Com dólar aumentando, entenda o que pode ficar mais caro no Brasil

Nesta quarta-feira (06), o dólar está sendo negociado no câmbio comercial entre R$ 5,76 e R$ 5,86, com a vitória de Donald Trump nas eleições. O aumento do valor da moeda americana influencia diretamente no valor dos produtos brasileiros, pois grande parte da produção depende de insumos e maquinários importados, elevando o valor na compra.

Matérias-primas produzidas em larga escala no Brasil como trigo, gás e petróleo dependem da importação e, em função das cotações internacionais, o dólar encarece certos itens. Por isso o valor da moeda americana tem tanto impacto na vida dos brasileiros, desde um simples pão francês até o preço das passagens aéreas.


Trump eleito poderá trazer aumento do valor do dólar no Brasil (Reprodução/X/@AFP)

Produtos impactados pelo dólar

Itens como o pão francês, o macarrão e os biscoitos são atingidos pelo dólar, por serem alimentos com os preços definidos pelo mercado global. O Brasil é um dos maiores exportadores de commodities, matérias-primas que alteram seus valores, conforme o mercado internacional, como a soja, o milho e o trigo.

A gasolina também é um item atingido pelo valor do dólar. O Brasil é um dos maiores produtores de petróleo da América Latina e ocupa uma posição relevante no cenário global. No entanto, ele tem seu valor atrelado ao mercado internacional de petróleo que, por sua vez, é cotado em dólar, por isso o valor da gasolina nos postos do Brasil tem aumentado, consideravelmente, a cada ano.

As passagens aéreas e os transportes públicos também sofreram alteração de preço com o aumento da moeda americana, visto que o valor das passagens estão diretamente ligadas ao valor dos combustíveis. Já os produtos eletrônicos são afetados, porque a produção de cada produto depende de uma grande cadeia de produção, incluindo insumos, peças e maquinários, cotados em dólar.

O discurso de Fernando Haddad

O aumento do dólar na última semana iniciou após a fala do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no dia 29 de outubro, que diz que não haver prazo de divulgação de medidas voltadas para o corte de gastos. O dia terminou com uma alta de 0,92% do dólar, valendo R$ 5,761; a maior cotação da moeda americana desde 2021, quando atingiu R$ 5,766.

Não tem uma data, ele [Lula] que vai definir. Mas a gente está avançando a conversa, estamos falando muito com o Planejamento também. Fernando Haddad

Fernando Haddad e Simone Tebet estão trabalhando em um conjunto de medidas para corte de gastos, que já foram apresentados ao presidente Lula. Nos próximos dias, após diversas reuniões com os ministros, os planejamentos serão anunciados.

Entenda como a economia do Brasil será impactada com a vitória de Trump

Nesta quarta-feira (07), Donald Trump foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos. Suas propostas políticas como a deportação de imigrantes, políticas protecionistas para fortalecer a indústria americana e a imposição de tarifas mais altas sobre produtos importados podem impactar diretamente a economia do mundo e do Brasil, elevando inflações e reduzindo correntes comerciais.

O tarifaço dos Estados Unidos

Segundo analistas entrevistados pela BBC News Brasil, o país deve se preparar para uma grande alta do dólar e uma diminuição de exportações para os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Essa diminuição pode ser causada pelas políticas protecionistas defendidas por Trump, que terá como consequência o aumento das tarifas de importação, chamadas de “tarifaço“.

As tarifas poderão aumentar cerca de 10% a 20% para todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. A China, considerada uma grande rival comercial de Trump, poderá ter tarifa aumentada em 60%.

Donald Trump defendeu em sua campanha que o tarifaço incentivaria a criação de empregos no país, movido pelas empresas incentivadas a produzirem nos Estados Unidos. No entanto, grande parte dos especialistas discordam do republicano. Segundo eles, o protecionismo “ou vira inflação, ou vira redução de demanda“, diminuindo o volume de exportações com parceiros como o Brasil.

Para isso, para haver uma política de equilíbrio fiscal, para que o país possa evitar déficits fiscais ou dívidas excessivas. O economista Paulo Silva afirma que “o protecionismo econômico de Trump aumenta a pressão inflacionária e intensifica o ciclo de alta de juros por aqui“. Diante disso, podemos esperar um aumento na taxa Selic, que significa uma elevação na taxa básica de juros da economia brasileira.

