Lula solicita que Trump tome medidas para cessar-fogo em Gaza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com a atual condição vivida por moradores da Faixa de Gaza, em entrevista a jornalistas na última terça-feira (13). Lula chamou a situação de “genocídio” e pediu para que Donald Trump intervenha positivamente para acabar com a guerra em curso entre Israel e Hamas na região. 

Lula, também, solicitou maior intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU), com ajuda humanitária mais eficaz. Além de criticar o desejo de Trump de construir um Resort de luxo no território hoje habitado pelos palestinos. 

“ A única coisa que eu quero é o seguinte: que a ONU possa tomar uma decisão. E Trump contribui para isso… Agora, se ele quiser fazer daquilo um resort, não dá certo.” Presidente Lula

O atual conflito entre o grupo Hamas e o estado de Israel iniciou em 07 de outubro de 2023, após um ataque coordenado pelo grupo contra civis israelenses. O ponto focal do ataque ocorreu em um festival de música, na comunidade de Re’im, ao sul de Israel, próximo à fronteira com a faixa de Gaza. 

Resort de Luxo 

Em fevereiro deste ano (2025), o presidente americano Donald Trump utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo realizado com a ajuda de Inteligência Artificial (IA). Nele, Trump faz a demonstração de como ficaria a Faixa de Gaza após transformar a região em um local turístico no Oriente Médio.


Postagem sobre o possível Resort de luxo na Faixa de Gaza (Vídeo: reprodução/X/realdonaldtrump)


Em um “agora e depois”, Trump intercala cenas da precariedade atual da região, assolada pela guerra entre Israel e o grupo Hamas, com episódios onde é possível ver líderes e personalidades mundiais desfrutando do que ele classifica de “Riviera do Oriente Médio”. 

O vídeo gerou indignação na comunidade internacional, uma vez que, em meio à guerra e todas as consequências advindas dela, enfatiza o luxo e o lucro. Transformando a Faixa de Gaza, território administrado pela Autoridade Palestina desde a década de 1990, em um resort de luxo.

Intervenção da ONU

Em discurso no Conselho de Segurança da ONU, na data de ontem, terça-feira (13), o subsecretário geral para Assistência Humanitária, Tom Fletcher, classificou a atual situação na faixa de Gaza como “atrocidade do século 21” e solicitou ações mais eficazes para deter o que ele chama de “situação desumana”.

“Israel está impondo deliberada e descaradamente condições desumanas aos civis no Território Palestino Ocupado”. Tom Fletcher

O subsecretário ressaltou, ainda, que os palestinos estão sendo deslocados à força e que, atualmente, permanecem confinados em espaços cada vez menores dentro de Gaza. Declarou, também, que comida, água, medicamentos e tendas, há 10 semanas, não entram na região por intervenção de Israel.


Discurso de Tom Fletcher no Conselho de Segurança da ONU (Vídeo: reprodução/X/@UN_News_Centre)

Diante dessa situação, Fletcher solicita apoio internacional para que profissionais ligados à ajuda humanitária possam trabalhar livremente na região em apoio aos civis palestinos. Além de solicitar à ONU que crie mecanismos para que tal ajuda seja destinada aos civis e não ao grupo Hamas. 

Em sua fala, Tom Fletcher, informa que se encontrou com líderes israelenses por diversas vezes para traçarem um plano de cessar-fogo. No entanto, segundo Fletcher, a proposta de representantes de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é um “espetáculo cínico e distração deliberada”, utilizando a fome como “moeda de troca”. Sem, efetivamente, resolver a situação.

Incursão de Israel na Faixa de Gaza 

As forças armadas israelenses têm realizado diversas incursões na Faixa de Gaza nos últimos meses. A ação, segundo informou Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, é uma tentativa para a libertação de reféns em posse do grupo Hamas. 

De acordo com Netanyahu, as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão fazendo “um trabalho maravilhoso na Faixa de Gaza” e o “Hamas está sofrendo cada vez mais golpes”.

Em uma postagem nas redes sociais, o IDF informou que, em conjunto com o Shin Bet, Agência de Segurança de Israel, atacou terroristas do grupo Hamas em um complexo localizado sob o Hospital Europeu em Khan Yunis, sul da Faixa de Gaza. Essa ação ocorreu na tarde de ontem, terça-feira (13), horário local.


