fato de ser eficaz tanto para pessoas que já tiveram dengue quanto para aquelas que nunca foram expostas ao vírus. Outro ponto positivo é que a eficácia da dose única do imunizante foi mantida durante os cinco anos de estudos.


Mosquito Aedes aegypti, responsável por transmitir a dengue (Foto: reprodução/Getty Images Embed/LUIS ROBAYO)


Além disso, o fato de que a vacina é administrada em dose única também se mostra eficaz no combate contra a dengue realizado pelo governo. Estudos comprovam que vacinas de dose única têm maior adesão e uma cobertura mais rápida em casos de emergências sanitárias.

Doses prontas

Antes mesmo da formalização regulatória, o Butantan já havia iniciado a produção da Butantan-DV em seus laboratórios. A instituição já dispõe de mais de 1 milhão de doses prontas para disponibilização. Essa produção inicial torna possível uma inclusão mais rápida da vacina ao PNI, após todo o processo administrativo ser finalizado.

Para aumentar a oferta, o instituto também realizou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi. É previsto que cerca de 30 milhões de doses sejam entregues até 2026, ampliando significativamente a oferta da vacina nos anos seguintes. Apesar da aprovação técnica pela Anvisa, o Ministério da Saúde ainda deve estabelecer uma data para inclusão da vacina no calendário nacional e como será a distribuição da mesma no país.

Ministério da Saúde lança nova campanha nacional contra o Aedes aegypti

Nesta segunda-feira (3), o Ministério da Saúde anunciou uma nova campanha nacional de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor de várias arboviroses  Intitulada “Não Dê Chance para Dengue, Zika e Chikungunya”, a ação faz parte do plano federal de prevenção às arboviroses, com investimento aproximado de R$183,5 milhões.

Durante o evento, o ministro da Saúde Alexandre Padilha destacou que as ações de combate acontecem durante todo o ano, mas reforçou que o período atual exige atenção redobrada. “Agora é hora de organizar a assistência à saúde, reforçar as ações de prevenção e identificar os pontos estratégicos”, afirmou.

Dados preocupantes

De acordo com o 3º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em 3.223 municípios entre agosto e outubro, 30% das cidades brasileiras estão em situação de alerta para dengue, chikungunya e Zika. Apesar disso, houve uma redução de 75% nos casos em comparação com 2024, segundo dados do ministério.

Atualmente, o Brasil contabiliza cerca de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, sendo São Paulo o estado mais afetado, concentrando 55% dos casos e 64% dos óbitos. O ministro reforçou que a dengue continua sendo a principal endemia do país, e que as mudanças climáticas podem ampliar o risco de transmissão, inclusive em regiões que antes não registravam o mosquito.

Avanços na vacina e expectativas pra 2026

Em outubro, Padilha visitou a China para fortalecer a parceria entre o governo brasileiro e a empresa WuXi Biologics, que colabora com o Instituto Butantan na produção de uma vacina nacional contra a dengue. A expectativa é que o imunizante seja registrado pela Anvisa até o final de 2025, permitindo o início da campanha de vacinação em todo o país.


Ministros Alexandre Padilha e Simone Tebet (Vídeo: reprodução/Instagram/@padilhando)


Segundo o ministro, os estudos clínicos estão progredindo bem, e a farmacêutica chinesa deve produzir 40 milhões de doses destinadas ao Brasil. Após a aprovação, o Comitê Técnico do Programa Nacional de Imunização definirá a melhor estratégia para distribuição.

Por fim, Padilha reforçou que o sucesso do combate depende também da população. Ele lembrou a importância de eliminar criadouros, usar telas e repelentes, limpar calhas e reservatórios e participar das ações promovidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais.

