EUA e Venezuela: tensão e conflito diplomático entre países se intensifica

Na segunda-feira (29), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou, na rádio WABC de Nova York, que as forças dos EUA, na entrevista não especificou se foram a marinha ou a CIA, realizaram o primeiro ataque em território venezuelano desde o início da campanha de pressão contra o governo de Nicolás Maduro. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos usariam toda a sua força contra o regime venezuelano.

A tensão entre os países aumentou em agosto deste ano de 2025, quando os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa pela prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro.

O presidente venezuelano é acusado pelo governo americano de liderar o cartel de drogas conhecido como Los Soles e, além disso, o presidente teria adulterado as eleições para a presidência da Venezuela no início de 2025. Deveria se afastar do poder.

Tensões entre EUA e Venezuela

A tensão entre os países começou após a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999, marcada por nacionalizações, críticas aos Estados Unidos e disputas sobre a indústria petrolífera. Após anos de sanções americanas ao povo venezuelano, a situação se agravou em agosto de 2025, quando os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações sobre o líder venezuelano Maduro.

O governo de Trump não reconheceu a eleição de Maduro para o terceiro mandato e insiste em acusar a Venezuela de ser uma grande exportadora de drogas para o território dos EUA, argumentando que deveria combater os narcosterroristas antes que cheguem ao solo estadunidense.


Foto do USS Gerald R. Ford dos EUA enviados para combater os narcoterroristas (Foto: reprodução/Getty Images Embed/U.S. Navy)


Em setembro de 2025, os Estados Unidos realizaram o primeiro ataque contra um barco supostamente carregado com drogas no Mar do Caribe. Após esse episódio, ações em mar aberto se tornaram frequentes e passaram a ocorrer também no Oceano Pacífico.

Em novembro, o governo de Trump enviou o USS Gerald R. Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo, que chegou ao Mar do Caribe. A embarcação tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros. O episódio levou o governo da Venezuela a decretar estado de exceção, concedendo poderes especiais ao presidente Nicolás Maduro em caso de agressão por parte dos Estados Unidos.

Donald Trump vs Nicolás Maduro

 O governo do presidente Donald Trump incluiu oficialmente o Cartel de Los Soles na lista de organizações terroristas. Segundo as autoridades americanas, integrantes do regime venezuelano poderiam ser considerados alvos legítimos em operações militares contra cartéis de drogas em solo venezuelano. Por outro lado, o governo de Maduro afirma que os EUA têm interesse em tomar para si o petróleo produzido pelo país.


Ataque dos EUA a suposto barco de narco terroristas (Vídeo: reprodução/X/@UHN_Plus)


Para concluir, o governo venezuelano também acusa os Estados Unidos de pirataria devido aos ataques que resultaram na apreensão do petroleiro Skipper, que transportava petróleo venezuelano no Caribe. Trump afirmou que a Venezuela está cercada e anunciou um bloqueio total de navios petroleiros alvos de sanções.

Nesta terça-feira (30), foi confirmado o ataque em solo venezuelano realizado pelo governo Trump, feito pela CIA (Agência Central de Inteligência) com drones em uma instalação portuária na costa da Venezuela, que os Estados Unidos afirmam ser usada por narcoterroristas.

Trump menciona ataque terrestre dos EUA em território venezuelano

Nesta segunda-feira (29), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas realizaram um ataque contra a Venezuela. O ataque foi realizado de forma terrestre e contra uma instalação que, segundo Trump, era usada pelo narcotráfico no país.

Operação citada por Trump

As declarações começaram inicialmente durante uma entrevista à rádio americana WABC, de Nova York, na última sexta-feira (26), quando o presidente mencionou uma operação, porém sem muitos detalhes. No domingo (28), o jornal The New York Times informou que o local se referia a instalações usadas por narcotraficantes na Venezuela. A confirmação dos fatos e de toda a operação aconteceu somente nesta segunda-feira, vinda diretamente do presidente Donald Trump após ser questionado.