 Postagem sobre o ataque de Israel no sul da Faixa de Gaza (Vídeo: reprodução/X/@idfonline)

Atualmente, segundo informações, mais de 50 reféns estão em posse do grupo Hamas. Na última segunda-feira (12), o israelense-americano Edan Alexander foi liberto pelo grupo como sinal de um possível acordo de cessar-fogo. Porém, autoridades de Israel informaram que, até que todos os reféns sejam libertados, as ofensivas contra o Hamas seguirão com força total.

Jovem refém israelense-americano está próximo de ser libertado pelo Hamas

O Hamas informou neste domingo que, depois de negociar com representantes dos Estados Unidos, vai liberar o jovem refém israelense-americano, Edan Alexander, de 21 anos, mantido em cativeiro desde os ataques de 7 de outubro de 2023. 

Pouco antes, o grupo havia confirmado ter mantido conversas diretas em Doha com autoridades norte-americanas, nas quais se registrou avanço na busca por uma trégua na Faixa de Gaza, disse um porta-voz do grupo ao portal de notícias AFP.

Tentativas de negociações

Hamas afirmou em comunicado que a libertação de Edan Alexander integra as iniciativas voltadas à celebração de um cessar-fogo, à reabertura das passagens fronteiriças e à garantia da chegada de ajuda humanitária e operações de resgate à população da Faixa de Gaza. Em 18 de março, Israel encerrou uma trégua de dois meses e iniciou sua ofensiva na região, com o objetivo de pressionar o Hamas a libertar os reféns ainda mantidos desde o ataque de 7 de outubro de 2023.


Casa Branca dos EUA anuncia acordo de libertação de Edan Alexander (Foto: reprodução/X/@whitehouse)

Entre 19 de janeiro e 17 de março, a trégua possibilitou a soltura de 33 reféns israelenses em Gaza, sendo oito deles sem vida, mas em contrapartida a libertação de cerca de 1.800 palestinos detidos por Israel. As tratativas para encerrar os combates, conduzidas pelo Egito, Catar e Estados Unidos, ainda não avançaram a um acordo definitivo.

O Hamas exige uma “solução global” e, em 18 de abril, rejeitou a proposta israelense de cessar-fogo de pelo menos 45 dias, que incluía a troca de reféns pelos prisioneiros palestinos e o ingresso de ajuda humanitária em Gaza.

Quem é o jovem Edan Alexander?

Edan Alexander, estava com 19 anos, quando foi capturado em 7 de outubro de 2023 enquanto servia como soldado em uma unidade de infantaria de elite na fronteira de Gaza. Natural de Tel Aviv e criado em Nova Jersey, nos EUA, ele voltou a Israel após o ensino médio para ingressar no exército. 

Agora com 21 anos, acredita-se que Alexander seja o último refém israelense-americano vivo nas mãos do Hamas em Gaza. Algumas semanas atrás, Steve Witkoff, enviado especial do presidente dos EUA Donald Trump, classificou sua libertação como prioridade máxima.

Irã enforca suposto espião acusado de ligação com Israel

O réu Mohsen Langarneshin, acusado de espionagem por supostamente se envolver em diversos acontecimentos de grande porte contra o Irã, é enforcado na manhã desta quarta-feira (30). Segundo a CNN Brasil, uma dessas acusações inclui a morte de um coronel da Guarda Revolucionária iraniana em 2022.

A execução foi informada pela Mizan, uma agência de mídia judiciária iraniana. Por tanto, Langarneshin, condenado por espionagem e cooperação com o Mossad, agência de inteligência nacional de Israel, foi considerado um espião de alto escalão e apoiador operacional de várias missões da inteligência inimiga em seu país. Entretanto, o veículo irãnico não deixou claro a data de sua prisão ou seu julgamento.


Primeiro selo oficial da organização governamental de Israel (foto: reprodução/Instagram/@mossad_carear)

Porém, a mídia estatal do país situado no oriente médio, seguiu afirmando que durante os supostos dois anos em que o acusado serviu como espião israelense, ele foi responsável por ações terroristas importantes e esteve presente na cena de assassinato de Sayad Khodai.

A morte de um coronel

O caso, também apurado pelo jornal O Globo, afirma que a principal atuação do suposto espião teria sido em 22 de Maio de 2022, ou seja, na arquitetura do assassinato de um coronel da Guarda Revolucionária do Irã, Sayad Jodaei, executado por dois motociclistas enquanto voltava para sua residência no leste de Teerã.