Fiocruz se une com UFMS e comprova eficácia da Qdenga

Segundo o jornal O Globo, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) analisou dados de vida real que comprovaram a eficácia da primeira dose da vacina da dengue entre adolescentes. Sendo assim, essa pesquisa é a primeira a apurar informações do resultado da campanha de imunização do Brasil e a estudar a possibilidade da redução pela metade do risco da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Ainda de acordo com O Globo, as conclusões do trabalho de campo comprovaram que a vacina japonesa contra a dengue possui propriedades eficazes para prevenir a persistência da infecção. Assim, o trabalho realizado pelos pesquisadores acompanhou os dados de jovens na faixa etária entre 10 e 14 anos que foram vacinados pela Qdenga em um período entre fevereiro e dezembro de 2024, no estado de São Paulo.

Vale ressaltar que a injeção produzida pela empresa farmacêutica Takeda, chegou ao SUS (Sistema Único de Saúde) e passou a ser avaliada pelos estudiosos no ano anterior. Além disso, a pesquisa brasileira chegou a ser publicada na revista científica “The Lancet Infectious Diseases” durante esta última terça-feira (19).

Fiocruz comprova que primeira dose da vacina contra dengue já traz resultados

A iniciativa revelou que apenas uma injeção já comprovou a eficácia de 50% contra casos sintomáticos oito dias após a primeira aplicação. Nesse ritmo, o sucesso de 67,5% em casos mais graves que recorrem a uma hospitalização, mostrou que a proteção depois da primeira dose é possível com o uso da medicação preventiva.


Informações sobre a vacina Qdenga (Foto: reprodução/Instagram/@vacinasaobento)


Como consequência, a segunda leva da medicação aumentou o combate contra a variante sintomática da infecção para 61,7%. Os responsáveis pela pesquisa ainda explicaram que não foi possível estimar a eficácia da segunda aplicação contra a internação hospitalar. Porém, eles pretendem repetir o estudo com dados atualizados da amostra deste ano.

Resultados apontam que vacina japonesa é eficaz para variantes da dengue

O coordenador do estudo que atua como pesquisador da Fiocruz e da UFMS, Julio Croda, informou que essa foi a primeira avaliação do mundo que acompanhou a rotina de pessoas vacinadas pela Qdenga. Ele explicou ainda que na vida real tudo pode ser diferente da tese e dos ensaios clínicos. Por isso, existiam muitas dúvidas em relação à proteção que uma pessoa vacinada apenas com a primeira dose teria.

No entanto, os estudos da equipe comprovaram os resultados positivos do teste que reforçam a alta proteção contra a hospitalização apenas com uma aplicação. Desse modo, o estudo que teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), também contou com a colaboração de instituições internacionais como a Universidade de Yale, a Universidade Johns Hopkins e a Universidade Emory, na América do Norte.

Além do projeto ter confirmado que os imunizados vêm sendo protegidos contra a arbovirose, essa iniciativa comprovou hipóteses que haviam sido levantadas sobre sua eficácia em relação aos sorotipos da doença. Ademais, essa mobilização resultou na aceitação do medicamento mediante a concretização de sua prevenção às duas variantes do vírus que circularam durante a pandemia de 2024.

OMS emite alerta sobre possível novo surto de Chikungunya

Durante a manhã desta quarta-feira (23) o OMS emitiu um alerta para o risco global de disseminação da Chikungunya. Vale ressaltar, que as diretrizes da instituição detectaram os indícios de uma epidemia precoce há duas décadas. Desse modo, a doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti se tornou pauta mundial por conta da possibilidade de retornar em mais um grande surto.

A OMS é uma agência compromissada com a tentativa de alcançar uma melhor saúde para todos. Ou seja, eles atuam combatendo doenças transmissíveis e não transmissíveis. Assim, eles direcionam e coordenam a saúde internacional dentro do sistema das Nações Unidas para se dividirem em áreas como: sistemas de saúde, cursos de vida, preparação, vigilância e resposta e serviços corporativos.

OMS traz alerta sobre possível infestação de Chikungunya

Em alguns casos a Chikungunya é transmitida pelo Aedes albopictus ou pelo famoso Aedes aegypti –o mesmo mosquito que transmite a Dengue, a Zika e a Febre Amarela. Além disso, os sintomas que acompanham a doença são compostos por febre e intensas dores articulares nas pessoas infectadas. Em alguns casos essas dores podem debilitar uma pessoa ou causar uma consequência fatal.

