Força militar americana chega próximo à Venezuela para combater tráfico internacional de drogas

Segundo apurou a agência internacional de notícias Reuters, os Estados Unidos enviaram à Venezuela sete navios de guerra e um submarino nuclear, além de 4.500 militares, para uma operação que visa combater o tráfico internacional de drogas. A ONU foi acionada na pessoa de seu secretário-geral, António Guterres, para discutir a ofensiva norte-americana, em uma conversa com o Embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, Samuel Moncada.

Intimidação americana contra Venezuela   

Não obstante nenhuma declaração de guerra tenha sido feita formalmente pelos Estados Unidos contra a Venezuela, o país norte-americano deslocou uma parte de sua frota marítima ao país latino-americano, em viagem teve início nesta última segunda-feira (25/8).

Com essa ofensiva americana, a tensão, já antiga entre os países, tende a aumentar ainda mais, considerando, também, as últimas declarações feitas por Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, sobre Maduro e sobre o poderio americano, ao afirmar que não considera Maduro o presidente legítimo da Venezuela, mas sim um fugitivo da justiça americana. Além disso, afirmou que o presidente americano, Donald Trump, utilizará de qualquer elemento do poder americano, para combater o tráfico internacional de entorpecentes.  


Nicolás Maduro (Foto: reprodução/Juan BARRETO/Getty Images Embed)


Maduro, por sua vez, agiu rapidamente, realizando um novo alistamento militar, mobilizando 4,5 milhões de civis no país, após um pedido feito pelo Ministro da Defesa e Soberania, Vladimir Padrino López, na última quarta-feira (27/8), além de enviar 15 mil militares para a fronteira com a Colômbia, para evitar qualquer possível invasão americana através do país vizinho.

ONU é acionada

A Venezuela enviou uma carta à Organização das Nações Unidas, afirmando que esta ação dos Estados Unidos, na visão do país, é classificada como uma grave ameaça à paz e à segurança nacional, requerendo o monitoramento de outras ofensivas que possam ser, claramente, taxadas como hostis.

A justificativa dos Estados Unidos para tamanha ofensiva seria a prática de narcoterrorismo pelo presidente venezuelano, apontando o governante como líder de uma organização terrorista internacional, segundo o governo americano, denominada “Cartel de los Soles”.

Os Estados Unidos encontraram outros países aliados à sua argumentação, são eles: Paraguai, Equador, Argentina, Guiana e Trinidad e Tobago.  

Países sul-americanos declaram apoio aos EUA em conflito contra a Venezuela por narcotráfico

Nos últimos dias, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, intensificou as publicações em suas redes sociais com informações sobre o conflito envolvendo o governo Trump e a Venezuela. Algumas das postagens referem-se ao apoio de países sul-americanos a Donald Trump na guerra contra o narcotráfico na região. Argentina, Equador, Paraguai não só apoiaram a ofensiva estadunidense contra o governo venezuelano, como também classificaram o Cartel de Los Soles como organização terrorista.

Apoio aos Estados Unidos 

Em meados de agosto, o presidente do Equador, Daniel Noboa, emitiu um decreto que classificou o Cartel de Los Soles como um “grupo terrorista do crime organizado”, autorizando seu serviço de inteligência a mapear conexões com quadrilhas locais.  Poucos dias depois, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, assinou um decreto similar, referindo-se ao grupo como uma “organização terrorista internacional” e reforçando o compromisso do país em combater o crime transnacional. 


Carta do presidente do Paraguai, Santiago Peña, contra o Cartel de Los Soles (Foto: reprodução/X/@PresidenciaPy)

Na sequência, na última terça-feira (26), o presidente argentino Javier Milei, também, declarou o Cartel de Los Soles como organização terrorista, inserindo a organização no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento (RePET). O governo de Milei justificou a decisão com base em relatórios oficiais argentinos. Além de vincular o Cartel a outras redes criminosas regionais, apontou, também, o envolvimento do grupo com narcotráfico, contrabando e exploração ilegal de recursos naturais.