O coronel Sayad Khodai, oficial da guarda Revolucionário, exército ideológico do Irã (Foto: reprodução/Instagram/@ohfnews)

Na época após o ocorrido, o veículo de notícias norte-americano New York Times, publicou uma manchete alegando que Israel havia se pronunciado como mandante do assassinato.

Acusações confessadas

Assim, a notícia da execução de Langarneshin repercutiu mundialmente, e principalmente, por conta do impacto das afirmações apresentadas. Além disso, a CNN Brasil divulgou informações sobre as demais acusações, incluindo, o suposto apoio operacional para um ataque a um centro industrial em Isfahan.

Em resumo, o acusado teria assumido todas as suposições levantadas pelo Mizan, enquanto, Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, estava ocupado demais acusando Israel de tentar sabotar as negociações nucleares entre o país do oriente médio e os Estados Unidos.

Israel faz nova proposta de cessar-fogo nos conflitos em Gaza

Uma emissora afiliada ao governo do Egito trouxe uma informação de que Israel havia dado uma nova proposta de cessar-fogo ao conflito realizado na Faixa de Gaza. O grupo terrorista Hamas, considerou a oferta, porém um alto funcionário afirmou que pelo menos dois dos elementos do acordo eram inviáveis. Esta medida de cessar-fogo se une a várias outras, como a que ocorreu no final de janeiro, terminando no mês de março.

A nova proposta de Israel

A emissora egípcia Al Qahera News TV, que é associada ao governo do Egito, apresentou uma nova proposta de Israel para criar um novo cessar-fogo contra a organização terrorista Hamas, na região de Gaza. O grupo terrorista foi informado do acordo, porém uma figura de autoridade afirmou que não concordavam e não cederiam a pelo menos duas cláusulas do acordo

O grupo palestino disse em um comunicado que a proposta estava em análise, e uma resposta seria entregue assim que possível. Um representante do Hamas, Sami Abu Zuhri, declarou à Reuters que dentro da proposta dada por Israel não era considerado a sua principal exigência que seria um fim às medidas ofensivas de Israel. Outro elemento da proposta era que houvesse, pela primeira vez, o desarmamento do Hamas, na próxima etapa das negociações. Sami Abu Zuhri, no entanto, negou essa medida, afirmando que isso estava fora de cogitação e não seria discutido e nem considerado pelo grupo. Israel não fez comentários imediatamente sobre o acordo.


Destroços de prédios , devido aos conflitos em Gaza (Foto: reprodução/OMAR AL-QATTAA/AFP/Getty Images Embed)


O Hamas está pronto para entregar os reféns de uma só vez em troca do fim da guerra e da retirada das forças militares israelenses de Gaza”, informou Abu Zuhri.

Fontes egípcias e palestinas informaram que a última rodada de negociações, feita no Cairo, para restaurar cessar-fogo e libertar reféns israelenses, terminou sem avanços. O Hamas insiste que para acabarem com o conflito, Israel deve se comprometer a terminar a guerra e a retirar suas forças da Faixa de Gaza, conforme o último cessar-fogo, que ocorreu no final de janeiro, tendo seu fim em meados de maio. Israel, porém, disse que não acabará com a guerra a não ser que o Hamas seja eliminado e que reféns mantidos em Gaza sejam devolvidos.

Consequências de guerra

De acordo com autoridades de saúde de Gazas, as forças militares israelenses, desde o mês anterior, ceifaram a vida de mais de 1.500 palestinos. O grupo terrorista Hamas moveu centenas de milhares de pessoas e impôs um bloqueio a qualquer suprimento que entrar nos limites do território.


Médico cuidando de cidadão palestino ferido (Foto: reprodução/Mahmoud Issa/Anadolu/Getty Images Embed)


Em meio a essa situação, 59 reféns israelenses continuam com os militantes. Israel ainda crê que 24 desses reféns ainda permanecem vivos.

Após seis semanas de bloqueio palestinos em gaza enfrentam falta de comida

Após Israel cortar completamente, o fornecimento de 2,3 milhões de moradores que residem na faixa de Gaza, os alimentos já estão se esgotando, e a preocupação começa a pairar na região. As distribuições que eram feitas de maneira emergencial, estão chegando ao seu fim, tendo em vista ainda que as padarias e os mercados estão sem nada para poder fornecer aos moradores do local. O país liderado por Benjamin Netanyahu bloqueou os envios de alimentos, entre outras coisas, há cerca de seis semanas.