Segundo uma matéria da revista O Globo, uma representante da OMS, apresentada como Diana Rojas Alvarez, esclareceu que a doença transmitida por mosquitos não é uma doença amplamente conhecida. Porém, a enfermidade foi detectada em 119 países, colocando cerca de 5,6 bilhões de pessoas em risco ao redor do mundo. Além disso, Rojas fez questão de lembrar em uma coletiva de imprensa em Genebra que em um período entre 2004 e 2005 o Oceano Índico foi infestado por uma grande epidemia que atingiu territórios pequenos antes de se espalhar globalmente e infectar quase meio milhão de pessoas.

Desse modo, a representante da OMS enfatizou que a agência observa o mesmo padrão se repetir desde o início de 2025 após Reunião, Mayotte e Maurício, três ilhas do Oceano Índico, relatarem novas vítimas em grande escala infectadas pela Chikungunya.

Como diferenciar a Chikungunya das demais doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti

Nesse ritmo, a agência da OMS estima que um terço da população de Reunião apresenta sintomas da doença transmitida pelos mosquitos tropicais. Ainda de acordo com a empresa de saúde, as semelhanças entre os sintomas da Chikungunya, da Dengue e do Zika vírus, dificultam o diagnóstico do problema já que ambas são responsáveis por causar: febre alta; dores intensas nas mãos, pés, tornozelos, pulsos e nas demais articulações; dores musculares; dor de cabeça; manchas vermelhas na pele (conhecidas como exantema) e coceira.


Brasil inaugura a maior fábrica de Wolbachia do mundo em combate contra à dengue, zika e chikungunya (foto: reprodução/Instagram/@minsaude)


No entanto, segundo o Ministério Brasileiro de Saúde, a Chikungunya se destaca por causar dores nas costas, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, conjuntivite não-purulenta, náuseas, vômitos, dor de garganta, calafrios, diarreia e dor abdominal. Ademais, é importante esclarecer que no Brasil, esse arbovírus é transmitido pela fêmea do mosquito Aedes aegypti e que a doença pode evoluir em três fases conhecidas como febril ou aguda (com duração de 5 a 14 dias), pós-aguda (de 15 a 90 dias) e crônica (após 90 dias de infecção) onde a artralgia (dor nas articulações), pode permanecer.

Mortes por dengue ultrapassam a marca de mil casos no Brasil em 2025

De acordo com dados atualizados nesta sexta-feira (23) no Painel de Monitoramento das Arboviroses, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.008 óbitos por dengue desde 1º de janeiro de 2025. Ainda há 817 casos de óbito suspeitos sob investigação. O coeficiente de incidência até o momento é de 647,3. 

Em todo o Brasil, foram mais de 1,3 milhão de casos prováveis de dengue. A taxa de letalidade informada no painel é de 0,07% e o índice de casos graves em todo o país chega a 4,07%. 

Apesar do alto número de registros, os gráficos no painel indicam uma redução significativa dos casos de dengue durante o mesmo período em comparação a 2024, se aproximando mais dos índices de 2023.


Casos prováveis de dengue por ano e semana epidemiológica 2023, 2024, 2025
(Foto: reprodução/Arboviroses/Ministério da Saúde)

Estados com mais registros

São Paulo registrou 770.339 casos prováveis, com o maior índice de mortes por dengue no Brasil, contabilizando 693 óbitos. A seguir, Paraná informou 84 óbitos e Minas Gerais, 73.

São Paulo tem 494 casos de óbito sob investigação e os índices de letalidade em casos prováveis e em casos graves estão em 0,09% e 4,70%, respectivamente.


Mais de 1 milhão de casos prováveis de dengue no Brasil indicam uma redução em relação a 2024 (Foto: reprodução/YouTube/CNN Brasil)

São Paulo também lidera o ranking de casos graves e com sinais de alarme, com 14.737 registros. O índice de coeficiente de incidência é de 1.675 casos para cada 100 mil pessoas. 