Publicação do Ministério de Segurança Nacional argentino sobre o Cartel de Los Soles (Foto: reprodução/X/@MinSeguridad_Ar)

Manifestações diversas

A escalada da tensão entre os EUA e o governo de Nicolás Maduro ganhou fortes contornos nas últimas semanas, com Washington intensificando sua presença militar no mar do Caribe. A declaração formal, chamando o Cartel de los Soles como organização terrorista internacional, veio acompanhada de sanções econômicas, confisco de bens e, principalmente, do envio de navios de guerra e milhares de soldados estadunidenses para patrulhar a região.


Declaração do secretário de Estado Marco Rubio, ao lado do presidente Donald Trump, sobre combate ao narcotráfico (Vídeo: reprodução/X/@RapidResponse47)

Contudo, o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, qualificou tudo como invenção, reiterando que o Cartel seria apenas uma narrativa forjada pelos adversários do país. No entanto, a oposição venezuelana, representada por María Corina Machado, comemorou o apoio dado aos EUA por países sul-americanos, acrescentando que esses movimentos são passos importantes para desmantelar o “sistema” que Nicolás Maduro teria formado.

A Guiana, por sua vez, emitiu uma nota expressando “profunda preocupação” com o narco terrorismo e com o papel que redes como o Cartel venezuelano de Los Soles teriam nesse contexto, ressaltando a necessidade de cooperação internacional para enfrentar essa ameaça. Em contrapartida, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que “o Cartel de Los Soles não existe; é uma desculpa fictícia usada pela extrema-direita para derrubar governos que não a obedecem”, mantendo uma posição crítica contra as ações dos EUA e seus aliados na região.

Navios de guerra americanos intensificam tensão com Venezuela

De acordo com a Agência Reuters, os Estados Unidos determinaram o deslocamento de mais um navio de guerra, além de um submarino de ataque veloz, para as águas do sul do Caribe, em proximidade ao litoral da Venezuela. A agência de notícias afirma que a confirmação partiu de duas fontes anônimas do Pentágono.

EUA e Venezuela

Na terça-feira passada (19), os EUA já tinham enviado três embarcações militares para perto do litoral venezuelano, alegando que precisavam frear a possível ameaça de grupos de traficantes de drogas por ali. Em contrapartida, Trump tem sinalizado que seu próximo alvo é Nicolás Maduro, já que, de acordo com informações da Reuters, seis navios de guerra foram mandados para o sul do Caribe. A justificativa oficial veio da porta-voz do governo, Karoline Leavitt, que fez declarações fortes contra Maduro e afirmou que os EUA usariam “toda a força” contra o governo venezuelano.

Segundo alegações de Donald Trump, Nicolás Maduro estaria à frente de uma organização denominada Cartel de los Soles, supostamente comandada pela alta cúpula das Forças Armadas da Venezuela. A mídia latino-americana reporta que o grupo funcionaria como um facilitador de rotas de narcotráfico para outras organizações que comercializam substâncias ilícitas no mercado americano, a exemplo do Cartel de Sinaloa, do México, e do Tren de Aragua, também da Venezuela.


Coletiva de imprensa com a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt ( Vídeo: reprodução/Instagram/@belavista neves.panama)


Os Equipamentos

Fontes da área confirmaram que o USS Lake Erie, um cruzador de mísseis guiados, e o Uss Newport News, um submarino de ataque veloz com energia nuclear, são os novos recursos aguardados para o começo da próxima semana. Próximo à costa venezuelana, já estão presentes três destróieres da marinha americana, dotados do avançado sistema de combate Aegi, três embarcações de assalto anfíbio, aeronaves de reconhecimento P-8 Poseidon e, no mínimo, um submarino, somando um contingente de 4.000 marinheiros e fuzileiros

Diante dessa situação, Maduro comunicou o acionamento de 4,5 milhões de integrantes da milícia nacional, com o objetivo de neutralizar o que ele descreve como um perigo vindo dos Estados Unidos. A capacidade bélica venezuelana enfrenta dificuldades. De acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), as Forças Armadas da Venezuela funcionam com limitações e dificuldades de preparo, em virtude das sanções internacionais, do isolamento na região e da crise econômica, que, ao longo das últimas décadas, reduziram a possibilidade de adquirir equipamentos militares de ponta.