Situação

Algumas famílias estão tentando se virar da sua forma, Rehab Akhras e sua família, usaram papelão para acender fogueira e poder ferver o feijão, ela demonstra uma certa preocupação com o que pode ocorrer aos seus familiares, se caso ficarem sem alimentação nos próximos dias, segundo a mesma são 13 pessoas que precisam de alimentos, para não passarem fome, informou ainda que apesar de ter sobrevivido a guerras e atentados, não conseguiria sobreviver caso haja falta de comida para eles.


Palestinos andando pelas ruas de Gaza no dia 8 de abril (foto:reprodução /Madji/fathi/Getty Images Embed)


Fornecimento

Grande parte do fornecimento de comida, era feito pelo mundial de alimentos (PMA), eles forneciam cerca de 25 padarias localizadas na faixa de Gaza. No momento os estabelecimentos comerciais em que recebiam essa ajuda com suprimentos, se encontram fechadas, e, além disso, terá que ser encerrado a distribuição de cestas básicas, que eram feitas em porções reduzidas. Conforme Juliette Touma da UNRWA, agência pertencente a ONU que está designada a ajudar a Palestina, informou.


Acusação

Homens do Hamas estão sendo acusados pelo exército israelense de explorarem da ajuda humanitária. Segundo as Forças de defesa de Israel(FDI), eles não irão fornecer ajuda para os que eles chamam de terroristas, informou os militares de Israel. O Ministério das relações exteriores falou que 25 mil caminhões haviam entrado em Gaza nos últimos 42 dias enquanto ocorria o cessar-fogo entre os países, antes de acontecer o fechamento da fronteira nos primeiros dias de março.

Ainda não se sabe quando Israel voltara a fornecer alimentação para a Palestina.

Academia dos EUA se desculpa por não apoiar Hamdan Ballal

Os responsáveis pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) dos Estados Unidos emitiram um pedido de desculpas oficial por não falarem sobre Hamdan Ballal, vencedor do Oscar, após seu sequestro pelo exército israelense.

Yuval Abraham, co-diretor do filme ao lado de Ballal, chamou a atenção para a omissão da Academia em sua conta do X (antigo Twitter), relatando o quão desapontado ficou pela falta de ação, contando ainda que houve uma chance para mostrar coragem e solidariedade, mas escolheram o silêncio.


Yuval Abraham chama a atenção para a falta de resposta da Academia sobre um dos vencedores do Oscar (Foto: reprodução/X/@yuval_abraham)

O pronunciamento da Academia

O Conselho de Governadores da Academia fez uma reunião especial urgente a fim de tratar sobre a falta de resposta mediante o ataque que Hamdan Ballal sofreu, visto que a Academia não falou sobre o co-diretor, e nem mesmo sobre o documentário “Sem Chão”.

Em seguida, Bill Kramer e Janet Yang, CEO e presidente da AMPAS, respectivamente, lançaram uma nota para os membros horas depois, relatando que encaminharam na quarta-feira uma carta respondendo os atos de violência do vencedor do Oscar, e se desculpam por não ter terem reconhecido diretamente o filme e o co-diretor.

A Academia se desculpa com Ballal e com todos os artistas que se sentiram ofendidos com a declaração anterior realizada, e dizem que esse tipo de violência é condenado por eles, onde quer que aconteça. “Abominamos a supressão da liberdade de expressão em quaisquer circunstâncias”.


Yuval Abraham posta nota da Academia sobre a violência sofrida por Hamdan Ballal (Foto: reprodução/X/@yuval_abraham)

A nota da academia foi apoiada por diversos membros, como Emma Thompson, Joaquin Phoenix, Natasha Lyonne e Penélope Cruz.

O que houve com Hamdan Ballal

Na última segunda-feira (24), aproximadamente às 18h no horário local (13h no horário de Brasília), colonos israelenses agrediram Ballal após terem abordado um grupo de palestinos na vila de Susya, segundo o veículo israelense Haaretz.

Ao pedirem que se retirassem, mais colonos apareceram, e começaram a atacar os palestinos com paus e pedras, fora terem destruído prédios com tanques de água e automóveis.