Os estados que seguem São Paulo em casos prováveis são Minas Gerais (147.083 casos), Paraná (108.738 casos) e Rio Grande do Sul (70.991 casos).

Os coeficientes de incidência mais altos são de São Paulo (1675), Acre (939), Goiás (934) e Paraná (919). 

Dados complementares

De acordo com a Agência Brasil, a maior concentração de casos prováveis se encontra na faixa etária de 20 a 29 anos. Em sequência, estão os grupos de 30 a 39 anos, de 40 a 49 anos e, por último, de 50 a 59 anos. 

A concentração dos casos prováveis pela categoria sexo é de 55% para mulheres e 45% para homens. Na categoria de raça/cor, os índices correspondem a 50,3% branca, 30,2% parda, 4,9% preta, 1,2% amarela e 0,2% indígena. Em outros casos sem informação de raça/cor ou com a informação ignorada, o índice chegou a 13,1%.

Vigilância e prevenção

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) alerta que todos devem estar atentos para prevenir e responder rapidamente aos casos de dengue em todo o país. O acolhimento, diagnóstico precoce e manejo clínico adequados são fundamentais no combate à doença. 

Aos primeiros sintomas mais comuns, como febre alta, dores musculares, dor de cabeça, coceira, manchas vermelhas e mal-estar, a população deve buscar imediatamente a unidade de saúde mais próxima para uma avaliação médica. 

O agravamento da doença pode ser rápido e precisa de cuidados emergenciais e intensivos para evitar sangramentos, queda da pressão arterial e o comprometimento de órgãos vitais. 

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas e sinais de alerta para dengue grave são dor na barriga intensa, vômitos frequentes, tontura ou sensação de desmaio, dificuldade de respirar, sangramento no nariz, gengiva e fezes, cansaço e/ou irritabilidade.

A vigilância epidemiológica é feita por meio da notificação dos casos, o que ajuda no controle da doença e na consolidação da atuação das secretarias de saúde. 

Dengue no Sul: clima mais quente rompe barreiras e amplia epidemia

O Rio Grande do Sul, antes conhecido pelo clima mais ameno que dificultava a circulação do Aedes aegypti, agora se torna um dos novos focos da dengue no Brasil. Até o dia 8 de maio, mais de 15 mil casos haviam sido confirmados e oito mortes registradas. A taxa de transmissão no estado já supera 2,08, número semelhante ao observado nos primeiros meses da pandemia de Covid-19.

Especialistas alertam que a expansão da doença no Sul é um reflexo direto do aquecimento global.

A dengue está se deslocando para áreas subtropicais e até para altitudes maiores. Se o mundo continuar aquecendo, epidemias poderão ocorrer em locais como Europa e Estados Unidos

explica Diego Xavier, da Fiocruz

Além disso, 474 municípios gaúchos estão infestados pelo mosquito — número superior ao registrado em 2024. Esse crescimento acende um alerta sobre como o cenário da doença está se transformando.


O combate contra dengue (Vídeo: reprodução/X/Band jornalismo)

Um vírus impulsionado pelas mudanças climáticas

O aumento da temperatura média tem encurtado o inverno e antecipado a primavera, criando condições ideais para a sobrevivência do Aedes aegypti. Segundo a epidemiologista Cláudia Codeço, essas pequenas alterações já são suficientes para manter o ciclo do vírus ativo por mais tempo. Isso fez com que a dengue deixasse de ser uma doença sazonal em muitas regiões do Brasil.

Estudos indicam que o aquecimento global é responsável por quase 19% das infecções de dengue no mundo. No Brasil, as projeções do AdaptaBrasil apontam que, até 2030, metade dos municípios brasileiros pode enfrentar alto risco para arboviroses. As causas são diversas: urbanização desordenada, desmatamento, chuvas irregulares e acesso precário ao saneamento.

