Imigrantes brasileiros alegam maus-tratos e violência durante deportação

Relatos de violência e condições desumanas de brasileiros deportados dos Estados Unidos chocaram neste sábado (25). As 84 pessoas deportados desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), em voo da Força Aérea Brasileira (FAB), após falhas técnicas em uma aeronave americana em Manaus. Entre as denúncias, os passageiros relataram agressões, ameaças, uso de algemas e pavor pela insegurança. 

Tratamento degradante e relatos de agressões

Os brasileiros que foram expulsos dos EUA alegaram experiências terríveis durante o processo de deportação. As denúncias de agressões físicas e psicológicas envolveram até mesmo crianças e mulheres.

A gente estava todo amarrado, preso: mãos, pés, barriga… Crianças estavam passando mal, desmaiando 

Matheus Henrique, de 22 anos

Donald Trump, tomou posse no início do ano, tem feito alegações agressivas contra imigrantes, intensificando o projeto de deportações. Um dos deportados alegaram que ouviram que foram tratados como “imigrantes deveriam ser tratados”. 


Reportagem do CNN relatando os maus-tratos (Vídeo: reprodução/Instagram/@cnnpolitica)


Foi terrível, vim preso nos braços, nas pernas e na cintura, eles não respeitaram a gente. Bateram em nós. Disseram que iam deixar derrubar o avião e que o nosso governo não era de nada

Carlos Vinícius de Jesus, de 29 anos

A aeronave em que estavam teria apresentado problemas técnicos, causando medo e tumulto. Segundo um passageiro, alguns brasileiros pediram aos agentes americanos para sair da aeronave quando posaram para abastecer, mas o pedido foi negado e eles foram agredidos após o pedido. 

Resposta do governo brasileiro

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, afirmou que os relatos são muito graves. Ela comenta sobre crianças autistas e deficientes, expostas a situações degradantes. O governo brasileiro repudiou o uso indiscriminado de algemas e correntes que viola os termos do acordo com os EUA.

O Ministério das Relações Exteriores vai encaminhar pedido de esclarecimento ao governo norte-americano e segue atento às mudanças nas políticas migratórias naquele país, de modo a garantir a proteção, segurança e dignidade dos brasileiros ali residentes

Governo Federal

O governo federal garantiu que acompanhará os casos e reforçou seu compromisso com a proteção dos direitos humanos, independentemente das políticas migratórias internacionais.

Vladimir Putin afirma que guerra não teria eclodido sobre a presidência de Trump

Durante uma entrevista à televisão estatal russa, Vladimir Putin reproduziu o discurso de Donald Trump, alegando que a guerra não teria eclodido sob sua presidência. Na entrevista, realizada na última sexta-feira, Putin afirmou que estaria pronto para discutir o conflito com Trump.

Putin elogia Trump

Ainda durante a entrevista, Putin elogiou Trump, chamando-o de um “homem inteligente e pragmático”, que está focado nos interesses dos EUA, demonstrando simpatia pelo ex-presidente dos Estados Unidos.

“Eu não poderia discordar dele que se ele tivesse sido presidente, se eles não tivessem roubado sua vitória em 2020, a crise que surgiu na Ucrânia em 2022 poderia ter sido evitada”

Vladimir Putin durante entrevista à TV estatal russa

No decorrer da entrevista, Putin mencionou que, mesmo não podendo entrar em detalhes, o presidente americano “declarou sua disposição em trabalhar em conjunto”. O líder russo também afirmou que a Rússia estava pronta para iniciar as negociações.


— Foto: Tanque de Guerra durante o conflito na Ucrânia (Reprodução/AFP/ROMAN PILIPEY/Getty Images Embed)


Por outro lado, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou qualquer discussão sobre “a Ucrânia sem a Ucrânia”, o que demonstra que, mesmo com o tom de que a guerra começa possivelmente a apontar para um fim, ambos os lados ainda têm uma longa negociação pela frente.


Trump, por outro lado, comentou na última quarta-feira, logo em seus primeiros dias de mandato, que pretende impor ainda mais sanções à Rússia, por meio de tarifas e impostos mais rigorosos, caso o país não concorde em encerrar o conflito.