A mesma tem orçamento militar de US$ 640 milhões em 2024 queé 0,1 do orçamento dos EUA no mesmo ano. Por conta disso muita incerteza se cria em relação as capacidade mi litar real da Venezuela mesmo tendo alguns equipamentos modernos.

EUA desafiam Maduro e revelam vulnerabilidade do arsenal militar venezuelano

Pressionada pelo governo do presidente Donald Trump, a Venezuela enfrenta um dos maiores testes militares dos últimos anos. Segundo especialistas, a defasagem tecnológica, as restrições orçamentárias e as sanções internacionais comprometem o arsenal militar venezuelano, fragilizando suas Forças Armadas e limitando sua resposta aos Estados Unidos.

Nos últimos dias, a tensão aumentou com o envio de três navios de guerra norte-americanos ao sul do Caribe, próximo à Venezuela. O argumento dos EUA é combater cartéis de drogas. Em resposta, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos, apresentados como parte da “defesa da pátria” diante das supostas ameaças americanas.

Escalada no Caribe

A movimentação dos navios elevou a tensão entre Washington e Caracas, reforçando o clima de confronto na região. Além disso, a retórica de defesa de Maduro se intensificou contra a presença militar americana. Segundo a Casa Branca, Maduro “não é um presidente legítimo” e estaria envolvido em crimes ligados ao narcotráfico. Há uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura.


Maduro critica presença militar dos EUA como “ameaça à paz regional” (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN)

Limitações do exército e impacto no arsenal militar venezuelano

De acordo com o relatório “Balanço Militar 2025” do IISS, as Forças Armadas da Venezuela enfrentam “capacidades restritas” e “problemas de prontidão” devido à crise econômica, isolamento diplomático e sanções. Portanto, há dependência de reparos improvisados, o que afeta caças, blindados e embarcações.

O orçamento militar do país foi de US$ 640 milhões em 2024, apenas 0,07% do montante destinado à Defesa pelos EUA, evidenciando o desequilíbrio bélico entre os dois países.

Composição do arsenal militar venezuelano

Apesar de parcerias com Rússia, China e Irã, o arsenal venezuelano é limitado e conta com:

  • 844 tanques e veículos blindados
  • 545 veículos de artilharia
  • 95 navios de patrulha e combate
  • 79 jatos de combate (F-16, Su-30 e K-8W)
  • 9 helicópteros de ataque
  • 2 fragatas e 2 submarinos
  • Sistemas de defesa aérea S-300
  • Drones Mohajer 6 e 2, além do Ansu-100 nacional
  • Mísseis de curto alcance russos e americanos
  • Esquadrão de 19 aeronaves Tucano EMB-312

No entanto, parte significativa do equipamento não está em plena operação devido à falta de peças e manutenção precária.

Risco de confronto e aliados externos

Para o professor Vitelio Brustolin, o cenário atual indica que uma ofensiva militar em larga escala dos EUA é improvável. Além disso, “o que vemos é um gesto de pressão, não um plano de mudança de regime”, afirmou, ressaltando que a movimentação de navios serve como sinal de força e instrumento de coerção, sem representar ordens de bombardeios em solo venezuelano. Por outro lado, Maduro aproveita a tensão para mobilizar a população e reforçar a resistência interna, convocando milhões de milicianos, ampliando os custos políticos de qualquer ação americana e fortalecendo o discurso de defesa da pátria.