Durante a entrevista, o presidente afirmou que houve uma “grande explosão na área onde eles carregam os barcos com drogas”. Ainda segundo Trump, o local “não existe mais”.

Detalhes sobre o local exato não foram informados. Também não foi divulgado se o ataque foi conduzido pelas Forças Armadas ou pela CIA (Agência Central de Inteligência).

Silêncio e ataques

Algumas fontes foram ouvidas pela imprensa americana e, segundo informações, o presidente Trump pode estar se referindo a instalações vinculadas ao narcotráfico na costa da Venezuela. O jornal The New York Times reportou que membros da administração indicaram que se trata de uma base usada por traficantes para abastecer embarcações. O jornal não apresentou confirmações oficiais sobre os detalhes da operação.


Nicolás Maduro, da Venezuela (Foto: reprodução/Juan Barreto/Getty Images Embed)


O possível ataque surge em meio a um ambiente crescente de pressão de Washington sobre o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, que inclui diversas operações marítimas e ações com a finalidade de desmantelar redes de tráfico de drogas e também enfraquecer a economia venezuelana.

Até agora, os Estados Unidos têm realizado, em sua maioria, ataques a embarcações suspeitas em mar aberto e apreensões de petroleiros venezuelanos, além de movimentação militar mais ampla no Caribe, mas não havia confirmação pública anterior de um ataque em solo venezuelano.

Nenhuma confirmação oficial foi feita até o momento por órgãos americanos, como o Pentágono, a Casa Branca ou a própria CIA, sobre a suposta ação. O governo da Venezuela também não publicou nenhuma nota sobre o ataque.

Arnold Schwarzenegger reencontra ex-mulher após 14 anos de escândalo

Nesta época de Natal, o ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, de 78 anos, surpreendeu ao passar o Natal ao lado de sua ex-esposa Maria Shriver, de 70 anos. A surpresa do reencontro marca o fim de um dos capítulos mais marcantes da vida pessoal do artista.

Reencontro

A filha mais velha do casal, Katherine Schwarzenegger, registrou o momento do ex-casal ao publicar uma foto em suas redes sociais de toda a família reunida no dia 24, véspera de Natal. Na legenda da foto, estava escrito “dezembro aconchegante”. A imagem logo tomou grandes proporções e reacendeu o interesse sobre a história do casal.


Maria e Arnold Schwarzenegger em evento (Foto: reprodução/Jon Kopaloff/Getty Images Embed)


Em 2011, o casal formado por Schwarzenegger e Shriver anunciou a separação após 25 anos de casamento. O anúncio do fim veio logo após a divulgação de um escândalo de traição que envolvia o ator e uma funcionária doméstica que trabalhava para a família, com quem teve um filho chamado Joseph Baena.

Momentos antes da revelação da traição, acontecia também o fim do mandato de Arnold como governador do estado da Califórnia. Em tempo, Schwarzenegger chegou a vir a público para admitir o caso extraconjugal.

Divórcio 10 anos depois

A oficialização do divórcio de Maria e Arnold só veio 10 anos após o anúncio do término, em 2021. A trajetória de reconciliação entre Schwarzenegger e Shriver inclui momentos difíceis, tanto como casal quanto individualmente, inclusive expressos no livro Eu Sou Maria, lançado por Shriver em 2025, no qual ela descreve o processo do divórcio como “brutal”.

Apesar de todas as adversidades enfrentadas, o registro de toda a família reunida para o Natal deste ano pode indicar que ambos conseguiram estabelecer uma relação de respeito mútuo e cooperativa em prol de toda a família e da história juntos. A foto mostra o ex-casal lado a lado, em clima de celebração e confraternização.

O casal teve quatro filhos juntos — Katherine, Christina, Patrick e Christopher.

TikTok avança em acordo para vender operação nos EUA

A venda da operação do TikTok nos Estados Unidos entrou na fase decisiva. A plataforma aprovou um acordo parcial com investidores americanos e tenta evitar um banimento iminente no país, após meses de negociações marcadas por pressão política e disputas regulatórias.