O conflito entre ambos os países, que começou em 2014 e se intensificou com a invasão da Rússia à Ucrânia em 2022 no que é chamado pelo governo russo de “Operação Militar Especial na Ucrânia” vem, desde então, trazendo consequências globais. Com o conflito aparentando chegar a um momento decisivo, isso pode ajudar a acalmar as tensões que têm alimentado aquela parte da Europa.

Trump ordena retirada de sigilo de investigações sobre mortes de JFK, RFK e Martin Luther King

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (23) uma ordem executiva para a liberação de todos os documentos relacionados aos assassinatos do presidente John F. Kennedy (JFK), do senador Robert F. Kennedy (RFK) e do ativista Martin Luther King Jr. A Casa Branca confirmou que os arquivos retidos pelo governo serão revelados, atendendo a uma promessa antiga de Trump.

Contexto

Antes de assumir a presidência, Trump havia se comprometido a retirar o sigilo desses documentos. Durante o primeiro mandato (2017-2021), parte dos arquivos sobre a morte de JFK foi divulgada, mas ele recuou quanto ao restante devido à pressão da CIA e do FBI, que apontaram riscos à segurança nacional. Agora, Trump determinou que as autoridades apresentem um plano de divulgação total em até 15 dias para os arquivos de JFK e 45 dias para os documentos de RFK e King.


Trump assinou diversas ordens executivas desde o primeiro dia como presidente. (Foto: reprodução/X/@WhiteHouse)

A justificativa da Casa Branca é que a retenção contínua dos documentos não está alinhada com o interesse público. A medida é vista como um esforço para garantir transparência em relação a eventos que moldaram a história americana e que permanecem cercados de mistério.

Conspirações e lacunas nas investigações

Os assassinatos de JFK, RFK e Martin Luther King Jr. continuam alimentando teorias da conspiração. JFK foi morto em 1963, supostamente por Lee Harvey Oswald, mas muitos acreditam que uma conspiração mais ampla esteve por trás do crime.

Cinco anos depois, RFK foi assassinado durante sua campanha presidencial. Robert F. Kennedy Jr., filho do senador e indicado por Trump para o cargo de secretário de Saúde, afirma que o pai foi vítima de múltiplos atiradores, contrariando a versão oficial.

Martin Luther King Jr., figura central na luta pelos direitos civis, foi morto em 1968. James Earl Ray foi condenado pelo crime, mas até hoje não se sabe se ele agiu sozinho ou se fazia parte de uma conspiração.

Com a liberação completa dos documentos, há expectativa de esclarecer dúvidas e lançar luz sobre eventos que marcaram gerações.

Justiça bloqueia ordem de Trump e mantém cidadania para filhos de imigrantes

Na tarde da última quinta-feira (23), a Justiça Federal dos Estados Unidos emitiu uma suspensão temporária para a ordem executiva de Donald Trump que visava revogar o direito à cidadania automática para filhos de imigrantes ilegais e de turistas nascidos nos Estados Unidos, que constituia uma de suas medidas mais controversas e suscitou um intenso temporal de críticas e um major capítulo no debate em torno da imigração e dos direitos humanos nos Estados Unidos

A ordem de Trump

Assim que tomou posse para seu segundo mandato em 2025, Trump estava determinado a dar um novo ímpeto à sua agenda de combate à imigração irregular e determinou a edição de uma série de ordens executivas mudando as bases de funcionamento do sistema legal americano, dentre as quais estava àquela que revogava a cidadania americana para crianças nascidas nos Estados Unidos de pais ilegais ou pais temporários, que fossem turistas ou estudantes com um visto limitado.

A proposta não era apenas simbólica e, caso fosse colocada em prática, ela atingiria qualquer criança nascida depois do dia 19 de fevereiro de 2025, subtraindo-lhes do nascimento as suas líneas fundamentais tais como o acesso à escola pública, programas sociais e o direito de ter um trabalho legal ao atingir a maioridade.

Reação da sociedade

A resposta à ordem executiva foi rápida e decidida. Grupos civis, organizações de direitos humanos e procuradores-gerais de 22 estados, com maior participação dos democratas, se juntaram para contestá-la judicialmente.

O principal argumento é que a ordem viola a 14ª Emenda da Constituição americana, que garante a cidadania de todas as pessoas nascidas em território nacional, independentemente da situação aproximada de seus pais.

Um dos momentos mais importantes desse conflito aconteceu em Seattle, na corte do juiz John Coughenour. Ele não apenas suspendeu a ordem de Trump, mas também criticou duramente sua constitucionalidade.