Apesar das limitações, a Venezuela mantém parcerias estratégicas com Rússia, China e Irã, que fornecem equipamentos militares e assessoria técnica. Ainda assim, diante do poderio dos EUA, o desequilíbrio bélico permanece evidente, e a crise do país continua mais marcada por pressões diplomáticas e econômicas do que pelo risco de um conflito direto de grande escala.

Governo brasileiro monitora navios militares dos EUA perto da Venezuela

O governo brasileiro está acompanhando com atenção a movimentação de navios destróieres dos Estados Unidos em direção à Venezuela. Os navios enviados pelo país norte-americano estão armados com mísseis guiados e embora o cenário de intervenção militar esteja sendo avaliado pelo mundo como uma possibilidade, é pouco provável que aconteça por ora. 

De acordo com a Agência Reuters, os Estados Unidos enviaram três navios destróieres de mísseis, operados pelo sistema “U.S. Aegis” em direção a costa da Venezuela, sob discurso de que as forças estão sendo enviadas para combater cartéis de drogas na América Latina. Segundo fontes ouvidas pela CNN, apesar da crescente tensão e da escalada militar que está acontecendo no momento, o governo brasileiro entende que não há um risco significativo de uma intervenção militar norte-americana, em função de uma tentativa para retirar Nicolás Maduro do poder. A atitude é interpretada mais como uma provocação de Donald Trump a Maduro do que como uma real intenção de interferência.

Provocação de Trump a Venezuela

O início da movimentação militar chamou atenção internacional, pela surpresa e também pelo desafio de Donald Trump. Porém, o Brasil observa com cautela as ações, as classificando somente como uma provocação política de Trump a Maduro. É descartado pelo governo brasileiro que as ações tenham uma natureza de intervenção militar, com objetivo de destituir Maduro de seu poder ou até mesmo ocupar território venezuelano. 

O envio dos navios armados por mísseis podem ser usados tanto para realizar operações de monitoramento, quanto como uma arma de lançamento para ataques direcionados, caso a decisão seja tomada. Entretanto, fontes diplomáticas ouvidas pela CNN consolidam a tese de que uma mobilização militar, no momento, está fora dos planos e não representa um risco direto à Venezuela. A ação dos EUA é vista por analistas como uma forma de pressionar a Venezuela por meio de demonstrações de força através dos militares, ao mesmo tempo em que exploram o discurso de combate ao tráfico de drogas como uma justificativa aceitável.


Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca (Foto: reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)


Tensão entre os dois países

A escalada verbal também foi intensa entre a Venezuela e os Estados Unidos, representados pela Casa Branca. Nesta terça-feira (19) durante declaração a imprensa, Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, classificou Nicolás Maduro como parte de um “cartel narcoterrorista”, indicando que Maduro seria um chefe em fuga que foi indiciado pelos EUA por tráfico de drogas. 

Em contrapartida, Maduro reagiu indiretamente ao discurso rígido, sem citar os navios de guerra. Ele declarou que a Venezuela irá “defender nossos mares, nossos céus e nossas terras”, fazendo referência aos EUA, ao qual os chamou de uma “estranha e bizarra ameaça de um império em declínio”. As trocas verbais entre os Estados Unidos e Venezuela reforçam a percepção de um cenário de tensão política e simbólica entre os dois países, aos quais buscam demonstrar força diplomática através de discursos e provocações, mas sem necessariamente darem início a um conflito armado de imediato. 

EUA enviam navios à Venezuela e Maduro mobiliza 4,5 milhões de milicianos

O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou, na terça-feira (19), a mobilização de 4,5 milhões de milicianos armados por todo o território venezuelano, em resposta ao deslocamento de três navios de guerra dos Estados Unidos para a costa do país.

A operação militar americana, revelada por fontes da agência Reuters, foi iniciada com o objetivo de combater o tráfico de drogas no sul do Caribe. Diante do que chamou de “ameaça bizarra”, o governo venezuelano reforçou seu aparato defensivo, reacendendo a tensão diplomática com os EUA, que não reconhecem Maduro como presidente legítimo.