O desafio do combate: ciência, vacina e prevenção

Apesar da gravidade do cenário, novas estratégias têm trazido resultados positivos. Entre elas, o projeto Wolbachia, que utiliza uma bactéria para bloquear a transmissão do vírus pelo mosquito, já demonstrou eficácia em países como Indonésia e Austrália. No Brasil, o programa reduziu casos de dengue em até 70% em cidades como Niterói.

Além disso, vacinas como a Qdenga e a desenvolvida pelo Instituto Butantan ampliam as possibilidades de prevenção. No entanto, especialistas reforçam que apenas a tecnologia não basta: é preciso planejamento, educação e infraestrutura. “Educação e combate à desigualdade são passos essenciais. Mas é fundamental usar todas as ferramentas disponíveis”, conclui Diego Xavier. Com ações coordenadas e políticas públicas eficazes, ainda é possível reduzir o impacto das epidemias e evitar que a dengue continue ganhando novos territórios.

Veja as principais precauções necessárias em relação a dengue

O verão é a época do ano com maior transmissão da dengue, pois o clima quente e chuvoso favorece a proliferação do mosquito. Durante o Carnaval, as viagens aumentam o risco de contaminação, tornando essencial adotar alguns cuidados.

Cuidados importantes

Especialistas recomendam verificar possíveis focos do mosquito em chácaras e casas alugadas. Os principais locais que podem acumular água são vasos de plantas, pneus, calhas e caixas d’água. Também é importante checar qualquer objeto que possa armazenar água parada. O uso de telas de proteção em portas e janelas é essencial, principalmente em áreas próximas à mata. Antes de viajar, vale a pena consultar as autoridades locais para saber a situação da região em relação à doença, incluindo número de casos e presença do mosquito transmissor.

Informações sobre repelentes

O uso de repelente é indispensável. Os repelentes corporais são mais eficazes que os inseticidas e menos agressivos ao meio ambiente. Em locais muito quentes, eles ajudam a proteger as áreas do corpo que ficam expostas devido ao calor. Nos bloquinhos de Carnaval, o ideal é usá-los junto com o protetor solar. A duração do efeito do repelente varia conforme a composição. Os produtos com DEET, a substância mais comum, protegem por 2 a 8 horas. Os feitos com icaridina duram de 6 a 10 horas, enquanto os à base de IR3535 têm proteção de cerca de 4 horas. Suor excessivo, contato com água e exposição ao sol podem reduzir a eficácia do produto, por isso a reaplicação é fundamental.


Quadro informativo sobre como acabar com possíveis focos (foto: reprodução/x/g1)

Bebês menores de 6 meses não devem usar repelentes corporais. A partir dessa idade, os mais indicados são os feitos com IR3535. Crianças acima de 2 anos podem usar repelentes à base de DEET (com concentração de até 10%) ou icaridina (até 25%). A partir dos 3 anos, qualquer tipo de repelente pode ser usado sem contra indicação.

Doses de vacina da dengue tem público-alvo ampliado temporariamente

O Ministério da Saúde ampliou temporariamente o público-alvo da vacinação contra a dengue, e indicou que os estados e o Distrito Federal façam remanejamento das doses para novos municípios. A decisão é uma maneira de não desperdiçar doses com data de validade próxima.

Quem pode se vacinar nesse momento?

A vacina é normalmente oferecida pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios que registram maior incidência da doença. Na nova recomendação temporária, as doses com dois meses para vencer, a aplicação foi estendida para pessoas de 6 a 16 anos. Com a validade de apenas um mês, o público pode ser ampliado para 4 a 59 anos, 11 meses e 29 dias de idade.

“Ressaltamos que essa é uma medida de caráter temporário, aplicável exclusivamente às vacinas com curto prazo de validade”
Ministério de Saúde 

Baixa procura preocupa autoridades

O governo distribuiu ao menos 6,5 milhões de vacinas contra a dengue, porém menos de 4 milhões foram aplicadas. Dados afirmam que cerca de 1,3 milhões de adolescentes que tomaram a primeira dose não voltaram para a segunda. Isso explica o estoque de doses perto do vencimento e a campanha ampliada.