Impacto entre Brasil e China

Esse cenário econômico mundial também afetará diretamente a China, o maior parceiro do Brasil, destino da maior parte das exportações brasileiras de produtos agrícolas, como soja, carne e minérios de ferro. A redução do comércio entre a China e os Estados Unidos, poderá reduzir a demanda chinesa pelos produtos brasileiros.

“A super taxação feita para proteger a economia e o emprego estadunidense irá afetar economias exportadoras como a China, (…) Assim, a queda na demanda pode levar a uma recessão e impactar diretamente importadores brasileiros que fazem negócios com a China.”, afirmou Celso Grisi, professor da FIA Business School.


Discurso de Fernando Haddad após a vitória de Donald Trump (Vídeo: reprodução/X/@CNNBrasil)

“Dia amanheceu mais tenso”

O Ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, afirmou que hoje o “dia amanheceu, no mundo, mais tenso”, se referindo à vitória de Donald Trump. O ministro também disse que, apesar dos discursos radicais dados na campanha, o primeiro discurso de Trump como presidente eleito foi mais moderado, por isso devemos “aguardar um pouquinho e cuidar da nossa casa“.

Ainda que todas as suposições e estudos de hipóteses sejam realizados, os especialistas afirmam que tudo irá depender do que será colocado em prática por Donald Trump e a forma com o qual os países irão reagir às mudanças.

Ministério do Turismo informa que estrangeiros investem mais de R$ 30 bilhões na economia brasileira

Nesta terça-feira (29), o Ministério do Turismo apresentou dados que mostram que visitantes estrangeiros injetaram, nos primeiros nove meses do ano, R$ 30,821 bilhões na economia brasileira. Houve um crescimento de 25%.

Estamos observando uma demanda crescente do interesse internacional em conhecer as belezas do Brasil. Isso mostra que temos um mercado econômico muito valioso para ser trabalhado, com ações e políticas públicas que promovam nossos atrativos turísticos lá fora”, afirma Celso Sabino, ministro do Turismo.


Ministro do Turismo do Brasil, Celso Sabino, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e o Rei Momo Caio Cesar Dutra durante a abertura do Carnaval de 2024 (Foto: reprodução/ MAURO PIMENTEL/ Getty Images Embed)

Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI)

Em março de 2024, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), o primeiro edital do Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI). A proposta discute a realização de parceria público-privada com as companhias aéreas e aeroportos para o aumento no número de assentos e voos internacionais com destino ao Brasil.

Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, participou da cerimônia de lançamento do projeto e lembrou que o Brasil é uma grande janela de oportunidades para o mercado internacional:

“A cada quatro turistas que chegam no País, nós estamos falando em um emprego que é gerado para a população brasileira. Eu digo sempre que o emprego sem dúvida alguma é o maior programa social do Brasil, é isso que traz dignidade e traz felicidade para as pessoas.”

Os primeiros resultados do Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI), lançado em 2024, indicam um impacto positivo no turismo brasileiro, especialmente no aumento da conectividade e da visibilidade internacional do país. Os dados do Ministério do Turismo e da Embratur mostram que o programa atraiu mais de 70 mil novos assentos em voos internacionais ao Brasil e registrou um crescimento de 9,7% no número de turistas estrangeiros em comparação ao ano anterior, totalizando cerca de 3,6 milhões de visitantes até o primeiro semestre de 2024.

Desenvolvimento de infraestrutura turística

Entre os exemplos de desenvolvimento de infraestrutura turística apoiados pelo Programa de Aceleração do Turismo Internacional (PATI) e pelo Ministério do Turismo, destacam-se as melhorias realizadas em orlas e vias de acesso a locais turísticos. Em 2023, foram financiadas 510 obras, incluindo a reforma de orlas marítimas, pavimentação de vias e construção de centros de eventos.

Esses projetos, voltados para melhorar a experiência e a acessibilidade dos turistas, somaram investimentos federais de R$ 380 milhões. No primeiro semestre de 2024, já foram realizados mais de 225 empreendimentos com um aporte de R$ 146,3 milhões.