O negócio precisa ser concluído até 22 de janeiro, véspera da data que pode tirar o aplicativo do ar em território americano. Caso o acordo não avance dentro do prazo, a plataforma corre o risco de ser bloqueada no maior mercado publicitário do mundo, onde concentra parte relevante de sua base de usuários e receitas.

Acordo avançado

Segundo o Axios, a negociação prevê a venda de 45% da operação americana a um grupo formado pela Oracle, pela gestora de private equity Silver Lake e pela empresa de investimentos MGX. O arranjo busca atender às exigências impostas pelo governo dos Estados Unidos, mantendo a plataforma em funcionamento no país.


TikTok: acordo deve ser concretizado até 22 de janeiro (Foto: reprodução/X/@tribunadonorte)


As informações aparecem em um memorando interno enviado pelo CEO do TikTok, Shou Chew, no qual o executivo confirma o avanço das conversas e classifica o acordo como um passo relevante no processo. No mesmo documento, ele ressalta que ainda há pontos a serem ajustados e etapas regulatórias a cumprir antes da formalização definitiva da venda.

Pressão política

A negociação tenta encerrar uma disputa iniciada após o então presidente Joe Biden sancionar uma lei que previa a proibição do TikTok caso a empresa não encontrasse um comprador aprovado pelo governo dos Estados Unidos. Em setembro, o prazo foi prorrogado por Donald Trump, estendendo a data final para 23 de janeiro. A legislação exige a venda de 80% dos ativos do TikTok nos EUA a uma entidade considerada segura pelas autoridades.

A controladora chinesa ByteDance é alvo de críticas de parlamentares e agências de inteligência americanas, que apontam riscos à segurança nacional. No memorando, Chew afirmou que tanto o TikTok quanto a ByteDance concordaram com os termos em negociação. O desfecho, porém, segue condicionado aos ajustes finais e ao cumprimento do cronograma.

Mariana Lacerda faz criticas ao seu caso de abuso

Neste sábado (20), Mariana Lacerda, uma das peças mais importantes no julgamento do bilionário Jeffrey Epstein, se pronunciou sobre o governo Trump ter controle dos documentos relacionados ao caso. Ela criticou o fato de se ter uma certa censura nas documentações da situação em questão, disse que é um descaso com aquelas vitimizadas por ele. Explicou que havia uma empolgação esta semana quando tiveram acesso aos arquivos, mas quando chegou na hora ficaram em choque por conta da falta de transparência por parte daqueles que os liberaram. Em setembro deste ano, a mesma participou de uma coletiva de imprensa concedida à rede de TV americana ABC.

Epstein e Mariana Lacerda

Em 2002, quando a brasileira havia acabado de se mudar para os EUA, ela conheceu o bilionário Jeffrey Epstein. Na época, trabalhando em três empregos, visando o sustento de sua família, teve a oportunidade de conhecê-lo, com uma proposta de trabalho sendo apresentada. Conforme informou, quando chegou aos 17 anos, o interesse dele por ela passou, pois teria ficado “velha demais”. Disse ainda que o FBI a procurou em 2008, porém, apesar disso, ainda assim não pôde falar com a justiça, pois havia ocorrido um acordo judicial. Quando o caso foi reaberto em 2019, os depoimentos foram feitos e finalmente efetuaram a prisão dele.

No ano de 2008, ele acordou de assumir a culpa pela situação, porém, 11 anos depois, foi considerado que era inválido, então foi determinado que ele fosse preso por tráfico sexual. Conforme divulgado pelas autoridades, ele tirou a própria vida logo após ter tido sua sentença.

Em 2024, o governante dos Estados Unidos da América prometeu que iria fazer a divulgação de nomes daqueles que estavam envolvidos no meio desse problema todo, inclusive o nome de Trump apareceu num desses registros como culpado, e já é de conhecimento público que eles estavam próximos nos anos 90, já tendo relações amigáveis naquela ocasião, porém, apesar disso, o presidente não está sendo investigado.