Divulgação de reabastecimento nas redes sociais do Ministério de Saúde (Vídeo:: reprodução/Instagram/@minsaude)


A dengue no Brasil 

A dengue é uma doença transmitida por um mosquito, o “Aedes aegypti”. Os principais sintomas são febre alta, dores no corpo, manchas vermelhas e nos casos graves, hemorragias. A melhor forma de prevenção é o combate ao mosquito e o cuidado em ambientes onde eles se criam, como águas paradas. 

Nas primeiras semanas de 2025, o número de casos de dengue no Brasil é quase 60% menor em relação ao início de 2024, de acordo com os dados do “painel de monitoramento das arboviroses” do Ministério da Saúde.

A vacinação é uma das maneiras para combater a dengue. Em 2024, devido às mudanças climáticas, a doença teve aumento de casos em todo mundo e então, novas campanhas foram levantadas. O Ministério da Saúde tem investido também na produção de uma vacina brasileira pelo Butantan.

Primeira morte por dengue em 2025 no Rio alerta para a prevenção

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro confirmou, nesta segunda-feira (27), a primeira morte por dengue em 2025.

A vítima é um homem de 38 anos, residente no bairro de Campo Grande. A notícia reacende o alerta para o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

Epidemia histórica em 2024

No ano passado, o Rio de Janeiro enfrentou uma das maiores epidemias de dengue da última década. Foram registrados 111 mil casos, representando uma taxa de incidência de 1.756,21 casos por 100 mil habitantes. Além disso, a doença causou 21 mortes, resultando em uma taxa de letalidade de 0,02%.

Durante 2024, a campanha de vacinação foi intensificada na cidade. Mais de 155 mil doses da primeira etapa do imunizante foram aplicadas, além de outras 55 mil da segunda dose.

A vacina continua disponível em todas as 239 unidades de Atenção Primária, bem como nos Super Centros Cariocas de Vacinação, localizados em Botafogo e Campo Grande.

Onde está o perigo

Entre 6 e 10 de janeiro deste ano, mais de 100 mil residências passaram por inspeções contra o Aedes aegypti. Os agentes identificaram focos do mosquito em quatro principais tipos de locais:

  • Objetos como garrafas e vasos (29,8%)
  • Estruturas fixas, como calhas e piscinas (26,4%)
  • Reservatórios de água para consumo (19,5%)
  • Entulhos e lixo removíveis (15,5%)

A população é orientada a manter esses ambientes limpos e livres de água parada para evitar a proliferação do mosquito.

A vacina contra a dengue é destinada a adolescentes entre 10 e 14 anos e está disponível diariamente nas unidades de saúde. O Super Centro Carioca de Vacinação em Botafogo funciona das 8h às 22h, enquanto a unidade de Campo Grande segue o horário do ParkShoppingCampoGrande.

Até o momento, o estado do Rio de Janeiro registrou 2.315 casos prováveis de dengue e 148 internações. A morte recente reforça a importância de medidas preventivas e de adesão à vacinação.

As autoridades pedem colaboração da população para intensificar o combate ao mosquito e prevenir novos casos. Manter os ambientes limpos e receber os agentes de saúde são passos fundamentais para proteger vidas e conter a doença.

Formas de evitar a dengue

Evitar água parada

  • Vasos e recipientes: elimine pratos de vasos de plantas ou mantenha-os com areia.
  • Lixo: tampe bem lixeiras e elimine entulhos.
  • Caixas d’água: mantenha-as bem fechadas.
  • Garrafas: guarde-as sempre com a boca virada para baixo.
  • Piscinas: trate com cloro regularmente.

Água parada (Foto: reprodução/Pinterest/@homedepot)

Manutenção de áreas externas

  • Calhas: limpe-as com frequência para evitar o acúmulo de água.
  • Ralos: use telas protetoras ou adicione desinfetante semanalmente.
  • Lonas e plásticos: evite deixá-los acumulando água.
  • Entulhos e pneus: descarte ou guarde em locais protegidos da chuva.