Além da destruição pública e agressão contra civis, soldados sequestraram a ambulância que Ballal chamou após ser atacado, e o levaram para uma prisão israelense, segundo Yuval Abraham. No dia seguinte, foi liberto e voltou para casa, após ser atacado por cerca de vinte minutos, ter sangrado por todos os lugares, e ter o corpo inteiro dolorido.

Unidos por Ballal: diretores criticam o Oscar

Durante esses últimos dias, diversos cineastas se manifestaram em repúdio a forma indiferente, a qual, o Oscar reagiu a um de seus premiados. Na madrugada entre a segunda-feira (24) e a terça-feira seguinte, o diretor palestino Hamdam Ballal sofreu uma série de ataques e foi levado ao cárcere. Os episódios, gravados pelo co-diretor de sua obra vencedora, repercutiram mundialmente e após uma gama de cobranças a academia, a resposta finalmente chegou, porém, não é a resposta esperada.

Segundo o portal da “Uol” o jornalista israelense, também co-diretor do documentário “No Other Land, Yuval Abraham, foi o primeiro a se pronunciar em uma denúncia feita no X (ex-Twitter). Alegando que infelizmente a Academia dos Estados Unidos, que os deu o Oscar há três semanas, se recusou a apoiar Hamdan Ballal publicamente enquanto ele era agredido, torturado e mantido preso por soldados israelenses.


— O Jornalista israelense se pronuncia sobre a resposta da Academia aos ataques sofridos pelo colega palestino premiado pela categoria do Oscar (Postagem: Reprodução/X (ex-Twitter)/@yuval_abraham)


Abraham ainda afirmou que o Oscar não sentiu necessidade de se pronunciar por conta de outros palestinos, também agredidos no ataque dos colonos, e por tanto o ataque sofrido poderia não ter relação com o filme. Porém, Hamdan afirmou ter ouvido os soldados fazendo piada sobre o Oscar.

Uma desculpa para se calar

Segundo o co-diretor de “Sem Chão” o ataque foi claramente escolhido por conta do documentário e o fato de Ballal ser palestino.

Aparentemente, isso deu à Academia uma desculpa para ficar calada quando um cineasta que eles homenagearam, que vive sob uma ocupação israelense, mas precisava dela”, desabafou o jornalista.

O cineasta ainda ressalta que outras organizações se pronunciaram dando apoio ao colega, destacando o papel da Academia Europeia de Ciências e Artes e uma gama de profissionais do audiovisual que sentiram a dor da vítima.

Quebra de confiança

O portal “Omelete” trouxe a revolta de mais vozes do mundo artístico e apontou como consequência outros cineastas, inclusive votantes da própria premiação, como o documentarista AJ Schnack (Kurt Cobain: Retrato de uma Ausência), que escreveram uma resposta ao CEO da Academia, Bill Kramer, e à presidente, Janet Yang.


AJ Schnack em um jogo de basebol em Los Angeles (foto: reprodução/Instagram/@Ajschnack)

O diretor independente começou pontuando a dificuldade para se expressar adequadamente e a decepção, mesclada com a raiva, pela péssima declaração enviada aos membros da academia. Seguindo chocado e furioso pela sensação de abandono do Oscar, o cineasta afirma que a organização da premiação norte-americana deixou uma brecha para que os membros vejam:

“Vocês (Oscar) veem o sequestro e espancamento de um premiado recente como algo sobre o qual os membros terão ‘muitos pontos de vista únicos’. Com todo respeito, é uma sugestão verdadeiramente hedionda”, disse Schnack.

Ainda com um sentimento de quebra de confiança por parte dos jurados, já que segundo o artista essa declaração deixou claro que a presidência do festival reconhecido mundialmente não usará sua voz caso algo assim aconteça a outro membro no futuro, mesmo que, segundo AJ, seja algo feito por um governo norte-americano ou outro.

União e apoio entre os membros

Com questionamentos de outros cineastas indagando se a Academia realmente se importa com a liberdade artística e os direitos desses artistas do audiovisual, com consequência diversos nomes prestigiados da categoria utilizaram as redes sociais para apoiarem as falas de Yuval Abraham e AJ Schnack.

A votante Jehane Noujaim, indicada ao Oscar em 2014 pelo documentário The Square, apoiou o colega e agradeceu aos depoimentos de AJ pontuando que também escreverá uma carta. Em seguida, a produtora Ina Fichman, indicada em 2023, afirmou que todo o departamento de documentários deveria assinar essa carta e torná-la pública e escrever tanto para o Presidente quanto para a SEO da academia.