Mariana Lacerda em setembro deste ano concedendo entrevistas em coletiva(foto:reprodução/Andrew Harnick/Getty Images Embed)


Lista de clientes

Pam Bondi, procuradora-geral, informou que existia uma suposta lista de clientes que estariam envolvidos nesses abusos em sua mesa para ser revisada, porém, o departamento de justiça dos Estados Unidos desacreditou essas informações, dizendo que essa dita listagem de pessoas não existe, assim como o próprio Trump falou que tudo isso é uma farsa.

Os republicanos que apoiam atualmente o presidenciável ficaram irritados com a mudança de versão e agora estão possivelmente compartilhando  algumas teorias de conspiração envolvendo o republicano.

Moraes chama retirada de sanções dos EUA de vitória do Judiciário brasileiro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que a retirada de sanções dos Estados Unidos representa uma vitória do Judiciário brasileiro. Segundo ele, a decisão reafirma soberania, democracia e independência institucional, após meses de tensão diplomática envolvendo seu nome.

Além disso, Moraes, atualmente ministro e vice-presidente do STF, destacou que o Judiciário não cedeu a pressões externas e manteve atuação firme. O magistrado fez a declaração durante evento de lançamento do canal SBT News, em São Paulo, nesta sexta-feira (12).

Reação de Moraes e atuação do governo brasileiro

Durante o discurso, Moraes agradeceu o empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações com os Estados Unidos. Segundo o ministro, o diálogo conduzido pelo governo brasileiro foi decisivo para reverter as sanções aplicadas.

Além disso, Moraes afirmou acreditar mais no poder da palavra do que em instrumentos de coerção política. Assim, para ele, a diplomacia foi essencial para preservar a imagem das instituições brasileiras no cenário internacional. Ainda assim, o ministro voltou a criticar o uso da Lei Magnitsky contra autoridades de países democráticos. Na avaliação de Moraes, a medida representou tentativa indevida de interferência na soberania nacional.

O que previa a sanção e como ocorreu a retirada

As sanções haviam sido aplicadas em julho deste ano com base na Lei Magnitsky. Por causa disso, os bens de Moraes, de sua esposa Viviane, e de empresas vinculadas ao casal ficaram bloqueados. Além disso, cidadãos americanos estavam proibidos de realizar transações financeiras envolvendo o ministro ou sua família. Como resultado, qualquer descumprimento poderia gerar punições civis ou criminais, mesmo sem intenção comprovada. 


O ministro Alexandre de Moraes com sua esposa, Viviane Barci de Moraes (Foto: reprodução/EVARISTO SA/AFP/Getty Images Embed)


No entanto, o governo americano retirou Moraes e Viviane da lista de sancionados sem detalhar os motivos. Fontes diplomáticas indicam que o gesto ocorreu após conversas diretas entre Lula e Donald Trump. Segundo o Itamaraty, havia sinais de recuo desde o último telefonema entre os dois presidentes. Assim, o governo brasileiro trabalhava com a expectativa de solução antes do fim do ano.

Repercussões políticas e cenário internacional

Apesar disso, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram a decisão dos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro afirmou ter recebido a notícia com pesar e reiterou críticas ao ministro do STF. Já nos bastidores, parlamentares governistas avaliam que a retirada fortalece o discurso de defesa institucional.

Além disso, diplomatas veem o gesto como um passo para normalizar relações bilaterais. No entanto, as tensões comerciais permanecem, sobretudo por tarifas sobre produtos manufaturados brasileiros. O governo brasileiro afirma que seguirá negociando para reduzir os impactos econômicos. Recentemente, o Financial Times classificou Moraes como um dos heróis globais de 2025. O jornal destacou sua atuação firme na defesa das instituições democráticas brasileiras.