Cuidados com a saúde

  • Repelente: use repelentes recomendados e reaplique conforme indicado.
  • Roupas: em áreas de risco, use roupas que cubram braços e pernas.
  • Mosquiteiros e telas: instale telas em janelas e use mosquiteiros nas camas, especialmente em áreas endêmicas.

Repelente (Foto: reprodução/Pinterest/@sunsetmag)

Colaboração com autoridades

  • Receber agentes de saúde: permita que façam vistorias em sua residência.
  • Denúncia de focos: informe locais com água parada, como terrenos abandonados.

Apoio à vacinação

  • Para públicos elegíveis, como adolescentes de 10 a 14 anos, busque os postos de saúde para garantir a imunização.

Vacinação (Foto: reprodução/Pinterest/@freepik)

Educação e conscientização

  • Incentive vizinhos e comunidades a adotarem práticas preventivas.
  • Participe de mutirões de limpeza e campanhas de combate ao mosquito.

Eliminação de mosquitos

  • Inseticidas: use produtos específicos, mas com moderação e cuidado.
  • Armadilhas: monte armadilhas caseiras ou adquira modelos disponíveis no mercado.
  • Plantas repelentes: cultive espécies como citronela, lavanda e manjericão para afastar os insetos.

Manjericão (Foto: reprodução/Pinterest/@vortexmag4)

A luta contra a dengue não é apenas responsabilidade das autoridades, mas de cada cidadão. Pequenas ações, como eliminar água parada e colaborar com as campanhas de prevenção, podem salvar vidas.

Enquanto o município intensifica os esforços, é essencial que a população faça sua parte para evitar que tragédias como essa se repitam. A dengue é uma doença grave, mas pode ser combatida com união e conscientização.

São Paulo anuncia Centro de Operacões de emergência para o combate à dengue

Ao que tudo indica, 2025 será um ano desafiador para a população de São Paulo no combate à dengue. O Governo anunciou nesta quinta-feira (23) que o sorotipo 3, ausente há 17 anos, foi identificado em 50% das amostras coletadas, um aumento significativo e preocupante para o Estado.

É isso que nos angustia. Um sorotipo que não corre há mais de uma década no estado de São Paulo e para o qual as pessoas estão extremamente suscetíveis

-Secretário de Saúde, Eleuses Paiva (PSD), no encontro com os secretários municipais de saúde no Palácio dos Bandeirantes.

Diante da situação emergencial na cidade, o Governador Tarcísio Freitas assinou o decreto que estabelece a criança do Centro de Operações Emergências para o combate à dengue em SP.

Além disso, um apoio de R$228 milhões será enviado aos municípios mais afetados. O recurso será utilizado para a aquisição de materiais de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue: inseticidas, equipamentos e medicamentos necessários para a rede pública de saúde.


Governo de SP anuncia Centro de Operações de Emergência e suporte de R$228 milhões (Reprodução/Youtube/Governo do Estado de São Paulo)

Atualmente, 33 cidades estão em estado de emergência. São José do Rio Preto e São José dos Campos são as regiões mais afetadas pela doença. Os números são preocupantes. Em 2024, o ministério da saúde divulgou os dados do painel de arboviroses, que registrou 6.629.595 casos suspeitos da doença no ano passado. Além disso, 6.103 mortes pela doença foram confirmadas.

A vacina

Em dezembro de 2024, o Instituto Butantan enviou à ANVISA os últimos documentos para a análise da sua primeira vacina de dose única contra a doença. A análise continua sem prazo definido para conclusão, no entanto, o Instituto já iniciou a produção dos imunizantes.


Instituto Butantan já iniciou as produções da vacina Butantan-DV (Foto: reprodução/Butantan)

A Butantan-DV deve ser uma solução para o combate à doença em 2026. A meta é produzir 1 milhão de doses neste ano e até 100 milhões até 2027.