“Estou tendo dificuldade para compreender como isso poderia ser considerado legal. Esta ordem é flagrantemente inconstitucional”, afirmou o juiz, em um tom que refletiu a gravidade da situação.


Posse de Donald Trump (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldrump)

Impactos para brasileiros e outras comunidades

Entre os atingidos pela norma estariam milhares de brasileiros residentes nos Estados Unidos, seja ilegalmente ou com visto temporário.

Segundo dados de 2023 do Ministério das Relações Exteriores, mais de dois milhões de brasileiros vivem legalmente no país, no entanto, uma pesquisa do Pew Research Center estima que cerca de 230 mil brasileiros vivem ilegalmente, os quais seriam provavelmente os maiores afetados pelas consequências desta ordem.

Muitos destes imigrantes, incluindo as famílias que viajam aos EUA para dar à luz visando dar cidadania aos seus filhos, estão vivendo certo misto de alívio e preocupação.

“Eu vim para os Estados Unidos esperando um futuro melhor para minha filha. Saber que esse direito pode ser retirado é devastador”, declarou Ana, brasileira residindo em Miami, que deu à luz nos Estados Unidos recentemente.

O que é o direito de solo

Lus soli, ou direito do solo, é um princípio segundo o qual qualquer pessoa nascida em território estadunidense adquire automaticamente a cidadania dos Estados Unidos da América, isto é, independente da nacionalidade dos seus progenitores e independente da sua posição legal.

O direito do solo está consagrado na 14ª Emenda da Constituição dos EUA (1868), sendo um dos fundamentos do sistema de direitos humanos nos EUA. A ordem do presidente Trump teria limitado o direito do solo para as crianças de seus progenitores serem cidadãos dos EUA ou imigrantes permanentes legais.

Como será o futuro

Com a ordem temporariamente suspensa, o caso seguirá para instâncias superiores, e Trump já sinalizou que vai recorrer. Enquanto isso, a luta pela manutenção do direito de solo continua mobilizando ativistas, políticos e comunidades imigrantes.

“Estamos aqui para lutar pelo que é justo. Os Estados Unidos sempre foram um lugar de esperança e oportunidade. Não podemos permitir que isso mude”, afirmou Maria Gonzalez, uma ativista que lidera campanhas de conscientização em Nova Jersey.

Independentemente do resultado, no entanto, esta discussão é um poderoso lembrete de que a questão da imigração não é apenas uma questão política, mas uma história de vidas, sonhos e direitos humanos em risco.

Cada instância uma decisão é tomada por um juiz, a impactar famílias que conheceram os Estados Unidos como seu lar e que agora enfrentam um futuro incerto, no entanto, não necessariamente sem esperança.

Musk ameaça retaliar senadores que não apoiarem indicados de Trump

O bilionário Elon Musk ameaçou retaliar senadores que não apoiarem os indicados do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para compor o secretariado do novo governo. As informações foram reveladas pela revista Time nesta segunda-feira (20).

Plano de ação e Super PAC

Mais de 50 nomes indicados por Trump para o próximo governo precisam ser aprovados pelo Senado. A maioria das indicações corresponde a secretários, que ocupam cargos equivalentes ao de ministros de Estado no Brasil. Até agora, apenas Marco Rubio foi confirmado como secretário de Estado. Os outros indicados continuam sendo sabatinados ou aguardam votação.

Musk, segundo a Time, prometeu usar um Super Comitê de Ação Política (Super PAC) para financiar campanhas de candidatos que se oponham à reeleição de senadores que votarem contra os nomes indicados por Trump. O Super PAC é uma ferramenta legalmente permitida nos EUA que permite contribuições ilimitadas a favor de candidatos, o que pode influenciar diretamente os resultados eleitorais.

Senadores republicanos e resistência interna

Embora o Partido Republicano ocupe a maioria das cadeiras no Senado, com 53 de 100, nem todos os senadores apoiam todas as escolhas de Trump. A mais controversa tem sido a indicação de Pete Hegseth para o cargo de secretário de Defesa. Hegseth, sendo um veterano da Guarda Nacional e famoso apresentador de TV, enfrenta resistência devido a acusações de abuso e questionamentos sobre sua qualificação para comandar o Pentágono.