A diretora vencedora do Emmy, Rachel Leah Jones, por “Advocate”, deu uma resposta polêmica seguindo a premissa de que essa resposta do Oscar é errada, mas é também um aviso aos membros, incluindo “os preguiçosos e confortáveis predominantemente brancos, sob o regime de Trump” que isso não é sobre “pontos de vista únicos”, mas, é sobre certo e errado.

Parlamento israelense aprova lei que fortalece controle político sobre o Judiciário

O Parlamento de Israel aprovou uma nova lei que aumenta a influência do governo no processo de escolha de juízes. A medida foi liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e recebeu críticas da oposição e de grupos da sociedade civil, que acusam o governo de tentar minar a independência do Judiciário. Apesar dos protestos que se estenderam pela madrugada, a lei foi aprovada por 67 votos a 1, com a oposição boicotando a sessão.

Como funciona a nova regra

A lei altera a composição da Comissão de Nomeações Judiciais, órgão responsável por escolher juízes para tribunais inferiores e para a Suprema Corte. Antes, a comissão tinha nove membros, incluindo representantes da advocacia israelense. Agora, esses representantes serão substituídos por advogados indicados por partidos políticos — um pelo governo e outro pela oposição.

Além disso, a aprovação dos nomes passará a exigir somente maioria simples, o que dá ao governo maior controle sobre as indicações. Outro ponto polêmico é o poder de veto concedido tanto ao governo quanto à oposição para a escolha de juízes da Suprema Corte.

Reação explosiva: protestos e promessas de revogação

A oposição se manifestou contundentemente contra a mudança. Em uma declaração conjunta, líderes oposicionistas afirmaram que a nova legislação tem um “objetivo claro: garantir que os juízes fiquem sujeitos à vontade dos políticos”. Eles prometeram revogar a lei caso vençam as eleições de 2026.


Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (Foto: reprodução/Sean Gallup/Getty Images Embed)


A população também reagiu. Milhares de manifestantes tomaram as ruas de Tel Aviv e Jerusalém, chamando a lei de “prego no caixão da democracia israelense”. Entre os protestos, o major-general da reserva Noam Tibon discursou: “O governo quer que esqueçamos os reféns, quer demitir o chefe do Shin Bet… mas eles não têm o poder de fazer isso se permanecermos unidos”.

Netanyahu rebate e defende a mudança

Netanyahu negou que a reforma seja um ataque à democracia. Para ele, a medida fortalece a representação popular dentro do Judiciário.

“Não é a democracia que está em perigo, é o ‘Estado dos burocratas’”, afirmou o premier, usando um jogo de palavras para rebater os críticos. “A democracia é, antes de tudo, o governo do povo. A tirania da pequena minoria não pode superar a vontade da maioria.”

A nova lei não entrou em vigor ainda, e a disputa pode se estender pelos tribunais. A Ordem dos Advogados de Israel, partidos de oposição e organizações de direitos civis entraram com petições na Suprema Corte para tentar barrar a reforma.

O líder oposicionista Yair Lapid criticou duramente a medida, dizendo que não se trata de uma simples emenda, mas da “erradicação de um sistema inteiro”. A parlamentar Karine Elharrar reforçou: “Juízes deveriam ser nomeados com base em critérios profissionais, não políticos”.

A decisão da Suprema Corte sobre a validade da nova lei será crucial para definir os rumos do Judiciário em Israel e pode determinar se essa medida será o início de uma nova fase política no país ou apenas um capítulo conturbado na história da democracia israelense.

Diretor palestino é agredido e preso por militares em Israel

Nesta segunda-feira (24), o diretor palestino Hamdan Ballal, que participou na direção do documentário ganhador do Oscar, “Sem Chão”, sofreu um ataque de colonos israelenses e foi detido por militares das Forças de Defesa de Israel, que atuam na Cisjordânia.

O ataque ao cineasta

O Palestino diretor do documentário vencedor do Oscar, que aborda a vivência de palestinos na região da Cisjordânia, que possui opressão e violência das forças armadas de Israel, foi vítima de um ataque, feito por colonos israelenses e em seguida foi detido por militares das Forças de Defesa de Israel.


Hamdan Ballal e seus companheiros vencedores do Oscar (Foto: reprodução/Mike Coppola/Getty Images Embed)


Os atentados ocorreram nesta segunda-feira (24), em uma região próxima ao assentamento israelense de Susya. As Forças de Defesa de Israel informaram que estão investigando o caso, porém não se aprofundaram em nenhum detalhe.