Pagamento com PIX poderá ser feito por aproximação a partir da semana que vem

Nesta terça-feira (29), Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, anunciou que a partir da semana que vem, o pagamento com PIX poderá ser feito por aproximação, funcionalidade que já existe para cartões de crédito. A nova opção promete facilitar ainda mais as transações. O uso do PIX continua a se expandir, trazendo mais conveniência para os usuários. Essa inovação visa modernizar e agilizar o sistema de pagamentos no Brasil.

“Agora, nesta semana, vamos ter um evento com o Google para lançar o pagamento por aproximação do PIX. Da mesma forma que você tem hoje no Google Wallet, onde encosta o cartão de crédito e paga, você vai poder fazer isso com o PIX a partir da próxima semana”, lembra o presidente do Banco Central.

Com essa nova opção, os consumidores não precisarão acessar o aplicativo bancário para efetuar as operações. Para colocar em uso a nova função, será necessário escolher a chave PIX de uma instituição financeira, registrar a conta para pagamentos e salvar a configuração. Dessa forma, o consumidor apenas aproximará o cartão à maquininha, realizando a transação de maneira prática.


Sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil (Foto: reprodução/
Bloomberg/ Getty Images Embed)


Golpes

O Relatório de Fraude Scamscope, desenvolvido pela ACI Worldwide em parceria com a GlobalData, apresenta que, golpes aplicados por meio do PIX devem exceder R$ 3,7 bilhões no Brasil até 2027. O Brasil é o segundo país mais impactado com roubo de cartões de pagamento, segundo pesquisa realizada pela NordVPN

É importante ter cuidado com pagamentos realizados por PIX e cartões registrados em celulares porque esses métodos podem ser vulneráveis a fraudes e golpes. A exposição a aplicativos maliciosos, phishing (uma técnica de fraude online em que golpistas tentam enganar as pessoas para que forneçam informações pessoais), e a possibilidade de perda ou roubo do dispositivo, podem comprometer dados financeiros.

Além disso, a falta de autenticação adequada pode permitir que terceiros acessem contas e realizem transações indevidas. Portanto, é essencial adotar medidas de segurança, como autenticação em duas etapas e manter o software do celular atualizado.

Roubos de dados

Segundo a NordVPN, o processo de roubo de dados começa com a configuração de um tipo de software malicioso, projetado para examinar fragilidades em dispositivos. 

“Essas ferramentas maliciosas podem ter origem em várias fontes, incluindo arquivos infectados de mensagens de spam”, explicou Maria Eduarda Melo, gerente geral da NordVPN no Brasil.

Para evitar roubos de dados, considere monitorar suas contas financeiras em tempo real, além de se prevenir utilizando senhas fortes e não divulgando informações pessoais na rede.

Da crise à estabilidade: as estratégias de Milei para reduzir a inflação na Argentina

Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, a inflação mensal, que havia chegado a quase 13%, foi drasticamente diminuída para 3,5%, enquanto o valor do dólar paralelo se estabilizou. Um assessor econômico do governo explicou as estratégias implementadas pelo polêmico líder libertário, cujas políticas foram questionadas por opositores e especialistas.

A estratégia de Milei: Cortes de gastos e controle monetário

Milei enfrentou um cenário econômico crítico ao assumir o cargo, com a inflação disparada e o dólar atingindo recordes. Para reverter a situação, o presidente decidiu realizar o que chamou de “maior ajuste na história da humanidade”, cortando imediatamente um terço dos gastos públicos.

Essa ação foi fundamental para reduzir as emissões monetárias, uma das principais causas da inflação. A decisão de cortar gastos, segundo economistas, foi uma tentativa de restaurar a credibilidade fiscal do governo e criar um ambiente de maior estabilidade econômica.

Desde o primeiro mês de mandato, Milei implementou uma série de políticas que resultaram em uma transformação rápida e radical da economia argentina. Ao eliminar gastos com programas sociais e cortes em setores considerados não essenciais, o governo conseguiu reduzir o déficit fiscal e aumentar a arrecadação. Assim, Milei diminuiu as emissões de moeda, e também passou do déficit ao excedente fiscal – um feito notável em um país que lutava com a instabilidade financeira por décadas.