Diante disso, uma senadora republicana que inicialmente se mostrou cética em relação à indicação de Hegseth decidiu apoiá-lo publicamente após as ameaças de Musk.

Relação de Musk com o governo e o risco de conflito de interesses

Musk, chefe do Departamento de Eficiência Governamental no governo Trump, tem o desafio de analisar os gastos do governo e promover cortes no orçamento. Além disso, o bilionário é visto como uma peça-chave na campanha de Trump para as eleições de 2024, tendo investido cerca de US$ 200 milhões na corrida presidencial republicana.


Musk esteve na posse de Trump ao lado de outros CEO de grandes empresas americanas (Foto: reprodução/X/@ayeejuju)

No entanto, críticos alertam para o risco de um possível conflito de interesses, já que Musk terá acesso a dados de agências federais enquanto suas empresas, como Tesla e SpaceX, prestam serviços para o governo. A relação entre Musk e o governo Trump levanta preocupações sobre a imparcialidade e transparência nas decisões administrativas e financeiras.

Câmara dos EUA aprova projeto que exige prisão de imigrantes suspeitos de crimes

Nesta quarta-feira (22), a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou a Lei Laken Riley, que exige a detenção de imigrantes ilegais presos ou acusados de crimes, incluindo furto em lojas e agressões a policiais. A medida, amplamente debatida, é vista como um marco na gestão do presidente Donald Trump e deve ser a primeira lei assinada em seu novo mandato.

Contexto

A legislação obriga autoridades federais a deter qualquer imigrante sem status legal que seja preso ou apenas acusado de crimes específicos. O Senado ampliou a proposta para incluir acusações de crimes violentos, como aqueles que resultem em ferimentos graves ou morte.

A lei leva o nome de Laken Riley, uma estudante de enfermagem da Geórgia assassinada em 2024 por um venezuelano, caso que gerou comoção nacional e intensificou o debate sobre imigração.

Apesar de sua natureza controversa, o projeto contou com apoio de 46 democratas, sendo aprovado por 263 votos a favor e 156 contra. Essa votação reflete o endurecimento do debate político sobre imigração nos EUA após a vitória de Trump, cuja campanha priorizou uma postura rígida contra imigrantes ilegais.


Novo projeto de lei aprovado nos EUA exige prisão de imigrantes suspeitos de cometerem crimes. (Foto: reprodução/ X/@metsul)

A nova medida exigirá um aumento substancial no orçamento do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), mas o texto aprovado pela Câmara não contempla novos recursos financeiros. Estima-se que as políticas de imigração e segurança de fronteira de Trump possam custar aproximadamente US$ 100 bilhões, caso sejam implementadas integralmente.

Ordens executivas complementares

No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva para fechar a fronteira com o México e intensificar a deportação de milhões de imigrantes sem status legal. Além disso, cancelou programas de acolhimento de refugiados e ameaçou processar autoridades locais que não cumprirem as novas diretrizes.

Críticas e desafios

Estudos acadêmicos têm mostrado que imigrantes não cometem crimes em taxas superiores às da população nativa, o que levanta críticas sobre a efetividade da nova lei. Além disso, a implementação das políticas enfrenta barreiras financeiras, exigindo que o Congresso aprove fundos adicionais para as agências envolvidas.

A administração Trump, no entanto, planeja avançar com suas pautas por meio de estratégias legislativas, como a reconciliação orçamentária, em um esforço para consolidar suas prioridades de imigração e segurança de fronteira.

Putin é ameaçado com sanções para acordo imediato com Ucrânia

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump intensificou a pressão sobre o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira (22), para que faça um acordo de paz com a Ucrânia, ameaçando com medidas econômicas mais duras, se Moscou não concordar em acabar com a guerra.

Trump chamou o presidente russo, Vladimir Putin, diretamente pelo nome em post feito no Truth Social, argumentando que sempre teve um bom relacionamento com o líder, mas que era hora de resolver “essa guerra ridícula!”


Post feito pelo Presidente Trump na rede social (Reprodução/Truth Social/@realdonaldtrump)


Sanções do EUA

Essa foi a posição mais severa de Trump em relação a Putin, desde que ele retornou à Casa Branca nesta semana, apesar dos temores de que seria Kiev, e não Moscou, que ele forçaria a fazer um acordo de paz.

Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na última terça-feira, Trump disse apenas que “parece provável” que ele aplicaria sanções adicionais, se Putin não se apresentasse à mesa de negociações.

No entanto, o presidente dos EUA se recusou a dizer se daria continuidade à política de Biden, de enviar bilhões de dólares em armamentos para ajudar a Ucrânia.

A Rússia já enfrenta sanções esmagadoras dos EUA por causa da guerra, desde que invadiu a Ucrânia em 2022, e o comércio diminuiu para um nível baixo. O governo do antecessor de Trump, Joe Biden, impôs sanções abrangentes contra o setor de energia de Moscou, no início deste mês.

Relações entre Putin e Trump

Os Estados Unidos importaram US$ 2,9 bilhões em mercadorias da Rússia de janeiro a novembro de 2024 – uma queda acentuada em relação aos US$ 4,3 bilhões no mesmo período de 2023, de acordo com o Departamento de Comércio dos EUA.

Trump também disse que espera encontrar Putin, com quem teve uma cúpula em seu primeiro mandato em Helsinque, em breve.


Trump e Putin em encontro no Palácio Presidencial em Helsinque (Foto: reprodução/Instagram/@bbcnews)


Antes de sua nova posse na segunda-feira (20), Trump prometeu acabar com a guerra na Ucrânia “dentro de 24 horas”, aumentando as expectativas de que alavancaria a ajuda para forçar Kiev a fazer concessões territoriais a Moscou.

No dia da posse, Putin parabenizou Trump e disse que estava aberto ao diálogo e a um acordo para uma paz de longo prazo.

Trump revela conteúdo de carta deixada por Biden

Donald Trump, 47º presidente dos Estados Unidos, divulgou nesta quarta-feira (22), a carta escrita por seu antecessor, Joe Biden. A tradição de escrever uma mensagem ao próximo presidente é seguida desde 1989.

Na segunda-feira, conforme reportado pelo correspondente da Fox News, Peter Doocy, Trump encontrou a carta – um envelope branco endereçado a “47” – depois de ter questionado se Biden havia deixado uma mensagem para ele, enquanto o então presidente assinava uma série de ordens executivas no Salão Oval, diante de um grupo de repórteres.

“É possível que sim. Não é isso que eles fazem, deixam sobre a escrivaninha? Não sei”, respondeu Trump a Doocy, antes de descobrir a carta.

Conteúdo da carta

Em uma conferência na Casa Branca, na Sala Roosevelt, Trump descreveu a carta como uma mensagem “inspiradora”, antes de começar a leitura do conteúdo:

À medida que me despeço deste cargo sagrado, desejo a você e à sua família tudo de melhor nos próximos quatro anos. O povo americano – e o povo de todo o mundo – espera que esta casa se mantenha firme diante das inevitáveis tempestades da história. Minha oração é que os próximos anos tragam prosperidade, paz e graça para nossa nação.
Que Deus os abençoe e os guie, assim como Ele tem abençoado e guiado nosso amado país desde a nossa fundação.

Joe Biden


Conferência de imprensa feita na Casa Branca. (Vídeo: reprodução/Youtube/New York Post)


Despedida de Biden

Joe Biden foi o primeiro presidente a se encontrar na posição única de escrever uma carta para seu sucessor, que é o mesmo antecessor, que lhe deixara uma mensagem quatro anos antes.


Atual Presidente e o seu antecessor, Joe Biden, no Salão Oval (Foto: Reprodução/Instagram/@apnews)


Embora tenha descrito a carta de Trump como uma “generosa mensagem”, Biden optou por não compartilhá-la publicamente na ocasião, mantendo-a em caráter privado.

Antes de sua posse, em seu último discurso como presidente, Biden desejou sucesso ao novo governo de Trump, mas não deixou de emitir uma série de advertências pontuais, afirmando que “muita coisa está em jogo neste momento”.

O ex-presidente democrata expressou uma preocupação sobre o crescente poder dos ultra-ricos nos Estados Unidos, alertando para o risco de uma oligarquia emergente, que ameaçaria os fundamentos da democracia americana.

Trump abre possibilidade de compra do TikTok

O destino do TikTok nos Estados Unidos tornou-se uma questão central nas tensões entre Washington e Pequim. Recentemente, o recém eleito presidente Donald Trump sinalizou estar aberto a um acordo que envolveria Elon Musk, CEO da Tesla, ou Larry Ellison, fundador da Oracle, como possíveis compradores do aplicativo de compartilhamento de vídeos. A proposta inclui ainda a participação do governo americano como sócio na operação.