EUA retêm petroleiro e levantam dúvida sobre ato de guerra

O governo dos Estados Unidos (EUA) apreendeu nesta quinta-feira (11) um navio petroleiro venezuelano perto da costa da Venezuela, em uma operação considerada inédita pelas autoridades norte-americanas, que alegam que a embarcação estaria envolvida em uma rede internacional de comércio ilegal de petróleo.
A operação foi confirmada na última quarta-feira (10), durante um evento na Casa Branca no qual Donald Trump anunciou a apreensão. Navios venezuelanos vinham sendo monitorados pelas autoridades americanas diante da acusação de que o presidente Nicolás Maduro comandaria um cartel de tráfico de drogas. O episódio amplia a tensão entre Washington e Caracas, já que o governo venezuelano classificou a medida como uma violação de sua soberania e acusou os Estados Unidos de agir de maneira arbitrária em águas próximas ao país.

Motivo da apreensão do navio

De acordo com autoridades americanas, o petroleiro foi apreendido por já constar em listas de embarcações sancionadas pelos Estados Unidos. O governo alega que o navio operava em rotas usadas para transportar petróleo venezuelano sob sanções e que poderia ter carregamentos ligados ao Irã, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre as evidências que sustentam essas acusações.
As autoridades dos EUA afirmam ainda que a operação foi autorizada por um mandado judicial federal destinado a interromper o envio de petróleo considerado irregular. Washington também relaciona o caso a suspeitas de que redes ligadas ao governo de Nicolás Maduro participariam de atividades ilícitas, o que Caracas nega. Até agora, a Casa Branca não apresentou explicações públicas mais amplas sobre os motivos da apreensão.

Vídeo divulgado pela Casa Branca mostra a operação de apreensão do petroleiro (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Venezuela responde à apreensão

O governo da Venezuela condenou a apreensão do petroleiro e classificou a ação como um ato de pirataria internacional. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que os Estados Unidos violaram a soberania do país ao interceptar uma embarcação que, segundo Caracas, navegava legitimamente em águas próximas ao território venezuelano. O governo também acusou Washington de promover uma escalada deliberada de tensão na região.

Caracas negou as acusações americanas de envolvimento em comércio ilegal de petróleo e afirmou que a operação tem motivação política. O governo de Nicolás Maduro sustentou que os Estados Unidos buscam justificar medidas punitivas contra a Venezuela e acusou a administração Trump de utilizar pretextos para atacar economicamente o país. A chancelaria venezuelana pediu apoio internacional e declarou que tomará medidas diplomáticas para contestar a apreensão.

A Casa Branca afirmou que pretende levar o navio para território americano e apreender a carga de petróleo, medida que reforça a tensão diplomática entre os dois países. A decisão indica que Washington deve manter a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, enquanto Caracas promete recorrer a instâncias internacionais para contestar a operação.

Lula diz a Trump que não aceita conflito na América Latina

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quinta-feira (11) que expressou a Donald Trump sua preocupação com a escalada militar na América Latina. A princípio, Lula afirmou que a conversa ocorreu por telefone na semana passada e tratou diretamente da tensão envolvendo a Venezuela.

Ainda mais, Lula relatou que reforçou ao presidente dos Estados Unidos que a região defende estabilidade. “Nós não queremos guerra na América Latina. Nós somos uma zona de paz”, disse o presidente durante discurso em Belo Horizonte.

A tensão crescente na Venezuela

Ainda durante o relato, Lula afirmou que Trump reagiu com menção ao poderio militar norte-americano. Assim, para o presidente brasileiro, porém, o diálogo deve prevalecer. Ele disse que prefere “o poder da palavra” a qualquer demonstração bélica. Pouco antes, a fala ocorreu na abertura da Caravana Federativa, em Minas Gerais. Mais tarde, a Secretaria de Comunicação ajustou a data da ligação e informou que a conversa citada ocorreu na semana anterior.