Miguel Boggiano, membro do Conselho de Assessores Econômicos do governo, detalha que o ajuste foi acompanhado pela redução da taxa de juros dos passivos remunerados, um tipo de dívida de curto prazo que o Banco Central havia acumulado.

Baixamos a taxa de juros paga pelos passivos e desvalorizamos o peso, o que ajustou os preços relativos e liquidou os passivos”, explica Boggiano. Essa estratégia ajudou a controlar a inflação e restaurou a confiança dos investidores, que começaram a ver o país como um lugar mais seguro para aplicar seu capital.

Embora os resultados iniciais tenham sido encorajadores, com a inflação caindo para 3,5% ao mês, a administração de Milei não esteve isenta de polêmicas. O aumento da pobreza, que atingiu níveis preocupantes, com mais de 53% da população vivendo nessa condição, levantou preocupações sobre o custo social das políticas de austeridade.


Javier e sua irmã Karina Milei após a vitória nas eleições argentinas (Foto: Reprodução/Luis Robayo/Getty Images Embed)


Desafios e críticas ao governo Milei

Apesar do sucesso inicial em estabilizar a economia, a Argentina ainda enfrenta desafios importantes. Críticos apontam que as políticas de Milei podem ser uma solução temporária que oculta outros déficits reais. O ex-assessor Carlos Rodríguez alertou sobre os riscos de um malabarismo financeiro que não aborda as dívidas acumuladas.

Em sua conta no X (antigo Twitter), Rodríguez afirmou que o governo não teria superávit se não fosse financiado por títulos do Tesouro, que permitem o adiamento de pagamentos. A preocupação de muitos especialistas é que, sem um plano de longo prazo, as reformas de Milei podem levar a um ciclo de dívida e recessão.

Além disso, muitos argentinos estão ansiosos com a possibilidade de que a austeridade possa aumentar a crise social. O aumento da pobreza, que impacta emgrande parte crianças e famílias vulneráveis, mostra que as políticas de Milei têm um custo humano elevado. De acordo com estatísticas recentes, quase 7 em cada 10 crianças estão em situação de pobreza, levantando questões sobre a viabilidade das reformas e seu impacto na sociedade.

A trajetória econômica do país, no momento, ainda é incerta. Muitos se perguntam se as mudanças colocadas por Milei conseguirão sustentar uma recuperação a longo prazo em meio a desafios persistentes, como a pobreza e a dívida pública.

Dólar em alta em meio a crescente da economia americana

Auxiliada pela percepção da força da economia dos Estados Unidos no exterior e pelas apostas na vitória de Donald Trump na eleição presidencial do país, que se aproxima, faltando menos de duas semanas para o pleito que vai definir os rumos que a nação deve tomar nos próximos quatro anos, o dólar fechou em alta nas negociações desta última segunda-feira.

Cenário positivo a frente

Recentemente, o cenário para o dólar tem sido bastante positivo. Os dados sólidos de emprego e consumo dos Estados Unidos, divulgados recentemente, reduziram as expectativas dos investidores de um afrouxamento monetário agressivo pelo Federal Reserve, o que elevou os rendimentos do Treasuries, gerando um cenário favorável para o dólar.


Dólar vem em momento de alta (Foto:reprodução/Moment/Boy_Anupong/Getty Images Embed)


Outro ponto importante dessa recente alta é a expectativa de que o ex-presidente republicano Donald Trump vença as eleições. Isso é visto como positivo, já que suas propostas, como tarifas e cortes de impostos, são consideradas inflacionárias, o que manteria os juros do Fed elevados, algo favorável para o dólar e que poderia ajudar a impulsionar a economia do país.

“Estamos vendo os holofotes sendo redirecionados para os EUA, onde os mercados temem não apenas o retorno de Trump à Casa Branca, mas também uma vitória em massa do Partido Republicano em todo o Congresso. Esse cenário seria, sem dúvida, o menos favorável para os mercados emergentes”

Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.

Dólar vem avançando

O dólar avançava nesta sessão, superando moedas de países emergentes, como o peso mexicano e chileno. A alta foi impulsionada pela recuperação de commodities, como petróleo e minério de ferro, após novas medidas de estímulo anunciadas pela China, que cortou taxas de empréstimo conforme esperado. O índice do dólar, que compara a moeda norte-americana a seis outras divisas, subia 0,12%, alcançando 103,580. A força do dólar reflete tanto as expectativas em torno da economia dos EUA quanto o impacto dessas medidas de estímulo na economia chinesa.