A proposta de Trump

Durante um evento na Casa Branca, Trump sugeriu que metade do valor da empresa poderia ser destinada aos Estados Unidos como parte de um acordo que garantiria a licença para o funcionamento do TikTok no país.

Apesar da abertura ao diálogo, a ByteDance, empresa controladora do TikTok, permanece relutante em vender a plataforma. A companhia enfrenta pressão para cumprir uma lei que exige desinvestimento nos Estados Unidos devido a preocupações de segurança nacional. Pequim, por sua vez, vê espaço para negociação, mas é improvável aceitar um acordo politicamente motivado.


Donald Trump (Foto: reprodução/Pool/Getty Images Embed)


Possíveis compradores

Entre os interessados na compra do TikTok estão figuras de destaque no mundo dos negócios. Além de Musk e Ellison, nomes como o empresário Frank McCourt e o investidor Kevin O’Leary já demonstraram interesse. McCourt, ex-dono do Los Angeles Dodgers, sugeriu adquirir o aplicativo sem seu mecanismo de recomendação, enquanto O’Leary afirmou que poderia fechar o negócio rapidamente, avaliando a operação em cerca de US$ 20 bilhões.

Outro grupo interessado inclui o criador de conteúdo MrBeast, que se uniu ao empresário Jesse Tinsley para fazer uma proposta pela plataforma. No entanto, questões como o acesso ao algoritmo do TikTok e preocupações antitruste podem complicar as negociações.

Tensões com a China

A principal resistência à venda está na relação entre a ByteDance e o governo chinês. O Partido Comunista Chinês possui leis que permitem acesso a dados das empresas nacionais, gerando receios de espionagem. Embora a ByteDance negue que dados de usuários americanos sejam compartilhados com autoridades chinesas, a Suprema Corte dos EUA manteve recentemente a lei que exige a venda ou o banimento da plataforma.

Próximos passos

Com a ordem executiva de Trump estendendo o prazo para um possível acordo por mais 75 dias, o TikTok segue temporariamente disponível nos Estados Unidos. Analistas avaliam que, com permissão para operar, a empresa poderia alcançar um valor de mercado de até US$ 1 trilhão.

Enquanto isso, o TikTok enfrenta um futuro incerto, dependendo de como as negociações entre governo americano, potenciais compradores e a ByteDance se desenrolarão. Para os milhões de usuários da plataforma, o desfecho dessa disputa pode redefinir o panorama das redes sociais nos Estados Unidos.

Estados movem ação judicial contra ordem de Trump sobre cidadania

Pouco depois de assumir a presidência, Donald Trump emitiu uma ordem executiva que causou uma verdadeira tempestade política e judicial nos Estados Unidos. A medida, intitulada “Protegendo o Significado e o Valor da Cidadania Americana”, busca restringir a cidadania automática para filhos de imigrantes indocumentados ou com vistos temporários nascidos no país.

Com uma canetada, Trump reviveu um dos debates mais polêmicos da história americana: quem realmente pode ser considerado cidadão dos Estados Unidos?

A decisão não tardou a gerar reações. Governos estaduais, associações civis e cidadãos preocupados com os impactos desse decreto se uniram para lutar contra o que muitos chamam de ataque direto à Constituição.

A reação imediata: uma avalanche de processos

Na manhã seguinte à publicação do decreto, 18 estados, o Distrito de Colúmbia e a cidade de São Francisco ingressaram com ações judiciais para impedir a aplicação da ordem.

Procuradores-gerais estaduais, muitos filhos ou netos de imigrantes, se manifestaram veementemente contra a proposta, argumentando que ela é inconstitucional e viola os valores fundamentais da democracia americana.

Matthew Platkin, procurador-geral de Nova Jersey, foi um dos primeiros a se pronunciar:
“Presidentes têm poder, mas não são reis. A Constituição é clara: qualquer pessoa nascida em solo americano é cidadã deste país. Não permitiremos que Trump reescreva a história e prive centenas de milhares de crianças de seu direito à cidadania.”