Barricada antitanque em Caracas após tensões regionais (Foto: reprodução/Juan Barreto/AFP/Getty Images Embed)


Ao passo que a crise venezuelana domina o cenário geopolítico sul-americano, desde agosto os Estados Unidos mantêm forte presença militar no Caribe sob o argumento de combater o narcotráfico. A movimentação, no entanto, tem sido interpretada por governos da região como pressão direta sobre o regime de Nicolás Maduro. Na semana passada, Lula conversou com o presidente venezuelano e discutiu a necessidade de preservar a paz no continente.

Atuação diplomática do Brasil

Nesse ínterim, Trump declarou em novembro que os EUA podem iniciar operações terrestres para enfrentar grupos ligados ao tráfico na Venezuela. Segundo o republicano, ações navais dificultaram rotas criminosas e abriram espaço para uma nova fase militar.

Enquanto isso, o Brasil busca mediar o impasse, visto que Lula já se ofereceu para aproximar EUA e Venezuela em diferentes ocasiões. Ele defende que o respeito à soberania regional precisa orientar qualquer decisão. Pouco depois, em outubro, o presidente alertou que invasões unilaterais criariam um ambiente sem regras claras. A conversa entre Lula e Trump também abordou caminhos para cooperação envolvendo polícias e ministérios da Justiça dos países. Para o governo brasileiro, a construção de soluções conjuntas reduz riscos e fortalece a estabilidade regional.

A disputa ganhou novos contornos após Trump afirmar que Maduro ignorou um ultimato para deixar o cargo. Além disso, fontes internacionais relataram que Washington teria oferecido passagem segura à família do líder venezuelano para acelerar uma transição política. A iniciativa buscava diminuir tensões no Caribe em meio ao avanço de operações militares norte-americanas.

EUA pressionam, mas Maduro rejeita saída imediata proposta por Trump

A crise entre Estados Unidos e Venezuela ganhou novos contornos depois que Nicolás Maduro descumpriu o ultimato do presidente norte-americano Donald Trump para deixar o poder. Segundo fontes consultadas pela CNN Brasil, o republicano havia oferecido ao líder venezuelano e à sua família passagem segura para fora do país, numa tentativa de mediar uma transição rápida e controlada.

O telefonema, ocorrido em 21 de novembro, foi tratado como uma das últimas tentativas diplomáticas de Washington para reduzir tensões no Caribe, onde os EUA intensificaram operações navais em resposta a denúncias de narcotráfico e instabilidade regional.

Maduro, no entanto, recusou a proposta e impôs condições consideradas inviáveis pelos norte-americanos: anistia total a ele e a altos membros do regime, suspensão imediata das sanções e arquivamento das acusações que enfrenta no Tribunal Penal Internacional (TPI). A Casa Branca avaliou as exigências como incompatíveis com qualquer cenário de responsabilização futura.

As condições e o colapso das negociações

Além da renúncia imediata, a sugestão dos EUA incluía a possibilidade de um governo interino comandado pela vice-presidente Delcy Rodríguez, até que novas eleições fossem convocadas. Fontes afirmam que a opção foi rapidamente descartada por Caracas, que teme perder controle interno sobre Forças Armadas e setores estratégicos do Estado.

Com o fracasso das tratativas, o prazo dado por Trump expirou sem qualquer sinalização de saída por parte do líder venezuelano. Como resposta, Washington anunciou novas medidas de pressão, incluindo a restrição ao espaço aéreo venezuelano e o fortalecimento de alianças regionais para monitoramento militar.


Força militar americana pressiona a Venezuela (Vídeo: reprodução/X/@g1) 


No governo norte-americano, a percepção é de que Maduro continua apostando no desgaste externo para reforçar alianças internas, especialmente junto ao alto comando militar, pilar decisivo de sua permanência no poder.

Enfraquecimento diplomático e risco de escalada regional

A deterioração das relações entre os países ocorre num momento de aumento das acusações de Washington contra o chamado Cartel de los Soles, apontado pelos EUA como uma rede criminosa ligada ao tráfico de drogas e supostamente associada ao regime venezuelano. A classificação do grupo como organização terrorista estrangeira marcou um dos momentos mais críticos do governo Trump em relação à Venezuela.