Disparada no número de super-ricos aumenta as exigências para se tornar um ultrarrico

O número de super-ricos ao redor do mundo aumentou drasticamente nos últimos anos, e o montante necessário para ser considerado um “ultrarrico” também subiu. De acordo com a revista Fortune, se antes um patrimônio de US$ 30 milhões (R$ 170 milhões) era suficiente para entrar nesse grupo seleto, agora especialistas sugerem que o valor mínimo pode chegar a US$ 100 milhões (R$ 567 milhões).

A nova régua para ser ultrarrico

Nos últimos sete anos, o número de indivíduos com patrimônio superior a US$ 30 milhões aumentou 28%, chegando a 220 mil pessoas em 2023, segundo dados da Capgemini, consultoria estratégica francesa. Esse aumento, alimentado pelo grande desempenho econômico dos Estados Unidos e pela alta nos mercados de ações, fez com que o parâmetro para ser considerado ultrarrico fosse ajustado.

Consultores financeiros mencionados pela Fortune apontam que, hoje, um patrimônio de US$ 30 milhões é apenas o início. Para David Gibson-Moore, presidente da consultoria Gulf Analytica, “os ultrarricos estão sendo medidos por novos padrões”, com muitos defendendo que o novo critério para o grupo seja de, pelo menos, US$ 50 milhões ou até US$ 100 milhões em ativos.

As diferenças entre ultrarricos e super-ricos

Além do aumento de fortunas, a classificação entre super-ricos e ultrarricos ganhou novas distinções. Segundo a Fortune, os ultrarricos, também conhecidos como UHNWI (ultra-high-net-worth individuals), são aqueles que possuem um patrimônio de pelo menos US$ 50 milhões. Já os HNWI (high-net-worth individuals), ou super-ricos, são os que possuem menos que isso, mas ainda conservam grandes fortunas.

A Fortune afirma que muitos dos novos ultrarricos vêm do setor de tecnologia, sendo empreendedores ou executivos que acumulam riquezas rapidamente. Diferente dos super-ricos, que focam na preservação de seu patrimônio, os ultrarricos visam expandi-lo ainda mais, se distanciando ainda mais da classe de milionários “comuns”.


Ministro da fazenda, Fernando Haddad, diz que o governo está estudando propostas para taxar os super-ricos (Foto:reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


Taxação de super-ricos entra na pauta do governo brasileiro

Enquanto o número de ultrarricos cresce globalmente, no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, discutem a implementação de uma taxação sobre as grandes fortunas. A proposta busca isentar da cobrança de Imposto de Renda, trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. Atualmente, a isenção se aplica apenas a quem recebe até dois salários mínimos (R$ 2.824).

Haddad afirmou que a medida faz parte de uma tentativa de aproximar o Brasil dos padrões tributários da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O governo estuda vários cenários para enviar uma proposta sólida ao Congresso, sem pressa, mas com foco em uma maior justiça social. Lula também falou sobre a importância de cobrar mais de herdeiros e super-ricos, dizendo que “não se pode cobrar 25% ou 15% de um trabalhador que ganha R$ 4 mil e deixar os caras que recebem herança sem pagar.”

Essa crescente diferença entre os super-ricos e o resto da população tem gerado debates sobre como tornar o sistema tributário mais justo. Enquanto a riqueza de um pequeno grupo continua a aumentar, o governo tenta encontrar formas de aliviar a pressão sobre os trabalhadores e garantir que quem tem mais contribua de forma mais significativa.

Economia comportamental: o que nos leva a tomar decisões financeiras arriscadas?

Você já se perguntou o que o leva a gastar dinheiro? Para além das necessidades básicas, o que te fez optar por comprar o último item “supérfluo” dentro ou fora da internet? Essa é uma questão simples, mas a qual dita um espaço amplo dos estudos econômicos relacionados aos nossos comportamentos.

A economia comportamental é um campo de estudos que investiga as razões pelas quais as pessoas tomam decisões financeiras, como a aquisição de bens e serviços ou a realização de investimentos. De forma geral, essas razões são influenciadas por fatores psicológicos, o que vale a pena aprofundar.