William Tong, procurador-geral de Connecticut e filho de imigrantes chineses, fez um relato emocional durante uma coletiva de imprensa. “A 14ª Emenda não é ambígua. Ela é a garantia de que os Estados Unidos são uma terra de oportunidades. Eu mesmo sou um cidadão americano por direito de nascimento, e não vou assistir calado enquanto tentam apagar essa conquista de tantas famílias como a minha”, declarou.

O que a medida propõe

O decreto executivo busca reinterpretar a Cláusula de Cidadania da 14ª Emenda, que desde 1868 garante que todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos sejam reconhecidas como cidadãs, independentemente do status imigratório de seus pais. Segundo a ordem, a cidadania não será mais automática em duas situações específicas:

  1. Quando a mãe da criança está nos Estados Unidos de forma irregular e o pai não é cidadão americano nem residente permanente legal.
  2. Quando a mãe está nos EUA com um visto temporário (como de estudante, turista ou trabalho) e o pai também não é cidadão ou residente permanente.

A regra se aplica apenas a crianças nascidas a partir de 30 dias após a emissão do decreto, ou seja, a partir de 19 de fevereiro de 2025.


A polêmica em torno da 14ª emenda e o futuro de crianças nascidas nos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/Metrópoles)

Uma geração sem direitos

Se mantida, a ordem de Trump pode afetar mais de 150 mil crianças que nascem anualmente nos Estados Unidos nessas condições. Na prática, essas crianças seriam privadas não apenas de um documento de cidadania, mas também de direitos fundamentais, como acesso à educação, saúde e oportunidades de emprego no futuro.

Para as organizações de direitos civis, como a ACLU (American Civil Liberties Union), a medida cria uma subclasse de pessoas nascidas nos EUA, mas tratadas como estrangeiras em sua própria terra.

“Negar cidadania a recém-nascidos não é apenas inconstitucional; é desumano. Isso contraria os valores que tornaram os Estados Unidos uma nação forte e diversa”, declarou Ant.

A Cláusula de Cidadania da 14ª Emenda foi criada na esteira da Guerra Civil Americana como parte do esforço para garantir direitos aos afro-americanos libertados da escravidão. Antes disso, decisões como Dred Scott v. Sandford negaram cidadania para americanos afrodescendentes.

O que a 14ª Emenda fez foi corrigir essas injustiças históricas e reafirmar que o lugar de nascimento determina o pertencimento à nação.

Desde então, a cidadania ao abrigo do jus soli tem sido defendida por juristas e confirmada pela Suprema Corte em vários precedentes, um dos quais é Wong Kim Ark, em 1898, filho de imigrantes chineses, que lutou para garantir a cidadania ao abrigo do jus soli, apesar de seus pais não serem cidadãos americanos.

Especialistas afirmam que a tentativa de Trump de reinterpretar a 14ª Emenda ignora não apenas essa história, mas também os valores centrais da sociedade americana.

“O princípio do jus soli – cidadania pelo local de nascimento – não é apenas uma cláusula jurídica, é o nosso compromisso moral, de todos, com a igualdade e a inclusão”, observou um recente documento do American Immigration Council.

Outros ataques aos direitos civis

A polêmica ordem de Trump é apenas uma das várias medidas anunciadas em seus primeiros dias de governo. Outra proposta controversa envolve a criação do Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, e mudanças que enfraquecem proteções trabalhistas para servidores públicos. Para críticos, essas medidas representam uma agenda agressiva e autoritária, destinada a concentrar poder no Executivo.

O decreto de Trump já enfrenta desafios legais e é quase certo que o caso chegue à Suprema Corte, onde os juízes decidirão se a medida pode ou não entrar em vigor. Até lá, a luta judicial promete ser intensa, com mobilizações de estados, organizações de direitos civis e cidadãos.

Para muitas famílias de imigrantes, esta batalha é pessoal. É uma luta não apenas por documentos, mas pela dignidade e pela garantia de que seus filhos terão o mesmo direito de sonhar e prosperar que gerações anteriores tiveram. “Estamos defendendo não apenas nossos filhos, mas o futuro deste país”, disse uma mãe de origem mexicana em um protesto realizado em Nova York.

Enquanto o debate segue nos tribunais e nas ruas, uma coisa é clara: a questão da cidadania por nascimento vai além da política. É uma conversa sobre o que significa ser americano, e sobre o compromisso com os valores de igualdade, inclusão e justiça que moldaram os Estados Unidos.