Operação militar dos EUA aumenta pressão sobre Maduro

De acordo com informações divulgadas pela Reuters, os navios USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson foram deslocados para o mar do Caribe e devem permanecer na região por meses. Estima-se que cerca de 4.000 militares, incluindo fuzileiros navais, aviões espiões e ao menos um submarino de ataque, tenham sido mobilizados para essa ação, considerada parte da política americana de combate ao narcotráfico internacional.


Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branda (Foto: Reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)


A operação, embora não oficialmente confirmada pelo governo Trump, foi interpretada como um movimento direto contra o regime de Maduro, que já é alvo de sanções econômicas e denúncias criminais nos EUA. Em declaração à imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reiterou que “todos os elementos do poder americano” seriam utilizados contra o que chamou de “cartel narcoterrorista liderado por Maduro”.

Venezuela reage com mobilização militar

Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, Nicolás Maduro afirmou que a soberania nacional seria defendida a qualquer custo. Para isso, anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos civis armados treinados sob o comando das forças venezuelanas como forma de resistência às ameaças externas. A medida foi apoiada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que garantiu que o país está “mobilizado em todo o Caribe” e pronto para agir.

Apesar das tensões, episódios recentes sugerem um possível realinhamento estratégico entre os dois países. Em julho, uma troca de prisioneiros foi realizada, levantando hipóteses sobre uma abertura diplomática. Ainda assim, com a nova movimentação militar, os riscos de conflito e isolamento aumentam, e o clima político permanece instável na região.

Estados Unidos aumentam para US$ 50 milhões a recompensa para informações que incriminem Maduro

Os Estados Unidos decidiram aumentar de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) a recompensa por informações que possam levar à captura ou condenação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (7) pela procuradora-geral Pam Bondi, que justificou a medida afirmando que o líder venezuelano representa um risco à segurança nacional americana e o classificou como “um dos maiores narcotraficantes do mundo”.

Maduro é acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de participar de crimes como narcoterrorismo, tráfico e importação de cocaína, além do uso de armas para atividades ligadas ao tráfico. Ele também é apontado como líder do chamado Cartel de los Soles, grupo recentemente incluído na lista de organizações terroristas internacionais pelos americanos.

Justiça americana faz cerco a Maduro

As autoridades dos EUA afirmam já terem confiscado mais de US$ 700 milhões em bens de Maduro, incluindo dois aviões e nove carros. Além disso, interceptaram cerca de 30 toneladas de cocaína associadas a ele e seus aliados, sendo quase 7 toneladas diretamente ligadas ao presidente — parte misturada com fentanil.

Apesar da recompensa elevada, a medida tem caráter mais político que prático, já que Maduro segue governando a Venezuela e mantém relações com aliados estratégicos como Rússia, China e Irã. O Departamento de Justiça também oferece recompensas por informações sobre outros altos membros do governo, como Diosdado Cabello e Vladimir Padrino López.


Cartaz do Departamento dos EUA oferecendo recompensa sobre Maduro (Foto: reprodução/X/@StateINL)


Quem é Maduro?

No poder desde 2013, após a morte de Hugo Chávez, Maduro governa sob acusações de corrupção, repressão e fraude eleitoral. Sua reeleição em 2024 é considerada pela oposição e pela comunidade internacional como um exemplo extremo de abuso de poder, marcada pela perseguição de adversários, prisões e exílios forçados, como o do candidato Edmundo González.

Amparado por mudanças constitucionais feitas em 2009, que permitem reeleições ilimitadas, Maduro mantém controle sobre toda a estrutura estatal, dificultando qualquer transição de poder.

EUA oferecem US$ 25 milhões por prisão de Maduro

Na segunda-feira (28), em Washington, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou uma recompensa de US$ 25 milhões (cerca de R$ 140 milhões) por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. A medida foi divulgada por meio da conta oficial da Administração de Repressão às Drogas (DEA), que compartilhou um cartaz com a foto de Maduro e o valor da recompensa.