Isso é especialmente notável quando falamos sobre as decisões financeiras “arriscadas”, aquelas nas quais não há a certeza de um retorno. Investimentos na bolsa de valores e apostas esportivas pela internet são dois excelentes exemplos. Afinal de contas, por que seguimos por esses caminhos?

Risco calculado como forma de entretenimento

Como mencionado no item anterior, o entretenimento online pode ser encarado como uma decisão financeira arriscada, mas é fundamental ser visto sob o prisma da diversão, não como um investimento. Jogar com responsabilidade envolve definir limites e apostar apenas quantias que não comprometam o orçamento.

Além disso, o mundo das apostas e dos cassinos online tem se aproximado das criptomoedas, com muitas plataformas aceitando esses ativos digitais como forma de pagamento.

Independentemente da modalidade escolhida, seja cassino ou apostas esportivas, calcular os riscos é essencial, já que, embora a estratégia seja importante, a sorte ainda exerce um papel crucial.

Neste contexto, plataformas como GameChampions se destacam ao facilitar a vida dos apostadores, fornecendo análises detalhadas de cassinos online e sites de apostas, inclusive com filtros que permitem encontrar opções que aceitam criptomoedas e oferecem os jogos favoritos dos usuários.

Essa curadoria de informações contribui para que os jogadores tomem decisões mais conscientes, minimizando os riscos e aumentando o foco no entretenimento seguro e responsável.

Oportunidades de ganhos maiores

Uma explicação comportamental bastante simples e adequada à tomada de decisões arriscadas é a possibilidade de obter benefícios a partir do risco. Isto é: quando há algo a se ganhar, nós ficamos mais propensos a arriscar o que já temos. O quanto iremos arriscar, porém, varia de pessoa a pessoa.

Perceba que aqui não estamos nos referindo aos jogos de cassinos e apostas esportivas, sobre os quais vamos falar posteriormente, mas aos investimentos e ao empreendedorismo como um todo. Um exemplo interessante são as criptomoedas, as quais observaram um boom durante a década passada.

Impulsividade, pura e simples

Até aqui nós trabalhamos razões mais “justificadas” para as decisões financeiras arriscadas, mas a verdade é que nem sempre nós usamos a lógica ao gastar. O oposto é o mais comum: se levarmos em conta valores baixos, é certo que todos já fizemos aquela comprinha impulsiva em algum momento.

A impulsividade é sempre algo negativo se o assunto é a economia, mesmo quando os resultados não são catastróficos ou até são positivos. Quando agimos sem pensar, corremos riscos que não são calculados e afetam não apenas as finanças coletivas, mas também a nossa saúde física e psicológica.

Influência de figuras carismáticas online

O papel dos “influenciadores digitais” vem crescendo tremendamente, mas a verdade é que esse fenômeno não é nada novo: no passado, éramos influenciados por celebridades da televisão e outras mídias. O que mudou é o meio, que agora é a internet, a partir das redes sociais e desses “influencers”.

Não é à toa que as grandes marcas patrocinam os influencers e que estes vivem majoritariamente de valores recebidos por divulgações. A partir do peso que esses indivíduos carregam em uma parcela do público, vendas de produtos e contratações de serviços são realizadas, impulsionando nossos gastos.

É interessante notar também que a economia comportamental não envolve apenas características psicológicas na tomada de decisões, mas também condições financeiras prévias, diferenças culturais entre países e uma série de outras coisas; todas as quais influenciam decisões financeiras arriscadas.

Comércio exterior brasileiro passa por transformação com Portal Único a partir de outubro

Sendo prevista para começar a partir de 1º de outubro, o comércio exterior brasileiro passará por uma transformação significativa com a migração completa das operações de importação para o Portal Único de Comércio Exterior. Ainda de acordo com  o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a mudança tem a promeça de gerar uma economia de R$ 40 bilhões anuais para as empresas, além de impulsionar a competitividade do país no mercado global.

A pasta ainda calcula que o ganho para a economia brasileira deve ficar na casa dos US$ 130 bilhões até 2040, resultado que deve ocorrer devido ao aumento da competitividade e à redução da burocracia.