Yuval Abraham, jornalista israelense que também foi responsável pela direção do documentário, fez um relato em seu X (antigo Twitter) dizendo que Hamdan foi ferido na cabeça e na barriga, e ficou sangrando. Ele então disse que quando uma ambulância veio para socorrê-lo, os militares o retiraram do veículo, enquanto estava sendo tratado.

Colonos invadiram casas, atiraram pedras, quebraram janelas e veículos e agrediram violentamente moradores e ativistas de solidariedade. Várias pessoas ficaram feridas”, afirmou Ihab Hassan, um ativista palestino, que foi uma das testemunhas do ataque, por meio do X.

De acordo com a Associated Press, as testemunhas disseram que um grupo que tinha entre 10 e 20 colonos mascarados atacou Ballal e outros ativistas judeus, que estavam no local, com pedras e bastões, além de danificar seus carros, quebrando os vidros e furando os pneus.

As tensões da guerra

Os conflitos na Cisjordânia têm se intensificado recentemente. Mesmo após a trégua já quebrada, no início do ano, os conflitos emergiram e continuam em cenário de tensão. As forças de Israel conduzem uma grande operação na Cisjordânia, dizendo que tem como alvo grupos terroristas e extremistas. Milhares de palestinos foram forçados a deixar suas habitações em campos de refugiados, após a infraestrutura ser destruída. E pela primeira vez em mais de 20 anos, Israel enviou tanques de guerra para a cidade de Jenin, no final de janeiro.


Veículo reforçado de Israel, na Cisjordânia (Foto: reprodução/Issam Rimawi/Anadolu/Getty Images Embed)


No mês de fevereiro, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, informou que havia ordenado seus militares a realizar uma estadia mais prolongada na Cisjordânia, intensificando suas operações. Apesar de ser considerado um território palestino, a Cisjordânia é controlada pelas forças militares de israelenses, portanto impõem suas leis aos residentes palestinos e podem julgá-los por seus tribunais militares.

Israel aprova proposta para transferência voluntária de Palestinos da Faixa de Gaza

Uma nova proposta aprovada pelo gabinete de segurança de Israel possibilitaria a saída de palestinos da Faixa de Gaza em direção a países terceiros. Anunciada no último final de semana, a decisão gerou reações adversas de especialistas e organizações de direitos humanos. O ministro das finanças, Bezalel Smotrich, afirmou que a medida foi aprovada após sugestão do ministro da defesa, Israel Katz, e tem como objetivo permitir “uma transferência voluntária para moradores de Gaza que expressam interesse em se mudar”, respeitando a legislação israelense e internacional, além de alinhar-se com a visão do presidente do EUA, Donald Trump.

Riscos de deslocamento forçado

Entretanto, essa proposta levanta sérias preocupações entre especialistas. Críticos e entidades humanitárias apontam que, apesar do discurso de voluntariedade, a iniciativa pode ser vista como uma tentativa de expulsão forçada. Isso, por sua vez, poderia configurar um crime de guerra. No contexto atual de conflito, qualquer movimento que resulte em deslocamento em massa é considerado uma forma de limpeza étnica, de acordo com o direito internacional.


Ataques Israelenses em Gaza deixa ao menos 7 mortos Foto: (Reprodução/Instagram/perfilcombrasil)


As condições de vida em Gaza, que se deterioram significativamente devido aos ataques militares, reforçam essas preocupações. Organizações de ajuda relatam que a situação se tornou insustentável, e o secretário-geral adjunto da ONU para assuntos humanitários, Martin Griffths descreveu o território como “inabitável”, com civis enfrentando “ameaças diárias à sua própria existência”.

Posicionamento da autoridade Palestina oposta a Israel

Em resposta à proposta, a autoridade Palestina expressou uma firme oposição. A ministra de estado para Relações Exteriores, Varsen Aghabekian Shaheen, declarou à CNN no mês passado que os palestinos “estão firmes em permanecer em suas terras e não se mudarão”. Por outro lado, as autoridades israelenses sustentam que a adesão à proposta será inteiramente voluntária. Para isso, planejam criar uma estrutura interna que facilitará o movimento seguro de moradores que desejarem migrar, planejando rotas de saída, pontos de controle e a necessária infraestrutura para essa migração.