A ação ocorre após o governo norte-americano intensificar as acusações contra Maduro e seus aliados. Ele é apontado como líder do chamado “Cartel de Los Soles”, grupo classificado na última sexta-feira (25) como uma organização terrorista internacional. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, o cartel estaria envolvido com o narcotráfico e teria vínculos com organizações como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.

Maduro é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional

As acusações contra o presidente venezuelano incluem conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína, além do uso e transporte de armas para o tráfico. Ainda segundo o Departamento de Justiça, os ministros venezuelanos Diosdado Cabello Rondón (Interior) e Vladimir Padrino López (Defesa) também estão sendo investigados.


Governo dos EUA divulga recompensa por informações sobre Maduro (Foto: reprodução/@DEAHQ/X)

Com essas acusações, a recompensa bilionária tem sido vista como uma estratégia do governo norte-americano para ampliar a pressão política sobre o regime venezuelano e enfraquecer sua atuação no cenário internacional. O cartaz divulgado lembra o estilo das antigas campanhas contra líderes do narcotráfico, como Pablo Escobar.

Classificação de cartel como organização terrorista amplia tensão

A escalada de acusações marca mais um capítulo da deterioração das relações diplomáticas entre os dois países. De acordo com o documento oficial, o grupo liderado por Maduro representa uma ameaça à segurança e à paz dos Estados Unidos. A inclusão do cartel na lista de organizações terroristas aumenta as sanções e fortalece a atuação legal das autoridades americanas para capturar os envolvidos.

Ainda não houve resposta oficial do governo venezuelano à nova ofensiva norte-americana. No entanto, especialistas em relações internacionais afirmam que a medida pode gerar impactos diplomáticos duradouros e dificultar ainda mais as negociações entre os países.

Após 412 dias, opositores venezuelanos revelam bastidores de fuga histórica

Durante mais de um ano, cinco ativistas ligados à oposição venezuelana viveram confinados dentro da embaixada argentina em Caracas, sem qualquer garantia de salvo-conduto para deixarem o país em segurança.

Magalli Meda, Pedro Urruchurtu, Claudia Macero, Humberto Villalobos e Omar González buscaram refúgio no local em março de 2024, após uma onda de prisões contra apoiadores de María Corina Machado, às vésperas das eleições presidenciais.

A espera foi longa. Foram 412 dias de sobrevivência silenciosa, com rotina limitada, sem luz por meses e sem água por semanas. “Imaginem ficar presos por mais de um ano no mesmo espaço, sem poder acender um interruptor”, contou Meda, emocionada. O grupo se uniu como uma família, sustentado pela esperança de que sair daquele ambiente fechado ainda seria possível.

Saída sob sigilo e críticas à diplomacia

A operação de retirada foi descrita pelos opositores como “uma das mais espetaculares já realizadas”. Embora os detalhes ainda estejam sob sigilo, os envolvidos negam qualquer negociação com o governo de Maduro. Segundo eles, a fuga foi planejada e executada com precisão, sem confronto e sem ruído.


Opositores de Nicolás Maduro desembarcaram nos EUA após resgate do governo americano. (Vídeo: reprodução/YouTube/Jornal da Record)

O grupo criticou a atuação da diplomacia tradicional, alegando que países como Brasil, México e Colômbia falharam diante do autoritarismo. Também pediram sanções mais duras, citando o financiamento do regime por meio de empresas estrangeiras, tráfico e exploração de recursos naturais. Para os ativistas, a liberdade conquistada é só o começo de uma nova fase de luta.

Crise venezuelana

A crise eleitoral na Venezuela se agravou após a divulgação dos resultados de 28 de julho, que deram vitória a Nicolás Maduro, mas sem apresentação das atas oficiais. A oposição, por sua vez, divulgou documentos que indicam vitória de Edmundo González, hoje asilado na Espanha. Desde então, cresceram as prisões e denúncias de perseguição política.