Caracas reage acusando os EUA de tentativa de interferência externa e “operação de mudança de regime”, discurso que Maduro tem reforçado em pronunciamentos recentes. Ele também afirmou que continuará “defendendo a soberania” e denunciou pressões internacionais que, segundo ele, visam fragilizar o país e seus recursos petrolíferos.

Especialistas ouvidos por veículos internacionais alertam que a convergência entre crise interna, instabilidade econômica e ameaças externas cria um ambiente de risco elevado para toda a América Latina. A preocupação envolve desde fluxos migratórios até possíveis choques militares indiretos em regiões estratégicas do Caribe.

Impactos para a América Latina

Com o fim das conversas diretas, não está claro qual será a estratégia dos EUA. Embora ações militares diretas não tenham sido anunciadas, fontes em Washington não descartam novas sanções econômicas e um cerco diplomático mais rígido à cúpula do governo venezuelano.

Maduro continuará apostando na resistência interna e no apoio das Forças Armadas, enquanto tenta ampliar alianças internacionais para contrabalancear o peso norte-americano, especialmente com países como Rússia, China e Irã.

Enquanto isso, a população venezuelana segue inserida em um contexto de incerteza política, inflação persistente e acesso limitado a serviços básicos, cenário que pode pressionar ainda mais países vizinhos com novos fluxos migratórios. 

Injeção inovadora contra o vírus HIV começa a ser aplicada

Nesta segunda-feira (1), alguns países africanos começaram, pela primeira vez, a administração de um medicamento inovador para a prevenção do HIV: o injetável Lenacapavir. Para o continente africano, que enfrenta o vírus em nível epidêmico, a iniciativa se tornou um marco histórico.

Medicamento e distribuição

Países como a África do Sul, Essuatíni e Zâmbia iniciaram a aplicação do medicamento em larga escala. O Lenacapavir é um medicamento injetável que necessita apenas de duas aplicações por ano — semestralmente — e já se mostrou capaz de reduzir o risco de transmissão do HIV em mais de 99,9%. Para países como a África do Sul, que possui um dos maiores números de pessoas convivendo com o vírus, o lançamento do Lenacapavir representa um grande potencial para o controle da epidemia no país.


Seringa para aplicar medicação (Foto: reprodução/NurPhoto/Getty Images Embed)


A distribuição do remédio está sendo feita com o apoio de organizações internacionais. Em algumas regiões, a chegada do Lenacapavir é recebida com mobilizações comunitárias e cerimônias que destacam a importância da iniciativa. Além disso, a aprovação por órgãos reguladores ocorreu poucos meses antes do lançamento, um tempo recorde para tratamentos complexos, especialmente em países considerados de baixa e média renda.

Custos e vantagens

O fato do medicamento ser injetável oferece grandes vantagens, já que elimina a necessidade do uso de comprimidos diários. Dessa forma, o Lenacapavir pode superar barreiras tradicionais de adesão à prevenção.
A medicação também oferece benefícios significativos para populações mais vulneráveis ao HIV, como jovens, mulheres e grupos marginalizados.

A Unitaid, agência de saúde das Nações Unidas que supervisionou o lançamento do Lenacapavir na África do Sul, não informou quantas pessoas receberam a primeira dose. Nos Estados Unidos, o medicamento custa cerca de US$ 28.000, valor que pode chegar a aproximadamente R$ 150.000.

Um programa estadunidense do fornecedor Gilead Sciences concordou em abastecer, durante três anos, os países com maiores taxas de contaminação pelo HIV, exceto a África do Sul, devido a divergências entre as partes. O início da aplicação do Lenacapavir representa um sinal de esperança para milhões de pessoas, oferecendo proteção eficaz e duradoura contra o HIV e marcando um passo importante na luta por saúde e justiça social.