Lançado em 2014 iniciativa simplifica processos

A iniciativa, lançada em 2014, surge como um substituto ao Siscomex, sistema de registro de comércio exterior brasileiro que estava em funcionamento desde 1993. A nova plataforma simplifica os processos ao reduzir a exigência de documentos, executando simultaneamente os procedimentos que antes eram realizados em sequência. Além disso, as empresas passarão a utilizar a Declaração Única de Importação (Duimp), que substitui a antiga e extensa documentação exigida no Siscomex.


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Zona franca de Manaus e uma das maiores beneficiadas pela iniciativa (Foto: Reprodução/AFP/MICHAEL DANTAS/Getty Images Emebed)


No setor de exportações, a migração para o portal já havia ocorrido entre 2017 e 2018, o que reduziu o tempo de liberação de mercadorias de 13 para 4,8 dias. No setor de importações, o tempo médio para liberação dos produtos caiu de 17 para 9 dias desde o início do projeto piloto da Duimp. Com a implementação plena do projeto, o governo espera uma redução ainda maior, podendo chegar a cinco dias.

“O custo da carga parada por dia equivale a 0,8% do valor dela. Com base na importação de US$ 242 bilhões no ano passado e na redução das operações em quatro dias [de nove para cinco dias], calculamos um ganho em torno de R$ 40 bilhões para as empresas de comércio exterior [em torno de US$ 8 bilhões]”

Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Mdic

Cronograma de implementação

A migração das importações para o Portal Único será gradual, com a primeira fase, que começa em outubro, sendo obrigatória para importações marítimas. Em seguida, o sistema será implementado para cargas aéreas, até julho de 2025, e, por fim, para importações terrestres e na Zona Franca de Manaus, até dezembro do mesmo ano.

Dólar permanece resistente em meio à diferença de juros

Apesar da expectativa de que a Selic atinja 11,25% até o final do ano, o dólar continua apresentando resistência em sua trajetória de queda. Economistas apontam que, mesmo com a elevação da taxa de juros no Brasil, fatores de risco interno podem estar pesando mais na balança do que os atrativos oferecidos por uma maior rentabilidade.

Um dos principais motivos para essa resistência é o aumento dos gastos públicos, especialmente em um ano eleitoral. As incertezas políticas que costumam acompanhar o período pré-eleitoral geram apreensão nos investidores, que temem que a sustentabilidade fiscal do país possa ser comprometida. Segundo o economista João da Silva, “os investidores tendem a ser cautelosos diante da possibilidade de um aumento nos gastos, o que pode levar a um descontrole nas contas públicas.”


O cenário social afeta no valor do dólar (reprodução/Javier Ghersi/Getty Images embed)


Cenário econômico e expectativas futuras

Além dos riscos fiscais, a instabilidade política e social também influencia a cotação do dólar. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a inflação permanece acima das expectativas, pressionando o Banco Central a adotar uma política monetária mais rígida. Isso, por sua vez, pode limitar a eficácia do aumento da Selic na atração de investimentos externos.

Os economistas ressaltam que a atual disparidade entre as taxas de juros brasileiras e americanas, que tem se ampliado, ainda não é suficiente para inverter a tendência de valorização do dólar. Conforme a análise do banco central, mesmo que os juros no Brasil sejam mais altos, a incerteza em torno das políticas econômicas e o potencial de um cenário adverso para o crescimento fazem com que o mercado permaneça cauteloso.

O impacto das eleições na economia

À medida que as eleições se aproximam, a preocupação com a gestão econômica se intensifica. Historicamente, períodos eleitorais no Brasil são marcados por volatilidade nos mercados, e os investidores buscam sinais de estabilidade e compromisso com reformas fiscais. O economista Maria Oliveira destaca que “as promessas de aumento de gastos durante campanhas eleitorais podem gerar um efeito desestabilizador, levando os investidores a repensar suas estratégias.”

As expectativas em relação aos novos governantes também desempenham um papel crucial. Os analistas do mercado estão de olho nas propostas dos candidatos, especialmente no que diz respeito à responsabilidade fiscal e à condução da política monetária. Para o Brasil conseguir atrair investimentos em um cenário internacional desafiador, a confiança dos investidores será fundamental.