Funcionários venezuelanos são suspensos pela Disney após decisão da Suprema Corte

A Disney World Company, na última terça-feira (20), enviou um comunicado aos seus funcionários de nacionalidade venezuelana, sediados na Flórida, de que perderão seus empregos caso não comprovem o status de permanência legal no país. A ação é baseada na decisão da Suprema Corte dos EUA que permitiu a revogação de 350 mil vistos destes imigrantes. 

No comunicado, a empresa informa que tais funcionários cumprirão licença não remunerada  por 30 dias, a partir do recebimento do comunicado e, caso não apresentem uma nova autorização de permanência legal, serão demitidos. 

Conforme informou um funcionário sob condição de anonimato, ele foi impedido de assumir seu posto de trabalho em um Resort da Companhia no estado da Flórida, nos EUA, devido às medidas adotadas pela Disney. O impedimento abrange cidadãos venezuelanos que possuem “Status de Proteção Temporária” (TPS).

Status de Proteção Temporária

O TPS, ou Status de Proteção Temporária, foi criado pelo Congresso dos EUA na década de 1990. Este programa de ajuda humanitária, concede autorização de trabalho a imigrantes de países que enfrentam epidemias, desastres naturais ou conflitos armados, por exemplo.  

Apesar de “temporária”, a autorização pode ser prorrogável, com muitos desses imigrantes vivendo nesta condição por décadas, no país. Estima-se que, atualmente, mais de meio milhão de pessoas vivem nos EUA  com o TPS. 


Publicação sobre o programa “Status de Proteção Temporária’ (Foto: reprodução/Instagram/@entrefronteirasusa)


Em seu primeiro mandato, o presidente Donald Trump pretendeu acabar com o Status de Proteção Temporária, sem sucesso. Enquanto o seu sucessor, Joe Biden, estendeu o programa a outras nacionalidades, além de propor leis para que muitos desses imigrantes conseguissem cidadania americana. 

Agora, em seu segundo mandato, Trump conseguiu autorização da Suprema Corte dos EUA para a deportação de 350 mil venezuelanos. Gerando debates na comunidade internacional, uma vez que, segundo especialistas, a Venezuela permanece como um país inseguro para se viver. 

Decisão da Suprema Corte

A autorização, que ocorreu na última segunda-feira (19), concedida a Donald Trump pela Suprema Corte do país, permite que o presidente americano deporte 350 mil venezuelanos, avaliados por seu governo como “estereótipos negativos”. 

Ao tomar posse, em janeiro (2025), Kristi Noem, secretária de Segurança Interna dos EUA, havia revogado a permanência desses imigrantes no país. Decisão barrada, anteriormente, pelo juiz distrital Edward Chen. No entanto, o caso teve uma reviravolta quando a Suprema Corte decidiu a favor de Noem esta semana.

A FDW.us, uma organização não governamental voltada para assuntos relacionados a imigração, sediada em Washington, nos EUA, declarou em carta aberta preocupação com a decisão da Suprema Corte. Segundo a organização, tanto o presidente Donald Trump, quanto o Secretário de Estado Marco Rubio, classificam a Venezuela como um país sem condições humanitárias para se viver.


Carta aberta da FDW.us sobre desisão da Suprema Corte dos EUA (Foto: reprodução/X/@FWDus)

Conforme a FDW.us, ao revogar o Status de Proteção Temporária de imigrantes venezuelanos, a decisão “desestabilizará famílias, empregadores e comunidades americanas em todo o país”. Uma vez que, esses trabalhadores realizam funções em “setores essenciais que sustentam a economia dos EUA”. 

A decisão da Disney World Company, além de fomentar debates sobre direitos humanos, imigração e trabalho legal, acentua a polarização política no país entre apoiadores das políticas adotadas pelo governo Trump e opositores a essas medidas.